Maipetto no Neko
23 Capítulo 23 - Resolvendo problemas
Notas iniciais
Boa leitura!
Maipetto no Neko
Capítulo 23 – Resolvendo problemas
O avião saía às onze. Tempo de viagem estimado: vinte horas e quatorze minutos; sem escalas. As passagens estavam na escrivaninha, junto com o passaporte. A mala já se encontrava arrumada ao lado da porta. Conferira diversas vezes o número do vôo, e até mesmo tinha decorado todo o código de barras das compras finais. A conta do hotel tinha sido fechada no mesmo dia, e nada mais prendia Grimmjow aquela terra estranha. Finalmente poderia voltar para casa; já não agüentava mais a comida gordurosa, a língua enrolada, as reuniões chatas e entediantes, os negócios que pareciam nunca se resolver. Mas acima de tudo> não agüentava mais ficar longe de Ichigo.
Porém encontrava-se num dilema. Por um lado queria vê-lo, por outro as palavras lhe faltavam para saber como se desculpar com ele.
Nem sabia ao certo quais eram as desculpas que deveriam ser dadas. O mal entendido com Neriell tinha desencadeado o pior de tudo, mas ter deixado de confessar muitas outras coisas, ou como o ruivo mesmo havia dito, por contá-las apenas no último minuto, é que tinha se complicado.
Poderia começar por aí. Deixando-o saber de qualquer outro detalhe que quisesse saber. Sim, faria isso. Desculpar-se-ia pelas últimas falhas suas e diria à ele que responderia a qualquer outro assunto da curiosidade de Ichigo; chega de ficar de joguinhos ou com segredos. Se queria tê-lo de volta tinha de engolir o orgulho – por mais difícil que fosse.
Também teria de ser sincero e dizer-lhe com todas as palavras como se sentia em relação à ele, o que esperava e o mais complicado de admitir: o medo por trás disso. Nunca se apaixonara antes e a experiência lhe faltava ao lidar com situações desse tipo. E o receio da rejeição, da perda, de todas as partes negativas que acompanhavam a paixão o incomodavam, fazendo o lado irracional atropelar as ações quando se tratava de Ichigo. Mas mudaria isso tudo – tinha de mudar.
Quanto a Renji, bom, adoraria dar uns bons socos na cara dele, quebrar osso por osso, e mil outras torturas na qual podia imaginar. Mas iria se conter caso fosse preciso; ou até estar longe da visão de Ichigo, pelo menos.
Jogou-se na cama esticando os braços para os lados mirando o teto cor de salmão. As frases repetiam-se diante de seus olhos como se fossem projetadas na sua frente, e conforme as via as pálpebras caíam, sendo vencido pelo cansaço, depois de muito relutar. Dormira com o terno amassado e a gravata afrouxada no pescoço, esperando ansioso pela manhã do vôo, sonhando já com sua chegada.
– Grimmjow-kun logo estará de volta, não é mesmo? – indagou Gin finalizando os últimos detalhes do dia no computador do escritório.
– Sim, em poucas horas. – respondeu, parecendo pensativo.
– Algum problema senhor?
– Digamos que, tive pequenos atrasos com relação ao comportamento de Grimmjow nas reuniões no exterior.
– Como assim?
– Das conversas trocadas com a junta do conselho, tive bastantes reclamações de sua conduta, ‘jovem’, mas nenhuma delas provou ser forte o suficiente para sugerir a idéia de substituição da presidência.
– Oh, então seus planos foram frustrados?
– Neriell mostrou-se ser uma funcionária mais eficiente do que o necessário.
– Acha que ela pode ser uma ameaça?
– Ela já se tornou uma... No entanto não posso simplesmente ‘apagá-la’ da vida de Grimmjow, os dois são muito amigos, traria muitas suspeitas.
– Como irá cuida dela então?
– Preciso encontrar um outro veículo de ação, algo que a deixe ocupada e fora do meu caminho...
Um barulho alto fez-se do lado de fora da sala, como se algo caísse bruscamente no chão. Sem pensar suas vezes, Gin adiantou-se até a porta e ao constatar novos ruídos abriu-a vendo a causa dessa bagunça.
– Olá... Boa noite... Só estava fechando meu expediente! – disse Matsumoto segurando as canetas que havia derrubado com uma das mãos.
Aizen adiantou-se até os dois abrindo um sorriso para a funcionária:
– Ora, mas todos foram embora há mais de uma hora atrás. Talvez eu esteja sobrecarregando você com tanto serviço, Matsumoto-san.
– Imagina! Eu é que me dedico demais ao trabalho, sabe como é...
Desviando o olhar para as mãos dela avistou a tela brilhante do celular apagando. Sorriu enquanto removia os óculos para limpá-los na barra do terno. Voltou-se para Gin dando-lhe um rápido aceno com a cabeça, e sem entender do que se tratava, Matsumoto só teve tempo de sentir uma desconfortável dor em seu pulso ao tê-lo preso em suas costas por Gin.
– Me larga! – gritou ao deixa o celular cai no chão.
Aizen recolheu o aparelho verificando as últimas atividades dele.
– Vejo muitas ligações para o exterior aqui... – comentou ao apertar as teclas.
– Tenho muitos amigos que moram longe! – tentava se desvencilhar daqueles dois, mas a força de Gin era absurda.
– Interessante, tem algumas gravações aqui também.
O olhar de Rangiku congelou ao ouvi-lo. Parou de mover-se escutando o início de uma das muitas conversas dos dois que havia gravado. Pensava agora que teria sido muito bom se tivesse as guardado em seu computador ao invés de coletar tudo de uma vez. O suor frio escorria de sua testa sem saber o que aconteceria agora que eles conheciam suas intenções, ou pior: que ela estava a par de seus planos. Engoliu seco ao ver a face imutável de Aizen erguer-se para ela.
Desligando o aparelho ele removeu a capa traseira dele tirando a bateria e quebrando o chip. Pôs os óculos no bolso do paletó e jogou o cabelo para trás armando-o num novo penteado, que desfazia completamente a expressão de submisso dele. Aproximou-se da mulher e segurou seu queixo, forçando-a a olhar dentro de seus olhos.
– Eu realmente queria passar por todo esse processo sem ter de me preocupar com pessoas xeretando nos meus assuntos, mas infelizmente terei de lidar com você.
– Vai fazer o que comigo?! Me ‘apagar’ como dissera?! – esbravejou virando o rosto para o lado.
– Bem, pode parecer complicado para você, mas uma pessoa com as minhas influencias é capaz de fazer o impossível. – sorriu fazendo-a estremecer.
– Neriell vai sentir minha falta, ela vai me procurar custe o que custar!
– Oh, mas eu sei disso minha cara. E é exatamente com este pequeno deslize que estou contando.
Arregalando os olhos, Rangiku teve tempo de ouvir Aizen dando as instruções finais para Gin antes de receber um golpe na boca do estômago; desmaiando em seguida.
– Trate de tudo no máximo até amanhã cedo Gin. – comentou antes de dirigir-se ao elevador – Não quero ter de me preocupar com ela nem mais um minuto.
– Não se incomode senhor, já estou acostumado com esse tipo de serviço; ninguém vai saber o que houve com ela.
– Assim espero.
Apertando o botão da garagem Aizen recostou-se na parede do elevador aguardando sua parada. Tratou de recolocar os óculo e mudar a posição das melenas para a costumeira. Puxou as chaves do bolso e pressionou o alarme vendo o carro piscar perto dele. Entrou no veículo e tratou de dar a partida saindo do prédio. Conforme as luzes dos postes passavam apressadas pelo carro, num súbito momento de euforia gargalhou no meio da estrada, divertindo-se com seus pensamentos. Ninguém era capaz de pará-lo agora. Estava tão perto de seus objetivos que não deixaria uma simples secretária estragar o planejamento de uma vida. Tinha de reorganizar as idéias, mas isso era o de menos. Apenas o fato de saber ser capaz de feitos como esse, ficava extremamente feliz; se já podia o fazer no seu estado atual, teria poderes muito maiores quando completasse seu plano. Riu de novo deleitando-se com o prazer desses pequenos pensamentos. “Ninguém pode me enfrentar”, pensava enquanto dirigia tranquilamente pelo meio da cidade.
Ainda sem noticias de Renji, Ichigo começava a se preocupar com a ausência do amigo, mas em compensação pode passar mais tempo com Inoue, Chad e Ishida, apesar de tentar evitar as conversas com o quatro olhos, pois ele começava a desconfiar de alguma coisa. Já era difícil ter de contar apenas com Orihime, e esconder dos demais ficava cada vez mais difícil, principalmente de sua família. Além do mais, sentia-se mal por não contar-lhes a verdade.
Já estavam na penúltima semana de aulas e mesmo não precisando mais comparecer à elas, o ruivo prestava atenção nas disciplinas extras para os pendurados nas matérias como forma de desligar-se dos demais pensamentos. Bufou pelo tédio ao ouvir o sino tocando e encerrando as atividades do dia, mas ao menos estava dirigindo-se ao caminho de casa.
Puxou os fones da mochila ajeitando-os em volta do pescoço quando ouviu uma voz familiar o chamando, e forçando a visão diante de si avistou a figura de Renji acenando para ele.
Um súbito alívio achegou-se do ruivo aliviando a tensão causada pela preocupação; porém logo em seguida a ansiedade e o medo apossaram-se dele. Cada passo dado por Renji parecia desacelerar enquanto seus pensamentos se multiplicavam em milésimos de segundos. O que diria á ele? Como reagiria após seu último encontro? Quais seriam as melhores palavras para explicar o ocorrido? Ele entenderia? Poderiam continuar sendo “apenas” amigos?
– Ichigo! – Renji exclamou chamando a atenção do ruivo que nem havia percebido sua chegada.
– Desculpa, me distraí por um minuto.
– Sim, eu percebi. Mas você já é meio avoado normalmente. – riu.
– Babaca. – riu com ele.
– Saindo da aula agora?
– É.
– Ficou de recuperação em alguma matéria?
– Não nenhuma.
– Para que está vindo então?! – indagou com surpresa.
– Porque as aulas ainda não acabaram.
– Fala sério, só os que precisam de nota vem nas ultimas semanas.
– Diga-se de passagem você deveria estar aqui.
Meio sem graça Renji coçou a nuca tentando desvencilhar-se do assunto:
– Tive alguns problemas...
– E sumiu por três dias. – retrucou.
– Bem... Se tiver tempo, podemos conversar enquanto caminhamos, quer dizer, se não se importar em andar até sua casa.
– Não tenho nada melhor para fazer o resto do dia, então por mim tudo bem.
Nossa tudo parecia bem mais natural do que o esperado, apesar da inquietação e o coração acelerado, Ichigo conseguia se controlar na fala e nas ações, sem demonstrar muita euforia. Começaram o percurso para seu bairro, onde a conversa não tardou muito para começar:
– Então, qual foi o motivo do seu sumiço repentino?
Respirando fundo, Renji enfiou as mãos nos bolsos depois de levantar o zíper do casaco mirando a face curiosa de Ichigo antes de respondê-lo:
– Acho que nem te contei sobre isso, então vou começar do princípio: eu sou órfão.
– Hã?! – exclamou pasmo.
– Bem essa é a melhor maneira de explicar: minha mãe morreu jovem, e meu pai mora numa clínica, então fui criado pela minha avó, mas ela também morreu cedo e tive de receber ajuda de um orfanato até atingir a maior idade.
– Você não tem outros parentes?
– Nenhum; meus pais eram filhos únicos. Minha avó foi a última pessoa ligada a mim que eu conhecia, apesar de ter muitos amigos, não tenho ligação sanguínea com mais ninguém — além do meu pai, mas ele mal consegue cuidar de si mesmo sozinho.
– Sinto muito.
– Não sinta; eu não vejo isso como algo ruim; tive uma boa vida até agora.
– Nesse caso o que isso tem a ver com seu sumiço?
– Me ligaram a dois dias falando de uma documentação encontrada no meu nome na prefeitura. Parece que minha avó tinha alguma dívidas pendentes quando morreu, e como só pude ser encontrado agora por conta da minha passagem n orfanato, precisei cuidar delas.
– Dívidas? Então você teve problemas financeiros?
– Ah! Nada de mais! Eu tinha minhas economias, então pude arcar com tudo, que, aliás, não era muito, apenas as parcelas finais de sua casa. Mas tive uma boa notícia disso tudo.
– Qual noticia?
– Como foi eu quem quitou a última parcela da casa, e foi provada minha relação com ela, pude colocar o imóvel no meu nome.
– Ah! Então é uma ótima noticia!
– Sim, a casa é bem grande, fui ontem vê-la. Estou pensando em me mudar pois ela fica mais perto da faculdade, num condomínio fechado, bem bonito.
– Se precisar de ajuda com a mudança pode me chamar.
– Vou cobrar o favor depois.
Na metade do trajeto as vozes de ambos tinham se perdido em meio a confusão das ruas com o fim de semana se aproximando. Eram carros e mais carros buzinando em seus ouvido tentando atravessar a cidade o mais depressa possível para alcançar as casas de praia ou no campo a fim de fugir justamente desse turbilhão de coisas que era o centro da cidade. E em meio desse furacão apressado, Ichigo tentava bolar uma nova frase para abordar Renji quanto ao que acontecera naquela noite; quando sem querer dirigiu aquelas palavras à ele, enquanto pensava em Grimmjow. Queria começar tudo de maneira sutil, mas não estava acostumado a agir assim. Na verdade resolvia a maioria dos seus problemas no punho, ou então os guardando para si. Falar não era seu forte...
– Como estão suas irmãs? – perguntou Renji vendo Ichigo sobressaltar-se novamente ao ser pego de surpresa.
– Elas estão bem. Por quê?
– Achei que ficariam mais abaladas em relação ao noticiário.
“Ah, então era isso.” Pensou o ruivo, encontrando a deixa na qual procurava.
– Elas são bem maduras para a idade. Ficaram um pouco tristes no dia, mas logo melhoraram.
– Fico feliz.
Respirando fundo, Ichigo contava cada passo seu numa tentativa de aquietar-se, e o fez pouco antes e chegarem ao ponto onde se separavam:
– Renji. – começou com a voz um pouco baixa – Temos de conversar.
O tatuado sabia onde ele queria chegar. Admitira que a curiosidade o estava arranhando por dentro, mas não queria forçar nada para cima de Ichigo. Preferiu esperar até agora para saber da verdade, para poder lhe perguntar tudo o que queria saber, e quem sabe, para dar uma definição à relação conturbada dos dois.
– Pode falar. – disse apertando as mãos dentro dos bolsos, sem deixar o outro ver.
– É sobre aquela noite do noticiário, quando estávamos fazendo a reunião na minha casa...
Renji apenas acenou que sim com a cabeça, percebendo o rubor na face do ruivo. Engoliu seco, pois seu rosto também começava a arder. E Ichigo continuou:
– Antes de toda a confusão começar, quando nós estávamos sentados na cama o meu quarto... – respirou fundo antes de prosseguir – Eu acabei fazendo algo do qual não me orgulho...
– Você me beijou. – completou Renji, vendo-o responder um ‘sim’ bem baixo.
–Mas não foi só isso. – continuou enquanto ainda lhe restava alguma coragem para falar de algo tão embaraçoso – Fazia um tempo eu me sentia sozinho, e com você por perto eu melhorava um pouco. Naquela noite eu estava assim, e foi errado, eu fui um babaca por ter feito o que fiz, e por isso quero que me desculpe...
De fato, fora isso mesmo que ocorrera. Renji não era burro, sabia da carência do ruivo há muito tempo, e sabia ser apenas a válvula de escape dele. Mas em nenhum momento tentou parar essas investidas, pelo contrário: as alimentava cada vez mais na tentativa de conquistar o afeto do garoto. Os dois ali agiram como bem entenderam e eram ambos culpados pelo andar das coisas até agora.
– Se eu vou te desculpar – falou Renji dando continuidade – devo pedir que faça o mesmo comigo.
– Como assim?
– Eu queria Ichigo; e você sabe disso. Fui eu quem começou toda essa história e te dei abertura para que as coisas chegassem a esse ponto. Então mesmo que você tenha agido por que não queria ficar sozinho, eu queria ser usado por você...
Roubando-lhe todas as possíveis palavras, Ichigo baixou a cabeça para poder reorganizar as idéias. O arrependimento ainda se abatia dele, mesmo sabendo que Renji tinha razão. Ambos se embolaram no meio dessa ‘convivência’, mas as ações de Ichigo naquela noite, o que dissera à ele ao ter pensado em outro deixava o remorso a cada instante mais insuportável. Queria desculpar-se por tudo, todavia, as próprias letras em sua mente embolavam-se o impedindo de raciocinar direito. Foi quando sentiu a mão quente tocar-lhe a face e erguê-la até seus olhos se encontrarem com os de Renji, ficando a poucos metros um do outro. Deixou-se corar novamente travado diante do tatuado e da sua expressão num misto de medo e carência.
– Ichigo – começou a falar com a voz mais serena – só me diga uma coisa: quando disse o que disse naquela noite, confesso que fiquei surpreso e descrente, mas depois de ter pensado sobre isso nesses últimos dias fiquei me perguntando se pelo menos por um segundo, elas não significavam que você talvez pudesse sentir o mesmo que eu... Poderia até ter usado as palavras erradas, mas... Mas isso quer dizer que ao menos você gosta de mim, não é?
Tudo o que não queria que acontecesse acabava de estraçalhar as esperanças do ruivo de terminar a conversa pacificamente. Renji tinha entendido completamente tudo ao contrário das suas reais intenções. Não podia culpá-lo, mas contar-lhe a verdade, explicar de fato o que ocorrera tinha se tornado mais difícil.
– Renji eu... Não é que não goste de você é só... Complicado. – respondeu deixando-lhe com mais dúvidas.
– É por causa do Grimmjow?
– Sim, mas tem a ver comigo também... Não acho que possamos ser mais do que amigos.
Erguendo uma das sobrancelhas Renji deixou Ichigo mais livre ao soltar seu rosto, porém permaneceu próximo dele ainda:
– Se é assim, então me explica o que aquelas palavras significavam! – indagou levantando um pouco à voz.
Sentindo uma pontada na boca do estômago, querendo vomitar como antes, concentrou-se numa solução, mas havia apenas uma saída: a verdade.
– Estava pensando no Grimmjow... Quando disse.
Com o baque repentino, Renji andou dois passos para trás. Sentiu-se menosprezado, humilhado pelas palavras dele, e acima de tudo, com medo de finalmente perder Ichigo, a única coisa certa em sua vida. Cerrou os punhos e num impulso segurou ambos os ombros dele, como se tentasse prendê-lo.
– O Grimmjow não ta nem aí para você, Ichigo, quando é que vai se ligar?! – esbravejou.
Franzindo o cenho, o ruivo desvencilhou-se dele rapidamente empurrando-o com certa violência antes de falar; não havia gostado nem um pouco das insinuações de Renji.
– Sou bem grandinho para cuidar de mim, obrigado. E sou eu quem decido sobre o que fazer ou não.
– Porque prefere ficar sofrendo por ele, quando do outro lado eu estou aqui, me importando de verdade com você?!
– É problema meu.
– Depois de tudo o que passamos eu mereço ao menos uma conclusão!
– Porque você não é ele, porra! – gritou numa tentativa de chocar Renji, porém não obteve sucesso: apenas despertou ainda mais a fúria dele.
– Exato! Eu não sou um filho da puta que te abandona na primeira chance que tem! Eu não sou um babaca que fica te escondendo as coisas! Eu sou alguém que se importa alguém que sempre vai estar aqui!
– Se isso fosse o bastante não estaríamos tendo essa conversa! Agora, eu preciso ir para casa, se quiser conversarmos depois quando se acalmar.
Dando as costas para ele, Renji ficou estático mirando a figura de Ichigo se distanciando, tendo-o cada vez mais longe de si, escapando por entre seus dedos. O lado irracional deixou-o disperso, e num súbito movimento de desespero, agarrou o braço de Ichigo com força, e surpreendendo-o, o puxou para um beijo forçado. Ichigo queria soltar-se dele, no entanto não fora preciso.
O som de rápidas passadas chegaram aos ouvidos dos dois, porém não tiveram tempo de averiguar de quem eram, pois Renji soltara o ruivo no instante seguinte ao receber um rápido soco no maxilar que o levou ao chão, deixando-o grunhido de dor tanto pelo golpe, tanto pelo fato de ter mordido os lábios.
A figura trajando um paletó escuro arfava devido a corrida e a ação impulsiva, mantendo o rosto voltado para o tatuado estirado no asfalto, e aos poucos foi elevando-se, mostrando sua face.
Arregalando os olhos Ichigo esperou até que os ânimos se acalmassem, apesar dele mesmo estar agitado, e quando as íris azuis em fúria encontraram-se com as suas, deixou o nome escapar-lhe dos lábios, como se isso confirmasse a presença dele ali:
– Grimmjow?...
Continua
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– Bônus -
Notas finais
Problemas: não sei porque as fotos de todos os capítulos não estão aparecendo, provável que seja um problema com o site, então peço que esperam a ADM resolver =/ Mas mesmo assim continuarei postando as fotos, quem sabe elas voltam a aparecer!
Enfim, o reencontro! Sei que não era bem o que esperavam, mas garanto que o próximo capítulo será mais emocioante ainda.
ps: tadinha da mtsumoto, eu gostava dela =/
Kissus até o próximo!
Ps²: Divulgando outra história minha, quem puder dá uma lida: https://www.fanfiction.com.br/historia/176585/Closer
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