Mais Fortes - Hiccstrid
1 Antes da Missão
A cabeça fervilhava, Soluço estava mais agitado que o comum. Viggo e suas armações não lhe saíam da cabeça. E aquela última em especial estava lhe tirando o sono. Alguma coisa naquele mapa não estava certa. Viggo nunca faria uma proposta de trégua sem ter algo realmente bem maléfico por trás. Os Cavaleiros só estavam esperando o dia amanhecer para averiguar o que tinha naquela ilha bem no limite da fronteira.
Andava de um lado para outro da plataforma enquanto passava e repassava sua conversa com o chefe dos caçadores. Até que uma fala em especial o fez parar:
"Como é que está a perna da Astrid? — a voz de Viggo soou calma e ameaçadora em seus ouvidos. — Se curando bem, eu acredito."
Ele sabia. A constatação atingiu em cheio o peito de Soluço. Viggo descobrira mais um de seus pontos fracos.
Olhou para o alojamento dela. Apesar do horário avançado tinha uma luz acesa e ele sabia que a patrulha era de Heather e Perna de Peixe aquela noite. Não resistindo foi até lá. A cabeça ainda atormentada por pensamentos inquietantes sobre tudo, não lhe alertava cautela ou bons modos num ambiente tão “casa” quanto o alojamento de Astrid. Então, simplesmente, entrou e dirigiu-se às escadas.
A encontrou sentada na cama. Teve que admirá-la. Ela não tinha usava armadura, ao invés disso, usava apenas uma túnica folgada e os cabelos estavam quase completamente soltos da trança, tinha a perna direita sobre a cama e amarrava um pedaço de retalho na coxa, provavelmente no mais novo ferimento causado pela flecha de um caçador. Ela se via tão linda e delicada naquele momento, desarmada, que o coração dele acelerou, o medo de perdê-la mais presente.
— Tá ficando cada vez mais perigoso. – ele pensou alto e ela o olhou, espantada. — Desculpe, eu deveria ter batido.
Astrid deu de ombros.
— Como você está? — ela perguntou, indicando com a cabeça que ele podia subir o resto das escadas.
— Não era eu quem devia perguntar isso? – perguntou, indo em sua direção indicando o seu improvisado curativo. Astrid de pronto baixou a perna dando espaço para que ele se sentasse ao seu lado.
— Eu estou bem, como eu disse, foi de raspão. Mas, você parecia um pouco... preocupado demais com essa história de trégua. — ela o olhou enquanto ele apertava os olhos. — Isso claramente não está te fazendo bem.
— O que me perturba é ele está sempre um passo à frente e está sempre me manipulando. — ele levantou-se, inquieto. — Parece que está dentro da minha mente.
— Soluço, — ela foi atrás dele e lhe tocou o ombro. — ele não pode fazer isso. Entrar na sua mente. Apenas é isso que ele quer que você pense, ele quer perturbar você.
— E está conseguindo. — virou-se para ela. Seus olhos desceram para coxa amarrada com o retalho vermelho que contrastava com a pele alva e provavelmente macia de Astrid. De repente sentiu o sangue fluir mais forte nas veias, respirou fundo tentando ignorar a sensação. — Eu não posso arriscar tanto.
Ela levantou o rosto dele para que a olhasse nos olhos.
— Você não pode se culpar por tudo. Não pode. Nós, cada um de nós, estamos cientes dos riscos. E somos responsáveis pelas nossas próprias ações. — ela deu um meio sorriso para ele. — É meio louco, mas eu escolhi usar a minha perna para proteger a Tempestade. Como eu sei que você escolheria usar o seu peito para proteger o Banguela. — ela lhe acariciou o rosto. — É o que somos.
Ele lhe sorriu, o coração aos pulos. Sentindo as sensações que ela despertava nele cada vez mais forte, sentindo que ela podia fazê-lo esquecer. Mas, ele não podia esquecer. Não podia esquecer a ameaça tão eminente.
— Os perigos estão cada vez maiores, Astrid. Viggo não é como os outros, ele me conhece. — ele tocou o rosto dela com carinho. — Conhece minhas fraquezas. E eu tenho que admitir, estou com medo. Medo e raiva. Estou com muita raiva, Astrid. Ele sabe onde pode me ferir.
Ela encostou a testa na dele, e ele fechou os olhos.
— Você precisa relaxar, Soluço. Talvez esteja dando ao Viggo mais crédito do que ele merece.
— Eu não posso subestimá-lo...
— Nem superestimá-lo. — ela fechou os olhos também, apenas sentidos suas respirações se encontrarem. — Eu conheço você, o Viggo não. Eu sei o que você faz e você é incrível. — ela o ouviu sorrir. — Soluço? Um dragão! Você entende isso? Entende que você nos colocou para voar em dragões, e lembra o que eu te disse? Você foi o primeiro viking a fazer isso. Quando Viggo Grimborn conseguir essa façanha manda ele vir falar comigo. — Soluço sorriu novamente, segurou as mãos dela e suspirou.
— O que não adiantará nada se formos...
— Shii... Não seremos derrotados.
A mente dele duelava com seus sentidos.
Ela não entendia. Não entendia o que ele tinha a perder.
— Meu pai sempre disse que um bom líder tem que cuidar de todos, e por hoje de manhã, sinceramente eu não sei se estou sendo esse bom líder.
— Soluço...
— Não Astrid. — ele afastou suas testas, mas não a soltou. — Você se machucou, a Batatão e o Peixe quase foram capturados, o Melequento disse...
— Ah, por favor... — ela revirou os olhos.
— O que eu estou dizendo é que eles estão chegando cada vez mais perto. E talvez devêssemos abortar essa missão de reconhecimento.
— Deixe-me adivinhar? Abortar a missão, para você ir sozinho? De jeito nenhum! — aquele tom autoritário Soluço conhecia bem, indicava que ela não cederia por nada. — Além do mais é como eu já disse, todos nós estamos ciente dos riscos e sabemos porque estamos nessa, para resgatar os dragões. E não importa o que o senhor diga, Sr Haddock, confiamos em você e você é um excelente líder. — Ela segurou seu rosto novamente, olhando no fundo dos olhos verdes para que ele não duvidasse.
— Eu não vou me perdoar se acontecer alguma coisa com você.
Astrid sentiu a mão dele subir por sua coxa e parar bem em cima de seu curativo. E pra ela não interessava o que Soluço queria dizer, se aquele gesto fora apenas para indicar que ele se sentia responsável pelo seu ferimento, ele lhe despertou sensações intensas que ela estava cansada de ignorar, então o puxou e o beijou. Sentiu Soluço enlaçar sua cintura e jogou os braços ao redor de seu pescoço.
A cada vez que o beijava um misto de saudade e novidade se apossava dela. A sensação de voltar para casa invadia seu coração ao mesmo tempo em que uma curiosidade de descobrir novos espaços a levava a desejar mais. Ele era sempre delicado e firme no começo, até que ela começava a descobrir, como exemplo, ela sabia que quando apertava a mão sobre sua nuca ele se tornava mais sedento, como estava agora. Era incrível descobrir o que seu toque fazia com ele tanto quanto o que o dele fazia com ela.
Sorriu.
— Nada vai acontecer comigo. Nada vai acontecer com a gente. Vamos ficar bem. — suspirou rentes os lábios dele. Sentiu Soluço descer o rosto por sua mandíbula em direção a seu pescoço e se envergonhou quando sentiu as pernas bambearem, e um solavanco no estômago a pegou desprevenida quando Soluço a suspendeu em seus braços.
Ele a levou de volta até a cama e a deitou, Astrid sem demora o puxou junto.
— Você não deveria sair daqui por um bom tempo, milady. — disse ele, afastou delicadamente a franja do olhos dela e parecia observar cada centímetro de sua face. A voz de Soluço era rouca, ela amava ouvi-la naquele tom, fazia seu ventre trepidar.
— Se ficar comigo prometo que não sairei, senhor. — ela mordeu o lábio, corada e meio insegura, mas tudo nela gritava por ele, e geralmente Astrid Hofferson agia por instinto, e estes estavam bem aguçados no momento.
Soluço tomou um susto e a olhou por um tempo ante aquele convite. Ela não podia brincar daquele jeito, pois autocontrole tinha limite. Era a garota… não, a mulher mais linda que ele já tinha visto! Os cabelos loiros jogados no travesseiro, a túnica branca brincando nas coxas bem torneadas e cobrindo o corpo perfeito, os olhos de um azul oceânico que podia afogar qualquer um e o cheiro mais estonteante que ele já sentira. Era aquela mulher que ele tinha com ele. Por Thor, quem poderia se controlar? Ainda mais sentido que a amava com todo seu coração?
— Astrid... — ele disse em tom de alerta. Ela sorriu enviesado e lhe puxou novamente para si. — Continuar com isso é loucura! – ainda disse com dificuldade.
— Sim, maior loucura, né? — disse o beijando, enlaçou suas pernas na cintura dele e inverteu as posições, continuou com seus beijos pelo rosto dele.
Por todos os deuses! Ele era um cara contido, mas não era de ferro. Tinha a garota que amava em cima dele o beijando loucamente, quem em sã consciência resistiria? Bem, a resposta era, qualquer um. Porém era impossível estar em sã consciência naquele momento.
Astrid despertava nele sensações desconhecidas e intensas demais, ele nunca se sentia tão forte e tão homem quanto naqueles momentos com ela. Lá estava seu coração espancando seu peito e sua virilha pressionando-o com toda força. Não resistiria a ela nunca. E seu corpo já tinha decidido por ele.
Se permitiu sorrir da impetuosidade dela.
— Não tão fácil assim, mocinha! — num impulso, novamente tornou para cima dela, e a viu sorrir. Atacou-lhe o pescoço aspirando fortemente o cheiro que emanava dali, ela tinha cheiro de oleandro e algo mais amadeirado, era confortável, era sua casa. Via a pele dela se arrepiar ao contato com a sua e aquilo era ainda mais espetacular para ele.
Desceu as mãos pelos seus braços apertando levemente enquanto a sentia se contorcer embaixo dele. Uma espécie de murmúrio saia de sua garganta, e ele percebia que ela tentava controlar a custo mordendo os lábios. Desceu os beijos do pescoço para a clavícula e depois para o colo, enquanto as mãos viajaram dos braços para a cintura e depois para as coxas ainda entrelaçadas em seus quadris.
— Ah, Soluço! — Astrid por fim murmurou, de olhos fechado, a voz dela era mais aguda que o normal e teve um efeito forte em sua virilha. Ele tornou a sua boca e a beijou.
— O que?
— Eu...eu — ela arfava pesado. — não consigo respirar.
Por um momento ele parou, meio assustado, mas percebeu que sua respiração estava tão pesada quanto à dela e aquilo não era algo tão ruim.
— Quer que eu pare? – sussurrou para ela, mal reconhecendo a própria voz de tão rouca.
Ela balançou a cabeça freneticamente de um lado o para outro, e ele tornou a beijá-la.
Quando Astrid sentiu a língua dele invadi-la novamente tremeu. Abraçou ainda mais a cintura de Soluço com as pernas fazendo suas intimidades se chocarem o que lhes causou outro estremecimento. Aquilo era quase insano, mas o desconhecido não podia assustar exploradores, podia?
Astrid forçou-se a se concentrar e alcançou as fivelas da armadura de Soluço, enquanto sentia as mãos dele invadir a parte de trás de sua túnica, apertando sua pele subindo da coxas cada vez mais. Os dedos dela tremiam, mas ela seguiu em frente. Sem saber como, conseguiu soltar a pesada armadura, e com ajuda dele, a descartou.
Ele subia com as mãos cada vez mais impetuosas por baixo da túnica dela e Astrid sentia calafrios do seu ventre se alastrar por todo o corpo, perdendo o ar novamente. Soluço a tocava e deixava um rastro no seu corpo e um desejo na ponta de seus dedos que os faziam formigar. Alcançou a barra da bata que ele vestia e a puxou para cima o fazendo despi-la e descartando-a no chão do quarto em seguida.
Os dois se tornaram intensos na arte do toque. As mãos pareciam sedentas enquanto passeavam pelo corpo do outro, e eles se contorciam quando percebiam que davam prazer tanto quanto recebiam. Astrid amou descobrir que a armadura de Soluço escondia novos músculos que a cada dia ficava mais definido. Soluço amou descobrir a contração que a barriga dela fazia sob a sua mão. Os arrepios, os calafrios, e o suor que emanavam de seus corpos os inebriavam. E a proporção alarmante que aquela dança estava tomando ficava cada vez mais irreversível.
Até que num dado momento em seu ímpeto por ela, enquanto a sentia mordiscar o lóbulo de sua orelha, Soluço apertou mais forte a coxa ferida de Astrid. Ele a sentiu retrair-se e murmurar um "Ai" de dor não de prazer. Foi o suficiente para alertá-lo e trazê-lo a um segundo de lucidez.
— Você está bem? — levantou os olhos imediatamente. — Me... me desculpe, Astrid. — disse, ainda parecendo um pouco enervado.
— Estou. É só... — ela corou, ofegante. — Desculpa. — pediu sabendo que tinha quebrado o clima e que ele não mais seguiria adiante.
— O que? Não se desculpe, eu é que... — ele corou e se ergueu um pouco do corpo dela. — Fui um completo irresponsável. Sua perna... — ele tocou a perna que ainda se atinha presa a sua cintura e delicadamente a deslocou dali a pousando na cama. Embora seu corpo ainda implorasse pelo contrário.
— Soluço — ela disse, ainda com a voz suplicante.
— O que?
— Eu estou bem. — ela acariciou a face preocupada dele. — Foi apenas um arranhão.
— Tudo bem. — ele suspirou. E jogou-se ao lado dela na cama, tentando acalmar sua respiração e convencê-los. — Amanhã teremos um dia cheio...
— Você tem que descansar.
— Você tem que descansar. — disseram os dois em uníssono e sorriram.
Astrid se aconchegou no peito dele, descansando a perna ferida sobre as dele.
Ficaram os dois em silêncio por um tempo, escutavam-se apenas as respirações ofegantes lentamente voltar ao normal.
— Eu sinto que vamos ficar bem. — ela disse depois de um tempo.
— Como pode ter tanta certeza?
— Eu confio em você, confio na gente como equipe, sei lá… apenas, sinto.
Outro silêncio se seguiu.
— Ele sabe sobre a gente. — disse Soluço
— O que? — Astrid o olhou, realmente não entendendo.
— Eu não sei como, mas eu sinto que ele sabe. — ele engoliu em seco, e a olhou nos olhos, então ela entendeu que ele se referia aos dois em particular. — E por algum motivo sinto que isso me torna vulnerável. — ele a abraçou, acarinhando os cabelos, agora totalmente soltos dela.
— Mas não devia. — Astrid apoiou o queixo no peito dele. — O que sentimos deveria nos tornar mais fortes.
Ele sorriu para ela genuinamente para ela, nos olhos uma espécie de esclarecimento, e ela sentiu-se feliz por ter dito a coisa certa. Depositou um beijo leve nos lábios dele e voltou a deitar, ouvindo o coração dele sob seu ouvido sabia que não poderia dormir melhor na vida. Ela lutaria. Viggo não os venceria. Ela tinha uma vida pela frente. Uma vida ouvindo o coração de Soluço.
E Soluço esperou ela cair no sono, beijou-lhe os cabelos dezenas de vezes antes de finalmente tomar coragem para levantar-se, Heather podia voltar a qualquer momento, além disso, em algumas horas amanheceria, e eles tinham uma missão. A olhou antes de sair do quarto. Linda! Ela tinha razão, eles eram mais fortes. Ela o fazia mais forte. Não importa o que Viggo armasse, se estivessem juntos sairiam vencedores. Todos eles.
~
Notas finais
Espero que tenham gostado também se sim, me deixem sabem tá.
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