Maipetto no Neko
35 Capítulo 35 - Whisky
Notas iniciais
Maipetto no Neko
Capítulo 35 – Whisky
Confuso pela presença de Orihime em sua casa, Ichigo fechou a porta da entrada quase batendo na cara de Grimmjow.
– Ei! – protestou o maior empurrando a porta, praticamente a arrancando da parede.
– Foi mal. – falou o ruivo conforme andava até a amiga.
– Venha Kurozaki-kun, Grimmjow-kun! – Inoue disse animada – Vocês vão adorar essa novidade!
– Deve ser boa mesmo, já que vieram os três pessoalmente no meio do natal.
Constatando apenas agora a data, a garota arregalou os olhos, pondo as mãos no rosto, parecendo frustrada:
– Ah! Eu esqueci completamente! Deixei o presente do Kurozaki-kun em casa!
– Relaxa Inoue, sempre digo para não se preocupar com essas coisas.
– Nós viemos aqui ontem – comentou Ishida, interrompendo os dois – mas suas irmãs falaram que você havia saído, e não tinha retornado até agora.
Coçando a nuca, o ruivo virou-se para Yuzu desconcertado, afinal, sabia como a caçula ficava preocupada com ele, mesmo sem necessidade:
– Desculpa Yuzu. Devia ter ligado. E desculpe-me também, Karin.
– Pode voltar a sumir, eu estava curtindo os dias de paz.
Replicou a morena, continuando a trocar os canais da TV – passando apenas os filmes e programas típicos natalinos. Uma veia saltou na testa de Ichigo, tendo vontade de socar aquela debochada, mas antes de explodir, Ishida o descontinuou, tornando a fazer perguntas:
– Onde se meteu nesses últimos dias, Kurozaki?
Voltando a focar-se no quatro olhos, Ichigo enfiou as mãos nos bolsos da calça, dando de ombros e respondendo:
– Estava na casa do Grimmjow.
– Yo. – disse o maior erguendo uma das mãos, sendo percebido pelos demais apenas agora.
– Está tudo bem, Grimmjow-kun? – indagou Inoue.
– Se o Ichi-ni ficou lá por dois dias, deve estar tudo as mil maravilhas.
O comentário de Karin fez o rosto de Orihime corar. Grimmjow, por sua vez, gargalhava, quase caindo no chão; adorava ouvir as conversas da irmã de Ichigo, eram sempre engraçadíssimas.
A cabeça do ruivo ferveu, e, aproximando-se de Karin, segurou as bochechas dela, esticando-as para os lados formando uma careta bizarra:
– Sua pirralha malcriada! – falou entre os dentes.
Karin debateu-se empurrando o rosto de Ichigo para trás, constituindo uma das típicas cenas das brigas que tinham. Puxavam os cabelos um do outro, se socavam, e trocavam pontapés.
– Já chega; Ichi-ni, Karin-chan!
O grito de Yuzu paralisou os dois, feito uma estátua repleta de feições estranhas; braços e pernas se intercalando, numa espécie de balé.
– Nós temos visitas, comportem-se. – complementou, pondo as mãos na cintura.
Os dois largaram um ao outro, cruzando os braços em descontento. Não gostavam de receber ordens de Yuzu, e muito menos de contrariar a irmã mais nova. Talvez pelo fato dela lembrar-lhes bastante sua mãe, ou simplesmente por não quererem ficar sem a comida deliciosa dela.
Grimmjow teve de conter o riso pondo as mãos na frente da boca. Era engraçado demais ver um cara feito Ichigo curvando a cabeça a uma garotinha. Se fosse com ele, teria dado uns tabefes na menina; nunca receberia ordens de ninguém!
Se bem que... Ele parecia bastante tranqüilo em relação à Ichigo ter certa moral sobre ele. A orelha ardeu nesse pensamento, e começou a praguejar mentalmente. Merda! Refletindo agora, tinha deixado o garoto confortável demais, acostumado demais. Emburrou o cenho querendo tirar satisfações com ele. Quando foi que se tornara um bichinho de estimação?
– Então... – continuou Ishida, ajeitando os óculos – Porque ficou na casa dele esses dias?
Começando a suar frio, Ichigo tentou elaborar uma resposta, alguma história, ou ainda: queria uma maneira de contar a verdade a eles de forma amena. No entanto, nesse caso, não havia um jeito sutil de desenrolar as palavras. Todas as vezes que visualizou essa conversa, jamais imaginara que seria tão... Complicado.
E no meio desses problemas, o sorrisinho descarado com o qual Karin o mirava o deixava furioso, acabando por responder o quatro olhos de qualquer jeito:
– Eu... Fui o ajudar a decorar a casa! – um comentário irônico, levando em conta o estado do templo.
‘Já fui melhor nisso. ’ Pensou o ruivo, arrependendo-se do que dissera. Voltou o olhar para Grimmjow procurando uma espécie de ajuda, todavia, ele tornou a segurar o riso, quase apontando para a expressão de desespero de Ichigo.
Tremendo a base dos olhos – devido à raiva – o ruivo quis esganar Grimmjow, mas ao invés disso, outra vez, escutou as perguntas incessantes de Ishida; como ele sabia ser persistente!
– Kurozaki, pare de inventar essas bobagens, e diga a verdade duma vez! – exclamou – Inoue-san ficou bastante preocupada esses dias.
– Você também estava preocupado, Ishida-kun. – comentou Orihime, embolando a linha de raciocínio de Ishida.
Inevitavelmente, o quatro olhos corou, e, tossindo sem graça, respondeu numa tentativa de contornar as circunstâncias:
– Fiquei preocupado com sua preocupação, Inoue-san.
– Quem é que está se enrolando agora? – comentou Ichigo num tom baixo, mostrando sorrisinho sarcástico.
– Cale a boca! – respondeu Ishida, exaltando-se.
– Ichigo...
E, pronunciando-se pela primeira vez no meio daquela discussão, Chad conseguiu a atenção de todos, com sua voz calma, porém alta:
– Somos seus amigos, pode nos contar qualquer coisa, não importa o que seja.
Um sentimento de culpa acometeu Ichigo, fazendo-o segurar a respiração. Oportunidades para contar a eles a verdade não faltaram. Mas no fundo, ainda existia um pouco de receio dentro dele. Não era o tipo de situação com a qual estava acostumado a lidar. Não tinha um lado sentimental muito forte, na verdade, era bem turrão às vezes. E falar de assuntos desse gênero seria, no mínimo, embaraçoso.
Coçando a nuca outra vez – sempre o fazia quando nervoso — começou a procurar na mente as palavras certas.
– Eu já devia ter contado há mais tempo... – disse respirando fundo – Não me entendam mal! Eu confio em vocês, só fiquei sem jeito.
A expressão de dúvida nas faces dos três amigos foi previsível. Continuavam ali, aguardando que Ichigo terminasse sua fala. Precisavam admitir, ele estava se esforçando, pois montar um discurso elaborado, cheio de pormenores não era bem uma das qualidades dele.
– Grimmjow e eu... Nós... Bem... Nós começamos... É complicado... A gente... A gente...
– A gente ta se pegando. – interrompeu Grimmjow, sem freios na língua.
Um punhado de comida fugiu da boca de Inoue, ao mesmo tempo em que Ishida cuspiu um bocado de chá no tapete. Os olhares de todos ficaram arregalados, até mesmo Yuzu, distante na cozinha preparando o almoço não se conteve, tentando pegar os diversos pratos que escorregaram das mãos. Inoue bateu no meio do peito, querendo desentalar a comida, e o quatro olhos procurava um lenço para enxugar o líquido escorrendo das narinas. Apenas Chad parecia inalterado, todavia, analisando-o bem de perto, era possível ver seus ombros tremendo um pouco, e gotas de suor caíam da testa incessantemente.
Qualquer comentário, no entanto, ficou para depois.
Cerrando o punho, Ichigo desferiu um soco contra Grimmjow quase o arremessando através da sala. A cabeça do ruivo fervia de vergonha e raiva, querendo trucidar aquele homem.
Grimmjow protestou, rosnando na direção do garoto, tendo de ouvir as reclamações dele:
– Porque você tem que ser sempre tão direto?! – vociferou Ichigo; as veias lhe saltando da testa.
– Porra! Você tava todo enrolado!
– E isso por um acaso é algum tipo de ajuda?!
– Falasse de uma vez então, ao invés de ficar gaguejando que nem um retardado mental!
Rangendo os dentes, Ichigo preparou um novo soco, sorrindo desconcertado, e as veias pareciam ter se multiplicado por seu pescoço:
– Eu vou arrebentar sua cara! – gritou, tremendo os olhos castanhos.
Sorrindo de orelha a orelha, porém, parecendo mais irritado do que feliz, Grimmjow posicionou-se numa base de luta, aceitando o desafio daquele moleque metido:
– Pode vir; ruivinho.
Chamou-o pelo apelido de propósito, provocando a ira do garoto. Nisso, Ichigo deu um passo adiante, junto de Grimmjow, enquanto os demais assistiam a cena inusitada. Karin, em algum momento, apanhou o balde de pipoca da mesa. Seus globos brilhavam como se visse um filme ao vivo. Orihime, tornando a respirar, tentou erguer-se a fim de impedi-los, porém, não fora preciso.
Correndo até os dois, Yuzu jogou-lhes um punhado de água na face, e, surpresos, os dois pararam com os braços levantados no meio do ar, prontos para socar a cara um do outro.
– Ichi-ni! – gritou Yuzu – Pare de ficar brigando com os outros dentro de casa!
– Mas foi ele quem começou! – replicou, tentando se justificar.
Baixando a cabeça no meio dos ombros, Yuzu começou a tremer, preocupando Ichigo, Ela ia chorar?
E em seguida, o ruivo quase se encolheu num canto, pois a expressão de ódio vinda daquela menina tão meiga e pequenina assustou-o. Ela parecia ter se transformado num demônio, falando, com uma voz baixa, calma, e amedrontadora:
– Ichi-ni... Eu fico cuidado dessa casa o tempo todo... Limpo, lavo, varro... Se você começar uma briga, e bagunçar um vasinho de flores que seja... Eu vou... Eu vou...
– Calma Yuzu, já passou!
Karin chegou, segurando os ombros da irmã e a empurrando de volta na cozinha. Yuzu continuava a balbuciar frases desconexas ‘cozinhar, limpar, lavar... Esse irmão idiota nunca me deixa em paz!’
Ficando de pé Ichigo ajeitou-se, tornando a coçar a nuca. Havia se esquecido de como Yuzu era sensível com os assuntos relativos a casa.
Com os ânimos mais calmos, os olhares recaíram sobre Ichigo e Grimmjow novamente. O ruivo ficou sem graça, vendo a expressão de Ishida e Chad. Por sorte, Orihime já sabia de tudo – menos uma com quem se preocupar. Tossindo fortemente, Ishida ajeitou os óculos, dizendo:
– Então... Você e o... Grimmjow-san?
– É. – respondeu de imediato, virando o rosto sem encarar o quatro olhos.
– Isso era... O que queria nos contar, Kurozaki? – indagou Ishida.
– Sim! Eu sei que devia ter dito antes...
– Não... Não é isso...
– Hã?
Arqueando uma das sobrancelhas, Ichigo voltou-se para Ishida, perguntando-se porque ele ajeitava tanto os óculos.
– Se era só isso, nem precisava ter o trabalho de nos contar.
– Como assim?! – exclamou – Porque não?!
– Nós já sabíamos.
Piscando inúmeras vezes os globos, Ichigo ficou paralisado, encarando o reflexo dos óculos de Ishida. Depois, soltou um longo grunhido de dúvida, perguntando à ele:
– Como assim já sabia?!
– Era evidente. – replicou o moreno.
– E-evidente?!
– Ichigo eu... Também já sabia. – comentou Chad
– Você também?!
A voz alta de Ichigo foi o ápice. Grimmjow ajoelhou-se no chão, rindo, gargalhando, quase pondo os pulmões para fora. Tanto escarcéu, tanta ladainha, tanta frescura do ruivo... Por nada!
– Ah! Eu também já sabia Kurozaki-kun. – disse Inoue, alegre.
‘Óbvio que já sabia’! Ichigo pensou em falar, mas estava sem graça demais para isso. Pôs a mãos na frente do rosto, o esfregando da testa ao queixo. Depois, andou até o sofá, sentando-se. As bochechas haviam ficado um pouco coradas, porém nada muito perceptivo. Jogando os braços no meio das pernas, disse:
– Então... Você estão de boa?
– Ichigo, você insulta minha inteligência falando desse jeito.
– Deixa de ser convencido, seu quatro olhos de merda!
– O que disse?!
– Ichigo... – prosseguiu Chad com a fala — Como eu disse, nós somos seus amigos. Não importa o que acontece vamos continuar sendo.
– Isso mesmo! – exclamou Inoue — O Kurozaki-kun continua sendo o Kurozaki-kun! Só que o Kurozaki-kun está mais feliz agora! Então, nós também estamos felizes.
Ishida, Chad e Inoue... Ninguém poderia querer amigos melhores do que estes...
Sorrindo, um sorriso rápido e despercebido, Ichigo esticou os braços para cima de espreguiçando. Uma tonelada havia acabado de sair das costas. Grimmjow chegou perto dele, apoiando-se no braço do sofá, terminando de enxugar as lágrimas no canto dos olhos. Fazia tempos, não se divertia assim! O ruivo chegou a dobrar as sobrancelhas, mas ignorou a expressão divertida na face do maior, e, encostando-se no acolchoado sofá, indagou, voltando-se à Orihime:
– Bem, já que esse caso foi resolvido, pode me contar agora qual era a novidade tão importante?
Mostrando os dentes e remexendo os braços no ar, pequenas estrelas pareciam rodear Inoue, tamanha sua felicidade quando disse:
– Nós vamos viajar!
Na noite do dia vinte e cinco, em cima duma das camas mais aconchegantes das quais já dormira em toda sua vida, Renji mirava um terno italiano, bem alinhado posto sobre o colchão, havia sapatos lustrosos abaixo dele, e uma gravata vermelha, combinando com a tonalidade do seu cabelo. Bufou irrequieto. Detestava ter de usar roupas formais. No máximo, vestia uma blusa social branca e olhe lá. Contudo, Byakuya persistiu em recomendar seu traje para a festa de hoje. Seria realizada no salão cardinal do hotel, um coquetel de celebração especial, afinal, nem mesmo um bando de doutores e cdf’s de carteirinha podiam resistir a uma festança de natal. Claro, por ele, iria a um bar, ou na casa de algum amigo bebendo, dançando, como sempre fazia. Essa atmosfera meio... Familiar, lhe era estranha.
Conformado, bufou novamente, apanhando o terno, indo se trocar no banheiro. Aliás, aquele banheiro poderia ser muito bem um segundo cômodo de tão grande. Pela primeira vez havia usado uma banheira, e, a despeito de crer ser algo muito metido, fora a única coisa que gostara até agora nessa viagem. Okay, ficar ao lado de Byakuya também, mas isso já era esperado.
Aliás, quem sempre o importunara era Rukia, indo e vindo no seu quarto a maior parte do tempo, entediada. Ao que parece, seu professor tinha comentado sobre a euforia da irmã quando iam nesses eventos. Ela ficava elétrica, querendo ir a todos os lugares, mas, apenas podiam caminhar pelos locais das apresentações e palestras. Já visitaram diversos países, e, quase nunca podiam sair e aproveitar o turismo. Viajando com Renji, e ainda, esperando ansiosa pelo dia seguinte, quando os amigos de Ichigo chegariam ao resort; a deixaram completamente fora de si.
Pensar em Ichigo aparecendo ali no meio daquela viajem só piorava tudo. Afundando debaixo das bolhas na banheira, Renji prendeu o fôlego, imergindo naquele mundo aquático, tão distante da realidade.
Se pretendia fugir, não deveria ter aceitado vir nessa conferência. Não era apenas por Ichigo, mas, e talvez principalmente, por Byakuya. Seu único trabalho ali dignava-se a segui-lo para cima e para baixo, fazendo anotações, sendo apresentado hora ou outra, enviar formulários e documentos... Ele parecia mais um secretário do que aluno. Afinal de contas, tinha alguma esperança? Chegou mesmo a imaginar que nessa viagem aconteceria algo além disso? O quão tolo havia se tornado...
Esticou o pescoço para fora da água soltando o ar preso. Apanhou a toalha se enxugando, ouvindo alguém bater na porta. Amarrou o pano na cintura, e foi atendê-la bagunçando o cabelo com os dedos.
– Kuchiki-sensei! – exclamou vendo o homem já arrumado parado na porta.
Demorando alguns segundos à responder, Byakuya baixou os olhos, quase os fechando, mantendo a compostura usual:
– Se apronte depressa, ou iremos nos atrasar. Estarei na entrada do salão cardinal.
– S-sim senhor!
Ao ouvir o som da porta, Byakuya apertou as têmporas, entrando sozinho no elevador. Claro... Era de se esperar com a sua maldita sorte... Renji tinha de estar usando apenas uma toalha! E uma toalha minúscula, diga-se de passagem! Acaso o hotel estava economizando tecido?! Ah! E o corpo molhado... O cabelo longo grudando na pele... Porque seus olhos cismaram em seguir as gotas escorrendo por ele? Entretanto de nada adiantava ficar nesses inúmeros inquéritos, se já sabia a resposta.
Ter sugerido a viagem fora um grande equívoco. Aquele homem arrepiava os pelos de seu corpo, ouriçando os sentidos. Cada vez que ouvia sua voz, ou o cheiro do perfume barato entrava nas narinas; as expressões de sua face, o toque ocasional das peles; simples gestos levavam a um reboliço, uma debilidade nas forças internas, ao mesmo instante em que se engrandecia num ímpeto, numa coragem, que nem mesmo ele sabia possuir. Renji o enchia de pensamentos vagos, confusos, e, principalmente, frustrantes! Não sabia como reagir, se articular, ou apenas raciocinar ao seu redor; o cérebro pifava.
Necessitava urgentemente duma bebida. Whisky, bem forte. Só assim conseguiria sedar suas incertezas, ao menos até o fim da noite. Chegando ao salão procurou por algum garçom, fazendo seu pedido. Graças a deus, Rukia ficou em seu quarto – passando mal por ter comido demais no almoço. Continuou de pé, vendo os mestres e doutores adentrando o salão. Já segurava o segundo copo, contendo o líquido marrom escuro e uma grande pedra de gelo moldada em círculo, quando Renji chegou ao seu lado, correndo. Seguindo suas instruções, ele havia deixado os cabelos presos num rabo de cavalo simples. Apesar das tatuagens deixarem os demais desconfortáveis, era melhor do que aparecer com a juba desgrenhada.
E o terno havia caído muito bem nele. Roupas formais o deixavam mais adulto, mesmo com a sua personalidade... Animada.
Mais sossegado Renji pode observar o corte fino e justo das vestes brancas de Byakuya. Ele gostava dessa cor. Uma gravata azul escura quebrava a tonalidade clara de seu terno, complementando a figura imponente do professor. Os cabelos, para sua surpresa, pendiam na frente do rosto, livres das usuais presilhas. Aquele homem permanecia esplêndido de qualquer forma.
– Desculpe-me pela demora. – adiantou-se na desculpa.
– Apenas vamos entrar.
Sem mais delongas, entraram no saguão, acompanhando os demais convidados da festa. Uma mesa repleta de comidas de todos os tipos aguardava ansiosamente pelos pratos. Renji podia se fartar nela sozinho se deixassem, tamanha sua fome, porém segurava o estômago, sabendo que deveria se portar. Desde o primeiro dia os outros doutores lhe olhavam numa expressão julgadora, e Byakuya apenas comentava ser coisa da juventude, tratando ser apenas um estagiário ‘qualquer’. Não queria atrair atenções e reprovações desnecessárias ao seu professor.
Byakuya pediu-lhe para esperar ao lado de seus lugares marcados, enquanto tratava de assuntos de trabalho com outros companheiros de profissão. Engolindo seco, o tatuado apanhou um copo qualquer da bandeja dum garçom, bebendo pequenos goles, parecendo ocupar-se.
Longe dali, no meio de uma roda alegre, alguns senhores riam escandalosamente, quase ignorando os comentários de Byakuya. Ele bem que tentava atrair a atenção delas para o tópico principal de sua conversa, mas ninguém estava com ânimo de trabalho.
– Kuchiki-san, relaxe! – falou um deles – Estamos no meio de uma festa!
– A oportunidade de nos encontrarmos novamente não será tão breve.
– Ainda assim, essa noite é para nos divertimos! Esqueça do trabalho!
Bufando baixo, Byakuya pediu outro copo de whisky. Era o quarto, mas apenas dessa forma conseguiria acalmar-se.
– Byakuya-san, você já foi mais divertido!
Os olhares voltaram-se ao gordo homem de barba branca. Ele parecia conhecer Byakuya há algum tempo. Tremendo um pouco os olhos, o moreno respirou fundo, perguntando a ele de maneira sutil, o porque do comentário inapropriado:
– O que quer dizer?
– Ora essa! Sua cara era bem mais alegre! Agora parece que chupou limão.
Os demais riram, mas o professor ficara bastante desconfortável. Mesmo que fossem colegas há anos, não tinha o porquê falar assim no meio de estranhos:
– Lembro-me que... Fazia brincadeiras, e também sorria de vez em quando!
– Verdade? – indagou outro homem – E porque essa cara de tristeza hoje no dia de natal? Perdeu os dentes?
Noutra gargalhada geral, Byakuya ajeitou os ombros, terminando o copo numa golada só. Sentiu um pequeno tontear, porém nada de mais.
– Ha-ha! – riu o gordo homem barbudo – Byakuya-san se divertia mais quando era casado.
Uma bala atravessou bem no meio de seu peito. Seus joelhos vacilaram, quase o levando ao chão, contudo, manteve-se firme. Frio e calculista, sua expressão permanecia amena, pois aquelas palavras não tinham importância, ele não podia ser atingido por elas. Policiou-se por tantos anos a esquecer dessas memórias, apagá-las como se fossem um filme antigo. Em muitas ocasiões evitara olhar o rosto de Rukia, e podia ver a tristeza da irmã quando o fazia. Hisana fora apenas um devaneio, um momento em sua vida que acabara não era preciso chorar novas lágrimas, nem lamuriar-se. Então a risada daqueles gordos e patéticos homens, assemelhando-se a hienas, era irrelevante. Que falassem; que rissem; nada poderia o atingir... Nem mesmo ela.
– Casado, e com uma bela mulher! – outro acercou-se da conversa, aparentemente bêbado, como todos os outros.
– Naquela época, Kuchiki-sensei estaria no meio do salão, rindo e dançando com sua esposa! Ha-ha-ha!
Um passo de cada vez Byakuya saiu de perto daqueles porcos pestilentos, vacilando num andar cambaleante. Viu outra bandeja agarrando o copo em cima dela. O salão girou, as pessoas inclinavam-se da direita à esquerda. O estômago reclamou da velocidade com a qual recebera o líquido querendo o jogar para fora. Rodopiando os olhos, sentiu o braço ser posto por cima de algo- ou alguém. Recuperando um pouco da visão perdida, enxergou a cor avermelhada dos cabelos de Renji, deixando-se levar por ele à saída da maldita festa. O professor havia encontrado outro motivo para odiar celebrações.
O tatuado carregava Byakuya quase tendo que o arrastar. Tentou sair o mais depressa possível dali, evitando uma cena pública. Por sorte, a maioria dos convidados estava começando a bebedeira de natal emendada no ano novo. Antes de auxiliar o moreno, Renji já o vigiava à distância, prestando atenção no número de copos parando em sua mão. Algo parecia terrivelmente errado. Byakuya detestava perder a compostura, ainda mais na frente de pessoas tão importantes. Quando ele se afastou do pequeno grupo de doutores, largou sua taça de champanha ouvindo o estalar do vidro sem preocupação alguma. Apanhou-o antes de vê-lo estatelado no piso de mármore branco do hotel. Fora de si, o moreno nem protestou ao ser quase carregado no colo por seu aluno.
Com a porta do elevador fechada, Byakuya sentiu o rosto arder devido à quantidade de álcool ingerida, e mais ainda pelo embaraço de ser cuidado feito um bebê por Renji. Porém, a bebida tinha outras seqüelas ainda mais perigosas sobre ele...
– Kuchiki-sensei, estamos quase chegando ao seu quarto.
Byakuya ouvia uma voz distante como um eco dirigindo-se à ele, mal compreendendo as palavras. Acenou com a cabeça tentando evitar um diálogo longo. Arregalou um pouco os olhos ao sentir as mãos de Renji apalpando-lhe os bolsos do terno à procura das chaves. Depois, o clique da porta veio, e o ruivo ajeitou seu professor nos seus braços, fazendo-o ficar de pé à sua frente. Fechou a entrada atrás dele, tentando remover seus sapatos. Quando notou a estupidez disso – pois mal conseguia carregar Byakuya direito, que dirá tirar seu calçado – entrou no cômodo de qualquer forma, indo até a cama.
Vez ou outra Byakuya soltava um grunhido de desconforto, e Renji apenas batia levemente em suas costas, indicando estarem perto do fim do trajeto.
Com cautela, o tatuado pôs a mão por detrás da nuca de Byakuya o descendo na cama. Envergou seu corpo sobre o dele retirando-o de seu colo e, parou, fitando a expressão tranqüila do professor, e sua face corada. Respirou fundo, juntando forças para se levantar dali, no entanto, sentiu a mão de Byakuya repousar em seu ombro enquanto este resmungava:
– Não fique aí parado! Tire minha gravata...
Pedir a Renji que retirasse alguma parte das duas roupas seria arriscado de qualquer maneira, mas abusar da boa vontade dele quando o moreno estava nesse encantador estado de fraqueza, fazia o coração acelerar no peito do ruivo.
– S-sim senhor...
Respondeu esticando os dedos trêmulos até o pescoço branco e alvo daquele homem. Afrouxou o nó com dificuldade, mas por fim, removeu a gravata, enrolando-a na escrivaninha ao lado da cama. Depois, foi aos pés dele, puxando os sapatos e os pondo no chão.
– Renji...
Ouviu seu nome sendo chamando naquela voz manhosa assemelhando-se a um convite maldoso. Respirando fundo novamente, o tatuado reafirmava em seus pensamentos que o professor encontrava-se totalmente bêbado, sem noção alguma do que fazia. Sentado ao lado dele na cama, perguntou se queria um copo d’água, ou alguma comida, pois nem tiveram tempo de saborear o banquete da festa. Interrompendo suas indagações, Byakuya ergueu o braço, metendo os dedos no meio das melenas ruivas, e puxando com força a presilha as envolvendo. Renji reclamou baixinho do desconforto, tendo os fios vermelhos caindo sobre as bochechas avermelhadas. Afastando os lábios, inábil de qualquer reação, deparou-se com as íris acinzentadas de Byakuya encarando o marrom de seus olhos sem vacilar. As maçãs da face pareciam brasa de tão vermelhas e quentes, e os cabelos pretos adornavam as feições amenas do professor, querendo desenhá-lo feito uma pintura.
– Você fica bem melhor de cabelo solto. – comentou o homem, alisando os fios rubros.
– S-sensei...
Suas bochechas esquentaram, combinando com a tonalidade das melenas soltas sobre a testa. O corpo todo tremia, pois pela primeira vez sentia o toque tão gentil de Byakuya em sua pele; os dedos batendo nos cabelos, o bagunçando um pouco.
Num movimento esguio, Byakuya empurrou as costas no colchão sendo capaz de sentar-se na cama, ao menos por alguns segundos. Os pulsos avançaram ao terno de Renji, entranhando as mãos nas bordas do tecido, amassando-o, e a boca do moreno adiantou-se aos lábios carmesins daquele homem. Sem espaço a qualquer reação, Renji sentiu ser puxado para baixo, quando o moreno tornou a cair devido à falta de sustento, deixando metade do dorso por cima dele, à medida que o professor continuava o ósculo, engrazando a língua no meio dos lábios, volteando-a junto da dele. Saliva quente escorria pelos cantos devido à voracidade com a qual Byakuya o tomara, roubando o ar do tatuado para si; deixando-o sem fôlego algum, e ainda assim, com um desejo fulminante de expandir as tão intensas e sonhadas carícias.
Largando o terno e afastando-se dele, Byakuya observou os olhinhos trêmulos e incrédulos de Renji mirando-o. Ele parecia um cachorrinho que acabara de ganhar um prêmio. Sorriu do próprio pensamento, causando uma nova confusão na cabeça de Renji.
– Você... Também fica bem melhor assim, Renji.
Falou com o bafo rebatendo na pele do ruivo. Desnorteado, ele apenas entregou-se aquilo, tornando a descer a boca de encontro à Byakuya, aproveitando-se, ainda que sem saber, da sinceridade e da falta de pudor que o álcool dava ao moreno quando em excesso. Paciência... Teriam de resolver isso amanhã; e amanhã apenas.
Continua
Notas finais
Ps: quando Grimmjow se pergunta: "Quando ele se tornara um bichinho de estimação?"
Comentário pessoal da autora: Grimmjow, desde o início da fanfic...
xD
hahahaha, agora chorem, e esperem pelo próximo capítulo ansiosos! Prometo que o escreverei com muito amor e carinho... e Sadismo tb... hehehe
Kisus meus amados fãs, até a próxima
ps: Hmmm... de repente passei a gostar de whisky...
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