Maipetto no Neko
58 Capítulo 58 - Vingativo
Notas iniciais
Maipetto no Neko
Capítulo 58 – Vingativo
A gaiola chacoalhou para cima dos pés de Aizen. Ele vacilou recolhendo Grimmjow do chão. Ainda estava preso dentro das grades, incapaz de saber se Ichigo esboçava algum sinal de vida. No entanto, podia ver sua cabeça baixa. O cabelo laranja tampava seu rosto, e além disso, ele só enxergava o braço caído do lado do corpo, fazendo um filete de sangue escorrer até a ponta de seus dedos de encontro ao chão. A pequena poça formou-se rápido debaixo dele.
Então Grimmjow sentiu-se realmente derrotado. Não havia nenhum movimento de Ichigo. Sua inércia o aterrorizava, constatando algo que ele nunca iria admitir – mas era verdade. Aizen havia matado Ichigo.
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Um calafrio percorreu a espinha de Yuzu. Seu pai ainda tentava acalmá-la após o rompante sucedido das revelações de Neriell. Tinha que tomar cuidado com sua filha, pois suas emoções iam à flor da pele com facilidade. A via beber devagar o copo de água quando a menina deu ul solavanco, e parou de engolir o líquido.
– Yuzu o que foi?
Karin pôs a mãos nas costas da irmã querendo confortá-la, mas sua expressão de completo desespero deixou até mesmo ela assustada.
– Ichi-ni... — balbuciou.
– Calma minha querida, vai ficar tudo bem com ele. — Ishinn esboçou um largo sorriso, mas nem isso conseguiu a tirar daquele transe.
A sensação desconfortável continuava a desesperá-la.
– Yuzu? — Karin a chamou outra vez.
– O Ichi-ni... Aconteceu alguma coisa com o Ichi-ni!
Os três se entreolharam, e mesmo Byakuya parado próximo à porta teve um mal pressentimento. “Volte logo Renji”. Era apenas o que conseguia pensar.
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– Estamos quase lá Chad!
Neriell gritou devido ao som alto dos carros. Ela podia jurar ter visto as luzes de uma viatura da polícia, mas preferiu ignorar assim como os outros. Não dava tempo para explicar nada a ninguém. Dependia apenas deles a chance de salvação de Grimmjow e Ichigo.
Faltavam poucos metros até o cais. Inoue esperava ver Chad diminuindo a velocidade do carro, mas ele não o fez.
– Chad?
Falou com a voz vacilante, até que um rápido grito veio a garganta junto dos demais. Ele tinha pulado com tudo da estrada até a ponte de madeira que ligava a rua com as docas. Realmente, onde ele tinha aprendido a dirigir dessa forma? Num seriado de perseguição?!
Foram atravessando cada um dos galpões até Neriell esticar o dedo para fora da janela:
– Ali! É aquele ali!
O freio veio em seguida e ninguém conseguiu se segurar direito. Por sorte a quantidade de pessoas dentro do carro impediu que se mexessem muito.
Rapidamente todos desceram, menos Neriell, ainda fraca demais para aguentar a velocidade deles. Chad ofereceu a ajuda outra vez ficando com ela no carro.
– Eles podem ter ido para qualquer lado! — Exclamou Rukia.
– Vamos nos separar e procurar por eles. — propôs Ishida.
– Certo!
O coro gritou começando a busca. Ishida e Renji para um lado, Inoue indo a outro junto de Ulquiorra e por fim Rukia percorrendo o mais depressa possível. Foram passando de cais em cais sem sucesso algum. Estavam vazios, ou melhor dizendo, só carregavam os pesados materias de manutenção dos navios e barcos. Mas quem eles realmente queriam encontrar não estava ali.
“Droga!” Rukia frustrava-se “Onde você se meteu Ichigo?!”
Nisso um alto disparo ecoou irrompendo o som das passadas de todos ali. Pela direita? Esquerda? Não, não, precisava se concentrar. A amplitude da área havia confundido seus sentidos. Vamos, feche os olhos e pense: de qual direção veio o primeiro ruído?
E assim ela o fez, concentrando-se o máximo possível, até que o cérebro deu um clique, e suas pernas responderam a ele. “Por aqui!”
Não tardou muito estava correndo junto de Renji, Ishida, Inoue e Ulquiorra.
– Vocês também ouviram? — perguntou Ishida.
– Veio desse lado. — completou Rukia.
– Espero que o Kurozaki-kun esteja bem... — comentou Inoue, aflita, como sempre pelo amigo.
– Não se preocupe. O Ichigo aguenta. — Renji concluiu querendo acalmar a garota, mas ele mesmo estava com o coração quase saltando para fora da boca.
Foi um tiro, com certeza. A estancada alta e seca da pólvora se chocando contra o projétil. E se havia um tiro disparado, quem havia o recebido? Aizen? Grimmjow? Ichigo? Não tinham mais tempo a perder. Precisavam – e rápido – chegar a origem desse barulho que os deixara nervosos; apreensivos.
Nisso um alto clarão lhes tampou a vista. Tiveram que levar os braços na altura do rosto para tentar ver alguma coisa. O som de pneus arrastando-se no piso de madeira do cais os deixou em estado de alerta. Um carro vinha com tudo para cima deles. Não podiam nem ao menos tentar ver quem estava o dirigindo. Apenas foram se jogando para os lados, rolando, torcendo para que não fossem pegos pela máquina. A cegueira momentânea os desnorteou um bocado, mas enfim foram capazes de evitar o pior.
– Quem é esse?! Perguntou Inoue sentindo os braços de Ulquiorra ao redor de seus ombros.
– Não sei... — Rukia comentou – Mas tenho uma suspeita de quem seja.
– Ele está indo na direção de Chad e Neriell!
A constatação de Ishida os deixou perplexos. Se fosse Aizen, como eles achavam que era, ele não podia ver Neriell, ou todo o plano iria por água à baixo.
– Inoue ligue para o Chad! Eu vou atrás dele!
– Atrás dele? Kuchiki-san!
– Apenas façam como eu digo! Renji e Ishida vão achar o Ichigo! Tenho certeza que ele está dentro desse galpão.
A morena ditou as ordens conforme corria na direção do carro. Ela não esperava conseguir alcançar um veículo de quatro rodas. Mas talvez pudesse chamar sua atenção a desviando do caminho, e consequentemente do inevitável encontro com Neriell.
– Estamos sendo seguidos, senhor.
Aizen olhou pelo retrovisor do carro vendo a pequena figura de Rukia os perseguindo, apanhando pedras no chão e as jogando em vão contra a blindagem do carro. Sorriu achando graça da tentativa inútil dela. Queria poder se divertir com a garota, diminuir a velocidade, vendo-a apertar o passo na tentativa de alcançá-los. Ah, mas não havia tempo. Grimmjow estava tão domesticado, tão quieto em sua gaiola que ele só conseguia pensar na sua vitória. O sabor daquele momento era muito bom.
– Devo fazer algo senhor?
– Não. Deixe-a para trás. Já temos tudo o que precisávamos hoje.
Obedecendo às ordens dele, Gin desceu com o pé no acelerador disparando para frente. A madeira das vigas formando a ponte no cais rangia com a força das quatro rodas e Rukia mal conseguia acompanhar os dois.
– Acho que os amigos de Kurozaki Ichigo nos encontraram. — Gin comentou.
– Não há mais nada que eles possam fazer para me atingir. — olhando fixamente a prisão em que Grimmjow estava ele lançou um sorrio pelo espelho do carro – Eu já tenho toda a sorte do mundo ao meu lado.
Em poucos minutos o carro sumiu da visão de Rukia e ela não conseguia fazer mais nada além de arquear o corpo para frente respirando pesado. “Será que deu tempo?!” Pensou procurando o local onde Chad e Neriell estavam. A visão estava turva devido ao esforço, então precisou recuperar-se antes de continuar a busca.
– Kuchiki-san!
Inoue vinha à sua direção seguida do rapaz pálido. Ajudou-a a se recompor como pode e então os três caminharam de encontro a Neriell.
– Você conseguiu falar com ela? — indagou Rukia.
– Estava sem sinal... Só consegui ouvir alguns ruídos do outro lado da linha.
– Droga... Espero que os dois tenham sumido à tempo.
Quando chegaram próximo a um amontoado de caixotes grandes e visivelmente pesados, nenhum deles conseguiu avistar Chad – e ele era alguém fácil de ser notado.
– Para onde foram? — indagou Inoue.
– Tente ligar outra vez.
Concordando ela digitou rapidamente os números no telefone. O sinal continuava fraco, mas ao menos ouviu o som de chamada do outro lado da linha. Um abafado ruído eletrônico explodiu de dentro de uma das caixas assustando-os.
– Chad?
Rukia o chamou ouvindo um alto baque em retorno. A tampa do caixote escorregou para o lado e da entrada Chad apareceu acompanhado de Neriell.
Os três respiraram aliviados ao vê-los tão bem escondidos.
– Por isso meu telefone não estava funcionando! — exclamou Inoue.
– Quando vocês foram aí para dentro? — perguntou a morena.
– Neriell-san pensou que seria melhor ficar fora da vista de qualquer pessoa, inclusive dos trabalhadores aqui do cais.
– Bem pensado. — concluiu Ishida.
– E vocês? — continuou Neriel — Conseguiram alguma coisa?
– Pouca. — respondeu Rukia – Mas vimos um carro preto sair depressa de um dos galpões.
– Poderia ser Aizen?!
– Nós achamos que sim.
– Ishida já entrou em contato?
Verificando o celular em seu bolso a morena meneou que “não” com a cabeça dizendo em seguida:
– Espero que eles tenham mais sorte do que nós.
As portas do galpão estavam semiabertas com um odor de maresia impregnando o ar. Um conjunto de podridão e umidade deixava o nariz de Renji e Ishida irritados. As luzes falhavam dando um aspecto mortalizo ao lugar. E um cheiro salgado do mar se misturava com alguma outra coisa, um cheiro forte de ferro.
Num dos cantos estavam jogadas correntes de metal dispostas sobre uma poça avermelhada espesa, o que Ishida logo identificou como sangue.
– Não estou gostando disso... — o quatro olhos falou.
No instante seguinte o grito rouco de Renji irrompeu seus pensamentos:
– Ichigo!
O tatuado correu na direção do corpo estirado, sendo erguido do chão apenas por uma corda. Ishida aproximou-se vendo a tintura carmesim espalhada debaixo dos pés do ruivo. Ele estava de cabeça baixa, sem mostrar as feições quando Renji começou a soltar seu braço.
– Ele está bem?! — perguntava repetidas vezes a Ishida – Ele está vivo?!
Apoiando seus finos dedos sobre o pescoço de Ichigo, Ishida procurou sentir seu pulso, tendo de fechar os olhos para se concentrar. Ele só precisava de uma batida, apenas uma, por mais leve que fosse.
O braço do ruivo caiu sobre o ombro de Renji fazendo metade de seu corpo apoiar-se sobre o dele. Num instante Renji removeu a mordaça negra em sua boca. Ele estava extremamente pálido, sem forças, parecendo mais um boneco desconjuntado do que um ser humano.
– Ishida!
Renji berrou outra vez querendo saber alguma coisa.
– Eu não... Eu não sei...
Os olhos de Renji fitaram o brilho de seus óculos. Por um instante, não respirou, não se mexeu, nem ao menos conseguia falar. Postou-se como uma estátua segurando o corpo de Ichigo, e assim permaneceu por segundos, o que em sua mente pareciam milênios.
Ele tinha que estar bem, precisava! Como poderia se perdoar caso Ichigo... Se ele... Nem conseguia conceber isso! Oh céus! O que diria a seu pai? E suas irmãs?! A menor tão apegada, tão inocente! Ela jamais conseguiria superar algo assim. Sem mãe, sem irmão. Deus, parecia um pesadelo!
– Como não sabe?! Ishida!
– Já disse que não!...
Nisso um alto suspiro calou a boca dos dois. Ichigo tentava buscar ar com os pulmões, mas eles lhe falhavam
– Deite-o no chão!
Ishida gritou e logo Renji o fez.
– O que está acontecendo com ele?! — perguntou o tatuado aflito.
– Parece... Que ele está convulsionando! — respondeu-lhe ajeitando os óculos – Rápido coloque um pedaço de pano na boca dele!
Removendo seu casaco Renji o colocou entre os dentes de Ichigo. Sua boca mordia o tecido com força fazendo com que as gengivas sangrassem. Foi preciso que os dois segurassem seus ombros, ou então ele tremeria no chão incansavelmente.
– Porque isso agora?! — indagou.
Ishida manteve a postura enquanto lhe explicava, mas era difícil tendo Ichigo se revirando daquele jeito.
– Ele está ferido... Perto do ombro, parece um tiro.
– Por isso tanto sangue?!
– Sim. Ele deve ter desmaiado por causa da dor e quando acordou agora o corpo entrou num choque pós-traumático.
– E quando ele vai parar?!
Ishida não o respondeu, pois no minuto seguinte Ichigo parou de se mexer. Ficou imóvel no estado de inércia anterior assustando Renji outra vez.
– Ichigo?
O chamou mantendo as mãos sobre seus ombros.
Veio o novo suspiro e o olhar dele era de um terror extremo. Su mão ainda boa apertou o peito de Ishida amarrotando suas roupas. Balbuciava um som rouco e indistinguível, sendo preciso que chegasse sua orelha perto da dele para entender:
– Grimmjow... Grimmjow...
Chamava, arregalando os globos, como se aquele simples gesto lhe causasse uma tremenda dor.
– Nós não o vimos Ichigo... — respondeu Ishida enxergando um novo tipo de desespero na expressão do garoto.
Ele tentou se levantar, mas nem mesmo que pudesse conseguiria erguer um músculo. Estava fatigado, ferido, cansado, e sua mente vagueava num lugar enevoado quase o fazendo perder os sentidos outra vez.
– Temos que o levar a um hospital – falou o quatro olhos preparando-se para tirá-lo do chão.
O ruivo apertou a mão outra vez chamando a atenção de Ishida. Mexia a cabeça negativamente ainda lhe mostrando as feições amedrontadas:
– Ai....Aiz.... Aizen...
Renji e Ishida se entreolharam e foi o tatuado quem precisou lhe dar a notícia:
– Ele fugiu Ichigo...
O ruivo abriu a boca, e foi como se o restante de suas forças escapasse dela. Os globos reviraram para trás e ele fechou os olhos outra vez. As mãos cederam caindo num estalo seco no piso. Renji o chamou outras vezes, mas dessa vez não obteve respostas alguma. Ishida o mandou levá-lo ao carro, pois tinham pouco tempo. Muito pouco tempo.
Colocando-o nos braços Renji correu como nunca antes indo na direção do píer. Lá encontrou Rukia e os demais mostrando a mesma expressão assustada que a sua de antes.
– Saiam da frente! — berrou entrando com Ichigo no carro – Vamos ao hospital, agora!
– No hospital o atendimento vai demorar muito. — falou Ishida.
– E para onde vamos?!
– O pai dele! — gritou Inoue – O pai do Kurozaki-kun é médico!
Sim, era a única saída.
A toda velocidade Chad os tirou do pier voltando pelor mesmo caminho de antes. No veículo, Inoue prendia suas mãos sobre o buraco no peito do ruivo tentando impedir que mais sangue saísse. Mesmo em meio a todo aquele desespero ela tentava controlar as lágrimas querendo escorrer do rosto.
– Kurozaki-kun... Kurozaki-kun... Não morra...
Ela falava o que todos ali pensavam. Não morra Ichigo, por favor, não morra...
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A lua ainda estava alta quando Aizen chegou em sua casa, escondida nos arredores da cidade. Ele gostava de se isolar do mundo numa espécie de bolha, onde acreditava poder observar a todos em sigilo – tal como se fosse um deus olhando o pequeno rebanho à sua disposição.
Gin o seguia, tratando de ocultar o caminho das rodas do lado de fora da garagem, o que não era difícil devido a grande quantidade de neve. Nisso seu telefone tocou e seus longos dedos atenderam a chamada.
– Sim... — respondeu – Exatamente, faça com que o senhor Aizen e eu nunca tenhamos saído da empresa. Ficamos essa noite toda lá trabalhando.
Desligou indo para dentro, onde Aizen já havia se acomodado. No sofá ele deixou a gaiola com o inofensivo animal à sua frente na mesa, vendo-o de longe. Cruzou as pernas apoiando o cotovelo sobre o joelho e a mão sobre o rosto.
– Quem diria que seria tão fácil quebrar você, Grimmjow-kun...
Falou ao felino que não esboçava reação alguma.
– Senhor já está tudo arranjado na empresa. — falou Gin ao fechar a porta.
– Ótimo.
Esticando os lábios, Aizen esperou que Gin o servisse um bom copo de whisky duplo sem gelo. Não tardou muito e ele já escorria a bebida forte pela garganta, selando o fim de um excelente dia. Em seguida, teve os sapatos removidos pelas rápidas mãos de Gin. O paleto estava aberto jogado nas laterais de seu corpo esparramado numa pose clássica pelo estofado. Mesmo num momento tão relaxado ele não perdia a leveza e imponência com a qual se portava.
– Deseja mais alguma coisa senhor? — perguntou.
– Oh... Eu acho que por enquanto minha noite está perfeita Gin. Pode se retirar... Eu quero continuar minha conversa com Grimmjow-kun.
Aizen continuou sorrindo conforme Gin se afastava, deixando-o à sós com seus pensamentos – e com o animal que parecia mais morto o que vivo.
E de fato, para Grimmjow nada mais importava. Trancafiado numa jaula, confinado num corpo que o deixava sem vontades, que o impedia de proteger a pessoa que ele mais se importava. De que adiantava tanto mistério, tanto orgulho de sua família por ter uma linhagem abençoada, se para ele tudo não passava de uma grande maldição? Sorte? Talvez ele teve um pouco dela nos momentos ao lado de Ichigo. Quando o encontrou, quando conseguiu tê-lo apenas para si... Quando se apaixonou por ele. Foi durante esse curto período, depois de tudo o que passaram, que Grimmjow realmente acreditou na bendita lenda, na sua sorte.
E então toda a magia se desfez com aquele tiro, bem no peito de Ichigo, fazendo com que sua vida esvaísse diante de seus olhos felinos, diante da sua forma animal inofensiva. Se ele fosse grande, se ele pudesse controlar seus dons tão bem quanto queria, jamais teria sucumbindo às tramoias de Aizen. O pior era ter de ficar ali o ouvindo se vangloriar. Mas outra vez, do que importava agora?
– Eu também não esperava... -Aizen continuou seu discurso – Que fosse tão simples assim. Sua força de vontade, sua garra, sua determinação, sua teimosia, principalmente. Todos esses empecilhos sempre me deixaram um pouco, digamos, ansioso.
O gato continuava deitado sobre o estofado da gaiola, querendo tampar os ouvidos se pudesse, mas para seu infortúnio, precisou ouvir a ladainha sem fim dele:
– Contudo o que sempre ficou no meu caminho na maioria das vezes foi a sua herança, cheia de mistérios e todos os tipos de subterfúgios para escapar dos meus planos.
Sorte? Ah não, Grimmjow não mais acreditava naquilo...
– No fim, bastou deixar aquele garoto se aproximar de você.
As palavras dessa vez o acertaram em cheio. Grimmjow rosnou um rápido, porém alto grunhido, no entanto, isso apenas fez Aizen sorrir mais.
– Ora, vamos, pare com essas frescuras. O que passou, passou. Afinal, já estamos numa nova etapa em nossas vidas!
Passado, oh sim, Ichigo agora era apenas uma memória, um resquício caloroso e provavelmente a única coisa que havia afastado a bestialidade animal de Grimmjow. Não fosse pelo garoto, ele não estaria nem vivo. E mesmo que fosse apenas uma lembrança... Mesmo que ele admitisse a si mesmo que nunca mais veria Ichigo, podia prender-se a esse pequeno mundo onde o ruivo ainda existia.
Parando de se mexer, Aizen aproximou o rosto da grade. Avistou apenas a respiração quieta do felino branco. A falta de luz em seus olhos o deixava... Satisfeito com os resultados. Após tantos anos, finalmente tinha derrotado o maior obstáculo de todos.
– Agora Grimmjow, nós teremos muitos e muitos anos de convivência pela frente. Mas não se preocupe, nós vamos nos divertir muito.
Outro sorriso, e Aizen ergueu-se puxando a gaiola pela alça acima dela. Iria dormir seu merecido sono sem preocupações, pois o dia seguinte, ah, seria um grande e maravilhoso dia na empresa. Na sua empresa.
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Yuzu continuava alarmada. Karin tentava fazê-la se sentar, mas a irmã mal conseguia manter os pés parados.
– Calma Yuzu! O Ichi-ni vai ficar bem!
– Como você sabe?! — replicou num grito – Ele está em perigo, você mesma ouviu!
– Mas ele é forte também, ou você se esqueceu disso?!
Engolindo à seco as lágrimas, Yuzu deixou uma ponta de esperança cobrir seus pensamentos enquanto a irmã continuava falando:
– O Ichi-ni sempre arrumou brigas, sempre esteve metido em problemas, mas ele também sempre os resolveu! Sempre voltou pra casa! Ele também vai voltar dessa vez!
Segurando os soluços, Yuzu começou a relaxar para alívio de seu pai. Foi quando o barulho alto dos pneus chamou a atenção de todos.
– Devem ser eles. — Byakuya comentou num tom tranquilo querendo manter a calma da garota. Já havia sido bem difícil convencê-la de ficar em casa.
Nisso, antes que o moreno pudesse abrir a porta, a maçaneta rodou numa rápida velocidade, revelando a presença de Rukia. Sua face assustada, as mãos tremendo, tudo indicava que algo ruim tinha acontecido. Mas mesmo que ela estivesse controlada, o sangue em suas roupas a denunciaria de qualquer forma.
– Rukia?! — Byakuya exclamou procurando por alguma ferida em seu corpo.
– Precisamos cuidar do Ichigo!
Ao fim da sua frase, Renji apareceu na porta carregando o corpo de Ichigo desacordado. Inoue corria ao lado dele tentando segurar a ferida abaixo do ombro, e a visível palidez do ruivo indicava que ele havia perdido bastante sangue.
– ICHI-NI!!!
Yuzu gritou em desespero, as lágrimas voltando a correr, as esperanças se perdendo, e toda a sua força pareceu abandonar seu corpo.
Karin queria fazer o mesmo. Espernear, gritar, urrar de ódio e medo, no entanto um poder maior a compelia a se manter forte pelo bem da irmã caçula. Pois era isso que Ichigo ia querer.
– Ichi-ni, Ichi-ni!
Yuzu repetia aos prantos, tendo que ser segurada por Karin.
– Levem-no até a sala da clínica, AGORA!
Ishinn interveio no instante seguinte. Sua expressão séria e determinada em nada combinava com o jeito brincalhão de antes. Ele poderia ser o mais idiota dos pais, mas quando se tratava do bem estar de seus filhos, ele não hesitava. A firmeza de suas mãos guiando Renji e Inoue até a sala jamais falharam com ele. E Ishinn jamais deixaria que seu filho perdesse a vida. Não, ele não...
Yuzu continuava a se forçar para fora do aperto da irmã, e por mais que Karin tentasse, não pode evitar machucá-la com seu aperto.
– Yuzu deixe o papai cuidar dele! — implorava.
– Não! Ichi-ni, o Ichi-ni estava sangrando! Ele estava sangrando! Ele...
Nisso, um rápido movimento de Byakuya fez a garota perder os sentidos. O moreno segurou a pequena nos braços carregando gentilmente no colo até o sofá onde a deitou.
– Não se preocupe, ela vai ficar bem. Só precisa repousar.
A voz suave de Byakuya deixou Karin sem ação. Ela apenas pode sentar-se no chão deixando as mãos sobre o colo.
– O-obrigada...
Agradeceu trêmula, parecendo que um peso havia sido removido de suas costas. Foi uma questão de segundos até as lágrimas começarem a cair involuntariamente. Abaixando o rosto, Karin deixou os curtos e baixos soluços denunciarem sua própria preocupação, seus medos. Sentiu uma mão lhe tocando as costas, vendo a face tristonha, porém com um grande sorriso de Neriell.
– Vai ficar tudo bem. — falou procurando forças em sua própria voz.
Karin apenas concordou com a cabeça, continuando ao lado dela por mais algum tempo. Nisso, Inoue e Renji retornaram à sala, chamando a atenção de todos.
– Ishida – Renji chamou-lhe – o pai do Ichigo te pediu para ir até lá.
– Eu?
– Porque você é quem mais deve saber o ajudar, Ishida-kun... — completou Inoue.
Respirando fundo, o quatro olhos avançou na direção da clinica fechando a porta atrás dele.
Agora, ao restante da sala, só lhes cabia rezar...
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Um sonho distante e sem fim. Uma estrada que não o levava a lugar nenhum, mas que ao mesmo tempo era tudo o que ele tinha, tudo o que podia fazer para sair daquele limbo, daquele lugar que ele sabia onde não poder ficar.
Ichigo se via de pé num espaço branco, vazio, a não ser por essa estrada. Não havia ninguém nem nada que pudesse o esclarecer, explicar onde estava. Só havia a estrada, e nada mais.
Gritou pelo nome de todos que conhecia; Inoue, Rukia, Renji, Ishida, Chad, suas irmãs, seu pai – nada, nem mesmo um sopro.
Grimmjow!
O nome ecoou através do nada como se ele estivesse cercado por paredes invisíveis. A estrada esticou-se aumentado de distancia e largura, e ao fim, bem ao fim dela, ele sabia, ele havia enxergado a figura dele, de Grimmjow.
Começou a corrida querendo chegar ao seu lado o mais depressa possível, mas a cada passo a estrada aumentava mais e mais, afastando-se de seus objetivos, afastando-se dele.
Grimmjow!
Urrou novamente, sem resposta. Ele não ouvia, apesar de seu nome ecoar às alturas. Estavam longe um do outro, perdidos, desamparados, como se não pudessem ficar juntos, como se estivessem fadados a essa distancia. Mas Ichigo não se via por vencido.
Se fosse preciso, correria até seus pés sangrarem, correria tão rápido, que nem mesmo essa estrada poderia o impedir.
Percebeu os pés acelerando, Grimmjow estava cada vez mais perto, a estrada havia cessado de esticar e esticar.
E então a figura a quem ele tanto chamava ganhou um novo aspecto. Os cabelos não eram claros, nem azuis, mas sim castanhos e frios. O olhar profundo e sem vida de Aizen o encarou. Seus pés não mais obedeciam, Ichigo não conseguia parar, mesmo tentando, mesmo ao continuar sua procura por Grimmjow, seu corpo o levava na direção de Aizen.
Sua mão ergueu-se devagar e nela estava um revolver negro. Arregalando os globos âmbar, ele ouviu o disparo, e a dor o atingiu no peito. A aflição, no entanto, lhe pareceu familiar, como se ele já tivesse a sofrido antes. Abriu os botões da blusa num só puxão, e enxergou um buraco seco, frio, uma ferida antiga, onde a nova bala havia se alojado, onde um novo fluxo de sangue se formava. Sentiu a respiração acelerar, os pulmões perdendo as forças cada vez mais e mais, e seus olhos foscos enxergavam o sorriso mesquinho de Aizen. Agora, mais claramente, podia ver a figura de um grande felino branco ao seu lado. Arregalou os olhos querendo gritar pelo nome de Grimmjow, porém de sua boca apenas saiu sangue, escorrendo para junto da ferida.
Indo até o garoto, agora de joelhos, Aizen trazia, numa coleira, o animal ao seu lado. O ruivo continuava cuspindo o sangue, as palavras emboladas na garganta em meio do líquido carmim, e então o revolver repousou em sua testa. O metal frio o manteve imóvel. O felino abaixou os olhos. Azien sorriu e o disparo atravessou sua cabeça.
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Num pulo Ichigo saltou da cama branca ao som da acelerada respiração. O coração palpitava, os olhos buscavam entender onde estava, e por fim quando se deu conta de que seu pai estava vindo até ele, arqueou o corpo para frente sentido uma dor lacerante no peito. Pôs a mão sobre ele retorcendo os lençóis com a outra, enquanto tentava não desmaiar.
– Respire fundo, devagar. — falou Ishinn.
Ichigo o obedeceu ainda sentindo-se zonzo – da agonia, do então pesadelo. Quando se acalmou começou a falar arranhando a garganta com a dor das palavras:
– O que aconteceu?... Onde estou pai?..
– Ichi-ni!
Yuzu pulou na sala com os olhos marejados. Ela queria se jogar em cima do irmão, mas sabia ser impossível, afinal ele ainda estava se recuperando. Conteve-se em segurar as mãos dele enquanto falava em meio ao choro:
– Quem bom que você acordou Ichi-ni! Que bom!
– Yuzu...
O ruivo balbuciou afagando os cabelos da pequena. Ao que parece seu pai tinha muito a lhe explicar.
Em seguida Karin também apareceu na sala. Ela apenas se aproximou da cama mantendo o olhar tristonho escondido ao mirar o chão:
– Até que enfim você acordou...
Disse, mas a mão de Ichigo tocando-lhe os cabelos a fez desabar em lágrimas. Abraçando de leve as duas, os três irmãos ficaram assim, apenas sentindo a presença um do outro, até Ishinn pedir as duas que deixassem Ichigo descansar.
– Vou fazer seu prato favorito Ichi-ni! — comentou Yuzu começando a se animar.
O garoto sorriu mais para deixá-la tranquila do que de alegria. Bastou a porta se fechar e seus olhos sérios voltaram-se ao seu pai:
– Velho... O que aconteceu?
Ishinn o encarou bufando. Por onde começar? Respirando fundo, ele puxou uma cadeira se sentando ao lado do filho.
– Você chegou aqui quase sem vida, Ichigo.
A frase deixou o ruivo nervoso.
– Tive que te por na mesa depressa. Levei uma hora para tirar a bala, e mais umas três para conseguir fechar a ferida e te deixar vivo.
As lembranças pareciam deixar Ishinn apreensivo. Ele precisou parar algumas vezes antes de continuar seu relato:
– Acho... Que seu coração parou umas duas vezes... E se a bala tivesse pegado um pouco mais embaixo... Não acredito que você tivesse chegado aqui com vida.
Se a bala o atingisse mais embaixo. Sim, Ichigo via como se fosse agora o revolver apontado para seu coração. A reviravolta de Grimmjow dentro da gaiola próxima a Aizen. Quando ouviu o gatilho sendo puxado, o felino agitou-se atrapalhando a mira perfeita da bala, atrapalhando Aizen, e, por conseguinte, salvando sua vida. Grimmjow havia o protegido, mesmo quando quem mais precisava de ajuda era ele.
Engolindo seco, Ichigo voltou o olhar para os lençóis da cama. Fitou-os por algum tempo, precisando confirmar que ainda estava respirando.
– Me desculpe pai... — balbuciou.
– Desculpa?!
O alto tom de Ishinn o deixou assustado. Levantando-se da cadeira, ele apoiou uma das mãos no ombro do ruivo:
– Filho, eu só quero que você me diga o nome do desgraçado que fez isso com você, porque eu irei atrás dele, e o farei pagar com minhas próprias mãos.
A convicção dele deixou Ichigo desconcertado. Ele sabia pelo ódio nos olho de Ishinn que se contasse tudo a ele, seu pai iria atrás de Aizen, e era bem capaz de conseguir aleijar o homem. No entanto, ele sabia das consequências que aquilo podia trazer.
– Vou ficar bem pai, não se preocupe. — falou – Obrigado... Por tudo...
Ishinn bufou. O que mais poderia querer ouvir de Ichigo? Ele ia querer resolver sozinho. Conhecia muito bem o filho a esse ponto.
– Sorte sua termos o mesmo tipo sanguíneo.
Nisso, Ichigo reparou o curativo no braço dele. Sorriu sem jeito, vendo seu pai sair da sala, dando lugar à entrada de Neriell, Rukia, Inoue, Chad e Ishida.
– Bem vindo de volta! — a morena comentou.
– Kurozaki-kun! — Inoue pôs as mãos na boca soluçando um novo choro.
– Eu disse que ele era teimoso demais para morrer. — comentou Ishida.
– Bom te ver saudável Ichigo. — concluiu Chad.
Neles era possível enxergar um grande alívio ao vê-lo sentado na cama. Foi então que Neriell se aproximou dele. Os olhos de Ichigo se arregalaram em surpresa. Antes, ele sabia do estado de Neriell. Sabia que ela estava no hospital. O fato de tê-la ao lado de seus amigos não o surpreendia. Mas a falta da maioria de seus curativos e a visível melhora em sua condição davam a ele a certeza e que muito havia acontecido.
– Quanto tempo eu...
– Duas semanas Ichigo. — Neriell lhe cortou a fala, o deixando sem reação.
– Duas semanas?! Ele esteve desacordado por tanto tempo assim?! Então... O que havia perdido?!
– E Grimmjow?! — exclamou.
Todos se entreolharam esperando alguém se manifestar. Neriell postou-se à frente parando a lateral da cama:
– Ele ainda continua com Aizen.
Fazendo menção de se levantar Ichigo foi impedindo, tanto pela dor quanto pela mão de Neriell.
– Calma Ichigo. Tem mais.
A pressão de sua mão contra seu ombro o fez recuar. Mais? Mais o que? O que mais ele havia perdido?! Ajeitando-se na cama, Neriell se sentou sendo rodeada pelos demais. Enquanto a ouvia, Ichigo não pode fazer nada a não ser encará-la com um olhar espantado:
– Grimmjow deveria assumir a presidência da empresa logo após o seu aniversário, duas semanas atrás. Era o acordo estipulado no testamento por seus pais. Ele deve ter comentado algo do tipo com você. A questão é que, quando isso acontecesse, Aizen, o tutor legal dele, perderia o posto de presidência, e é claro, como você pode imaginar, ele tinha outros planos. Após o desaparecimento de vocês na festa nós fomos atrás dos dois no píer. Lá nós te encontramos amordaçado, com um tiro no peito, sangrando horrores... Mas nenhum de nós viu Grimmjow.
Ah sim, Ichigo se lembrava perfeitamente agora. Os momentos de desespero dos dois enquanto Aizen convenceu Grimmjow a se entregar a ele, a se transformar em seu bichinho de estimação usando-o como barganha.
– Neriell ele está com o Aizen! — o ruivo exclamou.
A mulher o encarou boquiaberta, mas logo em seguida ordenou os pensamentos:
– Faz sentido... Eu já esperava algo assim.
– Aizen o forçou a se... Transformar e...
Foi então que Ichigo apercebeu-se da presença de seus amigos ali. Havia falado demais? Eles teriam percebido? Vendo sua preocupação, Rukia adiantou-se a fala dele:
– Tudo bem Ichigo, nós já sabemos.
Abrindo a boca, ele voltou-se à Neriell.
– Precisei contar a eles, afinal, não iríamos conseguir manter o segredo do Grimmjow por muito mais tempo, ainda mais se quisermos a ajuda deles.
– E vocês... Acreditaram? — indagou o ruivo.
– Bem no inicio eu achei que tudo não passava de uma historinha, sabe, quando a Neriell-san começou a falar, mas aí eu pensei: um gatinho! Que fofo1 Tomara que seja verdade! Daí eu disse que queria ver o Grimmjow-kun como um gatinho e...
– O que a Inoue está tentando dizer – interrompeu Ishida ajeitando seus óculos – É que coisas estranhas acontecem o tempo todo. Apesar do teor fantástico, Neriell-san explicou tudo a nos em detalhes.
– Essa também era a única maneira do Aizen sair dessa sem muitas perguntas, afinal, ele foi interrogado quanto ao sumiço do Grimmjow. — comentou Chad.
– Não se preocupe Ichigo, nós estamos cem por cento com você. — concluiu Rukia.
Um pouco menos tenso, Ichigo voltou sua atenção a Neriell.
– Muito bem Ichigo – ela prosseguiu – é nessa situação em que nos encontramos agora. Sem Grimmjow para tomar posse da presidência, seu desaparecimento sendo investigado pela polícia, Aizen abriu caminho para o controle da empresa, e isso sem criar muitas suspeitas, afinal, os executivos presumem que Grimmjow desapareceu devido a sua natureza digamos... Rebelde.
– Sim... Isso é perfeito para o Aizen. A fama do Grimmjow, seu sumiço por conta de uma herança de família que ninguém conhece... Tudo está de acordo com os planos daquele homem.
– Ichigo, Aizen pensa que o matou.
Rukia chegou mais perto dos dois pondo as mãos na cintura, a voz tão firme quanto a de seu irmão:
– E ele também não sabe que Neriell está viva. Com isso, nós temos dois elementos surpresa.
Esticando os lábios, Neriell interrompeu a fala da baixinha:
– Oh, eu diria que nós temos bem mais do que dois elementos surpresa.
Deixando a todos intrigados Neriell apenas balançou a cabeça, mantendo suas palavras uma incógnita ao voltar à atenção para Ichigo outra vez:
– Então, nós podemos ficar aqui parados, ou podemos fazer alguma coisa. O que você quer fazer Ichigo?
O ruivo ergueu o olhar vendo o rosto de cada um de seus amigos ali presente. Ele podia contar com todos eles, sabia disso. Sua família ficaria segura, fora dessa situação perigosa. Sobrava apenas sua força de vontade, seu ódio, a raiva reprimida por ter visto Grimmjow sucumbir as vontades de Aizen enquanto ele não fazia nada. Ah sim, aquele homem ia pagar por tudo o que havia feito aos dois, aos seus amigos. O sofrimento pelo qual suas irmãs passaram.
Seus globos tremeluziram um brilho tenebroso. A visão parecia estagnada num ponto fixo da sala, como se diante dele estivesse Aizen parado, o encarando com aquele sorriso frio. Enroscando os dedos nos panos da cama, Ichigo buscou folego uma ultima vez antes de proferir convicto:
– Eu vou atrás de Grimmjow... E se Aizen entrar no meu caminho, eu acabo com ele.
Continua
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