Maipetto no Neko
53 Capítulo 53 - Possessivo
Notas iniciais
Maipetto no Neko
Capítulo 53 — Possessivo
Os dois saíram pela porta do hospital, ambos com a face em branco, sem demonstrar um esboço qualquer de sentimento. Apesar de estar bastante atordoado, Ichigo sabia que por dentro era Grimmjow quem sofria mais.
Entraram no carro em silêncio. O veículo estava quase escondido pela cobertura branca da neve, e foi preciso esperar o motor aquecer até poderem sair. Puseram o cinto de segurança, no entanto Grimmjow permaneceu parado olhando o estacionamento quase vazio e gelado. Apertando o couro do volante, o maior mirava esse espaço solitário pensativo, apesar de não saber ao certo o que pensar.
Tomando fôlego Ichigo deixou as sobrancelhas na costumeira posição consternada e chamou por seu nome:
– Grimmjow?
– Não diga nada.
A frase saiu por entre os dentes dele e o ruivo ainda pensou em abrir a boca, mas a fechou logo em seguida. Nada que dissesse poderia amenizar aquela raiva – que Grimmjow fazia questão de descontar com a direção imprudente, ultrapassando os carros logo assim que saíram do hospital. Ichigo se segurava nas laterais do banco tentando não demonstrar a aflição de ver os outros veículos passar por eles feito um borrão de luzes. Normalmente chegariam a casa dele em uma hora, mas o trajeto foi encurtado por mais da metade. Sentiu até mesmo os dedos grudarem no tecido do assento.
Antes de sair do carro, o ruivo esperou alguma fala de Grimmjow, porém nada veio. Precisou reunir toda sua paciência, pois queria muito sacudir o maior e o tirar do seu pequeno mundinho, mas sabia que precisava ser calmo nessa hora.
Os dois estavam sentindo-se culpados, afinal, deixar Neriell no hospital os deixou no mínimo desconfortáveis. E receber aquela ligação depois de se engalfinharem no sofá! Nossa! Podia lembrar-se do rosto esbranquiçado de Grimmjow ao atender o telefone, a correria para sair de casa e o susto quando chegaram lá...
Contudo, nada mais podiam fazer agora. Estava decidido e acabado. O ruivo sabia ver os pequenos sinais de Grimmjow quanto a isso. Também pudera, Neriell era sua única amiga próxima o suficiente para conhecer seu segredo, para cuidar dos negócios da família e acima de tudo cuidar de Grimmjow nesses anos todos. Ficar chocado com a situação era o mínimo de se esperar do namorado. Mas ele ficou apenas ali, quieto, com a mesma expressão nula, apesar do volante já estar com o couro ao redor gasto. O tecido fazia um ruído irritante, parecendo uma grossa borracha sendo esfregada.
Respirando fundo o ruivo perguntou por fim:
– O que vamos fazer Grimmjow?
Ele, no entanto, permaneceu calado. Franziu a testa voltando o olhar ao chão do carro, torcendo os lábios para dentro, prendendo o urro de raiva que tanto queria soltar.
– Vamos fazer o que deve ser feito...
Respondeu ríspido. Ainda inconformado Ichigo continuou:
– Grimmjow, você não está nada bem. Precisa descansar.
– Eu já descansei demais! – gritou na última palavra batendo as mãos no volante – E olha o que aconteceu com a Neriell!
O ruivo percebeu que um pouco mais de força na segunda pancada no painel do carro e teriam dado adeus a direção do veículo. Antes de retomar a fala, o maior o fez levando uma das mãos à cabeça, jogando as mexas soltas do cabelo para trás:
– Foram dezoito anos descansando, quieto, sem perceber nada! Eu vou resolver isso de uma vez por todas!
– Grimmjow, mas, a Neriell...
– Já acabou. – retrucou de imediato baixando o tom da voz num tom brando – Não dá pra fazer mais nada por ela...
Ichigo engoliu seco afundando o corpo no assento do carro. Bufou. Sentia-se um imprestável, incapaz de ajudar Grimmjow ou pensar numa saída para ele. Se pudesse contar a alguém mais, se tivessem outro ali matutando os pensamentos junto deles talvez achassem uma solução. Mas era complicado e perigoso envolver outras pessoas nessa maldita teia... Nesse labirinto provocado por Aizen.
Porque agora o ruivo sabia sobre as misteriosas intenções do homem. Porque depois de Neriell pode entender o que se passava na mente do então presidente. Ainda se recordava do sorriso um tanto quanto falso do homem de terno e gravata na loja de presentes. Tinha no celular o número de telefone dele. Mas não se atreveu a contar para Grimmjow. Com tantos problemas a resolver isso apenas o irritaria mais – saber de seu não tão coincidente encontro.
Grimmjow estava furioso. Não deixaria passar em branco o que Neriell sofreu. Sentia os músculos do punho rangendo em ressonância com essa raiva, querendo explodir na cara daquele detestável homem. Queria ver sangue, espirrando no chão em todas as direções daquele escritório. Queria pintar o prédio todo de vermelho. E mesmo assim a imagem de Neriell lhe vinha a mente. Ela diria para terem paciência e cautela, caso contrário eles poderiam sofrer inúmeras consequências. E Neriell era prova viva dessas palavras.
– Vamos entrar Grimmjow.
Ichigo o chamou do transe tocando de leve seu braço. Cada tendão estava repuxado, tamanha a pressão que o maior exercia contra o volante.
– Vai embora Ichigo.
Respondeu deixando as sobrancelhas do ruivo ainda mais envergadas.
– Ir embora?! — repetiu enraivecido.
– Quero ficar sozinho. — Grimmjow continuou, porém mantendo a voz ríspida — E não estou com vontade de brigar.
Ichigo bufou engolindo uma das suas respostas a seco. Cerrou os olhos com força pondo a mão sobre a maçaneta do carro.
– Só... Não faça nenhuma idiotice.
Falou antes de sair e ver Grimmjow arrastar os pneus na neve. Ficou ali parado, pensativo. Se fosse outra circunstância o namorado teria pedido para passar a noite com ele. Mas não depois de Neriell. Não depois do que Aizen fez a ela.
Quando recebeu a mensagem perdida de Neriell culpou-se mais do que nunca por ter ficado parado assistindo de camarote Aizen apoderar-se da sua empresa. E todos os envolvidos nessa maldita cadeia de eventos que sucederam a ascensão do engravatado estavam, é claro, cumprindo ordens dele. Até mesmo o homem que havia atropelado Neriell. Naquela altura Grimmjow nem conseguia sentir pena do pobre infeliz. Estava era satisfeito em saber da morte imediata dele no acidente. Um a menos para se preocupar.
Passando feito bala nas ruas da cidade, Grimmjow só conseguia focar sua mente na pequena cena feliz a qual sua cabeça o levava: o belo estrangulamento de Aizen — provocado por ele, claro.
Um sinal vermelho, porém frustrou sua imaginação fértil. Agarrou fortemente o volante ainda deleitando-se com a visão da face destruída de Aizen. Foi quando ouviu um som de motor vindo do lado de fora. Olhou pela janela vendo um carro verde escuro forçando a embreagem do veículo. Grimmjow sorriu. Ele estava mesmo querendo um pouco de emoção.
A respiração ficou ofegante tamanha era a ansiedade. Os olhos vidrados na altura da luz vermelha – a única coisa que os impedia de avançar. Devagar trocava olhares de desafio com o outro motorista, sorrindo numa diversão sádica. O coração bombeava depressa, e então a largada foi dada. O semáforo abriu. Os dois partiram em linha reta contornando pedestres e outros carros atrapalhando a ultrapassagem dos corredores. Grimmjow sentia o vento bater no rosto como se a forte brisa fosse arrancar a pele da face. Era bom extravasar assim. Não precisar se preocupar com nada mais do que os objetos a serem desviados na sua frente. A máquina e ele aceleravam feito um só. Mas foi numa esquina, na hora da virada, que a mente lhe pregou uma peça. Era a voz de Neriell que ecoava, tentando chamar sua atenção para a estupidez daquilo. Grimmjow arregalou os olhos freando em cima da faixa branca bem embaixo do sinal. O outro carro seguiu o caminho feliz com a fácil vitória, enquanto o outro bufava dentro daquele espaço apertado do veículo. Arqueava os ombros, escutando os xingamentos dos outros carros e pessoas ao seu redor. Aquilo havia o deixado pior que antes. Neriell conseguia o atormentar mesmo incapacitada... E num alegre palavrão, Grimmjow urrou sua frustração em alto e bom som, afastando os pedestres queixosos da imprudência do motorista. Aquilo tudo ia acabar o deixando louco! Não tinha paciência para esperar a próxima ação de Aizen. Queria mais do que qualquer coisa esfolar aquele homem vivo. No entanto tinha de se segurar. por Neriell...
– MERDA!
Gritou outra vez socando o painel do carro antes de enfiar o pé no acelerador e sair dali.
_____________________________________________
Ichigo continuou parado na frente de casa mirando o final da rua. Inicio de ano, todos aproveitavam para viajar ou apenas ficar em casa sem fazer nada o dia todo. O bairro, portanto, estava mais calmo do que de costume. Um ou outro vizinho apareceu na janela para ver quem havia saído com tanta pressa de carro, mas mal puderam enxergar o modelo do veículo preto.
Bufando o ruivo coçou a nuca sem ter muito o que fazer. A ida ao hospital havia deixado Grimmjow mais puto do que outra coisa. E ele conseguia entender. Também havia desenvolvido uma forte aversão por Aizen. Ele mesmo queria tirar as coisas a limpo com o senhor engravatado, mas a cautela lhe soava como um pensamento forte.
Por fim entrou em casa com a cabeça ainda quente. O fora de Grimmjow estava entalado na garganta, mas antes de se prender demais a esse pequeno ato falho, ouviu o alto "chamado" de Rukia por seu nome.
– Ichigooo!
O ruivo arregalou os olhos tendo tempo apenas para dar um grito de surpresa, indo ao chão.
– Rukia! — falou num tom repreensivo — Porque você sempre precisa me atacar quando me vê? !
– É a força do hábito. — Retrucou.
– Você está bem Kurozaki-kun?
– Inoue? Você também está aqui?
– Não, Ichigo. Ela é apenas uma miragem.
Rukia sorriu com a própria piada vendo as feições serias do ruivo — com as sobrancelhas quase ganhando vida própria de tão envergadas.
– Quis dizer que: porque vocês duas estão aqui na minha casa?
– Na verdade são três.
A voz de Renji veio do fundo da sala e logo Ichigo pode o ver aproximando-se.
– Aconteceu alguma coisa? — perguntou o ruivo olhando desconfiado para os amigos.
Ao se levantar Rukia tomou a palavra já explicando a ele o motivo da repentina visita.
– Estávamos combinado os detalhes do aniversário do Grimmjow, lembra?
–Sim eu sei.
– Pois bem. Foi então que a Inoue falou com a gente sobre o que aconteceu com a amiga do Grimmjow.
Ichigo engoliu seco baixando um pouco a cabeça.
– A Neriell-san está bem Kurozaki-kun?
Orihime perguntou já percebendo a expressão cabisbaixa dele. O ruivo respirou fundo sem perceber o quanto isso deixou os demais aflitos. Sabia que se dissesse algo a ela poderia acabar com toda a discrição que teve de jurar manter para não prejudicar a Grimmjow ou ele mesmo. Só contasse aos amigos, mesmo sendo eles sobre a ida ao hospital colocaria em risco a vida do namorado — se é que ela já não estava. Ou ainda pior, eles poderiam querer ajudá-lo, o que incluiria novas preocupações. Sua família e amigos ficariam na mira de Aizen. Não. Aquele homem tinha que continuar desinformado. Uma única palavra que chegasse aos seus ouvidos e pronto! O caos estaria instalado. Então... Ele nada disse sobre Neriell. Preferiu fingir-se de tolo.
– Mas... Se esse é o caso não seria melhor adiarmos a festa? — perguntou Inoue, consternada.
– Acho que... Depois de tantos problemas Grimmjow merece um pouco de diversão. — respondeu o ruivo.
– Você tem certeza disso Ichigo? — indagou Rukia cruzando os braços.
– Sim. O aniversário dele será semana que vem. Vamos aproveitar para espairecer. Além do mais, Neriell iria insistir sem parar para fazermos a festa surpresa.
Os três amigos nada comentaram, apenas concordando com murmúrios e gestos positivos.
Batendo uma mão na outra Renji esfregou os dedos pondo o braço envolta do pescoço de Ichigo. E o fez com um estranho sorriso no rosto.
– Já que é assim vamos comprar as bebidas enquanto Rukia e Inoue vão cuidar da decoração!
– Ei porque nós duas?!- Rukia exclamou num sentimento ofensivo.
– Ah Rukia! Cá entre nós você realmente acha que o Ichigo ou eu temos alguma noção do que é bom ou ruim numa decoração de festa?
– Hmmm. Nesse ponto tenho que concordar com você.
– Ah! Kuchiki-san poderíamos comprar toalhas fluorescentes com pedras coloridas que acendessem e ficassem piscando!
– Ótima ideia Inoue! E ao invés de bolas, vamos pendurar cordões repletos de bichinhos de pelúcia!
Renji e Ichigo se entreolharam receosos da escolha que acabaram de fazer.
– Acho que isso não foi a melhor opção... — comentou Renji.
– Tá tudo bem. — Ichigo falou apanhando o celular do bolso, olhando assustado a animação das duas- Eu vou chamar alguém que eu sei que tem noção de decoração.
– Quem?
– O Ishida.
_________________________________________________
Byakuya revirava os papéis de seu escritório a procura de novos materiais para usar em sua pesquisa. Faltavam folhas na impressora e até mesmo a tinta estava acabando. Bufou raivoso buscando o telefone no bolso. Apertou o primeiro número da discagem rápida e esperou o toque da chamada. Depois do quarto a voz eletrônica da caixa de mensagens surgiu. Respirou fundo tentando uma segunda vez e acabando com o mesmo resultado. Não praguejou, mas pensou em um bom número de xingamentos. Justo quando precisava do assistente ele demorava em atender o celular, mesmo após ele ter sido extremamente repetitivo sobre a importância de ficar sempre atento ao aparelho. Renji iria receber uma longa repreensão depois.
Inconformado, apanhou o paletó do cabide e saiu porta a fora. Parou já dentro do carro e com o cinto acoplado telefonou para a irmã antes de dar a partida.
– Olá ni-sama! — Rukia atendeu no pulo.
– Rukia preciso que passe seu telefone ao imprestável do meu assistente.
– O Renji? — ela riu — Ele não está comigo.
– E onde ele se meteu?
– Foi ao centro da cidade comprar algumas coisas para a festa de aniversário. Junto com o Ichigo.
Ichigo... Ichigo... Ichigo... O nome reverberou na orelha do moreno feito um carma. Desligando o aparelho quase que imediatamente. Byakuya girou a chave ligando o motor saindo em disparada para o centro da cidade.
Do outro lado da linha, Rukia tentou alcançar com a voz o irmão, mas já era tarde. Inoue parou ao seu lado analisando a expressão nula de Rukia.
– Está tudo bem Kuchiki-san?
Virando devagar a cabeça na direção da amiga Rukia falou num tom um tanto quanto desesperador:
– Acho que virei cúmplice de um homicídio.
_________________________________________________
– Precisamos mesmo de cinquenta litros de cerveja?!
Exclamou o ruivo ao contar o número de garrafas dentro do carrinho de compras.
– Eu sozinho acabo com uns dez litros! E eu acho que o Grimmjow não fica muito longe disso. Ainda temos você, seus amigos, seu pai.
–A Inoue e o Ishida não bebem... Muito. E tem também minhas irmãs que são menores de idade.
Parando para pensar um pouco Renji sorriu respondendo ao ruivo:
– Eu bebo por eles!
Meneando a cabeça negativamente Ichigo riu das piadas de Renji. Era bom distrair-se um pouco das loucuras nas quais havia se metido.
– Então... Como andam as coisas com seu amor platônico? — perguntou ao tatuado.
Renji, nessa hora sorriu sereno:
– Não é mais platônico.
Arregalando os olhos frente a surpresa da noticia Ichigo sorriu junto do amigo, aproveitando a deixa para fazer algumas piadas maldosas. Uma vingança bem aguardada por ele.
Vindo rapidamente numa segurança moderada, Byakuya avançou o carro pelo centro da cidade à caça de um ruivo tatuado sem o mínimo de noção do perigo. Primeiro ele disse que iria sair com Rukia e agora ficara a sós com Ichigo. Ás vezes pensava que Renji gostava de se meter nessas confusões. E ele... Bom, ele ainda não estava completamente seguro, por assim dizer. Afinal, pelo que pode perceber Ichigo fazia parte de um pedaço importante da vida de Renji. E mesmo que o ruivo tenha dito o quanto o amava esses anos todos, nada se comparava ao estímulo de uma novidade. Byakuya sentia-se como uma peça velha, desgastada, e talvez Renji começasse a vê-lo da mesma forma. Quando ouvia o nome de Ichigo apenas se perdia nesses pensamentos. De que ele era algo do passado.
Foi ao parar no próximo sinal que esses medos apenas se aprofundaram. O centro da cidade era pequeno, e os locais onde os dois poderiam estar eram poucos. Ainda assim Byakuya se surpreendeu quando os encontrou na calçada ao lado. Lá estavam os dois carregando as sacolas de compras, conversando e rindo. Risos alegres de quem aproveita a companhia do outro. Conversas animadas que ele não se lembrava de ter com Renji. No carro Byakuya apertava o volante perguntando-se se o tatuado poderia ter esse tipo de reação com ele. Raramente via Renji sorrir quando juntos, e sempre era por motivos banais.
Respirando fundo Byakuya pareceu retornar a calma costumeira. De nada adiantava ficar ali parado assistindo aquela cena e as buzinas atrás dele já começavam a incomodá-lo. Sereno, guiou o carro para longe dali.
A atenção na rua, porém, capturou o olhar de Renji para o modelo do veículo responsável pela breve confusão. Não, não poderia ser ele. Mas a ligação no celular o fez mudar de ideia.
– Rukia?
Atendeu ouvindo a voz acelerada da amiga:
– Renji!!! Meu irmão está com você?!
– Não, por quê?
Parecendo aliviada, a garota tentou disfarçar a conversa, mas o estrago já havia sido feito. Desligando o aparelho, Renji voltou-se a Ichigo entregando as sacolas de compras, correndo feito um louco ao ponto de ônibus mais próximo.
O ruivo conhecia o temperamento frio de Byakuya. Calculista e comedido, raramente perdia a calma, isso quando a perdia. No entanto lembrava-se das reações dele quando o assunto era Ichigo. Se ele estava mesmo ali, se a visão dele não havia o enganado... Sentia que precisava vê-lo com urgência!
Demorou mais do que o esperado, mas finalmente Renji chegou suando e ofegante na casa do professor. Tentou parecer menos afobado, ajeitando as roupas e esperando alguns segundos para a respiração melhorar. Tocou a campainha, mas a porta já estava aberta. Entrou pedindo licença andando devagar pela casa tentando permanecer silencioso. Subiu as escadas pé ante pé esperando encontrar o professor sentado na cadeira do escritório analisando os papéis como sempre o fazia. Ao abrir a porta pareceu aliviado por encontra-lo na mesa da mesma forma como o havia deixado mais cedo.
– Já de volta Renji? – Byakuya indagou sem prestar a levantar o olhar a ele.
– Sim sensei. Eu já terminei de... Bom, de ajudar Rukia.
“Oh sim, Rukia.” Byakuya pensou mordendo a boca por dentro.
Por um minuto Renji pensou ter se enganado. Talvez não fosse mesmo Byakuya no centro da cidade e ele apenas havia desenvolvido um pouco de paranoia. Ia sentando-se no sofá pronto a receber a próxima ordem do professor, quando ele soltou a bomba que o fez gelar:
– O passeio com Kurozaki Ichigo foi bom?
A espinha do ruivo congelou deixando-o parado no ar acima do sofá. Arregalou os globos querendo se enfiar num buraco. Meu deus era ele mesmo que estava lá na rua parado, vendo-o junto de Ichigo. E pronto, tudo tinha ido por água à baixo!
– Eu... – começou a falar gaguejando – Eu fui ajuda-lo com as compras.
Byakuya continuou calado apenas murmurando grunhidos sem nexo. A cadeira do escritório estava inclinada deixando Renji curioso quanto à reação dele. Contudo não conseguia o imaginar mudando aquela expressão fria da face.
– Se queria tanto o encontrar poderia ter me dito desde cedo.
A resposta veio como um tiro atravessando o peito de Renji. Ele não queria encontrar com Ichigo. Quer dizer, precisava, mas não era uma necessidade imediata dele! O pior de tudo era ter de ouvir esses comentários do moreno sem saber ao certo como revidar. Essas palavras sem emoção alguma, mas que revelavam toda a angústia sentida por ele. Num pulo Renji saiu da posição desconfortável do sofá parando ao lado da cadeira do professor. Tinha as feições sérias como se fosse lhe desferir algum tipo de golpe. Byakuya apenas o encarou por um breve segundo, e depois voltou a analisar o documento que segurava:
– O que quer agora Renji? – perguntou parecendo o ignorar.
Segurando o paletó engomado de Byakuya, o ruivo pode ver o soco vindo em sua direção, mas não se importou. Beijou-o mesmo assim. O punho do moreno parou no ar sem entender ao certo o que Renji queria. Iria bater nele ou o beijar? O que ele estava pensando naquele momento? E porque o nome de Ichigo insistia em perturbá-lo num momento desses?
O ruivo por sua vez apenas queria puxar de dentro do professor alguma reação, uma palavra de fúria que fosse! Pois vê-lo sempre tão comportado ao falar com ele o irritava mais que tudo, Nunca conseguia saber ao certo os sentimentos de Byakuya, e isso o machucava mais do que qualquer coisa.
Naquele dia na chuva foi a única vez que conseguiu alcança-lo de alguma forma. No entanto ainda via uma enorme distância entre eles. Ele mesmo não era bom com as palavras. E Byakuya, bom, ele jamais diria alguma coisa, mesmo que pressionado – a não ser que fizesse isso.
O beijo o desconcertava, as carícias faziam-no mover o corpo quase que involuntariamente. O moreno subia as mãos ao pescoço do tatuado o envolvendo num apertado abraço enquanto corava de leve ao ter as nádegas apertadas. A língua de Renji subia e descia dentro de sua boca não dando descanso ao professor. A carne quente se debatia acariciando sua língua fortemente, quase tomando o espaço dela no interior a boca. Já os dedos, apertavam a parte de trás de Byakuya o puxando para si sem dar espaço a qualquer tipo de escapatória.
Num súbito momento de liberdade, Byakuya afastou o rosto dele parecendo enraivecido, dizendo a plenos pulmões:
– O que pensa que está fazendo?!
– Podemos continuar aqui ou no quarto.
Renji falou deixando os olhos acinzentados de Byakuya se arregalarem. Ele não estava brincando. Continuaria ali mesmo se o deixasse. Não que o moreno desgostasse desse jeito mais impetuoso do aluno... Enfim, bufou apontando a cabeça em direção a porta do escritório.
Foram se debatendo pelas paredes até o quarto. Renji não deixava que o moreno tomasse nenhuma iniciativa: segurou-lhe as mãos, prendeu suas pernas e forçava sua cintura sobre a do outro, sentindo o volume sobre a calça arrumada dele.
O peso de Byakuya caiu sobre o colchão desarrumando a cama. Os cabelos foram soltos imediatamente deixando os fios contrastarem com a brancura do lençol debaixo deles. Depois a cor rubra das melenas de Renji juntou-se a elas ao descer procurando por um novo beijo. O moreno deixou os braços esticados ao lado do corpo, até, por fim, ser impossível aguentar a vontade de agarrar Renji. Enroscou-os nas costas largas dele, deixando-o continuar o caminho por seu corpo. Primeiro sentiu os lábios serem soltos pela boca do tatuado, deixando um grunhido escapar quando o fez. Depois os músculos do pescoço aqueceram-se com a língua de Renji ali. A cada lambida Byakuya tencionava as pernas, apertando os ombros do maior sobre ele. Os primeiros botões da camisa clara foram abertos devagar como se a demora em passar cada um deles pelo buraco fosse proposital.
A pele branca de Byakuya parecia cada vez mais tentadora. Renji ainda não compreendia como conseguia segurar a vontade de possuí-lo naquele mesmo instante. Mas antes disso, queria deixa-lo louco. Com uma das mãos ia abrindo a camisa alinhada do professor, enquanto a outra se arrastava nas laterais de sua cocha, sentindo os músculos rijos devido as contrações de Byakuya. Terminou de afastar cada um dos lados da blusa expondo o peito já descompassado do moreno. Deitou a língua sobre ele, lambendo o meio, para então deliciar-se com o logo suspiro do professor quando abocanhou um dos seus mamilos. Sugou-o ferozmente dando suaves lambidas na ponta dele ao erguer o rosto.
Porque Renji estava tão... Determinado? Byakuya mal conseguia responder a própria pergunta, mas era como se essa voracidade escondesse a raiva do aluno. Ele não gostava de ouvir a verdade, talvez, sobre ele e Ichigo. Se fosse mesmo isso, o que era Byakuya? Apenas uma peça sobressalente?
Mas... Não. Não era isso o que Renji pensava. Ele tinha outras intenções. Claro, além de abusar de Byakuya. Ele queria mais dele, queria respostas, queria ouvir sua voz alterando-se! E só conseguia fazer isso na cama.
Continuando a descida da boca, Renji desabotoou a calça, desacelerando a velocidade com a qual abria o zíper. Essa vagarosa ação deixara Byakuya alucinado! O que ele queria?! Vê-lo enlouquecer? Sim, era isso mesmo.
Depois de intermináveis segundos a calça estava aberta e o tecido de baixo já apontava para cima devido à ereção do moreno. Agarrando com os dentes a parte de cima do tecido, Renji puxou-o para baixo, vendo Byakuya por completo agora. As bochechas do professor não puderam evitar a cor avermelhada, algo com o qual Byakuya nunca ia conseguir se acostumar – ter Renji o expondo dessa maneira.
Feliz com o resultado parcial Renji começou a verdadeira tortura: molhou os lábios engolindo duma vez a pulsação do membro de Byakuya. Veio o primeiro espasmo junto do grito abafado pelo espesso ar vindo do pulmão. Depois de fluir a boca até a base da excitação ele voltou vagarosamente até a ponta, onde deixou a língua resvalar. Envolveu o falo do moreno com a mão pressionando-a contra o músculo. Byakuya engalfinhou quase que de imediato os dedos no cabelo do ruivo. Mas teve as mesmas afastadas quando ele levantou o corpo, ficando desamparado. Tentou mirar Renji querendo decifrar suas intenções e estranhou o semblante sério dele. Antes de questioná-lo, porém, o ruivo provocou-lhe outro espasmo, e por fim chegou as seu objetivo: interrogar Byakuya.
– Sensei... – começou com a voz suave – Porque o senhor não gosta do Ichigo?
Byakuya podia dar um soco nele agora. Contudo o aperto da mão de Renji sobre seu falo o deixou molenga na cama. Ergueu os braços numa tentativa frustrada de se levantar, pois o ruivo jogou-o de volta no colchão, tornando a molestá-lo.
– O que está... Fazendo?! – Byakuya exclamou com a voz perdida entre a respiração fraca.
– Quero que responda sensei: você não gosta do Ichigo? Ou não gosta de me ver com ele?
Bem no alvo. O brilho no olhar de Byakuya tomou um tom enfurecido. Ele havia tocado num ponto sensível do professor: seu orgulho em não querer admitir algo tão visível – que era extremamente ciumento.
Sem ouvir uma resposta, o ruivo tornou a excitar Byakuya, lambendo mais uma vez o membro do professor pelas laterais. As costas dele envergaram para cima, fazendo o cômodo ser tomado pelo alto grito do moreno.
– P-pare com isso Renji!
Pediu, em vão. Ele não iria parar até conseguir a confissão que queria.
– Me diga sensei. Porque você foi atrás de mim hoje? Porque você sempre fica com raiva quando o nome do Ichigo é colocado na conversa.
Relutante, Byakuya remexeu o corpo, porém continuava preso pelas investidas de Renji, o enfraquecendo. Segurava o lençol o desarrumando, e ao tentar levantar outra vez teve o peso do ruivo jogado contra si. A língua tornou a lambê-lo incansável, e a rigidez do falo apenas aumentava.
– Me diga sensei...
Renji sussurrou em seu ouvido deixando-o completamente sem alternativa. Até ouvir a voz dele:
– Você... Ainda gosta de Kurozaki Ichigo, — disse.
Renji o encarou com o rosto acima do dele. O moreno queria desviar o olhar, mas mal conseguia respirar.
– Sim, eu gosto dele.
A resposta pareceu dilacerar o coração de Byakuya. No entanto, antes de ataca-lo com outras palavras Renji retomou a fala:
– Assim como eu gosto de todos os meus amigos.
Meneando negativamente com a cabeça, Byakuya prosseguiu:
– Não, com ele é diferente! – o tom aumentou numa espécie de desespero – Você e ele tiveram algo! Ele significa muito mais para você!
Bufando, Renji o impediu de continuar:
– Se eu fosse contar todos os amigos com quem já fiquei não íamos sair daqui hoje.
A revelação pareceu deixar Byakuya ainda mais desconfortável, e então ele foi adiante:
– O que eu tive com o Ichigo ou qualquer outra pessoa já está no meu passado.
– Mas eu também faço parte desse seu passado. – afirmou cortando sua fala.
Afastando um bocado seu peso, Renji pareceu ter desistido do questionário. Mas ao invés disso encontrou-o num novo beijo. Quando o deixou para olhar a face rubra do professor, o tatuado continuou o discurso:
– Você sempre fez parte de mim sensei. Meu passado, meu presente e meu futuro. Nele só tem você.
– Renji, eu...
– Você o que sensei?
Querendo e não querendo falar, o moreno tentou recolher um pouco da coragem que ainda possuí-a, afinal, ficar naquela posição debaixo de Renji apenas o deixava mais desconfortável.
– Eu não sei como pode dizer que eu sou quem você quer. Não sou como seus amigos, nem como Kurozaki. Eu sou...
– Você é perfeito sensei. – interrompeu-o, deixando Byakuya ainda mais corado – Ninguém é como você, por isso eu só te quero cada vez mais. Não me interessa nenhuma outra pessoa. Ou você acha que eu fiquei remoendo sobre um único professor por mais de dez anos por esporte?
O professor não soube responder.
– Você é louco Renji...
E pela primeira vez, ao menos para ele, Byakuya conseguiu ver um largo e brilhante sorriso espalhado pelo rosto de Renji. E aquele sorriso, que era só para ele, valeu por quase uma vida inteira.
– Eu sou louco por você... Byakuya sensei.
Dessa vez o ruivo deixou que o moreno levantasse do colchão, pois ele queria alcançar sua boca. Abraçou suas cotas trazendo-o para si na cama. Dizia abafado o nome de Renji em seu ouvido, conseguindo, finalmente, quebrar seu limite.
O tatuado tirou a blusa terminando de fazer o mesmo com a de Byakuya. E o professor gostava de ver o desenho das tatuagens se movendo pelo corpo de Renji. O peito subia junto do abdômen e as linhas pretas pareciam caminhar por aquela pele amorenada. O cabelo vermelho caía sobre seus ombros deixando os fios longos resvalarem na cútis. A visão inteira de Renji parecia passar em câmera lenta na frente de Byakuya. Mas logo ele foi ao seu encontro, deixando-o nu sobre a cama.
Ainda tinha muitas dúvidas e medos rondando sua mente, mesmo naquele momento. Mas ele queria provar de Renji, ter sempre mais e mais dele. E saber que esse desejo também vinha do ruivo o deixava feliz. E aquele sorriso... ah! Finalmente um sorriso apenas dele – para ele. Não podia contar ao aluno, mas se pudesse ficaria horas a fio olhando-o apenas sorrir. Fosse quem fosse Byakuya não deixaria ninguém mais tê-lo.
Os braços já nem mais podiam ser distinguidos. Engalfinhavam-se no colchão derrubando o lençol e os travesseiros no chão. As molas rangiam a cada movimento, bagunçando a alinhada arrumação do professor.
Quanto a Renji, ele adorava vê-lo derrubado diante dele, sem forças, sem palavras, submisso. Podia tocá-lo, lamber aquele corpo magnífico sem receber nenhuma repreensão. E não importava quantas vezes o vislumbrasse jamais se cansava dele. As íris tremeluziam só de ver as curvas da lateral do abdômen, cada uma delineando a musculatura fina de Byakuya, num desenho sublime. Gostava ainda mais de arrastar bruscamente as mãos por aquela pele clara observando a vermelhidão emergindo dela em cada local tocado. O moreno girava a cintura para os lados soltando os primeiros gemidos, completamente imerso na brincadeira de Renji.
Byakuya, no entanto, sempre ficava a mercê do ruivo. Não que fosse ruim ter um homem como Renji em cima dele, mas não apreciava muito esse cenário onde era inteiramente mandado.
Nisso, agarrou as costas do tatuado o forçando a se jogar na cama. Beijou-lhe em seguida o impedindo de protestar. Ergueu o corpo sentando-se por cima dele com uma das mãos sobre seu pescoço.
– Sensei? – Renji indagou confuso da reação dele.
E mais ainda: estranhava o olhar sério com o qual o professor o mirava apesar da face continuar avermelhada.
– Vamos mudar um pouco as coisas por aqui, Renji.
Ele disse deixando-o ainda mais confuso.
– Como assim?
Byakuya se abaixou ficando a beira de seu ouvido sussurrando:
– Você não se mexe, até eu falar que pode.
Arregalando os globos castanhos, Renji não soube como responder nem se deveria. O moreno deslizou a face sobre o peito dele, começando a beijá-lo. Renji gemia de leve com as mãos coçando para tocá-lo, mas bem adestrado como era, ficou parado.
Byakuya se escondia atrás dos cabelos negros, tentando impedir a vergonha de ser vista pelo outro. Aquele tipo de... Brincadeira. Deus! Há tanto tempo não agia dessa forma! Era tão mais fácil deixar Renji comandar! Contudo tinha vontade de enfiar um pouco de respeito naquele moleque. Queria vê-lo se desfazer, implorar por mais dele. Pois assim sentiria que Renji o pertencia cada vez mais. Levantou-se de cima do aluno descendo as pernas para baixo. Pode ver a excitação de Renji tendo uma ideia.
– Erga sua mão Renji.
Ele mandou e como um cãozinho obediente o ruivo estendeu o braço no ar acima da cintura.
O professor por sua vez segurou seus dedos fazendo-os se encontrarem com o próprio membro. O tatuado engoliu seco deixando as bochechas coradas.
– Comece.
A ordem veio, e cerrando os olhos Renji nada mais pode fazer a não ser acatar as ordens diretas de Byakuya, vindas como um raio no meio da voz pesada e firme do professor. Ele segurou sua excitação movendo a mão para cima e para baixo. Soltava grunhidos remexendo a cabeça para trás no colchão.
– Com mais força.
O moreno falou e Renji mordeu o lábio inferior quando apertou os dedos sobre o falo já molhado. Esticou o pescoço para cima quando aumentou a velocidade abrindo a boca e soltando um alto gemido.
– S-sensei! Eu-eu não aguento mais! P-por favor!
A súplica causou um imperceptível sorriso em Byakuya. Então, ele segurou a mão do ruivo chegando o rosto próximo ao dele:
– Então venha de uma vez.
Disse incapaz de continuar apenas assistindo ao aluno dar prazer a si mesmo. As maças do rosto vermelhas deixaram o moreno louco. Cada gemido o fazia querer ser tocado por Renji mais e mais. E agora já não poderia esperar. Deu a ordem, fazendo o tatuado saltar da cama feito um animal, o agarrando e o jogando no colchão. Sem conseguir esperar Renji desceu a boca ao meio das pernas do professor sugando seu membro com vontade. Byakuya gritou de imediato abrindo os olhos em seguida com o susto excitante ao ter Renji lambendo sua entrada. A língua lasciva lambia aquela parte enquanto Renji colocava um de seus dedos ali. O moreno levou as mãos à boca tampando os gritos impossíveis de serem domados, até que Renji não mais conseguiu conter-se. Segurou o próprio membro o empurrando no interior de Byakuya. As mãos logo saíram da frente do rosto do professor. Enfiando-se no lençol da cama, gemeu, urrou ao ter seu interior violado assim.
Renji mal conseguia aguentar-se de pé e fazia questão de ir devagar, pois não queria machuca-lo, muito menos chegar ao clímax tão cedo, afinal, a brincadeira consigo mesmo havia feito boa parte do trabalho.
Abraçando Byakuya o ruivo deitou sobre seu corpo suado, beijando-o. O ósculo os fazia esquecer-se da ação mais abaixo deles, dando-lhes um pequeno espaço para respirar. Mas era extremamente difícil para Renji manter a paciência junto do professor.
– S-sensei – gaguejou ao largar a boca carnuda dele – Posso... Eu posso continuar?
Vendo o olhar pidão dele Byakuya assentiu positivamente com os olhos, incapaz de negar coisa qualquer ao brilho castanho dos globos de Renji. A estocada veio rápida, adentrando o mais fundo possível nele. A voz ficou entalada na garganta, mas no movimento seguinte o moreno a soltou em um gemido trêmulo. Renji o abraçou apertando um corpo contra o outro. Rebolava a cintura sentindo Byakuya cada vez mais apertado quando o fazia. O ombro doeu ao ter os dentes do professor cravados no músculo, no entanto isso não o impediu de continuar. Até que, então, num largo grunhido, Renji sentiu o líquido escorrer para dentro do moreno, enquanto o calor emanava por Byakuya fazendo-o estremecer. O peito de Renji estava desregulado. Mal conseguia respirar e o moreno encontrava-se no mesmo estado. Só que ainda restava uma parte do trabalho a ser feita, e antes que Byakuya relaxasse demais o ruivo soltou-se do abraço indo com os lábios diretamente na ereção do professor. Este só teve tempo de ficar boquiaberto, jogando a cabeça para trás em seguida ao ter o membro engolido daquela forma tão bruta e ao mesmo tempo apaixonante. Não tardou muito, Byakuya deixou o êxtase tomar conta de si escorrendo dentro da boca de Renji.
Foi então que, satisfeito, o tatuado deixou o cansaço tomar conta jogando-se na cama ao lado do moreno. Respirava apressado, mas ainda conseguia acariciar as melenas negras ao seu lado passando os dedos sobre os fios longos e brilhantes. Num sorriso, ele beijou a bochecha de Byakuya se enfurnando nos seus braços.
– Eu te amo Byakuya-sensei.
Ele falou como o bobo apaixonado que era. Entretanto Byakuya também estava mais do que contente, não podendo esconder o rápido sorriso em seus lábios. Deitou os dedos sobre a relva vermelha do querido aluno respondendo:
– Eu também... Te amo.
Relutou em dizer as últimas palavras. Mas quando viu já as tinha dito. Renji ergueu-se num pulo encarando assustado a expressão de confusão de Byakuya. E então ele apenas sorriu beijando o professor e tornando a deitar-se sobre seu peito. O moreno continuou abobalhado, porém mais do que satisfeito.
Ele havia sorrido de novo.
____________________________________________
– Aizen-sama.
Gin entrou pela porta do quarto do imponente mestre. Ele terminava e vestir a camisa branca de seda.
– Gin.
Disse seu nome fazendo entender o recado. Delicadamente o manso serviçal abaixou-se À frente dele segurando o primeiro botão da base da blusa. As falanges finas de Gin quase não tocavam a pele de Aizen quando passava cada um dos botões para o outro lado terminando de aprontar seu senhor. Pouco a pouco o abdômen e o peito de Aizen foram cobertos pelo suave tecido enquanto Gin limpava os pequenos pelos sobre o pano.
Virando-se de costas o ainda presidente mirou o calendário à esquerda de quarto.
– Falto pouco senhor? – Gin perguntou mostrando o largo sorriso de raposa de sempre.
– Sim. Grimmjow-kun faz aniversário na próxima semana. – respondeu-lhe.
– Então tudo já está pronto?
Aizen sorriu diante da sua imagem espelhada no vidro à sua frente. Depois caminhou vagarosamente até a beirada da cama onde uma pequena caixa vermelha estava disposta. Abriu-a vendo o brilho arco-íris da pedra do hougyoku e enquanto ainda a vislumbrava falou confiante:
– Agora falta muito pouco Gin.
Colocou seu paletó ainda segurando caixa. Pôs um pequeno papel branco sobre ela onde na frente havia escrito os dizeres: “Feliz Aniversário”.
– Espero que Grimmjow-kun goste do meu presente.
Continua
Fale com o autor