Maipetto no Neko

24 Capítulo 24 - Vozes


Notas iniciais
Pois bem gente, aqui esta o tão esperado capítulo o/
Eu sei q eu disse q sem a faculdade eu poderia escrever mais, e de fato isso vai acontecer, mas final de ano eh uma merda: eh iagem, bebedeira, visitando amigos e parente, eu mal parei em casa xD
O capítulo já estava pronto mas só pude postá-lo hj!
Enfim, divirtan-se, eu adorei ele xD
SPILER: Novos personagens =OOO

Maipetto no Neko

Capítulo 24 – Vozes

As pupilas dilatadas, minúsculas de Grimmjow delatavam a fúria que a essa altura já havia transbordado em suas ações. Estava bem calmo antes disso, caminhando pela rua da casa do ruivo sem causar nenhum alarde, mas assistir aos dois se beijando fora a gota d’água. Podia tolerar a distância, podia tolerar ser ignorado, mas perder Ichigo dessa forma, sem ter tido as chances de se explicar, jamais.

O sangue escorria num filete sutil pelo nariz de Renji, estirado no chão e um tanto quanto desnorteado devido à potência do soco. Havia se cansado dessas pancadas sem aviso que recebia, e ambas envolviam o ruivo.

Conforme se levantava, mirou o olhar de Ichigo vendo-o voltado para Grimmjow, esquecendo-se por completo de sua presença ali. Ressentido, ergueu-se.

Os lábios de Ichigo pararam entreabertos com as palavras ainda pairando dentro da boca. A imagem de Grimmjow massageando a mão avermelhada, devido ao soco, parecia uma miragem. Ele ainda estava atento a Renji, mas ao perceber Ichigo, respirou fundo preparando-se para achegar-se dele, mas foi levado ao chão no instante seguinte, tendo a cintura entrelaçada pelos braços do outro, antes de andar um passo, antes de poder ouvir qualquer som emitido por Ichigo; rolava no asfalto entre os emaranhados cabelos vermelhos de Renji, e logo já trocavam socos e pontapés.

O ruivo observava Grimmjow mirando seus olhos com a mesma complexidade na qual fazia. Pensou em caminha até ele encurtando a distancia entre os dois, mas levou um susto ao começar a assistir o inicio da briga deles. Mas porque o faziam? Brigavam por seu próprio orgulho? Brigavam por ele? Brigavam pelo simples fato de gostarem de se estapear por qualquer coisa?

Em questão das técnicas de luta, não havia nenhuma, apenas procuravam esquivar-se e bater o outro o máximo possível. Já estavam cobertos de cicatrizes e arranhões; sangue escorrendo por diversos lados, e urros de raiva sendo esbravejados aos quatro ventos. As roupas haviam se sujado, e os farrapos dos tecidos penduravam-se nas partes ainda intactas.

Não era que Ichigo não quisesse pará-los, na verdade o corpo urgia por correr até eles e parar com toda aquela besteira. Mas ao mesmo tempo a lógica lhe alertava: se parasse Renji, Grimmjow poderia continuar o socando, aproveitando sua intervenção, se parasse Grimmjow o mesmo poderia acontecer pelo lado de Renji. Os pés já aceleravam para frente ao mesmo tempo em que vacilavam para trás; os punhos cerrados, as sobrancelhas curvadas e o cenho franzido. O coração se acelerava de preocupação, e sem uma solução mais prática resolveu por tentar parar ambos... Ao mesmo tempo.

Grimmjow socava imaginando a cada segundo os dedos de Renji encostando em Ichigo, descontando toda sua raiva a frustração na cara do tatuado; enquanto ele pensava nas inúmeras vezes na qual Ichigo o abandonara para ficar com Grimmjow. O ódio dos dois parecia não ter fim quando o assunto era o ruivo.

Afastaram-se a fim de tomar impulso numa nova investida. Os punhos aproximavam-se da face um do outro, quando foram segurados e parados a poucos centímetros do corpo curvado de Ichigo. Tremia os braços devido a força empregada pelos dois, mas com um pouco de técnica, e talvez muita sorte, havia conseguido segurá-los antes que uma tragédia maior acontecesse. Ficaram algum tempo nessa posição, até que Ichigo começou a esbravejar:

– Dá pra parar com essa palhaçada, porra! E se alguém daqui escuta?! Com que cara eu vou ficar quando os vizinhos vierem perguntar o que aconteceu?! Mas que merda!

Levantando as mãos que ainda prendinha os punhos deles, jogou-os para o lado, encarando os olhos de cada um e só relaxando quando os viu afastando-se um do outro. Respirou fundo, vendo-os deixar os pés prontos para qualquer novo assalto, achando melhor separá-los de vez. Tinha de esclarecer-se com Renji, e dizer a ele toda a verdade. Mas a vontade de ouvir a voz de Grimmjow, de poder vê-lo novamente, de poder, por fim, acabar com todas as suas dúvidas, falava mais alto.

– Renji, melhor você ir para casa. – disse ao terminar suas resoluções interiores.

– Não vou deixar esse babaca sozinho com você! – retrucou.

– Vai se fuder seu merda! – Grimmjow respondeu a altura.

Iam começar a briga toda de novo, mas Ichigo foi mais rápido, e interveio pondo as mãos no peito de cada um deles e fazendo-os recuar de novo.

– Sou bem grandinho Renji, e sei me cuidar como pode ver. – rebateu com o tom de voz mais grosso – Tenho coisas a resolver com Grimmjow; nossos problemas ficam para outra hora, agora, por favor, vai para casa, não quero mais ter de agüentar as discussões e brigas de vocês!

Estufando o peito tanto por raiva, quanto para se conte a continuar o bate boca, Renji andou três passos para trás, ainda observando os dois, e apenas voltou-se para a direção de sua rua quando ficou a uma boa distancia deles. Sentia-se humilhado; trocado pelo outro, como se fosse de fácil substituição.

Andou apressado xingando Ichigo mentalmente e chutando qualquer pobre objeto que aparecesse em seu caminho. Ao bicar uma pedra e sentir os dedos latejarem, recostou-se num muro e baixou a cabeça. Não, não era que ele fosse de fácil substituição... A verdade é que para Ichigo, Renji sempre fora apenas a válvula de escape para Grimmjow... Nunca seria mais do que um ‘amigo’ para o ruivo, e mais uma vez tinha conseguido a proeza de perder a pessoa da qual gostava. Socou a parede ao lado com raiva de sua burrice e foi carregando os dedos doloridos pelo resto do caminho. Precisava beber alguma coisa, precisava se esquecer dessa noite, e se esquecer de Ichigo. Se viessem a conversar depois, sabia que seria para deixar o nível da relação deles bem clara. Era apenas um amigo, e nada mais... Precisava beber; e assim rumou para o bar mais próximo, e o menos caro, pois assim o álcool entraria no seu organismo com muito mais facilidade, afinal, quanto mais barato, pior seria a qualidade da bebida. Havia tornado a nevar...

Depois de ter certeza que Renji não estava mais perto dos dois, Ichigo voltou-se para Grimmjow já pronto para bombardeá-lo de inúmeras questões, mas teve a mão que ainda pousava sobre seu peito pega e erguida até a altura do pescoço dele. Sentiu a cintura ser envolta tão apressada pelos dedos dele que nem teve tempo de retrucar. Com os olhos em brasa, Grimmjow tocou-lhe os lábios e logo já adentrava com a língua em sua boca, sem pedir licença, nem permissão. Rodopiava a carne para cima e para os lados, apertando o corpo quente de Ichigo contra o seu, como que para comprovar a presença dele. Deslizou a mão para dentro dos cabelos ruivos e aprofundou mais o beijo, deixando-o sem ar muito mais depressa do que qualquer outra vez na qual haviam se beijado.

Sem forçar para reagir, talvez pela grande vontade que Ichigo tinha de também beijar Grimmjow de novo, ele não relutou; apenas deixou-se levar por aqueles minutos maravilhosos, onde com cada novo movimento de suas bocas, a cada novo estalar de lábios, lembrava-se do sabor, do cheiro e o mais importante: da personalidade egocentrista de Grimmjow ao tomá-lo daquela forma. Só ele sabia fazer isso, deixá-lo nesse estado de torpor.

Separaram-se ainda relutantes, mas Ichigo tinha muito que resolver com ele ainda, e um simples beijo não o faria esquecer-se disso.

– Você voltou mais cedo... – foi a primeira frase que foi capaz de pensar após o ar ter voltado aos pulmões de Ichigo.

– Adiantei as coisas o máximo que pude porque queria voltar e te ver.

Ele estava sendo sincero. Isso foi uma surpresa, deixando o ruivo desconcertado, e as bochechas coradas.

Grimmjow queria indagar-lhe sobre o beijo de agora a pouco com Renji, aliás, queria saber o que havia feito com ele enquanto esteve fora, mas guardaria para mais tarde. Sabia estar mais em falta com o garoto.

– Eu preciso... – disse parando para pensar e repensar nas palavras – Preciso perguntar, saber de muitas coisas antes de considerar qualquer possibilidade com você.

– Pergunte o que quiser... Eu respondo tudo... Só não agüento ficar nem mais um segundo longe de você.

Terminou a frase abraçando o garoto e afundando o nariz no meio de seus cabelos. Estava agindo como um babaca apaixonado, mas foda-se; era Ichigo quem estava ali, finalmente o tinha de volta, e por mais idiota que parecesse não iria deixar de tocá-lo, de senti-lo como desejou por tanto tempo.

Em choque devido a franqueza e a voz doce e suave de Grimmjow, destoante do agressivo que fora há minutos atrás com Renji, Ichigo apertou os olho saindo do transe que era a presença de Grimmjow, e segurou em seus ombros afastando-se um pouco dele.

– Mas antes... Quero falar com você...

Concordando Grimmjow ficou o mirando como se esperasse as primeiras indagações dele.

O que Ichigo mais queria era ter socado sua cara; mas Renji já tinha se encarregado disso. Também queria gritar e xingar Grimmjow de todas as formas possíveis, mas fora abatido pelo repentino beijo e pelo jeito dele falar. Alguma coisa tinha acontecido com ele nesse período no qual estiveram separados, e a curiosidade quase lhe matava por dentro. E foi esse modo estranho de agir que o deixou confuso em como lidar com ele.

– Então? – perguntou Grimmjow, demonstrando traços de sua impaciência.

– Aqui não, já foi muita confusão em pouco tempo, vamos conversar em um lugar mais fechado, com menos gente... Tem um parque aqui perto que deve estar vazio há essa hora.

Disse por fim vendo o outro acenar em aprovação. Desvencilhou-se dele e foi caminhando à frente em direção a uma pequena estradinha lateral ao seu bairro. Tinha voltado a nevar e a conversa que teriam seria longa demais para ser enfrentada num frio descomunal como esse, no entanto era preciso. Porém o que o deixava mais absorto era o fato de Grimmjow estar se comportando – na medida do possível – e acatando tudo o que falava. Isso também contribuía para manter a calma com ele, e ter uma conversa civilizada; quadro esse que jamais passara na mente do ruivo nos dias onde ensaiava as falas para quando Grimmjow voltasse.

Onze e quarenta da noite, o parque estava deserto. A neve ajudava para isso, pois sabia que se não fosse o clima frio, muitas pessoas ainda estariam ali, fazendo lá sabe o que. Foram se dirigindo a um pequeno aglomerado de árvores, onde o vento quase não batia e podiam sentir-se menos desconfortáveis.

Grimmjow ficou de pé massageando as mãos ainda doloridas da briga, aguardando quaisquer que fossem as perguntas de Ichigo. Tinha decidido que não esconderia mais nada dele. Teve grande ajuda de Neriell nessa parte, pois a amiga o convenceu durante a viagem que ser honesto com o garoto era o melhor caminho para o ‘perdão’. Mas acima de tudo, não queria mais afastar-se dele, e por isso, por ter aceitado e compreendido por fim o que sentia por Ichigo, não mais esconderia nada dele. Pois perdê-lo, tinha sido a pior de todas as suas experiências.

Ichigo ficou com a mão recostada no tronco de uma árvore algum tempo. Refletia sobre seus próprios pensamentos, os estudando e analisando qual seria melhor abordagem para começar a tal conversa. Por mais que se esforçasse para encontrar uma maneira simples de iniciá-la, as linhas de raciocínio se embolavam, e acabava atropelando uma pergunta em cima da outra.

– Ichigo...

– Me deixa começar. – interrompeu-o, voltando-se para ele.

Grimmjow concordou com ele, mas franziu um pouco o cenho, afinal, podia se controlar, mas não se livrar da sua personalidade forte.

– Porque não me contou sobre o caso da minha mãe?

Por fim tinha se resolvido entre a pergunta mais séria e também a mais pertinente na qual ansiava por saber a verdade. Pego desprevenido, Grimmjow coçou a nuca e jogou os cabelos para trás – como era bom poder rever essas ações de desconcertado dele de novo.

– Eu... Fiz aquilo porque eu quis... Não era algo que você precisasse saber...

– Tem haver com a morte da minha mãe, é claro que eu precisava saber!

Argumentos fortes que deixavam Grimmjow cada vez mais encurralado.

– Eu só... Sei lá... Eu não tinha falado para você da empresa ainda e queria fazer alguma coisa que pudesse ser mais fácil de te explicar depois!

– Ah sim, com certeza foi bem mais fácil, né? Conta outra Grimmjow! Eu te conheço! Sei que você fez aquilo por algum motivo!

– Eu fiz, mas não foi pelo que você ta pensando!

– Tu não sabe o que se passa pela minha cabeça para dizer se é ou não é, então me diz! Você disse que ia me contar tudo o que eu perguntasse!

Bufando, Grimmjow soltou os braços na lateral do corpo. Esfregou os olhos lembrando-se das semanas de viagem, lembrando-se das broncas de Neriell... E resolveu falar tudo de uma vez:

– Pedi que o caso da sua mãe fosse reaberto porque eu queria fazer isso por você... Não contei justamente porque minha intenção era apenas te ajudar com isso, não ficar me gabando depois, ou jogando na sua cara que tinha te ajudado... Jamais faria isso... Eu só... Só não queria te ver triste daquele jeito por causa disso de novo...

As palavras foram um baque, fazendo Ichigo recostar-se no tronco. Essas hipóteses já tinham passado em sua mente, afinal, até então, Grimmjow nunca tinha comentado desse assunto, ou se aproveitado disso. Na verdade, o que o deixou surpreso foi como ele acabara de admitir que havia feito algo por ele sem segundas intenções, simplesmente porque se importava.

– Eu... Não sei o que dizer... – admitiu, desconcertado.

– Não precisa. Eu fiz porque quis e pronto, tu não me deve nada.

– Obrigado... – foi a única coisa capaz de pensar em responder-lhe.

Apesar do clima mais leve entre eles, Ichigo permeava suas idéias com outras perguntas, e como a coragem tinha se apossado dele, começou a fazê-las:

– Porque não me contou tudo isso antes? Sobre a empresa, principalmente? Teria sido mais fácil, com menos problemas.

– É difícil de explicar...

– Temos a noite toda pela frente.

O vento frio passava por entre eles, mas nem assim deixavam-se abater. Realmente ficariam ali o quanto fosse necessário, ate se esclarecerem por fim.

– Não é como se eu falasse aos quatro ventos que tenho uma empresa.

– Eu sei disso, não sou burro, mas acho que depois de tudo pelo o que passamos... Eu merecia mais.

De fato, merecia. Ele não era qualquer um, por Deus, era Ichigo! O Ichigo. Grimmjow sentiu-se desconfortável com as palavras dele, pois era como se não desse atenção á ele.

– Bem eu... Eu realmente não fiz por mal. Mas sempre foi difícil pra eu lidar com esse assunto.

– Por quê?

Grimmjow bufou encostando as costas numa árvore oposto ao ruivo deixando os braços penderem na frente do corpo. Chegou a prender a respiração antes de falar. Sentia-se um idiota por ter de ficar com a cabeça baixa para ele, ou ainda, por falar dessa maneira. Na verdade, os ossos estalavam querendo parar com aquela palhaçada toda e abraçar Ichigo ali mesmo – e claro, fazer outras coisas mais. Quando tomava coragem para fazê-lo, a imagem de Neriell aparecia diante dele, e as broncas se repetiam as noites mal dormidas no exterior e os problemas que causaram. Não era do seu feitio ser paciente, mas precisava exercer todo esse lado hoje, ou poderia perder o controle que lutara tanto para recuperar no último mês.

– Você não faz idéia do que é ser herdeiro de uma empresa grande como essa. – começou tentando ser o mais breve possível – Pessoas vêm lamber seus pés a cada minuto na esperança de ganharem algo em troca, é um bando de filhos da puta... Sempre que eu me aproximava de alguém e depois de um tempo falava da empresa tudo mudava. O jeito de agir, as palavras, queriam sempre me agradar e vinha cheios de merda. Eu odeio pessoas assim, odeio ser tratado diferente, odeio que fiquem me paparicando, se eu quiser alguma coisa eu não peço, eu faço e pronto!

Ichigo sentiu um aperto momentâneo no peito. Passou a imaginar a vida de Grimmjow desde pequeno. Depois de ter perdido seus pais deve ter tido de enfrentar muitas coisas, afinal, ele mesmo ainda podia contar com suas irmãs e seu pai. Mas ele havia ficado sozinho esse tempo todo, sendo mandado e desmandado, usado por quem queria usufruir de uma pontinha de poder dele.

– Quando eu assumir a empresa irei mandar todos eles se fuderem. – continuou numa espécie de desabafo – Aquela porra sempre foi minha por direito, eu quem deveria estar na liderança, não o Aizen. “Você é nosso futuro presidente” sempre falavam isso para mim desde pequeno, então eu vou assumir aquele lugar, e mudar tudo à minha maneira.

Acenando em sinal de positivo Ichigo esperou que ele terminasse seu discurso para poder retornar a situação deles.

– Então você não contou nada a mim por medo? – indagou vendo-o erguer a cabeça, como se agora voltasse a tomar noção de sua presença.

Respirando fundo e bagunçando os cabelos, Grimmjow baixou o rosto, como se estivesse envergonhado.

– Queria que... Queria que você ficasse comigo pelo o que eu sou, não o que eu represento.

– Você é um babaca. – retrucou vendo o outro estampar na cara a face de surpresa.

Não tinha compreendido as palavras de Ichigo, aliás se achava um lixo agora depois de tê-las ouvido, mas aos poucos, o ruivo foi amenizando-as:

– Tu me conhece bem o bastante para saber que eu nunca faria algo do tipo; sair por aí te paparicando só porque é dono de uma empresa... Vai se fuder Grimmjow! Se fosse por isso eu não estaria puto com você agora!

Engolindo seco Grimmjow viu-o cruzar os braços em sinal de desaprovação as ações dele. As sobrancelhas juntaram-se mais ainda, enfurecidas, no entanto, por mais que tentasse não conseguia desviar o olhar dele, e sem pensar muito, saiu do recosto do tronco e caminhou até ele. Ichigo chegou a retesar um pouco sua aproximação, mas os esclarecimentos de agora o haviam deixado mais tranqüilo, talvez até mesmo mais suscetível as explicações dele, e também sem raciocinar direito, deixou-o ser abraçado mais uma vez por ele –porém não deixou de cruzar os braços, sendo praticamente envolto pelo corpo grande de Grimmjow.

– Foi mal Ichigo. – disse perto de seu ouvido deixando o menor corado – Eu não te escondi nada por mal é só...

Segurou a língua antes que começasse a falar qualquer besteira ali. “É só que eu estou apaixonado por você”; era a frase pronta para ser dita. Mas não conseguia deixá-la sair da garganta. O maldito orgulho travava sua voz. Neriell surgiu em sua mente dando-lhe uma bronca, e o xingando de tudo quanto é nome, mas como podia, depois de dizer tantas coisas vergonhosas ao ruivo, ainda admitir que estava apaixonado por ele?!

– Grimmjow? – indagou Ichigo arqueando uma das sobrancelhas.

Merda, ele tinha percebido! Agora fudeu! Tinha de falar alguma coisa, ou iria acabar se entregando... Mas o que poderia dizer à ele?! Droga de cérebro que cisma em pifar numa hora importante como essa!

Sentiu Ichigo se afastando dele para poder vê-lo melhor, e ao encarar os olhos âmbar do garoto, atrapalhou-se ainda mais. Mirou sua boca e pelos segundos que o fez pensou seriamente em parar tudo e beijá-lo de novo.

Todavia, sua cabeça gostava de lhe causar confusões desnecessárias, ou talvez o alertar de um possível futuro. A dor nas mãos lembravam-no da briga que tivera com Renji agora há pouco, mas o pior foi ter recordado do beijo que presenciara entre os dois. Se Ichigo tivesse ficado com ele nesse último mês devido a sua falta, precisava dar certezas ao ruivo para nunca mais deixá-lo; precisava dizer-lhe o quanto antes como se sentia para não existir a menor possibilidade de perdê-lo, pois não agüentaria passar por isso tudo de novo.

Engoliu seco mais uma vez estufando o peito de ar como se assim se preenchesse de coragem. Repetiu a frase mil vezes mentalmente para ter certeza e confirmar o que iria dizer à ele. Ergueu as mãos até segurar o rosto do ruivo, impedindo-o de desviar a atenção dele, e num único suspiro disse ao mesmo tempo em que abaixava os lábios no encontro dos dele:

– Eu to apaixonado por você...

Ichigo arregalou os olhos, incrédulo. Queria perguntar, queria saber, queria ter certeza de que havia escutado direito às palavras de Grimmjow. Mas o beijo sufocante dele, o toque inebriante e o cheiro o deixavam desnorteado, assim como a frase dele.

Cerrou os olhos descruzando os braços e abraçando-o pela cintura para juntar ainda mais os corpos. Respirava ofegante sem dar tempo dos pulmões recarregaram-se de oxigênio.

Num salto dentro de sua mente, pode ver aquele lugar estranho, onde várias vezes viajava em seus sonhos. No lugar não chovia mais, e um sol forte penetrava por entre o céu. Ele estava com as suas roupas de agora, mas um pouco distante próximo a ponta de um dos prédios, trajado de branco, pode ver as costas de Grimmjow. Ele virou a cabeça para trás, e com aquele sorriso sádico estampado esticou a mão para ele. Correu a fim de segurá-la antes que ele caísse como da última vez, mas não fora preciso se desesperar. Ao chegar ao seu lado teve sua mão envolta pela dele.

Numa volta á realidade sentiu os dedos de Grimmjow descerem alcançando a parte de trás de seu casaco, sendo apertado por eles. O beijo prosseguia, e para ter certeza de que não sairiam dali tão cedo, tratou de entrelaçar as mãos pela cintura de Grimmjow o prendendo perto de si – sem receber reclamações por isso.

A uma da manhã os bares começavam a fechar. Renji achou isso um absurdo, pois não sentia-se bêbado o suficiente ainda, apesar dos pés vacilarem, e seu corpo entortar a cada passada. Terminou de beber a latinha de cerveja e a atirou em qualquer lugar continuando sua caminhada noturna. Chegou em seu apartamento lembrando-se agora da mudança. Suas coisas estavam empacotadas no corredor na frente de sua porta impedindo-o de entrar. Recordou-se que ia ficar na casa de um amigo, mas estava sem o endereço em mãos, e também nem tinha cara de pau de aparecer nesse estado na casa dele. Tudo bem, tinha feito isso uma vez, mas a pessoa em questão era o Ichigo.

Ah! Tinha de lembrar dele justo agora! Chutou uma das caixas pela raiva, e voltou-se para descer as escadas, quase tropicando nos degraus. Enfiou a mão no bolso procurando por seu celular, mas acabou puxando o molho de chaves, e dentre eles estava a da sua nova casa. Tudo bem, lá não tinha quase nada, mas era um teto, e podia ajeitar-se numa poltrona qualquer ao menos por uma noite. Passou a caminhar na direção do aglomerado de casinhas e teria chegado mais rápido não fosse a confusão existente entre um pé e outro.

Procurou pelo número correto, no entanto, antes que pudesse até pensar em fazê-lo, acabou por levar um tombo e só não se machucou mais, pois conseguiu amparar a queda com as mãos. Cambaleante foi até a primeira casa que avistou e sentou-se na pequena escadaria de entrada. Abaixou a cabeça nos joelhos e torceu para que a bebedeira passasse depressa para poder se levantar.

Ter a imagem de Ichigo ainda cravada na mente não ajudava muito a se curar da ressaca, mas pelo menos sabia estar consciente. Então, veio a fase dos arrependimentos...

A quem estava enganando? Ichigo jamais seria algo além do que seu amigo. Se beijaram alguma vezes e só. Por um lapso momentâneo e carência do garoto tinham feito essa besteira. Devia já ter aprendido há muito tempo que não tinha sorte no amor.

Foi a mesma coisa desde a escola, tentando chamar atenção do professor, participando das atividades extras só para vê-lo com mais freqüência, até mesmo tentou puxar conversa algumas vezes, mas aquele moreno era sempre frio e distante. Devia desistir disso tudo e jogar na loteria, afinal, em alguma coisa tinha de ter sorte.

Sentiu a cabeça começando a ficar zonza e o sono foi se achegando dele, A neve passou a cair com mais força e teve de abraçar as pernas para tentar se aquecer. A luz do poste vacilava um pouco, talvez estivesse quebrada. Mas pode perceber a sombra que formou-se sobre ele nesse instante. Queria erguer a cabeça para descobrir quem era, mas ela latejava demais.

– Posso saber o que o senhor faz diante da minha casa? – indagou a voz grossa e imponente.

Uma voz que na verdade lhe era bem familiar. Um timbre que o fez estremecer, e num segundo, arrancou as forças restantes dentro de si para poder levantar os olhos e enxergar o dono dela. Os cabelos vermelhos emaranhados na frente do rosto atrapalhavam um pouco, mas em poucos segundos pode estupefazer-se com a imagem do homem de melenas negras arrumadas em um penteado perfeito, o terno beje alinhado, o cachecol branco, e as luvas combinando com tudo. Segurava um guarda-chuva preto para proteger-se da neve, e mesmo com a luz do poste ainda fraca, pode distinguir com perfeição as feições sérias daquele rosto tão familiar e querido:

– Kuchiki Byakuya-sensei?...

Continua

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-Bônus-

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Notas finais
Foto: Ichigo mto bem vestido xD
TCHARAM! Eu disse q eles iam voltar, e disse q o Byakuya ainda ia aparecer xDDDD
Espero que o capítulo seja um ótimo pedido de desculpas devido ao tempo q demorei a postar! Mas agora eu tentarei escrever bem rápido pq tb estou anciosa com a história!
Esperem muitas outras coisas nos próximos capítulos, e a introdução de um novo casal muhamuhamuha!!!!!
Kissus até o próximo!