Maipetto no Neko
14 Capítulo 14 - A mão invisível
Notas iniciais
E... Os problemas começam a aparecer na vida do casalsinho feliz xD
Espero q n briguem comigo por estragar a felicidade deles
=XX
boa leitura o
Maipetto no Neko
Capítulo 14 – A mão invisível
Ninguém conseguiu pará-lo. Tão apressado quanto pode Ichigo saiu daquela sala sem olhar para os lados, sem ouvir os gritos de Chad, e sem se importar com a trombada que dera em Renji ao empurrá-lo na frente da porta. Estava puto demais para falar com qualquer um agora. Seu rosto sempre sério tinha as sobrancelhas mais arqueadas ainda e uma expressão de ódio profunda. Era raro vê-lo nesse estado, no entanto tinha seus motivos.
Desde aquele tempo, quando perdera sua mãe, tentara ser alguém mais centrado. Mantinha certa calma para não tentar arrumar confusão, corria atrás das boas notas na escola, não levava desaforo para casa, geralmente espancando quem tentasse se meter com ele, e acima de tudo: esforçava-se para ser o melhor irmão do mundo à Karin e Yuzu, além de sempre ficar de olho no seu velho, ou ele se descuidava.
Os poucos amigos sabiam que esse era um assunto delicado demais, e nunca comentavam sobre ele com Ichigo. Para falar a verdade, era uma espécie de tabu para o garoto. E justo hoje, quando tudo corria bem em sua vida, um aluno babaca qualquer resolve perguntar sobre um caso de assassinato na aula, sobre o assassinato de sua mãe. Infeliz da porra! Aula de direito é uma merda!
Os palavrões continuaram a se repetir mentalmente. Precisava de ar ou ia acabar explodindo os pulmões. Cerrou os olhos, fechando os punhos que quase sangraram as palmas de suas mãos, e apertou o passo para a saída do prédio, até virar a próxima escada, dando um encontrão em outra pessoa; perfeito, queria mesmo descontar em alguém.
- Olha por onde anda porra! – esbravejou vendo a expressão de susto de Grimmjow ao escutá-lo falando daquela forma.
- Quem morreu?! – exclamou o maior com as feições em dúvida.
Ichigo calou-se em seguida, baixando a cabeça. Ótimo, justo ele... Pensou em desculpar-se, mas isso só abriria o leque para mais perguntas. Virando o corpo continuou seu caminho como se nada tivesse acontecido, até sentir seu braço ser pego e puxado para trás.
- Ei, ei! Que houve? – perguntou o maior parecendo consternado.
- Me deixa. – respondeu num tom mais baixo, porém ainda ríspido.
- Para de frescura Ichigo!
Trincando os dentes o menor deu um puxão no braço sentindo dor por isso em seguida, mas conseguindo se livrar de Grimmjow; que obviamente estranhou mais ainda o comportamento do garoto.
Tornando a andar em passos largos o ruivo terminou de descer as escadas, mas não pode prosseguir, voltando a fechar seu punho. Grimmjow ficara na sua frente abaixando um pouco o corpo para ficar melhor na sua altura e seu braço encostava a parede não o deixando fugir.
- Vem comigo, agora. – disse puxando-o novamente.
Ao cogitar a idéia de socá-lo e sair de perto dele, Ichigo notou o contingente de alunos observando os dois como numa peça teatral, podendo não fazer mais nada além de caminhar junto de Grimmjow antes que chamassem mais atenção ainda. No momento certo fugiria para ficar sozinho.
Deixando-se levar pelo maior, pararam na parte de trás dos prédios do campus de análise, passando por uma grade de ferro; que deveria estar fechada nesse horário.
Grimmjow o liberou fazendo-o ficar à sua frente e impedindo a passagem para fora. Cruzou os braços e o encarou, vendo o ruivo com as mãos no bolso e a expressão de raiva tediosa dele. Não gostava de bancar esse tipo de pessoa, mas sabia que não era normal Ichigo agir assim.
- Desembucha. – disse Grimmjow com sua delicadeza costumeira.
- Não tenho nada para falar. – procurava por uma saída dali enquanto falava.
- Nem vem com essa Ichigo, aconteceu alguma coisa para você ficar com essa cara de enterro.
- Para de se meter na minha vida! – cortou-o aumentando o tom de voz e sabendo que estava sendo grosso, mas não podia evitar isso, simples assim.
- Para você de achar que eu não vou me meter! – gritou vendo Ichigo retrair-se um pouco.
Se foi o baque pela resposta dele, ou talvez no que tentou expressar com aquelas palavras, Ichigo não soube dizer. Apenas pode imaginar o quão estúpido estava sendo. Não era como se quisesse esconder isso dele, afinal Grimmjow já conhecia sua história. O fato é que fora tudo tão de repente... Talvez até mesmo se encontrasse com Inoue ou Chad agora os trataria da mesma maneira... Mas no fundo sabia que era apenas por preocupação que o faziam. Saco! O ruivo não sabia mesmo o que pensar! Geralmente era mais impulsivo e se dava bem com isso, mas o que fazer quando o cérebro não corresponde aos seus sentimentos?!
Descendo os ombros se encolhendo neles, Ichigo deixou sua linguagem corporal falar por si. Virou-se um pouco de costas calando-se por um tempo. Não era como se quisesse chorar ou algo do tipo; apenas precisava de silêncio e por as idéias no lugar.
- Falaram do caso da morte da minha mãe na sala de aula hoje, foi isso. – disse de uma só vez para não ter de repetir, puxando o máximo de ar que pode.
Grimmjow parou de respirar por um segundo maquinando qual a frase mais confortável possível:
- Hm... Você comentou antes. Não pegaram o cara, né?
Ichigo pareceu fechar ainda mais o cenho. “Okay, comentário errado.” Pensou o maior coçando a nuca. Esses assuntos familiares realmente não eram seu forte.
- Eu só fiquei... Sei lá...
- Triste? – interrompeu vendo-o negar com a cabeça.
- Não, puto.
“Fato” Pensou o analisando.
- Isso foi tão... Ridículo! Quer dizer, do nada o cara entra dizendo que vai substituir nosso professor, daí um aluno comenta do trabalho de vida dele, e nessa hora o filho da puta exibido fala dos seus casos de maior sucesso! Porra se ele é tão bom assim então porque justamente teve de falhar com o da minha mãe?! – gritou socando de lado a parede com o desabafo.
Sim era isso que o incomodava. Não era o tópico em si, mas o fato de não ter uma resolução para ele. Na época as pistas se mostraram poucas e a memória de uma criança em choque não era confiável. Tentaram diversas vezes reabrir o caso, mas sempre eram impedidos devido aos inúmeros processos acumulados. Por fim depois de um tempo desistiram, pensando no melhor para suas irmãs que eram mais novas. Elas precisavam se recompor depois desse trauma.
Grimmjow respirou fundo parecendo compreender a frustração de Ichigo. Havia passado pelo mesmo problema quando soube da notícia da morte de seus pais. Além de parecer tudo uma mentira, perguntava-se porque não havia pego o cara que causara o acidente deles... Chegaram a dizer-lhe que nada fora proposital, mas ainda assim tinham peças fora do lugar.
- Sinto muito. – disse por fim vendo Ichigo parecer acalmar-se.
- Foi mal... Ter sido grosso com você. – respondeu já aparentando melhora, mas ainda com as feições sérias.
- Relaxa. Eu não fico ofendido com essas coisas.
Ichigo fez que sim com a cabeça, e ajeitou a coluna caminhando para a saída. Sentiu uma presença mais próxima de suas costas e logo viu um dos braços de Grimmjow contornando seu pescoço. Ele também não disse nada, apenas ficou parado junto dele, como se o confortasse. Mais tranqüilizado, o ruivo ergueu uma das mãos até a altura do braço do maior e apertou o moletom; que, diga-se de passagem, era o que havia emprestado á ele de manhã, chegando-o para mais perto.
Ficaram assim até ouvir o sino tocando mais uma vez avisando do fim do intervalo. Esqueceram de comer alguma coisa, e agora a barriga roncava.
- Quer matar aula? – falou Grimmjow com um sorriso alargado no rosto.
Dando de ombros, Ichigo concordou sabendo que não poderia mais concentrar-se hoje mesmo. Mas antes precisava ir até a sala pegar sua mochila, se ainda estivesse lá.
Foram andando juntos até o andar do ruivo. Grimmjow o observava o tempo todo constatando o quanto o garoto tinha se abalado. Verdade, tinha melhorado um pouco, mas ainda assim podia sentir a tristeza vinda dele; isso o deixava de certa forma, infeliz também. Se pudesse, roubaria todas essa negatividade para si...
- Chad? – indagou Ichigo ao vê-lo parado na porta da sala.
- Ichigo, como você está?
- Melhor... – virando um pouco a cabeça para o lado, prosseguiu – Desculpe ter saído daquele jeito.
- Não precisa se desculpar. – falou sereno esticando a mochila perdida do ruivo à ele.
- Obrigado, desculpe de novo pelo trabalho.
- Sabe que se precisar Ichigo...
- É eu sei.
Batendo os punhos um do outro, os amigos se despediram. Chad era mesmo uma boa pessoa... Também precisava explicar as coisas à Renji depois, mas faria isso quando o encontrasse. Agora só precisava ficar longe da faculdade. Grimmjow o esperava pacientemente a alguns metros de distância e passou a andar ao vê-lo retornando.
- Não queria falar com ele também? – perguntou Chad olhando por trás de si e vendo Renji recostado na parte de dentro da porta com os braços cruzados.
- Deixa quieto. Ele já estava acompanhado. – quase cuspiu a última fala, indo sentar-se no seu lugar.
Sem compreender, e também isso não era da sua conta, Chad foi com ele para terminar de assistir a aula.
- Telefone para o senhor, Aizen-sama.
Gin lhe estendeu as mãos ficando de pé próximo ao homem de cabelos castanhos.
- Pois não? – disse ao pegar o aparelho.
- Tem um homem aqui embaixo querendo falar com o senhor, Aizen-sama.
- Mande-o subir.
Alguns minutos depois o estranho de cabelos castanhos e terno entrava no escritório dele; era o professor substituto da faculdade.
- Então, como foram as coisas? – perguntou Aizen tomando sua costumeira xícara de chá, sentado confortável em sua cadeira.
- Tudo correu da forma que o senhor disse. – respondeu sentando-se à sua frente.
- O garoto pareceu alterado?
- Ele saiu da sala de aula assim que eu comentei do caso.
- Bom, muito bom... O aluno que chamou para fazer as perguntas á você sabe de algum detalhe?
- Não se preocupe com isso, senhor. Apenas disse à ele que era um pedido pessoal, pois queria que a turma me visse além do âmbito de professor. Foi como um pequeno teste para melhorar a moral da classe.
- Muito astuto da sua parte. – sorriu bebendo do chá quente.
- O que devo fazer agora?
- Nada, apenas observe em silêncio como as circunstâncias irão se desenrolar da maneira que eu havia previsto.
Do canto da sala, Gin trocava um olhar com Aizen; as artimanhas dele estavam se dirigindo cada vez mais próximas de seus objetivos.
O caminho pelas ruas parecia mais lento do que o normal. Grimmjow virava as esquinas devagar, segurando-se para não dizer algo e cortar o silêncio de Ichigo. Andavam pela pequena estrada de um parque antes do bairro do ruivo, até o pedir para esperar enquanto comprava uma coisa. Voltou minutos depois com uma sacola que despertou a curiosidade do outro.
- Para que tanto doce? – perguntou ao ver o conteúdo dela.
- Sei lá. Deu vontade. Você não gosta?
- Ah... Não eu... Eu gosto sim.
Sorrindo, o maior prosseguiu com o percurso. Ichigo continuava calado. Droga! Como era frustrante ser inútil a ele nesse momento.
Uma e cinqüenta e sete, a casa do ruivo estava vazia. Suas irmãs só voltariam da escola lá pelas seis devido as atividades do clube, e seu pai cuidava de outro hospital da redondeza uma vez por semana ao menos. Poderiam ficar mais tranqüilos lá.
Sentando-se na sala Grimmjow aguardou até Ichigo lhe trazer uma xícara de chá ficando ao seu lado no sofá; o clima começava a ficar mais frio nos últimos dias. Abrindo a sacola, o maior puxou um pacote de balas, passando a comê-las junto com o líquido quente.
Revirando as outras coisas dentro do plástico, Ichigo achou uma pequena barra de chocolate e tirando a embalagem o deixou pendido em sua boca. Ainda estava distante; pensativo.
Acordou daquele transe ao sentir a barra quase cair no chão pela rápida mordida de Grimmjow na sua outra extremidade, deixando-o apenas com metade dela.
- Isso é muito doce. – comentou fazendo uma careta e bebendo o chá.
- Se não gosta, porque comprou?
- Porque não sabia de qual desses você gostava.
Corando um pouco suas bochechas, Ichigo voltou a cabeça para frente engolindo o resto do chocolate.
- Não precisa se preocupar com isso... – falou; apesar de gostar de ser mimado pelo outro desse jeito.
- Vai à merda, se eu fiz foi porque eu quis.
- Babaca...
Rindo, o humor de Ichigo parecia alegrar-se mais, no entanto, o pôster de sua mãe na parede ainda era um incomodo, reforçando as lembranças do dia cansativo de hoje.
- Filme! – exclamou Grimmjow.
- Hã? – arqueou as sobrancelhas em tom de dúvida.
- Vamos ver um filme! E sem drama! Quero alguma coisa com explosões, ou comédia, sei lá! Ficar no seu sofá sentado o tempo todo cansa!
- Eu não tenho nenhum filme novo aqui... Só alguns que a Karin gosta de ver à noite...
- Ótimo! Sua irmã tem pelo menos bom gosto.
- Só você acha isso.
Ele foi até o móvel debaixo da televisão abrindo uma pequena porta de madeira onde ficavam guardados os dvd’s. Foi colocando alguns deles sobre a mesa enquanto Grimmjow escolhia qual veriam primeiro. Acabaram por ver um de ação mesmo; pouca história, muitos tiros, não era necessário prestar atenção.
Recostando-se de volta no seu lugar, Grimmjow achegou-se mais para o seu lado, fazendo o menor recostar seu ombro no dele. Não havia do que reclamar, afinal, estavam sozinhos. Os trailers foram passando até o filme começar. Faziam um comentário ou outro sobre a atuação meia boca e o roteiro sem sentido, além de rir bastante da quantidade de sangue falso usado em certas cenas. Karin gostava mesmo dessas coisas meio trash.
O mal estar de Ichigo ia passando conforme os minutos se desenrolavam na tela preta do DVD. Seus olhos iam se cansando também, como se um repentino cansaço se acomete-se dele. O corpo de Grimmjow era quente, aconchegante. Bocejou algumas vezes enquanto ia deitando mais sobre o peito do maior, e nem se importou quando este passou seu braço por trás de seu pescoço; assim podiam ficar mais próximos. Cerrou as pálpebras aproveitando o cochilo em que era abraçado.
Perto do fim do filme Grimmjow abaixou a cabeça para ver o rosto relaxado de Ichigo. Segurava seu ombro para não o deixar cair, mas havia se tranqüilizado por ele finalmente ter melhorado. Só que acordaria um tanto quanto desconfortável pela posição em que estava. Enfim, ao menos tinha se acalmado. Sorriu sem nem perceber fazendo um sutil cafuné nele, ajeitando e bagunçando seu cabelo espetado. Okay, seu lado esquerdo estava ficando dormente pelo peso do ruivo, mas... Ah! O rosto dele era tão bonito quando dormia. Valia à pena.
Grunhindo Ichigo viu a imagem embaçada da tela azul da televisão à sua frente tomar uma melhor forma quando os olhos se abriram por completo. Sentiu a mão sobre sua cabeça e virou-se para ver Grimmjow com o pescoço para o outro lado e a boca aberta. Roncava um pouco, e chegou a rir com a cena.
Foi levantando aos poucos reclamando da dormência na perna que havia ficado por de baixo da outra, até Grimmjow baixar o queixo e despertar junto dele.
- Não sinto meus dedos... – falou puxando o braço por de trás do ruivo.
- Desculpe. Eu caí no sono e nem percebi.
- Tranqüilo. – pôs a mão no rosto do menor como se analisasse ele – Gosto mais de você assim.
- Hã?
- Alegre.
Comentou, sorrindo ao ver as maçãs de Ichigo corarem. Segurou o outro lado de sua face juntando sua boca da dele. Foi o levando até suas costas tocarem o sofá. O menor subiu os dedos até a blusa de Grimmjow puxando-o mais para si. Não tardou para envolver seu pescoço num abraço sentindo uma das mãos do maior descerem até a altura de sua perna. Quando o beijava assim... Quando Grimmjow ficava perto dele de certa forma era como se tudo melhorasse um pouco.
Afastando-se o maior sorriu dando um último selinho em Ichigo levantando e dizendo:
- Vamos comer alguma coisa, to morrendo de fome.
- Ah. Claro. Deve ter algo na geladeira.
Indo com ele até a cozinha começou a procurar pelos restos do jantar da noite passada. Mas o estranho foi ter ficado um pouco decepcionado por não terem avançado do beijo. Preparou um prato para Grimmjow e um para si, afinal, tinham saído da faculdade na hora do almoço, e a barriga já roncava.
Quando já eram quase seis da tarde Grimmjow ajeitou-se para ir embora; precisava por uma roupa própria além de cuidar do templo coisa que não fazia há alguns dias.
- Ichigo. – disse parado na porta aberta.
- Sim?
Deu-lhe outro beijo enquanto segurava seu queixo:
- Odeio te ver do jeito que ficou hoje... – comentou pousando sua testa na dele – Sou péssimo para falar a coisa certa, mas só sei que odiei.
- É... Eu também detestei... – respondeu corando um pouco, como se essa fosse a primeira vez que ficavam tão próximos assim.
Acariciando seu rosto Grimmjow beijou-o uma última vez antes de ir embora. Precisava andar até sua casa já que estava sem sua carteira e carro, mas, enfim, tinha sido por um bom motivo; aliás, a noite passada tinha sido um ótimo motivo.
Já em seu quarto Ichigo jogou-se na cama enfiando a cara no travesseiro. Talvez se não tivesse se encontrado com Grimmjow na faculdade, tivesse ficado mais deprimido ainda. Podia sentir ainda o calor do maior o abraçando, aquecendo, confortando... Até cair no sono.
- Aizen! – gritou abrindo a porta do escritório dele.
- Grimmjow-san, faz tempo não o vejo pondo os pés aqui. – disse ajeitando-se na mesa e pedindo a Gin que lhes trouxessem mais chá.
- Quero que faça uma coisa.
- Um pedido seu? O que seria?
Pôs na sua frente o papel que carregava. Pegando-o Aizen analisou seu conteúdo arqueando as sobrancelhas em seguida virando-se para ele:
- Posso saber por que o senhor quer trabalhar nesse caso?
- Isso não é da sua conta, apenas faça acontecer, esta é sua obrigação.
- Grimmjow-sama, não é bem assim que a burocracia da empresa funciona. Um caso desse calibre deve primeiro passar nas mãos da junta dos advogados, e eles vão querer saber do motivo...
- Ah! Chega dessas babaquices! Você consegue arrumar isso rapidinho sem precisar abanar o rabinho para esses caras!
Bufando Aizen retirou seus óculos para limpá-los num pequeno pedaço de pano tornando a falar:
- Grimmjow-sama, geralmente eu sou bem compreensivo com o senhor. Deixo que cuide dos seus afazeres na faculdade e no templo sem que necessite vir sempre à empresa para cuidar de assuntos triviais. Enquanto você não assume, eu ainda posso contornar a situação. Mas se você começa a me fazer pedidos desse jeito... Eu fico de mãos atadas...
Jogando o cabelo para trás Grimmjow sentou-se na cadeira diante de Aizen tampando a boca com uma das mãos vendo-o colocar os óculos de volta.
- O conselho já ta enchendo o saco de novo? – perguntou por entre os dedos.
- Eles sempre indagam se a empresa continuará florescendo quando você assumir. Sei que o senhor não é tão irresponsável quanto aparenta, e na verdade é bem competente com as questões na qual precisa lidar da presidência. Mas quem constrói sua imagem é o senhor e mais ninguém. Precisa inspirar confiança nos seus futuros empregados.
- Saco! Eu detesto esse tipo de tratamento! Eu mando, eles obedecem, se eu faço a porra do trabalho direito, do que eles têm de reclamar?!
- Infelizmente o mundo não é tão simples assim. Eu também desejaria que o fosse.
Empurrando a cadeira para trás Grimmjow ficou andando em círculos pela sala até Gin retornar com o chá. Pôs uma xícara para cada um sentando-se no sofá que ficava no fundo do cômodo próximo a uma estante repleta de livros.
Aizen bebia seu chá o mais calmo possível tornando a ler o papel entregue por Grimmjow.
- Isso é muito importante para você? – perguntou com a voz serena.
- É. – respondeu de imediato.
Respirando fundo, ele disse, por fim:
- Muito bem. Acho que posso dar um jeito de passar esse processo despercebido pela junta. Mas já digo que vai ser difícil concluir um caso desses fechado há tanto tempo.
- Obrigado Aizen! – exclamou mostrando os dentes.
- Ainda não terminei, Grimmjow-san...
Calando-se com a expressão em dúvida ele voltou a sentar-se para ouvir melhor o que Aizen tinha a dizer:
- Eu farei esse favor à você, mas em troca, o senhor deve fazer algo por mim e pela empresa.
- Ta tudo bem eu faço, o que é?
Juntando as mãos sobre seu colo ele o encarou, prosseguindo:
- Quero que faça uma viagem de negócios ao exterior para promover uma das nossas filiais.
- Hã?! Viagem ao estrangeiro?! Porque eu?!
- O senhor, como futuro presidente, precisa mostrar o rosto nos diferentes locais onde possuímos uma sede. É de vital importância que o herdeiro seja conhecido antes de tomar posse.
- Sem chance! Eu terei de ficar o que, umas duas semanas fora?!
- Na verdade, seria um mês.
- Um mês?! E onde você quer que eu enfie a faculdade?! Melhor, a minha vida?!
- Grimmjow-san, eu entendo sua frustração, mas o senhor também tem de compreender a minha. Não poderei para sempre ficar acobertando suas faltas. Uma atitude precisa ser tomada agora, e o momento é bem oportuno, pois as reuniões semestrais estão para começar.
- É minhas provas na faculdade também!
- Eu preciso que faça isso pela empresa, Grimmjow-san. Pense, por favor, um pouco no legado que seus pais lhe deixaram.
Engolindo seco, Grimmjow levou a cabeça para trás como se recebe-se um soco no estômago. Mordia o lábio por dentro já sentindo dor, porém sem parar. Não queria jogar fora tudo aquilo construído por sua família. Apesar de não se encaixar muito bem nesse meio, ainda assim fazia parte dele. Além do mais... Além do mais Aizen estava lhe prestando um favor bem grande... Se não fizesse isso teria de arrumar outra maneira... Massageando as têmporas, finamente cedeu:
- Eu... Eu entendo... Eu faço essa merda e viagem.
O moreno terminou seu chá sorrindo:
- Fico feliz Grimmjow-san. Farei os preparativos do seu pedido imediatamente, e pedirei que reservem uma viagem para o senhor.
- Quando... Quando eu irei?
- Se possível, esse final de semana.
Cerrando o punho, ele se levantou apenas consentido que sim com a cabeça e saindo do escritório. Precisava de ar. Desceu pelas escadas mesmo com as mãos nos bolsos. Era sua responsabilidade como dono dos negócios fazer esse tipo de coisa, cuidar das ações, dos empregados, enfim da parte política mais entediante. Já estava se preparando para isso desde o dia da morte de seus pais. Mas naquela época ele não havia conhecido Ichigo, e o que fazia seu peito ficar apertado agora era não ter a mínima idéia de como dizer isso à ele; ou ainda: se agüentaria ficar longe do ruivo por um mês inteiro.
Os amigos de Renji estranharam quando ele recusou os inúmeros convites para sair hoje à noite. Como poderia se divertir sendo que em sua mente a única imagem repetida era a face tristonha de Ichigo? Queria falar com ele, mas sabia que Grimmjow poderia estar lá também. Isso era um saco! Quando esse cara ia deixar de interferir na sua vida?!
- O senhor vai mesmo o deixar aparecer como futuro presidente, senhor Aizen? – comentou Gin de um canto escuro da sala servindo outra rodada de chá.
- Se ele for capaz de manter a pose... – comentou vendo um cabelo azulado e extremamente chamativo atravessar a rua na frente do prédio de seu escritório.
- Acha que a personalidade dele pode atrapalhá-lo?
- Oh, Gin... Esse é meu maior trunfo.
“Grimmjow.” Pensava Ichigo em sua cama, admirando seu teto pela enésima vez. “Não sei ao certo o que eu sou para você, mas... Ainda assim... Mesmo com essa incerteza tão grande... Não sei o que faria se não tivesse você por perto...”
Continua
Notas finais
Hehe, agora que o Grimmjow vai ter de abrir o olho mesmo, pq... O ichigo vai ficar um tempo sozinho por essas bandas =XX
Assim que der eu posto capítulo novo!
Ah! Tenho de agradecer imensamente os reviews de todos!
Kissus até o próximo o/
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