Mais Além

2 Capítulo 2 - Reencontro


Babi acorda com fome, vai até a cozinha, abre a geladeira, e não encontra nada que lhe agrada. Então resolve sair, passar em uma padaria, e caminhar um pouco para tentar acalmar seus pensamentos.
Babi para em uma padaria, e compra três sonhos, e vai caminhando até uma pracinha, onde ela e Katina costumavam correr nos fins de semana.
Chegando à pracinha, Babi senta em um banco e começa a devorar o primeiro sonho, e logo em seguida o segundo.
Olhando em seu redor percebe como as pessoas são felizes, observa as crianças correndo, casais de namorados se beijando, velhinhos sorrindo... E nesse momento ela só queria estar como aquelas pessoas, ela só queria estar feliz, mas o seu coração estava confuso e triste.
Eis que perto de um carrinho de pipoca, avista Katina, que acabava de comprar pipoca, onde algum tempo atrás, as duas compartilhavam segredos e sonhos, por aquele mesmo caminho.
Babi, então se levanta e vai atrás dela, quando se aproxima, coloca a mão em seu ombro.
Katina então olha para trás.
Babi sorri.
Katina com um olhar triste fala: Hm, é você.
[BABI] — Não ficou feliz em me ver né, desculpa.
[KATINA] — Não é isso Babi, realmente não esperava ser você, e hoje também não é um bom dia.
[BABI] — Tudo bem. Mas o que está fazendo aqui?
[KATINA] — Apenas caminhando, e você?
[BABI] — Também. Posso te acompanhar?
[KATINA] — Que seja.

Katina continua andando, Babi segue ao lado dela.
[KATINA] — Quer pipoca?
[BABI] — Não, obrigada. — tira o ultimo sonho do saquinho — E você quer sonho? Estava com fome, acabei passando na padaria e comprando isso aqui. Nossa é uma delicia, pega um pedacinho.
Katina olha espantada, em ver Babi tão empolgada em falar de um sonho.
– Como assim Babi? Você nunca gostou disso, além do mais, não está preocupada com sua dieta? Ou melhor, ainda faz dieta? Quer dizer, nem te conheço mais.
Babi, fica sem graça com os comentários de Katina, abaixa a cabeça.
– Continuo com a dieta, não sei o que me deu, ou melhor, é fome mesmo. Katina você não atendeu mais meus telefones.
[KATINA] — Depois que te ajudei com a reencontrar o H, pedi para você não me ligar mais Babi.
[BABI] — Desculpa, eu sinto sua falta.
[KATINA] — Eu também sinto, ou melhor, senti, senti muito, quando o Pollo morreu.
[BABI] — Eu não sei o que dizer Katina.
[KATINA] — Eu acho que não temos mais nada a dizer Babi.

As duas caminham mais um pouco, até que se sentam em um banco, silêncio por alguns minutos, e Babi não aguenta:
– Katina, eu queria você de volta na minha vida, eu sinto muito.
–Babi, as coisas não funcionam assim, você não pode, agora... Você não pode.
Babi pega na mão de Katina, olha bem nos olhos dela:
– O que está acontecendo Katina? Você não me parece bem, eu te conheço, te conheço melhor do que ninguém, me conta vai.
– Ai Babi...
As duas se abraçam, e Katina começa a chorar.
Quando se soltam do abraço, Babi seca as lágrimas de Katina, que sorri levemente.
[BABI] — Me conta, o que aconteceu.
[KATINA] — Eu, tava saindo com um cara, a gente se dava bem, ele era engraçado, divertido, eu estava realmente gostando dele, e ontem.... Ontem, eu o vi beijando outra. Ele é DJ, trabalha na noite, fui fazer uma surpresa, e vejo ele....
[BABI] — E me diz que você deu um tapa na cara desse sem vergonha, e beijou o mais bonito da festa na frente dele.
As duas riram.
[KATINA] — Quase isso, rsrsrs, só tira a parte de que beijei o mais bonito da festa. Fui correndo pra casa, digamos que chorar. E hoje, resolvi caminhar por aqui, esse lugar ainda me faz bem.
[BABI] — A mim também.
Katina então se levanta: Já está na minha hora, preciso ir.
[BABI] — Podemos sair qualquer hora, para conversar mais.
[KATINA] — Não sei se é uma boa ideia, tchau Babi.
Katina dá três passos, e volta em direção a Babi :
Babi, hoje vou a uma festa com uns amigos, se você quiser aparecer... Ah, esqueci, você agora é uma mulher casada, deixa pra lá.
Babi se levanta e com um enorme sorriso no rosto responde:
Não, não sou casada, adiamos o casamento. Alfonso não está no país. E eu gostaria de ir sim.
[KATINA] — Então mais tarde te passo o endereço, e te encontro lá.
E sai andando.
Babi se senta novamente, e está feliz,
feliz por ter conversando com aquela que vai ser sempre a sua melhor amiga.


Babi volta para casa, se arruma, e espera ansiosamente um sms de Katina. Dani entra em seu quarto, e estranha a atitude da irmã, verificando a cada 5 segundos o iphone.
– Babi vai sair com algum gatinho, e ainda não me contou?
– Não Dani, estou esperando a Katina, vamos sair... Uma festa.
– Com a Katina? Só com ela, ou tipo assim, mais alguém?
– Só com ela Dani, por quê?
– Nada não. — Dani então vai para o seu quarto, e por alguns momentos se questiona, se deve ou não falar com Babi sobre H. Mas decide não falar.
Babi, então recebe o sms de Katina, pega o seu carro, e vai toda feliz encontrar com a amiga.
Chegando à porta da boate, Katina a esperava com os amigos, os de sempre, aqueles motoqueiros que corriam com o H. Babi reconheceu alguns como Chino e Palote. Todos ficaram surpresos com a chegada dela, e ela sentiu isso, os cumprimentou meio sem jeito, e todos entraram na boate.
A música alta, muitas pessoas, aquele ambiente trazia a Babi muitas recordações, mas ela estava feliz. Katina também estava feliz, rindo e se divertindo com as brincadeiras daqueles caras.
Babi e Katina no inicio não trocavam quase palavras, apenas sorriso, eis que Babi chamou Katina em um canto, e disse que estava feliz por estar com ela, e ver que aparentemente ela estava bem. Katina sorriu, e disse também estar feliz por estar com a Babi.
De repente começa a tocar "TORMENTA DE ARENA", a música do primeiro beijo, Babi fica nervosa, e começa a olhar ao seu redor, como se tivesse que encontrar alguém. Katina percebe a aflição de Babi.
– Não fique assim Babi, vamos, hoje viemos aqui para nos divertir.
Katina leva Babi para o bar, os garotos acompanham,
Katina pede uma rodada de tequila, todos brindam e viram o copo. Chino pede outra rodada, todos brindam e viram.
Os garotos vão para a pista de dança, Katina pega Babi pela mão, e ambas começam a dançar, como se não tivesse ficado esse tempo todo sem se falar. Ali, eram duas garotas compartilhando novamente, a mesma alegria que sempre tiveram.
Katina, resolve voltar para o bar, puxa Babi pelo braço. As duas desviam das pessoas até chegar ao bar. Katina pede uma caipirinha, Babi uma vodka com abacaxi.
Babi bebe um pouco da bebida da Katina, e ela faz a mesma coisa, as duas estão rindo, estão felizes.
– Hey, Babi, olha a sua direita, aquele cara está olhando pra você.
Babi olha na direção, repara que tem mesmo um homem olhando e sorrindo pra ela.
– Credo Katina, ela é baixo, falta músculos, ela é feio, pega pra você.
[KATINA] — Ele não é o H Babi, esse é o problema?!
[BABI] — O que você disse?
[KATINA] — Nada não, eu prefiro aquele que está na pista de dança, olha que gracinha.
As duas caem na risada.
[BABI] — Vai lá então, vai Katina, ele está olhando pra você.
[KATINA] — Quer saber? Não vou, estou cansada desses homens. Vamos dançar.
Katina pega sua caipirinha, e pega no braço de Babi, que deixa sua vodka com abacaxi no balcão. E as duas caminham de volta para a pista de dança.
As duas dançam e se divertem, uma música, duas músicas, na terceira música Babi começa a passar mal.
[BABI] — Katina, não estou me sentindo bem, vamos no banheiro comigo?
[KATINA]- Babi, o que você tem? Parece que está ficando mais branca que o normal.
Babi se segura em Katina, e vão até o banheiro.
Babi corre e vomita, Katina fica ao lado dela, segurando seus cabelos, agora mais curtos, e loiros. Babi reclama que está tonta.
Katina começa a rir.
– Poxa Babi, duas tequilas e um pouquinho de vodka com abacaxi já está derrubando você? Você era mais forte do que isso em AMIGA.
Babi, sorri e seu coração enche de alegria quando ouve a palavra AMIGA.
– Não é isso, acho que o abacaxi estava estragado. Que saco eu nunca me senti assim antes. Vamos pra casa comigo Katina, eu realmente não estou bem.
As duas voltam para a boate, se despedem rapidamente dos garotos, e saem.
[KATINA] — Vamos pegar um táxi.
[BABI] — Não, eu vim de carro, você dirige.
[KATINA] — Aff, Babi, você sabe que eu não gosto de dirigir.
As duas entram no carro, Babi aparentemente ainda continua abatida, Katina dirige...
[BABI] — Cuidado hein, não tenho seguro contra Katina.
[KATINA]- HAHAHA, Engraçadinha você hein?
[BABI] — Mas, como você está? Conversou com ele? Ou já superou?
[KATINA] — Não quero mais saber dele, não admito traição. Hoje falei com a irmã dele. Gin me falou que ele está arrependido. Mas eu não quero ele, não tem mais volta.
Babi pensa um pouco então pergunta.
[BABI] — Gin?
Katina, responde sem se dar conta do que está falando.
[KATINA] – É irmã dele, e namorada do H.
Katina fica sem jeito, e se cala imediatamente.
Babi, com um olhar de tristeza.
– Namorada do H, hum.... Bom, o importante é você ficar bem.
Mais um pouco de silêncio, as duas finalmente chegam à casa de Babi. Que volta a ficar enjoada. Ela corre para o banheiro, e volta a vomitar, Katina a acompanha.
– Calma Babi, Calma. Vou pegar um remédio pra você. Continua no mesmo lugar?
[BABI] Sim, vai lá, por favor.
Katina caminha até a cozinha e vê Rafaela, a avisa que vai pegar um dramin, na caixinha de remédios. Rafaela é educada com Katina, mas parece estar distante.
Katina entra no quarto, Babi, já está no chuveiro. Ela então entra no banheiro e dá o comprimido para Babi, que o toma imediatamente.
Katina, vai até o quarto de Dani, que está deitada na cama, chorando baixinho.
Katina se aproxima, Dani sorri ao perceber a presença dela.
– Dani, carinho!
– Katina, que bom te ver aqui.
Dani, senta na cama, e Katina senta ao lado dela, as duas se abraçam. Conversam um pouco, Dani agradece pela ajuda, no dia que ela passou mal, e conta toda a história da gravidez. Katina se emociona, e abraça novamente a menina.
Katina volta para o quarto de Babi, que já está jogada na cama, ao lado um colchão no chão.
[BABI] — Toma ! — Babi, entrega um pijama e uma toalha para Katina
– O que é isso? Eu não vou dormir aqui.
[BABI] — Vai sim, eu estou passando mal, você não vai me deixar aqui assim né?
[KATINA] — Chantagem não vale, me dá aqui — caminha em direção ao banheiro- Sua mãe está estranha, foi super educada comigo, mas nem veio aqui te ver. O que está acontecendo?
[BABI] — Longa história, a família está totalmente abalada, e com a história da gravidez da Dani, ela ficou assim, depois dela ter recusado a fazer o aborto.
Katina, toma banho com a porta do banheiro aberta, e enquanto isso as duas conversam.
Katina então se troca, volta para o quarto, e também se joga no colchão. As duas caem na gargalhada, ambas estão se sentindo bem, por essa aproximação.
[KATINA]- Você está melhor?
[BABI] — Acho que sim, pelo menos não estou mais com vontade de vomitar, mas estou um pouco tonta. E acho que também estou com fome.
[KATINA] — BÊBADA.
[BABI] — Tonta.

[KATINA] — Babi, vou assaltar a caixa de remédios da sua mãe de novo.
Babi, rindo — Vai lá. Então eu que sou a bêbada né?
[KATINA] — Não é isso, maldita tpm, estou começando a ter cólicas.
Babi, se assusta, senta na cama e começa a pensar...
Katina não entende a reação da amiga, vai até a cozinha, toma o remédio, e quando volta para o quarto, Babi continua sentada com a mesma cara de susto, mas agora parece estar fazendo contas.

TPM? TPM ? ' Minha menstruação nunca tinha atrasado antes, como eu não me dei conta disso? MESES? Já faz meses, desde...desde.. Não pode ser.

Babi está aflita, Katina senta ao lado dela, e pergunta o que está acontecendo.
[BABI] — Isso que você me disse Katina, TPM. Eu não tinha me dado conta, mas faz meses, que...
[KATINA] diz espantada — MESES BABI? Quantos?
[BABI]- Como, dois ou três meses??
[KATINA] — Três meses faz que você se encontrou com o H? Mas tem seu noivo.
Katina grita: BABIII, você está enjoada, vomitando, sua menstruação atrasada a meses, você está comendo sonhos...BABI.
Babi, olha para a cara de Katina, com medo de suas palavras, medo da resposta, que no fundo ela já sabe...
BABI, BABI, BABI... Você está grávida? BABI, você também vai ter um bebê.
Babi, ouviu o que naquele momento ela temia, ela ficou muda e parada por um instante, em sua mente passava a noite de amor que ela teve com H. Um bebê? Uma mistura de medo, e felicidade passava pelo seu coração. Seus olhos encheram de lágrimas, e ela abraçou forte a Katina.
[BABI] — Eu não sei, será? Deve ser? Katina eu estou com medo.
Katina a abraça forte, e a questiona:
Babi, é do seu noivo né?
Babi faz que não com a cabeça, respira fundo.
[BABI] — Não, a gente sempre se protegia, e fazia muito tempo que não tínhamos relações. E naquela noite com o H, na praia... Nem deu tempo de pensarmos em qualquer outra coisa, a não ser, ser um do outro. E depois daquilo, o Alfonso logo foi viajar, e a gente não transava bem antes de eu ficar com o H.
MEUS DEUS, KATINA, EU ESTOU ESPERANDO UM FILHO DO H.
Katina também fica nervosa, e não sabe o que dizer. Decide então ir até a farmácia mais próxima, comprar um teste de gravidez, para terem certeza do que já estava claro.
Katina chega com o teste, Babi o faz, e o resultado era inevitável.
BABI ESTAVA GRAVIDA DE H.
Naquela noite, as duas conversaram até pegarem no sono, e as coisas de certa forma pareciam ter voltado ao normal. Elas evitaram falar da gravidez, riram comentaram sobre roupas, contaram sobre seus trabalhos e viagens. Mas Katina sentia no olhar de Babi o medo que a amiga estava sentindo. Katina estava convicta de que não iria abandonar Babi, mesmo ela tendo a abandonada no momento que ela mais precisava.
Katina prometeu a Babi que iria ao médico com ela, e que juntas iriam arrumar uma maneira de contar para H, tudo o que estava acontecendo.

O dia amanheceu, Katina foi embora depois do café da manhã, Babi resolver ir até o escritório, mesmo sendo sábado.