Maipetto no Neko

22 Capítulo 22 - A felicidade vem de coisas simples


Notas iniciais
Então queridos, dessa vez o que me deixou afastada do pc foi uma faringite fudida que me deixou de cama por quatro dias.
Mas agora estou recuperada e pude trazer o capítulo até vocês!
Com a última semana de aulas se aproximando terei mais tempo para a fic! o/
Boa leitura!

Maipetto no Neko

Capítulo 22- A felicidade vem de coisas simples

Sentia-se mal como se um reboliço no estomago fosse o fazer vomitar a qualquer minuto. A casa a essa altura já tinha se acalmado, mas o clima denso ainda pairava em todo o ambiente.

Seus amigos se despediram com as costumeiras palavras de alívio e conforto, deixando-o, numa situação entre a complacência e o então enjôo, talvez por estar cansado de escutar as mesmas sentenças quando se tratava dessa situação.

A matéria no jornal televisivo continuou a chamar a atenção de uma grande audiência, inclusive a casa de Ichigo, descrente da novidade. Havia sido a melhor notícia até então para todos eles. Ishinn continuava em seu canto, terminando de tragar o cigarro, enquanto Karin tentava acalmar Yuzu, aos prantos.

Parecia quase como um sonho. As imagens diante do ruivo eram turvas, desconexas. Apesar de compreender bem o que se dizia, não era fácil acreditar que um dos momentos de maior tormenta na vida de todos em sua família tinha acabado – e graças a Grimmjow...

O enjôo tornou a reclamar na barriga, forçando-o a subir as escadas até o banheiro. Ninguém criticou, nem comentou nada sobre sua saída repentina, sabiam que dentre eles, Ichigo era o mais sensível em relação a morte da mãe.

Ajoelhado frente ao azulejo branco, Ichigo tentava por o que o incomodava para fora, mas nada saía. Puxou a vontade de dentro da garganta, mas nada a não ser algumas tosses roucas ecoavam no cômodo. Foi para trás recostando-se na parece e pôs a mão sobre a testa escorregando-a até os olhos. Desceu aos poucos esfregando as costas no mármore frio até sentar-se no chão com a cabeça entre os joelhos, batendo-a de leve repetidas vezes como se tentasse pensar em algo que fizesse sentido em toda essa história.

Há mais de três semanas as investigações tinham começo. Na mesma época em que Grimmjow viajara. Não, isso não era importante agora. Foi por causa dele que o caso tinha sido reaberto, por que ele quis ajudar de alguma forma, o assassino de sua mãe encontrava-se preso, finalmente.

Mas a questão martelando inquietante em sua mente conforme batia a cabeça no osso dos joelhos era: por quê?

Se ele quisesse aproveitar-se de alguma forma dessa atitude até então altruísta teria falado de imediato o que fizera. No entanto, pelo contrário: nem se quer se deu ao trabalho de abrir a boca sobre o assunto, aliás, nem ao menos sabia que Grimmjow era capaz disso até pouco tempo, quando soube da sua empresa.

A ânsia de vomito voltara, mas ignorou-a. Parou de bater a cabeça para apoiá-la na parede jogando-a para trás. Podia entender melhor as razões de Grimmjow querer manter segredo de grande parte de sua vida – apesar de não concordar com isso – mas essa última “novidade” não lhe descia.

Para piorar a situação, num estalo, os pensamentos aleatórios em confusão nesse momento lembraram-no dos minutos antes de descer as escadas para a sala o que havia feito com Renji em seu quarto. Cerrou os dentes socando o chão com força e sentindo as juntas dos dedos arderem devido ao impacto. Não era culpa dele, nem um pouco. Na verdade quem tinha dado uma mancada terrível havia sido Ichigo. Primeiro, aproveitou-se dele por estar se sentindo mal o puxando do nada para aquele beijo, e depois, para fuder com tudo de vez, pensara em Grimmjow enquanto o fazia e tinha falado...

O que tinha falado mesmo?! Perguntou-se arregalando os olhos, e até mesmo esquecendo-se da dor na mão. Arfou respirando acelerado com a súbita revelação que fazia a si mesmo: “eu te amo” – repetiu mentalmente as palavras.

Os pulmões fecharam-se o deixando paralisado por um bom tempo. Quando dissera, quando se dera conta desses sentimentos, era a imagem de Grimmjow projetada na sua frente que o fizera abrir a boca, o deixando absorto.

Não sentia as pernas ou os dedos das mãos. Tudo estava ficando dormente aos poucos, e apesar da sensação de medo trazida por isso, no mesmo instante, uma paz interior apossava-se dele, como se pela primeira desde o início de toda essa história tivesse certeza de algo. Como se finalmente pudesse encarar Grimmjow sabendo o que esperava em retorno dele, e o que queria lhe dizer sem pestanejar, sem importar-se com as conseqüências.

O enjôo desapareceu como por milagre. O ar tornou a circular em seu corpo, assim como o sangue nas juntas de sua mão, fazendo-o segurá-la depressa devido a dor aguda espetando agora. Ainda assim sorriu; feliz em meio a desgraça de ter provavelmente quebrado um ou dois dedos. Alegrava-se porque finalmente podia aguardar por Grimmjow com gosto, porque queria mais do que tudo nesse mundo vê-lo, e mesmo que isso não desse em nada, mesmo que não fossem ficar juntos, poderia olhar para trás e dizer que valeu a pena, pois saber que o amava não mudava o fato nem o fazia esquecer-se de todos os problemas pelo qual passaram. Era romântico, não burro.

Porém o pior de tudo, aquilo o incomodando de verdade – além dos dedos quebrados – era indagar-se em como Renji estaria se sentido sobre isso. Precisa lidar com ele antes de tudo, só que a essa hora da noite, após tudo que ocorrera o melhor era deitar na casa e dormir; depois de tomar algum analgésico.

Com a mochila sendo carregada pela mão esquerda devido as faixas do outro lado, Ichigo chegava a metade do período das aulas, esticando a cabeça para os lados na procura de Renji, mas o amigo nem aparecera na classe hoje.

Pôs o material no ombro e dirigiu-se ao refeitório onde percebeu uma boa quantidade de olhares na sua direção. Ignorou o fato como sempre o fazia terminando de pagar o almoço e sentindo alguém tocar-lhe o ombro.

– Kurozaki-kun.

– Oi Inoue. – respondeu a amiga.

– Oi... Tudo bem?

– Tudo sim porque não estaria?

A garota olhou-o numa espécie de análise rápida. O rosto dele estava meio pálido, mas nada tão alarmante. Suas palavras eram firmes, e Ichigo parecia realmente bem. Sorriu para si mesma e alegrou-se em seguida:

– Tem razão! Não há motivos para você não estar bem Kurozaki-kun! Venha, o Sado-kun e o Ishida-kun estão nos esperando pra almoçar.

–Okay.

Respondeu sendo arrastado até a mesa próxima ao caixa da lanchonete.

– Olá Ichigo. – comentou Chad.

– Kurozaki...

– Ishida porque essa cara e enterro? – perguntou o ruivo.

– Nada em especial.

–Tem certeza?

– Absoluta.

– Acho que o Ishida-kun está assim porque não tirou uma nota muito alta numa matéria... – disse Inoue por alto tampando a boca em seguida ao ver o constrangimento do amigo.

– Isso não tem nada a ver... – respondeu tentando esquivar-se.

– Tudo bem Ishida, você continua sendo nosso nerd número um. – brincou Ichigo seguido da risada do resto do grupo.

– Ichigo... – disse Chad – Você está bem mesmo?

Ele sabia qual era o tema da pergunta, na verdade, todos na mesa sabiam, no entanto não tinham a coragem de perguntar com todas as palavras e em ordem ao ruivo. Mas foi ele mesmo quem amenizou o clima ao reparar no pesar nas faces deles:

– Ta tudo bem, de verdade. Admito ter sido bem estranho ouvir a noticia ontem a noite, mas agora já estou melhor.

– E suas irmãs? – continuou Chad.

– Yuzu acordou mais cedo para cozinhar, Karin sorriu a manhã inteira, e meu pai continua o bobo alegre de sempre, então eu diria que todos estão muito felizes também.

Tranqüilizados, os três puderam voltar a comer sossegados, tornando a fazer velhas piadas. Porém é claro, não puderam deixar de notar os pequenos sussurros, e conversas inconvenientes a respeito do assunto do jornal da noite passada, e que “aquele garoto de cabelos laranja” tinha alguma coisa a ver com o caso dos assassinatos.

Se o boato continuasse se espalhando desse jeito poderiam muito bem acabar incriminando o ruivo como o cúmplice do assassino, mas Ichigo nem estava se importando, aliás, nenhum de seus amigos ligava para os comentários. Em breve passariam e ninguém se lembraria de nada, a vida continua como a mesma: Ichigo sendo taxado de delinqüente e Inoue, Chad e Ishida, os loucos amigos que andavam com ele. Gostavam do título, apesar de tudo.

Fim do dia os antigos amigos encontraram-se ainda na saída da faculdade, para a surpresa geral. Inoue, como sempre animada, chamou a todos para um rápido encontro num bar ali perto.

– Repararam numa coisa? – comentou Chad ao por o copo de volta na mesa.

Fazendo interrogações e rostos de quem não entendeu, ele continuou:

– Foi nesse mesmo bar que viemos comemorar o fim do ensino médio.

– É verdade! – exclamou Inoue – Nem tinha percebido quando escolhi.

– É um ambiente agradável apesar do local. – comentou Ishida.

– Falando agora parece que já faz um tempão desde esse dia.

A frase de Ichigo deixou um ar de nostalgia pairando sobre a mesa. Boas lembranças de uma época mais simples, por assim dizer, onde as preocupações de todos giravam em torno das boas notas no colégio, das atividades depois das aulas, e dos encontros entre eles no fim da tarde. Ah! Mas era bom recordar dos almoços que faziam no terraço do prédio, onde não precisam importar-se com a presença de mais ninguém.

– Lembram daquela aluna transferida no penúltimo ano? – comentou Inoue trazendo os demais de volta a realidade.

– Qual delas? – perguntou Chad.

– Aquela com cabelos pretos e uma mecha no meio do rosto. Baixinha, engraçada, meio avoada.

– Rukia. – falou Ichigo.

– Isso mesmo! Perguntou-me o que aconteceu com ela.

– No final do ano passado ela disse que seria transferida para uma escola no exterior. – disse Ishida tomando outro gole.

– Sim, mas não me lembro porque, a Rukia-chan se dava tão bem com a gente. Ela fazia parte do nosso grupo.

– Tinha problemas cm o irmão, não era isso? – indagou Chad.

– Ela tinha de se adequar ao trabalho do irmão. Quando ele precisava se mudar por conta do emprego ela ia junto. Dizia que só tinha ele de família, por isso saiu ano passado da escola. – finalizou Ichigo.

– Sinto falta dela. Você não, Kurozaki-kun?

– Bastante. Conversávamos muito nas últimas semanas de aula. Ela realmente se tornou uma ótima amiga, mas perdemos o contato.

– Todos nós. – falou Chad.

Perder amigo parecia ser algo cada vez mais comum na vida do ruivo. Primeiro não falava mais com Grimmjow, e agora até mesmo Renji tinha desaparecido. Estranho não ter notícias dele até essa hora, pois o conhecendo como conhecia, já teria recebido, pelo menos, umas três mensagens no celular. Pensava nos motivos dos afastamentos. Pensava que talvez ele fosse a razão de todos de distanciarem. Porém erguia o rosto mirando os amigos ainda diante dele, e sorria para si, feliz por ter com quem contar. Mas uma pontada na consciência o alertava da falha na qual estava com eles, ao menos com Chad e Ishida, por não contar-lhes sobre os problemas recentes de sua vida. Sabia ser difícil, mas uma hora ou outra, deveriam parar e falar sobre isso.

– Bom, eu adoraria ficar mais um pouco, mas preciso revisar a matéria de hoje. – falou Ishida já se erguendo da cadeira.

– Vamos pagar a conta então e ir todos até o ponto de ônibus juntos! – comentou Inoue, indo na frente e sendo seguida por Chad.

Apanhando sua mochila e dando a golada final na bebida, Ichigo passou a segui-los até sentir a mão de Ishida pousando em seu ombro. Virou-se para ele vendo as expressões sérias no amigo:

– Ichigo preciso lhe perguntar uma coisa.

– Pergunta ué.

Ajeitando os óculos e verificando a distancia dos outros, ele prosseguiu:

– O que está acontecendo entre você e esse seu amigo, Abarai Renji?

Sem se dar conta Ichigo corou um pouco agradecendo a pouca luminosidade do bar que evitava uma maior evidência disso. Pigarreou imaginando se os segundos poderiam passar mais devagar e dar-lhe tempo de bolar uma resposta convincente e plausível, mas sabia que nada escapava aos olhos atentos de Ishida:

– Como assim o que está acontecendo? – rebateu a pergunta.

– Sabe do que estou falando. Primeiro foi o caso com aquele tal de Grimmjow, que por sinal, também tem alguma importância bem grande, já que fez aquilo tudo por você.

Nossa, o quatro olhos tinha reparado até mesmo em Grimmjow. Não subestimava a capacidade do amigo, apenas se achava mais capaz de esconder segredos dele.

– Olha Ishida, eles são... Bons amigos que fiz na faculdade. Quanto a esse caso com Grimmjow, nem eu mesmo sabia que ele tinha feito uma coisa dessas, fui pego de surpresa tanto quanto vocês.

– Mas ele deve ter seus motivos para...

– Ishida-kun, Kurozaki-kun, já estamos saindo, venham depressa!

Sendo cortado por Inoue, Ishida viu Ichigo dar de ombros para ele como quem diz: “temos de ir” e acabou por caminhar até a saída junto de Ichigo. Mas com certeza conversaria de novo sobre esse assunto; e o ruivo sabia disso.

A noite caía desse lado do globo, enquanto do outro um sol brilhante e quente nascia adentrando as janelas dos prédios e despertando os ainda sonolentos. As rádios começavam a tocar as musicas repetitivas e chatas, com o locutor clamando a beleza do novo dia, mas Grimmjow não queria saber de toda essa alegria matinal. Puxou um dos travesseiros debaixo da cabeça e arremessou contra o aparelho fazendo-o bater com foca no chão com as pilhas rolando para os lados.

Sentou-se na cama esfregando o rosto e esboçando um mau humor sem igual. As juntas dos dedos doíam cada vez mais quando fechava os punhos, e as costas latejavam pelos cortes ainda visíveis nela. Os ossos pareciam calcificar-se a cada vez mais, como se tentassem tomar uma forma diferente da qual tinham. Indo até o banheiro olhou-se no espelho, vendo as veias pulsando na testa. Os olhos avermelhavam-se por nada agora, e os dentes pareciam mais pontudos. Mudanças simples e difíceis de serem notadas pelos outros, mas Grimmjow se conhecia muito bem para deixar de lado esses detalhes. Puxou da gaveta o aparelho de barbear e passou a tirar os pelos da cara antes que eles tomassem conta de todas as suas feições. O cabelo também precisava de um corte, mas isso deixaria a cargo de Neriell, que, aliás, por milagre, estava atrasada hoje.

Com o computador na frente do semblante sério Neriell lia análises feitas na noite na qual passara em claro, lendo e relendo os documentos passados por sua queria amiga espiã. Foi difícil entrar no sistema de dados da empresa, mesmo sabendo as senhas e os acessos, quase como se alguém tivesse alterado o protocolo de segurança, deixando-o mais... Eficaz. Claro as suspeitas saltavam na sua mente sem nem pestanejar, mas não poderia simplesmente acusar Aizen de melhorar as defesas da empresa.

Depois de longas horas sem descanso Neriell conseguira achar um canal livre por onde se infiltrar sem que fosse percebida por aquele grupo de hackers responsável por manter a segurança do sistema. Puxou todos os arquivos no qual Matsumoto havia lhe dito onde encontrar suas tão esperadas provas, e assim que os obteve fechou todos os links de conexão esperando que a invasão fosse percebida apenas no fim do dia.

Depois de todo o trabalho precisava analisar as fichas e os arquivos, que não eram poucos, no entanto esse detalhe não a incomodava, pelo contrário: a cada nova descoberta parecia renovar suas energias. Ria sozinha as vezes, mas sem deixar-se levar pela euforia. Quando viu o horário no relógio surpreendeu-se, indo tomar um rápido banho e aprontar-se. Claro, não deixaria aqueles arquivos de bandeja no computador e tratou de transferi-los para um pen-drive o qual carregava sempre consigo.

Quinze minutos depois batia na porta de Grimmjow entrando no cômodo bagunçado. Não importava quantas vezes a camareira viesse arrumar tudo, sempre o encontrava numa total desordem. Poderia culpar Grimmjow se não soubesse do estresse pelo qual passava. Foi entrando devagar pulando os objetos e roupas largados pelo piso até o encontrar saindo do banheiro com uma toalha em volta do pescoço e as calças sociais já vestidas.

– Vejo que conseguiu se aprontar sozinho hoje. – ironizou.

– Não enche Neriell, quem ta atrasada aqui é você.

– Verdade, mas seus problemas já acabaram, estou aqui para cuidar de você querido.

– Enfia o sarcasmo...

– Olha o palavreado querido. – interrompeu-o.

– Foda-se.

– Bem, vendo que seu humor continua na mesma, vou encerrar o clima de piadas por aqui, mas temos de nos apressar para as primeiras reuniões do dia.

– Se eu ouvir outro comentário sobre as minhas ações eu juro...

– Jura que você vai ficar bem quietinho e deixar sua linda assistente cuidar de tudo, não é?

Bufando e ajeitando os cabelos para trás Grimmjow foi até o armário procurando por uma das milhares de blusas para combinar com sua roupa até por fim receber ajuda de Neriell que sempre sabia como combinar tudo deixando-o impecável nas apresentações.

– Seu cabelo está meio grande. – comentou a mulher puxando as mexas pendendo nas laterais – Senta na poltrona que vou dar um jeito nisso.

Obedecendo Grimmjow viu-a rapidamente buscar uma tesoura e começar a picotar os pedaços mais longos. Usava um pente para dividir e colocar todos no mesmo nível com uma calma e olhos analíticos tentando ser ao mesmo tempo ligeira e eficiente.

Não era do estilo de Grimmjow agradecer as pessoas, mas reconhecia muito bem quais as mais importantes e empenhadas em seu serviço, Neriell, além disso, tudo tinha um cargo difícil de ser conquistado: o de sua amiga. Bufou coçando o rosto e disse sem pestanejar:

– Obrigado pela ajuda Neriell.

Parando as lâminas da tesoura a mulher voltou o rosto na direção dele vendo-o sem graça e riu o mais alto que pode tornando a cortar seu cabelo:

– Isso foi um sentimento de gratidão? – perguntou sem deixar o ar irônico faltar na fala.

– Não fique se vangloriando por causa disso, essa vai ser a única vez que direi isso!

– Ah, que lindo Grimmjow, você me ama! – brincou vendo-o ranger os dentes.

Terminado o serviço e as brincadeiras de Neriell ambos estavam nos conformes para se apresentarem na reunião. Pegaram o carro da empresa e logo estavam diante do grande aglomerado de prédios onde a maioria das salas pertencia a filiais de Grimmjow. Pegaram um dos elevadores e no décimo quinto andar caminhavam apressados para a sala onde seria dado inicio a maratona de conferências.

Antes, porém, Neriell puxou Grimmjow ajeitando-lhe a gravata e limpando qualquer sujeira a atrapalhar o visual perfeito dele.

– Pronto para mais um dia? – perguntou a mulher.

– Se é preciso, estou.

Ela sorriu dando-lhe um tapinha nas costas e indo atrás dele para dentro da sala. Mais um longo dia de conversas e negociações entediantes, mas se tudo corresse bem como a assistente esperava, uma boa surpresa aguardaria Grimmjow no final do expediente. Cruzando os dedos, sentou-se na cadeira ao lado dele, vendo os cenhos de insatisfação dos senhores da junta para com eles. Manteve o sorriso falso e carismático puxando da pasta as pautas do dia, e iniciando as falas. Ela mesma tinha se esgotado de tanta burocracia, porém era seu emprego, e nada a faria desistir ou demonstrar isso. “Paciência” Pensava “Falta pouco para concretizar todos os meus planos...”

Sábado de manhã Ichigo abria as portas da lojinha, entediado e com um estranho mau humor. Ta, ele sempre estava de mau humor, mas hoje tinha levantado com o pé esquerdo. Não sabia de Renji nem recebera notícias suas desde o pequeno “incidente” em sua casa. O amigo poderia muito bem ter seus afazeres, todavia os eventos pelo qual passaram deixavam o ruivo em alerta. A expressão de Renji ao dizer o que disse foi na sua maioria de surpresa, mas também esboçara uma grande felicidade, como se tivesse realizado algum grande feito. A culpa o assolava a cada minuto e o pior de tudo era desconhecer o paradeiro dele. Pensava em passar no local de trabalho do tatuado no período da tarde, torcendo para ser seu turno, mas a dúvida apossava-se dele: como explicar a situação toda para Renji sem parecer um completo babaca? Okay, isso era impossível no decorrer do episódio, mas imaginar o impossível ainda lhe era permitido.

A cada vez que a porta automática da lojinha se abria seus olhos rápidos esgueiravam-se até ela na esperança de ver a figura de Renji a atravessando, porém assim como no outro dia não obteve nenhum sinal de vida dele. O pior de tudo era não ter nenhum amigo em comum capaz e saber do paradeiro dele. Bufou em desgosto tornando a verificar os preços das mercadorias sem animo algum enquanto sua mente distante pensava em milhões de maneias de desculpar-se com ele.

Com o fim das reuniões e menos um dia para contar n calendário Grimmjow afrouxou a gravata já no elevador e nem quis saber de jantar em algum restaurante fino do centro da cidade. Apenas pediu qualquer coisa do cardápio do hotel e trancou-se em seu quarto onde podia meditar em paz. Precisa disso mais do que nunca nos últimos tempos.

Mas o silêncio e a tranqüilidade foram interrompidos com o furacão conhecido como Neriell.

– Boa noite chefinho! – brincou ao entrar nos aposentos dele sem nem pedir licença.

– Já não acabamos por hoje?! – perguntou com certa intolerância na voz.

– Sim é claro, mas temos os detalhes de amanhã para tratar.

– Isso quem tem de decidir é você. Me conte quando terminar tudo.

– Nada disso, os preparativos para as reuniões de amanhã são muitos importantes.

Respirando fundo para controlar-se em não estrangular Neriell, Grimmjow fincou as mãos nas laterais da calça e cerrando os olhos, disse arranhando a garganta:

– Posso saber por que raios toda essa empolgação com algo que eu simplesmente detesto fazer?! Você cuidou de tudo até agora, para que vou me ocupar disso hoje?!

Ela esboçou um sorriso que não condizia com as alterações de Grimmjow, na verdade, vendo-a assim parecia até mesmo uma sádica, mas sua felicidade não tinha nada a ver com isso. Era um sorriso de vitória estampado em sua face, um sorriso que logo faria parte das feições de Grimmjow:

– Simples querido chefinho: por que se tudo der certo, amanhã nós teremos a nossa última reunião; sabe o significado disso, não é?

Arregalando os globos azuis, o brilho deles parecia até ter sido reacendido com a notícia. Continuou a fitá-la por alguns instantes antes de poder levar seus pensamentos a maquinarem a resposta. Se amanhã tivessem sua última reunião, então isso significava que poderiam voltar para casa mais cedo, e significava que de uma vez por todas poderia reencontrar-se com Ichigo.

Deixando os lábios esticarem-se num sorriso mais largo ainda que o de Neriell Grimmjow puxou os papéis da mão da assistente e pôs-se a analisá-los com o maior gosto de sua vida pelo trabalho nunca visto antes pela mulher. Soltando uma rápida gargalhada ela sentou-se ao seu lado e ao mesmo tempo em que degustavam o jantar, sem importar-se com o sabor de nada, analisavam as propostas, cancelavam pedidos e faziam de tudo para formar uma apresentação maravilhosa capaz de calar a boca de toda a junta da empresa, e livrá-los do martírio que foi esses últimos dias.

Para Grimmjow a simples noticia da possibilidade do fim de toda a burocracia da empresa o deixava eufórico. Os números e letras passavam por sua mente sem ser percebidos de verdade, pois apenas podia concentrar-se na visão de Ichigo, no tão esperado reencontro, e nas palavras que usaria ao falar com ele.

Não importava o que faria. Se fosse até lá para ouvir sermões, para ser taxado de idiota, filho da puta, ou o que quer que fosse. Podia até mesmo desculpar-se com ele quantas vezes fosse necessária por tudo o que acontecera – e de fato sabia ser preciso o fazer – mas de uma coisa tinha certeza: ele teria Ichigo de volta custasse o que custar. Até mesmo sua sanidade...

Continua

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– Bônus -




Notas finais
Foto: Grimmjow do outro lado do mundo!
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Quando vi essa foto pensei na hora nos modelitos que imaginei o Grimmjow usando nessa viagem.
Enfim! O nosso casal favorito retorna no próximo capítulo! wee! Estou dando spoiler pq v6 merecem depois de sofrerem tanto roendo até as unhas do pé!
Vou escrever o próximo capítulo o mais rápido possível para aplacar a curiosidade de v6!
Kissus até o próximo!
Momento propaganda: para quem gosta das minhas histórias, essa é uma original que escrevi há pouc tempo, quem puder dá uma lida, deixa um review e passe adiante, a autora agradece ;]
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