Mais Que O Sol
5 Preocupações
Notas iniciais
Pov. Bia
Hoje a Ana viria aqui para eu ajudar ela com a matéria, não que eu seja a pessoa mais indicada para isso, mas é melhor do que nada. Antes de ela chegar dei uma geral a casa e fiquei assistindo TV, até que ouço o interfone. Abri a porta e era ela. Conversamos um pouco antes de começar a estudar, mas logo abrimos os cadernos e eu tentei explicar a matéria para ela. A Ana entende rápido as coisas, quem me dera ser assim, quem sabe desse jeito o meu pai pararia de encher meu saco. Ela estava fazendo alguns exercícios quando meu celular apitou. Bufei ao ver que era o Eduardo.
“Desculpa aí Bia” – Ele mandou.
– O que aconteceu? – Perguntou Ana ao perceber que meu humor mudou ao ver o recado.
– Não é nada, só um idiota aí.
– Então ta bom, mas se quiser contar pra alguém eu to aqui, ta? – Concordei com um sorriso.
– Bia, será que você podia... – Disse Binho ao entrar na sala, mas parou ao ver que Ana estava aqui. – Ana?
– Oi Binho! Segui seu conselho e procurei a Bia.
– Ah, que bom. – Ele sorriu.
– Mas então. – Entrei na conversa. – O que você queria Binho?
– O que eu queria o que? – Ele perguntou.
– Sei lá – respondi — Você ia me pedir algo.
– Ah, eu queria que você fizesse pipoca para a gente assistir algum filme, mas vocês estão ocupadas então não precisa mais.
– Mas até que seria bom dar uma pausa. As provas começam só semana que vem mesmo. – Ana disse.
– Verdade. – Concordei. – E durante essa semana você pode continuar vindo aqui se quiser.
– Se não for incômodo... – Ela sorriu.
– Ta, então eu faço a pipoca e vocês escolhem o filme. – Eu disse e eles concordaram.
Na verdade eu queria mesmo deixar eles um pouco “a sós”. Sei lá, acho que o destino não fez eles se encontrarem por acaso, os dois são tão fofos jutos e tem uma história por trás. Seria legal se dessem certo novamente.
Pov. Binho
Fomos até a sala de TV escolher algum filme. Peguei todas as opções e espalhei no chão mesmo. Sentamos frente á eles e começamos a pensar.
– Esse parece ser legal. – Ela pegou um DVD e me mostrou.
– Ah não, esse aí é muito meloso.
– Qual o problema?
– Não gosto de filme assim. Prefiro um tipo esse. – Peguei outro.
– Terror? Ai sei lá né. Pera aí, e esse aqui? – Ela pegou mais um.
– É esse é legal.
– Então vai ser.
Bia chegou com a pipoca e o refrigerante e sentamos todos no sofá, depois de eu colocar o filme, é claro.
– Que filme é? – Perguntou Bia.
– Guerra Mundial Z. – Respondi.
– Gostei. – Ela disse.
Esse filme não é de terror, porém da uns sustos e você fica apreensivo querendo mandar nos personagens, sabe? Por isso eu estava bem tenso, não só eu, mas elas também. Bia ás vezes olhava no celular, não sei o que tinha lá que tanto a interessava, já Ana estava vidrada no filme, assim como eu.
Por um momento de susto e impulso, Ana pegou na minha mão, mas logo se deu conta e largou me olhando envergonhada, aliás, ela ficou muito fofa sem jeito. Na verdade ela é fofa de qualquer jeito. Não que eu fique reparando nisso, mas é a realidade, fazer oque.
Já estava na hora da Ana ir embora e o filme tinha acabado de acabar, então nós rapidamente arrumamos a nossa bagunça e a Ana pegou suas coisas.
– Bia, obrigada por ter me ajudado. — Ela disse enquanto jogava sua mochila nas costas.
– Não precisa agradecer pirra. – As duas riram ao se lembrarem de que era assim que Bia a chamava antigamente. – E pode vir mais vezes antes das provas.
– E depois também. – Completei.
– Olha que eu venho mesmo. – Nós rimos. – Bom, agora tenho que ir.
Ela saiu e eu fui para o meu quarto. Comecei a fazer algumas lições de matemática que o professor tinha passado e pouco tempo depois a Bia entrou.
– Que foi? – Perguntei.
– Sabe o que eu tava lembrando? – Ela perguntar ao se sentar no canto da minha cama, enquanto eu estava em uma cadeira. – Daquele dia lá no orfanato.
– Aniversário da Mili?
– Não, antes disso, quando nós ainda morávamos lá.
– Você poderia ser mais específica né?
– No aniversário de 13 anos da Ana, que por sinal foi um dia antes de nós sermos adotados.
– Nossa, aquele dia foi triste, foi tipo uma despedida.
– Pra você nem tão triste assim, né?
– Como assim?
– Vai dizer que você não lembra? – Eu sabia exatamente onde ela queria chegar, mas me fiz de bobo. – O “com quem será” foi com você, e aí você finalmente teve coragem de dizer que gostava dela.
– Eu gostava dela? – Disfarcei.
– Você sabe que gostava Binho. Enfim, deixa eu terminar. Aí vocês perderam o BV, lembro até hoje da sua alegria por ter sido com ela.
– Porque você ta falando isso? – Folheei algumas páginas do livro de matemática, tentando fugir do assunto.
– Ah, porque dizem que a gente nuca esquece do primeiro amor.
– Beatriz, onde você quer chegar? – Fechei o livro e a encarei.
– Cara, você precisam ficar juntos! – Ela disse e eu ri.
– Isso não é você quem decide, além do mais, ela disse que gosta de outra pessoa que eu não conheço.
– Então vocês já falaram sobre isso?
– É uma longa história, e não tem nada de mais. Então para de achar chifre em cabeça de vaca.
– Nossa, essa é mais velha que a nossa avó Binho! – Ela riu.
Pov. Vivi
Depois de tudo que eu e Mili conversamos na madrugada de seu aniversário eu fiquei muito pensativa. Logo eu também faria 17 anos e não demoraria para os 18, ou seja, vou sair daqui sem nem ter onde ficar. Tentava sair desse negativismo, mas não dava, isso sempre voltava na minha cabeça.
Eu estava no jardim sentada em um banco quando alguém chega. Era o Juca.
– Ta tudo bem? – Ele perguntou e eu assenti com a cabeça. – Não parece. – Ele sentou no banco que estava na minha frente.
– Eu só to pesando numas coisas sem importância.
– Se não importa porque você ta pensando? – O juca é sempre muito direto, mas isso é bom, ás vezes nos faz enxergar certas coisas.
– Você tem razão, não tem porque eu me preocupar. Não agora. – Sorrimos um para o outro.
Continua...
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