Mais Do Que Amigos
8 Você É Minha Namorada
Notas iniciais
Preparem-se para mil tretas!
POV Camila
Estou andando ao lado de Francesca e Maxi até o refeitório, que resume-se a um conjunto de mesas de madeira sobre a areia do espaço entre os dormitórios. Já parou de chover, e, ao contrário de ontem, faz um sol escaldante.
Quando sentamos em uma mesa, sinto alguém colocar o braço ao redor dos meus ombros. Olho para o Maxi, e não é ele. Ah, não. Não pode ser o...
– Oi, Camilinha! — ... É o Broadway. — Poxa, a gente não tem curtido junto ultimamente, né?
Me forço a dar um sorriso, e digo:
– Pois é, né?
Olho de relance para Maxi, que está estreitando os olhos com raiva para Broadway.
– Então — continua o Broadway — por quê você não vem sentar na minha mesa junto comigo?
– Não. — diz o Maxi, tirando o braço de Broadway dos meus ombros e me puxando para perto. — ela não vai se sentar com você, porque ela vai se sentar comigo.
Então coloca o braço ao redor dos meus ombros, como Broadway fizera há dois segundos.
– Então você pode sentar com a gente — diz o Broadway, abrindo um sorriso.
– Não. — responde Maxi, fechando a cara, e me arrastando para o outro lado do 'refeitório', deixando Broadway e Francesca ali, totalmente confusos.
– Maxi, seu louco, o que é que foi aquilo? — digo para ele, quando já estamos sentados em uma outra mesa de madeira.
– É que... Ele te trata como se você fosse namorada dele. E você não é, você é minha namorada.
– Mas todos acham que sou namorada dele, inclusive ele.
Ele suspira frustrado.
– Espero que isso tudo acabe logo. — murmura ele.
– Eu também.
Então, do nada Francesca surge com uma bandeja com uma tigela cheia de sorvete de flocos, e bate-a com força na mesa.
– O que é que foi aquilo? — diz ela. — Maxi, ela tem que curtir um pouco com o namorado dela, ela tem passado o tempo inteiro com você. Vem, Cami.
Ela me puxa pelo braço, mas Maxi pega o outro.
– Ela não vai.
Ótimo. Agora todos querem me tratar como se eu fosse um brinquedo. É como se Maxi já tivesse brincado o bastante, e agora é a vez de Broadway de brincar.
Falando no Broadway, ele se aproxima da mesa, e olha a cena: Maxi sentado na mesa segurando meu pulso, Francesca em pé segurando meu braço, e eu em pé entre os dois.
– O que é que tá acontecendo aqui? — questiona ele.
– Eu queria levá-la para comer com você, mas esse maluco sem ética não quer deixar. — diz a Francesca.
– Porque ela quer ficar aqui. — responde Maxi.
Legal. Agora estão decidindo o que eu quero e o que eu não quero.
– Maxi, será que você não entende que ela não quer?
– Se ela não quisesse ficar junto comigo, será que ela deixaria eu fazer isso?
Então, ele segura meus ombros e me beija. Na frente de Broadway, na frente da Francesca, na frente de todos.
Não tenho tempo de fingir relutar, porque rapidamente ele se afasta.
Então ouço uma voz no meio do pequeno aglomerado de pessoas que se formou entre nós.
– Por quê você está beijando o MEU namorado?!
Naty abre caminho em meio ás pessoas aglomeradas.
– Oh, peraí, né, amiga. Foi ele quem me beijou.
Então no meio de tudo, Francesca segura meu braço, e depois o de Maxi, e nos arrasta com uma certa brutalidade para perto do mar, onde ninguém pode ouvir o que dizemos por causa do barulho das ondas.
– Será que vocês dois não têm nada pra me contar?
Maxi e eu olhamos para baixo, como aquelas crianças mal-criadas que são repreendidas pela mãe depois de fazerem algo errado.
Então ela continua:
– Vamos ver: primeiro, o seu chilique na fogueira — ela diz, apontando pra mim. — depois, essa 'pequena' manifestação do Maxi. Sem contar que vocês têm andado muito estranhos, e também têm passado muito tempo sozinhos. Concluímos que...
Ela faz uma pequena pausa, como se estivesse esperando que um de nós completasse a frase. Quando não falamos nada, ela diz:
– Vocês estão namorando em segredo!
Quando ela diz isso alta e claramente, coloco o rosto entre as mãos e Maxi chuta a areia.
– Gente, só me respondam mais essa: Por quê não me contaram?
Maxi é o primeiro a falar:
– Na verdade, não planejávamos contar pra ninguém. Mas... Andamos tendo uns pequenos probleminhas...
– Alguém mais sabe? Há quanto tempo isso tá rolando?
– Oh, oh, oh, calma, querida — eu digo, tirando as mãos do rosto. — Não acha que são perguntas demais?
– Respondam logo!
– Tá, tá! — falo. — Leon e Violetta sabem. E... Não acontece há muito tempo, só faz uma semana.
– Bem, então parece que seu planinho de esconder as coisas foi por água abaixo.
Olho para o refeitório. Naty não parece mais brava, ela e Broadway estão escutando atentamente o que uma menina, que eu não conheço, está falando.
– O que é que está acontecendo ali? — pergunta o Maxi.
Vamos todos até lá, e, assim que chegamos, podemos ouvir Naty dizer:
– Ah, agora entendi tudo! — ela se volta para Maxi. — desculpa por ter ficado tão equivocada. Agora eu entendi tudo.
– O quê? — pergunta ele.
– Ela acabou de me dizer, que pelo que ela conseguiu ver, você ia andar para o outro lado, escorregou, e sem querer, vocês se beijaram.
Franzo a testa. Será possível que a Naty acreditou nessa história fajuta? Ou será que foi isso mesmo o que a garota viu?
– É verdade! — confirma outro garoto, no meio da pequena multidão. — eu vi tudinho.
– Bem, sendo assim, tá tudo bem entre a gente, né, Cami? — diz o Broadway.
Ele não espera eu responder, e me puxa para um abraço.
Maxi e eu nos encaramos. Será que foi isso mesmo que pareceu?
Por um lado, isso é bom, porque Naty e Broadway não se magoam, mas por outro, é ruim, porque não podemos mostrar o que realmente sentimos.
Notas finais
Comentem o que pensam! (Nem eu acredito que a Natália e o Broadway acreditaram naquela historinha :/ )
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