Maipetto no Neko

2 Capítulo 2 - Bichinho de estimação


Notas iniciais
Os dois estão muito fofinhos, só na pegação, acho que tá na hora de esquentar as coisas, (não nesse capítulo para a infelicidade dos fãs, mas em breve ^^)Espero que gostem! o/

Maipetto no Neko

Capítulo 02 – Bichinho de estimação

Os ponteiros do relógio pareciam se mover mais rápido hoje. Ichigo batia a caneta no balcão desesperado, torcendo para a hora não passar. Já eram quase quatro da tarde, e sua saída se aproximava. Grimmjow o buscaria no fim do expediente, mas como ele sabia quando iria embora? Estava nervoso à toa, mas ainda sim, talvez fosse melhor sair mais cedo. As chances de encontrá-lo seriam menores. Sim faria isso, afinal, aquele cara era esquisito demais para ficar andando por aí com ele.

Fingiu um mal-estar para a chefa saindo assim meia hora antes. Ficou intrigada ao vê-lo esgueirando-se até a porta olhando para os lados como se procurasse alguém, mas ainda tinha muitas coisas a limpar na loja para se preocupar com ele; cobraria hora extra depois.

Ichigo ergueu as abas do casaco para cima escondendo o rosto Parecia um marginal daquela forma, mas era preciso. Deu mais uma rápida espiada à sua volta até resolver sair. Pôs as mãos nos bolsos, e caminhou apressado pela rua — sem sinal dele até então. Quando ia virar a esquina, escutou o barulho de um carro encostando do lado dele, e a voz, já conhecida, falando de dentro co conversível:

- Tentando fugir de mim, ruivinho? – ele sorriu, sarcástico, divertindo-se quando o garoto se voltou para ele com o cenho irritado.

- Não me chame desse jeito! – esbravejou.

- Você não me disse seu nome para eu te chamar por ele.

- Nem vou dizer.

- Então vai ser ruivinho!

Lembrou-se de estar no meio da rua antes de começar uma nova discussão, passando a seguir seu caminho como se não o tivesse visto. Era melhor ignorá-lo do que dar mais chances à ele. Aquele apelidinho deixava-o nervoso. Grimmjow sorriu do carro, e para aterrorizar Ichigo mais ainda, saiu dele, fazendo questão de deixá-lo ouvir a porta batendo.

Quando se virou por causa do repentino barulho, Ichigo deparou-se com aquele homem de pé atrás dele. Quase caiu de susto, sendo amparado por seus braços, envolvendo sua cintura em seguida; de novo.

- Me larga! – gritou, empurrando-o.

- Você gosta.

- Eu não! Você é quem é abusado!

- Vai mesmo fazer escândalo comigo aqui?

Olhando ao seu redor ele reparou nas faces curiosas os encarando, e calou-se, envergonhado, querendo muito um buraco ali para se enfiar nele. Detestava chamar atenção por nada, ainda mais em locais públicos.

- Vem comigo, ou vai querer continuar a briga aqui?

Grimmjow era mesmo difícil de lidar. Já sabia que não seria capaz de mudar suas idéias, concordando em acompanhá-lo a alguma lanchonete; ao menos ficariam perto de outras pessoas para evitar qualquer gracinha dele. Talvez fosse melhor acabar com tudo de uma vez e parar de fugir.

Seu carro era de um preto reluzente, não dos mais caros, mas era bem bonito, com as bordas um pouco arredondas. Estava com o capo abaixado, e podia ver os bancos bem feitos, de cor branca, e o detalhe da costura grossa sobressaíndo neles, contrastando com o resto da peça. Teve de admitir ser um ótimo carro, levantando mais suspeitas, de como ele tinha um automóvel assim. Era rico, ou algo do tipo?

No caminho todo Grimmjow deixou estampado o sorriso de vitória. Dirigia sem pressa, tentando prolongar a estadia na presença de Ichigo, além de conseguir deixar o ruivinho irritado; ele era tão bonitinho com essa cara de puto...

Em meia hora, pararam em uma cafeteria. Ichigo, desconfortável com a situação, só pedia para que tudo acabasse de uma vez por todas e então voltar a sua vidinha normal, e sem esses alardes, afinal, Grimmjow não tinha nada a ver com ele.

- Já vim com você até aqui, já tomamos café, acho que posso ir embora. – disse, já se ajeitando para sair.

- Você me pareceu mais curioso antes, ruivinho. Afinal, me encheu de perguntas ontem a noite e hoje mais cedo.

- Para me de chamar assim.

- Então me fala seu nome que eu paro... Ou não. — brincou vendo-o cerrar os olhos com força demonstrando o ódio por aquele apelido.

Ichigo envergou um pouco as sobrancelhas; as palavras dele o irritavam profundamente. Como conseguia ser tão calmo, falando daquele jeito num lugar com tantas pessoas? Essa falta de juízo era azucrinante. Talvez fosse melhor dizer como se chamava de uma vez ao invés de ficar vendo todo o resto da lanchonete se espantarem com o brutamontes o chamando de “ruivinho” o tempo todo.

- Kurozaki Ichigo. – falou entre os dentes a contra-gosto, virando o rosto para o lado.

- Ichigo, hmm...

- É...

- Gostei... Combina com você.

- Como assim?!

- Deixa isso pra lá, agora, quando é que você ta livre essa semana?

- Hã? – era impressionante como ele mudava de assunto tão rápido, e do nada. Bipolaridade?

- Pra sairmos, ué. Eu to a fim de sair com você.

- Já estamos saindo agora mesmo.

- Isso é só um cafezinho da tarde, eu to te chamando para um encontro.

Ichigo engoliu seco depois daquilo. Um encontro? Com outro homem? Ele só podia estar brincando. De verdade, aquilo era uma pegadinha? Mas sua cabeça conseguia o deixar confuso, pois não tinha achado aquilo estranho, mas pelo contrário: o coração pulou até a garganta num segundo com o pedido. O rosto ficou um pouco vermelho, e sem uma resposta bolada em mente, pegou a xícara de café tomando tudo num gole; queimando um pouco sua língua, e voltando o olhar para o lado.

- Olha, eu não sei quem é você para aceitar um convite desses. – falou sério terminando a bebida.

- A intenção de um encontro é essa, não acha? – ele sorriu, deixando o outro sem graça.

- Além disso... – continuou as desculpas — Você ainda não me explicou direito aquela história... – ele olhou ao redor tornando a encará-lo – Do gato...

- Oh.. você se prende a detalhes tão simples assim?

- ISSO NÃO É UM DETALHE! – esbravejou erguendo-se da cadeira e batendo as mãos na mesa.

Mais uma vez, teve de agüentar as risadas daquele homem quando toda a loja o encarou num ar de suspeita. Ichigo se abaixou de volta pra seu lugar aos poucos, escorregando as mãos para o colo, completamente sem graça, deixando o cabelo tampar os olhos. O rosto, já estava muito mais vermelho que antes.

- Se...Se eu sair com você... — disse, quase sussurrando.

“Epa, espera. O que diabos eu to fazendo????” Pensava, desconexo com as suas falas. Era como se elas saíssem primeiro, antes do seu bom senso chegar a se manifestar.

- Sim? – Grimmjow pôs uma das mãos na orelha, sarcástico, para tentar ouvi-lo melhor.

- Se eu sair com você... Você me conta toda essa história?...

“Ferrou. Diga não, diga não, diga que não é da minha conta, por favor diga não!!!”

E as esperanças do ruivo se desfizeram, no instante seguinte; traído, pela sua própria curiosidade.

- Te conto isso e muito mais, Ichigo.

“Merda!”

- Okay... Na quinta eu estou livre...

“Ah! Não! Era pra eu ter dito o dia errado! Merda de boca grande!”

– Perfeito. Quinta eu te busco depois do trabalho, pode ser?

“Não”

- Sim...

- Então – Grimmjow se levantou deixando o dinheiro para pagar a conta ao lado de seu copo – Vem, eu te levo em casa. – sorriu.

Definitivamente, Ichigo tinha se posto em uma situação perigosa. Retesou-se um pouco antes de sair com ele de volta para o carro, porém nem tinha como desconversar sobre a ida até sua caa, afinal, ele já estivera ali na noite passada. Mas... Era como se algo o impulsionasse a conhecer mais sobre aquele homem, como se fosse preciso ficar perto dele. Odiava essa sensação ao mesmo tempo em que não sabia lutar contra ela. O acompanhou por fim até o veículo prendendo o cinto. Já eram quase sete horas e seu pai devia estar se perguntando onde estava.

Queria saber mais sobre Grimmjow, conhecê-lo, porém ainda encontrava-se absorto com toda a conversa da lanchonete. Porque tinha aceitado ir com ele? Aliás, porque teve a brilhante idéia de perguntar se saindo com ele, teria suas respostas?! Burro! Estava praticamente se jogando nos braços dele.

- Chegamos. – disse Grimmjow abrindo a porta e parando ao lado da de Ichigo.

Ele saiu, um pouco receoso, mas pode chegar até a entrada de sua casa sem nenhum problema, deixando um alívio espalhar-se em seu corpo.

- Obrigado... – falou puxando as chaves do bolso.

- Só isso? – o maior se aproximou dele, fazendo-o recuar um pouco – E meu beijinho de boa noite?

- Ei, pra início de conversa, você me beijou até agora contra a minha vontade, e-

- Então agora vai ser com você querendo? – interrompeu o ruivo, deixando-o sem jeito.

- Não é isso!!! – gritou, já irritado, mas o outro riu – Eu estava dizendo que, bom... Eu ainda vou sair com você então esse tipo de coisa só se faz depois do primeiro encontro, deu pra entender?! – essa talvez tenha sido a frase mais embolada de toda a sua vida.

- Sabe como é, eu sempre fui meio afobado. – chegando mais perto de Ichigo, o maior teve sua boca tampada pelas mãos dele. Bufou entre as frestas de seus dedos pela resistência do garoto. Frescura não era muito tolerável ppelo maior.

- Eu não sou assim. – fitou-o sério – Não costumo sair beijando estranhos.

Grimmjow se afastou colocando as mãos no bolso da jaqueta. Olhou Ichigo de cima a baixo analisando aquela figura. Ele era um tanto quanto peculiar em sua forma de agir. Era decidido, sabia o que queria, apesar do seu corpo lhe dizer algo completamente diferente em diversas situações. Hmm. Quem sabe, talvez fosse divertido brincar no joguinho dele, para variar um pouco as coisas.

- Como queira. – disse – Mas, isso também significa que se você gostar do encontro, essa pessoa pode te beijar, certo?

Ichigo engoliu seco virando a cabeça um pouco para o lado com as bochechas vermelhas, já sabendo onde isso iria dar. Ele podia ser meio retardado, mas era esperto.

- Bom... Sim... Se as duas pessoas quiserem... – ele definitivamente NÃO podia querer beijar Grimmjow na quinta-feira. Isso mesmo repita isso mil vezes até que se torne verdade... Ele esperava, ao menos.

Grimmjow abriu um largo sorriso com aquilo. Parecia mesmo muito feliz com um desafio desses. Ah! Tinha achado um garoto curioso, diga-se de passagem: muito tentador.

- Pois bem, quinta então nos vemos... Vê se não foge de novo, Ichigo.

Ele acenou a mão, já de costas para ele. Entrou no carro dando partida e indo embora. Ichigo já podia respirar aliviado. Droga! Estava parecendo uma adolescente daquelas novelas que sua irmã gosta de ver.

Encostou ao lado da porta de sua casa pensativo. Ele nem gostava de homem, quer dizer, nunca havia estada com um... Talvez fosse curiosidade, ou sei lá, queria saber por que Grimmjow tinha a capacidade de se transformar em um gato, ou ainda: queria saber como outro cara é capaz de dar um beijo tão excepcional quanto aquele. Já havia beijado outras garotas, mas nada se comparava aquilo. Tocou com as pontas dos dedos sua boca, movendo-os de um lado para o outro. Podia sentir o toque de Grimmjow sobre eles, quente, feroz, como se o devorasse.

Deixou o rosto corar mais uma vez, dando um tapa nas bochechas com as duas mãos, acordando; aquele homem o tirava do sério, em todos os sentidos! Rodou a chave no trinco da porta entrando em casa. Encontrou sua família na sala de jantar. Yuzu o chamou para juntar-se á eles, mas recusou, pois já tinha comido na rua com um “amigo”.

Subiu para seu quarto deitando na cama com as mãos atrás da nuca. Olhava o teto, distraído, pensando em Grimmjow, na sua maneira de agir tão peculiar, nos seus olhos penetrantes, no beijo, pensando no tal encontro... Pensando em como diabos era possível um ser humano virar um animal. Devia ter sido um truque, só pode. E aos poucos foi se entregando ao sono, deixando as pálpebras fecharem lentamente enquanto a luz artificial da rua invadia seu quarto.

Mal tinha passado a semana para ele. Parecia ter sido ontem a formatura, a comemoração com os amigos ao saberem que passaram na faculdade. Parecia ontem mesmo que tinha conhecido Grimmjow — apesar de ter sido há pouco tempo mesmo. E agora já era a tão odiada quinta-feira, o dia do seu encontro com ele, com outro homem...

O balcão da loja já estava com as marcas de suas unhas cravadas de tanto bater os dedos desesperado. Talvez não fosse uma boa idéia sair hoje. Ah merda, agora já estava arrumado, já tinha avisado que chegaria mais tarde... Mas se dissesse que estava passando mal... De novo essa desculpa na mesma semana? Não ia dar certo... Deitou a cabeça no balcão, já sem idéias, e sem entender ainda o que diabos estava fazendo. Tudo bem, ele sabia que era impulsivo em suas decisões, e na maioria das vezes nem pensava antes de agir, mas assim já era demais!

- Ichigo. – o garoto ergueu a cabeça no susto encarando sua chefa com a vassoura na mão e a outra na cintura.

- S-sim?!

- Já pode ir embora, o movimento a essa hora é tranqüilo.

- Ah, okay.

- A propósito tem um cara aí na frente te esperando.

- Hã?! – ele se voltou para ela surpreso – Como você sabe...

- Ele perguntou de você, oras.

- Ah... Sim... Bom, então, nos vemos amanhã.

Acenando para ela saiu da loja com as mãos enfiadas nos bolsos da calça; estava frio aquele fim de tarde. Na calçada, Grimmjow o esperava encostado em seu carro, lendo uma revista qualquer sobre motos. Era impressão sua, ou ele só sabia usar aquela jaqueta de couro?

- Pronto? – perguntou ao vê-lo jogando a revista na parte traseira do carro.

- Sim... Aonde vamos?

- Surpresa. – ele sorriu, como sempre, deixando Ichigo mais desconfiado ainda, mas já estava ali, então não tinha jeito; entrou no automóvel ajeitando-se no banco, agradecendo por ele estar coberto.

No caminho, apenas observou á sua volta tentando identificar onde estava mesmo não conhecendo aquela parte da cidade. Grimmjow chegou a lhe perguntar uma coisa ou outra sobre seu emprego, mas nada muito sério; sabia que a conversa de verdade ficaria para o encontro. Aquela palavra ainda o assustava um pouco.

Chegaram numa espécie de mistura de bar com danceteria; para falar a verdade, era um daqueles pubs mais fechados, com banda ao vivo e mesas de jogos variados. Nunca tinha ido a um lugar desses, ou melhor, não gostava muito desses ambientes.

Sentaram em uma mesa mais afastada do barulho e da multidão; Grimmjow disse que não queria ser interrompido, seja lá qual fosse a intenção dele com isso — o ruivo estremeceu.

- Vai beber alguma coisa? – perguntou o maior á ele.

- Hmm... Tem refrigerante?

Grimmjow abaixou o cardápio devagar encarando o garoto com uma das sobrancelhas arqueadas.

- Você tem idade pra beber, né?

- É claro que sim! – esbravejou um tanto quanto ofendido com aquilo – Eu só não gosto muito.

- Toma esse drink daqui, é bem leve.

- Okay.

Depois que as bebidas estavam na mesa os dois ficaram olhando para a pista de dança na frente do pequeno palco onde a banda se apresentava. Era uma musiquinha boa, de fato, mas nada muito extravagante. A maioria do público era bem jovem, dançando, se esfregando uns nos outros, ou apenas balançando a cabeça na frente das caixas de som, uma coisa bem underground mesmo.

- Grimmjow... – falou, finalmente, mexendo no gelo do copo de um lado ao outro.

- Eu mesmo. – brincou sorrindo para ele.

- Você vai me contar ou não... Sobre aquele assunto?

- Ah, agora sim você está ficando mais curioso. – riu – O que quer saber?

- Bem, do inicio se possível: porque você consegue, sabe... Fazer aquele truque?

- Acredita se eu disser que é herança de família?

Grimmjow deu outra golada em sua bebida tornando a olhar para a pista de dança. Parecia estar gostando da musica pois chegava a cantar alguns pedaços da letra, e também não tinha notado na enorme cara de interrogação de Ichigo, ou tinha preferido a ignorar apenas para deixá-lo irritado.

- Herança de família? Só isso? Tem certeza que é a única coisa que tem pra falar? — continuou o menor querendo levantar-se no próximo sinal e hesitação dele.

O outro bufou apoiando a mão no rosto voltando-se para o ruivo:

- Sei lá... É difícil de explicar ao mesmo tempo em que é fácil.

- Tenta eu não sou burro.

- Ah, mas isso eu sei. – ele riu terminando de tomar sua bebida suspirando depois pelo calor descendo na garganta – Você conhece a história do Maneki Neko?

- Os gatinhos de pata levantada? – ergueu a mão imitando o gesto — Minha chefa tem um par deles na loja.

Grimmjow bufou com aquele comentário pedindo outra bebida, até parecia ter ficado um pouco amolado com aquilo.

- É, esse mesmo. Conhece a lenda?

- Ah... Na verdade não.

- Hmm... Achei que tinha dito que era inteligente.

- E eu sou. Mas também não sei de tudo! – gritou cruzando os braços e virando o rosto para o lado com um bico, fazendo Grimmjow gargalhar de novo.

- Ai, ai, você é mesmo impaciente.

- Conta logo antes que eu desista e vá embora.

- Okay, sem stress... – pegando o novo copo com a bebida, ele o virou de uma vez mostrando os dentes pelo sabor forte. Tornou a olhar para Ichigo – A lenda conta de um velho monge que vivia num templo falido com o seu gato. Ele era pobre, e mal tinha comida para sustentar o animal, mas mesmo assim dava um jeito. Um dia estava dormindo, e seu gato se limpava na varanda do templo. Foi quando um viajante muito rico, para fugir da chuva abrigou-se debaixo de uma árvore na frente do templo. Viu o gato balançando a pata, como se o estivesse chamando para lá. Quando foi até ele, a árvore onde estava foi atingia por um raio e pegou fogo. Para agradecer por sua vida, ele deu ao monge, dono do gato, presentes, e dinheiro, para reerguer o templo, que foi muito próspero desde então.

Ichigo ouvia tudo, atento, sem perder nenhum detalhe. Aquela história, de certa forma parecia já decorada por ele, contando-a de uma maneira repetitiva e maçante; era como se essa narrativa longa o deixasse desconfortável, mas acima de tudo: com a cara de quem está muito puto.

- Quando esse gato morreu – continuou – o monge deu um enterro digno a ele e um túmulo muito bonito... Acontece que o tal gato era na verdade um espírito, que se compadeceu do tão amado dono. A partir daí o espírito passou a gostar do mundo humano, e emprestou algumas de suas dádivas à eles, a uma família em específico, e o dom dele é passado de geração em geração, e adivinha só? Eu sou um desses descendentes. — riu encostando as costas no assento.

A boca do ruivo se abriu no final de tudo. Aquilo parecia mais um conto para fazer criancinhas dormirem. Era essa realmente a história toda? Nada de “projeto ultra-secreto do governo” ou coisas do tipo? Tudo bem estava viajando demais pensando nisso, e também sabia das superstições do seu país, das lendas e tudo mais... Mesmo assim, a fantasia da história era muito grande.

- Bom, então você... É descendente de uma família que foi abençoada com os dons de um espírito; e por isso, você tem a capacidade de se transformar num gato branco?

- Exato.

- Quero outra bebida, por favor.

Grimmjow gargalhou freneticamente com a reação de Ichigo. Esperava ver o garoto saindo correndo dali assustado, pensando ser louco ou algo do tipo, mas, bem, ele o tinha visto se transformando, afinal. Deveria dar um pouco de crédito também.

- Satisfeito com as suas respostas? – perguntou limpando os olhos um pouco úmidos devido ao riso.

- Um pouco, creio eu. É uma história muito... Fantástica.

- O problema são as pessoas.

- Como assim?

- Antigamente as pessoas levavam mais fé nas lendas e contros, nos dias de hoje elas se perderam.

Naquele momento Grimmjow pareceu um pouco distante, como se pensasse em algo, talvez triste. Ichigo aquietou-se admirando a sua expressão serena, e em como ele ficava diferente dessa forma, terminando a sua bebida.

- Sabe eu preferia ter dado uns amassos em você hoje.

Ele falou, na lata, sem dar tempo do outro respirar. A bebida voou da sua boca para cima da mesa, fazendo o nariz arder. De fato, ele conseguia ser mais volátil ainda do que tinha pensado.

- Como pode falar uma coisa dessas em público?! – falou um pouco fanho limpando o rosto com um guardanapo.

- Posso fazer ao invés de falar. – ele chegou mais perto de Ichigo no banco passando o braço por detrás de seu ombro.

O rosto do ruivo ficou vermelho de imediato tentou afastar-se dele sem ser percebido pelos demais, mas seria impossível sem um escândalo.

- Grimmjow, você me prometeu. – falou encostando um pouco o queixo no peito, com a voz manhosa.

- Eu disse que só te beijaria no final do encontro... – sua mão desceu até a altura de sua perna fazendo Ichigo cerrar os olhos com força – Mas eu posso fazer outras coisas antes.

Esquece a imagem de cara problemático, Grimmjow era excêntrico, metido e muito convencido.

Ao apertar a parte interna de sua coxa Ichigo levou sua mão de encontro à dele tentando impedi-lo de continuar. Na sua nuca, porém, seus dedos brincavam com os cabelos laranjas fazendo um sutil cafuné. O ruivo esforçava-se para segurar os pequenos gemidos.

Da coxa a mão se esgueirou por debaixo da blusa alisando seu abdômen. A boca do maior foi até seu pescoço lambendo os músculos tensos com a ponta da língua. Beijou seu maxilar e com pequenos estalinhos, e foi se achegando até sua orelha, onde mordeu a ponta dela deixando Ichigo sentir sua respiração quente sobre a pele.

- Gri-Grimmjow... – as suas mãos estavam apoiadas nos ombros do maior, como se fosse afastá-lo, mas ao invés disso, apertava sua blusa – Já... Já chega...

- Quer mesmo que eu pare? – do abdômen ele voltou para sua coxa, dirigindo-se agora para o meio de suas pernas.

No susto Ichigo deu um pulo para trás quase caindo do banco. Grimmjow se afastou dele vendo-o pousar a mão em cima do peito de nervoso. O maior sorriu.

- Já quer ir embora? –perguntou.

Ichigo meneou sua cabeça para frente e para trás umas cinco vezes, deixando a face do outro, risonha. Pelo amor de deus, alguém tire o garoto dali antes que tenha uma síncope nervosa.

Levantaram-se por fim, indo até o estacionamento. Apesar do seu último “ataque”, o encontro não tinha sido de todo o mal. Afinal, ele parou quando saiu de perto dele... Outro canalha qualquer teria se aproveitado.

"Ei! Espera! Porque eu to defendendo as ações dele?!” Pensou Ichigo. "Quer dizer, até que estava bom, mas... AH!” Gritou em sua mente com raiva de como ela era capaz de o trair dessa forma. Precisava tomar mais cuidado ou acabaria se deixando levar de novo.

Chegou á sua casa em alguns minutos devido ao pouco transito. Para seu azar Grimmjow fez questão de acompanhá-lo até a entrada. Pegou as chaves procurando pela certa se perdendo no meio de tantas. “Para que eu tenho todas essas mesmo?! Da garagem, da lojinha, do meu armário, não sei da onde é esta...”

- Quer ajuda? – perguntou Grimmjow atrás dele vendo-o se atrapalhar.

- N-não, eu estou bem! A propósito obrigado pela noite, eu me diverti...

Grimmjow bateu as mãos na parede deixando Ichigo preso no meio delas.

- Se divertiu, é? – disse aproximando o rosto de seu ouvido.

“Opa...” pensou engolindo seco, já com o rosto extremamente corado.

- E-eu quis dizer que... – ao se virar tentando forjar uma explicação os braços de Grimmjow já apertavam sua cintura.

A boca dele foi apossando-se da sua depressa; suas mãos ficaram juntas no meio do peito dele devido ao aperto do abraço, forte, porém caloroso assim como os lábios daquele homem. Sem perceber os olhos se fecharam devagar, aproveitando a sensação gostosa.

Grimmjow movia sua língua por cima da de Ichigo, depois descia, lascivamente, explorando todo o seu interior. Parava ás vezes para morder a ponta dos lábios puxando-os até si, e para beijar os cantinhos da boca, e então voltar a deixá-lo sem fôlego. Foi dando um passo de cada vez para frente até encostar as costas de Ichigo na parede tocando seu corpo com o próprio. Uma das mãos acariciava por debaixo de sua blusa a parte entre o final da coluna e o início de seu cóccix. O cinto da calça atrapalhava um pouco, mas tinha de ter paciência, e muita força de vontade para não arrancar o pano dali e sentí-lo melhor. Aquele ruivinho era delicioso...

Encaixou uma das pernas entre as dele deleitando-se com o rápido e abafado gemido que o garoto emitira. Agarrou a parte da nuca de seu cabelo puxando sua cabeça para trás, deixando o beijo mais profundo ainda do que antes. Um fio delicado da saliva de Ichigo escorria até o seu queixo, estava sem condições de controlar os movimentos da boca, da língua, do corpo, de tudo! Soltava grunhidos de excitação no meio das carícias sem saber como agir perante sua fraqueza em relação à Grimmjow.

Ah! O ruivo negava tanto, mas no final sempre gostava do resultado. E o sabor dele... Aquele moranguinho era saboroso demais. Às vezes Grimmjow deixava as pálpebras se abrirem de leve só para aproveitar as feições dele se contorcendo numa espécie de negação, mas entregue ao mesmo tempo.

Depois de mais alguns minutos perdendo-se naquelas carícias, soltou-o, assistindo de camarote o rosto de pidão dele, levando as mãos aos bolsos da jaqueta.

- Quando saímos de novo? – perguntou empolgado esboçando o tão famoso sorriso.

- E-eu não sei... – respondeu o ruivo ainda um pouco cambaleante. Tinha levado a mão na boca por impulso ainda absorto – Vou ficar ocupado esses dias, resolvendo coisas para a faculdade...

- Hmm, então já está na faculdade é?

- Sim, começo semana que vem... – “porque eu estou contando isso a ele mesmo?”

- Certo, também tenho coisas a fazer, não vou ficar tomando seu tempo. – ele segurou o queixo de Ichigo chegando seu rosto para mais perto do dele, sem ter resistência alguma – Mas assim que eu folgar, eu quero te ver de novo...

Ichigo ficou calado com a sua boca entreaberta encarando Grimmjow. As bochechas ardiam de tão vermelhas. Estava sem forças para falar qualquer coisa, mas tomando fôlego pode reunir algumas palavras:

- Depois vemos isso... Preciso entrar agora.

Grimmjow, ainda segurando seu queixo, roubou-lhe um beijo rápido, lambendo o canto dos lábios em seguida.

- Vou esperar ansioso. – sorriu.

O maior andou até o carro despedindo-se e no outro instante já tinha virado a esquina. Ichigo deixou o peito parar de subir e descer tão apressadamente para entrar em casa. Disparou para seu quarto trancando a porta e enterrando o rosto no travesseiro. Já passavas das duas da manhã e o sono fazia sua cabeça doer um pouco. Ainda sim a ocupou por uns minutos com pensamentos de Grimmjow e dessa noite tão estranhamente boa. Queria vê-lo de novo? Talvez... Mas não iria admitir isso, apenas aumentaria o ego dele.

Tirou a blusa e o cinto ficando apenas com a calça jeans e cobriu-se. Olhou para o lado vendo no chão, ainda, a tigela de leite, e falou para si mesmo:

- Acho que acabei de arrumar um bichinho de estimação...

Continua

Notas finais
Só para esclarecer: a lenda do maneki neko está um pouco diferente aqui, mas eu tive de mudá-la um pouco para encaixar na história.

Só para esclarecer 2: O maneki neko é aquele gatinho que tem a patinha levantada e as pessoas acreditam trazer boa sorte.

Eu AMO os pega que o Grimmjow dá no Ichigo, mas não precisam me matar pelas dúvidas levantadas, a história ainda está se desenrolando e tem muita coisa para acontecer ainda, acreditem em mim!

Obrigada pelos reviews, eu adoro eles, sempre leio e respondo!

Agradeço pelo apoio,e espero que estejam curtindo ^^

Kissus, até o próximo capítulo o/