Mais Que Amigos
13 Sem pedidos de desculpa... Apenas ficaremos juntos
Notas iniciais
Um...
Falha...
Dois...
Falha...
Três...
O coração do Capitão batia desesperado no peito enquanto o sangue latejava em seus ouvidos...
– Natasha! – Ele gritou arrebentando a porta do dormitório dela. O sangue vermelho escuro empapava as roupas da agente e seus dedos lutavam para parar o sangramento. – Natasha, não... Por favor! – Ele correu encontrando o seu olhar vago. – BARTON! – Gritou para o agente paralisado com os olhos arregalados no canto. – Barton! Vá na frente e prepara os médicos para receberem Natasha! – O agente continuou imóvel. – Barton! – Gritou o loiro sacudindo o arqueiro.
– O quê? – Perguntou despertando de seu transe.
– Natasha está morrendo. Vá na frente e prepare os médicos!
– O-ok! – Saiu aos tropeços pelo corredor.
Ele viu o coração dela bater mais fraco, viu o sangue chegar até as suas mãos quando a pegou no colo, viu ela perder a vida aos poucos, mas ele poderia jurar que quem estava morrendo era ele. Após chegar na ala médica Steve não aguentava ficar parado, cada segundo, cada minuto era mais e mais angustiante.
– Capitão Rogers? – Ouviu o homem de branco o chamar.
– Doutor! Como ela está?
– Agora está estável, mas o tempo para ela acordar é indeterminado.
– Como assim?
– Existe uma grande possibilidade que ela acorde cerca de poucas horas e também há uma pequena, mas ainda assim existente, probabilidade que demore mais do que queremos.
– Como mais do que queremos?
– O coma é uma coisa imprevisível. Ela pode acordar daqui há alguns anos ou até mesmo...
– Ou até mesmo o que? – Steve disse tão nervoso que o médico que conversava com ele estremeceu.
– Nunca mais acordar.
– Onde ela está?
– Primeiro corredor a esquerda, quarto 108.
A única coisa que vinha na cabeça dele eram as palavras que ela tinha dito antes de cerrar os olhos. Algo que estava perturbando sua cabeça desde o momento que ela entrou para a sala de cirurgia. "Pare essa dor" Uma frase pequena, mas que para ele tinha um peso enorme. Ela estava sofrendo e ele a deixou no momento que mais precisava... Ele não podia viver sem ela, e ele não queria.
Abriu lentamente a porta conseguindo ver somente o branco que estava presente em cada canto do quarto. Um corpo pálido e gélido e se não fosse o movimento de sobe e desce do peito dela ele poderia afirmar que havia perdido o amor de sua vida. Aproximou-se de Natasha e pegou docemente sua mão. Talvez como uma forma de próprio conforto ele colou os lábios dele nos dela. Não houve reação da parte da agente, mas para ele foi como se o mundo parasse.
Voltou a posição inicial e sentou-se na cadeira que tinha ao lado da cama de ruiva. Percorreu com os olhos o corpo de Romanoff e percebeu que por baixo daquela roupa hospitalar o tórax estava enfaixado. A culpa o corroeu de dentro para fora. O silêncio do quarto não existia mais e foram substituídos pelos bips dos monitores cardíacos, enfermeiros e médicos preencheram o local.
– O que está acontecendo?!
– Aguarde lá fora, por favor.
– Não! Me diga o que está acontecendo!
– Capitão! Lá fora! – O médico gritou tentando realizar várias tarefas ao mesmo tempo.
O Capitão foi levado por enfermeiros para fora do local a força. Desespero percorreu nele e a única coisa que ele sabia fazer era andar de um lado para o outro. O que estaria acontecendo com Natasha? Não demorou muito para o médico de plantão sair do pequeno quarto e dar o comunicado.
– Ela precisa de uma doação de sangue.
– O que?
– Parece que o corpo dela rejeitou o sangue que recebeu, quase houve uma...
– O que eu preciso fazer?
– Achar algum familiar, alguém que tenho um parentesco bem próximo dela. O sangue dela é A+, o banco do hospital está em falta.
Infelizmente a ruiva não tinha nenhum parente vivo, se tivesse também não sabia, mas situação de Natasha conseguiu ser normalizada com uma doação de sangue generosa vinda da pessoa que mais a amava. Steve.
Por mais que os médicos garantissem que a mulher não corria mais nenhum tipo de risco, Steve parecia ter um nervosismo crescente por não ser capaz de ver aqueles lindos olhos verdes. Pensou que com a doação ela acordaria, mas até aquele momento nada.
Dentro de Natasha assim que fora injetado o sangue que continha o soro do super-soldado tudo parecia estar se estabilizando, órgãos que não funcionavam a tempos começaram a trabalhar novamente, a ferida ainda aberta no peito não parecia mais tão assustadora e só então o Capitão pode ver aquelas lindas esmeraldas outra vez.
– O que faz aqui? – Ela tentava sentar na cama que estava deitada.
– Ei, ei, calma. Você ainda não pode levantar.
– Eu estou bem... – Sorriu um pouco fraca na cama.
– Não seja teimosa. – Ele sorriu docemente para ela enquanto ela tentava novamente se erguer. – Além do mais são recomendações médicas. Está sentindo alguma dor?
– Não... Eu estou bem... E você ainda não me respondeu, o que você faz aqui? – Perguntou confusa outra vez.
– Eu estou aqui por você.
– Se espera um pedido de desculpas pode esquecer... – Anunciou com seu jeito marrento. – Eu não vou me desculpar por ser uma mulher forte. Você sabia como eu era quando escolheu ficar comigo... – Enquanto a ruiva despejava tudo sobre o capitão o mesmo só fazia sorrir por ter sua Natasha de volta. – ...e do que você está rindo?!
– É bom ter você de volta... Como você fala quando está nervosa! – Ele viu suas bochechas tingir-se de um rosa adorável e riu sabendo que apenas ele tinha a habilidade de conseguir aquilo. – É apenas medo... Talvez insegurança... Quer dizer, eu não sei muita coisa sobre o seu passado... Não sei se você guarda uma lista ou apenas sai por ai com os homens...
– Steve, sinceramente, o que eu tenho que fazer para provar que quero ficar com você? – Ele abriu um enorme sorriso. – Eu não vou a lugar nenhum... E não é apenas por que estou presa a aparelhos! Eu quero estar aqui... Eu quero estar com você.
– Eu não mereço você...
– Chega desse papo! Cala a boca e me beija logo! – Disse arrancando forças para puxá-lo para baixo e beijar seus lábios.
– Você nos deu um susto e tanto... – Barton disse após pigarrear na porta.
– Clint! – Os olhos da ruiva se iluminaram ao ver o amigo e ela acenou para que ele se aproximasse para um abraço.
O agente atendeu.
– Quando achei que você tinha partido... – Ele engasgou.
– Ei, amigo! Ela está bem agora!
– E isso significa que logo poderei voltar e te dar mais umas surras... – Riu despenteando os cabelos do amigo, assim como uma brincadeira entre irmãos.
– Falando nisso... Bem, tem mais alguém querendo te ver.
Um olhar confuso tomou o rosto da moça enquanto todos os olhares se direcionavam para a porta.
– Romanoff. – Seu tom, normalmente sério, parecia um pouco afetado.
– Diretor... – Depois de uma pequena pausa ela continuou. – Vocês acham que conseguem me arrumar um par de roupas? – Perguntou para o namorado e o amigo. Eles logo entenderam e assentiram deixando o diretor sozinho com a ruiva.
– O que pensou no momento em que tentou fazer esta loucura?
– Loucura? Não me pareceu loucura, na verdade me pareceu a coisa mais sensata a se fazer.
– Você poderia estar morta agora! Nunca repita isso de novo! – Ela sorriu notando a preocupação em sua voz... Todo aquele zelo. – Quer dizer... Você é uma das minhas melhores agentes. Não poderia perdê-la assim tão fácil! – Natasha quase riu da situação.
– Acho que o plano realmente era morrer... – Sussurrou com um suspiro.
– Natasha! – Ele aumentou o tom de voz. – Me prometa nunca mais tentar um absurdo desses.
– Tudo bem! Eu prometo!
Ele a encarou por um momento antes de finalmente deixar um sorriso escapar. Era pequeno e tímido, mas era um sorriso.
– É bom que você tenha voltado. Estou perdendo cabelos que nem tenho de nervosismo com agentes inexperientes. – Ela riu e deixou que ele fosse embora.
Seu momento desacompanhada não durou muito, logo Steve já estava lá para contemplá-la. Assim como gostava de fazer.
– Steve...
– Hã? – Respondeu com uma expressão boba.
– Steve pare de babar e venha me beijar, por favor! – Pediu rindo.
Atender o pedido dela foi exatamente o que o loiro fez. Ele passou a manhã inteira enchendo-a de carinho e palavras doces.
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