Maipetto no Neko

50 Capítulo 50 - Um beijo e um abraço


Notas iniciais
Eba! Voltando a postar esse capítulo para vocês o/ Espero que gostem! Muitas revelações, muitas conversas, pegações e... Drama!!!

Lembrem-se de não me odiarem ao terminar a leitura!!!!

Kissus meus queridos!!! E boa leitura

Maipetto no Neko

Capítulo 50 – Um beijo e um abraço


Chovia tal como um dilúvio bíblico. As muitas gotas batiam unidas nos telhados retumbando feito uma bateria. A água escorria para os bueiros imitando o som de cachoeiras. Da janela, passava o vento gelado enchendo o ambiente com um ar mais denso.


Em meio ao abraço que se seguiu do beijo os dois ficaram parados procurando o calor um do outro. Mas as roupas molhadas dificultavam a transmissão dessa ternura.


Aconchegado entre os grandes braços do ruivo, Byakuya apoiava a pesada cabeça sobre seu peito, descansando os olhos para se livrar da tontura. Esticara um pouco os joelhos, permitindo a passagem da cintura de Renji entre eles. O aluno continuava ajoelhado, porém suas mãos o envolviam, segurando as costas finas do professor. Byakuya deixou os braços caírem na lateral, achando-se uma criança recebendo o acalanto adulto.


Renji deixou o queixo repousar na cabeça do moreno, curvando o tronco para alcança-lo. Queria ficar assim até a vermelhidão da face desaparecer. O furor passando pelas bochechas o enchia de ansiedade. Mesmo desconexo pode notar nas súplicas de Byakuya o desejo de expressar algo além da luxúria. Falara de Hisana, Rukia, da vergonha que causaria á família por estar com alguém como ele. E se o professor se preocupava tanto assim a ponto de embriagar-se, a ponto de implorar, então havia se enganado. Talvez ele representasse algo mais do que imaginara.


Um calafrio percorreu a coluna de Byakuya. Os pelos ouriçaram, e a tremedeira foi envolta pelo tatuado o apertando mais contra seu corpo, procurando aquecê-lo. Movia as mãos para cima e para baixo, mas de nada adiantaria enquanto continuassem ensopados daquele jeito – ainda mais com o clima esfriando.


Pigarreou afastando gentilmente Byakuya de si, notando a relutância do moreno ao ter o conforto proporcionado por Renji negado.


– O senhor precisa tomar um banho quente. – disse, ponderando um pouco em seguida – E eu também.


Ao arregalar os olhos acinzentados a face do professor ruborizou, e o ruivo pode perceber a vergonha se instalar nele. Não pelo medo de ser visto nu, mas por imaginar o aluno o ajudando até mesmo a se banhar.


Sem dizer uma palavra, Byakuya foi levantando, ainda usando o ruivo como apoio. Recostou-se na parede, perguntando onde era o banheiro. Seguia a indicação de Renji, falando:


– Irei primeiro.


Trocando um pé pelo outro chegou à porta, sendo seguido por Renji, pronto a ampará-lo caso fosse preciso. Adentrou no cômodo quase fechando a porta na cara do aluno o assustando. Depois o ruivo disse:


– Ao menos destranque a fechadura.


Ele nada respondeu, mas Renji pode ouvir o clique do lado de dentro liberando a entrada.


Bufou pensando em seguida: “Roupas. Ele vai precisar de roupas.” Foi ao seu quarto buscando nas gavetas algo do gosto do professor. Encontrou apenas uma blusa de mangas compridas marrom, e uma calça jeans. Melhor do que nada.


Com a visão ainda turva Byakuya preferiu sentar-se para remover as roupas. Fez isso na velocidade mais lenta possível, jogando as vestes molhadas dentro da pia.


Ligou o chuveiro, vendo a banheira dentro do box. Menos mal, não precisaria ficar de pé. Esperou que ela enchesse para então se enterrar dentro da banheira. A morna água logo o relaxou. Continuava embriagado, no entanto começava a tomar posso dos seus movimentos, recordando melhor o que ocorrera minutos antes.


Na sala perdera a noção de tudo a sua volta. Parecia flutuar no meio do nada, vagueando por seus próprios pensamentos. E neles as palavras misturavam-se ainda sem saber como, indo direto á sua boca, por onde saíam sem passar num filtro mental.


Ele agora sabia. Cada detalhe sórdido, cada ínfimo segredo não mais estava confinado aos seus próprios arreios. Havia libertado, praticamente arremessando todas essas verdades em cima de Renji. E não poderia voltar atrás. Desmentir o que dissera seria vergonha demais para ele. Precisava aceitar os fatos, e tentar, de alguma maneira, lidar com essa situação.


O que Renji estaria ponderando sobre ele nesse instante? Como receberia estes sentimentos? Se os recebesse... Usar esse termo parecia irreal. “Sentimentos”; amor, paixão. Essas coisas não eram nada carnais. Tratava dum ponto mais profundo, um lugar trancafiado dentro de si.


Ele é, sem dúvida, um homem complicado; dúbio, melhor dizendo. O professor sabia disso, pois uma das suas melhores análises tratava de si mesmo. A sabedoria que é transmitida pelos séculos, acatada pelos mais meticulosos: antes de enfrentar um inimigo, deve-se conhecer a si mesmo. Isto é encontrar suas fraquezas e usar esta aprendizagem ao seu favor, jamais deixando os outros tirarem vantagem sobre você, buscando sempre assim superar essas desvantagens. Renji era sua fraqueza. E Byakuya não fazia ideia de como lidar com ele, como apagar esse sentimento dentro de si, pois se o fizesse, perderia o querido aluno, algo que nunca havia imaginado.


Essa pequena cautela não fazia parte da personalidade de Grimmjow. Neriell mal acabara de o alertar sobre Aizen, e a primeira ação que tomou foi confrontá-lo sobre os estranhos números na empresa. Foi um pouco antes das dez da noite. A chuva já caía por mais de uma hora, e parecia que iria continuar pelo resto da madrugada.


Chegou ao andar da presidência com os pés encharcados deixando as pegadas no carpete até a sala de Aizen. Como de costume não se anunciou, encontrando a mesa vazia, mas repleta de documentos. Ouvindo nada mais além do som da chuva aproximou-se da papelada próxima do computador.


Folheando rapidamente pode reparar o nome de pequenas empresas, representantes e outros casos antigos tratados há pelo menos dois anos por advogados da firma. Nada de anormal nisso, a não ser a repetição dos números na pauta, pois muitos deles iam se alterando até o final da folha – e eram entradas recentes.


Claro, as alegações de Neriell pipocavam em sua cabeça. Talvez não fosse muito inteligente, mas mesmo ele compreendia aquilo.


– Grimmjow-kun?


Era a voz de Aizen, parado na porta lateral do escritório, onde havia diversos arquivos guardados. O homem estava sem os óculos, e tinha os cabelos voltados para trás.


– Trabalhando até tarde Aizen? – perguntou ironicamente.


– Eu sempre trabalho até tarde, Grimmjow-kun. – respondeu sorrindo.


– O que é isso?


Os papéis balançavam nas mãos do já irritado futuro presidente. Aizen porém não se deixou abater, continuando a sorrir duma forma quase debochada de tão calma.


– São documentos antigos, Grimmjow-kun. – falou.


– As datas de entrada dizem outra coisa.


– Isso porque constam do período de revisão desses casos. Afinal, os nossos arquivos precisam permanecer atualizados.


Aquilo não estava sendo muito convincente. Grimmjow permanecia o encarando sério, sem soltar os papéis.


– Nesse caso – continuou as indagações – me explique porque esses números se alteram tantas vezes ao longo da pauta? Uns aumentam muito, outros diminuem... Se fosse uma revisão qualquer as alterações não deveriam ser tantas.


Para a surpresa de Aizen ele havia ficado mais perceptivo. Sentia a presença de Neriell nisso. Divertiu-se com o pensamento da mulher o ensinando alguma coisa. Mas ele continuou imponente, rígido e imutável feito uma estátua. A face não mudara nem a postura, mas Grimmjow pode notar a transformação na aura dele – uma energia densa e pesada.


– Concordo com você Grimmjow-kun, aliás fico muito satisfeito em vê-lo com tamanho interesse na empresa. Seus pais estariam orgulhosos.


A frase mexeu com Grimmjow. Não gostava de se lembrar dos pais tão pouco imaginar decepcioná-los.


E nessa sentença Aizen conseguira o desestabilizar.


– Mas respondendo a sua pergunta, é justamente por conta dessas alterações que estou aqui nesse horário.


Grimmjow estranhou, erguendo uma das sobrancelhas. Tinha capacidade mais do que suficiente de compreender as mentiras disfarçadas de Aizen. Mas a lábia do homem transcorria feito veneno se infiltrando aos poucos por seus ouvidos, e o paralisando, sem dar-lhe chance de perceber isso. O que o então presidente falava fazia sentido, porém assim também fazia o que Neriell dissera.


– Como pode ver os cálculos não batem. – prosseguiu Aizen – Isso poderia apenas ser um erro de digitação, alguém descuidado, no entanto são muitos deles.


O homem respirou fundo, como que preocupado – ou tentando parecer assim.


– É triste admitir, mas acredito que ouve um desfalque na empresa. E o pior de tudo, Neriell percebeu antes de mim. Uma vergonha, já que eu deveria vigiar essas questões. Devo desculpas a ela, e principalmente a você, Grimmjow-kun. Depois de tantos anos de confiança, um erro desses é no mínimo impagável.


Grimmjow atrapalhou-se por um momento, pois nãos esperava uma confissão. Depois, mais calmo, indagou-lhe – querendo extrair mais dele:


– Um desfalque?


– Sim, e me dói dizer que foi por minha culpa. Deveria ter prestado mais atenção nesses movimentos tão discrepantes; mas são tantos afazeres... Ora, mas o que estou dizendo! Procurando desculpas mesmo quando errado! Creio ser por conta da minha ineficiência em lidar com a nova tecnologia de arquivamento! Computadores são um mistério para mim...


Cada vez mais Aizen o envolvia numa teia. Primeiro não se exaltou com a presença dele ali. Depois confessou – mesmo de maneira deturpada – os problemas afetando a empresa, e agora tentava criar um bode expiatório onde por a culpa.


Ainda que Grimmjow tivesse suas dúvidas e um sexto sentido o alertasse das incoerências do homem, ainda lhe faltava um prova concreta e definitiva, pois apenas observar Aizen repleto de documentos não o incriminaria de nada. Afinal, seu trabalho era o de lidar com esses relatórios.


Aizen era o melhor advogado que conhecia, ou ainda, o melhor do país. Ele conseguia ludibriar com a fala, desmembrar verdade usando seu olhar frio e certeiro – capaz de penetrar sua alma. Por fim essa combinação unidade ao seu vasto conhecimento sobre direito o transformava numa verdadeira máquina, um dicionário ambulante, que juntava em coerência todas suas palavras e termos. Sem por menores, Aizen era um inimigo poderoso – e seu currículo era bem longo.


E Grimmjow estava lá de pé, bem diante dele, tentando não se abalar pelo poder do homem.


Ponderando a próxima estratégia – um ato complicado para Grimmjow – ele decidiu ir embora. Largou os documentos sobre a mesa, ainda com as letras e números gravadas na mente. Despediu-se de Aizen, dizendo precisar ficar sozinho um pouco e por as ideias em ordem. Tinha de falar com Neriell e... “Puta Merda!” Pensou ao se dar conta que não veria mais Ichigo naquela noite.


Vendo o jovem futuro presidente sair, das sombras do andar mais alto da empresa, Gin emergiu feito um só com a escuridão. Caminhou em silêncio adentrando o taciturno escritório. Lá estava Aizen de pé diante da janela. Apenas a luz das trovoadas lhe contornavam o corpo estático que mirava o carro indo embora do estacionamento. Gostava de observar a todos daquela janela onde o mundo parecia pequeno na frente dos seus olhos, e ele seria o único ser acima deles.


Sem precisar encarar Gin falou na voz aveludada:


– Pode guardar isso Gin; Grimmjow-kun veio apenas para uma visita rápida.


Dito isso o lacaio moveu a pequena adaga da mão a escondendo de volta na dobra do kimono branco que usava – ele divertia-se com as vestes tradicionais, parecendo brincar um jogo infantil ao parecer tão inocente dentro desse tipo de roupa.


– Que pena.


O homem raposa replicou ao ter seus ‘serviços’ negados por seu mestre.


– Ora, não fique tão desaminado.


E Aizen decidiu girar o corpo podendo ver Gin agora.


– Você ainda terá a chance de se divertir.


– Oh, e qual será o próximo passo, senhor? – indagou animando-se.


Aizen sorriu.


– Nós vamos caminhar adiante. Mas precisamos nos livrar de um empecilho secundário. A presença dessa pequena pedra pode atrapalhar mais do que o esperado o andar da carruagem.


– Quando eu devo cuidar disso, senhor?


– O mais breve possível. E por breve digo sua primeira tarefa amanhã bem cedo Gin. Dê um longo beijo e um caloroso abraço em Neriell por mim. Depois, teremos o caminho livre para executar o ponto alto da minha obra-prima.


Gin sorriu de volta esgueirando-se de volta à escuridão. Tinha de criar sua estratégia, usar seus melhores artifícios, afinal, o homem raposa era um profissional!


Logo Aizen tornou a ficar a sós com seus pensamentos egocêntricos.


– Breve... Muito breve...


Repetiu para si mesmo tornando a sorrir.


A porta bateu usando a força do vento como impulso ao criar o alto estardalhaço no corredor do prédio de Neriell.


– Você foi fazer o que?!


Esbravejou a dama de cabelos esverdeados arremessando as almofadas do sofá em cima de Grimmjow. O maior tentava se esquivar rodando por detrás dos móveis, mas a mira da mulher estava melhor do que nunca.


– Calma sua louca, deixa eu explicar! – replicava Grimmjow.


– Mas só podia ser um retardado mesmo! Como você me vai lá sozinho no meio da noite confrontar aquele duas-caras, sem vergonha do Aizen?!


– Eu já disse que precisava falar com ele!


– Falar o que?!


Ela parou quando as almofadas se esgotaram do alcance de suas mãos. Ofegante ficou parada esperando a continuidade de Grimmjow:


– Precisava falar com ele sobre o desfalque! Saber se ele conhecia dos problemas da empresa!


– É claro que ele sabia! Não está óbvio?!


– Neriell tu me mostrou um monte de números e eteceteras, mas nada que apontasse diretamente para o Aizen!


– Eu não acredito na sua burrice! Está realmente tentando o defender?! Seu idiota sem noção alguma!


Num pulo Neriell tornou a apanhar as almofadas largadas pelo chão. Segurou firmemente uma delas dando golpes contínuos e rápidos contra as costas e a cabeça de Grimmjow. Ele gritava, repudiando as ações da mulher, mas não tentou pará-la.


Indo parar no canto duma parede, Grimmjow ergueu os braços numa posição de defesa, urrando antes de deixa-la continuar os ataques incessantes:


– PARA COM O ATAQUE DE PELANCA E DEIXA EU ME EXPLICAR!


Bufando, Neriell parou poucos instantes antes de dar-lhe outra almofadada. Rodou o corpo exausta jogando-se, por fim no sofá.


– Vamos lá Grimmjow, disserte sobre o momento mais boçal da sua noite.


Acalmando-se, o maior apoiou as mãos no sofá continuando de pé.


– Sei que eu sou impulsivo. – falou por fim vendo a concordância no rosto da mulher – Mas eu precisava ver com meus próprios olhos Neriell, entenda isso!


Ela respirou fundo, já sabendo onde o amigo queria chegar. Para Grimmjow cortar laços dessa forma tão abrupta era difícil, mesmo quando a outra ponta da corda não prestava. Isso porque perdera tudo muito cedo. E nunca houve um equilíbrio reestabelecido na vida. Os pais se foram quando nem entendia direito o que uma morte significava. A família, tão aristocrática, importava-se apenas com a manutenção da ‘herança divina’ rodando pelo seu sangue. A empresa, na verdade, nem era tão extraordinária, pois se contabilizassem todos os outros bens ganhos pelos diversos ramos da árvore genealógica de Grimmjow, encontrariam negócios até dez vezes mais lucrativas que a empresa de seus pais.


Quando não havia mais ninguém ao seu lado, quando ele havia sido esquecido numa negritude mais densa que óleo, Aizen apareceu o resgatando. Cuidou dele desde essa época, o educando e tentando o manter longe de maiores problemas – tarefa árdua com a personalidade explosiva dele. Aos trancos e barrancos conseguiu manter a reputação da empresa, que em breve seria transferida ao nome definitivo de Grimmjow em poucos dias.


E esses dias assustavam Neriell. Aizen andava muito mais ativo do que antes, perambulando feito uma sombra do amigo.


Mesmo conhecendo todos os contratempos de Grimmjow, a mulher não conseguia acreditar na tamanha burrada que ele fizera. Indignava-se só de imaginar as mentiras deslavadas ditas por aquele homem. Mas depois de lançar tantas almofadas e palavrões, precisava se tranquilizar e dar o mínimo de suporte ao impulsivo Grimmjow.


– Quando cheguei ao escritório – continuou o maior – vi os diversos papéis na mesa dele. Os números não batiam, houveram alterações e outras coisas que... Eu não entendo muito bem, mas tenho certeza que estavam erradas!


– E isso não é o bastante para você?


Neriell o interrompeu bufando. Ás vezes pensava que ele era inocente demais ao acreditar nas pessoas. Enchendo os pulmões prosseguiu:


– Você precisa enxergar as artimanhas do Aizen. Sei que é complicado, ainda mais com a quantidade de tempo que ele passou ao seu lado todos esses anos...


Grimmjow envergou uma das sobrancelhas em dúvida encarando o monólogo sermão de Neriell:


– Mas deixe-me lembra-lo de novo: Aizen está tramando algo grande e você vai ter de enfrenta-lo!


– Eu sei disso! – falou sentindo-se ofendido – Eu nunca disse que Aizen é inocente! Aquele homem é uma cobra que só pensa em si mesmo!


E dessa vez foi Neriell quem ficou confusa, gritando em resposta:


– Ora essa, se já sabe disso, então porque está falando todas essas coisas sem sentido?! Quer minha aprovação ou algo do tipo?!


– Claro que não!


– Então me explica de uma vez porque foi até a empresa no meio da noite se já suspeitava dele?!


– Porque eu precisava bolar um plano!


A mulher quase se desequilibrou do sofá. Plano? Que tipo de plano? Grimmjow era capaz de pensar num plano?! Em que universo paralelo ela estava?


– C-como assim?! – engasgou – Me explica isso melhor!


Mexendo nos cabelos azuis Grimmjow soltou um grunhido ficando completamente sem paciência, elevando o tom de voz:


– Aizen sempre ficou no meu pé! ‘Faça isso, vista aquilo, não coma isso’, etecetera! Desde cedo eu sempre soube o quão controlador ele é. E, o fato dele ter cuidado de mim desde a infância não significa que ele seja uma boa pessoa... Mas é justamente por isso que eu o conheço bem. Ele se acha muito esperto, só que ele esquece o quanto nós dois tivemos de conviver juntos. Dava para ver no fundo dos olhos deles um brilho estranho por detrás dos óculos. Sempre o imaginei tramando alguma coisa, só não sabia exatamente o que. Quando apareci lá hoje a noite ele ficou surpreso; pude perceber isso, mas não se exaltou. Quer dizer, ele tem certo medo de mim, porém me subestima demais!


Parecendo acompanhar o raciocínio dele, Neriell ajeitou-se no sofá, ficando de joelhos sobre as almofadas, animando-se com aquela conversa:


– Então... Você foi lá hoje a noite para surpreendê-lo? – indagou.


– Para deixa-lo intrigado. – disse – Se ele continuar achando que eu sou impulsivo e não tenho nenhuma dúvida em mente, ou ainda que não tenho suspeitas, Aizen vai continuar agindo pensando ser cauteloso, quando na verdade eu estarei bem atrás dele, prestando atenção em cada movimento.


Juntando as mãos na frente do corpo os olhos de Neriell pareceram brilhar. Um sorriso se instalou em seu rosto ao terminar de ouvir o sutil plano de Grimmjow e numa voz chorosa, porém alegre, disse, orgulhosa:


– Você usou o seu cérebro!


Os dentes de Grimmjow rangeram em raiva com o esperto comentário:


– Vai a merda! – falou à altura.


– Eu estou falando sério Grimmjow!


Pulando do sofá Neriell foi ao seu encontro o abraçando, apesar da relutância dele – e das inúmeras veias de ódio pulsando em sua testa:


– Finalmente você escutou o que eu venho lhe ensinando esses anos todos! Estou tão orgulhosa do meu pequeno aprendiz!


– Ai, me larga sua louca! Tu fica me elogiando e me ofendendo ao mesmo tempo! Vai se fuder!


Ela riu o deixando desamassar a camiseta.


– Bem, nós estamos, então, um passo à frente do Aizen. – concluiu – Só falta terminamos de encontrar uma prova definitiva, e nem com toda a lábia do mundo ele vai se livrar dessa!


– Hunf. – bufou o maior – Eu te disse que podia confiar em mim sua lesada.


Dando-lhe um leve soco no braço Neriell riu outra vez. Estava alegre. Uma das suas principais funções na empresa era a de preparar Grimmjow a futura presidência. No entanto a personalidade esquentada, os instintos impulsivos dele, e a ausência total de paciência sempre foram um grande desafio. Quem dizer; tinha de admitir certa inteligência presente nele, mas Grimmjow preferia pular todas as etapas e chegar logo à ação. Até imaginou o cenário dele entrando no escritório de Aizen e arrancando o coração do homem pela goela! Mas jamais imaginara que ele seria capaz de elaborar um plano mais cauteloso – mesmo que bastante simples.


Talvez fosse por causa de Ichigo. O garoto havia o mudado muito, mesmo Grimmjow não percebendo completamente. Esse cuidado era por conta de Ichigo, por querer protege-lo, por saber que se algo desse errado com Aizen seu querido ruivinho poderia sofrer. E não, isso não poderia acontecer.


– E o que faremos agora?


Grimmjow perguntou sentando numa poltrona e batendo os pés com o corpo envergado. Ah, lá estava a impaciência dele; firme e forte sem abandoná-lo.


– Bem, vamos continuar na moita. – disse – Se Aizen vai seguir em frente com qualquer plano que tenha, então ele não irá mudar nenhuma ação previamente orquestrada. Só precisamos redobrar a atenção e detalhar qualquer pequeno erro cometido por ele. E então... BAM! Teremos nossa prova e ele estará fora da empresa num pulo!


– Alguma ideia do que ele pretende?


– Não ainda, mas algo me diz que ele vai agir antes da sua posse definitiva na presidência da empresa.


– Isso será em duas semanas.


– Exato, junto com a reunião geral com os chefões. Vai ter uma grande festa, comemorações e bla, bla, bla!


Ela gesticulava caminhando em volta de si mesma pelo apartamento ordenando seus pensamentos. Grimmjow a observava achando graça, porém ainda impaciente, sem entender onde ela queria chegar:


– E depois de tanta bebedeira você vai assumir o lugar de Aizen.


Parecendo incomodar-se Grimmjow estalou o pescoço alargando os braços na poltrona. Neriell parou de andar pondo as mãos na cintura. Viu o semblante consternado do amigo, perguntando-lhe algo que já a incomodava há um tempo:


– Você não quer assumir a empresa Grimmjow?


O homem bufou tornando a bater o pé.


– Não é uma questão de querer ou não! Eu só detesto ficar preso num único lugar, numa única coisa! Quero a minha liberdade e nessa porra de empresa não terei isso!


– Foi algo que seus pais lhe confiaram.


– Foi algo que eu não pedi para ter... Foda-se essa burocracia toda, eu só quero ficar na minha... Com o Ichigo.


A mulher largou um sorrisinho de canto de boca:


– Aham... Ichigo... Vocês dois juntinhos, rodando o mundo no seu carro! – brincou.


– Vai à merda...


– Grimmjow tenho certeza que o Ichigo vai entender. Até mesmo vai te apoiar!


– Ah que se dane!


Gritou levantando-se da poltrona. Vestiu novamente o casaco enquanto dizia indo em direção à porta:


– Estou cansado, não vai dar pra ver o Ichigo agora de noite, e já usei demais os meus neurônios! Deixa essa porra acontecer no seu tempo! Por hora, saber do Aizen já é o bastante!


– Sim, verdade. Vamos pensar num dia de cada vez! – concordou Neriell.


Na manhã seguinte iriam tornar a conversar sobre esses assuntos. Na verdade, por insistência de Grimmjow, a pequena reunião dos dois ficaria para a tarde, pois queria ficar um tempo com o seu querido ruivinho. A amiga fez outras novas piadas, mas o deixou em paz por fim.


Precisava dormir também e o clima chuvoso a convidava para voltar a cama. Jogou-se nos lençóis espreguiçando-se, contudo parou ao ver a pequena moldura na lateral da escrivaninha. Sentou-se no colchão apanhando a fotografia. Sorriu alisando o retrato de Matsumoto e ela, juntas na frente de um barzinho onde costumavam frequentar.


Ajeitou a foto de volta no lugar se enrolando nos cobertores: “Falta pouco Matsumoto” Pensou “Não vou deixar sua morte ter sido em vão!”


A noite foi se adentrando ainda sob a chuva. Grimmjow xingava o telefone depois de Ichigo ter lhe dito que já estava tarde demais para se verem; Neriell aproveitava a macia cama e o sono gostoso chegando junto do friozinho.


E Byakuya continuava na banheira, com os dedos ficando enrugados após os primeiros quinze minutos debaixo da água quente – que agora já começava a gelar.


O choque térmico pareceu despertá-lo ainda mais. Queria desaparecer da casa de Renji, no entanto não era do seu feitio fugir de um confronto, muito menos agir covardemente. Mesmo sabendo disso as pernas ficaram paradas no meio do banho, querendo e não querendo sair dali.


– Sensei?


A voz de Renji veio do lado de fora junto de algumas batidas leves na porta.


– O senhor está bem?


Ele continuou, confirmando ao moreno que em breve ele teria de encará-lo, e o momento da verdade se aproximava. Antes de deixa-lo mais aflito respondeu com a voz firme:


– Estou saindo.


Renji acalmou-se indo para trás. Deixou a porta livre e uma cadeira ao seu lado com as roupas antes escolhidas.


– Pode usar qualquer uma das toalhas. – falou ao professor.


Os passos do tatuado foram se afastando indo de volta a sala, onde ele sentou pesadamente no sofá. O tecido já havia sido estragado pela água, mas ele não tinha vontade de secá-lo agora. Deixaria esse trabalho para o vento.


Respirava acelerado sentindo-se nervoso. O que faria quando Byakuya saísse daquele banheiro? O abraçaria? O deixaria em paz? Ou perguntaria por fim sobre o que ele falara mais cedo?


Bem, antes de mais nada, precisava tomar um banho também, contudo, tinha receio de que quando o fizesse o professor decidisse ir embora, fazendo-o continuar preso na confusão.


Esfregou a nuca bagunçando os cabelos, os repuxando para trás quando, então, ouviu o clique da porta do banheiro, virando a cabeça. Mesmo que a blusa tivesse ficado um pouco larga, Byakuya combinava com essa aparência mais despojada. Ele não usava as presilhas nos cabelos, deixando-os soltos sobre os ombros.


Aquelas vestes tinham o cheiro de Renji quando o moreno as vestiu. Por um segundo, deixou-se inebriar por esse odor, recobrando os sentidos pouco antes de sair de dentro da pequena estufa que o banheiro se tornara.


– Obrigado pela ajuda estou me sentindo melhor agora.


Falou ao ruivo na melhor das educações que havia sido ensinado.


– Não há de que sensei... – respondeu abobado.


Byakuya pigarreou de leve mantendo os olhos voltados para baixo na costumeira posição de desdém:


– Melhor se apressar. O clima parece esfriar cada vez mais.


– Antes disso...


Renji começou a sentença deixando o corpo de Byakuya tenso. Um silêncio mortal recaiu sobre a distância entre os dois, e então, o aluno continuou:


– Antes disso eu quero saber... Não, eu preciso saber sensei.


Saiu tão abruptamente do sofá que quase se desequilibrou com os próprios joelhos. Renji afastou-se do móvel ficando na mesma direção que o professor. Mas Byakuya ainda continuava sem mirá-lo diretamente nos olhos.


– Você pode adoecer Renji.


Ele tentava se esquivar de novo.


– Eu estou bem.


O corpo tremia desmentindo sua frase. Esquecera de fechar a janela. Droga, porque estava pensando nisso agora? Tinha de se concentrar em Byakuya! O coração pareceu saltar para a garganta. Renji sabia quais palavras usar, mas elas se embolavam dentro do estômago deixando-o nauseado. E esse embrulho pareceu saltar para Byakuya. Seus globos cinza mal conseguiam erguer-se, e as palavras, ah! Elas não mais existiam.


Queria ir embora, queria deixar tudo de lado. A luz forte da casa incomodava a visão. O banho não fora o bastante para apagar os efeitos do álcool, ainda estava vulnerável, e piorando ainda mais a situação Renji tornara a falar:


– Sensei me responda por favor!


Ele havia perguntado algo? Os sentidos começavam a escapar outra vez. O banho estava tão gostoso, tão aconchegante. A cabeça girou novamente, as mãos vacilaram e as passadas de Renji chegaram rápidas como sempre, prontas a lhe amparar no meio da queda. Os ombros bateram na parede enquanto o ruivo se agachava junto dele no chão.


Escorregando de volta ao carpete velho da casa os dois ficaram escorados nele. O bafo quente saía da boca de Byakuya batendo em Renji ainda com o gosto da bebida.


Seus braços tremiam cingindo a camiseta molhada do aluno. O moreno rangia os dentes forçando os olhos a ficarem fechados. Renji não entendia o que se passava na mente do professor – aliás não entendia nada que se passava com aquele homem confuso!


– Por que...


Falou indagando a si mesmo. Os dedos esmagaram mais ainda o tecido da roupa de Renji quase apertando a pele por debaixo dela, uma constrição da raiva da qual não mais conseguia escapar.


– Porque você está sempre por perto?! – esbravejou.


Abriu os olhos por fim mirando no fundo dos globos amendoados de Renji. O tatuado exaltou-se por um segundo, porém não largou o professor.


– Não importa o quanto eu tente, não importa o quanto eu te empurre para longe, você sempre volta e volta! Fica ao meu redor, prendendo-se a mim feito uma doença da qual eu não quero me livrar! E mesmo que eu quisesse isso já está tão impregnado em mim que não importa o que eu faça não consigo me curar dela!


– ENTÃO PARE DE LUTAR!


O grito arranhou a garganta de Renji. Sentiu o gosto de ferro chegando à língua quando a frase saiu feito um trovão – mais alto que o da chuva caindo. Suas íris titubearam e pequenas veias saltaram ao redor deles. Era o seu momento de raiva ali, sua hora de calar a boca duma vez de Byakuya, de fazê-lo entender de uma vez por todas que jamais o abandonaria.


Soltando levemente a blusa de Renji, o moreno fitou-o por diversos segundos sem uma resposta. Apenas respirava acelerado vendo as feições séries do aluno o fuzilarem feito uma arma.


– Já chega... Não precisa mais lutar... Só... Aceite isso.


As luzes da sala começaram a tremeluzir. Um som alto da trovoada estourou do lado de fora e depois tudo escureceu. No meio dos relâmpagos iluminando o cômodo as sombras contornavam as duas figuras sentadas. E então os braços de Byakuya ergueram-se envolvendo o pescoço de Renji.


Beijou-lhe na penumbra, no escuro onde podia se esconder e liberar ao mesmo tempo todas suas vontades sobre ele.


Não mais lutar, não mais reter-se. Tudo bem podia fazer isso, se não fosse preciso externar nas palavras seus reais sentimentos... Podia usar seu corpo – e sem usar a ajuda do álcool para isso.


O peito de Renji colava-se ao seu molhando novamente as roupas secas. Sentiu os dedos frios do ruivo percorrerem o calafrio da sua espinha. Depois a blusa saiu da frente revelando a cútis ainda aquecida do banho quente. Noutro trovão pode enxergar o rosto de Renji. Sua boca procurava pela sua e no desencontro beijou-lhe o pescoço, puxando as vestes para os lados, procurando a pele que tanto queria tocar.


Removeu sua própria blusa deixando o abdômen úmido resvalar nos lábios de Byakuya. O moreno continuou descendo buscando desabotoar o cinto dele, apertando as laterais de suas pernas.


Grunhindo, Renji segurou as mãos de Byakuya levando-as aos lábios. Lambeu os dedos sugando um deles para dentro da boca, tornando a encontrar sua boca e o pressionar contra a parede. As pernas do moreno entrelaçaram os flancos do aluno deixando-o roçar o volume no meio de sua cintura.


Como queria aquele homem! Renji só conseguia pensar em tê-lo ali e agora. E Byakuya também o desejava.


Apressou-se em puxar a calça jeans do professor para fora deixando a nádega esquerda escapar do tecido. Apertou essa carne continuando a arrastar a calça até os seus joelhos, forçando seu corpo contra o dele ainda mais.


Respirando rente a orelha do ruivo Byakuya gemia sentindo a pressão em seu corpo ser liberada quando as roupas não mais o prendiam – nem a Renji. Por fim de nada adiantara o banho, afinal, precisaria de outro após rolar naquele chão junto do aluno. Enfim, pensaria nisso mais trade. Se concentrava agora exclusivamente nos músculos fortes de Renji deitando-se sobre os seus. A pele branca do professor avermelhava-se e Renji sabia disso, mesmo sem conseguir ver por conta do blackout, sabia que cada chupão, cada mordida e cada beijo dado por ele feriam a pele de Byakuya – de uma maneira que ele adorava.


Subindo as pernas do moreno Renji sentiu a entrada quente do professor roçar no seu membro rijo quase o fazendo explodir com a sensação. Respirou fundo, e esticou a língua para fora tocando a de Byakuya. No meio do ósculo o fez colocar a mão entre sua saliva molhando os dedos dele.


Os olhos do tatuado estavam fixos nos de Byakuya, encontrando-se no mesmo furor pela primeira vez. Depois de encharcar as falanges do moreno, Renji o fez levar os dedos até abaixo do falo, e junto dele os empurrou na entrada apertada do professor.


Byakuya gritou jogando o pescoço para trás, que foi abocanhado pelo ruivo. A troca de urros entre eles parecia com o berro de dois loucos engalfinhando-se. E de uma forma eram.


Sem mais aguentar Renji alargou ainda mais a entrada de Byakuya ao adentrar nele. As unhas do professor cravaram em suas costas e não havia mais nenhum espaço possível entre eles. Haviam se unido de tal forma que apenas os movimentos de sobe e desde eram capazes de serem realizados.


Batendo as costas contra a parede Byakuya sentia os fios das melenas serem envoltos por Renji, os emaranhando na nuca. O suor já escorria mesmo com o vento contínuo da rua resfriando os corpos. Uma fumaça espeça parecia subir conforme aceleravam. O moreno sentava com força no colo de Renji e dessa vez o sabor de tê-lo ali dentro de si parecia aumentado, como se os sentidos ficassem a flor da pele.


Batendo a mão contra a parede na lateral da cabeça de Byakuya, Renji envergou a coluna, enquanto puxou as pernas do moreno para si. Estava quase lá, o corpo chegava ao limite do quanto aguentava, e antes de alcançar o clímax abraçou Byakuya, dizendo rente ao seu ouvido:


– Eu te amo!


Num largo e alto gemido, junto da trovoada, o moreno deixou aquelas palavras o preencherem junto do calor escorrendo para dentro dele. Com o coração acelerado, respondeu-lhe, por fim, tocando o ouvido de Renji com os lábios:


– Eu também!


A tempestade acalmou-se, apesar da garoa ainda persistir firme e forte. As roupas serviram de lençóis aos dois antes de conseguirem forças para ir à cama do ruivo.


Quando o sol os despertou na manhã seguinte, por pelo menos dez minutos, Byakuya ficou observando Renji dormir despreocupado – e nu – ao seu lado. Dessa vez sabia de tudo o que havia feito, de tudo o que havia dito. E também pela primeira vez conseguira sorrir, mesmo que levemente, para o doce aluno; o único ser humano na face da Terra que fora teimoso e burro o bastante para continuar junto dele. Quis rir de si mesmo, no entanto pensou ter ouvido um baque alto vindo da sala.


– Renji?


Chamou pelo tatuado tocando-lhe o ombro, já se preparando para erguer-se da cama. Renji coçou os olhos sonolentos, vendo o semblante preocupado de Byakuya e por fim a cena estava formada quando os gritos altos de Rukia chegaram aos ouvidos dos dois quando a garota abriu a porta do quarto:


– Ni-sama! Onde você está?! Porque não foi para casa ontem...


A voz consternada da baixinha ficou presa feito uma bolha na garganta. Primeiro veio a visão de Byakuya debaixo do cobertor da cama, com apenas seu torço desnudo aparecendo. E depois, completando ainda mais sua fértil imaginação, viu as nádegas carnudas de Renji adornando o conjunto da cama.


– Rukia?!


O ruivo exclamou percebendo a terrível nova confusão na qual se metera. Voltou o olhar para Byakuya, mas ele havia se desligado do mundo devido a vergonha. Sua irmãzinha, ali, vendo os dois na cama... Não podia ser pior!


– E-eu posso explicar Rukia!


Renji tentou dizer algo, porém havia se perdido nas próprias ideias. Já era, tudo tinha sido jogado direto no ventilador e se espalhado em volta deles.


A face de Rukia avermelhou-se a cada minuto passado ali dentro. Primeiro foi Ichigo e Grimmjow, e agora vira seu irmão e Renji... Meu deus! Isso era demais para o seu pobre coração! Sentiu a listra de sangue escorrer do nariz, e então, logo depois ao recobrar suas forças, foi chegando os passos para trás fechando a porta.


– Desculpem... Da próxima vez... É só avisar... Que queriam ficar um tempo a sós...


Foi dizendo e indo embora, encerrando uma conversa que nem ao menos queriam iniciar.


Byakuya e Renji deixaram as faces sem graça falarem por si. Abrindo a boca Renji pensou em tentar acalmar o moreno, no entanto fora impedido pelo menos:


– Nem um pio sobre isso.


Fechando imediatamente os lábios, o tatuado respondeu:


– Justo.


E enterrou-se debaixo dos cobertores, conforme Byakuya escondia o rosto por de trás das mãos.


Bem distante das mais recentes confusões em que o aluno e o professor se metiam, Neriell estacionava o carro próximo a sua loja de roupas favorita. Queria dar um retoque no visual antes de encontrar-se com Grimmjow, afinal, sabia que com o amigo não teria tempo de fazer mais nada além de tentar desvendar as intenções de Aizen, e ela precisava dum banho de loja antes de voltar a ação.


Pôs os pés para fora do veículo enquanto ao longe seus passos eram seguidos por um observador atento. Suas mãos suavam no telefone. A boca tremia só de ouvir o som da voz vindo do outro lado da linha – o som manso do timbre regulado de Gin:


– E-eu não posso fazer isso! – o homem desconhecido gaguejava, apertando o couro do volante do carro.


– Ora vamos, não seja tímido agora! Você já chegou aí, o que custa terminar o serviço?


– Ela... É só uma moça... Eu não posso!


– Bem, vamos colocar as coisas dessa maneira: você pode concluir a tarefa ao qual foi incumbido ou... Você pode voltar à empresa e falar diretamente com o homem que lhe deu erra ordem. A escolha é sua.


Um tremor instalou-se no homem mais forte que o medo subindo por suas veias. Deixou o telefone cair por entre os bancos do carro sem nem ao menos terminar a ligação.


Sentiu a asma cobrindo seus pulmões só de imaginar um reencontro com Aizen. Não gostava daquele homem... O desprezava e o temia.


A mulher estava ali parada diante do carro ajeitando o vestido. Encaixava as mangas do casaco antes de continuar sues afazeres, apertando a pequena fivela do sapato cor-de-rosa. Era apenas há poucos metros, do outro lado da rua, uma mínima distância. Por deus precisava fazê-lo!


No impulso do temor apoderando-se dele, afundou o pé no acelerador. Furou o sinal vermelho desviando dos obstáculos – hidrantes, latas de lixou ou pedestres – mirando na direção do seu único e certeiro alvo. “Deus me perdoe!” O homem pensou ao fechar os olhos.


A velocidade irremediável do carro derrapou quase capotando ao bater no rodapé da calçada. Neriell arregalou os olhos verdes, o brilho sumiu junto da sombra do veículo vindo até ela feito uma flecha, não havia como correr, não havia como fugir só podia... Deixar ser atingida pelo irremediável destino de uma tonelada aproximando-se cada vez mais.


O metal dobrou-se feito uma folha de papel; o vidro voava em pequenos pedaços cintilantes espalhando-se na calçada. O hidrante fora arremessado junto com o resto do acidente jorrando água para o alto. As pessoas logo foram rodeando o local, chamando ambulâncias e tirando fotos com os celulares. Um lindo sapato de salto alto rosa ficara caído próximo à loja de roupas, afastando do pé ao qual pertencia.



Continua



Notas finais
=XXX

Não tenho palavras para descrever o final desse capítulo! Desculpem por deixá-los tão apreensivos >_<

Enfim, saberemos como essa história toda vai se desenrolar daqui a alguns dias, quando o próximo capítulo sair da minha cabecinha!

(desculpem mais uma vez, mas... Eu gosto de drama! AHHH!!)

Kissus meus queridos, até breve!