Maipetto no Neko
18 Capítulo 18 - Um novo caminho?
Notas iniciais
Desculpem a demora, estou em época de provas na faculdade, e só posso escrever quando tenho tempo entre não dormir e não comer X___X
Espero que gostem do capítulo, e desde já peço desculpas pelos erros de portugues, não deu para revisar como estava fazendo... Mas dá para entender a história, então, divirtam-se!
Boa leitura!
Maipetto no Neko
Capítulo 18 – Um novo caminho?
Neriell crepitava os dedos frente ao aspecto de Grimmjow a fim de acordá-lo, chamando-o de volta a existência. Porém, ele conservar-se nesse estado de letargia, e o avião já sobrevoava as nuvens – pareciam feitas de algodão – há mais de quarenta minutos, e mesmo com seus assaltos mais violentos, batendo na lateral de sua coxa, dizendo seu nome, ou cutucando-o nas partes mais sensíveis, ele não se movia e quase não piscava.
Tinha acabado. Era isso mesmo? Estas foram as palavras de Ichigo? Impossível! Irreal demais para ser verídico! Por mais que a cena se reproduzisse em sua cabeça ainda era incapaz de acreditar em tal episódio.
Precisava fazer alguma coisa quanto a isso, esclarecer toda essa confusão de uma só vez, ou então... Ou então perderia Ichigo – ou melhor, não o teria de volta. Isso jamais! Tinha se esforçado além de seus limites para poder ficar com o ruivo, não dava para jogar tudo fora desse jeito.
- Grimmjow! – a mulher gritou chamando os olhares curiosos até os dois e conseguindo fazer o outro voltar-se para ela.
- Que foi porra! – respondeu á altura mais do que irritado.
Acalmando-se depois de serem requisitados por uma das aeromoças a portarem-se de forma mais contida, os dois se encararam por alguns minutos, até Neriell começar seu bombardeio de perguntas:
- Posso saber o que está acontecendo com você?
- Oh, perdeu a cena toda do aeroporto? – ironizou.
- Não assisti de camarote, obrigada. Mas quero saber por que ela aconteceu!
- Isso não é importante agora! Só interessa que eu vou concertar essa confusão toda!
- Que confusão? Grimmjow me explica de uma vez.
- Preciso falar com o Ichigo. – puxou o celular do bolso sendo impedido pela mão de Neriell em seguida antes de poder apertar o botão para ligá-lo.
- Não podemos usar aparelhos eletrônicos, Grimmjow, e você está a mais de mil pés de altura, longe do chão, e ainda: temos pelo menos dezoito horas antes de chegarmos ao nosso destino, então para de agir como um idiota infantil; acalme-se e me diga de uma vez o que houve, ou já se esqueceu da nossa amizade e de que posso ajudar?
Sua voz imponente e desafiadora como sempre foram capazes de relaxar a tensão instalada em todo o ser de Grimmjow. Tinha esse jeito mandão desde sempre, apesar de parecer uma criança brincalhona na maior parte do tempo. Mas o importante é que ela era uma das poucas capazes de controlar – mesmo sendo a força – o gênio impetuoso de Grimmjow.
Acocorando-se no banco o outro foi esmaecendo deixando as feições manhosas e até mesmo tristonhas, porém não perdia o tom metido e zombeteiro de praxe, começando a falar – assim como fora ordenado:
- Também estou confuso – admitiu – foi tudo de repente...
- Então vamos voltar para o início: quando você acha que essa confusão começou?
- Não sei ao certo... Ele comentou de uma briga que tive com um amigo babaca dele... Mas foi a três meses atrás!
- Brigaram por quê?
- Ele estava abraçando o Ichigo; quase caindo em cima dele. – disse com desdém de Renji e convicção da sua racionalidade.
- Okay, você brigou com um amigo do Ichigo por tê-los visto abraçados. – repetiu pausadamente como se ressaltasse o primeiro equívoco cometido por ele – Ao menos se resolveram?
- Depois de conversarmos, sim.
- Então se você se desculpou-
- Eu não me desculpei. – cortou a conclusão dela fazendo-a mudar suas argumentações; como se fosse agir assim com ele... Renji que se foda!
- Certo você não se desculpou. – outra vez a fala mansa, já começando a irritar o maior – Mas ao menos se acertaram, então, qual o motivo dele ter citado essa briga?
Ele apoiou o cotovelo no braço do banco repousando o queixo na palma da mão. Revirou os olhos mirando a janela e as brincadeiras feitas entre o vento e as nuvens, com um sol distante e fraco escondido por entre elas, antes de respondê-la:
- Por que... Eu disse ao Ichigo no dia seguinte que tinha me desculpado...
Poderia não ter sido ele diretamente, mas o garoto mesmo o alertara: nem ao menos experimentou negar isso e contar-lhe a verdade.
Neriell piscou os olhos verdes e grandes algumas vezes antes de cruzar as pernas volumosas e entrelaçar os dedos em seu colo – da mesma maneira na qual os analistas e psicólogos fazem – e tornou a falar:
- Escondeu dele todo esse tempo?
- Porra, não foi um caso tão grande assim! Depois desse dia nem comentamos mais do assunto!
- No entanto ele o fez hoje.
- Mas já tínhamos esquecido desse problema!
- Se é assim, me explique o que ele tem a ver com o que aconteceu hoje; qual outra razão ele teria para ter ficado tão puto com você?
Encolhendo-se um pouco mais na poltrona, e tampado a boca com os dedos, disse abafado:
- É que... Como eu também só soube dessa viagem há dois dias... Eu só pude avisar ao Ichigo em cima da hora.
- Mas esse tipo de coisa acontece nas grandes empresas, ele me pareceu esperto o bastante para saber disso.
O corpo dele caiu o quanto pode, murchando no estofado verde água enquanto a mão servia como uma espécie de cortina para se proteger do olhar reprovador de Neriell:
- Eu não tinha dito a ele que tinha uma empresa até ontem.
A mulher arqueou as sobrancelhas agora afastando as pernas e envergando o tronco para frente na direção de Grimmjow – visto que os assentos eram os fronteiriços da primeira classe – pondo as mãos em cada lado da poltrona e erguendo a voz:
- Você está saindo com ele há mais de três meses e só conta sobre a empresa um dia antes de uma viagem dessas?!
- Se eu não contasse teria sido pior!
- Se o senhor perfeição aqui – falou apontando o dedo a ele – tivesse aberto a boca na hora certa nem estaríamos tendo essa conversa!
- Fiquei sem chances para falar sobre esse assunto!
- É verdade, afinal, você está sempre na sala da presidência tratando dos casos mais delicados e importantes enquanto eu, sua mera e simplória empregadinha, cuida do desnecessário. – ironizou.
- Não estou com saco para piadinhas. – engrossou o timbre, mas para seu azar não foi capaz de aplacar o vigor dela.
- Sério Grimmjow, isso é o cúmulo do cúmulo! O que mais tu deixou de contar para ele?!
- Ah! Para com isso! Eu falei sobre a minha “herança” de família.
- Depois da maneira na qual você me disse que o encontrou era meio difícil mentir.
- Eu não menti!
- Apenas sobre isso! Aleluia vamos dar um prêmio á ele!
Remexendo os cabelos para trás ele bufou levantando com o vento quente as pequenas mexas azuladas caindo sobre sua testa. Virou-se para o lado cruzando os braços e aguardando as outras perguntas – pois ela as faria – de Neriell; que não tardou:
- Tudo bem... Acho que ainda tem salvação, apesar de todas as suas mancadas... Mas me diga uma coisa: porque ele me fuzilou com o olhar mais cedo no aeroporto? Acaso tinha algo de errado comigo?
Parando para refletir Grimmjow passou a pensar nesse motivo em particular, lembrando-se da única razão para a qual ele poderia ter agido daquela forma – apesar de parecer impossível:
- Acho... Que era ciúme.
- De mim? — riu ajeitando a longa cabeleira atrás das orelhas – Ora Grimmjow, todo mundo sabe que nós somos apenas amigos; okay, nós dormimos juntos algumas vezes, mas foi há séculos atrás! Não temos mais nada disso.
- Sim, mas... O Ichigo não sabe de você.
- Normal você não querer falar dos seus ex’s. Eu mesma detestaria ouvir isso.
- Neriell, quando eu digo que ele não sabe de você... Eu quis dizer no geral.
Arqueando mais uma vez para frente ela voltou a quase gritar chamando a atenção para cima dos dois, novamente:
- Tu nem falou para ele de mim?!
- N-não... – gaguejou sentindo-se inferiorizado tamanha a vontade na qual ela enfatizara.
- Ta de sacanagem, né Grimmjow?! Qual é o seu problema?! Você está namorando com uma pessoa e nem ao menos se dá ao trabalho de comentar, ou mesmo apresentar seus amigos?!
- Namorando?! – repetiu a única palavra na sentença dela na qual havia prestado atenção.
- Sim ué! Vocês estão namorando, né?
- Eu... Eu acho... Não sei... Talvez... Pode ser... – seu cérebro parecia uma calda quente no crânio devido ao peso que tal afirmação fazia sobre ele.
- Grimmjow... – ela começou levantando da poltrona e aproximando o rosto do dele, porém seus olhos faiscavam em tremenda violência e ameaça – Você ao menos disse, ou pediu o Ichigo em namoro?... – deixou a oração escorrer por entre os lábios na forma de uma melodia dramática.
- Não. – respondeu receoso.
- Certo, certo... — retornou ao seu lugar apertando a pequena almofada destinada aos mais sonolentos cravando as unhas nela – Então foi ele? Quer dizer, os dois sendo homens, né? Ele pode ter tomado a iniciativa.
- Também não. – concluiu vendo uma sutil veia saltar da testa de Neriell.
- Qual é o seu problema?! – esbravejou arremessando a almofada macia na face dele, causando-lhe um avermelhamento no nariz.
- Para com isso sua louca! – gritou em resposta agora vendo a aeromoça postada diante deles.
Na cordial educação dada aos funcionários do avião, ela pediu delicadamente que ambos mantivessem a compostura devido ao fato de estarem na presença de outros passageiros, e seus rompantes estarem os incomodando. Aquietando-se, os dois afirmaram positivamente com as cabeças vendo-a retirar-se com o sorriso falso e automático.
Respirando fundo Neriell tornou a emendar as pernas balançando a esquerda que pendia no ar para cima e para baixo numa visível indignação. Grimmjow ficara quieto vendo a paisagem repetitiva do vidro esperando por qualquer indicação dela de que recomeçariam a discussão, apesar de não querer emitir mais nenhum som pelo resto da viagem, sabia ser impossível com tantas perguntas permeando as idéias de Neriell. Além disso, até mesmo ele estava perdido, e de certa forma desesperado na busca de uma solução.
- Porque não estou surpresa... – comentou Neriell por alto abrindo as pálpebras e fitando o cenho franzido do maior – Quer dizer, você jamais teve delicadeza alguma.
- Fala sério, estamos saindo há mais de três meses, é normal se pensar que já estamos namorando, não é?
- No seu mundo talvez. – rebateu deixando-o sem graça – Grimmjow, essa pode ser a primeira vez na qual você se envolve de verdade com alguém, mas não é porque estes assuntos são simples para você que ele será também aos outros. Já parou para pensar, mesmo por um segundo nos sentimentos desse garoto?
Não era como se nunca o tivesse feito. Apenas achava ser natural este tipo de raciocínio. Afinal, ele próprio nunca tinha chego neste estágio em um relacionamento. Suas aventuras eram apenas isso: aventuras de uma noite, talvez duas, porém que nunca viriam a ser algo além desse desejo carnal, desse estado físico.
Mas Ichigo havia superado todas as suas expectativas. Em toda sua vida jamais ficara tão dependente de alguém a ponto de necessitar ter sua presença freqüentemente, ou como acontecera tempos atrás, de perder o controle sobre suas ações. No entanto aquele ruivo o tirava do sério em todos os sentidos. Só de recordasse dele os pequenos pelos em sua pele arrepiavam-se, e uma pequena saudade nascia do vazio em seu peito; e apenas ele e mais ninguém seria capaz de preencher esse buraco.
- Como eu poderia fazer isso? – admitiu envergonhado à ela – Me declarar á alguém, entregando-me à ela sem saber se vou receber o mesmo de volta. Isso é... É perigoso demais... Eu... Não sabia o que falar.
- Que tal um: “oi, então, vamos namorar?!”
- Já disse que não estou no clima de piadas.
- Não foi uma piada Grimmjow, estou falando sério: você se importa com ele, não é?
Meneou que sim com a cabeça.
- Você quer ficar com ele e mais ninguém, não é?
Repetiu o movimento como um cachorrinho treinado.
- Além do fato de ser o homem mais possessivo e enciumado da face da Terra.
Olhou-a um tanto quanto desgostoso da última afirmação dela, concordou, por fim:
- Então já não é óbvio que você está apaixonado por ele? – finalizou a mulher.
Encarando-a o mais fundo possível com seu olhar iluminado pela rápida linha de sol aparecendo no horizonte de nuvens, respondeu, por fim, com a convicção mais intensa possível á ele:
- Sim.
- Então deixa de ser um babaca e passe a atender aos seus sentimentos, pois se continuar assim vai perder a única pessoa com a qual realmente se importa!
Foi como receber uma renovação em seu espírito, uma unção nos reboliços de suas emoções fazendo-as juntarem-se num único ponto seu e preenchendo-o da maior certeza de sua vida: deveria recuperar Ichigo custasse o que custar, passando por cima de qualquer um para isso, mesmo que pudesse se ferir no meio desse caminho, tudo terminaria bem se fosse capaz de ver o sorriso caloroso estampado na face de seu ruivinho.
Puxou o celular do bolso, recebendo um novo tapa na nuca antes de prosseguir:
- Já disse que estamos no meio da viagem! – retrucou Neriell pegando o aparelho de suas mãos.
- Porra, tu me diz um bando de coisas e depois me impede de agir?! – brigou massageando o local atingido.
- Se você continuar impulsivo assim vai acabar tropeçando! Acalme-se, deixe essa viagem terminar, e quando estivermos de volta, com todo esse clima pesado desfeito, procure-o, e resolva-se com ele.
- Mas nesse meio tempo eu o deixo sozinho?!
- Se me lembro bem o garoto terminou uma coisa que nem havia começado com você lá no aeroporto.
Deixando as pálpebras caírem em tom de tristeza ele se aquietou novamente no banco relembrando-se das costas de Ichigo ao caminhar para fora do aeroporto o deixando para trás. Foi talvez o pior momento de sua vida...
- Relaxa Grimmjow. – falou Neriell tentando melhorar o humor do amigo – Eu disse que apesar de tudo essa situação tem jeito. Então se concentre na empresa, faça o seu melhor nas reuniões, seja um futuro presidente exemplar. Esqueça-se de qualquer outra coisa, para quando voltar ter suas atenções destinadas a apenas ele.
Afirmando com a cabeça e um sutil amargo sorriso Grimmjow continuou a mirar o horizonte com o sol a pino ir se desfazendo por detrás das linhas do céu; logo cairia a noite, e o cansaço já o acometia.
O discurso repetido de Neriell batia em sua mente, martelando as palavras e as entalhando como numa rocha. Via nesse momento o quão desleixado fora com Ichigo e em como deveria ter agido. Deveria ter prestado mais atenção nele, seguido a racionalidade ao invés de guiar-se por seu instinto. Perdia o controle cada vez mais próximo á ele, e a razão disso já era óbvia a tanto tempo... Faltava apenas ter admitido mais cedo.
Mas agora não deixaria nada nem ninguém o atrapalhar. Ichigo se tornara uma certeza constante em sua existência e sabia com toda a vontade dentro de si: voltaria para ele o mais rápido possível.
A faculdade parecia um vazio imenso sem a presença de Grimmjow. Ainda era estranho ir e voltar todos os dias sem ter o assédio constante dele. Porém adiante desse fato – dessa saudade angustiante – sabia ter agido corretamente. Para Ichigo conviver com alguém num sistema de dúvidas e segredos não era saudável, muito menos aceitável. Ambos deveriam se comprometer para que tudo desse certo, e ser o único a fazer isso por mais de três meses era no mínimo errado.
Cinco e quinze de uma sexta a noite, chegava em casa. Há uma semana estaria preparando-se para sair a uma boate qualquer da cidade, mas hoje ao invés disso, ajudava Yuzu com o jantar.
Puseram a mesa as sete arrumando os pratos, talheres e copos. A irmã estava alegre por receber o auxílio do maior, mas sua empatia a alertava do humor alterado dele. Resguardava, porém, qualquer comentário, tendo medo de deixá-lo pior ainda.
Quando seu pai chegou e juntou-se aos dois – sem deixar de receber o costumeiro chute na cara de Ichigo ao tentar abraçá-lo – Karin desceu de seu quarto ao ouvir a gritaria, indo sentar-se em seu lugar e ignorando a discussão dos dois, enquanto Yuzu tentava apartar a briga.
Por fim todos acomodaram-se à mesa começando um jantar silencioso até Ishinn começar seu falatório sobre seu dia no trabalho, e claro, perguntando as amadas filhas o que fizeram de bom, ouvindo as respostas animadas de Yuzu e as simples e curtas de Karin. No entanto, na vez de dirigir-se a Ichigo deparou-se com o cenho franzido dele, além do mau humor de costume:
- Meu filho, não quer conversar com o papai? – insistiu vendo as sobrancelhas arquearem mais ainda.
- Nenhuma novidade. – rebateu seco.
- Oh meu filhinho querido! As calouras estão dando trabalho?
As veias pulsaram instantaneamente e o ruivo mordiscou a língua evitando qualquer comentário ofensivo à ele, afinal, ainda era seu pai.
- Né Ichigo-kun, responda ao seu papai!!
- Cala a boca seu velho tarado! – esbravejou por fim batendo com a mão na mesa.
- Ichi-ni calma! O papai só quer saber de nós! – interrompeu Yuzu.
- Ele está assim porque não tem saído com aquele amigo dele. – os olhares voltaram-se para Karin, inclusive o de Ichigo, surpreso com a afirmação da irmã.
- Do que você ta falando Karin?! – exclamou o ruivo.
- Ora já faz uns cinco dias você ta com essa cara de enterro, parecendo mais um zumbi, e nesse meio tempo parou de se encontrar com o outro de cabelo azul. Isso não é apenas uma coincidência.
- Como se você soubesse de alguma coisa! – gritou erguendo-se rapidamente da mesa sendo seguido pelos olhares curiosos.
Batendo o pé com força no chão foi subindo os degraus da escada até chegar ao seu quarto onde cerrou a porta com toda sua vontade, deixando o resto de sua família em tom de dúvida.
- O que aconteceu com o Ichi-ni? – perguntou Yuzu querendo ir atrás dele, porém Ishinn impediu-a segurando seu pulso delicadamente.
- Deixe-o Yuzu-chan. O Ichigo precisa ficar sozinho.
Concordando com seu pai apesar de ainda preocupar-se, a menor voltou-se para a irmã:
- Karin-chan, porque você gosta de provocar o ichi-ni desse jeito?! – disse mirando-a.
- A culpa não é minha, o Ichigo quem não sabe ouvir umas verdades. – finalizou tornando a comer como se nada pudesse a incomodar.
Recostado na parede ao lado da entrada de seu quarto escuro, Ichigo acendeu as luzes ligando o computador para passar o resto da noite jogando, ou qualquer outra coisa do tipo. Não estava com a mínima vontade de estudar ou revisar a matéria do dia.
O que Karin podia saber sobre suas frustrações? Estava tão óbvio assim a abstinência de Grimmjow? Ou ainda: suas tentativas de disfarçar seus sentimentos mostravam-se falhas, afinal, podiam perceber por conta de seu abatimento como estava ligado a ele.
Merda! Precisava ocupar-se de algo ou jamais deixaria de pensar em Grimmjow; porém mal cogitou essa idéia, seu celular passou a tocar alto na escrivaninha ao lado de sua cama. Foi até ela pegando o aparelho e irritando-se ao ver o nome pipocando na tela luminosa. Esta era a centésima vez – sem exageros – que Grimmjow ligava. Fazia cinco dias ele partira para a viagem importante da então empresa, e desde então vem tentando contatá-lo. É claro, Ichigo ignorara todas as chamadas, mensagens e recados de voz. Por fim apertou o celular por entre os dedos ouvindo o trincar da tela e o arremessou na parede ouvindo o estalar do vidro quebrando-se tamanha a violência.
Bufou cerrando os olhos e socando o colchão da cama, atirou-se no travesseiro querendo esquecer dessa infantilidade, dos ataques de raiva, das lembranças incessantes, do cheiro, da voz, do toque de Grimmjow...
O fim de semana correra mais rápido do que o normal. A mochila pesava no ombro conforme os pés apressados corriam para a primeira aula da faculdade, mas sabia também ser por outro motivo. O peito se apertava cada vez mais conforme os dias passavam. Nem havia comentado nada com os amigos, aliás, nem os via há um bom tempo, justamente para não demonstrar essa cara deprimida. Tentava disfarçar, todavia o desgosto conseguia superar suas vontades. Precisava seguir em frente se quisesse esquecer de vez Grimmjow, mas não era de sua ossada como o fazer.
- Ichigo? – uma voz conhecida chamou sua atenção fazendo-o se voltar antes de atravessar os portões de metal do campus.
O sino badalou novamente alertando aos alunos sobre a última chamada para as aulas da manhã, porém o ruivo permaneceu em seu lugar encarando a figura diante dele:
- Renji... – balbuciou o nome entre os lábios, e sem saber por que, recordou-se do rápido beijo compartilhado por eles semana passada, fazendo as imagens da face envergonhada do amigo ao declarar-se a ele saltarem em sua mente.
O rosto corou automaticamente com o inusitado encontro, mas acima de tudo, ambos estavam sem graça.
- Faz um tempo... – comentou Renji ainda sem saber ao certo o que falar, coçando a nuca pelo nervosismo.
- É. – respondeu monossilábico.
- Então... Tudo bem com você?
- Sim, eu acho. E você?
- Nada fora do normal.
O silêncio instalou-se de imediato deixando-os desconfortáveis mais uma vez. A aula já estava perdida nessa altura, e bufando, Ichigo virou-se para a saída sendo seguido pelo olhar indagador do outro:
- Vou aproveitar para passar na loja de eletrônicos. – disse por alto.
- Precisando de alguma coisa?
- Um celular novo, o meu quebrou.
- Tudo bem, então, nós nos vemos...
- Renji você não precisa ficar dessa maneira comigo. – falou vendo-o surpreendesse.
- N-não é isso Ichigo... Eu... Eu estou bem de verdade!
- Ninguém fica bem depois daquilo, sei que tem muita coisa te incomodando.
- Na verdade só uma. – confessou por fim.
Estava receoso de fazer essa pergunta á ele, mas acima de tudo sua impulsividade atropelava o bom senso do ruivo – de novo:
- O que seria? – indagou por fim.
Roçando os dedos na nuca, sentindo as unhas arranharem a parte de trás de sua cabeça, Renji tomou um longo fôlego, onde falou em resposta ao soltar o ar:
- Estou angustiado... Por não ter recebido uma resposta sua... – baixou os olhos deixando as maçãs da face corarem.
Sentindo o calor subindo por seu rosto Ichigo tentou prestar atenção em qualquer outra coisa a sua volta, porém era difícil com Renji agindo desse jeito. Tirar os olhos de cima dele estava ficando cada vez mais impossível, e ainda não sabia dizer se isso era uma coisa boa ou ruim...
- Olha isso não quer dizer que eu esteja exigindo de você ou algo assim! – falou balançando as mãos no ar frente ao seu peito tentando esquivar-se da situação embaraçosa.
- Que? – disse acordando do rápido transe – N...Não! Olha... Você merece uma resposta seja ela qual for não posso ficar sem dizer nada, mas...
- Mas?... – repetiu com um leve tom de esperança.
- Mas eu não sei ao certo agora...
Podia não significar nada, na verdade era uma resposta evasiva, porém era o bastante para fazer o coração de Renji acelerar. Deixando as feições mais amenas voltou à visão para baixo e logo em seguida encarou o semblante de Ichigo com um sorriso doce:
- Você ainda tem que se resolver com o Grimmjow, não é?
Arregalando os globos âmbar para depois cerrá-los, Ichigo enfiou as mãos nos bolsos deixando a mochila pender um pouco para o caimento de seu ombro. Seus sentimentos eram realmente visíveis a qualquer um. Num instante a cena do aeroporto apossou-se dele, e o fez repetir mentalmente suas próprias palavras: “Já foi o bastante.”
- Já foi resolvido. – disse convicto puxando a voz da garganta; ele saberia cedo ou tarde.
Arqueando uma das sobrancelhas em dúvida Renji perguntou:
- Como assim?
- Só... Só dá para dizer que não dava mais... Eu acabei com qualquer coisa que eu tinha com o Grimmjow.
Foi como saltar de um precipício e sair voando vivo. As palavras saíram da boca de Ichigo enchendo os ouvidos de Renji com o doce tom da expectativa. Talvez tivesse uma boa parcela de culpa – ou grande parte dela – nesse resultado, mas o que importava agora? Ichigo não era mais alguém distante, mas sim uma pessoa alcançável aos seus braços. Os batimentos aceleraram-se instantaneamente e foi difícil prender o sorriso dentro dos lábios, porém depois de um grande esforço, foi capaz de fazê-lo.
- Bem, e como você está? – perguntou tentando parecer consternado.
- Melhor eu acho. Ainda é meio... Estranho, sabe? Mas tudo passa uma hora.
- Se precisar conversar com alguém... Posso não ser a escolha mais inteligente, mas estarei sempre disposto a ouvir.
Mostrando um rápido sorriso Ichigo tornou a andar para fora da faculdade percebendo que Renji ficava para trás, voltou-se para ele:
- Quer vir comigo?
- Hein?! – exclamou assustado.
- Para a loja, vai ser bom ter alguém para me ajudar a escolher um modelo novo.
- Tem certeza? – indagou receoso.
- Sim, ta tudo bem.
Dando de ombros o maior o acompanhou alegremente, ainda mais ao saber que poderia ficar próximo de Ichigo sem presenciar um clima pesado entre eles. Apesar de volta e meia ao deixarem os olhares se encontrarem um leve constrangimento vinha aos dois. Tudo bem, logo passaria – pensavam.
- Só quero mais um tempo Renji. – comentou Ichigo no meio do caminho – E então terei sua resposta.
Fechando o casaco devido ao frio repentino da manhã Renji pôs as mãos dentro do bolso deixando os passos equipararem-se com os do outro, ainda sentindo-se nas nuvens, como se estivesse em um sonho.
- Eu te espero Ichigo. – respondeu por fim vendo o menor corar novamente; e isso foi o bastante para deixá-lo alegre pelo resto do dia.
O que queria de Renji? Qual o motivo para querer ficar perto dele? E acima de tudo, porque deixava seu rosto aquecer-se com a presença dele? Todas essas perguntas permeavam os pensamentos do ruivo conforme atravessavam as ruas sem dizer uma palavra, e mesmo com a imagem repetida de Grimmjow saltando a sua frente como um devaneio qualquer, o amigo ao seu lado fazia-o esquecê-lo mesmo que por alguns minutos, e por um instante uma solução insana veio à ele: talvez fosse essa a resposta para todas as suas dúvidas... Talvez ele fosse capaz de fazer Ichigo sorrir do mesmo modo que fazia junto de Grimmjow.
Nem voltaram mais à faculdade naquele dia. Por sorte não tinham nenhuma prova marcada, porém o ruivo ainda sentia-se mal por perder a matéria. Paciência pegaria as anotações com outra pessoa. Mas não havia sido de todo mal sair no meio do horário de aula. Pode divertir-se com o então amigo como fazia antes – não exatamente igual – mas tinha sido uma boa tarde para espairecer. Compraram seu novo celular, almoçaram, tomaram um café em qualquer lugar. Não se recordava da últiam vez que fizera esse tipo de coisas...
Chegaram as ruas opostas que separam seus bairros. O celular novo recebeu o chip antigo para não perder os números, mas Ichigo não atreveu-se a ligá-lo com receio de receber outra ligação indesejada. Por fim, separou-se de Renji vendo o cenho contente dele ao ir embora. Era uma sensação gostosa vê-lo feliz desse jeito.
A noite depois da pequena briga com seu pai tudo parecia se resolvido, e até mesmo brincava um pouco com as piadinhas ele, soltando respostas irônicas e vendo Yuzu divertir-se com elas ao mesmo tempo que o repreendia as vezes. O olhar suspeito de Karin recaía sobre suas cotas preferindo ignorar a irmã.
Depois de uma seção dos filmes trash dela Yuzu fora acalmada por Ishinn, afinal, ela não gostava dessas histórias de terror, sangue, guerra, enfim. A menor ainda era inocente. Ichigo foi ao seu quarto puxando o caderno para tentar enfiar no cérebro alguma coisa da matéria quando viu uma pequena mensagem aparecer no computador à sua frente. Abriu a janela da conversa vendo a foto de Renji ao lado seguido da frase: “Vamos sair?”
Demorou um pouco para processar sua réplica. Os dedos pararam em cima do teclado retesando sobre quais teclas deveria apertar. Engolindo seco deixou-se levar e escreveu rapidamente a resposta: “Tudo bem, quando?”
“Pode ser agora?”
O silêncio do cômodo ajudavam para fazê-lo refletir. Tinha encontrado a solução, não é? Ela falava com ele pela tela mágica do computador, convidando-o a viver de novo. Mesmo sabendo disso – ou melhor repetindo para si mesmo – havia uma hesitação dentro dele que o fazia recuar.
O celular tocara de novo. O nome brilhoso aparecia e desaparecia conforme o toque espalhava-se pelo ambiente. Grimmjow tentava contatá-lo de novo. Chega. Já era o bastante, ele mesmo dissera... Estava na hora de tomar posse de suas ações de novo:
“Te encontro as nove”
Teclou o mais rápido que pode terminando de combinar um lugar em comum. Ao desligar o computador pegou o celular novo, e não, ele não o atiraria de novo contra a parede, mas ao invés disso apagou aquele nome de sua agenda, como se assim fosse capaz de apagar a existência de Grimmjow de sua vida.
O peito comprimiu-se em amargura ao fazê-lo, mas era o certo... Tinha de ser o certo... Pensava quando apertou o botão vermelho assistindo as linhas do nome dele desaparecerem do aparelho. Era um novo começo... Ou ao menos assim esperava...
Continua
_________________________________________________________
-Bônus-
Notas finais
A Neriell eh foda! Apesar de ter sido a causadora de parte da discórdia...
Enfim, o moranguinho está se desviando do caminho do amor!!
NOOOOO!!!!
Não me batam pelos acontecimentos, eu JURO que a fic ainda eh GRimmxIchi, tenham fé na autora, pq tdo dá certo no final!
Kissus e até o próximo (se eu demorar já sabem: provas!!! Mas a fic jamais será abandonada *-*)
Fale com o autor