Maipetto no Neko

57 Capítulo 57 - Trabalho bem feito


Notas iniciais
Oiee!!!! O capítulo já tava pronto! u.u Mas o Nyah tava fora do ar =p Então, eu... não sei o que dizer sobre o capítulo... O_O Só espero, como sempre, n apanhar.... enfim... Boa leituraaaaaaaaaaa ;)

Maipetto no Neko

Capítulo 56 – Trabalho bem feito

Suas mãos seguravam a esfera conforme o brilho arco-íris irradiava do centro, emanando um forte calor pela extensão dos braços. Aquele aconchego enganador deixava Grimmjow desconfortável e ao mesmo tempo sentia-se acolhido por ele. A esfera parecia apenas um simples objeto inofensivo, mas ele sentia em seus nervos o quão perigoso era. Aizen o encarava todo o tempo sorridente esperando que, por fim, se render.

Do canto dos olhos Grimmjow podia ver Ichigo amarrado, suplicando para que ele não ouvisse esse homem, para que o deixasse de lado. No entanto, ver a arma em riste na sua cabeça lhe dava poucas opções. Aliás opção alguma. Era Aizen quem tinha todo o poder ali. E isso o frustrava. Estava prestes a entregar sua liberdade ao homem que acabou com sua vida. Por culpa dele iria perder a empresa tão estimada por sua família, que levou anos para ser construída. Por causa dele teria que abandonar Ichigo, por culpa de Aizen ia se condenar ao esquecimento.

Ah! Se tivesse percebido antes! Se tivesse notado as artimanhas de Aizen contra ele! Poderia ter deixado Ichigo fora disso tudo.

Pensando no garoto agora, perguntava-se se tinha valido à pena ficar ao seu lado o arrastando fundo nessa situação. Porque se envolveu com ele em primeiro lugar? Gostou de seu jeito ousado, da sua aparência, claro, mas acima de tudo, ele tinha um algo mais... Uma atração que o deixava completamente perdido, sem ar.

E pensar que ele, com todo seu orgulho estava ali, se deixando levar pelas palavras de Aizen, sendo controlado por ele feito um brinquedinho em suas mãos. Valia a pena perder sua dignidade, ser humilhado dessa maneira? Sim por Ichigo valia. Era difícil de acreditar o quão suscetível era pelo ruivo. Difícil, mas não impossível. Ele já havia admitido a si mesmo que seus sentimentos pelo garoto iam muito além do que uma mera diversão carnal. Isso assustava, e ao mesmo tempo dava uma sensação acalentadora. Saber que o tinha saber que era só dele e ele seu... Assustava, mas era ótimo.

E por esse sentimento novo ao qual nunca havia se entregue, pela dor ao ver Ichigo amarrado, ferido, maculado; decidiu permitir essa humilhação, decidiu abaixar a cabeça e seguir em frente com as armações de Aizen, dando trela ao homem.

A vontade que tinha de soca-lo era imensa, mas bastava erguer a cabeça de leve e enxergava a arma brilhando nas mãos de Gin. Ele que também o enganara, andando sempre atrás dele como uma sombra. Provavelmente relatava todos os seus passos à Aizen.

As duas cobras o cercavam desde pequeno, desde a morte de seus pais. Ah! Isso também ele podia ter evitado! Se tivesse prestado mais atenção nos sinais! Mesmo sendo tão novo, queria ter mudado algo. Queria ter forças para levantar daquele chão frio do galpão e tirar os dois dali. Mas seria impossível. Mesmo que as correntes estivessem soltas agora, sua alma tinha sido encarcerada, e sua vontade suprimida pelos sentimentos à Ichigo,

Só de imaginar as mãos frias de Aizen percorrendo seu corpo, apertando a pele do garoto em seu peito, suas pernas, os beijos falsos e as carícias sem sentido... Ele enlouquecia, temendo que tornasse a ver esse espetáculo, temendo por Ichigo.

Aizen aguardava pacientemente os minutos desse desenrolar. Queria ver Grimmjow deixar de lado sua vida para então conquistar sua tão esperada vitória; seu tão merecido poder.

Lmbeu os lábios quando a paciência começou a desgastar dizendo?

– Vamos Grimmjow, basta dizer as palavras.

Sim, as palavras que iriam finalizar sua sentença. Grimmjow despertou do leve transe encarando Aizen outra vez. O odiava com todas as suas forças. Queria o matar, trucidar seu corpo, fazê-lo pagar por todo o mal que fizera.

Respirando fundo para não desferir o soco tão desejado, ele falou entre os dentes:

– Você vai soltar o Ichigo, deixar ele, seus amigos e sua família em paz!

Queria ao menos exigir isso. Talvez pudesse ter um único pedido atendido. Mas Aizen sabia que ele não tinha direito a nada. Era só ameaçar seu precioso namorado outra vez que ele cederia. No entato, Aizen gostava de jogos, e Grimmjow tinha se tornado a peça favorita do tabuleiro. Sorriu outra vez entrando nas esperanças de Grimmjow e parecendo concordar com ele. Afinal, sabia que quando ele achasse ter um pouco de controle sucumbiria rapidamente.

– Claro Grimmjow, com queira.

Engolindo seco, ele tornou a mirar a pérola colorida. As cores continuavam vibrantes dançando numa espiral no centro da própria joia. Respirou fundo, mas as palavras fiavam entaladas na garganta. Ainda relutava, porque ninguém desiste assim tão fácil da sua liberdade, principalmente ele.

– Basta dizer Grimmjow.

Aizen o encorajou novamente dando o incentivo final que ele precisava:

– Diga, e Ichigo estará livre...

Arregalando os olhos, o medo deu lugar a angústia. As dúvidas foram preenchidas por certezas, e ele engoliu o orgulho e tudo o mais o restringindo. Era o momento de agir... Por Ichigo, que tinha salvo sua vida, se entregue a ele por completo. Devia isso ao garoto, devia a ele a chance de uma existência normal. Sem perigos extremos, sem correr o risco de morrer a qualquer instante. Podia fazer por ele...

– Eu...

Balbuciou sentindo um nó na garganta. O aperto do peito tornando-se cada vez mais e mais angustiante.

– Vamos Grimmjow, falta pouco.

Aizen continuou o empurrando direto no abismo. Num último respiro, proferiu, por fim:

– Eu rejeito o meu legado...

As palavras sibilaram num tom suave, recitadas feito uma melodia. Suas mãos esquentaram ainda mais com o toque da esfera, e no instante seguinte as luzes coloridas foram se unindo, ficando cada vez mais próximas, até que uma forte luz branca se apossou da esfera, girando rápido e mais rápido, engolindo o corpo de Grimmjow. A intensidade da luz fez Aizen se erguer e recuar. Por entre as frestas dos dedos enxergava a sombra de um homem ser tragada pela luminosidade, aos poucos ganhando uma nova forma. Ichigo gritava os murmúrios presos detrás da mordaça tampando a voz. Urrava por Grimmjow, clamava seu nome em preocupação e desespero. O que ele havia feito?!

Os braços de Grimmjow recuaram junto das pernas, envergando-se para frente com o corpo, agora pequeno e repleto de pelos esbranquiçados. O aspecto animal apareceu diante deles tomando o lugar do homem. Tinha acabado. Ele havia se entregue completamente à derrota.

Aizen alargou os dentes num sorriso triunfante. Poderia rir, mas isso o conotaria a uma nuança de insanidade ao qual não estava disposto a demonstrar. Aproximando-se do animal ouviu seu rosnar e os pelos das costas se ouriçaram, mas logo em seguida seus globos azuis miraram Ichigo remexendo-se entre as cordas. O pesar o acometeu outra vez. Mesmo preso àquela forma ainda retinha sua consciência. E Grimmjow manteria firme sua palavra.

Antes de qualquer coisa, Aizen coletou a esfera branca, antes colorida, do chão, e tratou de prendê-la numa coleira vermelha. Aproximou-a do felino e a ajeitou no seu pequeno pescoço. Depois apanhou uma daquelas caixas de petshop, pondo Grimmjow ali dentro – tornando-o de verdade um bichinho de estimação.

Respirando ofegante Ichigo tentava outra vez sair das amarras, no entanto suas incursões acabavam sempre frustradas. Um suor escorria da testa, pois apesar da preocupação a arma apontada para ele o deixava igualmente nervoso.

Queria ter impedido aquilo tudo! Esperava surpreender Aizen naquela noite, deixa-lo fora da vida de Grimmjow. Tinha estragado tudo mesmo... Se tivesse falado com ele na festa, porque não falou com ele?! Veja, veja o que havia causado! Precisava sair dali, e depressa!

Depois de trancar a nova cama de Grimmjow, Aizen voltou-se para Gin dizendo calmamente:

– Muito bem Gin, vamos embora. Mate o garoto.

O felino rosnou alto, revirando-se no seu confinado espaço, quase caindo das Mãos de Aizen. Maldito! Ele havia prometido! Ele havia jurado! Maldito, maldito! Iria mata-lo! Queria MATÁ-LO!

– Ora francamente Grimmjow, achou mesmo que ele poderia sair daqui vivo depois do que presenciou?

Tornando a ajeitar a caixa, ele voltou-se a Gin e de novo repetiu o comando.

– Estarei esperando no carro Gin, seja breve.

Os músculos de Ichigo retesaram numa rigidez impactante. O revolver encostava frio na sua pele, tendo apenas o seu suor caindo sobre o metal. Se morresse ali como ficaria sua família?! Seus amigos?! E quanto a Grimmjow?! Não poderia salvá-lo desse jeito! Não, não podia morrer agora!

Numa última tentativa balançou os braços suspensos dum lado ao outro procurando uma brecha entre as cordas, mas nada parecia ter mudado.

– Não é nada pessoal...

Gin disse ao abrir seus finos olhos de raposa encarando Ichigo com um sorriso divertido na face.

Os olhos âmbar do ruivo tremeluziram vendo a arma tão perto deles. Não podia acabar assim...

Puxou as mãos outra vez.

O dedo de Gin engatilhou a bala na agulha.

Forçou os braços para baixo usando todo o ânimo restante, sentindo um estalo.

O osso cedeu.

Seu pulso escorregou numa dor agonizante para fora das amarras.

Gin pressionou o gatilho devagar; a pólvora faiscou.

O cotovelo acima da cabeça de Gin desceu rápido, pesado.

Acertou em cheio, vendo seu executor vacilar para trás.

Nesse pequeno instante, no segundo de vantagem, a perna de Ichigo se ergueu golpeando as costelas de Gin.

Ele tossiu ao ser arremessado ao chão, soltando a arma que foi parar debaixo duma das prateleiras do galpão.

Mas Gin não deixaria isso barato. Tinha uma ordem a cumprir e ele a faria. Nem que fosse preciso usar as próprias mãos mataria Ichigo, e acabaria com essa vergonha. Pois esse era seu trabalho, agora e sempre: obedecer sem questionar a Aizen.

Neriell ainda estava parada perto da entrada com todos os olhares sobre ela. Parecia uma atração e de fato era.

– Como... Como isso é possível?! – Karin perguntou incrédula.

– Você não tinha sofrido um aceidente? – perguntou Inoue.

– Sim, eu sofri como podem ver.

Ambos seus braços estavam enfaixados. Seu pescoço também, além das gazes e bandaids no rosto, quase escondendo sua beleza. Usava um par de muletas para se locomover, pois a perna estava engessada, e eles só não viam os hematomas, pois sua roupa tampava a maioria deles. Enfim, estava um caco! Mas concordavam: melhor aquilo do que estar morta.

– Bom, vamos parar com isso e comecemos nossa longa conversa.

Sim, todos apenas acenaram que sim. Tinham muito que perguntar e saber. Com um pouco de dificuldade ela foi caminhando devagar até o sofá, até Chad lhe oferecer o braço como apoio. Agradecida, Neriell sentou-se devagar, dolorida e cansada, pois qualquer pequeno esforço exigia muita energia. Rukia os seguiu incrédula junto de Inoue, que tinha o homem pálido atrás dela ainda a seguindo – feito uma sombra. Ishida juntou-se ao seleto grupo e mesmo Renji e Byakuya queriam saber mais daquilo. O tatuado escutou algumas vezes sobre a mulher e sua então morte, então, deveria ser no mínimo uma história interessante. Ao terminar seu pequeno ritual de ajeitar-se entre as almofadas, o grupo circulou Neriell com os olhares curiosos, espantados, porém alegres por vê-la ali.

– Vejamos, por onde eu começo?

– Do começo? — implicou Rukia.

– O que aconteceu no hospital? — Karin perguntou.

–Ichigo nos disse que você tinha... Bom, falecido. — Ishida comentou entrou na conversa, também envolvido com a situação.

– De certa forma sim... Eu morri por alguns instantes.

As expressões ganharam um novo tom de surpresa. Sorrindo, Neriell deixou-os na expectativa por mais alguns segundos antes de se explicar:

– Quando eu cheguei ao hospital eu estava mais morta do que viva. Os médicos passaram horas comigo na sala de cirurgias, me remendando, colocando tudo de volta no lugar. E por um breve momento, eu realmente morri.

As bocas de todos ficaram entreabertas, ouvindo com atenção a história de pós morte dela:

– Durante esse tempo, que eu não sei ao certo quanto foi; meu coração parou de bater. Eles tinham decretado meu óbito, e um dos enfermeiros saiu da sala para dar a noticia a Grimmjow e Ichigo. Mas...

O corpo de Rukia chegou para frente querendo saber mais. Inoue acompanhou seu movimento e assim que os cativou Neriell respirou fundo:

– Mas por uma razão que nem eu mesma sei eu voltei. Voltei pouco mais de um minuto depois de não ter nenhum sinal de vida. Podem imaginar o quão rápido os cirurgiões tiveram que trabalhar para não me perder de novo? Depois disso a nova noticia só chegou até os dois quando Grimmjow já tinha quebrado metade do hospital.

– Faz sentido. — comentou Ishida.

– Enfim – continuou Neriell – Eu acordei com os dois do meu lado da cama, me dizendo o que havia acontecido. Quando Ichigo falou sobre o erro sobre meu óbito, e que os responsáveis estavam corrigndo toda a papelada, eu me lembro que quase me joguei em cima do Grimmjow, pedindo para que parassem aquilo.

– Parassem? — indagou Rukia – Como assim?

Sorrindo, Neriell prosseguiu:

– Eu queria continuar “morta”.

Sem entender, obviamente, Ishida concluiu perguntando à mulher:

– No que o fingimento da sua morte poderia te beneficiar? Está se escondendo de alguém?

– Exatamente.

Respondeu deixando Ishida orgulhoso das suas conclusões.

– Mas de quem você está se escondendo? — Inoue perguntou.

– De Aizen Sousuke.

– Aizen?! — o quatro olhos repetiu embasbacado – Esse não é o tutor de Grimmjow?

– Sim e é também o homem por trás de todos os problemas na vida dele e de Ichigo.

– Do Ichi-ni?! — Yuzu exclamou.

Neriell respirou fundo sabendo a dor que suas palavras iam causar, porém não podia mais esconder nada deles. Precisava de quanta ajuda pudesse, pois em seu estado nada conseguia fazer.

– Tanto Ichigo quanto Grimmjow estão com sérios problemas agora. E eu preciso que vocês me ajudem antes que seja tarde demais.

– O Ichi está em apuros?! O que aconteceu com ele?!

– Calma Yuzu...

– Karin tentou tranquilizar a irmã com sua voz serena, mas nada conseguia segurar a pequena:

– Eu quero saber o que está acontecendo com o Ichi-ni! Porque ele não falou nada?! Porque ninguém disse antes?! Se ele está com problemas então nós temos que ajudar!

– E nós vamos.

Ishinn aproximou-se de sua filha pondo as largas mãos em seus ombros. O toque gentil deixou a pequena menos agitada, mas o choro e os soluços vieram quase instantaneamente. Ela adorava o irmão. Não conseguia suportar a ideia de vê-lo em algum tipo de confusão. Quando ele voltava da escola cheio de hematomas e feridas, ela chorava em silêncio no quarto depois de cuidar dele, tomando cuidado para que seu pai não soubesse de nada. Ichigo sempre as defendeu, desde sempre, cuidando, tomando conta das filhas de sua amanda mãe. Ele carregava o tempo todo o fardo dela, e Yuzu sabia disso. Tinha o coração mole, mas ela não era boba. Para Ichigo não ter lhes dito nada, então alguma coisa séria estava acontecendo.

– Venha – seu pai falou – Vamos tomar um copo d'água.

– Eu quero saber sobre o Ichi-ni! — protestou.

– Mas primeiro vamos lavar seu rosto, e então voltamos.

Relutante ela concordou. Com a brecha dada Neriell pode se voltar aos demais continuando sua explicação:

– Como eu dizia, Aizen tem armado inúmeras vezes contra Grimmjow. Eu descobri trade demais suas intenções, e só tenho a culpar a mim mesma por isso... Mas, não é hora para ficar se lamentando. Precisamos ir, agora.

– Ir aonde? — perguntou Chad.

– Atrás daqueles dois. Eu vou explicar no caminho, mas por hora, basta saberem que Ichigo e Grimmjow estão em perigo, e se ficarmos aqui conversando, podemos nos arrepender depois.

Sua voz engrossou deixando a todos apreensivos. Aquilo não era uma brincadeira, e sem mais delongas todos ali começaram a se movimentar apanhando casacos, chaves de carros, e etc. Nisso, antes de poder se juntar a muvuca, Renji sentiu a mão de Byakuya em seu braço:

– Você vai com eles? — ele perguntou parecendo frio.

E Renji já sabia do que se tratava: Ichigo. Respirando fundo, ele tomou toda sua coragem, e o levou até um dos cantos escondidos da sala. O susto do moreno foi maior depois do repentino beijo do tatuado. Ao soltá-lo, Renji disse sem lhe dar tempo de revidar:

– Eu te amo sensei, de verdade. Mas tenho um amigo com problemas sérios agora. E mesmo que o senhor pense o contrário ele é apenas isso: um amigo. E eu seria um babaca se ficasse aqui de braços cruzados. Me perdoe, mas eu estou indo com eles.

Dando meia volta Renji começou a pensar em todas as broncas que ouviria depois, no entanto, ao invés disso, teve o braço preso outra vez por Byakuya. Antes de poder falar qualquer coisa, ouviu-o dizer:

– Deixarei as irmãs de Ichigo fora disso. Apenas cuide de Rukia por mim.

Desconcertado Renji apenas assentiu que sim com a cabeça e saiu porta à fora se encontrando com o resto do grupo no meio do caminho.

Ah sim, Byakuya sabia o quão infantil era com relação a Ichigo. Ainda mais depois do que os dois haviam passado. Mas era quase involuntário ficar intimidado com a presença do garoto. Contudo, bem no fundo, ele sabia que Renji era seu e apenas seu. Mas ele também tinha outras preocupações em mente. Rukia indo atrás de um homem como Aizen, que ele sabia muito bem quem era, o deixava assustado. E ao mesmo tempo não podia impedir a irmã, afinal, se tratavam dos seus amigos. E quanto a Renji, a preocupação era a mesma. Já não tinha o ciúme de Ichigo tão presente nos pensamentos quanto o medo de ver Renji ferido de alguma forma. Então ele precisava ter certeza de que os dois voltariam bem. Mas por hora, ficaria com as irmãs de Kurozaki Ichigo, afinal, ele sim sabia a importância de proteger uma irmã.

Dentro de uma grande pickup o grupo ia ao auxílio dos dois. Chad dirigia, deixando a todos abobalhados com a velocidade.

– Chad! Você geralmente é bem mais calmo que isso! — gritou Rukia.

– Chad-kun, cuidado! — Inoue pediu, mas nem isso surtiu efeito no gigante.

– Ichigo está com problema. — ele disse num tom sério – Temos que agir depressa, então no momento não posso me preocupar com leis de transito.

Todos concordaram, deixando que Neriell pudesse lhes explicar tudo melhor. Ela ia presa entre Renji e Ishida, que deixavam a mulher num espaço seguro evitando que seu corpo ainda debilitado balançasse demais. Ao lado de Renji, Rukia se ajeitava, enquanto que Inoue e seu novo amigo, Ulquiorra, iam no branco da frente junto de Chad.

– Prestem atenção: o que vou contar a vocês é muito importante...

Em poucos minutos Neriell dissertou todas as artimanhas conhecidas de Aizen. Óbvio, todos ali ficaram de boca aberta, e a raiva contra o homem apenas aumentou.

– Precisamos chegar logo. — Rukia falou – Se ele é tão perigoso assim, então seus movimentos devem ser sempre bem pensados.

– Como assim Kuchiki-san? — indagou Inoue.

– Quer dizer que Aizen já espera por algum tipo de interferência, e pode já ter executado algum plano de escape.

Ulquiorra abriu a boca pela primeira em muito tempo, deixando um novo ar de surpresa sobre os demais.

– É exatamente isso. — Rukia concluiu.

– Então não vamos perder tempo!

Chad exclamou pisando fundo no acelerador. Inoue e Rukia gritaram, ao passo em que Neriell divertia-se com a emoção. Mas ela queria apenas manter a cabeça fria. Se continuasse pensando em Ichigo ou em Grimmjow... Iria explodir!

Aproveitando a rápida distração Ichigo gritou de dor quando os dedos encostaram na corda, e então ele sabia que não havia mais jeito. Tentou usar o braço solto para se livrar de vez das amarras, no entanto o pulso deslocado o impedia disso. O que pode fazer nesse meio tempo foi empurrar a mordaça de couro para fora da boca, pois sempre que tentava pinçar o nó da corda, o tendão ardia em dor, sem conseguir fechar os dedos, Sua única opção era continuar forçando o outro braço assim como tinha feito com o primeiro. Agora parecia mais fácil, pois as cordas tinham afrouxada um pouco.

Sim se ele conseguisse se libertar enquanto Gin continuava distraído então talvez tivesse sua tão esperada chance de fuga, e por fim salvaria Grimmjow!

Frustrado, Gin enfiou a mão debaixo da prateleira tateando à procura de sua arma. Se continuasse a se humilhar na frente de Aizen daria ele mesmo um tiro na cabeça. Não gostava de parecer fraco, não gostava de desapontar no serviço, e principalmente não gostava de decepcionar Aizen. Ele precisava deixá-lo feliz, contente com seu serviço, sempre... Era preciso!

Ao finalmente encostar no metal gelado do revolver o sorriso de raposa retornou ao seu rosto. Agarrou com tudo a arma tornando a apontá-la na direção de Ichigo.

–Gin.

Ao ouvir seu nome ser proferido pela voz grave de Aizen seu corpo parou de imediato. Ele sabia que não precisava mais agir, que seu serviço naquele momento havia sido descartado. Mesmo Ichigo, imerso na sua tentativa de se livrar das cordas precisou olhar para o homem. E sua visão não podia ser mais devastadora.

Grimmjow, o agora pequeno e indefeso animal remexia-se freneticamente no chão dentro da caixa próxima aos pés de Aizen. Nas mãos do homem uma arma completamente negra estendia-se por seu braço, dando a ilusão de ser uma extensão de seu terno preto alinhado. Ichigo estremeceu arregalando os olhos. A boca ficou entreaberta e então um misto de medo, ódio e cansaço apoderou-se dele. Não... Não podia ser, não quando havia chegado tão perto...

– Se você quer algo bem feito...

Aizen disse ao puxar o gatilho e o som único de um disparo ecoou pelo galpão, sujando novamente aquele sinistro cativeiro de sangue.

Continua

Notas finais
Desculpem pelo final trágico!!!!!!! hahahaha v6 me conhecem! Enfim... CENAS DO PRÓXIMO CAPÍTULOOOO Será q Ichigo escapou?! Será que Neriell chegará à tempo para o resgate?! O que acontecerá com Grimmjow?! O que acontecerá com esse casal, agora, separado?! NÃO PERCAM, NO PRÓXIMO CAPÍTULO, NESSE MESMO SITE, A QUALQUER MOMENTO! Kissus peaple ;)