Maipetto no Neko
33 Capítulo 33 - Simbiótico
Notas iniciais
Esse capítulo foi inspirado numa música da minha banda favorita, e peço encarecidamente, que quem puder (e tiver saco) escute a música, ao menos nas partes mais picantes. Assim vocês terão uma idéia de como eu me emocionei escrevendo esse capítulo! aqui está o link da música:
http://www.youtube.com/watch?v=5aan_DTCc3c
ps¹: no início da fic está a letra da música, para quem quiser depois, ou antes de ler o resto do capítulo, eu coloquei a tradução dela nas notas finais, é só dar um pulinho lá p ver!
Kissus, e boa leitura!
Maipetto no Neko
Capítulo 33 – Simbiótico
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Control my tiniest motions
Withhold my simplest needs
I wish you weren't this close now
I wish you didn't succeed
Eraseable — expendable
Untraceable — Unmendable
Control my tiniest motions
Withhold my simplest needs
I wish I didn't need you now
I wish you didn't need me
I need you now
I need you now
I need you now
I need you now…
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Saltitando, o coração de Ichigo bombeava o sangue freneticamente por suas veias, um calor subia até o rosto, num misto de susto e raiva. Susto, por ver Grimmjow naquele estado; raiva, porque não havia chegado a tempo de impedir que acontecesse.
‘Acontecer’ o que exatamente, não sabia explicar. Grimmjow parecia uma besta enfurecida, acuada no canto daquele quarto, preso na metade de sua transformação, como acontecera outra vez. No entanto, agora a situação era diferente. Mesmo sem saber o porquê, sentia até nos ossos, que se não o fizesse retornar à sanidade, poderia perder Grimmjow para sempre.
Ichigo tinha um cérebro, muito bem usado, por sinal. Pode juntar dois mais dois e saber que a condição atual de Grimmjow tinha relação direta com os seus poderes místicos — óbvio.
E Neriell estava tentando alertá-lo disso quando foi á sua casa. Mas o estado abalado da mulher a impediu de dar maiores informações. Sendo assim, escutaria tudo da própria boca de Grimmjow, mas apenas quando ele voltasse a si.
A criatura arqueava o corpo para cima e para baixo; os olhos azuis cintilantes parecendo brilhar com a luz do fim de tarde, que vinha da porta da varanda destruída. Podia ver todo o jardim da casa, e a destruição espalha pelo gramado; terra revirada, pedras quebradas, árvores com a casca ferida...
Grimmjow tremia os lábios, mostrando dentes mais longos e afiados. Quando se moveu um pouco para frente, o ruivo pode ver melhor o estado físico dele. Suas orelhas haviam esticado de tamanho, ficando pontudas. O cabelo havia crescido, abaixo dos ombros, num penteado meio desgrenhado. As íris dos olhos afinaram, formando uma linha no centro do globo, tal como a de um felino arisco. Pode notar uma cauda balançando atrás dele – uma cauda branca e grande. Suas mãos pareciam ter crescido também, junto das unhas, que, mesmo de longe, tinham a aparência amedrontadora, com garras grossas, prontas para rasgar a carne de uma presa indefesa sem esforço algum. A blusa tampando o torço de Grimmjow tinha vários buracos e rasgos, revelando que ele mesmo havia se cortado, tentando removê-la, provavelmente. Mas seu tórax e seu abdômen pareciam iguais: ainda definidos, com os músculos fortes aparecendo, as linhas que os acentuavam, etc! Apenas estava machucado. Possivelmente, suas costas encontravam-se no mesmo estado. A calça cambaleando abaixo do umbigo estava em melhor estado, mas também havia sido destruída, nas laterais e na altura dos joelhos, indicando que ele havia se apoiado neles, e com muita freqüência, numa posição quadrúpede. Os pés também haviam crescido apresentando garras como as das mãos.
Na verdade, seu corpo ainda possuía traços remanescentes de humanidade, sendo somente uma espécie de mescla entre dois seres. Em quase toda a extensão de Grimmjow, ele ainda aparentava ser um humano; apenas com certas características... Animalescas.
Grimmjow continuou arqueado no meio da penumbra, parecendo analisar a nova figura no ‘seu território’, esticando a cabeça para frente e sentindo seu cheiro. A fera arregalou os olhos segundos depois. Aquele odor lhe era familiar. Um cheiro inebriante, conhecido, de alguém importante, alguém que ele não podia esquecer, impregnando o ambiente, fazendo suas defesas baixarem. Mas quem era esse ser? A memória falhava. Apenas sensações, vultos e imagens desconexas passavam por sua mente. Seu corpo queria reagir, antes de formular qualquer hipótese. Contudo, algo dentro de Grimmjow ainda conseguia impedir a fera. Não podia... Atacá-lo. Não àquela pessoa, ele, que era tão importante, tão indispensável. Quanto mais pensava, mais as palavras se embolavam dentro da mente de Grimmjow. As esquecia aos poucos, sem achar maneiras corretas de agir ou de se expressar.
Sentiu, com o vento que entrou no cômodo, o cheiro de carne podre. Lembrou-se, rapidamente, que havia deixado a carcaça de um pássaro no jardim. Havia o caçado? Nem mesmo conseguia recordar do que fizera. Só sabia que teve fome, e saiu à procura de algo. As árvores atraíam pássaros, eles pareciam apetitosos. Cenas dele mesmo subindo na árvore invadiam sua cabeça, ainda sem acreditar. A carne dos animais entrando na boca e preenchendo o estômago. Havia ficado satisfeito. Depois, jogou-se no pequeno lago do jardim, deixando a água limpar seu cheiro, e o sangue que tinha ficado no corpo.
Quem ele era? Um animal? Uma pessoa? Nem mesmo o próprio nome conseguia lembrar. Um nome engraçado, meio embolado, parecendo estrangeiro. Começava com uma letra... Grimm... Alguma coisa. Quem ele era? E isso importava? Quer dizer, mal tinha a capacidade de raciocinar, para que, então preocupar-se com nomes? Se tivesse sede, podia ir ao lago, e os animais que aparecessem no jardim virariam sua refeição. Tinha um abrigo, tinha água e comida, o que eram nomes, se precisava apenas seguir seus impulsos?
Sim, isso mesmo. Não mais importava quem ele era. Podia esquecer-se do resto, deixar o corpo cuidar da vida, ser levado pelos instintos. O tempo cuidaria do resto, cuidaria de apagar as memórias, cuidaria de fazê-lo esquecer. Já havia se esquecido de si mesmo, então, o resto, deveria ser dispensável. Nada mais importava.
Mas... Ainda assim. Aquela pessoa no seu território, aquele ser estranho, com a cor da ‘pelagem’ diferente o intrigava. Quem era a pessoa de cabelos laranja ali, de pé, olhando tão intensamente para ele? Era alguém importante... Só tinha certeza disso. Uma pessoa que fazia parte da sua vida. Mas qual vida? A de agora? A vida simples de uma besta?
Não. Ele era mais do que isso. Aquela pessoa pertencia a sua outra vida, a vida de antes, de quando ainda tinha a mente humana; a essência que se perdia cada vez mais dentro dele.
No entanto, tinha de lembrar. Uma vontade imensa percorria seu ser, o compelindo a focar a mente, até ter recuperado por completo a memória desse garoto ruivo. Ele era importante...
Engolindo seco, Ichigo soltou a maçaneta da porta, após ficar encarando Grimmjow por longos minutos, recebendo um olhar desconhecido dele, um olhar esquivo, como se não o conhecesse.
O coração ainda palpitava temeroso. Respirou fundo, pois se quisesse ajudá-lo, precisaria se acalmar primeiro. Apertou os dedos na palma da mão, forçando as próprias pernas a caminharem adiante. Ao ver esse movimento, Grimmjow acuou-se mais ainda no canto do quarto, rosnando. Mas Ichigo não se assustou. Manteve-se firme, confiante, afinal, como Neriell havia dito, ele era o único capaz de trazer Grimmjow de volta, e o faria, custa-se o que custar; mesmo arriscando sua vida.
Estufando o peito de ar, preparou o nome dele na garganta, e disse, sem vacilar a voz:
– Grimmjow.
“Ah! É mesmo! Era esse seu nome, seu nome humano.” Pensou a mente turva de Grimmjow, o homem-fera.
Aquela pessoa importante sabia seu nome, então, deveria ser realmente alguém importante. Letras voavam na sua mente, na tentativa de formar uma frase, ou uma palavra existente. Procurava por um nome, o nome daquela pessoa importante, o nome desse ruivo que o conhecia; esse ruivo era importante, esse ruivo com cheiro de morangos...
– I. Ichigo... – balbuciou a fera, com a voz rouca.
O garoto pareceu ficar mais aliviado. Verdade! Esse era o nome dele, o nome da pessoa importante! Ele se chamava Ichigo. Seu ruivinho...
– Grimmjow... Porque não me disse antes? – perguntou Ichigo, dando um passo de cada vez á frente.
“Por quê?” Ele pensou, parecendo recobrar um pouco de sanidade.
– Para te... Proteger...
Falou entre os dentes, procurando forçar a pronuncia das palavras, lutando contra sua bestialidade.
– Me proteger? – indagou o ruivo – Do que?
– De mim...
Uma angústia profunda tomou conta de Ichigo. Ah! Por quanto tempo ele havia se torturado dessa forma apenas para protegê-lo? Desde quando ele havia se sacrificado em silêncio por ele? Por que... Ichigo entendia os seus sentimentos. Se fosse para proteger sua família, seus amigos, Grimmjow... Ele também teria sofrido emudecido. E doía, doía muito perceber a agonia de Grimmjow, de tal forma, que seus órgãos, seus músculos pareciam contorcerem-se dentro dele, revirando dum lado a outro. Queria acalentar a alma perturbada de Grimmjow, confortá-lo, e nunca mais o abandonar.
Dando novos passos á frente, Ichigo estendeu uma das mãos, pois sabia que apenas poderia alcançar Grimmjow com seus sentimentos se o tocasse; palavras eram inúteis.
Mas a fera rosnou outra vez, começando a erguer o corpo do chão. A altura dele continuava a mesma de sempre, mas Ichigo tremeu quando viu a besta de pé, o mirando diretamente nos olhos.
– Não irei te machucar Grimmjow. – disse, tentando acalmá-lo.
– Você... Precisa ir embora... – respondeu, retorcendo os dedos das mãos.
– Não vou te deixar sozinho. – replicou.
– É PRECISO!
E a voz de Grimmjow ecoou feito uma tormenta, inundando todo o templo. Ichigo parou de andar, ficando a quase dois metros dele, vendo a força de vontade exercida por Grimmjow para continuar parado, para não feri-lo.
– Me deixe em paz! – gritou Grimmjow, socando com a lateral do punho a parede ao seu lado, criando um novo buraco na sua coleção.
– Jamais! – retrucou o ruivo.
– Não posso... Mais me controlar! – e seus olhos tremiam, os dentes rangiam, e as pernas dele queriam mover-se – Afaste-se de mim... Você... Eu nunca deveria ter me aproximado... Nunca deveria ter deixado você ficar tão perto de mim! – gritava.
Respirando fundo — uma respiração raivosa — Ichigo urrou, sobrepujando a voz de Grimmjow, e a espalhando pelo templo como uma enxurrada que carregava todas as suas sensações:
– NUNCA VOU ABANDONAR VOCÊ, NÃO DE NOVO! FICAREI AO SEU LADO... PARA SEMPRE!
E num pulo incontrolável, Grimmjow alcançou Ichigo naquela distância entre eles. Seu peso levou-o ao chão. As costas do ruivo bateram no piso de madeira num baque surdo, queimando pela dor da pancada. Ichigo cerrou os olhos devido ao brutal assalto, sem ter percebido quando Grimmjow apanhou ambas suas mãos e as prendeu entre seus longos dedos, acima da sua cabeça. A força dele tinha aumentado tanto, que nem mesmo esforçando-se ao máximo, conseguia livrar-se do aperto, mesmo com Grimmjow usando apenas uma das mãos.
– Grimmjow! – berrou Ichigo na frente de seu rosto, tentando acordá-lo.
Porém, a besta tinha tomado conta das vontades do maior. Ele sabia o que estava prestes a fazer, sabia que se odiaria por isso, sabia que Ichigo o odiaria, contudo, não conseguia mais lutar contra seus instintos. E conscientemente – ainda que internamente fosse contra — o maior pavor de Grimmjow tornava-se realidade.
Um ar quente saía de sua boca, respirando pesado, arfando, feito uma pantera, na iminência de devorar sua caça. Com a mão esquerda livre, agarrou o tecido da blusa de Ichigo, e num só golpe rasgou-a. Os botões voaram. Saltitando pelo quarto, feito pedrinhas, e os restos do pano caíam nas laterais do corpo do ruivo. Ichigo tentou debater-se, mas as pernas de Grimmjow prendiam as suas, impossibilitando-o de qualquer movimento.
A língua da fera estendeu-se para fora dos lábios, puxando ar para os pulmões. Depois, saiu outra vez, descendo conforme o corpo de Grimmjow arqueava, indo de encontro ao peito de Ichigo, que subia e abaixava devido ao esforço. A ponta da carne tocou a pele do pescoço, lambendo toda a sua extensão. O calor fez Ichigo estremecer. Queria resistir, mas ser tocado por Grimmjow – mesmo daquela forma – mexia com seus sentidos, inebriava suas ações.
Então, a língua afastou-se, voltando à boca de Grimmjow, sendo seguida por uma fina linha de saliva. Lambeu a lateral dos lábios num sorriso sádico. Tornou a abocanhar o corpo de Ichigo, descendo aos poucos, chegando ao peito desnudo. Sugou, sem pudor algum, os mamilos do garoto, ouvindo-o gritar. E a voz dele provocava a fera mais ainda. Continuou com as carícias naquela parte, rodopiando e chupando a cútis do garoto, que ia ficando avermelhada.
Suas garras apertaram o lado direito da barriga de Ichigo, arranhando-o. O ruivo expressou uma feição de dor, seguido de um novo grito prazeroso, quando Grimmjow passou a lamber as feridas superficiais. Aproveitou o caminho que fazia, e chegou ao seu abdômen, mordiscando os gomos do corpo definido, deixando marcas, devido as suas presas afiadas.
As bochechas de Ichigo tinham ficado coradas. A respiração se descompassou, e via do cantinho dos olhos a voracidade com a qual Grimmjow o atacava, num ímpeto selvagem e sedutor.
Céus! Quanto mais provava de Ichigo, mais vontade Grimmjow tinha de possuí-lo! E dentro de si urrava de ódio. Queria ter de volta o domínio de suas ações. Mas após ter chegado tão longe, parecia ser impossível.
Abaixando o corpo pesado, Grimmjow deitou-se sobre Ichigo, roçando-se nele. O calor aumentava a cada fricção, enlouquecendo o ruivo, que por alguns instantes, esquecera-se o motivo de estar ali.
Precisava parar Grimmjow, achar algum modo de recuperar sua mente, sua forma, por deus! Não queria perdê-lo!
No entanto, antes de poder executar qualquer plano, ou começar a pensar nele, Grimmjow se levantou, tomando alguns segundos de seu tempo para observar Ichigo de cima. O brilho do olhar havia desaparecido, e apenas uma figura enegrecida apoderava-se dos globos azulados, mostrando a total falta de consciência dele.
Ichigo suava. Apesar de estar à mercê daquela besta, preocupava-se pouco com sua integridade: franzia o cenho numa face tristonha por ver Grimmjow nesse estado, alheio ao seu redor.
A noite caía, escurecendo ainda mais o quarto. Apenas as luzes de algumas lanternas de chão do jardim iluminavam o cômodo, junto da lua. Nesse cenário, os contornos de Ichigo se acentuavam pelas sombras, e o brilho do suor embelezava a pele clara do ruivo. No entanto, aquele pano da calça lhe cobrindo a parte debaixo do umbigo ainda era um problema...
Sem um movimento prévio de aviso, duma só vez, Grimmjow arrebentou o cinto que a prendia, e, enfiou em seguida os dedos pela abertura folgada da calça, a puxando um pouco para baixo.
Ichigo arregalou os olhos, deixando as maçãs do rosto corarem mais ainda. Havia sido completamente descoberto por ele.
– Grimmjow, já chega! – protestou num tom de voz elevado tentando acordá-lo, mas de nada adiantou.
O próximo berro de Ichigo foi um alto gemido, no momento que Grimmjow baixou a cabeça abocanhando sua ereção – já rija – e começou a sugá-la. Os dentes afiados passavam pela pele sensível do membro, mas sem o machucar, apenas causando um sutil nervoso. Os fios longos do cabelo azulado batiam nas partes expostas de pele, causando espasmos no ruivo.
Grimmjow subia e descia com a boca, indo da ponta do falo até o final da base, molhando aquele pedaço tentador e delicioso do garoto. Ele não estava tentando ser sedutor, nem nada parecido com isso. Seus movimentos eram executados apenas com a intenção de saciar seus instintos. O ruivo, por sua vez, pego no meio dessas ações, não podia evitar sentir prazer, alimentando as vontades da fera; O membro entrava na boca de Grimmjow, que quase o engolia, e Ichigo revirava os olhos, contraindo o corpo perdido em meio a gostosa sensação, de ter a carne apertada delicadamente pelos lábios de Grimmjow.
A língua, então, rodopiou a circunferência da ereção, enquanto estimulava a parte debaixo com uma das mãos.
Os pulsos de Ichigo doíam, pois a todo instante, tentava se livrar da prisão de Grimmjow, sem sucesso. Seu corpo também se contorcia no meio dos gritos, grunhidos e gemidos. Abria a boca, soltando longos suspiros, e ficando cada vez mais corado.
Novamente, a besta ergueu-se, deixando a língua tocar uma última vez a ponta do membro de Ichigo, antes de tornar a mirá-lo por cima.
Grimmjow arfava vagarosamente, aproveitando a imagem maravilhosa, e perigosa do garoto. A face vermelha, a cútis do peito maculada, a ereção o convidando a um novo assalto... Tudo naquela pessoa aumentava seus desejos.
Continuava a atrelar os braços de Ichigo, e num movimento repentino, que assustou o ruivo, virou-o, deixando seu peito encontrar-se com o piso. O menor fez outra cara de dor, e depois, a língua de Grimmjow voltou a instigá-lo. Seguiu a linha do meio da coluna, provando do sabor salgado de Ichigo. O garoto contorcia-se com o calafrio que sentira, e, por reflexo, moveu a cintura para cima, batendo contra o meio das pernas de Grimmjow, percebendo agora o membro também em prontidão dele. Isso fez a besta grunhir numa espécie de ronronar; e a fera tornou a fazer o movimento, batendo contra aquelas partes arredondadas do garoto. Ichigo gemeu junto dele, inapto de alguma outra reação.
Indo até o cóccix de Ichigo, Grimmjow lambeu-o, usando uma das mãos para apertar a parte carnuda da traseira do ruivo. Mas a calça dele ainda estava atrapalhando.
Ichigo ouviu o zíper ceder – porém não arrebentar – e o jeans foi arrastado pelas suas pernas, deixando suas nádegas expostas.
Sentiu o bafo quente de Grimmjow achegando-se daquele local, e, gritou, no meio da angústia e deleite, quando recebeu uma mordida na carne à esquerda. As partes da blusa que ainda restavam inteiras tampavam seu rosto, impedindo-o de ver exatamente o que Grimmjow faria em seguida, sendo pego de surpresa a cada ato dele.
Os lábios da fera beijavam suas nádegas, passando a língua por elas, deixando-as ferverem devido ao calor que emanava. A mão de Grimmjow apertou uma das bandas, afastando-a da outra, e a língua concupiscente deleitou-se com o novo ponto do corpo do garoto descoberto, lambendo-o de leve, depois com aspereza; hora fraco, hora com mais afinco.
Isso havia feito Ichigo estremecer. Era a primeira vez que Grimmjow o tocava daquele jeito, naquele lugar. E ele oscilava numa linha tênue de estranheza e prazer. A visão do ruivo se enevoada com a sua própria respiração. O rosto vermelho, a voz saindo estimulada pelos impulsos do outro, o próprio corpo que aceitava ser tratado assim...
Ah! Não era apenas a fera! Ichigo também o desejava. Também precisava ter Grimmjow para si, por completo. Queria marcá-lo como dele; e a estigma seria tão profunda, que ninguém, nem mesmo ele próprio poderia apagá-la do íntimo daquela besta, da alma de Grimmjow.
Sabia que a cada dia passado, ansiava mais por Grimmjow. As horas sem vê-lo pareciam ser parte duma cadeia de torturas. O peito doía quando pensava nele, uma dor profunda e gostosa. Nem mesmo seus sonhos o deixavam em paz, o recordando da imagem dele, do seu sádico.
Sim, lembrava-se do sonho que tivera quando Grimmjow estava longe de seus braços. O medo de perdê-lo, vendo-o cair naquele mundo bizarro, no seu mundo interior feito de prédios e arranha céus inacabáveis... Mas enfim, o teve de volta, e não havia mais chuva nesse seu mundo. Ele voltara, com suas piadas, seu jeito torto e certo ao mesmo tempo, seu sorriso sarcástico e sincero de sempre.
Porém... Aquele se apoiando em suas costas não era Grimmjow. Não havia carinho, não havia paixão, apenas luxúria. E sua boca... Sua boca nem sentira o sabor doce do maior ao ser beijado por ele. A besta apenas o tomaria, e, depois seria descartado por ela quando não mais fosse necessário. Grimmjow jamais faria isso.
O que abusava dele não era quem amava. Era um ser diferente apossando-se do corpo de Grimmjow. Mesmo assim o queria. Ah! Como almejava por ele! Mas não daquele modo sombrio...
Num impulso de forças, lutando contra o poder de Grimmjow, e a seu próprio desejo, virou seu torço, atrapalhando as investidas da besta.
Com o susto, Grimmjow afrouxou os pulsos do garoto, sentindo ser empurrado para longe dele. Bateu o dorso na parede, rosnando de raiva.
Ichigo recompôs-se o mais depressa possível, ficando de pé e ajeitando a calça no lugar, que ficara meio frouxa. Passou a mão na boca limpando resquícios de saliva que ali escorreram durante as investidas de Grimmjow.
Viu o olhar da besta se erguer para encará-lo, furiosa. Ela apoiou as mãos no chão curvando as costas para frente, como se estivesse preparando-se para um pulo.
Atento a cada alteração nos músculos de Grimmjow, Ichigo preparou-se para repelir qualquer ataque vindo dele; pois agora a besta iria atacar, até ter de volta aquilo tomado dela.
– Se eu precisar, eu vou te socar até você voltar ao normal, Grimmjow! – falou o ruivo, convicto.
Rosnando, a besta avançou, sem importar-se com as frases dele. Tentou atingir Ichigo no meio das pernas, a fim de fazê-lo cair no chão, mas o garoto esquivou-se no último segundo, agarrando com a mão esquerda os cabelos de Grimmjow, o jogando de volta para trás.
Já de pé, pronto para o próximo golpe, a besta tentou derrubar o ruivo, mas novamente foi surpreendida pelas esquivas dele; mudando os pés de lugar, desviando seus braços do caminho com leves empurrões, segurando seus pulsos. Por mais que tentasse, a besta não conseguia alcançá-lo, ficando um passo atrás dele em todas as tentativas.
– Grimmjow, você precisa parar; Agora! – urrou Ichigo.
E depois de ouvi-lo, a besta deu outro pulo, dessa vez indo com todo o corpo para cima do garoto. Surpreso, o ruivo protegeu o rosto com os braços rapidamente, deixando ser levado de volta ao chão.
Agora, brigavam pelo piso de madeira, rodando de um lado a outro, ora com Ichigo por cima, ora com a besta, tentando dominá-lo outra vez. Trocaram socos, pontapés e joelhadas. As pernas enroscando-se, os braços empurrando um ao outro, e ninguém parecia estar perto de ganhar.
Vendo o cabelo de Grimmjow cair sobre sua vista, Ichigo teve a oportunidade de segurá-lo, dando um puxão. Reclamando num grito, a besta sentiu o cotovelo do garoto apoiando-se em seu pescoço no mesmo instante, o impedindo de ver com nitidez o rosto do ruivo. A garganta era pressionada, e a cabeça continuava a ser forçada para trás.
– Grimmjow, já chega! Ta na hora de você acordar! – berrou Ichigo – Você tem que sair dessa! Você consegue!
Porém, mesmo com as súplicas do ruivo chegando aos ouvidos de Grimmjow, seu ser havia sido trancafiado numa jaula interior, e o guarda a protegendo, era a própria besta, apresentando-se a ele numa forma animalesca; na sua forma animalesca. Porém, era uma aparência mais distorcida; gigante, assemelhando-se a uma pantera albina, o vigiando a todo o instante, impedindo que seu espírito, que sua consciência tomasse conta do corpo outra vez. ‘Esse é o preço... ’ A besta falava num grunhido desvirtuado e rouco. E dentro da jaula, Grimmjow batia nas traves, as apertando e balançando, tentando libertar-se. Por deus! Não queria mais ferir Ichigo! Já chega... Ver tudo aquilo sem poder reagir! Não... Precisava sair. Precisava se libertar! Ele o odiaria! Como o odiaria! A cobardia de não poder retornar à sanidade, como era frouxo, suscetível ao fracasso!
Batendo no chão, os dois continuavam a se engalfinhar, até a besta, num momento de impaciência e ira, abrir a boca, revelando os dentes pontudos. Abocanhou o braço próximo a ela, numa mordida profunda, cravando os caninos no antebraço do garoto.
Ichigo reclamou de dor num grito, socando a barriga de Grimmjow. Fora um reflexo, um golpe que aprendera há muitos anos, que poderia o livrar daquele ataque. Acertando em cheio a boca do estômago da besta, ela largou o braço do ruivo, caindo encolhida, abraçando a própria barriga, querendo vomitar, sentindo-se zonzo.
Quando conseguiu levantar o corpo um bocado, foi pego de surpresa por Ichigo, que não iria desistir tão cedo daquela luta. Nesse ponto, era orgulhoso, e jamais se permitiria fracassar.
Enroscando o pescoço de Grimmjow com o braço ferido, Ichigo pôs o outro braço por entre o flanco da besta, apoiando uma mão na outra, começando a prendê-lo num sufocamento. O sangue escorria da enorme ferida aberta no antebraço, encharcando o torso do maior, porém não se importara.
A fera berrou. Debatia-se na tentativa de se livrar do ataque de Ichigo, mas ele estava determinado demais. A adrenalina bombeando pelas veias, a fúria por ele mesmo ter sido incapaz de controlar Grimmjow antes, por tê-lo deixado nesse estado. Ao menos uma coisa precisava fazer certo: precisava concertar tudo!
Ichigo continuou apertando a garganta da fera, sentindo uma agonia lancinante a cada berro de dor soltado por Grimmjow. Se as coisas prosseguissem dessa maneira... A besta jamais cederia. Ela tentaria dominar Grimmjow de todos os jeitos, e se não o conseguisse... Morreria tentando.
Não, não podia deixar isso acontecer! Sendo ele a provocar a morte de Grimmjow, ou essa maldita besta, essa realidade não podia se concretizar!
Os olhos dele começaram a ficar esbranquiçados, revirando, indicando que Grimmjow estava em seu limite. Assustado, Ichigo afrouxou o aperto, porém manteve as mãos ainda unidas, a fim de evitar uma nova tentativa de libertação dele.
A besta arfou, tossindo, procurando por ar, mas ainda na tentativa de contornar a situação. Empurrava, chutava, arranhava o piso e qualquer coisa próxima a ele, soltando gritos de cólera, gritos de desespero. Chegou a arranhar as coxas do garoto, que cerrou os olhos.
Em meio a tudo isso, a aflição de Ichigo só aumentava. Rangeu os dentes, mordendo a ponta dos lábios, sem mais opções para recorrer na sua tentativa de salvar Grimmjow. A fera continuava ali, firme e forte, tentando manipular Grimmjow, querendo levá-lo à loucura. Então acabaria assim? Ele em seus braços, transformado nessa maldita besta pelo resto de sua vida? E que vida?... Como poderia viver depois disso? Não seria capaz, não sem Grimmjow; sem ele... Sem ele nada fazia sentido!
Baixando a cabeça e a recostando no ombro de Grimmjow, Ichigo negava-se a enxergar a verdade achegando-se de seu futuro. Os solavancos do maior empurravam sua cabeça, mas ele não se afastava por nada. Esfregou os cabelos ruivos nas contas de Grimmjow, e depois permaneceu imóvel, no vão entre o ombro e seu pescoço.
Fios quentes escorreram de seus olhos em amargura, colorindo a cor âmbar deles com o turvamento das lágrimas, e a vermelhidão do choro.
– Eu estou aqui... – falou o ruivo rente ao ouvido de Grimmjow.
A fera ainda se debatia, apesar de ter diminuído o ritmo. Talvez houvesse ficado sem forças, pois arfava pesadamente.
– Eu sempre vou estar aqui, Grimmjow... Então... – engasgou na última palavra, e tornou a falar em seguida – Então, se eu consigo ser forte o bastante para ficar ao seu lado, não importa o que aconteça, porque é que você não consegue?!
E gritou na última sentença, para reafirmá-la, para acordar Grimmjow dentro daquele corpo. E prosseguiu, curvando as sobrancelhas em raiva:
– Cadê aquele cara, cheio de si, que me agarrava rindo, que me fazia sorrir com seu jeito sarcástico, sua maneira largada e despreocupada de levar a vida... Onde foi parar o Grimmjow pelo qual me apaixonei?!
Conforme seguia com o desabafo, seus braços soltaram aos poucos a constrição de Grimmjow, indo até a altura de seu peito, onde o apertou num abraço, em meio ao líquido carmesim espalhado ali. Puxou-o para trás, sentindo as costas dele, baterem na pele do seu tórax. As respirações de cada um seguiam ritmos diferentes. Ichigo, cansado, sofrendo; Grimmjow, furioso e violento.
– Não me importo com mais nada. Posso perder qualquer outra coisa, posso perder minha vida! Mas não posso perder você!
A fera estremeceu, involuntariamente com as palavras dele; daquela pessoa importante. Os balanços imprevistos diminuíram, quase parando, querendo escutar a voz do ruivo.
Na jaula interna, Grimmjow sentiu uma espécie de terremoto sacudir o local. O guardião animalesco rosnou, parecendo estar irritado.
– Já aconteceu tanta coisa conosco, e mesmo assim continuamos; ficamos juntos! – continuou Ichigo – Se você me abandonar agora, jamais irei te perdoar! Vai mesmo me deixar aqui sozinho?! Acha mesmo que isso me fará feliz?! Então pense de novo, seu babaca escroto!
Noutro abalo, o guardião-fera berrou, tentando restabelecer o equilíbrio. O corpo de Grimmjow debateu-se outra vez, fazendo Ichigo quase soltá-lo, mas suas mãos apenas o puxaram para mais perto, negando-se a soltá-lo.
Grimmjow sacudia as grades, forçando a base da cela. Mas a besta não levava a sério o ímpeto dele. Já havia conquistado a vontade do homem. Tudo era uma questão de tempo. Precisava apenas ser paciente, e o corpo de Grimmjow seria seu.
E a consciência de Grimmjow percebia, ainda sem querer render-se, o destino ao qual estava fadado.
A presença de Ichigo dava-lhe novos ânimos para continuar, mas o domínio da fera persistia firme, inviolável.
Pode sentir o ataque da besta ferindo Ichigo outra vez como se fosse ele. E era. Seu corpo, ao menos. As mãos cravando as garras, maculando o ruivo, eram as suas. Os dentes marcados na pele alva eram seus. E quanto mais lutasse, mais a fera o machucaria, sendo o reflexo da batalha interna entre sua essência e o espírito da besta.
“Basta...” Pensou a consciência trancafiada de Grimmjow, pensou as palavras que gostaria de dizer à Ichigo. “Não consigo mais te ver se machucando Ichigo!” Precisa me deixar ir, já é tarde demais. Esse maldito espírito nunca me deixará sair... É o preço por meus pecados, por tentar te proteger... Por ter escondido a verdade de você. Deixe-me aqui, me deixe desaparecer, antes que eu acabe te matando!”
Baixando a cabeça, Grimmjow encostou a testa nas grades da cela. Os ombros desceram, ficando com os braços pendendo nas laterais do corpo. A pantera concentrava-se, mantendo seu consciente apaziguado. E o homem começava a acolher a vontade da besta, entendendo ser impossível escapar dela. Só mais um pouco, e a existência de Grimmjow seria apagada, precisava resistir alguns minutos mais.
No entanto, essa aposta podia ter dois jogadores. Do outro lado, Ichigo continuava a abraçar Grimmjow, implorando por sua volta. Foi quando, num estalo, arregalou os olhos, tendo a idéia que, talvez, pudesse despertar Grimmjow daquele transe infernal:
– Você não vai desistir agora, Grimmjow – falou, amenizando a voz num tom firme e suave – Você não tem esse direito. Sabe por quê?
A consciência do maior pareceu não dar atenção de início, permanecendo imóvel na jaula, até a próxima fala do ruivo:
– Porque você é meu!
Ichigo gritou, cravando as unhas no peito da fera, ouvindo-a protestar com a voz gutural; queria ter a sua total atenção:
– Você me pertence! Desde o primeiro instante, desde aquela noite!
As barras da jaula rangeram quando a consciência do maior as segurou outra vez. Os olhos de Grimmjow se arregalaram incrédulos, os globos azuis tornando a ganhar o brilho de determinação dele. A besta-guardiã tremeu as pernas com a nova oscilação no seu interior, percebendo que sua vontade encontrava-se em risco.
Aumentando a voracidade com a qual as palavras saíam da garganta, falando na beirada de sua orelha pontuda, Ichigo queria confirmar a sua razão, aquela verdade que usaria para lutar contra essa besta atroz, fazendo questão de deixar a voz reverberar por todo o intimo do corpo de Grimmjow. Ichigo estufou o peito, deixando a sentença fluir como um rio, uma correnteza, espalhando-se tumultuosamente por todos os cantos da fera:
– Quando tudo isso começou... Quando nós começamos, quem te encontrou fui eu, quem te salvou fui eu! Eu sou se dono; e você só pode desistir quando eu disser que você pode! Então, agora eu ordeno que você pare de agir feito um fracote babaca, e volte pra mim de uma vez!
As barras de metal da prisão foram mais ainda apertadas pelos dedos de Grimmjow. Ah! Ele era mesmo uma pessoa importante! Não... Ele era a única que importava! Somente Ichigo tinha a coragem de brandir essas palavras, de dizer a Grimmjow que ele tinha um dono, que um homem orgulhoso feito ele, deveria obedecer às ordens dum garoto ruivo metido!
Sem deixar por menos, Grimmjow rangeu os dentes, batendo um contra o outro devido à força que aplicava em seus braços, puxando as grades, querendo as afastar. As veias saltavam do pescoço, e as pernas afundavam cada vez mais na cela. Afinal, tinha de obedecer a seu mestre.
‘NÃO!’
A besta berrou para Grimmjow quando viu o metal das barras curvando-se aos poucos.
‘Você não pode fugir Grimmjow Jaegerjaquez! Este é o preço de seus pecados, a dívida que deve ser paga! Desista de uma vez, ou a fúria dos seus ancestrais recairá sobre... ’
– VAI SE FUDER, SEU ESPÍRITO DE MERDA!
Grimmjow Urrou, e na mesma hora, as barras amassaram-se sobre suas mãos, feito papel. Suava devido ao esforço, mas conseguira entortar o ferro, criando um buraco por onde foi capaz de passar, saindo daquela maldita jaula.
Arfava quando ficou frente a frente com a besta-pantera. Grimmjow ergueu o corpo, mirando o espírito num olhar de fúria, e, acima de tudo, vitória, dizendo:
– Melhor se acostumar a ficar bem quietinho no seu canto, porque esse corpo é meu.
‘ Você desafia um pacto de gerações!’ – falou a besta.
– Vai se fuder! – respondeu — Vê se entende de uma vez: enquanto o Ichigo estiver comigo, ninguém, muito menos um espírito de merda feito você pode mandar em mim. Como você mesmo ouviu, foram ordens do meu mestre, e apenas ele pode me dizer o que posso ou não fazer.
Grimmjow sorriu, achando graça de si mesmo por usar essas palavras. Quem diria, ele, entregando sua liberdade à outra pessoa.
A besta, por sua vez, nada pode fazer contra a ousadia de Grimmjow. Ele havia se fortalecido novamente, tendo naquele garoto sua âncora. Quis rugir tentando amedrontar Grimmjow e o fazer retornar a jaula, mas sua voz não o alcançava.
Em protesto, a pantera rosnou uma última vez, e aos poucos seu corpo começou a esvanecer. A jaula desapareceu junto dela, deixando apenas Grimmjow lá, parado de pé. Olhando para cima, ele sorriu, apesar das feições tristonhas em sua face. Ichigo o aguardava, e tinha de se redimir com o garoto por todos esses problemas.
O ruivo permanecia na mesma posição, segurando Grimmjow, que permanecia imóvel. Por segundos ficaram parados, e ele se perguntava se sua idéia havia funcionado, ou ainda, se algo tinha acontecido com ele. Aflito, o coração saltou quando a besta deu um novo berro, soltando-se dele, indo com o corpo ao chão. Ichigo tentou acudi-lo, porém mal conseguia encostar nele devido aos movimentos bruscos. Grimmjow apertava a cabeça, revirando os olhos. Saliva escorria da boca, e dava gritos roucos, rosnando em agonia. As pernas se cruzaram, e cada vez mais ficava numa pose fetal, agitando-se, enfiando as garras na testa.
– Grimmjow! – Ichigo chamou por ele, sem resposta.
Quando pensou em tocá-lo, assustou-se, pois percebeu que suas orelhas estavam diminuindo de tamanho. As garras voltaram para dentro da cutícula, pés e mãos ganhavam um tamanho normal, e seus dentes não mais estavam afiados. Num piscar de olhos, Grimmjow havia voltado ao seu estado normal, a não ser pelos cabelos que continuavam longos. Respirando pesadamente, ele ergueu seu corpo, sentindo como se tivesse uma tonelada, precisando apoiar-se nos cotovelos para sentar. Encarando o ruivo, falou ao sentir a garganta ter forças para proferir palavras:
– Ichigo...
Em total silêncio, com uma expressão atônita, Ichigo abaixou os globos, aliviado. Os olhos de Grimmjow o miravam cintilando o azul profundo deles, como se jamais o tivessem abandonado. Naquela curta cena, o tempo havia parado. Seus pulmões queimavam como se fosse um recém nascido respirando pela primeira vez. As mãos tremiam, aliviadas por não ter de encontrar o toque da fera novamente, por ter sido capaz de fazer uma coisa certa, por ter salvado Grimmjow...
Levantou a cabeça sorrindo fracamente a Grimmjow, querendo o envolver. Ordenou aos braços que se estendessem até ele, porém, ao invés disso, a vista começou a ficar enegrecida, e depois veio apenas o vazio.
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Um sol gostoso invadiu o quarto tocando toda a mobília destruída. Sua luz afastava a escuridão do local, como se o enchesse de uma paz divina.
Deitado no colchão sobre os restos da cama, Ichigo tremeu os olhos cerrados quando a luz incomodou seu sono. Esfregou o rosto, ainda zonzo do cochilo. Num salto, sentou-se, saindo debaixo dum lençol grosso, lembrando-se agora do que havia acontecido noite passada. Girando a cabeça percebeu onde estava constatando não ter sido apenas um sonho. O nervosismo retornou, pois não via Grimmjow em lugar nenhum. No entanto, sentia um cheiro forte de café.
Olhando para o lado encontrou uma pequena bandeja. Nela, havia disposto uma caneca da onde saía uma fumacinha, e um prato com torradas lambuzadas de geléia. Apertou as têmporas, tentando focar essa imagem, pois a visão parecia meio turva. Foi então que reparou numa sombra na varada do quarto.
Removeu o lençol indo, cambaleante até ela. Mal conseguia ficar de pé, e, ao ver Grimmjow sentado observando o jardim duma forma serena, desabou, sendo segurado pelo maior antes de cair no chão, apoiando-se em seu peito e ombros:
– Grimmjow... – disse; a voz enfraquecida, erguendo a cabeça para ver o rosto dele, um rosto sem traços da fera.
– Você precisa comer. – replicou o maior – Perdeu muito sangue, e está fraco...
Antes de continuar, ele sentiu as mãos de Ichigo o abraçarem na altura da barriga. A cabeça dele ficou apoiada na sua perna, os cabelos laranja brilhando feito cobre no colo dele ao serem incididos pela claridade. Grimmjow apenas pôs uma das mãos sobre ela, fazendo um cafuné na nuca do garoto.
– Achei... – falou Ichigo – Que fosse te perder...
Grimmjow abaixou o corpo, quase se deitando sobre as costas do menor. Ouvia os pulmões dele, junto com o coração batendo forte.
– Eu estou aqui. – respondeu, querendo confirmar sua presença ao ruivo.
Nisso, Ichigo saiu daquela posição, ficando sentado. Apoiou uma das mãos na face esquerda de Grimmjow, alisando sua bochecha. O maior virou o rosto, beijando a palma da mão do ruivo, e em seguida, segurou gentilmente seu antebraço. Apenas nessa hora, Ichigo percebeu uma faixa apertando seu braço, manchada com um pequeno ponto vermelho no meio.
– Sinto muito... – falou Grimmjow entristecido.
Baixando o rosto, Grimmjow ficou encolhido, pondo as mãos na frente dos olhos, tampando sua visão do garoto, envergonhado demais para encará-lo. Poderia ter se libertado antes, poderia ter lutado mais. Se fosse mais cuidadoso, droga! Nada disso teria acontecido, não teria ferido Ichigo dessa forma!
– Eu estou bem. – falou o ruivo, tentando segurar uma das mãos de Grimmjow, mas ele não o deixou.
– Fiz coisas horríveis a você. – disse, rangendo os dentes – Eu te... Ataquei! Tentava impedir aquilo, mas não pude... Não fui capaz! Mas que merda!
Gritou. Ichigo deixou-o falar, pois sabia que ele precisava do desabafo:
– Sentir o meu corpo fazer... Aquelas coisas com você e ficar assistindo feito um espectador. Sou tão inútil! Eu devia me afastar de você... Você devia ficar longe de mim, ou apenas irá se ferir de novo!
Nessa hora, Ichigo puxou as mãos dele para baixo, e Grimmjow encontrou-se com os olhos do ruivo. Eles ardiam feito fogo, e a voz dele saiu num estrondo:
– Já sou bem grandinho para decidir com quem eu quero ficar! E goste você disso ou não, aqui é meu lugar. – deu uma pausa colocando a mãos no peito do maior, continuando – Aqui, do seu lado.
Arqueando as sobrancelhas, Grimmjow apertou os lábios:
– Mas eu te machuquei... Por deus! Olhe o seu estado!
E de fato, ele estava repleto de arranhões, mordidas, sem contar o ferimento no braço.
– Acredite em mim, já fiquei em condições piores que essa. – respondeu o ruivo, querendo fazer graça.
– Só que nunca foi por minha causa! – esbravejou – Eu quase arranquei um pedaço do seu braço, Ichigo!
O menor sentiu um frio na espinha quando se lembrou da dor na mordida da fera. Porém, deixou as feições calmas novamente, tornando a tocar Grimmjow, pondo a mão sobre sua cabeça, igual a uma criança:
– Mas isso já passou; é um fato que não pode ser mudado. Além do mais, quem fez isso foi aquela... Coisa. Não você.
– Era meu corpo. – replicou.
– Mas não sua vontade.
Grimmjow baixou a cabeça outra vez. Como... Como ele podia ficar ali, ignorando os fatos, depois do que aconteceu? Acaso não tinha apego à vida? Ou havia ficado louco? Grimmjow não conseguia entender!
– Se você ficar do meu lado, vai apenas encontrar sofrimento... Eu posso acabar matando você. – falou, minguando a voz.
– Eu morreria de qualquer forma se não ficasse com você, Grimmjow.
O maior arregalou os olhos, tornando a mirar as feições tranqüilas de Ichigo conforme ele falava:
– Minha vida chegou num ponto, onde eu não me vejo mais sem você, Grimmjow. Então nem pense em virar um covarde agora, e dar para trás! Arque com as conseqüências, porque quem me deixou assim, tão dependente, foi você!
As maçãs do rosto de Grimmjow coraram um pouco. O ruivo riu, apontando para ele, gargalhando, quando o maior virou o rosto, ficando mais ainda envergonhado. Depois, cessando as risadas de Ichigo, o abraçou, pondo a testa apoiada no ombro do garoto.
Necessidade? Ah. Ichigo mal sabia quem era o necessitado ali. Quem não podia mais viver sem o ruivo era ele. Apenas a idéia de vê-lo longe o deixava sem ar; fraco. Voltara por causa dele, e somente dele. Naquele momento, Ichigo era a única razão por estar ali, por estar vivo.
Mas apesar da felicidade percorrendo Ichigo, ele ainda precisava ouvir da boca dele, saber de tudo que havia ocorrido, e perguntou no meio do abraço:
– Pode me contar... Como ficou daquele jeito?
Grimmjow gelou a espinha. Sabia que mais cedo ou mais tarde teria de se explicar ao garoto, só não esperava que fosse agora.
Sentindo o cheiro do café, um estalo veio à mente, e sem dizer nada, apenas se levantou, trazendo a bandeja até o garoto:
– Antes de qualquer coisa, coma! Ou irá desmaiar outra vez. – disse, quase empurrando as torradas goela abaixo.
Obedecendo, também porque o estômago roncava, pegou o café, que ainda estava morno, e o bebeu de uma vez, despertando os sentidos. Depois, as torradas desapareceram rapidamente do prato, e seu rosto ficara menos pálido. Terminando de engolir um último pedaço, perguntou a Grimmjow:
– Onde conseguiu essas coisas? Quando cheguei aqui sua cozinha parecia ter sido pega num furacão.
– Fui até a casa de hóspedes. Ela fica atrás da casa.
– Cara, como esse lugar é grande.
– Sim.
Os dois ficaram em silêncio por alguns minutos, até que Grimmjow resolveu falar por conta própria, chamando a atenção de Ichigo:
– Quero que saiba: eu não contei nada antes, não porque eu não confie em você. Mas porque tinha medo de... Bom, de que tudo isso acontecesse.
– Bem, acho que pode deixar esses medos de lado.
Tentou brincar, mas Grimmjow continuava sério, sentado na varanda, virado de lado. Olhava o chão, e alguns pedaços de neve derretendo em meio à grama, como se fosse algo extremamente interessante, querendo evitar o confronto.
Sem mais delongas, tratou de explicar ao ruivo todos os detalhes da maldição, sem dar pausas ou cortes, atropelando qualquer chance de Ichigo indagar algo. Precisava, ou melhor, devia isso a ele. Chega de segredos, chega de verdades meio ditas. Para protegê-lo, tinha de se expor completamente. E ao fazê-lo, entregava uma parte importante de sua vida nas mãos do garoto, esperando ser aceito.
Ao terminar, Ichigo fitou-o sério. Coçava a nuca, organizando as novas informações na cabeça.
– Bem... – falou finalmente – Mas então quer dizer que... Depois de ontem, você voltou a ter o controle?
– Por algum tempo, sim.
– Algum tempo?! – exclamou o garoto.
– Olha, você entendeu o que eu disse, certo?! Então usa esse seu cérebro para juntar as coisas!
Grimmjow levantou-se andando para dentro do quarto. Parecia irritado, mas não era isso. Tinha medo da reação do ruivo, e receava que ele ficasse com... Pena dele.
Ichigo o seguiu, vendo as costas do maior. Avançou o braço até seu ombro, mas o abaixou em seguida. Queria poder dizer algo para acalmá-lo, porém não sabia ao certo o que.
O instinto era uma vontade humana capaz de levar homens ao desespero, fazer coisas inimagináveis apenas para sentir-se vivo por alguns segundos. Contudo, no caso de Grimmjow, ele apenas poderia continuar existindo se obedecesse aos seus. Durante os meses em que se conhecerem, aquele homem apenas se reprimiu, procurando não forçar Ichigo. Mas e quanto aos sentimentos do ruivo? Eles também não contavam?
– Entendo porque não me contou nada. – falou o garoto – Mas talvez pudéssemos ter feito alguma coisa!
– Só há uma coisa que pode ser feita Ichigo. – respondeu ríspido.
As bochechas do ruivo coraram, e, sem graça, baixou o rosto. Grimmjow bufou ao ver a reação dele, dando depois um rápido grito de desabafo.
– Era exatamente isso que eu tentei evitar! – falou encostando as costas na parede.
– Grimmjow, eu estou bem! – respondeu o garoto.
– Verdade? Então você iria para a cama comigo se eu tivesse te contado essa historinha triste?!
Berrou, sentindo raiva de si mesmo por ser tão grosso com o garoto; não sabia outro jeito de agir, se não esse.
Quieto, Ichigo o seguiu com os olhos vendo-o arrastar as costas na parede, caindo, sentando-se no chão, apoiando o rosto numa das mãos.
– Que merda! Porque tudo tem de ser tão complicado?! – gritou — Não quero ser vitima de pena, ou simplesmente que você o faça para me ‘ajudar’! Eu tenho meu orgulho!
“E que orgulho.” Pensou Ichigo.
Todavia, ficara mais furioso com o pensamento obtuso dele. ‘Pena?’ Ora! Jamais faria algo desse tipo por pena! Como ele podia falar de orgulho, ignorando dessa forma o próprio do garoto?! Ele também tinha sua dignidade! E num ataque de raiva, deu fortes passadas, ajoelhando-se no chão, na altura de Grimmjow. Apertou ambos os seus ombros, o prensando contra a parede. Os globos azulados se arregalaram devido à bruta ação de Ichigo, mas o menor não o deixou proferir uma única sentença:
– Escuta aqui, seu grandessíssimo babaca, acha mesmo que eu iria me rebaixar a esse nível?!
Era uma pergunta retórica, óbvio, Grimmjow nem ao menos pensou em responder.
– Não fique tirando conclusões precipitadas, guardando tudo dentro de você como se fosse o único ‘ser’ dessa relação! Eu tenho meus sentimentos, minhas vontades; Também sou homem, porra!
Grimmjow o mirava assustado. Nunca havia visto o ruivo falando de uma forma tão amedrontadora, parecendo até mesmo outra pessoa.
Apertando mais ainda os dedos sobre a pele de Grimmjow, Ichigo baixou a cabeça entre os braços, continuando a falar:
– Ontem à noite eu... Eu também queria... Queria ficar com você. – a voz foi tornando-se manhosa, e Grimmjow percebeu que ele havia ficado corado outra vez – Mas não daquele jeito... Sombrio.
Levantando a testa, Ichigo fitou Grimmjow e seu mar azulado. Apesar da face avermelhada, tinha as feições sérias, o que pareceu intimidar um pouco Grimmjow. Claro, ele jamais diria isso ao ruivo...
– Te quero Grimmjow, eu sempre quis. Quero você como está agora, consciente e são; para não se esquecer de nada, para saber direitinho o que estamos fazendo...
Forçando Grimmjow outra vez contra a parede, Ichigo uniu seus lábios num beijo, o beijo que sentira falta na noite passada, o beijo que tanto queria provar.
Ah! Por deus! Ichigo estava mesmo o seduzindo daquela forma? Falando coisas daquele tipo, somente para instigá-lo? Como poderia resistir a isso?! Como poderia frear seu ímpeto?!
Ainda inebriado pelas ações do ruivo, Grimmjow o deixou continuar com o ósculo. As línguas debatendo-se, procurando uma pela outra, insaciáveis. Grimmjow mal podia se mover, pois as mãos de Ichigo o prendiam firmemente, e, em seguida, era a cintura do garoto que se forçava no meio de suas pernas, roçando os restos da calça jeans na sua. Quis libertar-se, mas ao invés disso, soltou um gemido abafado pelo beijo, quando Ichigo desceu a mão apertando o volume abaixo de seu umbigo. Como se não bastasse, a boca do ruivo largou-o no meio do beijo, mordiscando seu pescoço. Grimmjow estremeceu, ficando acuado. Era mesmo Ichigo quem estava ali, tomando todas as iniciativas?
Soltando a garganta do maior, Ichigo aproximou os lábios dos dele, sem os tocar, e disse, numa voz aveludada, porém firme:
– Te quero Grimmjow...
Foi como um despertar; um convite. Ascendendo um fogo interno em Grimmjow, ele livrou-se da constrição de Ichigo, pegando o garoto pela cintura, e o rodando no chão, até chegarem ao colchão. Lá, atacou a boca do ruivo, deitando o corpo sobre o dele.
Dessa vez, fora Ichigo quem gemeu, abraçando as largas costas de Grimmjow, conforme ele se apoderava dos seus movimentos.
Grimmjow desceu a boca até o peito de Ichigo, ainda desnudo da noite anterior. Mas diferente de antes, beijou-o gentilmente, em cada pedaço maculado pela fera, cuidando de lamber os arranhões, e dar pequenos estalos nas feridas. A sensação era um pouco desconfortável, porém ainda mais prazerosa.
Os braços do garoto envolveram o pescoço de Grimmjow. Depois, embrearam-se nos cabelos ainda longos deles. Os fios grandes batiam nas laterais deu seu corpo, e nos seus ombros, dando uma sensação gostosa. Puxava-os de vez em quando próximo a raiz fazendo Grimmjow erguer a cabeça para vê-lo, e o encontrar num novo beijo.
Ah! Finalmente, via nos olhos de Grimmjow os verdadeiros sentimentos dele, da pessoa que o queria, e não a fera luxuriosa. A ele, sim, podia se entregar sem medo; podia amar sem restrições, afinal, ele era único.
Os dedos ágeis de Grimmjow seguraram a cintura do ruivo, erguendo-a. As barrigas se tocaram, e mais ainda, sentiam a vontade latejante um do outro por debaixo das calças, querendo sair, querendo se encontrar.
A língua lasciva, sedenta de vontade de devorar aquele ruivo, lambeu seu umbigo, ouvindo os grunhidos de deleite em retorno. Enquanto continuava a beijar seu abdômen, abriu o zíper meio torto da calça, descendo-a devagar pelas pernas do garoto. Ao mesmo tempo, Ichigo segurou a barra da calça de Grimmjow pela parte de trás, e a baixou, revelando as nádegas do maior.
Ao se livrarem das poucas vestes que usavam, Grimmjow aproximou ainda mais os corpos, que ferveram juntos. As peles se roçando, querendo mais do que aquilo, almejando possuir uma ligação que ia além do simples contato entre eles, uma conexão mais íntima; uma simbiose.
Grimmjow levou a mão a uma das coxas do ruivo, escutando um gemido de dor. Ali ele havia enfiado as garras, e cortes mais profundos se estendiam pela cútis do garoto. Levou os lábios até lá, e beijou as feridas vagarosamente, prometendo a si mesmo, jamais ferir Ichigo de novo, e jamais deixar que o ferissem.
Deslizando a boca pelas pernas do ruivo, beijou a parte interna delas, mordiscando de leve seus músculos. Ichigo se contraía, levando a palma da mão à boca, evitando soltar gritos muito altos.
O cabelo azulado escorregou para o meio daquele vão, e os olhos de Grimmjow levantaram-se, vendo Ichigo. Entrelaçou seus dedos com os dele, retirando-os da boca do garoto. Depois, tocou de leve seu rosto, dizendo:
– Deixe-me fazer isso direito.
A vermelhidão aqueceu a face de Ichigo, mas ele meneou que ‘sim’ com a cabeça, para o prazer de Grimmjow.
O maior abaixou outra vez, segurando a ereção de Ichigo. Esticou a língua para fora, tocando a ponta, e depois, abocanhou-o, descendo devagar, junto com os dedos. Incapaz de se controlar, Ichigo gemeu; berrou, enroscando a mão direita no lençol em cima do colchão.
Grimmjow estimulava a base do membro, pressionando com o polegar o músculo, massageando o falo, enquanto os lábios acariciavam a ponta, ficando mais e mais molhada conforme Ichigo excitava-se. Grimmjow sugava a carne do ruivo, e quando ele levantava a cintura, aumentava a velocidade com a qual movia a cabeça para cima e para baixo, permitindo assim, que fosse ele o mandante de suas ações. No entanto, sabia que não poderia ficar ali o tempo todo; nenhum dos dois agüentaria.
Subindo o corpo, Grimmjow ficou a poucos centímetros de distância da boca de Ichigo, mas ao invés de beijá-lo, levou uma das suas mãos aos lábios dele. Acariciou as extremidades da carne, e provocou o ruivo a querer lambê-los. Chupando os dedos até o meio das falanges, Ichigo os encharcou, tendo de fechar os olhos para fugir da vergonha.
Logo, o maior retornou a tocar a ereção de Ichigo com a mão molhada, mas, não se prendeu apenas aquela parte. Arrastou os dedos até a entrada dele.
Abrindo os olhos devido ao repentino movimento, Ichigo gemeu, tendo a boca tampada pela da de Grimmjow. Ele o beijou, continuando a circundar a área sensível do ruivo. Depois, pressionou lentamente o anelar, forçando um pouco, até conseguir entrar, devagar, no garoto.
Ichigo virou a cabeça, fugindo do ósculo. Arfava de nervosismo, e mais ainda por conta daqueles dedos, introduzindo-se nele. Suas mãos seguravam os ombros de Grimmjow, chegando a arranhá-lo um pouco. Num reflexo, cerrou um pouco as pernas, dificultando os movimentos do maior.
Lambendo o canto dos olhos do menor, Grimmjow falou em meio a rápidos beijos:
– Não irei te machucar Ichigo, confie em mim... Apenas relaxe.
Engolindo seco, Ichigo obedeceu à voz dele, liberando a força exercida por suas coxas. Os dedos de Grimmjow mexeram-se melhor, podendo aprofundar a carícia, chegando até o final deles.
Mordendo o lábio inferior, Ichigo pensou se sentiria tanto desconforto assim durante todo o tempo. Contudo, grunhiu, liberando um gemido abafado na garganta, instantes depois, sentindo a face corar ainda mais.
Era ali, Grimmjow havia encontrado o ponto preciso do garoto, onde o faria gritar – em breve – por seu nome.
Cuidadosamente, continuou a oscilar a agitação dos dedos, divertindo-se, pois o garoto quase escalava em suas costas, remexendo a cintura involuntariamente.
Em todas as vezes que imaginara essa cena, Ichigo jamais pensara no prazer ao qual havia se submetido agora. Sabia que seria algo novo, estranho, mas não tinha se preparado para sentir esse deleite. Os dedos de Grimmjow o violavam, e ainda assim os nervos tremiam em excitação.
Notando que Ichigo ficava mais desinibido, Grimmjow tornou a lamber seu pescoço, sentindo o novo odor que o ruivo exalava; um perfume narcótico, mexendo com seus sentidos. Já no seu limite, encostou a boca na orelha de Ichigo. Seus olhos estavam um pouco caídos, as bochechas vermelhas, e um bafo quente saía da garganta, tocando na pele do garoto quando falou:
– Ichigo... Eu... Eu preciso de você!
Murmurando sons desconexos – mas bastante sugestivos – Ichigo agarrou a nuca de Grimmjow por debaixo de seus cabelos longos. Tocou sua testa na dele, fechando os olhos. Depois sussurrou:
– E eu preciso de você...
Incontrolável – irreprimível – irrefreável – descomedido — desenfreado...
Os desejos emergiram, sem medo de se encontrarem, sem medo de se colidirem, pois eram anseios compartilhados por ambos.
Não existia mais o tempo passando dentro daquele quarto; ele era irreal, e somente os dois importavam, apenas a sensação de pertencer um ao outro.
Atenuando a distância entre eles, Grimmjow tocou o membro de Ichigo com o seu, roçando-se nele, mostrando o quanto ambicionava por mais. Segurou sua própria ereção e, vagarosamente, apertou-o contra o meio das pernas do garoto, forçando sua entrada.
A dor, claro, achegou-se de Ichigo no mesmo instante. Gritou jogando a cabeça para trás, agarrando os braços de Grimmjow. Sentiu os olhos lacrimejarem, mas não permitiu que as lágrimas descessem.
Tentando acalmar o ruivo, Grimmjow puxou uma das mãos de Ichigo, colocando-a ao lado do colchão. Feito um nó, entrelaçou seus dedos com os dele, apertando a pele.
Levando a cintura para frente, Grimmjow continuou avançando, querendo, mais do que nunca, adentrar Ichigo, senti-lo por dentro, e igualar os movimentos com os dele, a respiração, os batimentos cardíacos; feito um só corpo, um só ser.
Noutro grito, Ichigo alongou o pescoço, apertando a mão de Grimmjow. Ele havia o penetrado por completo, ficando parado por alguns segundos antes de continuar, habituando o garoto.
Respirando descompassado, Ichigo tentou acostumar-se com o volume estranho dentro dele. Assim como antes, nada o havia preparado para a sensação, a razão de pertencimento, pois agora, ele havia se tornado de Grimmjow, assim como ele havia se tornado uma parte sua.
Os corpos, em meio a união, moveram-se, um tentando fazer o outro compreender a necessidade que se faziam, o quanto careciam juntar essas duas partes, que pareciam há muito, terem sido afastadas, e apenas agora reaviam um ao outro.
Com a mão livre, Grimmjow segurou a cintura de Ichigo, indo para frente e para trás, grunhindo na ponta da orelha do ruivo. As pernas do menor contornaram as laterais de Grimmjow, e quando o fez, sentiu-o aprofundando-se mais ainda nele. Ainda doía, mas saber que ficara tão íntimo, que era o único a tê-lo daquela forma, amenizava a sensação desconfortável, dando lugar, aos poucos, a um imenso prazer.
Abrindo os olhos Grimmjow pode ver o rosto de Ichigo. As feições se contorciam num misto de desconforto e regalo. Beijou-o, sem parar de agitar-se, abafando os gemidos de ambos. Depois, largou a cintura do ruivo, tornando a estimular seu membro. Ichigo grunhiu, cravando as unhas na lateral das costas de Grimmjow. A dor foi diminuindo cada vez mais, e apenas conseguia gritar extasiado, implorando com o olhar para que Grimmjow fosse mais rápido.
Antes de prosseguir, porém, Grimmjow tornou a prendê-lo na cintura com ambas as mãos, e, rodou seu corpo junto do dele, colocando Ichigo sentado em seu colo sobre o colchão. O ruivo assustou-se, gemendo, pois o volume de Grimmjow parecia ter aumentado dentro dele. Baixou a cabeça, encostando-se ao ombro do maior, e disse numa voz suave e cansada, parecendo mais envergonhado:
– Grimmjow... E-eu não consigo...
– Tudo bem, eu te ajudo. – respondeu num sorriso sádico.
Pondo as mãos debaixo das nádegas do ruivo, Grimmjow mostrou-lhe como fazer os movimentos, e em poucos minutos, Ichigo subia e descia livremente, abraçando o pescoço do maior. Dessa forma, era ele quem dava os comandos, diminuindo quando queria, e, aumentando a velocidade ao sentir Grimmjow o tocando naquele ponto gostoso dentro dele.
– Sonhei... Com você assim uma vez... – falou Grimmjow próximo ao ouvido dele.
– E foi... Tão bom quanto agora? – perguntou.
– Nem se compara.
Os dois sorriram, tornando a se beijar. Era bom ver que mesmo com a intimidade, continuavam a se tratar igualmente feito antes.
As vozes começaram a falhar outra vez, e, sabiam estar chegando ao clímax, pois, queriam acelerar a oscilação das cinturas, e nenhuma palavra conseguia ser formada nas gargantas. A mente era um vazio total, apenas preocupando-se com o outro, apenas necessitando ouvir os gemidos de prazer, escutar aqueles sons de ternura e encanto, de quando você vê, nos olhos daquele à sua frente, que nada é capaz de separá-los, nunca mais...
Sussurrando o nome de Grimmjow, Ichigo achegou sua cabeça da dele, tocando as maçãs do rosto. O ruivo puxava os cabelos longos azulado, abrindo espaço para falar próximo a orelha dele. Grimmjow, por sua vez, mal conseguia dizer alguma coisa. Mordia de leve o ombro do ruivo, vendo de relance o rosto corado dele – assim como o seu também estava. Ah! Queria por tanto tempo vê-lo; submetê-lo aquela expressão tão deliciosa, que nesse instante, tudo parecia um sonho.
As carnes de apertaram, e no interior de Ichigo, Grimmjow sentiu-se ser sugado mais para dentro do garoto, ficando impossível agüentar um segundo a mais. Agarrou o falo do ruivo, agitando-o, e, gritou em gemido, seu nome: “Ichigo!” Dizia várias vezes, uma atrás da outra, ouvindo seu nome em resposta: “Grimmjow!” Berrava Ichigo; ambos, às vezes embolando-se no meio das letras.
Os globos azulados se fecharam. A cor âmbar dos olhos de Ichigo também se escondeu numa rápida escuridão. Abraçaram-se, envolvendo-se, tomando os corpos um do outro no meio dos braços. Grimmjow sentiu escorrer por entre os dedos a brancura de Ichigo, descendo por toda a sua mão, enquanto que o ruivo sentiu a explosão dentro dele, do líquido quente preenchendo-o por completo.
Soltaram gemidos no mesmo minuto, e antes de caírem sobre o colchão, exaustos, encaram as expressões de cansaço e deleite, encontrando-se num último beijo, demorado, com as línguas procurando prolongar aquela sensação maravilhosa.
A noite já havia caído quando ficaram envoltos no meio dos lençóis, ainda desnudos, entregando-se ao sono. Grimmjow abraçava as costas de Ichigo, respirando rente a nuca dele. O menor despertou rapidamente com o sutil incômodo, virando-se para ele. Seu rosto parecia mais sereno, as expressões tranqüilas. Ficou corado ao lembrar-se de mais cedo, mas esticou os lábios, ainda sem acreditar no quanto estava feliz.
Um estalo veio à mente, e sua face ficou mais vermelha ainda. A contar pelas horas que haviam ficado ali, já deveria ser mais de meia noite. Riu baixinho, tentando não acordar Grimmjow e, tocando de leve os lábios dele, falou, depois, num murmuro:
– Feliz natal...
E tornou a dormir.
Continua
Notas finais
Celldweler - Symbiont (simbiótico)
Controlando os meus mais ínfimos movimentos
Negando minhas necessidades mais simples
Eu queria que você não estivesse tão perto agora
Eu queria que você não tivesse conseguido
Apagável, consumível
Inexplicável, incorrigível
Controlando os meus mais ínfimos movimentos
Negando minhas necessidades mais simples
Eu queria não precisar de você agora
Eu queria que você não precisasse de mim
Eu preciso de você agora
Eu preciso de você agora
Eu preciso de você agora
Eu preciso de você agora...
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Confesso: este foi o melhor capítulo que já escrevi de toda a série! Estou tão contente por ter chegado tão longe, e que vocês continuam aqui, me apoiando, me dando suporte, e aguentando mesmo as minhas faltas, quando dou aquelas desaparecidas xD
Saibam que, quando leio os reviews, eu me inspiro cada vez mais a continuar trazendo essas história para vocês, a melhorando cada vez mais.
Espero que tenham se emocionado assim como eu, ao ler esse capítulo. sei que eu me empolgo às vezes quando escrevo, e tentarei ser mais comedida, mas nesse capítulo não teve jeito! xD
Espero postar o próximo em breve, kissus e até a próxima o
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