Maipetto no Neko
42 Capítulo 42 - Party Hard III
Notas iniciais
Espero que vocês gostem ^_^
Maipetto no Neko
Capítulo 42 – Party Hard III
Silêncio. Foi um silencio mortal de segundos, porém eles pareciam anos. Os olhos de Ichigo fixados em Renji, os olhos de Renji fixados em Ichigo, e nenhum dos dois sabia como iniciar um diálogo. Coçando a nuca, Ichigo percebeu os olhares estranhos que recebiam das pessoas, afinal, ficaram ali parados um bom tempo. Respirando fundo, falou, enfim, quebrando o gelo:
- Vamos para um lugar mais tranqüilo.
- C-certo. – gaguejou em resposta, seguindo os passos do outro a uma boa distância.
Conforme andavam, mais perguntas se formavam na cabeça de ambos, no entanto a mais persistente era: o que iriam fazer? Apertar as mãos, feito duas crianças no jardim de infância, e pedir desculpas? Se bem que, da maneira com a qual se portavam – idade mental de dez anos — parecia ser o mais sensato a se fazer.
A multidão havia se dispersado no ponto aonde chegaram: bem abaixo da cadeia de montanhas, onde não havia barracas, e o frio parecia ser mais intenso, com ventos cortantes e uma densa camada de neve sobre o chão, marcando a passagem pelas pegadas sobre o tapete branco.
Pararam próximos a uma pedra, com desenhos cerimônias entalhados nela. Ficaram ali, estáticos, por longos minutos, apenas observando as estrelas que apareciam no céu escuro. O que dizer, o que perguntar... Ah! Ichigo preferia dar um soco na cara de Renji e receber um em troca ao invés dessa ladainha irritante!
Ponderando sobre o tópico inicial da conversa, Renji respirou fundo, dizendo aquilo que pensava ser o mínimo para quebrarem o gelo – de maneira figurada, claro:
- Conheci uma pessoa.
Surpreso, porém nem um pouco triste com aquilo, Ichigo respondeu:
- Isso é bom.
- Sim.
- Estão saindo faz tempo?
- Bem... Pode-se dizer que sim.
Sem querer entrar em maiores detalhes, até porque a vida pessoal de Renji era um assunto que diz respeito a ele apenas, tentou levar o assunto a algum outro ponto:
- E a faculdade? Conseguiu passar de semestre?
- Depois de muito esforço... – deu uma risada no final da frase.
- Isso não era novidade, com a frequência de dias que você faltava, e as outras que dormia em sala.
- Não enche! – respondeu já parecendo mais descontraído.
- Deve ter ficado revisando as cópias do meu caderno, não é?
- He he, tenho de admitir que foram úteis, mas tive outra ajuda.
- De quem?
- Ah... Bom... Da Rukia, de certa forma.
- Falando nisso, onde vocês se conheceram?
- Escola, tipo, uns dez ou onze anos atrás.
- Nossa, faz tempo.
- A gente sempre manteve contato, mesmo depois da mudança dela. E você?
- Mesmo esquema, ela se mudou no ensino médio ao nosso colégio, depois teve de ser transferida de novo.
- Ela sempre fica pulando dum lugar a outro por causa do irmão dela.
- À propósito, o irmão dela é o...
- É, ele mesmo.
Cortando a fala de Ichigo, Renji ajeitou as mãos dentro das mangas do kimono. Apesar do tecido ser bem grosso, quanto mais tarde ficava, mais o frio se fazia presente. Quando a Byakuya, bem, não ia esconder nada do garoto, mas talvez fosse melhor resolverem seus problemas primeiro antes de entrar em outros.
Contudo, o silêncio retornou depois da última frase. É quase como se eles pudessem escutar o som de uma borboleta batendo asas – se tivesse alguma borboleta. É estranho como essas coisas acontecem, quando se quer falar tanto alguma coisa, mas a mente, o corpo em si, não deixa, cria um bloqueio tão forte, que parece sobrar apenas o constrangimento.
‘ Preciso falar. ’ Ichigo pensava ‘Preciso encerrar essa história de uma vez... Mas como eu posso começar? Desculpa meu namorado ter batido na sua cara?’ riu consigo mesmo, ainda desconcertado.
- Desculpa ter feito a Rukia te trazer até mim. — Renji comentou chamando a atenção do ruivo.
- Tudo bem, acho... Que nós precisávamos de um empurrão ou algo assim.
- Queria ter tido a chance de conversar antes. Eu detesto ficar enrolando.
- Eu também, mas...
- Não fazia idéia de como começar, né?
Ele completou o raciocínio de Ichigo, e ambos deram uma risada.
- Aquilo tudo...
E esse tudo do qual Renji falava, foram os dias mais confusos de suas vidas, e nenhum deles precisava entrar em detalhes para saber disso. No fim das contas, bastava se olharem agora para saber que, a amizade era a única coisa que poderiam ter um do outro.
- Aquilo tudo já foi. – Ichigo o interrompeu, continuando a discursar – A gente já se entendeu sobre isso, quer dizer, não tem necessidade ficar se remoendo. Nós estamos aqui agora, esse é o nosso presente, e se ficarmos tão fixados no passado, vamos apenas criar mais problemas, então, estamos bem.
- Estamos mesmo? – Renji perguntou.
- Sim, sem nenhum dano permanente, apesar de que vai ser difícil explicar isso ao Grimmjow.
- Ha, ha, ha! – riu – Azar o seu!
Caíram na gargalhada, pela primeira vez, aproveitando a companhia um do outro.
- Mas... Para falar a verdade, eu senti tua falta Ichigo. – Renji completou recostando-se a parede da rocha atrás dele – Pode não parecer, mas eu tenho poucos amigos com quem conversar... Na verdade, quase nenhum. E apesar dos nossos momentos de... Solidão mútua, digamos assim, eu encontrei em você um bom amigo.
O ruivo sorriu sentindo-se lisonjeado. Mesmo com todos os problemas, mesmo com as brigas, os dois eram bem parecidos.
- Pode contar comigo sempre, Renji.
- Valeu.
Respirando fundo Ichigo sentiu um peso enorme saindo de suas costas. A respiração ficou até mais leve, e por fim tinha certeza de que poderia seguir em frente com sua vida, sem mais um motivo de remorso. E Grimmjow... Poderia ter uma vida em paz com ele. Aliás, pensando nesse momento, um leve frio chegou à sua barriga. Meu deus, ele estava junto de Grimmjow, dessa vez para valer! Okay, sem desespero... Era hora de mudar o assunto novamente:
- Então... Você vai me contar sobre essa ‘pessoa’? – perguntou a Renji – Por um acaso não seria o irmão da Rukia?
- Ele mesmo.
Respondeu no ato deixando Ichigo com uma face de surpresa.
- Cara, eu joguei verde e acertei.
Recebendo um soco no ombro, continuou a fazer sua série de perguntas:
- Caramba, então, depois de todo esse tempo... Quer dizer, uau! Foi um grande passo.
- Talvez...
- Como assim?
Renji respirou fundo mirando o céu da noite. Uma fumacinha branca saiu da boca conforme respirava, e Ichigo deixou-o quieto, enquanto ele procurava as palavras certas:
- O que nós temos... É complicado no momento.
- Hmm, de complicações eu entendo. – comentou.
- Vendo quem é seu namorado... – Renji brincou recebendo ele agora um soco.
- Mas essas coisas se resolvem com o tempo, experiência própria.
Contudo o longo suspiro de Renji veio carregado de pesar e tristeza, deixando Ichigo ainda mais confuso. Mirando o garoto, o tatuado percebeu o quão radiante ele estava. Não eram aquelas roupas extravagantes, ou a própria beleza dele, mas sim uma felicidade sem igual, uma alegria, que ele sabia ser por causa de Grimmjow. Nisso, falou:
- Eu penso que... O que eu tenho com o Kuchiki-sensei nunca irá se tornar algo como o que você tem com o Grimmjow.
Entristecendo o cenho, Ichigo abriu a boca, porém sem idéia de quais palavras usar para confortá-lo, e mesmo que pudesse, de nada adiantaria, pois a amargura de Renji parecia ser inconsolável. A dúvida, os receios, já havia passado por tudo isso, e ninguém teve de se intrometer – ao menos não diretamente – para ajudá-lo. Ficaria ali caso Renji precisasse, caso ele quisesse um ombro amigo, mas por hora, estar ali de pé, no meio do frio, ao seu lado, era o bastante.
Pôs a mão em suas costas deixando-o continuar a contemplar o horizonte estrelado, acompanhando seu olhar por entre as constelações. Contudo, aquela calmaria não duraria para sempre, pois a voz grossa, alta e irritadiça de Grimmjow irrompeu aquele rápido momento de paz.
- Filho da puta!
Foi a frase de efeito usada por ele conforme corria na direção dos dois. Renji abaixou a cabeça pensando: ‘ de novo não’, e ao ser erguido do chão pela força descomunal do homem descontrolado à sua frente, Ichigo intrometeu-se, tentando parar Grimmjow:
- Chega Grimmjow!
- Vai à merda! Vocês dois aqui, juntos, no meio desse lugar; e eu não tenho o direito de ficar puto?! – esbravejou empurrando Renji ainda mais contra a enorme pedra.
- Cara, nós estávamos conversando... – o tatuado tentou se defender, mas isso pareceu apenas aumentar a raiva do outro.
Ele bateu outra vez com as costas de Renji fazendo-o tossir. Se continuasse assim... A raiva estampada na expressão de Grimmjow, as veias quase explodindo, ele iria matá-lo!
- Grimmjow o Renji é meu amigo!
- Amigo?! – refutou o comentário de Ichigo continuando – Esse babaca fudeu com a gente um tempo atrás, e você ainda acha ele um amigo?!
- Porra! Deixa de ser infantil! O que aconteceu já passou! Nós somos adultos o bastante para resolver as coisas sem precisar esquartejar um ao outro!
- Grimmjow...
Renji interrompeu a discussão dos dois tendo o olhar mortífero de Grimmjow encarando o fundo de seus olhos castanhos. Aquilo lhe deu um frio na espinha, como se ele pudesse atravessar sua alma apenas o mirando daquela forma, porém manteve-se firme, continuando sua fala, aliás, talvez a única coisa que poderia dizer para se salvar:
- Eu fiz merda antes com Ichigo, já saquei isso, e peço desculpas. Mas ainda assim, ele é um dos meus melhores amigos, e eu não quero nada com ele.
- Nada?! – gritou num tom rouco — Vai se fuder seu filho da puta! Você é o pior duas caras que eu conheço!
O golpe contra a pedra deixou os pulmões de Renji sem ar, e Ichigo assistia a cena, incapaz de separá-los sem causar danos permanentes – físicos e mentais. No entanto, Grimmjow ainda não havia enfiado o nariz do tatuado no crânio dele, o que indicava um alto controle imenso dele, talvez por querer evitar um escândalo no meio da festa.
Mas a verdade, é que depois de tantos problemas por causa desse... Babaca que segurava entre os dedos, Grimmjow temia começar uma nova briga com o ruivo por causa dele, afinal, Ichigo detestava vê-lo brigar pó sua causa. Merda de garoto mimado...
- Estou falando a verdade... – Renji prosseguiu ao recuperar o fôlego – Eu...
E respirou fundo – na medida do possível – pois ter de revelar a Grimmjow seus problemas parecia ser mais terrível do que agüentar seus socos:
- Eu estou com alguém...
Erguendo uma das sobrancelhas, Grimmjow o encarou por mais alguns minutos. Depois, o prensou contra a rocha, rangendo os dentes, deixou-o cair, após lhe dar um belo soco no meio da cara.
- Grimmjow!
Ichigo exclamou, afinal, pensou que tudo ia bem; engano seu... O sangue da boca de Renji já se misturava à neve, e o ruivo parou ao seu lado tentando ampará-lo. Ao vê-lo ainda consciente, ergueu-se raivoso, levantando a voz contra Grimmjow:
- Porque você fez isso?!
- Força do hábito. – respondeu irônico – Além do mais, ele não pode se acostumar comigo sendo tolerante.
- Tolerante? Você chama isso de ser tolerante?!
No final da frase, o maior abriu os ombros parecendo quase dobrar de tamanho devido à imponência da presença exercida por ele. O ruivo, por instinto, chegou um passo para trás, fazendo as costas se encontrarem contra a pedra. Nisso, o punho de Grimmjow bateu ao seu lado, cerrado, e numa força descomunal, rachou a rocha no local atingindo – bem ao lado de sua cabeça. Embasbacado pela demonstração de ódio dele, apenas o mirou com os olhos arregalados, conforme seu rosto aproximava-se do seu, e numa voz calma, porém grossa, disse com os globos azuis fixos aos seus:
- Aqui, agora, isto sou eu sendo tolerante... Pense sobre isso.
Girando o corpo Grimmjow afastou-se dos dois, caminhando pesadamente sobre a neve. Precisava esfriar a cabeça ou acabaria fazendo uma loucura. E ao ter se distanciado o bastante, parou debaixo duma árvore, socando a madeira dela diversas vezes. A pele reclamou dos golpes, ficando avermelhada, mas ele não parou.
Como ele podia ter se deixado convencer tão fácil?! Por que não enterrou aquele homem no meio do chão?! Por quê?!
Por causa de Ichigo. Porque o medo de perdê-lo por conta de outro ataque de fúria, superava o ódio, a aversão que tinha de Renji. Confiava no ruivo, mas não naquele duas caras. Mas se ficasse ali... Ah! Teria o matado, com certeza! Pode sentir o sangue subindo à cabeça, os dedos pedindo para estrangulá-lo, quase deslizando sobre o pescoço tatuado descoberto... E Ichigo veria tudo, tentaria impedi-lo, e acabaria sendo envolvido. Não isso não, jamais. Prometera a si mesmo nunca mais machucá-lo, não depois do que o ruivo fizera por ele... Depois de tê-lo salvado.
Então descontava na árvore, descontava em qualquer coisa, apenas pensando no quanto precisava de uma terapia! Se já havia chegado naquele ponto... Deus... O que mais o aguardava?!
- Melhor você ir atrás dele.
Renji falou erguendo-se da neve segurando o nariz.
- Desculpa... Você ta sangrando por minha causa de novo.
- Eu sobrevivo, agora, vai lá falar com ele.
- Mas eu não sei o que falar! Ele vai ficar puto só de mencionar seu nome!
- Exato. – falou dando uma espécie de ‘clik’ na mente de Ichigo.
Despedindo-se apressado, o ruivo correu seguindo as pegadas de Grimmjow. Como havia sido estúpido. Ir às escondidas conversar com Renji. Claro que isso só poderia lhe trazer problemas! No entanto, nem imaginava uma maneira simples e prática de ter contado a Grimmjow. No mínimo, teria criado motivos a uma briga tola. Ah, mas quem estava enganando? Havia sido estúpido, e procurar contornos agora não adiantaria de nada. Devia ter contado, devia ter deixado de agir feito uma criança. E agora, temia por Grimmjow, temia tê-lo ferido de alguma forma...
Ainda correndo ouviu um som oco de estalos repetidos. Percebeu a distancia que as pessoas afastavam-se dum certo ponto da floresta nos arredores do festival, e sem dúvidas, foi até ele, e pasmo, observou Grimmjow socando uma árvore. Num impulso, chamou por seu nome, vendo-o parar a seqüência de golpes.
- Que foi? – ele perguntou de costas a Ichigo.
- O que está fazendo?
- Brincando de pique esconde. – ironizou.
- Isso pode te machucar Grimmjow. – falou consternado.
- Não importa...
E tornou a socar a árvore.
Franzindo o cenho Ichigo segurou seu pulso antes de deixá-lo encostar a madeira do tronco, recebendo o olhar sem brilho de Grimmjow, o encarando num acesso de fúria.
Bufando, o ruivo forçou a mão do maior contra a dele, envolvendo-a com seus dedos, falando, suavemente.
- Me desculpe.
Apesar de ter conseguido amenizar a cólera de Grimmjow, era capaz de sentir a tensão em seus músculos, querendo socar a árvore outra vez. Apertou fortemente sua mão, tentando o girar em sua direção, e, recostando sua testa sobre as falanges ensangüentadas do maior, repetiu a frase.
- Me desculpe...
Os globos âmbar tremeluzindo fracamente enquanto ele falava deixaram Grimmjow na defensiva. O peito subia e descia devido à respiração acelerada, mas aos poucos, foi se acalmando, até finalmente relaxar o corpo de vez. Soltou-se das mãos de Ichigo, pondo a nuca recostada no tronco, e cerrando os olhos. Ah... Como ele precisava de ajuda... Nem tinha mais forças para lutar contra esse sentimento, de se entregar às vontades do garoto... Que merda... Havia se tornado realmente o bichinho de estimação dele...
- Eu... Devia ter dito... – Ichigo continuou com as desculpas apesar delas fazerem pouco efeito – Mas tentei evitar uma briga...
- Tipo a de agora? Nossa, como tu é um gênio...
Ignorando o humor sarcástico dele – afinal, tinha todo o direito naquela hora – o ruivo prosseguiu:
- Eu te juro... Não houve nada, foi apenas uma conversa para acertarmos os ponteiros.
Rindo Grimmjow massageou as têmporas achando graça daquilo tudo. Não eram essas suas preocupações... Certo, uma boa parte dele queria urgentemente sufocar o metido à besta, mas... Mas não era isso. Era a perda constante de sua personalidade que o frustrava, o medo crescente de afastar Ichigo por qualquer coisa, por mais minúscula que fosse.
- Ta. – ele respondeu secamente ainda sem mirar Ichigo nos olhos.
Contudo, o surpreendendo, algo que o ruivo havia feito com freqüência nos últimos dias, ele apanhou sua mão de novo, levando os dedos feridos perto da boca, os lambendo.
- O que você está fazendo?! – indagou num tom espantado.
- Dando um pedido de desculpas decente. – respondeu enfiando a língua no meio de dois dedos – Você precisa cuidar desses machucados.
Ele conhecia mesmo Grimmjow. Sem mais questioná-lo, o maior apenas aproveitou a cena, esquecendo-se aos poucos da raiva ainda instaurada em seu ser. Ao sentir a boca do ruivo sugando seus dedos para dentro, quase não resistiu, querendo o jogar na neve.
Mesmo envergonhado, mesmo estando no meio de diversas pessoas, Ichigo engoliu o orgulho. Queria se redimir pelo ato falho, e sabia muito bem como, só lhe faltava um pouco de coragem... Okay vamos lá. Respirando fundo, desenhou o peito do maior com a mão livre, entrando aos poucos na fresta acima do umbigo em seu kimono. Ao tocar sua pele, desceu o punho, afrouxando a faixa apertando o tecido na cintura. Antes de qualquer indagação de Grimmjow, tomou-lhe os lábios, conforme a mão continuava a descer por dentro das vestes dele.
Alisando as costas de Ichigo, o maior deslizou os dedos apertando-lhe as nádegas. Isso fez o ruivo gemer – mas não parar. Aquele garoto realmente sabia como mexer com ele, como o mimar quando frustrado, quando o deixar completamente à mercê das vontades libidinosas de possuí-lo.
- Eu realmente quero me desculpar com você.
O ruivo repetiu, passando a lhe beijar o pescoço. Depois, continuou a baixar os lábios em seu peito, enquanto Grimmjow retorcia o corpo, segurando as melenas laranja de Ichigo pela nuca.
Desconcertado Ichigo não sabia ao certo o que iria fazer. Sabia que havia errado, e precisava... Bem, precisava recompensar Grimmjow por todos os inconvenientes. Mas ele nunca havia feito aquilo... A face avermelhou-se conforme pensava, mas não podia desistir agora.
Dando um passo atrás encarou a face de Grimmjow – e ele sorriu ao ver o rosto ruborizado do ruivo.
- Não se mexa... – Ichigo falou beijando-lhe outra vez antes de começar a descer o corpo.
- O que você...
Pasmo Grimmjow vira Ichigo remover o restante do pano cobrindo seu baixo ventre, segurando, envergonhado, o membro rijo em suas mãos. Esticando os lábios de um lado à outro, deleitou-se com a visão envergonhada do ruivo no meio de suas pernas, sem idéia alguma do que fazer em seguida.
- Precisa de ajuda? – brincou vendo-o avermelhar-se mais.
- S-só... Fique parado.
- Oh, como queira mestre.
Engolindo seco, Ichigo esqueceu a vergonha, esticando a língua fora da boca. Um bafo quente saiu da garganta embaçando sua visão, e fechando os olhos, abocanhou a ponta da ereção de Grimmjow.
Este, por usa vez, jogou a cabeça para trás, ainda sorridente. Baixou a mão até o cabelo do ruivo, alisando os fios. Por deus, sempre quis pedir ao garoto que fizesse isso, mas sempre pensou que ele recusaria. A boca dele era deliciosa, escorrendo por seu membro, aquecendo-o. Ah, era maravilhoso!
Ichigo passava a língua pelos lados da carne, depois, sugava novamente, imaginando ele mesmo, como Grimmjow fazia com ele. Sentiu o rosto esquentar, contudo, continuou, percebendo os pequenos gemidos que o maior soltava.
Na verdade, Grimmjow precisou morder os lábios, ou então gritaria. Nem conseguia olhar para baixo, pois se o fizesse perderia o controle.
Respirando fundo, o ruivo ousou levar o membro ao fundo da boca, rodopiando a língua por ele, e dessa vez, o maior não pode evitar grunhir alto.
- I-Ichigo, já chega... – gaguejou apertando as melenas do garoto.
Mas ele prosseguiu, subindo e descendo a boca, chupando e lambendo Grimmjow com vontade, apesar dos inúmeros pedidos para que cessasse os movimentos de vai e vem.
Noutro grito, incapaz de conseguir conter-se ainda mais, Grimmjow estremeceu, as pernas bambolearam, e o líquido quente invadiu a boca do ruivo.
Afastando-se Ichigo pôs a mão sobre os lábios sentindo o sabor de Grimmjow invadindo sua garganta. As maçãs do rosto, coradas, voltaram-se para cima, vendo o peito descompassado do maior respirando sem jeito. Ao mirar os globos castanhos do ruivo, sem cerimônias, ajoelhou-se à sua frente, apanhando a boca do ruivo para si. Depois, o jogou contra a árvore, ignorando o frio e a neve sobre seus pés.
Metendo a cintura no meio das pernas de Ichigo, Grimmjow afastou suas roupas, segurando ele agora a rigidez do garoto. Beijou-o antes que ele gemesse, passando a movimentar os dedos entrelaçados no falo do ruivo.
Largando os lábios do maior, Ichigo apoiou os braços nas suas costas, falando na pontinha da orelha de Grimmjow:
- Eu quero você...
E como se tivesse lançado um feitiço, Grimmjow apanhou suas coxas entrelaçando as ao redor de seu corpo.
- E eu preciso de você.
Falou sem pensar vendo os olhos âmbar de Ichigo tremeluzirem a luz fraca das lanternas do festival.
- Sempre... Eu sempre vou querer você e só você Grimmjow...
A mão do maior passou suave sobre seu rosto, alisando as bochechas avermelhadas. Ele estava ali agora, não é? Tinha ido ao seu encontro, e ele... E Ichigo sempre estaria ali.
Abriu a boca querendo dizer algo há muito preso dentro do peito, mas ao invés disso, beijou-o outra vez.
‘Eu te amo’... Ah! Como queria poder ser capaz de dizer estar palavras ao garoto, porém aquele pequeno monstrinho orgulhoso ainda o segurava, ainda retesava seus sentimentos.
‘Te amo tanto que dói; te amo tanto que só de vê-lo ao lado de outro, me deixa louco. Te amo tanto... E queria poder achar um meio de ficarmos juntos, de criar uma conexão tão forte, através dessa pele dos nossos corpos, através da cruel carne que parece querer nos distanciar... Eu te amo. ’
Porém manteve o silêncio em meio ao beijo, guardando todas as palavras dentro de si, porque era orgulhoso, porque não tinha a coragem de admitir esses sentimentos, ao menos não agora.
Continua
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