Mais Uma História De Diários?
1 Primeiras impressões
Notas iniciais
O assassinato
Metade de um copo, alguns cacos de vidro e uma pequena poça de Whisky enfeitavam o chão ao lado da mesa do escritório. Um pouco a frente havia um homem com lágrimas nos olhos que estava de pé com as mãos pra frente, como quem tentava acalmar uma pessoa enfurecida. A diante de si, uma garota com cabelos ruivos apontava uma arma para o homem, ela tinha os olhos vermelhos e uma expressão que misturava raiva e rancor.
—Adeus...Papai -disse antes de puxar o gatilho ao mesmo tempo em que a pessoa a sua frente aumentava o tom tentando inutilmente fazê-la desistir da ideia "não, não, espera".
Foi nesse momento que 3 fortes tiros foram ouvidos.
X-x-x
Riley indo a aula
Para entendemos como tudo levou a esse momento, voltemos alguns dias atrás, o dia em que tudo começou.
Em seu quarto, a jovem Riley Beneth se arrumava para mais um dia de aula.
A garota estava em frente ao espelho passando a mão entre os cabelos ondulados com um tom que era louro com com um pouco das raízes escuras aparecendo, algo que ao ver da jovem, dava um tom mais charmoso as mexas. Riley observava seu rosto mais de perto passando um brilho labial meio rosado, o que era o oposto de sua jaqueta, calça e sapato pretos. Ela se admirou um pouco no espelho antes de sair. Achava seus cabelos bonitos, seu rosto fino, sua pele lisa e Clara. Adorava o corpo, era magra, barriga lisa, seios proporcionais que poderiam melhorar com uma roupa mais apertada se desejasse. Tinha belos olhos castanhos, puxou a sua mãe.
—Tá ótimo. Mais bonito que isso só nascendo de novo- disse colocando uma mecha com a mão direita atrás da orelha antes de pegar a mochila em cima da cama e depois ir em direção ao criado mudo buscar o celular e desligar a música do Guns N Rose's que tocava no aparelho. Amava essa banda, mas as músicas mais antigas.
Desceu as escadas indo até a cozinha onde sua mãe observava pelas frestas da cortina da janela, a casa ao lado com curiosidade.
-Já tá aí, curiosa?!-disse perto do rosto da mãe que, de costas, não viu ou ouvir a filha descer, tanto que deu um tremelique de susto ao ouvi-la.
-ai menina! Não me assusta, quase me mata do coração.. Não faça mais isso -falou com a mão no peito- O café está aí na mesa, fiz panquecas. Coma rápido, daqui a pouco se atrasa -disse voltando a observar.
Riley ria repousando a mochila no banco ao lado enquanto sentava a mesa — medrosa. — disse colocando calda nas panquecas e comendo sua refeição- Não esquenta mãe, o Dereck vem me pegar daqui a pouco.- disse já com a boca cheia.
Na mesa havia além das panquecas e da calda, um prato de ovos com bacon e uma xícara de café. Ela olhou bem e viu que onde a mãe sentava, havia tudo isso também, sinal de que a mãe havia preparado a mesa para as duas, no entanto não tinha tomado seu café até aquele momento.
-Rum! Aquele menino rebelde? Sabe que eu não vou com a cara dele, ele que te fez ficar desse jeito, vestir essas roupas, agora faz o quê quer.-falou sem sair da janela.
-Não começa mãe, o Dereck é legal.. mas o que a senhora ver tanto aí nessa janela que nem tomou café ainda??
A mãe deu uma pequena risada
-É o novo vizinho filha, você sabe que os Stewarts foram embora depois que a filha de 15 anos engravidou. Eles ficaram constrangidos neh, com a situação, mesmo toda vizinhança sabendo.
-É, poiser mãe, aquela retardada nem pra se proteger soube.- disse ao revirar os olhos.
-Humm, falando assim, espero que você saiba hein. -disse olhando com um bico de deboche para a filha- Não vá querer ficar como eu: Jovem e grávida sem condições financeiras enquanto o marido sumiu pra ficar livre por aí. Esse garoto que você tá tem uma cara de galinha. Ele não me desce. Tem alguma coisa errada nele, eu só não sei o quê.
-Credo mãe — deu uma pequena risada enquanto mastigava um pedaço da massa — ele não é nada disso, aliás eu ainda sou virgem, a senhora sabe. E o Dereck não é como o idiota do meu pai, se é que posso chamá-lo assim.
-É, não pode não. Nem esse título aquele idiota merece. -observou mais um pouco- olha só que belezura..um verdadeiro pão.
“Pão? Que expressão de velho” pensou a menina sem dizer nada a mãe.
—deixa eu ver — Riley levantou-se dando a volta na mesa para conferir o que a mãe dizia. Adorava uma fofoca — é mesmo -falou olhando pela janela- não é que o coroa tá em forma? -disse enquanto olhava um homem levando uma caixa aparentemente pesada de um caminhão para dentro de casa. Ele estava sem camisa, algo que deixava a mostra o seu bom estado físico.
-Não vai demorar muito pra aquelas mocreias da vizinhança começarem a se chegar, você vai ver filha.
Ao final da fala de Ruth, o alarme em cima do forno apitou indicando que algo estava pronto. Riley imediatamente olhou para a mãe que ficou meio errada não sabendo pra onde olhar. Riley sabia que a melhor forma de conquistar os homens na visão de sua mãe era pelo estômago.
-Hum, estou vendo, parece que a senhora tinha razão, as mocreias já estão se chegando mesmo hein- disse apertando os olhos
-Cala a boca menina, vai logo pra escola antes que eu te der umas porradas pra você aprender a me respeitar — disse fazendo a filha gargalhar enquanto ela ia em direção ao forno colocando uma luva de calor na mão direita.
Nesse mesmo instante ouviu-se um barulho de moto na frente da casa. Riley olhou pela janela e viu o namorado.
-É o Dereck. Já vou mãe, tchau.-disse dando um rápido beijo no rosto da progenitora, pegando sua mochila e indo em direção a porta.
-Espera.- falou enquanto retirava uma torta do forno e colocava em cima do fogão retirando sua luva e colocando em cima da pia ao lado.
Riley parou, bufou e virou-se para a mulher.
-O que?
-Deixa ele vim até aqui.
x-x-x
Do lado de fora, com o capacete na mão, estava Dereck em cima de sua moto preta esperando Riley sair da casa.Buzinou umas 2 vezes como froma de aviso. Como a garota não apareceu, ele saiu da moto bufando e foi até o local. Tocou a campainha e esperou alguém aparecer. A porta se abriu e lá estava Riley.
-Porra Amor, por que você não veio logo? Você sabe que eu não posso chegar mais atrasado naquele caralh.. — antes de completar, a porta se abriu mais um pouco, revelando Ruth Bennett, ao lado da filha, a mulher arqueava as sobrancelhas com curiosidade para ouvir como aquela frase terminaria. Foi nesse momento que Dereck começou a engasgar e a tossir de nervosismo. Ele dava pequenos socos no peito com a mão fechada para poder voltar a falar direito, até que a tosse parou.
-Naquela carambolas de escola- tossiu mais um pouco — meus Deus, quase não sai — disse dando a última tosse seguindo de uma risada. — oi Dona Ruth, que bom ver a senhora, espero que esteja bem, a senhora está tão linda hoje. Pintou o cabelo?
A mulher mantinha a expressão seria ao ouvir o rapaz que parou de sorrir aos poucos.
-Hum. Oi...Olha, vê se toma cuidado com a minha filha nessa sua coisa barulhenta que você chama de moto, e não precisa ficar me agradando não por favor, você sabe que não dá certo. — falou logo dando um beijo no rosto da filha e deixando-a ir com o namorado — juízo hein. Dereck eu estou de olho em você- cerrou os olhos dando uma encarada no garoto que olhou assustado.
Riley saiu da casa puxando Dereck pelo braço
— vem.
Já perto da moto, foi possível ouvir o som da porta se fechando atrás deles.
-Nossa, você sabe que eu não tenho medo de ninguém, mas essa velha chata da sua mãe me dá arrepios.-disse com uma falsa tremedeira
-Hey, não fala assim, querendo ou não, é minha mãe. Vamos logo antes que a gente se atrase.
Os dois subiram na moto e Dereck deu um capacete que estava em uma das guias da moto para a namorada e após colocá-lo na cabeça, os dois foram embora.
X-x-x
Ryan sai de casa
Um pouco longe dali, uma outra casa também recebia novos moradores.
Um rapaz colocava uma caixa de papelão ,com um pouco de dificuldade, em cima de uma pilha de outras 3 caixas, formando assim uma pilha de 4.
-A última. — respirou aliviado enquanto passava a costas da mão esquerda na testa para tirar um pouco de suor que se formara no local- ufa!
O rapaz estava na sala de casa, o local estava uma bagunça, cheio de móveis e várias caixas de mudança. Ele usava uma regata branca, uma calça preta de seda e um tênis velho de casa.
-filho — chamava Sarah, sua mãe — vem descansar um pouco com a gente aqui no sofá, eu e o seu pai também estamos acabados — dizia batendo com a mão direita no lugar vazio do móvel, entre ela e o marido.
Assim fez o garoto: sentou-se e inclinou a cabeça para trás para descansar melhor.
-Ryan, olha a hora. Não esquece que as 08:00 h começa a sua aula na nova escola- falou Ronald Porter, seu pai.
-É mesmo! Que horas é agora?
O mais velho olhou em seu relógio de pulso.
-7:50.
-Merda!- exclamou Ryan dando um pulo do sofá no mesmo momento — tá bom então, vou ver se eu chego a tempo. Beijo pai, beijo mãe — deu um beijo rápido no rosto de cada um antes de correr para o andar de cima.
X-x-x
O Clubinho Do Mal
Riley estava em pé apoiando as costas em seu armário enquanto bebia uma refrescante raspadinha de laranja. A loira bebia o líquido pelo canudo como se fosse água ao mesmo tempo em que ouvia a história que seu amigo Adrian contava.
-então, aí depois do bar a gente foi pra casa dela neh.. Elas tinha uns peitões, minha vontade era de enfiar a minha cara ali e não tirar nunca mais-chupava o lábio inferior ao contar
Os amigos davam gargalhadas com os comentários de Adrian, ele era o mais babaca e o mais pegador do grupo. Eles estavam em uma rodinha de 4 pessoas no corredor do High School. Rodinha essa formada por Riley, seu namorado Dereck, Robson Madson, sendo esse o mais novo integrante do grupo, e por último: Adrian Sidney.
Estava contando sobre como quase se deu mal na noite anterior com uma garota que conheceu em um bar. Como ele usa identidade falsa e tem uma cara de mais velho, é bem mais fácil pra ele adentrar tais lugares.
-Quando ela tava só de calcinha entrou com tudo um cara no quarto. Puta que pariu, eu devia ter saído de calça marrom naquela noite — disse passando a mão no rosto de vergonha e nervosismo enquanto ria.
-E o que você fez? — Perguntou Robson
-Cala a boca pivete — disse Dereck dando um tapa de leve na cabeça de "Rob", que era o nome pelo qual costumava ser chamado.- deixa que eu pergunto.
-Tá bom, foi mal — disse Rob olhando para Dereck com uma cara de descontentamento no momento em que passava a mão no lugar aonde levara o tapa, como forma de passar mais rápido a dor, já que era um fraco.
-Eai, o que você fez?- Dereck olhou Adrian com curiosidade.
-Cara, só sei que ele começou a xingar ela "sua vagabunda", "sua prostituta", "é isso que tu faz quando eu não tô em casa neh?" — disse Adrian imitando a voz do homem — aí o que eu fiz? Eu coloquei a mão na cara, saí correndo desesperado pela casa e a 1° janela que eu vi eu me taquei. Eu bati o caralho do meu joelho no chão, um cachorro no quintal tentou me morder, mas eu corri mesmo assim e só parei lá na puta que pariu.
Os amigos de Adrian davam altas gargalhadas com a história. Riley até se engasgou com suco nessa última parte de tanto rir
-Ainda bem que eu ainda tava de roupa. Imagina se eu tivesse deixado a carteira lá? Claro que ia tá outro nome, mas ele ia ver meu rosto, vai que me achasse
-Cara, tu é muito louco- disse Riley ainda rindo.
Nesse momento, o sinal da aula tocou.
—Vamos- falou parando de rir e respirando fundo- não posso perder tantas aulas esse ano, vocês lembram o que aconteceu ano passado neh? — Riley adentrou a sala após a pergunta retórica feita ao grupo.
X-x-x
Aula da Meg
Na sala de aula, professora Meg escrevia no quadro enquanto alguns cochichos ecoavam pela sala.
Riley sentava-se um pouco ao fundo, do lado direito da classe. Atrás dela, ficava Adrian, a direita da menina, sentava Robson e atrás deste, estava Dereck. Dereck ficava com a cadeira lado a lado de Adrian, assim poderiam conversar sempre que quisessem.
—então, vai de novo pro bar hoje?- perguntava Dereck
-você sabe que sim amigo, você sabe que sim. Eu preciso de pelo menos uma garota pra me relaxar antes de dormir, você sabe que eu não fico um dia sem mulher-respondeu Adrian fazendo uma cara de safado
-vê se sossega- deu uma pequena risada- daqui a pouco se dá mal.
Nesse momento a professora Meg, uma senhora de mais ou menos 55 anos que tinha os cabelos loiros curtos e enrolados parou as frações que escrevia na lousa e direcionou sua atenção a conversa de dois rapazes ao fundo.
-estou atrapalhado alguma coisa Senhor Olson? -olhou por cima de seus óculos para Dereck
-não, a gente tava só..-antes de terminar a frase, a professora voltou a falar:
-pois se eu estiver, talvez você e seu amiguinho queiram conversar em outro lugar. Tipo lá fora ou na diretoria
-Quê isso "fessora", eu só tava explicando umas paradas aqui pro Dereck- Adrian tentou se explicar
-Vocês sabem muito bem que eu não gosto de ouvir um único "Piu" a partir do momento que eu começo a escrever na lousa, principalmente se tratando dessas tais "paradas" que vocês jovens tanto falam. Estou aqui para passar conteúdo, que ao meu ver é um problema para vocês.
X-x-x
Ryan andava pelo corredor vazio impaciente enquanto olhava para cima da porta de cada sala de aula, como se procurasse alguma informação que pudesse ajudar.
— "Sala 16-B. Professora Meg de Matemática" -lia em um papel sem parar de andar -ah! Achei. -viu as letras prateadas escritas "16-B" no alto de uma sala de porta azul. Sem pensar muito, girou a maçaneta e entrou.
Nesse momento, Ryan se deparou com uma senhora que aparentava ser a professora, falando em tom alto para dois garotos ao fundo:
-Se vocês continuarem com esse comportamento novamente esse ano, eu serei a 1° a reprovar vocês. Além de tirarem notas negativas, ainda atrapalham o sossego do ambiente e posteriormente estarão induzindo os outros alunos a agirem de maneira leviana nesse local de aprendizado. Na minha aula não senhores, na minha aula não! -disse em tom alto.
Nesse momento, todos tinham sua atenção voltada ao "puxão de orelha" que a professora dava, tanto que poucos deram atenção ao menino que estava na porta. Nem mesmo a professora viu.
-Oi.. bom dia — falou Ryan caminhando receosamente até a mulher que tinha uma expressão de surpresa com o aluno que entrara de repente- perdão o atraso, eu me chamo Ryan, é meu 1° dia aqui. -disse não tendo certeza se fez certo entrar assim.
-Oh! Tudo bem. -direcionou sua atenção ao jovem — você pegou algum papel com o diretor?
-Sim, sim! -pegou rapidamente o papel em seu bolso e abriu, entregando na mão da mulher.
Senhorita Meg ajeitou seus óculos, deu uma rápida lida.
-Tudo bem. Vou anotar isso.
Ryan assentiu com a cabeça e se prontificou a caminhar para a primeira cadeira vazia que viu, mas foi interrompido pela professora.
-Aonde você está indo? Volte aqui.
O menino parou com medo, não queria que fosse o que ele estava pensando.
-Volte e se apresente para a turma, não seja mal educado. -falou fazendo sinal de "vem" com a mão.
O coração de Ryan disparou, ele não esperava ter que se apresentar pra ninguém, isso é tão coisa de filme. Ele até gostava de ter plateia, mas em momentos específicos.
-Me apresentar? Agora? -disse em tom baixo olhando para ela
A mulher fez uma expressão de desentendida.
-Quando então? Se não for agora? É o momento perfeito. Venha logo, sou uma professora a moda antiga. Não permito que novos alunos cheguem sem se apresentar. Vamos, não tenha medo querido.
Ryan foi para o lado da professora, se voltou em direção a turma e começou:
-Olá, bom dia.
A professora fez gesto com a mão para a classe responder.
—Boomm diaaaa- a turma disse em uníssono.
-Meu nome é Ryan Porter, me mudei recentemente pra essa cidade porque meu pai arrumou um emprego aqui.-falou observando a classe.
No momento em que seus olhos passeavam pelo cômodo, encontrou a visão de uma moça bonita que o olhava curiosamente. Era loira, jaqueta preta e prestava atenção no que ele dizia enquanto brincava com uma de suas madeixas caídas pelo ombro. De repente, ele começou a ficar nervoso, sua voz parou e ele a encarou em silêncio por um rápido momento, algo em torno de 3 segundos.
Ryan não percebeu, mas Dereck reparou a cena de longe e fez uma cara de incomodado.
-Senhor Porter? -disse a professora observando o silêncio do rapaz que despertou do pequeno transe
— é só isso? — perguntou a mais velha
-ah! Rsrs, perdão. Sim, é só isso mesmo, não tem muito o que contar- disse sorrindo olhando para a professora.
-Tudo bem então, pode se sentar
Ryan dirigiu-se a cadeira vazia que viu anteriormente.
-Eu e os outros alunos esperamos que você se dê bem aqui. Nossa cidade é muito hospitaleira. E eu sou uma ótima professora, é só não chegar atrasado nas minhas aulas ou ficar de conversa que está tudo bem — sorriu para Ryan que, já sentado, retribuiu o gesto e assentiu com a cabeça.
Ela voltou ao quadro branco e retornou a escrever o tema da aula do dia. Ryan pegou seu caderno na mochila e começou as anotações, assim como o restante da turma.
Xxx
Ruth Benett
Ruthie Bennett, a mãe de Riley, estava em frente a casa do novo vizinho com uma torta muito bonita em mãos, torta essa enfeitada com chantilly e alguns morangos cortados por cima.
Ela usava uma saia na altura dos joelhos e uma camisa de botões. Ela desabotoou um botão da camisa, deixando o decote mais visível. Abriu um pouco a blusa, ajeitando-a para ficar melhor. Passou a mão por entre seus cabelos soltos tentando atingir um melhor resultado. Satisfeita, tocou a campainha. Não ouviu, nada, então tocou de novo. Passos começaram a ser ouvidos.
-um momento!- gritou uma voz masculina de dentro do imóvel
A porta se abriu, revelando um homem de mais um menos 50 anos que estava sem camisa. Tinha um corpo definido e pelos no peito. Ele tinha os cabelos grisalhos e uma rala barba de mesma cor em seu rosto. Ruth ficou um instante parada apreciando aquele corpo com cara de drogada, até que foi interrompida pelo homem.
-Ahhh...oi? — perguntou o homem com uma cara de confuso
-Ah, me desculpe. -disse sorrindo abaixando um pouco a cabeça de vergonha — sou sua vizinha, meu nome é Ruthie Bennett. Mas você pode me chamar apenas de "Ruth".
-Oi Ruth! -aproximou-se dando um beijo no rosto da mulher.
"Que perfume gostoso" pensou ela após o beijo e o rápido movimento que deixou a fragrância no ar. Parecia caro. Isso é um bom sinal.
-Muito prazer, eu me chamo Antony Morris.. -sorriu
-Oi Antony. Eu vi que você acabou de chegar e resolvi lhe fazer um agrado. Fiz uma torta. Receita caseira hein, espero que goste.
-Isso aí é pra mim? -apontou animado.
Ao ver que a mulher concordou com um movimento de cabeça ele completou
-poxa! Nem sei como agradecer. Como advinhou? Eu adoro torta. -dizia sorrindo enquanto pegava o alimento da mão da mulher
-Quem não ama uma torta neh? Rsrs
-Quer comer um pedaço? Eu sei que foi você quem fez, lógico, mas entre, sente um pouco na mesa comigo, é uma forma simbólica de agradecer seu gesto.
-Ah, não obrigado. Tenho que voltar pra casa. Minha filha acabou de ir a escola. Tenho que arrumar enquanto ela está fora. Sabe como são esses jovens. Bagunceiros.. -disse dando ênfase a última palavra
-He he tão jovem e já com filha.
Ruth se sentiu lisonjeada com o comentário, tanto que deu uma risada e passou a mão nos cabelos.
— Por favor entre, levará apenas 2 minutinhos. -falou saindo da porta dando espaço para a mulher adentrar o cômodo
-o que são 2 minutos não é mesmo? -disse entrando. "Ainda bem que ele insistiu" pensou
A porta foi fechada.
X-x-x
Então.. — dizia senhorita Meg- vocês já aprenderam muita coisa ano passado e nesse pouco tempo de aula. Bom, pelo menos é o que eu espero. Então hoje nos vamos ver se vocês conseguem fazer contas de cabeça de forma rápida. O que acham?
-ah "fessora", a gente já não teve muito conteúdo hoje? A senhora ainda vai fazer isso? Eu mal aprendi a tabuada de 2. -dizia Adrian
Alguns deram uma pequena risada com o comentário, enquanto a professora encarava o aluno de forma séria.
-Bom, agora que eu vou fazer esse exercício mesmo, já que tem alunos que estão tão atrasados assim. Não tem a noção básica da matemática, meus Deus. — dizia preocupada — Todos farão, não é preciso acertar, só tentar. Isso já valerá alguma coisa, vocês entenderam?
A turma assentiu com a cabeça. Dereck inclinou sua cabeça para trás de maneira rápida como se estivesse sem paciência para a aula, enquanto Riley revirou os olhos.
-Vamos lá, eu seguro um cronômetro em Minhas mãos. Quem responder mais rápido, a nota será mais alta. Se sua resposta estiver certa, isso aumenta a pontuação. Não será muito, mas já ajuda quem precisa de uma força.
Riley ajeitou-se na cadeira. Já começava a ficar nervosa com o exercício. Estava indo muito mal. Já tinha tido uma conversa com seu diretor que se fosse mal esse ano de novo, tal qual ano passado, ela estaria fora do clube de música do qual participava. Ela parecia durona as vezes, vestia preto, tratava os outros mal na escola, namorava com um cara que tinha um comportamento igualmente tóxico, no entanto, ela tinha um lado artístico muito forte. Amava desde pequena a música e a sensação maravilha que a mesma causava. No clube ela se sentia bem, gostava de cantar. Sair seria uma perda muito grande para ela. Mesmo que alguns não entendessem, ela precisava disso.
-Quanto é 6x6?- perguntou apertando o cronômetro.
Quando Riley abriu a boca para falar, eis que outra pessoa fala na frente.
-36! -disse Ryan.
Senhorita Meg apertou o botão pausando os números no aparelho.
-Muito bem senhor Porter, você chegou com tudo. -observou os números no objeto em sua mão — 2 segundos e 6 centésimos.
O rapaz sorria orgulhoso.
"Filho da puta." Pensava Riley furiosa. Essa ela sabia, só não teve tempo de dizer. Maldito novato. Que raiva!
—Vamos de novo, ok? Preparem-se — avisou a senhora — 7x8? — apertou o cronômetro
Riley calculava mentalmente:
7x4 dá.. pera, 7+7 é igual 14, duas vezes isso é 28. E 28 é o resultado de 7x4. Então 7x8 é 28 duas vezes, que dá...
-56! -disse Ryan com a mão levantada
Meg parava o aparelho e o olhava os números.
-4 segundos. Parabéns. Está indo muito bem. — sorriu para o jovem e movimentou a cabeça em forma de aprovação
Ryan sorria mais ainda, ainda estava rápido no gatilho.
"Cretino! viado! filho da puuuuta!" Exclamava Riley mentalmente enquanto passava as duas mãos na cabeça discretamente respirando fundo estressada.
-continuamos. -meg disse com mais uma pergunta matemática.
X-x-x
O novo vizinho
Sentados em uma mesa de mármore na cozinha, estavam Ruth e seu novo vizinho Antony que pareciam ter uma boa conversa.
-Grávida? É mesmo?- disse dando uma generosa garfada na fatia de torta que servira para si em um pequeno prato florido.
-Sim. Agora imagine, 15 anos e grávida? Eles queriam esconder, foi o que eu ouvi falar. Eram uma família estranha, quieta, pareciam tradicionais e que não suportariam uma fofoca como essa na boca da vizinhança. Ninguém ficou sabendo que era o pai. Isso ficou um mistério — furou com o garfo o último pedaço da fatia de torta em seu prato e levou até a boca — sabe.. — engoliu — eu acho que nem ela mesma sabia.
-Uau -balançou a cabeça -história interessante essa história. Bom, pelo menos a casa agora é minha hehe..
Ruth deu uma pequena risada com o comentário enquanto assentia com a cabeça.
-é bom ter alguém na vizinhança que seja tão bem aperfeiçoado e bom de conversa como você senhor Morris.
-Digo o mesmo. Mais um pedaço?
-oh, não não, tenho que ir. Já são.. — olhou em seu relógio de pulso — meu Deus, vai dar 10:00 horas. O tempo passou voando. — levantou-se da cadeira indo em direção a porta
Ruth parou em frente a entrada. Antony passou por ela e a abriu, como um gesto de educação, então ela passou. Já do lado de fora, virou-se em direção a ele.
-fique bem Sr. Morris. Precisando de alguma coisa, estou na casa ao lado.
-obrigado por me receber tão bem. E por favor, senhor não rs me chame de Antony. E você também, se precisar de alguma coisa, sabe onde me encontrar.
-Ok então "Antony". Até mais -disse sorrindo antes de dar as costas e ir em direção a sua casa.
Antony fechou a porta e em seguida encostou-se de costas nela.
-Ruthie Bennett. Quem diria..e justo aqui. Que feliz coincidência. Ainda bem que ela não me reconheceu.
X-x-x
Louiz
O sinal tocava, indicando que era a hora do almoço. Os alunos da classe começavam a levantar e organizar suas coisas, enquanto o falatório deles só aumentava.
Riley levantou-se irritada por não ter conseguido responder a uma pergunta se quer, já que o novato respondeu quase todas, o pior é que ela foi ofuscada até por pessoas que ela nem sabia o nome, seu pensamento estava lento demais. Ela não estava gostando nada disso, sua vida escolar estava desmoronando. A garota não deveria ligar tanto já que andava com pessoas que se quer ligavam. Mas ela ligava. Saia da sala sendo acompanhada pelo namorado Dereck que envolvida o braço em seu ombro. Além dos outros dois membros do clube que os seguiam. Num último momento atravessando a porta, ela rapidamente moveu a cabeça para a esquerda, e antes que sua visão fosse bloqueada pela parede do lado da fora da sala, ela olhou na direção do novato que, para sua surpresa, a encarava de volta.
—Não fica chateada amor — falou o namorado tirando a atenção da garota para o último acontecimento — você tentou — terminou, tentando confortá-la sem sucesso.
-Sim eu sei, mas parece que ultimamente tentar já não tá sendo o suficiente. Eu preciso fazer alguma coisa logo antes que isso piore.
-Com licença — Robson Madson, o “aprendiz” pediu permissão para falar que foi consentida por um olhar de Dereck. — por quê você tá tão preocupada assim Riley? A aula começou a tão pouco tempo, faz o quê 1 mês?
-Sim, eu sei caralho, mas eu já fui mal ano passado. O diretor Otávio até me chamou pra conversar. Ele falou que se eu continuar assim, eu não vou mais frequentar o clube de música.
-Clube de música? Não sabia que você gostava dessas coisas.- falou Rob surpreso
-Por essas e outras que ninguém deve saber — falou Riley revirando os olhos- abre a boca e eu te enterro numa lata de lixo filho da puta
X-x-x
Ryan sentado guardando seus materiais, viu a menina de cabelos loiros pegar a sua mochila, colocar nas costas e sair da sala acompanhada pela turma, ela até lhe deu uma olhada rápida, o que o assustou, pois foi diretamente em seus olhos. Ela com certeza percebeu que ele a estava observando. Meus Deus, será que percebeu?
Suas paranóias foram interrompidas por uma mão que encostava em seu ombro, vinda de algum aluno da cadeira de trás ele supôs.
-Oi. -disse a pessoa.
Ryan virou-se para falar com a pessoa que o chamava. Sorrindo, respondeu:
-Olá!
Ryan observou quem o chamara, era um garoto. Tinha aparentemente sua idade, usava óculos, tinha os cabelos castanhos claros, quase loiros, porém curtos e bem penteados e um sorriso gentil.
-Meu nome é Louiz. Louiz Hart.- estendeu a mão para o outro apertar. Assim o fez.
-Prazer, Louiz. — deu um aperto de mão firme e soltou. -Eu sou Ryan Porter, seu novo colega de classe aparentemente rsrs
-Rsrs eu sei, você se apresentou pra todos nós. Cara, você "manja" muito de matemática hein, gostei. Aprendeu a fazer contas rápidas onde?
Ryan não se conteve em dar uma risada com o comentário do novo colega.
-Ah, eu gosto de matemática. De estudá-la, isso vai muito oposto do que as pessoas gostam neh? Mas eu curto muito. De vez em quando no meu tempo livre eu faço equações, cálculos mentais, isso me deixa muito mais ágil, são desafios, eu curto muito isso. — explicou
-Uau, você parece ser muito inteligente. Já quero ser seu amigo heheh Quer vir almoçar comigo e com a minha turma?
"Uau que rápido" pensou Ryan, mas gostou que logo no 1° dia já estava conhecendo pessoas, normalmente isso demorava mais para acontecer.
-Almoçar? Quero sim, obrigado. -levantou-se com a mochila no ombro -vamos? Onde está sua turma?
Louiz ficou de pé -ah, eles foram na frente, eu queria te chamar já que é novato
— Heheh, ok. Aliás, se você puder me mostrar aonde ficam as coisas por aqui, eu agraderia muito.- pediu gentilmente
— sem problemas — sorriu — só me seguir.- disse caminhando em direção a porta.
X-x-x
O Clubinho do bem
Ryan era acompanhado por Louiz que lhe apresentava o refeitório da escola, quadros de diretores nas paredes e instante de troféus. Os dois caminhavam até uma mesa em meio a multidão enquanto rolava um alto falatório no local de alimentação.
Para Ryan, ao mesmo tempo que isso era animador, também era estranho, já que chegava na escola 1 mês mais ou menos depois da aulas começarem, isso lhe causava medo, no entanto era excitante pensar no desafio de conhecer pessoas novas.
—Oi pessoal! — Louiz sentou-se numa cadeira sendo recebido com entusiasmo pela turma.
Na mesa haviam 4 pessoas ao total: Louiz que acabara de sentar, uma garota gordinha de cabelos vermelhos ondulados com um vestido florido, um garoto de cabelo estilo militar que vestia um casaco preto com uma camisa cinza por baixo, parecia mal humorado. Por último, um outro de cabelos claros arrepiados e olhos verdes que usava uma camisa vermelha e bermuda de mesma cor. Esse último estava sorrindo ao conversar com os outros. Pareceu mais simpático aos olhos de Louiz.
—Eai rapaz, cumpriu a missão? — Perguntou o garoto de cabelos arrepiados a Louiz
“missão?” pensou Ryan
—haha — Louiz riu sem graça — não era missão nenhuma, eu só queria conhecer o novato. Aliás, essse é Ryan. Convidei ele pra almoçar com a gente. — olhou para Ryan ainda de pé
—Senta aí pô — o garoto de cabelos arrepiados falou apontando a cadeira vazia a sua frente e ao lado de Louiz. Ryan assim o fez, sentando-se
—Prazer, me chamo Mark- falou apertando a mão de Ryan.
—Me chamo Ryan- sorriu
Louiz tratou de apresentar os colegas:
—Então Ryan, essa aqui é a Glenda — disse apontando a garota que sorriu e acenou com a mão apesar de estar apenas do outro lado da mesa. Ryan retribuiu o gesto — ela é a minha amiga astróloga. Essa maluca adora tudo de envolva signo. Ela fez um mapa astral de todo mundo aqui nessa mesa — concluiu revirando os olhos em tom de brincadeira.
—Oi Glenda, prazer te conhecer também.
—Olá. Qual o seu signo? — nesse momento os colegas da mesa não conteram suas risadas e certo constrangimento com o assunto. Gargalhadas foram ouvidas. As vezes ela passava dos limites — Ué, só quero saber se a gente vai se dar bem. Sabe, só pra iniciar a conversa com pé direito — tentou explicar para os outros
—Menina, você não para — Louiz gargalhou e se voltou a Ryan — não te disse? Hahaha é do nada, não liga.
—heheh não tem problema.- falou para Louiz antes de responder Glenda — Olha, eu não entendo muito dessas coisas, mas eu nasci em novembro, dia 25.
—Sagitário! Aww eu gosto muito desse signo — disse em tom de carinho — gente muito parceira. Signo de fogo, forte! – fechou a mão direita e mostrou a Ryan como forma de ilustar a “força” com o punho.
—hahah, se você diz.
Glenda se levantou e foi até Ryan
—Vem cá sagitariano, me dá um abraço. Seja bem vindo — estendeu os braços e curvou-se um pouco para abraçar o garoto sentado
—Opa! Heheh obrigado.- a abraçou.
O garoto calado de camisa cinza olhou a cena rapidamente ainda com a cara fechada. Parecia desconfortável com a visão.
Glenda o soltou e foi se sentar
—Ela é muito carinhosa- Louiz falou em tom de deboche olhando a amiga que ao sentar lhe lançou um beijo. — O Mark você já conheceu neh, o piadista da turma.
Ryan olhou Mark mais uma vez que lhe lançou um sinal de paz e amor.
—É raro a gente ver ele sério. Ele sempre tá bagunçando com alguma coisa. Enfim, por último, o mal humorado ali é o Simon. Ele não é de falar muito.
Ryan estendeu a mão para o garoto
—Eai Simon, muito prazer.
O mal humorado demorou um pouco para se mexer, mas apertou a mão do novato no momento que dava um sorriso forçado.
—Oi..
Os dois soltaram as mãos e Simon continuou do mesmo jeito que estava anteriormente: sentado, calado e com cara de mal-humorado.
Ryan sentiu que esse último não tinha ido muito com a sua cara, mas ignorou.
—Então Ryan, vamos lá na cantina comprar nosso almoço?- chamou Louiz.
X-x-x
Riley, junto a sua turma, estava sentada em sua mesa perto da parede do refeitório enorme pelo qual andavam muitas pessoas. Entre elas, muitos do clube de música que preferiam não cumprimentá-la por respeito a sua imagem de menina durona ou apenas por medo mesmo. Muitas garotas com uniformes de líder de torcida estavam ali também. “Patricinhas do caralho” pensava a garota. Era muito falta do que fazer mesmo ficar balançando pompons e fazendo várias acrobacias numa quadra torcendo por um bando de macho suado. A ideia não lhe agradava. A música era o máximo do ramo artístico que a garota se permitia gostar.
—Olha quem tá ali.-disse Dereck se referindo ao garoto na fila do refeitório. — O novato espertalhão que ficou te secando.
Robson e Adrian ouviram o comentário e se entreolharam com certa surpresa com o comentário do amigo, mas permaneceram quietos.
—Secando? Do que você tá falando?- perguntou Riley
—Ahhh, vai dizer que não reparou? Logo quando ele entrou na sala ele ficou te encarando.
—Tá doido? Haha é ciúme, é? — gargalhou e empurrou o ombro do namorado — para com isso. Sabe que eu não gosto dessas viadagens. Falando assim, parece até que nenhum garoto olhou pra mim antes neh Dereck?
Dereck continuava sério.
—Rum. Nunca na minha frente. Esses pivetes daqui sabem como eu sou. De qualquer forma, eu não gostei nada disso. -falou fazendo bico.
—Foda-se – disse começando a comer sua refeição.
X-x-x
Na mesa dos amigos de Louiz, Ryan comia seu almoço com vontade. Na bandeja havia uma maça, uma porção de purê de batata, um sanduíche misto, uma porçao de strogonof, um pote de pudim de leite e uma caixinha de suco.
—Poxa, você tá com fome mesmo- Observou Louiz
—É que eu sai de casa sem almoçar — respondeu instantaneamente de boca cheia, se arrependendo logo em seguida, já que alguns farelos de comida voaram de sua boca, farelos pequenos. Ninguém comentou nada.
—Tadinho- disse Glenda comendo seu pudim- se mudou hoje neh? Sua casa deve estar uma bagunça.
—E muito. Logo que acabar a aula eu vou pra casa ajudar meus pais a terminar de organizar as coisas. Principalmente meu novo quarto. Acho que até montarmos a cama eu vou ter que dormir em algum cochonete hoje, sei lá.
—Poxa amigo, que pena. — falou o de óculos — eu queria te convidar pra ir hoje com a gente no cinema. A gente vai ver um filme de terror. É a estreia.
Simon de canto tomava seu suquinho de maçã pelo canudo e ouvia incomodado o convite de Louiz ao novato.
—Filme? Que filme- perguntou Ryan curioso.
—“Hereditário”- respondeu com empolgação- pelo que tão dizendo é o melhor filme de terror dos últimos anos. Eu tava esperando tanto lançar e hoje chegou o dia.
—É aquele com a Tony Collete? Eu jã ouvi falar, parece que é bom mesmo — Ryan já se animava com a ideia. Poxa, pena que eu tenho que ir pra casa.
—Sagitariano — chamou Glenda — Por que tu não pede pros teus pais? Vem ver o filme com a gente, é teu 1° dia aqui. Vai ser bom pra você conhecer a cidade.
—Eu não sei..-Ryan falou pensativo mordendo o lábio inferior para raciocinar melhor
—Aceita logo cara, vem com a gente. Curtir um terrozão — Chamou Mark
—Tá certo! -Respondeu — eu vou falar com eles, mas não garanto nada hehe
—Tá certo então Ryan, que bom que você vai com a gente. — disse Louiz sorrindo — o horário vai ser as 19hrs. Os pais da Glenda tem carro, eles vão levar a gente, quer que a gente passe na sua casa pra pegar você também?
—Poxa, seria ótimo, mas eu ainda tenho que ver como vai ficar a situação com meus pais. Louiz, você tem whatsapp? Me passa, assim eu posso te avisar melhor.
—Claro! Um minuto- Louiz tirou seu celular do bolso.
—Espera- Simon falou fazendo todos o olharem- ele vai mesmo?! falou claramente incomodado.
Um silêncio constrangedor ficou no ar por poucos segundos até Glenda intervir.
—Sim, Simon. Ele vai. Algum problema? -o encarou afrontosa
X-x-x
—Ahh delícia – soltou Riley raspando seu pote de pudim – amo um pudim. Amo tudo o que é doce. Santo metabolismo que me permite não me transformar numa baleia assassina – disse antes de colocar a colherzinha branca na boca com o último restante daquele doce maravilhoso.
Dereck gargalhou vendo sua namorada comer.
—Coisa linda – disse ele sentado ao seu lado segurando-a pelo queixo e lhe roubando um rápido beijo. – amo demais.
Riley o olhou surpresa com o gesto.
—Humm, se me ama tanto assim, leva pra mim por favor – falou colocando sua bandeja de comida por cima da dele que fez uma careta.
—Leva o meu também. “Rob” disse já colocando sua bandeja por cima.
—Ah, o meu também chapa quebra essa – Adrian colocara a sua também.
—Ooouu! Parou a sacanagem, cada um leva a sua.
—Por favor Dereck, para de ser fracote e leva logo isso, nem é tão pesado – Riley tentou convencer.
—Não é questão de ser pesado, é só que..- pensou em dizer não, mas resolveu fazer esse pequeno gesto de bondade a seus amigos. – tá bom bando de preguiçoso, eu levo essa buceta.
Riley, Adrian e Rob comemoraram com palmas baixas e o famoso “êêêê”.
Antes de levantar, Adrian pegou nas bandejas um pequeno pote de pudim pela metade e ofereceu a Riley.
—Quer Riley? Gostou tanto do pudim, eu me enchi rápido, comi só metade. – esticou o braço oferecendo.
—Eu não haha tu meteu a tua colher babada aí, sei lá por onde tu coloca essa boca, de tanta puta barata que tu pega, deve ter pelo menos uns 15 tipos de doenças sexualmente transmissíveis aí nesse pote. – disse rindo em deboche, seu namorado Dereck riu também.
—Tooma! – disse Dereck em risada
Adrian fez um riso falso e debochado misturado com uma careta- hihihi – soltou colocando o pote bem no alto da pilha de 4 bandejas empilhadas. – nunca mais te ofereço nada – fez um bico de deboche.
—Por mim. – A garota deu de ombros rindo.
Dereck se levantou com cuidado carregando as 4 bandejas. Riley que estava ao seu lado afastou a cadeira dele pra não ter risco de ele tropeçar e cair. O local de colocar as bandejas não ficava tão longe, só no outro lado da sala.
—Se eu cair e passar vergonha vocês me pagam.
X-x-x
A menina encarou Simon por alguns segundos até que em resposta ele balançou a cabeça negativamente olhando pra baixo constrangido que todos da mesa observavam a situação.
—Que bom- disse Glenda satisfeita com a resposta do colega. A menina então virou-se para o resto da mesa e antes que pudesse falar alguma coisa, ouviu Simon.
—É só que..
Glenda virou a cabeça para olhar o rapaz com uma cara séria.
—“É só que” o quê?- perguntou com a mão direita em baixo do queixo.
—Eu achei que hoje a noite seria um programa só nosso, sabe?- tentou explicar de forma baixa, corcunda e desconfortável- os amigos..- disse a última frase quase sussurrando.
—Ué, ainda vai ser. Só que a gente tem um novo convidado agora. Pode ser ou tá difícil?
Simon olhou nos olhos da ruiva, desviou para o chão, balançou a cabeça positivamente, pegou sua bandeja e saiu da mesa pra poder deixá-la. Tudo isso antes que Ryan pudesse falar que preferia não ir pra não estragar os planos da galera, mas isso não foi possível. Um clima desconfortável se instalou naquela mesa.
—Puxa, ele parece gostar muito de vocês neh? – falou Ryan, vendo que o garoto já estava longe, tentando quebrar aquele gelo.
—Que nada. Frescura! Argh. – disse Glenda revirando os olhos.
Para o novato, ver essa expressão da menina significava que aquela situação era rotineira entre eles, de modo que nem ela aguentava mais.
—Tá bom. Eu vou deixar a minha bandeja agora. Vem comigo novato, eu te mostro onde é- falou Mark — Obrigado – Ryan sorriu e o acompanhou.
Um pouco longe da mesa Mark começou a falar com Ryan.
— Olha, não liga pro Simon, ele é assim mesmo meio estranho, mas depois que você conhece, você vê que ele tem um bom coração.
Ryan ouviu tudo e assentiu com a cabeça, mas logo sua concentração foi quebrada quando ele viu do outro lado da sala, a garota de jaqueta preta e cabelos louros. Ele ficou nervoso, mas antes que pudesse pensar em qualquer coisa, aconteceu. Ryan se chocou com um outro rapaz, não deu pra ver muito bem, só quando o cara já estava no chão sentado com pelo menos 4 bandejas ao seu redor. Ele usava jaqueta e calça pretas e tinha agora pudim no cabelo, rosto e sujando sua camisa branca por debaixo do acessório escuro.
Na hora todos da escola pararam pra olhar, inclusive o clubinho de Riley e de Glenda.
—Filho de uma putaa!! – exclamou Dereck no chão sentado e coberto por restos de comida.
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