Notas iniciais
Gil e Sara se conhecendo... E um pouco sobre a turma da classe infernal.

Sara caminhava quase se arrastando pelo corredor.

De cabeça baixa, deixava os cabelos lisos e brilhantes caírem sobre o rosto. Não queria ser notada. Principalmente por ele.

Pelo piso, deslizava seu all star – rasgado e desbotado, não tinha mais tanto do vermelho original. Ela observou seu ex-namorado, do outro lado do pátio da escola, com sua nova pretendente.

Hank Peddigrew conversava e ria com seus amigos abraçando pela cintura a garota mais popular da escola... Heather Kessler.

Uma patricinha de primeira classe. Podia-se perceber isso pelas suas roupas extravagantes ou o modo como se auto-apelidou de Lady Heather.

Sara terminou com Hank justamente por que ele a “traiu” com Heather. Ele era mesmo muito “traível”. Um valentão popular e metido, do tipo que metia medo nos nerds e arrasava os corações de todas as garotas. Inclusive o de Sara. Mesmo que tenha sido a meses atrás, ela não acreditava em como tinha sido estúpida em aceitar o pedido de namoro daquele que hoje ela chamaria de “galinha”, “canalha” e principalmente “mizerável”.

Ela mesma não era popular e não dava a mínima para isso. Claro, que como toda anti-social ela já havia tentado ser amigo dos populares. E como toda anti-social ela se arrependeu e voltou a sua vida solitária — e deliciosa — de antes.

Ela revirou os olhos e podia jurar que quase vomitou no momento em que viu Heather beijar Hank. Um beijo perigoso, como ela descreveria, do tipo que deixa a impressão de que alguém esta tentando engolir a sua cabeça.

Sara olhou para o escrito na porta da sala: “Turma: 2º c”

Como não tinha muitos amigos “lá fora”, Sara gostava de se perder em pensamentos sozinha na sala de aula, antes do sino anunciar o inicio da aula. Quer dizer, quase sozinha.

Uma figura familiar a esperava com um sorriso do tamanho do mundo em sua carteira, a penúltima da fila da parede.

– oi Cath... – Sara bateu a porta caminhou até seu lugar – atrás de Catherine — no seus passos lentos e cabeça baixa.

– cruz credo, gata, parece até um zumbi!

– obrigada, Cath, bom dia pra você também!

– ô querida, não desconta tua TPM em mim não, viu?

Sara revirou os olhos para a amiga, que agora voltou a esculpir um enorme sorriso no rosto.

Catherine era mais popular do que Sara, gostava de ser o centro das atenções mas só o suficiente. Uma desilusão amorosa do passado a tornou mais atenciosa quanto a homens. Então todos os garotos que tentavam chegar nela levavam um tapa ou algo pior. Mas para a sua sorte ela tinha agora um namorado perfeito. Jogador, inteligente e bonitão... Warrick Brown era um... Partido, como Catherine dizia. Era um pouco ciumento, mas sabia diferenciar amigas de namorada. Sara pensou que fosse esse o motivo daquela felicidade toda estampada na cara de sua amiga.

– filha, da pra me explicar por que essa mascara de retardada ta cobrindo seu rosto?

Catherine a olhou feio.

– retardada é você! O motivo, todo mundo já conhece...

– o de cima sobe e o debaixo desce? – Sara segurou o riso.

Cath já ia retrucar quando analisou melhor sua pergunta.

– só posso dizer que ontem eu... “subi e desci” muito, se é que você me entende... – ela encolheu o ombros e soltou um riso.

Sara ficou ali com cara de boba pensando em como foi arrumar uma amiga dessas.

– ah, Rick, o que você fez com essa garota...

Quando estava tirando seu material da bolsa, ouviu o sinal tocar. Era a hora da “vida social” entrar na classe.

– BAM! Prrrrrrrrr! Pou! Pou! Pou! Pou! – com um chute a porta se abriu.

Nick e Greg, os palhaços da classe entraram correndo, com as mãos paradas como se fossem armas e imitando sons de tiros.

Sara revirou os olhos. Só não conseguiu manter o riso quando Greg se jogou no chão fingindo que tinha sido atingido.

– é isso aí, gatinhas, essa é pra vocês! – Nick comemorou levantando sua “metralhadora-invisivel” e correndo pela classe.

Nesse momento, outras pessoas entravam na classe, todas rindo do drama que Greg fazia, ainda estendido no chão.

– Oh! Vida cruel! O que será de mim! Socorro, Batman, não me deixe morrer! Eu tenho mulher e filhos pra criar!

O sorriso de Sara evaporou quando entraram Hank e Heather, ainda abraçados. Eles trocaram um selinho e seguiram cada um para seu respectivo lugar, em lados opostos da sala.

Por sorte Heather se sentava bem longe de Sara. Mas infelizmente o lugar ao lado era ocupado, sim, por Hank.

A sua frente, Nick e Greg. Apesar de serem festeiros, se dedicavam muito aos estudos. Bom, pelo menos Nick se importava. Greg também tinha uma paixão: Sara Sidle. Ele sempre acreditou que poderia ter uma chance com ela, apesar dela nunca tê-lo considerado nada mais que um bom amigo. Eles não rejeitavam os outros, e nem escolhiam por dinheiro ou beleza. Seus melhores amigos eram Sara, Cath, Warrick e Jim.

James Brass,chegou a sala acompanhado por Warrick. Eles eram bons amigos, verdadeiros parceiros. Ambos eram do time de baseball da escola, mas Jim não se importava tanto com isso. Gostava de fazer piadas irônicas e adorava uma pegadinha, mas tudo em seu tempo.

Em seguida, David Phillips, o garoto mais esperto da classe. Muitas vezes era alvo de piadinhas de garotos como Hank, mas por sorte tinha muitos amigos corajosos para lhe defender. Ele também tinha uma paixonite secreta, pela mesma de alguns outros. Acreditava que Sara nunca ia corresponde-lo, então o maximo que tinha coragem eram alguns flertes, sempre disfarçando ao ser notado.

Entre os alunos mais populares estava Teri Miller e Sophia Curtis, duas amigas de Heather que eram como os “cachorrinhos” dela. E ainda Mandy e Wendy Simms, ambas ricas e bonitas, melhores amigas loucas por ciências.

Wendy tinha uma queda pelo incomparável David Hodges. Só Hodges para os amigos. Ele era um verdadeiro puxa-saco de professor. Não era a toa que sua carteira ficava colada na mesa maior. Apesar de se sentir o gênio que sabe tudo sobre todos, seus amigos o achavam “hiláricamente” idiota.

Com toda a classe reunida, cada um em seu respectivo lugar, a conversa surgiu em uma enorme quantidade. O som das varias vozes se calou quase que instantaneamente quando o professor parou na porta.

Conrad Ecklie, o pior professor do mundo, fez o favor de cair pela segunda vez como professor de física daquela turma. Mal humorado e pavio curto, era o professor mais atingido pelas piadinhas infames dos alunos, principalmente por sua careca de Einstein e sua voz embargada.

– e aí, psôôr! – Greg ficou de pé e estendeu a mão para que o professor correspondesse a seu high-five.

A sala toda segurava o riso pela expressão nada amigável que Conrad fazia.

Depois de ignorar totalmente o toque de Greg, o encarou sério.

– quer ficar do lado de fora da classe? – algumas pessoas precisaram cobrir a boca para não soltar uma gargalhada pelo olhar do professor, inclusive Greg.

– err... Maus aê, fessor! Tô indo pro meu lugar! – ele se sentou rapidinho e Ecklie revirou os olhos.

– eu tenho uma boa e uma má noticia... – ele se sentou em sua mesa e organizou seus papeis. – qual vocês querem ouvir primeiro?

Todos gritaram em coro: a ruim!

– a noticia ruim é que teremos um novo aluno desta turma.

Alguns cochichos depois, alguém finalmente gritou.

– e a boa notícia?

– a boa noticia é que teremos avaliação semana que vem.

– aahhh... – alguns alunos praguejaram baixo.

Sara parecia ser a única que não estava pouco se lixando para prova. Queria era saber quem era o “aluno misterioso”.

– ei, Conrad, quem é o novo aluno? — gritou.

Antes que ele pudesse dizer, a diretora e inspetora de alunos Carol (Inner: em homenagem a Carol Mendelsohn) bateu na porta sorridente, com a mão sobre o ombro de um jovem alto e forte, sem músculos marcados, apenas não-magricela.

Ele olhava atentamente para o chão. Não que fosse muito tímido, mas detestava sentir vários pares de olhos sobre si. Carol o trouxe para a frente da sala e o apresentou.

– crianças, esse é Gilbert Grissom, não sei se o Sr. Ecklie deu a noticia, mas ele é um aluno novo desta turma...

– Gilbert! É o nome do gato da minha vó! – Hank se recostou na carteira, triunfante pela sua piada que gerou muitos risos.

Sara notou o garoto revirar os olhos, talvez acostumado com babacas, e encarou Hank. Ele parou de rir quando a viu, mas ignorou totalmente depois.

Carol bateu forte na mesa e todos ficaram quietos.

– eu ainda não terminei Hank, quer acabar na minha sala logo na primeira aula?

Ele bufou. Ergueu os braços em forma de rendição e permitiu que ela continuasse.

– Gilbert veio de Marina Del Rey, Califórnia, com a mãe. Ele não tem mais nenhum outro parente então vai ficar aqui em Vegas pelo resto dos anos letivos. – ela encarou feio Hank – eu realmente espero que o recebam bem. Com licença, Conrad. – ela deixou a classe.

– pode se sentar onde quiser, Gilbert, e bem vindo a classe. – Ecklie o recebeu.

O garoto que até agora estava de cabeça baixa conseguiu ergue-la apenas o suficiente para descobrir que não tinha um lugar vazio. Olhou para cada um dos curiosos que pareciam o avaliar com os olhos, e encontrou dois com quem se simpatizou de cara.

A garota sorria para ele. Parecia que se estivessem mais perto ela iria o cumprimentar de cara, como se já fossem grandes amigos.

Ele teve a sorte de notar uma carteira vazia atrás dela, espremida entre sua cadeira e a parede.

Sara o viu retribuir um sorriso tímido e seguir para se sentar no lugar de trás. Sara o seguiu com um olhar alegre até ele começar a esvaziar sua mochila. Como era seu primeiro dia, não tinha nada alem de um caderno médio e um estojo comum.

Grissom se envergonhou um pouco quando ela abriu mais o sorriso. Tinha os dentes da frente separados. "Diastema", pensou, "uma anomalia de etiologia múltipla". Aquilo não era tão comum, mas ele também não ia zombar. Achou melhor nem perguntar.

– Gilbert, né? – ela começou a falar com ele.

Grissom apenas assentiu e sorriu fracamente.

– Meu nome é Sara, Sara Sidle... Poso te chamar de Gil?

Grissom engoliu seco e assentiu. Ela abriu um sorriso tranquilizador e só então ele notou como ela era bonita.

Cabelos negros, lisos e brilhantes, compridos até o braço. Tinha olhos em tom caramelo, muito claros. Disfarçou um olhar um olhar ligeiro sobre os seios dela. Não que se importasse com isso, mas eles eram de um tamanho que ele diria... Avantajados.

– todos na minha antiga escola me chamavam de Gil... – ele finalmente falou.

Sara também notava as características físicas do rapaz. cabelos negros e encaracolados, boca pequena, nariz redondo em um nível que julgou "extremamente fofo" e olhos absurdamente azuis. Se segurou para não dizer como ele era bonito (tinha mania de ser espontânea, ou como Cath diria, cara de pau) então procurou algo para perguntar que desviasse sua atenção.

– você nasceu em Marina Del Rey? — perguntou, percebendo logo em seguida que não se importava em saber aquilo.

– não, eu nasci em Santa Monica... Só morei em Marina por que... – ele pensou melhor antes de comentar o assunto.

Era um acontecimento pessoal, e tinha acabado de conhecer aquela garota.

– por quê? – Sara insistiu.

– senhorita Sidle! – eles olharam para o professor que os encarava com um giz na mão, em frente ao quadro que agora continha alguns exercícios. – podem fazer o favor de deixar suas conversas paralelas para outra hora?

– foi mal, Conrad, eu só 'tava dando as boas vindas.

– se já tiverem acabado, saibam que eu não tolero conversas na minha aula, agora façam o favor de copiar os exercícios da louza!

Sara bufou e se virou para frente. Ela abriu seu caderno, pegou a caneta e leu a primeira frase:

“Revisão da prova – 4º feira dia 03”

Sara xingou o professor em pensamento. Antes mesmo de conseguir escrever a primeira palavra, viu um pequeno pedaço de papel dobrado cair sobre sua mesa, por cima de seu ombro.

Ela leu:

“esse professor é mesmo bravo assim?”

Sara confirmou com um olhar rápido que o professor estava de costas, sorriu, e respondeu a mensagem, jogando o papel de volta pra trás.

“ele é o pior do mundo, segundo o ranking feito pelos alunos daqui"

Grissom sorriu. Queria continuar “conversando” com ela, se sentia mais confortável, mas estava sem assunto.

“quantos anos você tem?”

“16 e você?"

“17"

“vc repetiu algum ano?”

“nunca, mas me disseram que os alunos daqui seriam mais novos.

tem mais alguem de 17?"

“só o besta do Hank :P”

“quem é o Besta do Hank?”

“esse besta aí do seu lado!”

Grissom analisou o rapaz de tênis largo, calção e moletom ao seu lado. Parecia do tipo agressivo e encrenqueiro. O tipo que não via muito, e quando ocorria, ele tentava não provocar e ficar na dele.

Seu corpo teve o reflexo instantâneo de virar pra frente e disfarçar o máximo que pode, quando Hank o encarou com o olhar mais amedrontador que já viu. Seus olhos, quase brancos de tão claros, o deixavam com a aparência de um vilão de desenho mangá com sede de sangue. E o capuz da blusa sobre a cabeça, fazia parecer que ele estava escondido a espreita.

Percebeu que o garoto não gostou nada de o ver trocar bilhetes com Sara, e pensou que talvez tivesse algo a ver com ela o chamar de "O Besta". Grissom tornou a escrever.

“ele dá medo, mas porque besta?”

“ele é meu ex, me trocou pela vadia Heather.”

Ele riu ao ler.

“e quem é a vadia Heather?”

Sara virou para trás, sempre antes confirmando que o professor não viu nada.

– tá vendo aquela ruiva ridícula ali atrás? – falou baixinho apontando com a mão abaixada.

Grissom encarou a garota, que demorou um pouco a perceber. Ao contrario de Hank, ele não se intimidou com os olhos claros dela. Mas sentiu um calafrio percorrer seu corpo quando Heather piscou para ele, mordendo sensualmente a tampa da caneta e lançando-lhe um olhar sedutor. ouviu Sara sussurrar: — vaca.

– ela não é tão ridícula... — ele viu o olhar incrédulo de Sara e corrigiu — m-mas deve ter um péssimo caráter.

– bota péssimo nisso, ela é uma dominatrix!

Ele riu, um pouco alto demais, e ambos tiveram o reflexo de se certificar que Ecklie não notou. Concordaram que deviam copiar o dever da louza, antes que o professor apagasse tudo. Duas aulas de física, a terceira foi biologia, onde Grissom se saiu muito bem respondendo corretamente todas as perguntas da professora que já de cara simpatizou com ele.

Assim que o sinal do intervalo tocou, todos saíram mais que depressa para o pátio, deixando na sala Grissom e Sara, Jim, Nick, Catherine e Warrick, que queriam conhecer o novato.

– bem vindo ao inferno, cara. – Warrick esticou o braço para ele. – sou Warrick, pode ser Rick se quiser.

– er... Inferno?

– todas as escolas são um inferno, mas a nossa tem esse apelido desde sempre. – Jim se apresentou. — Eu sou James Brass, mas meus amigos me chamam de Jim.

– dizem que somos a pior das classes da escola — disse Nick trocando um soquinho com Gil — então, pode se dizer que somos a-

– classe infernal. – todos disseram ao mesmo tempo.

Grissom sorriu e cumprimentou todos com um high-five.

– prazer, sou Catherine, pode me chamar de Cath, não se apaixone por mim, tenho dono, beijos! – ele sorriu e se agarrou ao braço de Warrick.

Sara revirou os olhos.

– pode deixar Cath, ninguém tem tanto mal gosto assim... – todos riram do comentário.

Saindo da sala, cada um foi para seu canto. Grissom seguiu Sara, já que era sua única e até o momento melhor amiga naquele lugar. ela andava calmamente pelo corredor, parecia até que não estava indo para ligar algum, apenas caminhando.

– você e sua amiga Catherine não ficam juntas?

– nah, ela prefere passar todo o tempo possível com o namorado e eu gosto de um pouco de paz...

– eu atrapalho?

– não, claro que não... – ela sorriu. – é só que... Como melhores amigas nós sabemos dar um espaço para a outra, sabe...

– sei... – Grissom encolheu os ombros e colocou a mão nos bolsos, percebendo o clima estranho que se instalou na ausência de assunto para conversar.

Caminharam mais alguns segundos e de repente Sara parou. Abriu um sorriso e se virou para Grissom.

– é aqui!

Antes que ele pudesse perguntar: “aqui o quê?” foi puxado pelo braço para dentro de um gramado em formato de meio-círculo que ficava no canto do pátio. No meio dele, havia uma árvore. Mas não uma árvore comum. Um carvalho. Enorme.

Não era difícil notar que era velho, a julgar pelos galhos secos e baixos. Grissom não conseguiu esconder um pequeno sorriso ao notar que aquele lugar era a moradia de algumas espécies de insetos. Ele adorava insetos.

Viu Sara se sentar no chão, encostada às raízes enormes e perguntar sorrindo.

– vai ficar de pé? – ela cruzou as pernas e indicou que ele se sentasse ao seu lado.

Grissom o fez e começou a admirar a multidão que passeava de um lado para o outro a volta deles.

Poderia se dizer que a escola toda estava acostumada a ver uma garota sentada no gramado lendo ou escrevendo alguma coisa em um caderno. Achavam que ela estava estudando, e o simples fato de alguém estudar em qualquer momento que não fosse na sala já fazia a sociedade daquela escola ignora-la totalmente.

– tá com fome? – Sara perguntou de repente, quase o assustando.

– um pouco, por quê?

– tem uma cantina ali, o preço é um roubo, mas se você for milionário até que mata a fome! – Grissom riu, e Sara notou que ele tinha um sorriso muito bonito.

– desculpe, eu não tenho dinheiro...

– não to te pedindo pra comprar! – Sara se levantou rindo. – ‘guenta aí que eu já volto!

Grissom a observou sair correndo em direção a multidão e sumir la dentro.

Resolveu apenas esperar calmamente. Tudo aquilo ainda era um pouco estranho para ele.

Mas seu coração congelou ao ver ninguém menos do que o “besta do Hank” encostado em um dos pilares o encarando. Seu capuz ainda cobria a sua cabeça, e mesmo de tão longe, seu olhar ainda amedrontava. Grissom ficou nervoso. Nunca ninguém foi tão pouco com a cara dele a ponto de parecer um psicopata o perseguindo.

É claro que ele estava assustado com o que aquele mal encarado podia fazer a ele, afinal encrencas não eram o seu forte.

Se sentiu bem mais aliviado quando Sara apareceu segurando nas mãos alguma coisa que de longe ele não conseguiu identificar.

– toma. – Sara o entregou um dos lanches que trazia. – não sabia o que ia querer então trouxe o tradicional de pizza.

– obrigado, não precisava...

– parece até minha mãe falando... Sem problema, eu tinha alguma grana sobrando... – Sara abriu cautelosamente o seu lanche tirou uma fatia de presunto de dentro com cara de nojo. – quer? – ela riu.

– você é alérgica?

– vegetariana, na verdade... – ela jogou o presunto longe. – pizza é o único sabor que ainda tem uma miséria de salada – Sara riu.

Grissom voltou seu olhar para o pilar onde Hank estava encostado a espreita, que agora se encontrava vazio.

– o que foi? – Sara falou de boca cheia.

– hein? Ah! Nada, só pensei ter reconhecido alguém... – ele inventou uma desculpa.

– sente falta dos seus antigos amigos?

– eu me mudei faz pouco tempo, eu acho que daqui a alguns anos eu vou sentir mais... – Grissom ficou um pouco triste ao se recordar de alguns de seus melhores amigos, que provavelmente nunca mais veria se não fossem em visitas rápidas.

~~~~~GSR~~~~~

Depois de outras três aulas, todos os alunos estavam acabados.

Quando o sinal bateu, até a professora suspirou aliviada.

Catherine se despediu de Sara e foi embora. Na classe sobraram apenas os únicos alunos que não jogavam as coisas dentro da bolsa de qualquer jeito.

Grissom e Sara saíram da classe ao mesmo tempo e foram juntos até a parte de fora da escola, onde – por pura coincidência do destino – suas bicicletas se encontravam lado a lado.

– você também vai de bike? – Sara subiu na sua, vermelha om detalhes em preto e observou a dele, verde camuflada.

– pois é... – eles saíram andando lado a lado em silêncio.

Dobraram a esquina à direita, seguiram em frente algumas quadras, viraram a esquerda... Sara queria saber por que diabos ele fazia exatamente o mesmo caminho dela.

– tá me seguindo, xará?

– na verdade minha casa é logo ali...

– que coisa... a minha é aqui! – de repete Sara vira bruscamente sua bicicleta, entrando no gramado de uma casa.

Grissom parou para observar a casa dela. Era de um tom branco descascado, talvez a casa fosse antiga. Dois andares, com varandas nas janelas do andar de cima e algumas heras escalando a parede.

– até amanhã! – Sara se despediu com um aceno e entrou na casa.

Grissom esperou ela fechar a porta para analisar a vizinhança. Todas as casas eram parecidas: dois andares, pintura antiga e desgastada, gramado, varandas... Mas do outro lado da rua, uma visão o fez estremecer.

O garoto da classe, namorado da “vadia Heather”, estava parado em cima de um skate o observando com a mesma cara feia que fez praticamente o dia todo. Grissom engoliu seco. Aquilo já estava ficando sem graça.

Para sua surpresa, o rapaz desceu do skate, pisou em uma das pontas o fazendo inclinar no ar e o pegou, entrando em seguida na casa amarela atrás de si.

Ele era vizinho de Sara. Morava exatamente na frente da casa dela.

Depois de acordar do transe, voltou a pedalar e dali a um quarteirão e meio estava em casa.

Era bom saber que a garota "receptora" que conheceu morava tão perto dele.

O ruim era saber que o perigo morava tão perto quanto.

Notas finais
*REVIEW* é bom e todo mundo gosta! ;P