Mais Que Um Professor

10 Capítulo 10 - Dentro da Sala


Notas iniciais
Não consegui postar entre quarta e sexta como de costume, por isso, me desculpem.

Acordei com a sensação de que tudo não passou de um sonho. Ontem eu não tinha nada, hoje tenho tudo. Me impressiona o quão fácil as coisas mudam, o quão fácil é começar a andar pelo mesmo caminho que você sempre toma e terminar em algum lugar novo. Não tenho dúvidas de que minha vida jamais será a mesma.

Em todas as vezes que fiquei a sós com ele não estava arrumada, e mesmo assim chamei sua atenção. Não será agora que irei me arrumar de forma extravagante. Sou a aluna normal: camiseta do uniforme, calça jeans, cabelos castanhos um tanto despenteados, e os ingênuos, não mais tão ingênuos assim, olhos à la Lolita.

Conforme me aproximava do colégio uma agitação começava a emergir dentro de mim. Ainda sinto seu toque e seu cheiro. Sua barba e seu sorriso torto. Sinto-me como um atleta olímpico que acabou de bater um recorde, e está prestes a subir no lugar mais alto do pódio. Estou ansiosa para saber as Leis de Vitor.

– Minha cara amiga, suas oscilações de humor me assustam bastante. Ontem parecia acabada, hoje o sorriso não sabe no rosto.

– Meu caro Otávio! – fui até ele e o abracei. – Sabe aquela expressão “a felicidade bateu em minha porta”? Então.

– A felicidade?

– Sim.

– Estou bem curioso para saber a caracterização dessa felicidade.

– E felicidade precisa ter caracterização, Sr. Rissi? Não posso estar bem comigo mesma?

– Claro que pode. É ótimo se sentir bem consigo mesma, fico feliz por isso.

Sorri. Acredito que ele não tenha caído nessa, mas o que posso fazer? E outra, não menti, estou realmente me sentindo bem comigo mesma. Não foi bem a felicidade que bateu na minha porta, na verdade, foi um russo. Bateu na minha porta e eu, auspiciosamente, abri e o convidei para entrar.

Estava abaixada pegando meu material na mochila, quando a Victoria que senta atrás de mim, sussurra em meu ouvido:

– Parece que alguém se divertiu ontem à noite...

Olhei para frente e lá estava ele. Despojado, com uma camisa xadrez e um sorriso triunfante. Senti minha alma se elevando. Sou o motivo da alegria de alguém.

– Bom dia, turma – ele finalmente olhou para mim. Seus olhos me envolviam em uma nuvem de entusiasmo. – Bom dia, Anna – como ele sempre falou comigo, ninguém iria suspeitar de nada.

Dirigiu-me um sorriso lindo, e todos os momentos que passei com ele se avivaram rapidamente em minha mente e em meu coração. E ali obtive a certeza, ele não estava brincando comigo. Ele não havia esquecido. Exultante, sorri de volta. Há uns minutos atrás eu estava prestes a subir no lugar mais alto do pódio, agora me encontro nele.

Mesmo de costas para mim pude sentir o rosto da Duda corar. Sua agitação era visível, afinal, ela sabia do segredo. Imóvel, não parava de olhá-lo. Ele não sabia que ela sabia, mas não podia deixar que alguém suspeitasse de algo. Sorriu para a minha linda amiga, e a saudou também:

– Bom dia, Eduarda.

Voltou-se a sua mesa, e a Duda se voltou a mim:

– O que foi isso?

Sorri. Não podíamos falar sobre esse assunto dentro da sala. Ninguém podia ouvir. Sem mais delongas, ela arrancou um pedaço de papel do seu caderno e escreveu:

“O que aconteceu? Vocês tiveram a conversa? Por isso esse sorriso, sua danada! Você vai ter que me contar”.

Mandei o bilhete de volta:

“Depois.”

Pensei que seria estranho, depois de ontem, estar dentro da sala com ele dando aula, mas não está sendo. Era um tanto surreal lembrar o ocorrido de ontem. Aquela mão que agora segura o giz, ontem segurou o meu pescoço. A outra que se encontra no bolso de sua calça, ontem acariciava minha perna. O homem que hoje explica sobre os movimentos retilíneos uniformes, ontem me dizia que podíamos tentar algo.

Ele manteve a postura de professor, e apesar de os meus olhos estarem prestes a explodir de tanta satisfação, mantive a minha de aluna. A não ser pelos breves instantes que seus olhos encontravam os meus, e suas covinhas despontavam. Volta-se para a lousa, e mesmo assim, o sorriso torto não saía de seu rosto.

Tentei controlar minha ansiedade e meus pensamentos. Eu ainda não assimilava muito a matéria e precisava tirar uma boa nota.

– Ei.

– Oi, Isa – falei baixinho para não atrapalhar a aula.

– Está tudo bem?

– Está tudo bem – e sorri.

– Pelo visto, a Senhora Extremos, melhorou.

– Sim – continuei sorrindo.

– O que ocasionou essa mudança?

– Esperança – não sabia o que responder.

Ela me olhou minuciosamente procurando o sentido da minha resposta, e assentiu:

– Isso é muito bom, Anna.

Victoria entra na conversa:

– Vocês repararam que o Vitor está muito feliz hoje? A noite deve ter sido boa ontem.

– Ele aparenta estar mais relaxado – responde Isa.

Minha nossa, me sinto no meio da faixa de Gaza. Com medo de ser atingida por uma bomba, fiquei quieta só observando.

– Será que ele tem uma namorada?

– Deve ter.

– Mas se não me engano, a professora Lena contou uma vez que ele era solteiro.

– É mesmo. Mas ele pode ter arrumado uma. Ela nos contou isso já há algum tempo.

Tudo o que eu queria era sair dali, a vontade de dizer “não é bem uma namorada, na verdade, ele só deu uns beijos na amiga de vocês ontem, quer tentar algo com ela e deve estar feliz por isso” era grande.

O sinal bateu para o intervalo e eu esperei para ficar sozinha com ele na sala. Todos saíram, enquanto ele guardava suas coisas, olhou pra mim e sorriu.

– As meninas estavam comentando que você aparenta estar muito feliz hoje – disse.

– Eu estou mesmo.

– É?

– Sim. Tive bons momentos ontem – piscou pra mim. Não podíamos esquecer que ainda estávamos dentro da sala de aula.

– Também tive – sorri timidamente.

– Você entendeu o que expliquei hoje? Suas notas do primeiro semestre não foram muito boas, Anna.

– Mais ou menos. Mas estou tranquila quanto a isso, agora tenho um professor particular para me auxiliar com os estudos – contive um riso, e sorri da forma mais bonita que podia.

Ele sorriu descaradamente, inclinou um pouco sua cabeça e indagou:

– Ah é?

Pensei que ele não tinha mais suspiros para arrancar de mim, mas estava enganada.

– Saiba que esse professor particular não é capaz de te dar notas, Anna.

– Tenho total consentimento sobre isso, professor Vitor. Não seria certo.

Ele então passa a língua pelo seu lábio inferior como sempre faz, e quase tenho um ataque cardíaco ali mesmo.

– Mas acho que ele pode te ajudar sim, Anna.

– Queria saber se ele teria um horário hoje depois da aula.

– Ele deve estar com a agenda vazia.

Pegou sua mochila e antes de sair da sala, se aproximou da minha carteira e sussurrou bem baixinho:

– Te espero no mesmo lugar de ontem.

Notas finais
O que acharam? Comentem me contando, quero saber. Adoro comentários cheio de opiniões, sugestões e dúvidas. (Inclusive, adoro/amo as minhas comentadoras fiéis.) Pra quem gosta muito da fic: o nome da Anna foi inspirado na personagem Anna Karenina do clássico romance do escritor russo Liev Tolstói, que se passa na Rússia. (O filme é lindo, assistam quando tiverem oportunidade.) Além da referência russa, pelo Vitor ser descente de russo, gosto muito da história e do nome. E ah, se gostam da fic, recomendem e favoritem, por favor. Vou ficar extremamente feliz! Beijos.