Maipetto no Neko

13 Capítulo 13 - A sua presença


Notas iniciais
Capítulo EXTREMAMENTE grande! Motivo: Não quero enrolar v6!
Exato, a história está chegando num ponto decisivo, e se eu ficar enrolando nos capítulos, pouca coisa acontece e o enredo fica a desejar.
Esse capítulo tem o seu momento alegre, o drama, a diversão á parte que é as cenas GrimxIchi, e como de costume, um desfecho inesperado para o próximo capítulo! Confesso que me surpreendi com o tamanho dele, mas ainda assim vale a pena ler, afinal, como eu já disse: ele é bem decisivo para as ações futuras!
Espero q n se cansem lendo, como tem bastante diálogo, acho que dá para relaxar com a leitura de boa.
o

Maipetto no Neko

Capítulo 13 – A sua presença

Agarrou seu braço, desconexo. Fora um impulso tão incerto, tão repentino, e agora diante dele, vendo seu rosto assustado, porém tão próximo, não sabia mais como falar, nem o que fazer.

- Renji?! – exclamou Ichigo pela surpresa ao ser parado por ele na porta da faculdade.

Alguns poucos alunos saíam deixando apenas os dois estáticos no meio da entrada. Renji permanecia calado, procurando pela frase certa, apesar de ainda não compreender porque havia feito isso. Para falar a verdade, nem sabia como tinha chegado tão depressa ao lado de Ichigo, nem como o tinha feito. Mas por alguma razão ao saber que ele estava indo de encontro a Grimmjow... Foi compelido a o impedir de alguma maneira.

- Renji! – repetiu o ruivo, agora chamando sua atenção à realidade.

Soltou o braço dele colocando a mão de volta no bolso, sem graça demais para encará-lo.

- Aconteceu alguma coisa? – perguntou preocupado com o amigo quieto.

De certa maneira, sim, uma coisa havia ocorrido antes de sair desesperado pela procura de Ichigo. Podia se lembrar melhor nesse momento que ele havia comentado; como se um lapso momentâneo o impedisse de fazê-lo.

Saiu da sala, um tanto quanto puto pela passagem apressada do ruivo por ele, ainda mais sabendo para onde iria, e foi virando os corredores aleatoriamente sem pensar em nada, até dar um encontrão em alguém.

- Me desculpe, eu... – parou com a mão estendida no ar, atônito, ao ver a figura de cabelos negros caída no chão com algumas folhas o rodeando.

- Tudo bem. – respondeu aceitando a ajuda e se recompondo – Apenas preste mais atenção por onde anda. – finalizou com a voz séria, começando a pegar os papéis.

- E-eu ajudo! – falou Renji adiantando-se até ele.

Ficaram calados até terminarem de recolher tudo. O moreno ajeitou-os de volta em uma pasta certificando-se de fechá-la melhor dessa vez.

- Obrigado. – disse voltando-se para outra direção, sem nem ao menos levantar seu olhar para o dele.

- N-não tem de que! – respondeu sem jeito.

Após isso, não se recordava direito o caminho que fizera. Mas a imagem do moreno com as presilhas brancas levando parte de seu cabelo para trás andando de costas para ele lembraram por um instante a mesma da de Ichigo o deixando minutos atrás. Sem por suas idéias em ordem, correu atrás dele por metade do campus, até vê-lo se dirigindo à saída, só tendo tempo de segurar seu braço, impedindo-o de continuar. Mas porque tinha feito isso?!

O ruivo continuava esperando pela resposta dele. Havia acabado de falar com Grimmjow pelo celular perguntando se poderiam se ver. Estranhou o fato dele hesitar um pouco de início, e até cogitou a hipótese de marcar para outro dia, mas do nada o maior interrompeu sua fala no aparelho, dizendo que o encontraria na frente de sua casa daí a meia hora. Porém não poderia simplesmente sair andando como se nada tivesse acontecido com Renji trajando aquela expressão de dúvida e ao mesmo tempo de receio.

- Vem. – disse por fim chamando o amigo, indo até seu local preferido: os canteiros com as árvores onde de vez em quando usava de refeitório particular.

Ichigo sentou-se debaixo da sombra da árvore na mureta de pedra que a cercava, enquanto Renji apoiava-se na grade lateral á ela, separando o espaço do campus da rua atrás dele. Ficaram em silencio por alguns minutos, até o ruivo voltar-se para Renji, ao mesmo tempo em que ele abria a boca para soltar um longo suspiro e começar a desabafar:

- Eu o vi hoje... – disse com a voz cabisbaixa.

- “Viu”? Quem?

- Ele... O cara que eu te disse que sou apaixonado.

Ichigo deixou os olhos mostrarem a reação de choque ao ouvi-lo. Nunca tinham tocado nesse assunto antes.

- Você... Não me falou sobre ele. – comentou tentando puxar melhor a conversa.

O amigo deu de ombros, como se aquilo fosse algo desnecessário, ou se simplesmente não tivesse vontade de falar sobre esse tópico em particular.

- Eu gosto dele há quase dez anos, Ichigo. É meio redundante para mim falar sobre ele. – riu tentando levar a conversa para um tom mais cômico.

- Como aconteceu?

- Sei lá. – deu de ombros mais uma vez – Eu estudei na mesma escola em que ele... Lecionava...

- Lecionava?! Então ele é tipo, professor?... Mais velho?...

- É... Ele era meu professor.

O ruivo mudou suas feições curiosas para uma de surpresa, porém tentava manter a calma, deixando Renji á vontade; apesar de ser quase impossível.

- Foi na sétima série se não me engano. Eu era meio disperso e detestava qualquer tipo de aula... Até o professor novo entrar na sala. Os alunos se calaram na hora e quando eu me virei para ver o porquê disso, fiquei paralizado assim como eles... Sei lá. Acho que foi “amor à primeira vista!” – riu agora se sentando ao lado de Ichigo, mas permanecendo com o cenho voltado para frente.

- Mas você tinha, assim, uns treze anos?

- Por aí. Sei que parece uma coisa estúpida e prematura; eu pensei assim um tempo, mas depois que se passou um ano, depois outro, e esse sentimento não mudava, mas pelo contrário: só aumentava, eu tentei fazer de tudo para chamar a atenção dele. Passei a estudar e conseguir boas notas, participei de diversos clubes esperando que ele me notasse, mas no fim das contas eu só conseguia receber alguns poucos elogios dele, que nem olhava direito nos meus olhos.

- Como você continua gostando desse cara?

- E eu lá vou saber! Se tivesse a resposta já tinha parado faz eras! – ironizou vendo a expressão de desconcertado de Ichigo, não podendo evitar rir.

- Mas se você o encontrou hoje... Quer dizer que ele estava aqui na faculdade?

- Na verdade ele trabalha aqui.

- Hã?! – exclamou ao se surpreender; novamente.

As mãos de Renji foram parar na barriga devido sua gargalhada com as reações de Ichigo e seu rosto contorcendo-se a cada nova informação. Ele era mesmo desligado.

- Vai explicar ou não? – perguntou o ruivo, meio sem graça.

Enxugando o canto dos olhos, Renji prosseguiu:

- Ta bom, ta bom. Lembra que eu disse que ele era meu professor na escola? – o ruivo acenou que “sim” – No último ano, eu descobri que ele ia aceitar um emprego aqui. E decidi que eu entraria nessa faculdade de qualquer jeito.

- Mas como você ia o encontrar nesse lugar enorme?

- Eu me inscrevi para o mesmo curso das aulas dele.

Ichigo arqueou as sobrancelhas agora em tom de descrença e reprovação:

- Você escolheu a carreira da sua vida baseada em outra pessoa?

- Sei que é estúpido. Mas eu simplesmente não conseguia ficar longe dele...

De certa forma, o ruivo pode ver um pouco de si no amigo. Sabia muito bem como era estar longe da pessoa com a qual quer ficar. Era uma angústia quase insuportável. Ah saco! Tinha combinado de falar com Grimmjow! Porém não tinha como deixar Renji nesse estado de choque.

- Você disse que o viu agora há pouco. – comentou Ichigo vendo o outro voltar-se para ele – O que aconteceu?

Respirando fundo, Renji puxou a presilha de seu cabelo deixando as madeixas vermelhas caírem na frente de seu rosto. As tatuagens ficaram mais cobertas, e sua face tornou-se um tanto quanto diferente, misteriosa. Ao menos era assim que o ichigo o vira nesse instante...

- Fiquei meio sem ação ao vê-lo tão de perto. – disse prendendo de novo o cabelo, tirando a atenção que Ichigo havia vidrado neles; na forma como contornavam as suas bochechas... – Na verdade, ele nem pareceu se lembrar de mim.

- Bem, faz bastante tempo desde a última vez que ele te deu aula no colégio.

- Para falar a verdade, eu levei uns quatro anos me matando no curso até entrar nessa faculdade! – exclamou como se apenas a lembrança o deixasse cansado – Esse lugar parece ser comum aqui na cidade, mas é difícil de passar!

- Eu entrei de primeira.

- Porque você é um cdf da porra! – falou, sendo seguido pelos risos de Ichigo, e, lógico, um soco em seu ombro; okay, ao menos ele estava sorrindo agora.

- Mas o que vai fazer? Pretende continuar tentando investir nele? – perguntou, tornando a vê-lo com a expressão mais séria.

- Há um tempo eu já venho me perguntando se vale mesmo à pena...

- Você está apaixonado há dez anos, isso não é fácil.

- Quase dez anos... Exatamente por isso não é fácil... Eu... Eu acho que quero tentar esquecê-lo. – descendo a testa até a altura das mãos ele cobriu o rosto, deixando o tronco cair para frente, no meio de suas pernas.

Ichigo recostou-se melhor no banco improvisado, olhando para as folhas da árvore se movendo com o vento. Deixou Renji quieto por um tempo, até falar, como que por alto, chamando a atenção dele.

- Se isso te faz ficar infeliz, então não deve ser uma coisa saudável mesmo. O cara nem te notou esses anos todos. Tem de encontrar alguém que te de valor.

Renji sorriu por entre os dedos levantando o corpo, observando mais alegremente o rosto do ruivo.

- Pode deixar já estou cuidando disso. – o seu sorriso foi quase instantâneo junto das palavras, divertindo-se em seguida com mais uma das expressões de perdido de Ichigo.

O menor pensou em responder alguma coisa há ele, ou talvez fazer novas perguntas, porém ouvira seu celular tocando, e o puxou do bolso.

- Alô?

- Ichigo... Foi mal... Não vai dar para ir te ver hoje.

- Aconteceu alguma coisa? – indagou preocupado com a voz aparente cansada dele.

- Uns problemas... Aqui em casa. Preciso ir agora, nos falamos depois.

A linha ficou muda. O celular cancelou a ligação na hora, e Ichigo parou alguns instantes olhando a tela apagada com o nome sumindo dela.

- Que foi? – perguntou Renji após seus segundos de distração.

- O Grimmjow... Disse que teve uns problemas e não vai poder me ver hoje.

- Ah... Sinto muito... – comentou sem deixar a pequena ponta de felicidade com a notícia transparecer. – Já que você está livre, quer ir numa cafeteria aqui perto?

- Eu acho melhor nos estudarmos, isso sim.

- Nós colocamos o livro sobre a mesa, e você me explica a matéria de hoje!

- Claro, pois você dormiu a aula toda; de novo!

- Já disse que você é cdf!

- Vai a merda!

Riram por fim, concordando em beber alguma coisa enquanto rabiscavam fórmulas no caderno, ao menos ocuparia sua cabeça de algo, afinal, não estava com vontade de pensar em Grimmjow agora. Suas evasivas vagas recentemente o estavam deixando mais afastados, e talvez fosse melhor não forçar, ou poderiam acabar brigando de novo.

Ajoelhado ao lado de sua cama, o celular de Grimmjow escapava por entre os dedos para o chão, enquanto a respiração acelerada ficava mais amena. Só de falar com ele no telefone, de pensar em vê-lo, seu coração havia quase saltado para fora, e a euforia o tinha feito enlouquecer por alguns instantes... O colchão na parte de cima estava repleto de longas e profundas aberturas, como se um par de garras afiadas o tivesse perfurado. O descontrole aproximava-se de seu ser cada vez mais rápido.

Ainda assim... Mesmo nesse estado, sua cobiça de ver Ichigo se sobrepujava a sua necessidade de preservação, de sobrevivência. Talvez se passasse o resto do dia recluso, na meditação de antes... Pudesse vê-lo no fim da noite.

Os amigos conversavam no meio da cafeteria com os livros abertos na mesa á frente deles. Ichigo tentava explicar as partes mais complicadas primeiro, enquanto o outro tentava acompanhar seu raciocínio rápido.

-... E tem essa fórmula que é pequena, mas um pouco trabalhosa.

- Cacete Ichigo, vai mais devagar!

- Tu que é lento demais!

- Seu cérebro não é humano! Como consegue decorar isso tudo?!

- Passando a noite em casa revisando a matéria ao invés de ficar indo em festas!

- Já disse: eu coleto informações com outros alunos!

- Se continuar com isso vai repetir o semestre!

- Eu não quero fazer isso de novo!

Seus braços ocuparam a sua parte da bagunça quase derrubando o café do outro lado, ao esticar suas mãos sobre a madeira. Precisava estudar, sabia disso, mas simplesmente não tinha concentração nenhuma.

- Que seja, vamos fazer uma pausa. – comentou Ichigo vendo a expressão de alívio dele.

- Preciso de uma bebida...

- Você precisa de mais neurônios.

- Ah! Saco! Vou ter de ficar em casa estudando isso agora!

- Faz bem. Fico feliz que ainda tenha um pouco de juízo.

- Cala a boca, “mamãe.”

- Vai à merda, Renji.

A troca de elogios continuou por mais um tempo, até as novas xícaras de café chegarem. Calaram-se sem olhar a cara um do outro, até Ichigo relembrar uma pergunta que ficara na sua mente desde cedo:

- Qual o nome dele?

- Hã? – indagou Renji – De quem?

- Desse cara... Do professor que você gosta.

- Ah ta... É Kuchiki Byakuya.

O café quente escorreu pela boca de Ichigo, indo parar em cima de algumas folhas de seu caderno. Renji assustou-se chegando um pouco para o lado, vendo o ruivo tentando secar seu material ao mesmo tempo em que reclamava da ardência em sua língua.

- Que houve?! – exclamou preocupado.

- V-você disse Kuchiki Byakuya?!

- É disse, mas não precisa espalhar para o resto do lugar.

- Mas... Mas... Ele é um dos professores mais famosos da faculdade! Tem livros e teses espalhados pela biblioteca toda, até na minha escola falavam dele em algumas ocasiões!

- Nossa... Eu sabia que ele era famoso, mas nem tanto.

- O cara é quase uma celebridade! E você teve aula com ele?! Como elas eram?!

- Sei lá. Eu prestava atenção em outras coisas sem ser a matéria.

O rosto de Ichigo chegou a avermelha-se um pouco com o repentino comentário de Renji, mas não deixou isso o abalar, nem que fosse percebido. Levantou-se dizendo que ia ao banheiro limpar a sujeira em sua roupa; ao menos tinha sido só um pouco de café na blusa.

Abriu a torneira enxaguando os olhos e passando água na nuca. O dia tinha sido cheio. Primeiro as preocupações com Grimmjow, depois a confusão com Renji, e agora nem sabia o que fazer à noite, afinal, havia pensado em ver o senhor egocêntrico. Porém a conversa com o amigo o deixava um tanto quanto preocupado. Se ele estava nesse estado por uma pessoa há dez anos...”Quase dez anos.” Imaginava como ele ficaria se as coisas continuassem assim com Grimmjow. Ta certo: eles estavam em um nível bem diferente do “amor platônico de Renji.” Amor? Era uma palavra tão forte, e ao mesmo tempo tão pequena... Nem conseguia dizer a Grimmjow como se sentia, nem havia recebido isso dele, como poderia pensar em “amor” agora?!

- Morreu aí Ichigo?

Surpreendeu-se com a voz do outro lado tornando a pisar no reino da vida real, enxugando o rosto e abrindo a porta.

- To bem. – respondeu.

- Sabia que esse lugar só tem um banheiro e tu ta ai há mais de quinze minutos?!

- Desculpa, é todo seu agora.

- Está usável? – brincou recebendo um novo soco no ombro, vendo o ruivo andar até a mesa com as mãos enfiadas no bolso. Ainda assim não pode conter o riso.

Decidiram por caminhar até suas respectivas casas depois do cansaço do fim da tarde. Continuar os estudos hoje estava fora de cogitação. Renji morava a uns quatro bairros de distância de Ichigo. Não era muita coisa, mas ficava na direção oposta, então, obviamente, se separariam num certo ponto.

Apesar dos altos e baixos, Renji estava satisfeito com o resultado obtido. Conseguiu dizer a Ichigo mais sobre si mesmo, além de poder ficar com ele a maior parte do tempo; sem Grimmjow por perto. Sua mente ocupava-se com as imagens do ruivo com mais freqüência agora ainda que sua antiga paixão fosse uma presença forte; impressa nele. Mas já havia decido: precisava focar-se em algo mais possível, em alguém que fosse capaz de alcançar.. Alguém que antes de qualquer coisa, também fosse seu amigo.

- Ichigo – falou pouco antes das ruas contrárias chegarem – Sabe o que você me disse mais cedo... Sobre eu precisar procurar uma pessoa que me desse mais valor?

- Sim.

- Sabe... Você também não acha que merece isso?

Os olhares se desviram, propositalmente por conta de Ichigo. Grimmjow ligava para ele, de certa forma ao menos, ou nem se daria ao trabalho de falar com ele. Se não podiam se ver era... Era por outro motivo. Tinha de se preocupar com a faculdade, com o emprego na lojinha... Grimmjow, ele; bom, ele tinha uma vida atarefada no templo, além da faculdade, sem contar nos seus misteriosos problemas de família. Queria saber por que sempre se afastavam por conta disso, mas não queria ser intrometido. Não era como se fosse desvalorizado por ele, no entanto, cada vez mais se distanciacam...

- Eu... Entendo o que você quer dizer, mas posso lidar com meus problemas Renji. – respondeu, tentando se esquivar desse assunto.

- Ta, mas quem fica sempre largado pelos cantos é você, não ele.

- Renji. – falou num tom mais sério – Eu já disse que estou bem.

Calando-se, o maior enfiou as mãos nos bolsos virando-se um pouco de lado e despedindo-se do ruivo que fizera o mesmo. A conversa tinha chegado a seu limite. Chegou a vê-lo andando até virar na esquina, e prosseguiu com seu caminho. “Um dia Ichigo...” Pensava a cada passada sua mirando o chão acinzentado. “Você vai ver o quão decepcionante é esperar pela pessoa que você gosta. E quando isso acontecer... Vou estar por perto.”

- Oni-chan! – gritou Yuzu da cozinha ao vê-lo entrando em casa.

- Olá.

- Daqui a pouco o jantar vai estar pronto! Papai já chega também e a Karin-chan está no banho! Vamos poder comer todos juntos!

- Que bom Yuzu. Irei trocar de roupa então.

- Depressa! Quero que me ajude a por a mesa!

Acenando para a irmã, o ruivo subiu as escadas pondo sua mochila em cima da cadeira diante do computador e jogando-se na cama de costas em seguida. Respirou fundo umas três vezes, até sentir forças para se levantar e por alguma coisa mais confortável. Depois do jantar tomaria um banho, para ver se parava de pensar tanto em Grimmjow... Ou em como as coisas andavam entre eles. Era um saco, na verdade, ficar se preocupando com isso quando já tinha tomado sua decisão de dar tempo ao tempo; de esperar por alguma coisa a mais dele. Nem que fosse uma simples ação. Merda! Precisava se policiar mais nos assuntos referentes á ele, ou acabaria não conseguindo se concentrar em mais nada.

- Filho como andam as coisas na faculdade?! Tem saído com muitas das calouras? – indagou Ishinn do outro lado da mesa.

- Qual é o seu problema com a minha vida pessoal? – ironizou Ichigo continuando a comer em paz.

- Ora filho, você precisa ser mais empenhado se quiser arrumar uma namorada!

- Tenho os estudos para me preocupar.

- Por isso mesmo! Vá até a biblioteca, chame suas amigas, e tudo começa com uma simples tarde de estudo!

- O Ichi-ni não teria coragem de fazer isso. – comentou Karin por alto.

- Quem é você para falar alguma coisa relacionada a namorados?!

- Eu tenho muito mais capacidade que você, Ichi-ni!

- Se algum garoto ousar chegar perto com toda essa sua delicadeza: case-se com ele!

- Cala a boca!

- Karin-chan, Oni-chan, não briguem na mesa! – exclamou Yuzu, tentado apartar a discussão dos dois.

- Yuzu, seus irmãos estão disputando aqui! Vamos ver quem vence esse desafio!

- Que desafio?! – perguntarem os dois juntos voltando-se para seu pai.

- Quem consegue desencalhar primeiro!

O soco no rosto de Ishinn foi em conjunto, fazendo-o cair da cadeira de costas no chão.

- Velho intrometido... – falou Karin tornando a comer sendo acompanhada de Ichigo; a conversa terminou por ali mesmo, mas Ishinn ainda persistiu, sem sucesso.

Apesar das constantes “pressões” de seu pai sobre sua vida na faculdade, Ichigo tinha um bom relacionamento com ele. Quem visse de fora, pensaria que sua família era bem desnaturada, mas pelo contrário: se davam muito bem. As brigas com Ishinn eram a forma mais básica de se acertarem, sem contar que Karin sempre concordava com ele, afinal, também sofria com as inúmeras perguntas repetitivas dele. Além do mais, Ishinn estava acostumado com essas “trocas de carinho.” Yuzu era sortuda, pois como estava nos primeiros anos do colegial, não precisava se preocupar com essas coisas; por hora.

Já era quase oito da noite. O ruivo matava o tempo no computador pesquisando qualquer assunto aleatório nele. Seu cérebro tinha parado de funcionar desde cedo na cafeteria com Renji. Tirando a última parte da conversa, o dia tinha sido divertido. Era a primeira vez que saía com ele por tanto tempo, sem a companhia de outras pessoas. Antes Renji parecia apenas mais um daqueles alunos desligados, que vivem para sair sempre que podem. Mas no fundo, era uma boa pessoa.

No entanto, por mais que tentasse evitar, um momento ou outro se perguntava por que Grimmjow não pode se encontrar com ele. Nem mesmo puderam se ver na faculdade. Será que ele estava bem? Alguma coisa poderia estar acontecendo? Mordia a ponta de um lápis sem nem perceber com a inevitável angústia durante suas indagações silenciosas.

Como numa espécie de premonição, seu celular tocou despertando-o do transe. Pegou o aparelho sem nem ver o nome na tela.

- Alô?

- Ta em casa?

- Grimmjow?

- Você ta em casa?

- Sim estou. O que foi?

- Eu... Eu posso passar aí?

- Hã? Agora?

- É eu... Eu consegui terminar o que precisava à pouco... Sei que já ta meio tarde, mas...

A linha ficou muda, e Ichigo chegou a olhar para o celular pensando ter caído à ligação até ouvir a voz dele tornando a falar.

- Eu quero te ver Ichigo.

Afastado a cadeira da frente do computador e olhando para a porta o ruivo pode ver as luzes da casa ainda acesas no andar de baixo. Seu pai dormiria logo, provavelmente. Yuzu iria em seguida, afinal tinha aula cedo, mas o problema era Karin. Às vezes ela ficava sem sono, e matava o tédio vendo televisão.

Porém... Ainda assim, mesmo que pudessem ser pegos... Grimmjow queria vê-lo. Tinha preocupando-se de ligar apenas para pedir isso. E através do telefone; era quase como se sua boca estivesse colada em seu ouvido agora, usando essa voz de pidão... Também queria vê-lo.

- Posso ir ou não?! – indagou impaciente com o silêncio dele.

- Ta... Mas toma cuidado.

- Chego aí em cinco minutos.

- Que?! Cinco minutos?!

Assustou-se, claro, afinal, não moravam tão perto assim, era impossível, a não ser que ele viesse usando um foguete.

- Deixa sua janela aberta.

Ah! Sim... Era isso, claro. Havia esquecido por um instante. Concordou com ele, indo de imediato à sua cortina e a esticando para o lado. O poste na frente da sua casa iluminava bem a rua, e seria fácil de ver qualquer aproximação por ela. Alguns poucos moradores ainda caminhavam ali, mas não era um problema.

Olhou para o relógio confirmando a hora em que tinha terminado de falar com Grimmjow pelo celular; sério mesmo? Ele estaria ali em apenas cinco minutos?! Continuou observando as extremidades das entradas de seu bairro, mas algo o compeliu a olhar para frente, na direção de uma das casas vizinhas. As pupilas azuis destacavam-se no meio da tonalidade marrom das telhas. Eram quase como duas pequenas lanternas, de tão intensos, ao encará-lo. A pelagem branca do felino movimentou-se com o vento, e num salto rápido e preciso, o gato chegava até a mureta de sua casa, para no instante seguinte, adiantar-se para a janela de Ichigo, que afastou-se dela, deixando o animal pousar levemente sobre sua cama, dirigindo-se para o chão e parando na sua frente.

- Grimmjow... É você? – perguntou ainda incrédulo daquilo; apesar de já ter presenciado tal cena; era inacreditável.

As patas foram aumentando de tamanho gradativamente. O pelo tornava a adentrar na camada de pele, se revelando melhor. O animal ganhava um aspecto mais selvagem devido ao seu tamanho descomunal para um bichano, e Ichigo observava tudo com a surpresa ainda estampada no rosto. No minuto seguinte, a figura humana de Grimmjow aparecia no meio de seu quarto, com os cabelos azulados caindo até a altura de sua nuca, trajando um kimono branco; tal como o da primeira vez que se encontraram.

- Ichigo.

Ele voltou-se para o menor para encará-lo, arqueando as sobrancelhas em seguida por não entender o motivo das risadas dele.

- Que foi?!

- V-você! – sem se conter, o ruivo continuava a rir olhando para Grimmjow, que continuava sem compreender qual era a graça, até irritado ir até o armário de Ichigo abrindo todas as portas até encontrar um espelho.

- MAS QUE PORRA É ESSA?! – exclamou, chamando a atenção do ruivo.

- Não grita! O povo daqui de casa ainda ta acordado!

- Nem vem com essa! Eu tenho todo o direito de estar gritando!

- Mas se controla!

Indo até a porta Ichigo respirou aliviado ao ver que o som da televisão era alto o bastante para abafar a euforia de Grimmjow; mas também não poderia culpá-lo agora, afinal: ele estava mesmo com um problema.

- Você sabe o que está acontecendo? – perguntou ao maior.

Ele pôs as mãos na cabeça bagunçando os cabelos, porém algo no meio deles o impedia disso: um par de orelhas...

- É claro que não! Isso nunca tinha acontecido antes! – respondeu visivelmente irritado.

- Parece... Que... Sua transformação foi incompleta...

- Isso eu já percebi Ichigo! Eu vi as orelhas de gato na minha cabeça!

- É quase como um daqueles arcos temáticos que vendem no parque...

- Muito obrigado por me ajudar nesse momento de desespero! – ironizou já puto, mas arrancando outra longa gargalhada do outro.

- Foi mal, mas é impossível não achar isso engraçado! Você está parecendo um personagem de mangá ou algo do tipo!

- Nossa, como tu é nerd...

- Pelo menos eu não tenho orelhas de gato na minha cabeça! E... Uma cauda também...

- UMA CAUDA?!

Correndo até o espelho novamente, Grimmjow virou-se de costas constatando agora a continuidade de sua coluna... Perfeito, tudo o que precisava nessa noite era acabar como uma aberração de circo.

- Merda, merda, merda! O que está acontecendo?! – exclamou, segurando as laterais de sua cabeça e tampando as então orelhas de gato.

Sentou-se na cama, tentando desvendar qual era a razão daquilo. De todas as vezes na qual havia utilizado seus poderes de transformação, isso nunca tinha ocorrido. Talvez no início, quando era mais novo, e não sabia muito bem como o fazer. Mas depois de dominá-lo, podia se tornar um felino ou um humano perfeitamente bem, sem nenhum problema. Porque diabos isso estava acontecendo agora?!

- Grimmjow? – Ichigo achegou-se dele, sentando-se do seu lado.

- Vai rir de novo?

- Foi mal... Eu já parei okay? Agora, vamos pensar juntos no que está acontecendo com você.

- Está acontecendo é que eu não vou mais poder andar na rua!

- Talvez se tentar de novo... Pode ser que seus poderes tenham enfraquecido ou algo assim.

- Eles não enfraqueceram! Eles...

Parou de falar arregalando os globos azuis. Voltou o cenho para frente pondo uma das mãos sobre sua boca. Levantou-se, começando a dar voltas pelo cômodo pensando consigo mesmo. Lembrou-se do pergaminho que lera mais cedo. Aos poucos... Mesmo que quase de maneira imperceptível, seus poderes começariam a se descontrolar, caso não cumprisse com as regras que regiam sua família. Tinha problemas recentes para controlar seu ímpeto, porém jamais havia pensado que as mudanças físicas aconteceriam tão depressa... Ao menos, ainda tinha posse de sua lucidez para saber disso. Mas a questão agora era como poderia solucionar essa situação.

- Vai me dizer alguma coisa, ou não?! – perguntou Ichigo indo até ele e o fazendo parar de andar.

- Acho... Pode ser que... Os meus poderes realmente estejam um pouco fracos... – mentiu, tentando esquivar-se das suspeitas dele.

- Como foi isso?

- Ah... Quase como qualquer outra coisa que se você usa demais acaba se esgotando... Tipo uma... Uma... Bateria?... – falou entre os dentes esperando que ele engolisse a história mal contada.

Por sorte, esta era uma coisa desconhecida para o ruivo. Se era o próprio Grimmjow falando, então deveria ser verdade, afinal, era ele quem convivera com isso durante toda sua vida.

- Se você está fraco... Não seria melhor ir para casa descansar? – disse ao maior vendo-o arquear as sobrancelhas.

- E aproveito o meio tempo para dar autógrafos aos fãs do “homem-gato” na rua?!

- Bem... Eu... – coçando a lateral da cabeça, ele foi até a parede, onde se recostou, percebendo sua ingenuidade. Realmente, ele não poderia sair dali nesse estado – Mas e agora?

- A solução é ficar aqui.

- Sem chance! E se meu pai aparecer?! Ou minhas irmãs?!

- Diz que não está bem e fica no quarto.

- Meu pai é médico esqueceu?

- Ichigo, eu to precisando de ajuda! Será que não dá para você usar seu mega cérebro nerd e pensar em alguma coisa, porque eu não estou com condições para isso!

Esbravejou esfregando o rosto, ainda preocupado. O motivo de estar assim encontrava-se bem diante de seus olhos, porém não tinha como dizer isso á ele. Sua consciência o alertava do perigo dessa proximidade, porém o furor da presença dele era mais marcante, único.

Ichigo permaneceu quieto, sem uma resposta definida. Grimmjow não estava brincando, e seu tom de voz demonstrava isso. Precisava, ainda assim, ajudá-lo de alguma forma. Mas fora pego de surpresa com o repentino abraço dele.

- Gri-Grimmjow?

- Te incomoda se eu ficar desse jeito?

- N-não, você sabe que pode me abraçar. Quando estamos sozinhos...

— Não isso. Falo... Da minha aparência...

Recostando a cabeça no espaço entre o pescoço e o ombro de Ichigo, ele aconchegou-se como se procura-se um abrigo para esconder o rosto envergonhado. Droga! Odiava esse sentimento!

Consternado, o ruivo deixou-o naquela posição por mais algum tempo, até acariciar o cabelo de sua nuca, puxando os pequenos fios soltos levemente.

- Você ainda é você... Esteja normal ou, com essas orelhas. – brincou segurando a ponta delas e as erguendo para o alto.

- Ei, isso dói! – reclamou o outro – Elas estão grudadas em mim, sabia?!

Mostrando o sorriso para ele, Ichigo teve o cenho alegre roubado pelo repentino beijo. Logo cerrava os olhos, aproveitando melhor a sensação da língua quente e úmida passeando por todos os cantos de sua boca. Os lábios chocavam-se, nos encontros e desencontros, tentando aprofundar mais ainda a carícia, presenciando a falta que faziam um ao outro.

As mãos de Grimmjow seguraram sua cintura, chegando sua própria para frente esfregando o calor dos corpos de ambos. Ainda alerta do ambiente onde estavam, apesar da perdição em que se encontrava no meio daquele ósculo luxuriante do maior, os dedos do ruivo conseguiram achar a maçaneta da porta, fazendo o trinco girar até o seu máximo tendo certeza de que não seriam atrapalhados.

Por entre os estalos do beijo, Grimmjow sorriu ao escutar o som do acesso trancando-se. Era o que estava esperando: um momento apenas entre os dois. Descendo os braços até a altura das coxas de Ichigo ele pode erguê-las do chão, obrigando-o a rodear suas laterais com elas, envolvendo seu pescoço para não cair.

O protesto abafado nem chegou a sair de sua garganta, devido à voracidade na qual era atacado por Grimmjow. O maior jogou-o na cama, deitando seu corpo sobre o dele, agora, mordendo a pele macia e chamativa de trás da sua orelha.

O gemido estendido pelo toque seguiu-se das suas mãos apertando os largos ombros de Grimmjow. Os dedos do maior esfregavam-se nas suas pernas, afastando e repondo o moletom fino de sua calça, capaz de expor a excitação debaixo dela; assim como as vestes do outro revelavam a sua.

Seu peito inflamava pela falta de ar, e pela ação tão descompassada deixando Ichigo indefeso nas garras do outro; pois agora ele era quase como um animal selvagem indo devorar sua pequena presa.

Grunhia mordendo os lábios evitando qualquer som mais alto segurando a nuca de Grimmjow e enroscando os dedos nos cabelos dele. Os olhos do maior subiram de repente para encontrar os seus e constatar a vermelhidão nas maçãs de seu rosto. Os quadris do outro subiram levemente, ainda mantendo o contado com os globos castanhos dele, descendo em seguida pressionando sua parte mais ativa, deleitando-se com a expressão de prazer do ruivo, e como ele se contorcia, apertando ainda mais seu kimono; o trazendo para si.

Umedecendo os lábios, o maior foi tocando sutilmente o pescoço de Ichigo, fazendo questão de marcar a cútis branca dele. Pôs uma das mãos por debaixo de sua blusa, erguendo-a do abdômen até a altura do peito, rodeando com a língua os mamilos enrijecidos dele. Apesar de gostar da sensação, Ichigo ainda não ficava completamente à vontade com essa carícia de Grimmjow, e tentava afastá-lo dali, apesar de ser em vão; ele queria continuar dando prazer à ele, mesmo que levasse um soco depois disso.

Entretanto, a parte mais interessante do ruivo ficava mai embaixo... Levantando a blusa do menor, Grimmjow foi descendo, rodeando cada detalhe da musculatura do ruivo. A cintura foi declinando por cima da calça de Ichigo, mas ainda podia sentir o volume no meio de suas pernas.

Na sua procura frenética por oxigênio, Ichigo gemia quando tinha voz para isso, pois Grimmjow não o permitia descanso. As bochechas coradas puderam se voltar para baixo, vendo o maior brincando com a língua por toda a extensão de seu corpo. A luz do quarto já estava apagada, mas ainda assim podia ver claramente o contorno das então orelhas sobre a cabeça de Grimmjow; até mesmo a cauda branca movendo-se a cada ato dele. Um leve sorriso brotou no canto de sua boca com a cena tão inusitada.

- Que foi? – o maior perguntou lambendo a lateral do lábio, ao notar o sorriso do ruivo.

- Nada é só que... Você me lembrou... A primeira vez que esteve no meu quarto... Usando esse mesmo kimono.

- Oh, sendo romântico agora? – esticou o tronco sobre Ichigo, roçando-se nele como se realmente fosse um felino, pedindo por carinho de seu amo.

- Ah! – soltou o gemido com a repentina ação dele, mas continuou – Está... Está parecendo... Com essa sua aparência que você é o meu gato de estimação...

A expressão sádica brotou no brilho do olhar de Grimmjow com o súbito e inocente comentário dele. Um frio fez-se na espinha de Ichigo, pois ele sabia que aquilo não era um bom sinal...

- Eu sou... Seu bichinho de estimação, Ichigo? – perguntou com um sussurro na ponta da orelha dele, sentindo as mãos do menor apertando suas costas.

- Quis... Quis dizer que parece...

- Mas – continuou o interrompendo, alisando-se mais ainda por cima dele – se eu sou mesmo seu bichinho... E você meu dono... Então é sua obrigação me alimentar...

- Gri-Grimmjow... – apertando os olhos, sentindo a temperatura elevada da ponta dos dedos dele caminhando para baixo de sua barriga.

- Ichigo... Sabe o que os gatos gostam de comer? – a boca foi descendo pelas dobras da camisa embolada do menor, apressando-se até o início da barra da calça — Gatos gostam de leite... – completou, puxando com voracidade a peça.

Seu membro estava exposto diante do maior. O calor achegou-se de seu rosto, envergonhado demais para dizer qualquer coisa, só pode retorcer o pano do lençol da cama, levando a outra mão até sua face, impedindo o longo grito escapar ao ter seu falo abocanhado por Grimmjow.

Apanhou o punhado de cima das madeixas azuis dele, acompanhando o movimento de sobe e desce de sua cabeça, gemendo por entre as frestas dos dedos ao ter o limite de seu membro sugado dessa forma pelo maior. Nunca havia experimentado isso antes; nem mesmo tinha feito esse tipo de coisa com Grimmjow. Era algo... Inexplicável. O prazer parecia aumentar a cada instante, como se não tivesse fim. Sentia a boca quente baixando até o máximo da onde podia, e retornava com força para a parte de cima; e quando o fazia, a língua audaciosa circulava suas laterais, para então tornar a sorver, ávido, a excitação dele.

- Grimmjow, Grimmjow! – quase berrava contorcendo-se por entre o cobertor, deixando o travesseiro cair no chão; não precisava mais dele.

O maior segurava a parte interna de suas pernas, mantendo-as abertas o bastante para ter o espaço necessário à sua diversão particular. Apesar de não aperceber-se disso, Grimmjow fechara os olhos, apenas deleitando-se com o tom da voz de Ichigo, como se ele suplicasse por mais, ao mesmo tempo em que queria parar. Gostava de tê-lo assim, completamente perdido e desorientado; pois era quando podia abusar o quanto quisesse dele.

Acelerando as investidas, subindo e descendo, devagar e rápido, mais suave, mais forte, delicado, áspero, sugando e chupado,; as emoções e o reboliço dos movimentos de Grimmjow deixavam a respiração de Ichigo descompassada; sua garganta ardia, e a voz saiu apressada de seus lábios, chamando pelo nome dele ao chegar no ápice de prazer:

- Grimmjow!!! – clamou dobrando-se sobre si quando o líquido escorreu para fora de seu corpo, preenchendo o interior da boca do maior.

Erguendo seu tronco, o então sádico sentou-se sobre suas pernas, esfregando o canto dos lábios, observando a visão de cansaço e deleite do ruivo, que ainda tentava tomar posse de suas ações. A cauda saindo na parte de trás de seu kimono balançava alegre, como um animal que acabara de satisfazer seu mestre.

- Obrigado pela comida... – disse tornando a deitar seu corpo sobre o de Ichigo, mas sem obter resposta; estava cansado demais para isso.

No entanto, como de costume, não podia deixá-lo sair dessa com o seu sorriso vitorioso de sempre, socando com o que conseguiu de suas forças o ombro dele, e dizendo com a voz rouca:

- Seu sádico... Egocentrista!

Grimmjow riu alto, uma última vez, antes de aconchegar-se no meio dos braços de Ichigo, abraçando-o, e vendo sua expressão de vergonha dar logo lugar ao sono, recostando sua bochecha sobre o peito do maior. Já era quase meia noite, quando por fim ambos dormiram.

A cortina do cômodo havia ficado aberta. O relógio nem tinha tocado, porém os raios de sol adentravam no quarto, despertando o ruivo. Ao abrir os olhos, deparou-se com a boca de Grimmjow, mas antes de dizer qualquer protesto, lembrou-se da noite passada. Fora ele mesmo quem permitiu que fosse até sua casa naquela hora. Depois de dias sem se falarem direito, pode finalmente matar as saudades do outro. “Mas não vou dizer isso á ele.” Pensou, imaginando como o ego orgulhoso não se encheria com isso.

- Dia... – “ronronou” o maior ao acordar, abraçando mais forte a cintura de Ichigo.

- Temos de levantar. Tem aula hoje.

- Não quero... – enfiou o rosto debaixo da blusa do ruivo, fugindo da iluminação forte.

- Deixa de ser manhoso!

- Quero ficar assim com você...

A voz dele ainda estava sonolenta, e talvez por isso nem tivesse notado no que acabara de falar; ainda assim Ichigo esticou os lábios, feliz. Beijou a testa dele, olhando para os ponteios do relógio. Seis e meia. Okay, só até as sete, então...

Arrumando sua mochila enquanto escovava os dentes, Ichigo procurava por uma camiseta limpa no meio de seu armário. Grimmjow ainda tentava dormir mais um pouco, mas a correria do ruivo o impedia disso.

- Cara, tu é sempre barulhento assim de manhã?! – exclamou sentando-se na ponta do colchão esfregando o rosto, derrotado.

- Estou atrasado! E na verdade você também! Porque não vai para casa tomar um banho e se arrumar?!

- Quero matar aula...

- As provas já vão começar e tu quer matar aula?!

Bufando Grimmjow levantou-se indo até o espelho. As orelhas tinham sumido junto com a cauda. Ainda bem. Deve ter acontecido durante a noite enquanto dormia. Não sabia dizer bem o porque, mas com certeza havia sido pelo fato de ter ficado ao lado de Ichigo. Pode ao menos um pouco refrescar a presença dele. “Mas ele não vai saber disso.” Pensou, ajeitando o cabelo. Apenas diria ao ruivo que seus poderes tinham se recuperado ao descansar para evitar qualquer outra pergunta dele.

- Me empresta uma roupa pelo menos! – disse mostrando o kimono para o morango.

- Vê se tem alguma coisa que cabe em você.

- Eu to com fome... – comentou puxando uma calça do armário.

- Nem pense em ficar para o café! Ninguém vai entender nada se te virem aqui há essa hora.

- E eu vou para a faculdade com fome?!

- Nós comemos algo no caminho, agora depressa!

Jogando um casaco de moletom; o maior que possuía, em cima dele, Ichigo abriu a porta olhando o corredor e escutando com cuidado os barulhos de sua casa. Ao certificar-se que estava tudo seguro, correu para a porta sendo seguido por Grimmjow, e finalmente saíram.

Já era sexta, então no fim da tarde poderiam se encontrar sem nenhum problema. A situação entre eles aprecia estar se ajeitando aos poucos. Talvez comentasse isso com Renji, afinal, o amigo parecia preocupado com ele ontem.

Ao entrar em sua sala, bem no horário, percebeu um contingente maior de alunos procurando espaço nela. Sentou-se no seu lugar costumeiro, reparando nas costas largas e morenas à sua frente.

- Chad? – disse, vendo-o voltar-se para ele.

- Olá Ichigo. Tudo bem?

- Sim, mas, o que você está fazendo na minha sala?! – exclamou vendo o professor desconhecido chegar depositando seu material sobre a mesa.

- Ah, as minhas aulas de direito empresarial foram transferidas por um tempo. Meu outro professor está doente e pediu para um substituto cuidar dessa parte da matéria.

- Hmm. Entendo. Então esse professor de agora também deve ser novo para mim. Só não sei por que raios eu tenho de saber alguma coisa sobre direitos privados...

- Porque se você for trabalhar numa empresa como técnico precisa saber das regras de plágio e direito do consumidor.

Chad calou-se antes de continuar a explicação ao amigo, pois observou o cenho franzido do professor na direção deles. Começou, então, sem mais delongas. O homem trajando um terno um tanto quanto elegante, de cabelos castanhos, havia começado falando sobre suas conquistas acadêmicas; ele era um ex-juiz, formado há vinte anos, e que dava aula há mais de quinze. Parecia ser realmente bem experiente, e a maioria dos alunos de direito anotava todas as suas falas sem retirar o lápis do papel de seus cadernos.

Ichigo anotava uma coisa ou outra mais interessante, mas no geral, tinha achado a classe de hoje um tédio. Chegou a ver Renji numa outra ponta da sala, porém só conseguiria falar com ele depois da confusão dessa aula inaugural.

O sino tocou, até que enfim, dispersando os alunos, ou a sua maioria. Juntando seu material para ir até o refeitório junto de Chad, uma voz mais grossa vinda do meio das cadeiras chamou a atenção dos demais.

- Professor! – exclamou vendo o homem voltar-se para ele; era um dos alunos de direito.

- Sim?

- Eu já li uma matéria antiga sua numa revista: é verdade que o senhor trabalhou em diversos casos de homicídio no início de sua carreira?

O assunto em particular pareceu deixar o resto da turma curiosa, prontos para ouvir a história dele:

- Sim, é verdade. – comentou, recostando-se na frente da mesa – Eu trabalhei em uns sete ou oito casos de assassinato mais sérios quando comecei; diziam que eu era particularmente bom nesse ramo.

- Pelo que me lembro, de todos os seus casos, o senhor só não foi capaz de resolver um deles, certo?

- É eu me lembro. Foi a parte mais frustrante de minha carreira. Uma grande perda para todos. Queriam muito pegar um serial killer famoso na época.

- Era o assassino de mulheres, não é?! – falou ouvindo os murmúrios dos demais alunos.

- Sim. Ele deu muito trabalho para as investigações. Lembro até hoje de seu último crime... Uma pena era uma mulher tão jovem e bonita. A família ficou arrasada.

- O senhor lembra quem foi a vítima?! – indagou com os olhos brilhando pelas novas informações.

- Hmm... Se não me engano o nome dela saiu em diversos jornais... Apesar de não ter sido muito divulgado... Mas creio que era... Masaki... Kurozaki Masaki.

A expressão de surpresa de Chad encarou o rosto do amigo ao seu lado. Perto da saída, o sobrenome ressaltou a atenção de Renji. Ambos olharam na direção de Ichigo, vendo agora a expressão inexistente em seu semblante, e a palidez em sua face. As íris se retraíram numa total falta de ação e amargura. A imagem pura de sua mãe caía diante de seus olhos, sendo ensangüentado pela arma cega de seu assassino, O corpo inerte caía sobre o dele, numa última tentativa desesperada de proteger seu filho.

O único choro de seu pai naquela noite foi o som que conseguia se lembrar. Os dias de chuva sempre pareciam os mesmo sem ela; triste, vazios. A água caía forte naquela noite, e o baque repentino de suas lembranças deixaram-no tão atônito, como a sensação de impotência daquele único instante no qual ainda hoje se arrependia; porque essa reminiscência tão aflita tomava posse de todos os seus pensamentos agora?!

A mochila pendeu para o lado, caindo de seu ombro, e estático Ichigo permaneceu no meio da sala, vendo tudo á sua volta correr ao mesmo tempo em que não se movia...

Continua

Notas finais
Eu confesso: Estava com uma vontade tremenda de fazer uma cena do Grimmjow pegando o Ichigo numa forma meio animalesca assim... Só de imaginar ele com akele corpão, só que com as orelhinhas de gato, e a cauda... *sangue escorrendo*
E-hen... Enfim, espero que fiquem curiosos para o próximo capítulo, afinal, essa foi minha intenção xD
Então? Estão gostando? O que acham das investidas mais audaciosas do Renji?! E os poderes malucos do Grimmjow que não se acertam nunca?
E o drama pessoal do moranguinho?! O que o Aizen estará fazendo agora?!
N deixem de comentar, e até o próximo capítulo! o