Mais Um Livro de Contos
4 Vodka com Pimenta.
Notas iniciais
Jake tinha a vida que qualquer um pediria a Deus. Bebia a hora que queria, ia a todas as festas possíveis, fazia tudo sem precisar dar nenhuma satisfação. Já foi mais de uma vez que ele passou a noite inteira bebendo e logo após foi fazer prova na faculdade sem dormir. E em uma dessas vezes conseguiu tirar mais que metade da nota!
A festa na casa de uma garota qualquer não foi das melhores que Jake esteve. Bebida quente, músicas podres e, pra variar, garotas passando dos limites e vomitando em tudo. Por causa disso, todo mundo foi expulso cedo demais, e Jake se viu circulando pela cidade à procura de algum lugar pra beber mais.
Caminhando, caminhando e caminhando, com um vidro de vodka na mão, avistou um pub interessante. Os letreiros em neon piscavam incessantemente, em azul e vermelho respectivamente as palavras “Vodka c/ Pimenta”. Uma pimenta vermelha e algo que parecia ser uma bunda com uma tatuagem de pimenta no meio piscavam de cada lado dos dizeres. É óbvio que Jake fez questão de entrar.
Na porta havia um negro, alto, largo e careca como segurança. Jake apenas sorriu para o cara, e ele, em silêncio, deixou Jake passar. O rapaz entrou meio saltitante – tentando ao menos – e, ao passar, olhou para a garrafa em sua mão e disse:
-Entramos, baby!
No hall, havia uma mulher loira usando um vestido muito curto e vermelho, com decote em V. Ela segurava uma bandeja com alguns doces verdes e vermelhos, em forma de pimenta. Jake não hesitou em pegar um daqueles. Enfiando um vermelho inteiro na boca, ele finalmente passou pela segunda porta. Parou de repente, bufando e balançando o rosto.
-Wow! – Era o doce mais apimentado que ele experimentou na vida. Só que não existiam muitos doces apimentados hoje em dia.
-Aquilo com certeza não tinha só leite condensado. – Disse ele, percebendo que, passada a ardência da garganta, uma tontura chegava em seu cérebro, tendo certeza de que havia bem mais do que apenas doce e pimenta naquilo.
O próximo corredor tinha apenas uns cinco metros de comprimento. Suas paredes eram de veludo vermelho, e um segurança, muito parecido com o da rua, só que branco, aguardava na próxima porta. Ao atravessá-la, se deparou com mais um corredor de igual tamanho, com outro negro de mesmo porte na outra abertura. Jake riu disso, mas continuou andando. Mais um corredor e mais um homem alto e branco esperava ao lado da porta. Isso se repetiu muitas vezes, e Jake só caminhava, sem nem se dar conta de quantas vezes isso se repetiu. Só em um momento, quando passou de um corredor que havia um branco e chegou em outro que havia mais um branco Jake disse:
-Você não deveria ser negro? – E, finalmente, chegou ao salão.
O lugar era extremamente psicodélico. As luzes eram em formas de flores, sóis, animais e, principalmente, pimentas. As musicas não eram as comuns tocadas em festas ou rádio. Não se enxergava nada muito bem, mas Jake nem se importou com isso. Não havia garçons homens, apenas garçonetes mulheres, todas usando vestidos curtos vermelhos, e Jake podia jurar que todas eram iguais, tanto faz se eram morenas ou loiras. É lógico que ele passou boa parte do tempo seguindo-as.
Elas traziam bebidas, mas principalmente aqueles doces. E Jake adorava cada vez mais aqueles doces. Até que uma hora acabou entrando em uma porta atrás de uma das garçonetes.
O corredor era parecido com aqueles da entrada, só que dessa vez as paredes estavam com pimentas desenhadas, todas parecendo que apontavam para frente. A morena que Jake seguia tinha sumido. O homem ficou tão interessado em que havia do outro lado do corredor que resolveu continuar andando.
Era um salão amplo, com várias mesas nos cantos e muitas pessoas se beijando. Circulando pelo corredor, haviam mulheres vestidas de vermelho, só que muito mais chamativas com seus decotes e estilos, e haviam também homens, só que em sua maioria apenas de cuecas de couro pretas com enfeites vermelhos e verdes. Jake então percebeu que não haviam só casais heteros sentados nas mesas, e em parte gostou, em parte sentiu nojo.
No final, porém, do salão, tinha uma cadeira mais escandalosa acima de uns cinco degraus. Na verdade parecia algo como um trono. Era grande e dourado, com estofado de veludo vermelho com uma pimenta bordada nas pontas. E, sentada no trono, havia a mulher mais linda que Jake avistara durante sua vida toda.
Vestida também de vermelho, seu vestido era muito, muito justo, podendo-se enxergar até o vácuo de seu umbigo e a ponta exata de seus seios (claramente ela não usava sutiã), que se mostravam no decote comprido que ia até metade de sua barriga. O salto era enorme, vermelho e com pimentinhas na plataforma. Os lábios, carnudos e pintados de vermelho. Seus cabelos eram loiros escorridos e brilhantes, e guampinhas de diabo saiam no meio delas. A mulher segurava um tridente vermelho na mão direita.
Foi como se Jake tivesse sido possuído. Andou lentamente até ela, esquecendo-se de que segurava um copo de vodka, largando-o no meio do caminho e espatifando do chão. Chegando até a mulher, Jake se ajoelhou, e ficou de boca aberta em frente a ela.
-E o que você deseja, meu caro súdito?
Jake gaguejou, sem falar alguma coisa com sentido.
-Entendo. – A mulher começou a se levantar e descer as escadas. Os cabelos esvoaçavam a cada movimento. – Então o senhor quer alguma coisa de mim. – Ela chegou perto, abaixou só as costas, empinando a bunda e sussurrando bem pertinho do ouvido de Jake. – Mas antes, vai ter que me chamar por Sua Rainha.
-M-Minha Rainha.
-Muito bem! – A mulher sorriu e se levantou, não dando muito tempo de Jake apreciar bem seus seios de tão perto. – E o que o querido deseja?
-Você inteirinha... – O pobre garoto não raciocinava direito.
-Ah, mas isso todos querem meu bem. E se cada garotinho bonitinho que aparecesse por aqui me ganhasse tão rápido, bem... Eu não estaria aqui! – Ela levantou os braços. – Vamos fazer o seguinte. Conhece Strip Poker, não conhece? Qualquer cara da sua idade conhece.
-Sim...
-Então vamos jogar algo como isso.
Jake então se viu de repente sentado em uma mesa, com a mulher à sua frente e um tabuleiro aberto. Atrás da Rainha havia outras mulheres, todas olhando e sorrindo para ele. Mas também havia homens... Olhando-o do mesmo jeito, o que deixou Jake meio desconfortável. Mas a beleza da Rainha superava qualquer sentimento.
-Então, é um simples jogo de tabuleiro. Se você chegar até o final, você me ganha. Mas se eu chegar antes... daí Lú ganha você.
-Lú? É alguma amiga sua?
-Pode-se dizer que sim. Com algumas diferenças anatômicas, mas isso não vem ao caso. Pode começar o jogo, Jake.
O rapaz ficou pensando se essa Lú era morena. Jogando os dados, viu que tirara no total sete. Seu peão se mexeu totalmente sozinho, e a Rainha se esticou em seu lugar para ler o que havia escrito na casa que o peão parara. Jake estava mais interessado em seu decote...
-“Foi mal, mas nenhuma emoção para você agora. Aguarde por aqui até todos os participantes chegarem”
Pegou os dados e os lançou, bem faceira, deixando Jake extasiado com aqueles movimentos.
-Ah, nove! Já estou passando de você! “As coisas estão ficando quentes por aqui. Quem sabe o próximo jogador não bebe um pouco da nossa vodka especial? Adivinha, tem pimenta nela!”
Surgiu então um copinho na frente de Jake. O rapaz tomou em um gole só, se arrependendo depois. Sua garganta queimava ao descer a bebida, sentindo até chegar ao estomago. A Rainha e as outras diabinhas começaram a dançar, e Jake deu um sorriso bobo:
-Valeu a pena...
Então pegou os dados e jogou. O peão parou e novamente a Rainha se empinou para ler o que havia na casa, e novamente Jake sentiu seu rosto ferver ao ver o corpo da Rainha balançando em sua frente.
-“Quem precisa de roupas de baixo? Tire-as do próximo jogador!”
Todos à volta da Rainha riram e fizeram graça.
-Quem disse que estou usando roupas íntimas?
-Não minta, Rainha! – Todos repetiram. Jake, na maior felicidade, levantou-se para fazer o que o jogo pedia, mas a Rainha ergueu um dedo:
-Nãão! Você fica sentadinho. – Uma força o puxou para baixo – Eu que vou até aí.
Ela então levantou-se. A cadeira de Jake afastou-se sozinha da mesa, dando espaço para a Rainha se mexer. Ela parou na frente dele, segurou as duas mãos de Jake, colocou-as por baixo do vestido, fazendo elas irem até sua cintura, e baixou-as novamente, segurando sua calcinha. Voltou para o seu lugar, e Jake levou alguns segundos para se recompor. Olhando o que tinha no punho, cheirou o mais rápido possível, sorrindo.
-Fique feliz por isso. – A Rainha sorriu.
Vez da Rainha.
-“Não é hora para estender roupas. Mas os mamilos do seu adversário gostam de se pendurar em prendedores.”
Prendedores no mamilo de Jake. Vez de Jake.
-“Nada pra você, querido”.
Jogada da Rainha.
-“Alguns rapazes gostam de carne nova. Quem sabe você não oferece seu adversário para alguns deles?”
Homens de sunga e orelhas de cachorro chegaram sorrindo, e Jake se viu em volta de todos, inclusive teve que sentar no colo de um. Alguma coisa volumosa incomodava na bunda de Jake.
Vez de Jake:
-“Duas rodadas sem jogar amigo. Você está precisando descançar” Há, eu vou ganhar certo esse jogo! – Gritou a Rainha.
Vez da Rainha.
-“Quem sabe você não põe uma tatuagem nova no próximo jogador? Acho que uma pimenta beem vermelha cairia bem.”
A mulher ao lado da Rainha pegou um ferro com formato de pimenta na ponta queimando e segurou no braço de Jake, fazendo-o gritar de dor. Quando parou de gritar, viu que a mulher que sentava do outro lado da Rainha flertava com ela. Ele não sabia se sentia dor ou prazer naquele instante.
-Opa, sou eu de novo! – a Rainha deu um sorrisinho.
Jogou mais uma vez os dados, e o peão caiu em uma casa roxa.
-“Beije alguém do mesmo sexo que você. Se você gosta, melhor pra você. Se você não gosta, aprenda a gostar”. – A Rainha apenas balançou os ombros e fez cara de que não se importa, e agarrou a garota que flertara antes.
-Sua vez, querido – Disse ela ao terminar.
Jake sacudiu bem a cabeça antes de jogar e lançou os dados.
-“Volte duas casas. Não gosto de você” Hahaha, adorei! – A Rainha se divertia com aquilo.
-“Nada demais para você. Fique feliz por não cair em nenhuma casa pior”. Ah, que sem graça. – Disse a Rainha em sua vez.
-“Nós sabemos que seu adversário tem uma tatuagem escondida. E nós queremos vê-la agora” – Jake leu na sua rodada.
A Rainha revirou os olhos, levantou-se e virou de costas. Ergueu bem a bunda e levantou a saia, mostrando uma linda tatuagem de pimenta na nádega direita. Jake esticou lentamente a mão para tentar tocar ali, mas ela baixou o vestido mais rápido que ele.
- Minha vez – Disse ela.
Lançou os dados e seu peão andou mais dez casas.
-Oba, já estou chegando no final! – A Rainha bateu palmas. – “Seu amigo gosta de levar atrás, e nós sabemos disso. Quem sabe não damos esse gosto para ele?”
Jake demorou para entender o que estava acontecendo. Quando percebeu, estava sendo colocado de quatro no chão, e tentou escapar, mas os homens que o seguravam eram muito fortes. À sua frente, a Rainha observava, de braços cruzados e pernas bem abertas. Jake sentiu puxarem suas calças para baixo, e só teve tempo de gritar:
-Não, por favor, não!!
Não precisamos descrever o que aconteceu. No final, Jake não conseguia sentar mais na cadeira, e seu membro o fez ficar envergonhado e duvidando de si mesmo. Sua cueca ficara toda molhada, e seus olhos lacrimejavam.
-Oh, Jake, não se sinta culpado. É natural que você fique assim.
Jake não sabia se acreditava ou se começava a odiar aquela mulher. Mas sua beleza não deixava ele pensar em algo assim.
-Sua vez. – Disse ela.
Sem muita vontade, ele jogou. Mas o que a casa pedia fez o garoto voltar a ter vontades:
-“Pijaminhas são bonitos, principalmente se são meigos e peludinhos”
Em um instante, a Rainha usava um pijama preto e super sexy, a parte de cima com o pano transparente na barriga e a parte de baixo bem pequeno, todo peludinho e com tiras no pulso.
-Como eu fico? – Disse a Rainha, girando para Jake. Ele ficou sem palavras e babando.
Ela então subiu na mesa e começou a dançar. Jake esqueceu de tudo que havia acontecido com ele, e só ficou olhando hipnotizado para a Rainha. Ela então se agachou, chegando com o rosto bem perto do dele, pegou os dados na mão e jogou-os para cima. Desceu e sentou ao lado do rapaz, bem pertinho. Segurou a coxa dele e o olhou nos olhos. A mão subiu lentamente, até chegar a seu membro, que já voltara a ficar ereto. Ela então sorriu e olhou para o tabuleiro. Seu peão parara na casa “FINAL”.
-Olha! Eu ganhei! Ela largou-o e começou a saltitar, com tudo balançando e sendo devorados mentalmente por Jake. O garoto não entendia nada do que acontecia, até que uma porta no fundo se abriu. A claridade era tanta que Jake não via nada que saia dali.
-Lú! – a Rainha correu para os braços da sombra que aparecia na porta.
Pouco a pouco Jake conseguiu distinguir o que era aquilo. Um homem, muito alto e muito forte, sorria para a Rainha. Ele também usava uma sunga preta, só que era bem maior que os outros caras e era... totalmente vermelho, com guampas saindo da calvice de sua cabeça. A Rainha contava para ele como ela foi corajosa em ganhar.
-Viu como eu sou! Lú, eu sou ou não sou uma boa rainha? – Ela fez beicinho, um beicinho que deixaria qualquer homem totalmente caído.
-Fez sim minha linda. Você seempre faz.
-E agora, sua recompensa!! – Ela apontou para Jake. O garoto não entendia nada, até que viu o riso safado do homem vermelho.
-Espera aí, esse aí é o Lú? Mas não era uma amiga sua?
-É meu amigo ué. A única diferença anatomicamente é o que ele tem aqui em baixo. Mas, se bem que, se comparar ao normal, bem... ninguém é como ele. – Ela dizia, dando tapinhas no pênis dele.
-O-o que? É ele que vai me....ganhar...?
-Sim, é sim...
Então Jake estava em seu quarto. Acordou caindo de sua cama. Levantou balançando o rosto, meio zonzo.
-Eu bebi demais... Será que foi tudo um sonho?
Indo até o banheiro, viu o tamanho das olheiras que ficara depois da noite. Baixou a visão para a pia, quando percebeu em seu braço uma marca vermelha. Em formato de pimenta. Arregalou os olhos, não acreditando naquilo. Foi sentar no vaso fechado, para não cair duro no chão, mas deu um salto ao sentir uma fisgada forte na bunda. Bem... ali...
Jake não conseguia acreditar numa coisa dessas. Saiu correndo de casa.
Andando na rua, não sabia o que pensar. Só sabia que não podia encostar a bunda em nenhum lugar. Quando avistou uma mulher.
Loira e com aquele sorriso familiar. Era a Rainha.
Jake sentiu vontade de vomitar, mas se conteve. Ela passava o olhando, e ele não conseguiu se segurar e a seguiu.
Correndo em seu encalce, a Rainha dobrou uma esquina, e Jake foi atrás. Quando dobrou também, não viu mais ela. Correu até chegar à outra ponta, mas ela também não estava lá. Resolveu voltar, mas parou no instante em que virou seu corpo. Na sombra da parede havia a forma de homem muito grande e com chifres.
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