Maipetto no Neko
10 Capítulo 10 - O princípio do desejo
Notas iniciais
Maipetto no Neko
Capítulo 10 – O princípio do desejo
O despertador tocou obrigando Ichigo a sair da cama as sete da manhã de um sábado. Escorregou os dedos pela campainha a fazendo se calar, arrastando-se ao banheiro ainda com a cara de sono. Quase dormiu escovando os dentes, e cambaleou metade do caminho, ainda tentando despertar.
Tomou um rápido banho, lembrando-se de arrumar-se um pouco melhor do que o normal, pois encontraria com Grimmjow à tarde, e sabe-se lá para onde iriam.
Sentou-se na mesa junto de seu pai, ainda bocejando, sentindo o cheiro de ovos fritos chegarem as suas narinas, abrindo o apetite de seu estômago.
- Vai para onde tão cedo? – perguntou Isshin.
- Trabalho na lojinha...
- Oh, aquela sua chefe ainda está em forma, não é?!
- Não começa pai. – deitou a testa na mesa forçando-se a não ouvir toda aquela besteira.
Yuzu pôs os pratos à sua frente, e Ichigo logo começou a devorar o café sem dar tempo para sua boca responder as piadinhas de seu pai. Fala sério, já tinha dezoito anos, ele podia parar de dizer essas coisas, ainda mais na frente das suas irmãs.
Pegou suas chaves, verificou que a carteira estava no bolso, e terminou de calçar o tênis, pronto para sair.
- Dá um oi para sua chefe por mim! – falou Isshin antes de deixar o filho em paz, vendo seu cenho se fechar, saindo da casa batendo os pés com força no chão.
O ruivo olhou seu relógio, ainda era cedo, dava para ir caminhando até a lojinha. Precisava pegar um pouco de ar e se acalmar, se não já chegaria dando ponta pé em todo mundo hoje.
Sua chefe estava na porta da frente, levantando as dobradiças de metal delas para erguê-las, mostrando as vitrines da loja, e sua coleção das mais variadas revistas, e livros de bolso, além das máquinas de salgadinhos, refrigerante, etc! Tinha de tudo naquele lugar, até uma seção só com comida enlatada e rápida. Era uma das melhores lojinhas antes do centro. Terminou de ajudá-la a abrir a loja para então ir até o estoque organizar os produtos, e esperar o carregamento que chegaria em duas horas; seu trabalho: carregar as caixas.
Enquanto isso não acontecia, passava o tempo no balcão, lendo aquelas revistas sem sentido; porque as pessoas compram essas coisas mesmo? Puxou um caça-palavras qualquer e passou a rabiscar nas folhas, lembrando-se de descontar do seu pagamento por ele.
Os poucos clientes rotineiros dessa parte do dia já faziam suas compras, e já estavam acostumados a ver o garoto de cabelos chamativos no fundo do balcão, e cuidando da máquina registradora, até uma sombra diferente se fazer na frente de Ichigo, tampando-lhe a visão mais clara das letras miúdas no canto da folha. Ergueu a cabeça para ver do que a pessoa inconveniente precisava, até se surpreender com a inesperada visão:
- Renji?! – exclamou o ruivo vendo o sorriso dele do outro lado do balcão.
- Bom dia, Ichigo! Não sabia que você trabalhava. – comentou com um jornal enrolado num tubo, apoiado em seu ombro.
- Eu faço bico aqui às vezes, para ter uma grana extra. O que faz por aqui? Nunca te vi por esses lados.
- Moro a uns quarteirões, mas nunca tinha vindo nesse lugar porque tem uma loja parecida em frente ao meu prédio. Mas hoje ela tava fechada, e acabei vindo aqui.
- Que coincidência.
- Pois é. – apoiou seus cotovelos no balcão chegando para o lado, ao ver uma senhora querendo passar os produtos atrás dele – Então, o que vai fazer de bom hoje?
- Já sei: vai me chamar à uma festa. – falou sem olhar para Renji batendo os preços das latinhas de refrigerante e as pondo numa sacola.
- Bingo. Mas dessa vez é uma mais tranqüila, com uns amigos mais próximos, então deve ser bem pequena.
- Defina “pequena.”
- Umas trinta pessoas...
- E isso é pequena desde quando?
- Desde que eu estou acostumado a ir em festas com mais de cem pessoas!
Os dois riram, enquanto a loja começava a ficar mais movimentada e a atenção de Ichigo se dividia entre os cliente e a conversa com Renji.
Onze e meia, o novo carregamento chegou, e o trabalho foi dobrado. Enquanto sua chefe ficava cuidando da parte interna ele descarregava as pesadas caixas nos fundos, que para ele era um exercício bem simples. Renji continuou procurando algumas revistas e livros, esperando por ele; ao menos tinha com quem passar o tempo chato de vendedor. Terminou tudo em meia hora, indo para a parte de trás se livrar do amontoado de sacolas e também para pegar um ar depois do esforço.
Fechou a tampa de metal da lixeira, ouvindo agora alguns passos lentos vindo à sua direção. Voltou-se para a entrada do beco lateral à loja, onde um grupo de quatro estranhos parava a pouco mais de cinco metros dele.
- Procurando alguma coisa? – falou, já fechando o cenho e com a voz mais séria.
- Queremos um pouco de diversão! – disse o mais à frente, que agora pode ver; portava um bastão de beisebol.
- Esse não é um lugar disso, vão embora antes que arrumem confusão.
- Ah, você não entendeu: você, será a nossa diversão... Ruivinho.
“Hã?”
Seu rápido pensamento foi cortando quando o aparente líder veio na sua direção com tudo, tendo tempo apenas para se esquivar vendo-o bater com o bastão na tampa da lixeira a amassando: aquilo teria doído.
Os outros três se adiantaram formando um círculo á sua volta como podiam naquele espaço tão apertado. Armando sua pose de luta Ichigo se acalmou, esquecendo-se de como o estranho o havia chamado. Deveria ser só coincidência, afinal o apelido não era tão incomum, e seu cabelo chamava muita atenção mesmo.
Novo golpe, vindo da lateral, dessa vez um soco, de fácil esquiva. Aproveitou para guiar a mão dele, que já ia naquela direção, para o muro. Andou para o lado, sentindo o vento do punho passar por seu rosto. Agarrou o pulso dele usando sua própria força de impulso para levá-lo a parede, escutando o estalar dos ossos e o seu urro de dor. Ficaria segurando os dedos quebrados por um bom tempo. Um a menos, faltavam três; o do bastão era o mais perigoso até agora.
Seus antebraços bloqueavam a maioria dos socos, enquanto as pernas saltavam para fugir dos chutes, e é claro, daquele bastão de beisebol infeliz. Porém já sentia a dor nos músculos de tantos golpes que foram impedidos. Precisava acabar com aquilo de uma vez.
Desviou mais algumas vezes até encontrar a primeira abertura: o da direita havia abaixado o braço deixando o torço exposto. Pisou forte, um soco rápido e certeiro na costela, que, pode não tê-la quebrado, mas com certeza o deixaria de fora, com uma luxação bem forte. Droga de termos médicos que não saíam da sua cabeça. Precisava parar de ajudar tanto seu pai na clínica. Se bem que tinha de agradecê-lo, afinal, a precisão de seus golpes melhorou muito depois dos rápidos estudos de anatomia, e isso adiantava suas lutas. Enfim, ao mais importante agora: menos dois.
Pode ouvir o som do bastão se erguendo de novo. Um susto o fez abaixar-se levantando os antebraços para qualquer eventualidade. A madeira bateu na parede resvalando um pouco de poeira em um de seus olhos. A visão ficou embaçada por alguns segundos, distraindo-o, dando a chance para o outro inimigo puxar uma pequena faca de sua manga cortando com profundidade a extensão debaixo de seu cotovelo até pouco antes do pulso.
Merda, aquilo havia doído! E o braço ardia com o ferimento. O sangue já escorria para sua blusa, molhando o chão, sem parar. Precisava estancar aquilo depressa. Mas ainda tinha dois problemas antes disso. Mordendo os lábios para não deixar a agonia passar por eles, armou-se mais uma vez na posição de luta. Esperou o líder com o bastão investir sobre ele mais algumas vezes deixando-o se cansar, e ao ver a oportunidade, levantou a perna atingindo-o na boca do estômago: vômito imediato. Faltava só um.
O último da pequena gangue jogava a faca de uma mão a outra esperando distraí-lo. Um golpe, dois, três, no quarto ele já havia se perdido nas esquivas de Ichigo, e por fim esticou o braço com a lâmina até seu máximo, sentindo os dedos soltarem o cabo preto quando a mão aberta do ruivo golpeou-lhe o local entre o queixo e o ombro, fazendo a saliva escorrer até o pescoço dele, conforme caía de encontro ao concreto.
Puxou a parte de baixo de sua blusa apoiando o braço ferido nela evitando que mais sangue brotasse dele, sujando-a com os últimos resquícios antes de coagulação começar. Viu os que caíram primeiro correrem tentando pegar os desacordados indo para fora do beco, e relaxou agora, voltando para dentro da loja, e lembrando-se de trancar as portas dos fundos.
— Ichigo?! – exclamou sua chefe vendo o sangue em suas roupas – O que aconteceu?!
- Uns daqueles arruaceiros que gostam de tentar invadir a loja pelos fundos.
- Você ta bem?! – perguntou Renji já se aproximando ao ouvir a voz exaltada da mulher, e a aglomeração dos poucos clientes em cima de Ichigo, fazendo as mesmas perguntas.
- Meu braço só está doendo. Acho que vou ter de levar uns pontos.
- Você acha? – ironizou Renji.
- Vou pegar o kit de primeiros socorros. – a mulher foi até a parte do estoque voltando em poucos minutos com a caixa branca.
- Tudo bem, pode deixar que eu faço. – interrompeu Renji pegando a maleta das mãos dela – A loja precisa de você agora, eu fico com ele.
- Pode ir, eu vou ficar bem.
- Tem certeza Ichigo?
- Certeza.
Ainda relutante, ela foi para o balcão acalmar a platéia e continuar o atendimento, enquanto eles ficavam na parte de trás. Renji pegou um par de gazes, e álcool. Molhou um punhado de algodão com ele tirando o excesso e voltando-se para Ichigo:
- Vai arder.
- Eu sei. – respondeu fechando os olhos em seguida, sentindo a pele queimando com o produto, e a ferida parecendo reabrir-se, sem conseguir evitar um rápido, porém sutil, urro de dor. Agarrou sem querer a mão de Renji fazendo-o parar em seguida.
- Calma, falta pouco. – disse tentando acalmá-lo.
- Tudo bem, pode continuar.
Ele o fez e o ruivo revira-se na cadeira mesmo que Renji fosse o mais delicado possível, sabia que aquilo deveria ser horrível; afinal já havia passado por situações assim antes. Via suas expressões de dor, sem se conformar com isso, com uma pequena raiva surgindo nele.
- Se eu tivesse ouvido os sons da briga... – comentou por alto – Eu teria ido te ajudar na hora.
- Não foi culpa sua. De vez em quando isso acontece por aqui, só não sou ferido assim normalmente.
- Talvez se eu estivesse lá...
- Já disse: a culpa não foi sua, deixa de ser paranóico.
Dando de ombros, Renji terminou de enxugar os arredores de seu braço esticando a gaze para enfaixá-lo.
Tirando o casaco da frente Grimmjow via a hora no relógio dirigindo para o trabalho de Ichigo. Meio dia e vinte. Chegaria mais cedo do que o combinado, mas pelo menos poderia ficar com ele mais tempo. Estacionou dois quarteirões de distância, pois não tinha nenhuma vaga mais perto do que isso. Fechou as portas parando ao lado de uma delas puxando um cigarro do bolso; sabia que Ichigo não gostava de vê-lo fumando, e era melhor fazer isso antes. Deu uma tragada bem funda, voltando o olhar para o outro lado da rua. Um baque. Aquele cara careca de antes... O mesmo que o havia encurralado na faculdade dias atrás. Corriam desesperados na direção oposta a loja. Estavam bem feridos, e pareciam estar com medo, mas ainda assim... Ainda assim alguma coisa não estava certa. Ao invés de ir até eles esclarecer as coisas, deixou o cigarro cair disparando para a loja, sem importar-se com o trânsito.
Quase quebrou as portas de vidro devido à sua lentidão em abrir, e ao entrar procurou rápido com os olhos por Ichigo. Ele não estava no balcão, a mulher o olhava com as sobrancelhas arqueadas, talvez por ele mesmo estar com as feições sérias e arfando devido à corrida. Nos fundos, um cabelo laranja parecia estar atrás de algumas estantes. Correu até ele, e parou no instante seguinte, vendo Ichigo sentado num banco de madeira, e Renji, à sua frente, terminando de amarrar a gaze em seu braço.
- Grimmjow?! – exclamou Ichigo ao vê-lo, mas sendo cortando em seguida.
- O que aconteceu?! – esbravejou, quase entrando no meio dos dois ao enxergar o sangue bem distribuído de sua blusa.
- Nada de mais... Uma briga.
- Briga?! Quando?! Quem te machucou?! Como foi isso?!
- Grimmjow calma! – falou, segurando seu pulso com a mão.
Com o susto ele parou, ordenando melhor seus pensamentos. Grimmjow respirou fundo, abaixando a cabeça, e esfregando o rosto em seguida.
- Eu estou bem. – prosseguiu Ichigo, assim que ele relaxou – Foi há uns quinze minutos, um grupo de caras queria invadir a loja pelo beco que dá acesso ao estoque. Já aconteceu outras vezes, por isso que eu disse que não foi nada de mais.
- Como não?! Você ta ferido. – apontou para seu braço, reparando que só agora Renji soltara a mão dele... Autocontrole, não era o momento certo para explodir por causa disso.
- É, eu me descuidei um minuto. Mas te garanto que eles saíram mais machucados do que eu. – falou tentando fazer graça, mas desistiu do sorriso, ao ver que não obteve sucesso.
- Melhor eu devolver a caixa para sua chefe. – disse Renji por alto se levantando, tendo seu lugar rapidamente ocupado por Grimmjow. Ainda manteve o olhar nos dois até ficarem fora de seu alcance, quando já estava perto do balcão.
- Eu ia vir mais cedo. – falou o maior, apoiando o cotovelo na perna, deixando a mão pousada na testa – Eu sabia que devia ter vindo mais cedo! Alguma coisa me dizia que...
- Grimmjow. – o ruivo o cortou puxando sua mão da frente de seu rosto, fazendo seus olhares se encontrarem.
Era a primeira vez que ele agia dessa forma, preocupado, alarmado com sua segurança, estourando por nada. Uma parte sua queria acalmá-lo, afinal, não havia realmente sido uma situação muito séria, porém outra ficava extremamente feliz com aquilo.
- Isso não foi culpa de ninguém. – continuou, agora escorregando os dedos até os dele, fazendo suas mãos se unirem ao lado da parte de trás das cadeiras, longe dos olhares curiosos – Já disse que essas coisas acontecem aqui na lojinha; não vai ser a primeira nem a última vez que tentaram assaltar aqui. Eu já fiz aulas de luta, lembra? Sei como me livrar deles.
Grimmjow respirou fundo, mais uma vez. Não era bem por isso que havia se preocupado dessa forma. Quem fez isso com ele, quem perseguiu Ichigo dessa forma, tinha sido a mesma “gangue” que o atacara... Tudo porque queriam se vingar dele, porque queriam bater no desgraçado que tinha arruinado a pequena organização criminosa deles. Afinal, não sabiam naquela época que estavam roubando informações de alguém tão influente quanto ele. Mas agora, por causa dessa sua importância, estavam perseguindo as pessoas próximas à ele, que não existiam, até Ichigo aparecer.
Se iria se afastar dele? Não podia mesmo que quisesse, pois sua única vontade maior era ficar o máximo de tempo possível com Ichigo. Além do mais, se o fizesse, confirmaria as suspeitas desses caras, que com certeza, procurariam mais confusão. Por sorte, Ichigo não é nenhum garotinho indefeso. Isso até chegava a satisfazê-lo um pouco, afinal não estava com um inútil qualquer. E também, ficando mais próximo dele, poderia impedir que algo assim acontecesse de novo.
- Me deixa te levar para casa. – falou depois de tanto pensar – Seu pai precisa ver isso.
- Desde quando você se tornou responsável? – brincou, vendo agora um rápido sorriso nos lábios de Grimmjow.
- E desde quando você fica se metendo em brigas?
- Touché. – riram, indo até o balcão da loja.
- Pode ir na frente. – comentou Ichigo antes de sair – Eu tenho de falar com minha chefe antes.
- Vou trazer o carro até aqui enquanto isso.
Acenando para ele, Ichigo o viu virando a esquina, indo agora pedir uma dispensa mais cedo para a mulher.
- Você é estúpido por acaso? Claro que você pode ir mais cedo, que idéia! Vai se cuidar, moleque burro!
- Ta bom, não precisa me tratar com tanto amor assim!
- Você vai com o Grimmjow? – comentou Renji por alto ouvindo a conversa do lado deles.
- Vou, ele já ta trazendo o carro.
- Nesse caso, acho melhor eu ir também. Já te aluguei demais por hoje.
- Que nada, você quem me ajudou com o curativo.
- Vê se não abre os pontos depois. – riu caminhando até a entrada, e parando debaixo das portas automáticas que se abriram à sua proximidade, dizendo de costas para ele – Talvez eu volte aqui outras vezes, afinal agora eu tenho um bom motivo para fazer essa caminhada de manhã.
Ichigo ficou com um olhar de interrogação na direção dele conforme ia embora, que logo foi esquecido ao ver o carro de Grimmjow chegando à frente da loja. Despediu-se de sua chefe, e foi até ele, com o braço ferido apoiado na altura de sua barriga. Doía movimentá-lo muito.
- Filho você já foi mais cuidadoso. – comentou Isshin já fazendo os pontos no braço de Ichigo, que estava sentado na maca de sua pequena clínica.
- Eles eram quatro, pai, quatro! – exclamou mostrando os dedos à ele com o número.
- Acho melhor você voltar a praticar artes-marciais. – falou Karin, ajudando com as gazes sujas.
- Não enche! Eles saíram em pior estado do que eu!
- Ichigo-nichan, ta doendo muito? – perguntou Yuzu, segurando a bandeja com o algodão.
- Ta tudo bem, eu to com anestesia, e vou tomar um remédio para a dor.
- Aliás, obrigado por trazê-lo, Grimmjow-kun. – Isshin voltou-se para ele, vendo-o sair de seu transe do canto da sala e indo até eles.
- Não há de que, afinal, o Ichigo também me trouxe aqui quando eu me machuquei.
- Por falar nisso, como estão as luxações?
- Sararam quase todas, obrigado.
- Fico feliz; me passe outra gaze, Karin-chan.
- Quanto tempo vou ficar com esses pontos? – indagou Ichigo, quando seu pai já chegava ao final deles.
- Duas semanas, no máximo. Tem sorte que seu corpo sempre se regenerou rápido, e o remédio também vai ajudar na cicatrização.
- Vai ficar com marca? – perguntou Karin.
- Não, o corte nem foi tão fundo assim, e a pomada também evita isso.
- Pena, ia ser legal se o Ichi-ni ficasse com uma cicatriz para lembrar o quão burro ele foi.
- Cala a boca.
Yuzu acompanhou o riso dos três, enquanto Grimmjow ainda preocupava-se em como agir sobre essa situação toda. Depois de quarenta minutos, e trinta e sete pontos, Ichigo estava liberado, com um novo curativo, e uma blusa limpa. Saíram depois do almoço devido a insistência de Yuzu e de seu pai, estranhamente animado com tudo aquilo; quase como se fosse normal esse tipo de coisas acontecer com o filho. Foram depois para qualquer lugar com bastante movimentação, mas que também fosse calmo; um bar fechado, mais arrumado, onde podiam sentar na mesa o dia todo, só bebendo e comendo petiscos.
- Ainda está pensando sobre mais cedo? – indagou o ruivo vendo Grimmjow voltar-se para ele surpreso.
- Não... São... Outros assuntos. Aqueles problemas de família. — mentiu ouvindo o “hmm” de Ichigo.
Tomou o resto de sua bebida num gole descendo o copo sobre a mesa. Ah! Foda-se. Se ficasse fritando seu cérebro sobre uma coisa que já aconteceu, e matutando o que fazer sobre ela ia acabar perdendo o final de semana, além do mais, não sabia trabalhar sobre pressão; o que importava era que Ichigo estava bem agora, e com ele por perto, sabia que não aconteceria de novo. Aliás, pelo estado que viu a gangue fugindo, sabia que a surra do ruivo não seria esquecida tão cedo.
- Quer fazer o que depois daqui? – perguntou Ichigo terminando de beber o refrigerante; ele não mudava mesmo seus gostos.
- Se lá, quem sabe dar uma volta, ou então...
Sorriu deixando Ichigo apreensivo; já sabia o que ele queria olhando-o daquela forma. Realmente, seu humor mudava com uma facilidade tremenda, e até mesmo assustadora em certo ponto. O pegando pelo pulso bom, foi o levando até a parte superior do bar, que estava praticamente vazia á essa hora da tarde. Chegaram a um canto mais escuro, onde apenas uma luz violeta mais á frente iluminava o local; era um ambiente fechado, sem luz natural alguma, reservada justamente para os casais. Nem dava para ver a cor vermelha berrante das poltronas e dos assentos das cadeiras. Logo na entrada ficava apenas um pequeno bar, rodeado pelas caixas de sons, com uma música alta e repetitiva, mas agradável.
- Grimmjow... Eu já falei sobre os lugares públicos. – sussurrou perto dele, ao pararem num corredor mais escondido.
- Relaxa, não dá pra ver nada aqui a não ser que alguém esteja a vinte centímetros de distância.
Encurralou-o na parece, tomando o máximo de cuidado possível para não tocar seu braço ferido, mas dessa vez o surpreendeu: virou-o de costas, prensando sua cintura na parte de trás dele.
- Grimmjow! – exclamou com o repentino movimento e virando seu rosto para ele, mas fora calado em seguida com o beijo, deixando a língua dele entrar em sua boca, e remexer-se com a sua.
- Deixa eu cuidar de você hoje, Ichigo... – falou rente ao seu ouvido, vendo suas feições se contorcerem, e mesmo na escuridão dali sabia: ele tinha ficado corado. Sorriu.
Uma de suas mãos foi para a parte da frente, subindo por cima da blusa, indo de seu abdômen para seu peito, lentamente, chegando ao seu queixo e o segurando, fazendo seu rosto ir para o lado e expondo seu pescoço á ele. Lambeu da parte mais baixa até a mais próxima de sua bochecha, repetindo o caminho de volta.
- Seu braço está doendo? – perguntou no meio das carícias.
“Droga!” Pensou Ichigo. “Pare de se preocupar tanto assim comigo, ou então eu não saberei como dizer não á você!”
- Estou bem... – falou em um sutil gemido, desconcertado com a situação.
- Apóie-o na parede, assim não vai se mexer tanto.
Levou-o a fazer o movimento, tornando a abocanhar seu pescoço. Como tinha vontade de deixar uma marca roxa bem grande ali, mas sabia que se o fizesse seria repreendido; pena.
Ainda segurava seu queixo para assim ter uma visão das feições dele. Apesar de negar tanto, Ichigo gostava quando faziam esse tipo de coisa. Ta certo que não podia abusar da boa vontade dele para sempre, mas num ambiente como o qual estavam, era impossível alguém os encontrar ali, e se o fizesse, nem os atrapalhariam.
Foi se achegando para mais perto dele enquanto mordiscava seu pescoço, até seu peito encostar contra a parede, sem mais nenhum espaço para ele empurrar Grimmjow para trás, que forçou mais ainda o volume já desperto da parte de baixo de sua calça, roçando-o rente as nádegas do ruivo.
De novo, outra sensação estranha que experimentava com Grimmjow. Ele sabia como provocá-lo, e acima de tudo, como o fazer sentir prazer. Só de ter a boca dele encostando-se na sua pele, um arrepio longo se estendia pela sua espinha, implorando por mais. As coxas dele passavam por entre as suas às vezes, brincando com elas. Queria virar o tronco para poder beijá-lo, pois era como se sua boca pedisse por isso, mas o maior não o deixava ainda se deliciando com as reações exageradas ele.
Entre um espasmo e outro, Grimmjow excitava-se cada vez mais, assim como também o fazia com Ichigo. Soltou seu queixo vendo-o descer a cabeça para frente, provavelmente por estar sem fôlego, e tornou a pousá-la sobre seu abdômen, erguendo sua blusa dessa vez. Ele não tinha o corpo muito forte e robusto, mas com certeza era bem definido. Podia sentir as marcas ressaltadas na barriga do ruivo. Deslizou os dedos para seu peito, e dessa vez pôs-se a se divertir com os mamilos já enrijecidos dele, rodopiando ao seu redor, e de vez em quando os puxando um pouco.
Ah! Aquilo era bom! Na mesma hora em que o tocara, Ichigo não pode se conter em soltar um gemido. As pernas cambalearam, quase sem forças para continuar de pé, e ainda assim queria continuar com aquilo. Seu peito já inflava clamando por mais ar para poder mantê-lo ali, e a mão de Grimmjow acompanhava a agitação descompassada dele. Sua cintura encostava-se na sua, dando uma espécie de sustento, até o maior enfiar uma das suas pernas no meio das dele, a fim de senti-lo melhor;outro espasmo, um gemido contido, e finalmente, ele tinha chegado ao seu limite.
- Grim... Grimmjow... – falou ainda gemendo – Eu... Eu quero...
- Quer o que? – perguntou encostando a boca de propósito em sua orelha, passando a língua por entre as saliências dela.
Mordendo os lábios e tentando ao máximo esconder o rosto avermelhado, o ruivo não se conteve, puxando a mão de Grimmjow que estava apoiada na parede, e a levando para a frente de sua calça, onde ele pode sentir o membro dele já excitado, latejando, pedindo por alívio.
- Eu quero... – continuou – Quero aqui... – terminou num tom de voz bem baixo sentindo até mesmo as orelhas arderem de vergonha.
Grimmjow sorriu. Teria soltando um riso de satisfação naquele momento, se não soubesse que isso poderia fazer o garoto desistir daquilo. Apertou o pano da calça jeans dele, vendo-o contorcer o corpo, enquanto as pernas tremiam num reboliço de emoções incertas. Continuou as brincadeiras em seu peito, o que parecia o estar animando mais ainda, começando a desabotoar o botão dele, ao mesmo tempo em que forçava seu próprio volume contra a parte de trás.
O som do zíper descendo fez-lo lamber os cantos da boca, passando a morder do pescoço, até o ombro de Ichigo, empurrando a manga de sua blusa para o lado. A pele branca ficava vermelha, voltando a ter a tonalidade normal depois de alguns segundos, para então ser atacada novamente. Abaixou o pano da parte de baixo, sentindo melhor agora o membro do ruivo, já gotejando de prazer. Agarrou-o com vontade, começando com os movimentos lentos, até chegar a cabeça para trás, sentindo alguma coisa tocando-lhe na mesma parte de sua calça.
- Você também... – disse Ichigo voltando o rosto extremamente corado para ele, mas com o olhar cheio de desejo.
Gemeu agora ao sentir Ichigo apertando-lhe ali tão repentinamente, encostando sua testa no ombro dele. Aquela sensação, os dedos dele, a expressão de vergonha e prazer quando se voltou para trás! Merda! O ruivo conseguia excitá-lo cada vez mais só com simples ações como essa. Segurou com mais afinco o membro dele, querendo agora fazê-lo gritar por seu nome, enquanto ao mesmo tempo arfava ao ter sua calça já aberta. O pano mais fino da cueca já estava encharcado depois de tudo aquilo, mas antes que o deixasse continuar, retirou a mão de seu peito, pegando o pulso dele e o segurando contra a parede, deixando-o completamente de costas agora.
- Grimmjow?! – exclamou o ruivo, deixando o gemido abafado sair de sua garganta quando ele continuou os movimentos de vai e vem em seu falo.
Grimmjow o prendia agora, inebriado com o cheiro dele, com os sons dele, deixando-se levar cada vez mais pelas emoções. A calça do ruivo caiu um pouco revelando mais ainda as nádegas dele, onde tratou de roçar seu membro, ainda preso dentro da cueca.
Mesmo estando preso assim por ele, mesmo que não pudesse se livrar de seu abraço, mesmo que sua razão o dissesse para cessar aquilo, Ichigo não conseguia mais responder a ela. Queria Grimmjow, queria que ele fizesse aquilo, queria que ele continuasse a excitá-lo, a lhe dar prazer, a tomá-lo daquela forma tão violenta, mas ao mesmo tempo carinhosa; pois até agora, ele não o tinha forçado a nada.
A mão que segurava o pulso de Ichigo na parede foi deslizando conforme os movimentos deles aumentavam, até encontrar os dedos do ruivo entrelaçando as duas mãos.
- Ichigo... – falou o maior com a voz já fraca, levando sua cintura para cima e para baixo, roçando-se cada vez mais nele.
O Ruivo sentia seu volume um pouco acima da parte de trás de seu corpo, e depois ele descia, parando um pouco abaixo de seu cóccix, numa agitação frenética, quase que involuntária. Os dedos da outra mão do maior ainda não deixavam de mover-se, indo da ponta até a parte mais grossa de seu membro, aumentando agora de velocidade. Mordia os lábios tentando não parecer tão escandaloso, e isso ficava cada vez mais difícil de conter.
- Ichigo... Meu nome... – falou o maior erguendo a cabeça e encostando a boca em seu ouvido – Diga meu nome.
Ah! Merda! Isso o estava deixando louco! Porque o ruivo não falava de uma vez?! Porque ele não gemia por seu nome como das outras vezes?! Porque estava se segurando tanto?! Era porque estavam num lugar público? Era por isso que ele tivera que pedir, quase implorando por isso desse jeito à ele?! Como... Como ele conseguia o dominar dessa forma?!
A voz de pidão do maior, os sussurros dele, os gemidos aleatórios, o toque dele, cada uma dessas coisas mexia com todos os sentidos de Ichigo sem que esse pudesse evitar. Respirou fundo, tomando conta de sua fala o máximo que pode, e voltou o rosto envergonhado para trás encarando os olhos de Grimmjow; estavam assim como os dele, cheios de cobiça, ansiando um pelo o outro, ignorando qualquer outra coisa que estivesse à sua volta. E disse finalmente, no meio daquelas reações tão inesperadas e saborosas:
- Grimmjow... Grimmjow!
O maior sentiu o coração se acelerar com aquilo. Juntou seus lábios com o dele, mas não se conteve, soltando-os no instante seguinte, sentindo o espasmo tomando conta de seu corpo conforme o líquido escorria de dentro dele, molhando ainda mais o pano de sua cueca, e fazendo-o forçar seu membro com mais vontade nas nádegas do ruivo.
Mesmo que houvesse aquele tecido entre a pele dos dois Ichigo pode sentir Grimmjow jorrando naquela parte dele, ao mesmo segundo em que gemeu cerrando os olhos, e de seu próprio falo o líquido quente escorreu pelos dedos de Grimmjow que só agora pararam de se mover.
Os dois arfavam, sem ar, sem forças, e acima de tudo sentindo o prazer tomar conta deles. As mãos juntas na parede se soltaram, e o ruivo foi virando-se com cuidado para frente, já que agora Grimmjow o permitira. O maior encostou suas cinturas, pousando sua testa sobre a dele. De certa forma, controlava-se para não continuar com aquilo, já que seu corpo pedia por mais de Ichigo, desejava ele. Erguendo sua mão boa, ele tocou no rosto de Grimmjow sentindo a respiração dele sobre sua boca, até colocar sua língua para fora, lambendo lentamente seu lábio inferior, indo de uma ponta a outra, passando a tocar o de cima, até finalmente o maior juntar suas bocas puxando seu cabelo pela nuca, e jogando a cabeça dele para trás, afogando-se o máximo possível nele.
Pararam para respirar até Ichigo lembrar-se, finalmente, que sua calça ainda estava aberta, empurrando um pouco Grimmjow para frente e ajeitando-se, agora com o rosto tornando a corar um pouco.
Grimmjow fez o mesmo com sua roupa, apoiando o cotovelo na parede, e pondo a mão sobre sua testa com o corpo voltado para Ichigo.
- Quer dar uma volta agora? – falou com o sorriso nos lábios, vendo as sobrancelhas arqueadas de Ichigo o encararem.
- Sabia que você é um sádico, egocentrista?! – exclamou, vendo o maior rir
.
- Eu sei, mas sou só assim com você.
Abaixando a cabeça, de certa forma surpreso e lisonjeado, Ichigo foi o empurrando até sair daquele canto escuro, indo para frente dele.
- Você vem, ou não?! – falou alguns metros adiante encarando ele, que vinha com as mãos dentro dos bolsos da jaqueta e sem tirar aquele sorriso vitorioso do rosto. Como aquilo o irritava!
Mas talvez... Talvez hoje ele também pudesse sorrir um pouco, também com sua própria vitória. “... Sou só assim com você.” Suas feições tornaram-se mais serenas com aquilo.
- Que foi? – indagou Grimmjow ao ver seu rosto.
- N-nada! Para de ficar empacando no meio do caminho e vamos logo!
Grimmjow continuou insistindo por mais alguns minutos, mas Ichigo negou-se a respondê-lo. Como poderia contar a ele que ficava feliz quando ele dizia essas coisas?
Numa sala de escritório, longe dali, Aizen olhava para os papéis que havia entregado a Grimmjow no almoço do outro dia. Tomava calmamente uma xícara de chá enquanto lia as palavras dele.
- Como estão os documentos? – perguntou Gin, trajando o típico kimono do templo, sentado no sofá mais afastado da sala.
- Melhor do que esperava. – respondeu depois de tomar outro gole – Mas ainda assim ele cometeu alguns pequenos erros que nunca tinha feito antes.
- E isso é um bom sinal?
- Com certeza. – sorriu pousando a xícara no pires – Ele está ficando cada vez mais distraído com aquele garoto por perto.
- Soube que mandou aquele grupo que estava roubando informações da empresa atrás dele hoje.
- Foi fácil convencê-los, afinal depois de perderem todo seu dinheiro e da briga que tiveram com Grimmjow-kun tudo o que queriam eram uma chance de se vingar dele. Apesar de que depois de ouvir o resultado na sua ligação o garoto parece ser mais astuto do que eu pensei.
- Quando vai por seu plano em ação?
- Paciência Gin. Agora tudo é uma questão de tempo.
- Como assim senhor?
Ele retirou os óculos pondo-os sobre a mesa e voltando-se de novo para Gin com o olhar mais frio:
- Quanto mais tempo ele ficar perto de Kurozaki Ichigo, mais rápido ele será traído pelos próprios poderes do clã dele.
- Então... Ele realmente tem um ponto fraco?
- Até então ele não o possuía, mas por causa desse garoto ele deixou sua guarda aberta. Afinal, esse dom não poderia vir sem um preço a se pagar, e Kurozaki está facilitando cada vez mais as coisas para isso acontecer.
- E quando isso ocorrer, como pretende agir?
- Há um tempo eu já havia pensado em forjar outro testamento escondido dos pais de Grimmjow-kun, mas isso seria óbvio demais. A única maneira até então de obter o que eu queria era fazer com que o próprio herdeiro passasse as ações da empresa para mim.
- Não acho que ele desistiria do legado dos pais dele com tanta facilidade assim.
- Sim eu também sei disso. Por isso que agora com Kurozaki Ichigo perto dele eu tenho mais espaço para trabalhar sem que ele me atrapalhe, ficando de olho como antes.
- Então é como o senhor disse: é tudo uma questão de tempo.
- Exatamente Gin. Basta ele se entregar um pouco mais, e em breve... Ele sucumbirá aos próprios poderes dele, aos seus próprios desejos. E quando isso acontecer... Quando a atenção dele estiver completamente voltada para esse garoto... Será fácil demais conseguir o que eu quero dele.
A fumaça do chá subiu aos poucos embaçando as lentes de seus óculos sobre a mesa. Pegou-os gentilmente limpando-os na barra da camisa. Olhou para a janela do escritório vendo o movimento acelerado da rua. Deixou o sorriso escapar de novo dos lábios, enquanto apreciava o quanto seus planos funcionavam cada vez mais perfeitamente, e como todos os presentes nele dançavam em suas mãos.
Continua
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