Mais Do Que Amigos
2 Ciúmes e Solidão
Notas iniciais
POV Camila
Hoje é o dia da viagem. Mais uma vez, eu cheguei atrasada.
Marco e Francesca estão do lado de fora do ônibus, não muito longe do Maxi, que está olhando para o longe, como se estivesse procurando alguma coisa.
– Oi, Maxi — digo.- Esperando a Naty?
– Não, estava esperando você.
No começo, estranho um pouco, mas depois relaxo. Somos amigos, certo? Fazemos essas coisas um pelo outro.
Ele me ajuda a guardar minhas malas enquanto Marco e Francesca entram no ônibus.Depois, me ajuda a subir. Já lá dentro, procuro pelo Broadway. Se ele não foi me esperar do lado de fora, deve pelo menos ter guardado um lugar para mim.
Passo os olhos pelas fileiras de poltronas, e vejo os pares sentados nelas: Leon e Violetta, Ludmila e Naty, Marco e Francesca... André e Broadway.
Nem guardar um lugar pra mim ele guardou. Procuro lugares vagos e vejo que tem três separados ao lado de pessoas desconhecidas,um no fundo, perto dos cantos, e dois bem na frente, na fileira da direita.
Eu me sento em um dos dois assentos da frente,perto da janela e Maxi se senta ao meu lado.
Quando o ônibus começa a andar, o lugar vira uma tremenda bagunça, e todos começam a conversar, menos Maxi e eu. Ás vezes tentávamos puxar conversa, mas ela sempre morria.
Então resolvemos dividir um fone para ouvir música no celular dele, então depois de alguns minutos, encosto a cabeça no ombro dele e pego no sono, e pouco antes de eu entrar em sono pesado, sinto uma leve pressão na minha mão, e sorrio involuntariamente antes de adormecer profundamente.
POV Maxi
Camila.Tenho uma queda por ela desde que a conheci, mas quando descobri que ela me considerava como um irmão pra ela, parei de tentar ficar com ela, mas nunca deixei de gostar dela daquele jeito. É exatamente por isso que sempre andei procurando um namorada, uma garota que pudesse me fazer esquecê-la, mas nunca dava certo. O mais próximo que já consegui disso foi a Naty. Eu consigo esquecer a Cami quando estou com ela, mas assim que nos separamos, eu continuo a pensar na Cami.
Dei sorte de consguir sentar ao lado dela no ônibus, mas, quando fomos conversar, fiquei super sem graça, e sem saber sobre o que falar. Então, quando estávamos ouvindo música, ela,encostou a cabeça no meu ombro, e, como se,fosse uma deixa, segurei a mão dela e ela sorriu. Esperei que ela olhasse pra mim, mas, depois de alguns segundos, percebi que ela estava dormindo.
Eu não posso entender por quê ela quer o Broadway, e não eu, não entendo que o que eu faço por ela, ele não faz e ela continua com ele.
Não sei como ela não percebe que quando eu arrisquei perder meu lugar no ônibus para esperá-la do lado de fora, e ele nem sequer se contentou em guardar um lugar pra ela.
Começo a imaginar como seria se ela fosse minha namorada.Só de imaginar isso, um sorriso começa a crescer no meu rosto. Com isso em mente, encosto minha cabeça sobre a dela e pego no sono.
POV Camila
Acordo com um barulho alto de pneus parando bruscamente sobre a terra. Significa que chegamos no tal 'paraíso do verão' do qual a Francesca não parou de falar nem por um segundo. Penso em soltar minha mão, e só aí percebo que estou segurando a mão de Maxi, que está com a cabeça apoiada sobre a minha.
Com minha mão livre, sacudo levemente o ombro de Maxi que acorda com um susto.
– Chegamos. — eu digo.
Alguns alunos começam a sair do ônibus, e eu faço o mesmo. Pisando em terra, Francesca e Violetta estão dando pulinhos de alegria e animação.
A paisagem é praticamente um cartão postal, com duas grandes estruturas de madeira de frente para o mar.
Francesca tinha razão, o clima está perfeito para curtir a praia e escrever canções.
Depois de ouvirmos as indicações do Marotti de onde podíamos encontrar instrumentos para testar as músicas, qual era o dormitório feminino e o masculino ( que seriam as 'grandes estruturas de madeira') e onde poderíamos tomar café, almoçar, e que o jantar seria em uma fogueira que seria montada no início da noite.
Vou falar com Broadway depois de colocar um biquíni e um vestidinho de praia:
– Ei, Broadway. Tá a fim de...Sei lá, andar pela praia comigo?
– Ahm... Desculpa, Cami, mas agora não dá.
– Mas...Por quê?
– Eu apostei com o André que ele não conseguiria escalar um desses coqueiros. Então ele vai tentar escalar um. Eu não quero perder isso!
– Ah. Tá.
Então parece que ver um tonto escalar um coqueiro é mais importante do que ficar comigo.
– Fran, tá a fim e dar uma voltinha na praia?- eu digo, me dirigindo á Francesca.
– Ai,amiga, eu tô tão cansada...Eu acho que mais tarde, também vou querer dar uma voltinha, mas tudo o que eu preciso agora é um banho e um travesseiro macio.
A Violetta eu sei que também não vai andar comigo, porque ela e o Leon acabaram de sair de uma crise de brigas por causa dos garotos que sempre atrapalhavam a relação, mas agora que eles voltaram, Violetta me disse que nessa viagem, eles querem tentar passar maior parte de seu tempo juntos.
Então, começo a andar sozinha pela praia, e, quando já estou á um certa distância dos dormitórios, me lembro de outra pessoa que poderia ter chamado. Maxi. Ele nunca recusa um convite para passear comigo.
Então me viro em direção á onde o pessoal estava reunido bem na hora de ver a Naty dar um beijo no Maxi.
Uma onda de fúria percorre meu corpo, e inexplicavelmente, eu estou fervendo. Não entendo, eu os ajudei a ficar juntos. Eu dei conselhos ao Maxi para correr atrás do que ele queria, para não ter medo do amor. Mas ultimamente, toda a vez que vejo esses dois juntos, me dá uma pontada, e eu sinto vontade de gritar.
Me seguro para não ir lá acabar com a graça deles, e continuo meu caminho, até porque se eu fosse lá, não tenho a menor ideia do que eu iria dizer.
Chegando em um certo ponto na praia, me sento na areia perto do mar, sentindo a água fria molhar meus pés.
Acho que desse jeito, o único sentimento do qual eu poderia escrever uma canção seria a solidão.
Notas finais
Kisses da Mari ♥
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