Maid Café Yaoi
5 Capuccino Frozen
Notas iniciais
Aqui estamos nós, no Maid Café Yaoi, colocando Fanservice em prática. Já se passou um tempo desde que Kaya começou a trabalhar conosco, e confesso que ele pegou o jeito bem mais rápido do que eu imaginava. E Naoto e Mizuki? Estão cada vez mais íntimos e arrancando cada vez mais gritos.
Os dois realmente não perdem tempo, assim que o dia começa já iniciam com o Yaoi. Estávamos na metade do dia ainda, e então os dois foram de preparar para mais uma cena:
– Já terminou seu pedido, Senhorita? – Perguntou Naoto a uma cliente.
– Ah, sim! – disse ela entregando o prato para ele – Pode levar, por favor!
Naoto pegou o prato e foi se dirigindo para a cozinha, quando no meio do caminho, ele tropeçou e se desequilibrou, mas não caiu. Não sei se aquilo foi de propósito ou realmente foi acidental. Apostei que era proposital, pois logo Mizuki apareceu para segurá-lo.
– Caramba... Você é muito desastrado – disse Mizuki enquanto ajudava Naoto a se recompor.
– Cala a boca! – disse Naoto bravo, enquanto ajeitava o cabelo.
De repente Mizuki começou a rir olhando para o rosto de Naoto.
– O que está olhando, idiota? – disse ele
– Seu rosto... Está sujo de creme – riu novamente.
Ele deveria ter se sujado quando ajeitou o cabelo, pois antes estava segurando um prato de bolo de creme com aquela mão.
– Arg! Droga! – reclamou Naoto.
– Vem cá, deixa eu te limpar... – sussurrou Mizuki sensualmente, mas alto o suficiente para que as garotas que estavam olhando escutassem.
E com isso, Mizuki simplesmente lambeu o rosto de Naoto, na bochecha, um pouco perto da boca. Naoto arregalou os olhos e corou, enquanto as garotas explodiam em gritos.
– O... O que você... – gaguejou Naoto
Mizuki apenas riu e puxou-o para perto de si pela cintura, dando-o um beijo rápido. Até tapei meus ouvidos por causa do escândalo do local. Ultimamente eles têm dado selinhos o tempo todo. Não que seja estranho, eles apenas querem fazer as garotas gritarem para que continuemos vendendo muito. Esses beijos são completamente técnicos...
Confesso que fico até com um pouco de inveja. Eu também gosto de fazer as meninas gritarem, mas é difícil porque eu e Katsuo não somos tão íntimos quanto eles. Mas claro, de uns dias para cá melhorou bastante.
Katsu-chan, parecendo ler meus pensamentos, se aproximou de mim me abraçando por trás e dando leves beijinhos na minha bochecha. É, ele perdeu a timidez em fazer isso, o que me deixa feliz.
Apoiei minha cabeça em seu peito e coloquei minhas mãos em cima das suas. Balançávamos nossos corpos juntos, enquanto as Fujoshis soltavam vários “own’s”. Não sei por que, mas eu me sentia bem com os carinhos dele.
Kaya me deu outro beijo, mas dessa vez na cabeça. Depois disso, comecei a me sentir estranho. Tem um tempo já que estou me sentindo estranho quando Katsuo se aproxima de mim. Eu fico nervoso, meu coração dispara, e eu tenho vontade de não sair dos braços dele. Isso nunca aconteceu com Ichiro. O que está acontecendo comigo?
– Shun-chan! Katsu-chan! – uma garota da mesa ao lado nos chamou.
– Hai? – perguntei.
Kaya se soltou de mim. Não queria que ele me soltasse, mas tínhamos que atender aquela cliente. Aproximamos-nos dela para saber qual era seu pedido. Porém, não era um café, nem um doce:
– Se beijem?
– Hã??? – nós dois falamos ao mesmo tempo.
– Eu nunca vi um beijo de vocês – ela fez biquinho – Naoto e Mizuki se beijam o tempo todo, porque vocês não podem?
– Isso é porque... – Katsuo parecia muito envergonhado. Ele ficava ajeitando os óculos sem parar, sinal de que está nervoso.
Eu também corei, não sabia o que responder. Eu sabia que Katsu-chan era tímido e seria difícil para ele, mas eu queria fazer as garotas gritarem. De repente comecei a me questionar: Será que fazer as garotas gritarem é meu único motivo de querer beijá-lo?
– Por favor! – a menina fez um olhar pidão.
– Katsu-chan... – usei minha típica voz fofa, olhando para ele e fazendo um biquinho insinuador.
Ele ficou muito vermelho, mas fechou os olhos e foi se aproximando de mim bem devagar. As garotas olhavam atentamente, quase sem respirar.
Nossas bocas estavam tão próximas... Eu estava nervoso, meu coração batia rápido, e eu não entendia por quê. Era só um beijo de mentira, por que eu estava me sentindo assim?
Mas de repente, algo nos fez parar. Ouvimos um grito vindo da cozinha. Um grito feminino, mas especificamente, de Okami. Primeiro senti raiva, nós estávamos tão perto! Mas depois fiquei preocupado. O que houve com Okami?
Foi aí que Okami saiu da cozinha e foi para perto de nós com um celular na mão. Ela parecia muito feliz e empolgada.
– Olha gente!!! – ela gritou para mim, Naoto e Mizuki, mas todas as clientes ouviram – Olha essa foto! É uma nova banda de K-pop! Têm dançarinos no fundo! E olha só quem tá aqui!
Rapidamente olhei para o celular, e entendi porque ela estava gritando tanto. Era Ichiro, com seus mesmos cabelos azuis, usando roupas muito estilosas, no plano de fundo, junto com outros dançarinos.
Naoto e Mizuki foram correndo para ver também, e logo uma multidão de garotas rodearam Okami para poder ver, aliás, várias delas conheciam o Ichiro de quando ele ainda trabalhava aqui.
– É o antigo garçom que trabalhava aqui? – Perguntou Kaya, com uma cara não muito feliz.
– Sim! O antigo Seme do Shun-chan! – disse uma menina.
As garotas ficaram comentando o quanto Ichiro era lindo e como sentiam falta dele, enquanto Katsuo estava de cabeça baixa, um pouco afastado da roda. Fiquei meio preocupado. Será que ele se sentia sem valor por ser um substituto?
Okami se cansou do tumulto e mandou todos voltarem aos seus lugares. Aproximei-me de Katsu-chan e perguntei sério:
– Tá tudo bem?
– Hm? Tá... Por quê? – respondeu
– Você tá com uma cara triste.
– Não é nada... – ele ajeitou os óculos ao ouvir a porta se abrindo – Vamos, temos mais clientes para atender.
Kaya ia andando em direção à porta, quando de repente ele congelou. Ficou completamente imóvel e com os olhos arregalados. Segui seu olhar para ver o porquê dele estar assim, e também fiquei surpreso.
Era Miwa, a ex de Kaya que tinha acabado de entrar no Café. Eu imaginei que ela voltaria aqui uma hora ou outra, mas será que ela sabia que Katsuo estaria aqui?
Katsu-chan tentou disfarçar o susto, porém sua cara não melhorou muito quando Miwa veio em nossa direção.
– Katsuo? – perguntou ela surpresa – O que está fazendo aqui?
– E-eu... Trabalho aqui – respondeu ele, sem olhar nos olhos dela
– Sério? – ela deu um risinho – Que surpresa! Ah, olá Shun! – ela sorriu para mim – É bom te ver de novo!
– Olá Miwa! – respondi com um sorriso amarelo
Ela então foi para uma mesa. Eu não entendi como eu estava me sentindo naquele momento. Sempre gostei de Miwa, ela era legal comigo, mas de repente comecei a desejar que ela não estivesse aqui. Ela deixava Katsu-chan mal, e eu não gosto de vê-lo mal. Ou será que isso era... Ciúmes? Não! Claro que não!
Kaya tentou se recompor e voltou a atender as mesas, fazendo o possível para não dar de cara com Miwa. Ela, por sua vez, ficava olhando para ele e fofocando com as garotas da mesa.
Comecei a sentir raiva. O que ela estava falando dele? Se estivesse falando mal, eu ia voar nela! E se estivesse falando bem também!
De repente comecei a me condenar por pensar assim. Eu realmente estava com ciúmes? Mas de quem? Do Katsu-chan que não era, com certeza!
Por impulso, decidi que era hora de fazer uma cena de Yaoi. Fui até Kaya e segurei suas mãos.
– Katsu-chan! – falei com voz manhosa – Por que você está assim? Eu gosto de te ver sorrindo. Seu sorriso é lindo!
Kaya meio que me fuzilou com os olhos. Dava até para ler seus pensamentos: “O que você está fazendo? Justo agora?”. Porém, ao ver que as Fujoshis observavam atentamente, ele não podia sair do personagem.
– Ah... Eu já disse que estou bem... – respondeu, abaixando a cabeça.
Sem soltar suas mãos me aproximei dele e o beijei. Foi apenas um selinho, bem rápido. Realmente não sei por que fiz isso. Eu já estava com vontade de beijá-lo quando Okami interrompeu. Mas acho que teve um motivo maior que eu realmente não conseguia entender.
As garotas explodiram em gritos. Gritaram muito mais do que com Naoto e Mizuki, provavelmente porque nunca tinham visto um beijo nosso. Olhei para Miwa, ela estava rindo e surpresa como todas as outras.
Kaya arregalou tanto os olhos que parecia que iam saltar para fora. Ele olhou para a plateia, e saiu correndo em direção à cozinha, sem falar nada.
– Katsu-chan! – gritei, correndo atrás dele.
Entrei na cozinha e o vi sentado em uma cadeira, com os cotovelos apoiados na bancada e as mãos apoiando a cabeça. Ele parecia em choque.
– P-por quê... Por que você fez isso? – disse ele seriamente, com a voz muito trêmula.
– M-me desculpe! – comecei a me sentir mal – Eu só... Queria fazer as garotas gritarem... E a menina tinha pedido, então... Desculpe, não sabia que você ia ficar assim...
– Não... – ele falou, perdendo a voz de maníaco, mas ainda na mesma posição – Não foi culpa sua... Não estou assim por causa do beijo.
– O que foi então? – me sentei na bancada, perto dele.
Ele olhou para mim, respirou fundo e disse:
– É por causa da Miwa... Eu... Ainda não a superei...
De repente comecei a sentir aquela raiva estranha de novo, que parecia ciúmes, mas definitivamente não podia ser ciúmes! E ao mesmo tempo pena, ele parecia muito mal...
– Sabe... – ele começou a desabafar – Eu já deveria ter esquecido ela há muito tempo. Mas eu não consegui... Porque eu ainda tinha um pouco de esperanças de que a gente ia voltar...
Ele suspirou e abaixou a cabeça novamente. Deixei-o prosseguir:
– Essas esperanças acabaram de morrer. Quando você me beijou, viu a cara dela? Ela estava... Sorrindo. Não sentiu nem um pouco de ciúmes, sinal de que já me esqueceu totalmente. E também, ela veio me cumprimentar, como se já tivesse superado nosso término... Aquilo me destruiu...
Respirei fundo. Ele parecia prestes a chorar, e aquilo estava me deixando triste também. Não gosto de vê-lo mal. Naquele momento eu queria fazer qualquer coisa para vê-lo sorrir, então pensei em uma coisa:
– Katsu-chan, vamos sair hoje?
– Hã? Sair? Pra onde? – ele me olhou confuso
– Não sei, qualquer lugar. Você precisa se distrair. Não posso deixar você triste assim. Sair um pouco vai ajudar você a superar.
– Ta bom... – ele respondeu, depois de pensar um pouco.
– Legal! – desci da bancada e fiquei na frente dele – Podemos ir ao boliche! Vamos chamar uma galera?
– Não! – se opôs – Você sabe que eu sou tímido, não me dou muito bem com grupos grandes. Levei séculos pra me acostumar com esse bando de garotas me olhando...
Eu ri, realmente ele era um fofo! Depois disso falei:
– Então vamos só nós dois assim que acabar o trabalho, mas temos que voltar a atender agora.
– Eu não quero voltar para lá... – disse ele, voltando a ficar desanimado.
– Tudo bem – eu entendia como ele se sentia – Fique aqui, quando ela for embora eu te chamo.
Ele concordou e então eu voltei ao trabalho. Miwa não demorou a ir embora. Na verdade ela nem comeu lá, apenas pediu um Cup Cake de baunilha para a viagem e foi embora. Logo depois chamei Katsuo e o dia se seguiu normalmente.
Assim que o expediente acabou, eu e Kaya trocamos de roupa e fomos direto para o boliche. Ele ainda estava com uma carinha triste, o que partia meu coração. Eu não entendia por que estava com aquela vontade extrema de vê-lo feliz.
Assim que chegamos ao boliche, escolhemos uma pista e pedimos batata frita. Aquela batata frita é o melhor do boliche! Vem com queijo cheddar derretido e Bacon! E de tanto conviver com doces, acabo necessitando de comida salgada.
– Acertei 8! – me gabei, assim que fiz o primeiro lance.
Katsu-chan riu e se levantou para jogar. Ele escolheu a bola mais pesada, ficou um bom tempo olhando para a pista e fez seu arremesso. E ainda por cima fez um Strike. Meu queixo caiu. Como ele acertou todos os pinos no primeiro lance?
– Impossível! Como você fez isso? – perguntei incrédulo.
– Lógica – respondeu apenas e voltou a sentar-se à mesa.
Sempre o achei com cara de intelectual! Fiquei irritado e comecei a jogar com tudo. O jogo se seguiu, e é claro que eu estava perdendo. Estava ficando zangado até acontecer algo que me fez ganhar o dia:
Kaya estava se preparando para sua próxima jogada. Pela cara que ele fazia, parecia que aquela seria “a jogada”. Mas quando ele arremessou a bola, escorregou e caiu sentado no chão. A bola acabou acertando só um pino.
Acho que nunca ri tanto em toda minha vida. Eu poderia ir até lá e ajudá-lo a levantar, mas eu estava ocupado de mais chorando de tanto rir. Ele se levantou e voltou para a mesa envergonhado.
– Ah, come batata aí! – ele enfiou um pouco de batata-frita na minha boca no intuito de me fazer parar de rir, mas foi em vão.
Apesar desse erro fatal dele, eu acabei perdendo mesmo assim. Jurei revanche e ele apenas riu. Quando ele tentava se achar o máximo, eu apenas o lembrava da queda, fazendo a moral dele baixar. Ele levou na brincadeira, e realmente, foi muito engraçado.
Saímos do boliche e fomos até uma praça que tem ali perto. Já estava de noite o e céu estava estrelado. Decidimos comprar sorvete em uma barraquinha da praça e começamos a caminhar, apenas para relaxar.
– Hoje foi muito divertido! – comentei sorrindo
– É... – respondeu ele, pensativo – Isso está parecendo um encontro.
Meu coração disparou e eu corei imediatamente. Eu não o chamei pensando nisso, mas realmente estava parecendo. E estava num encontro com Katsu-chan? Ai meu Deus...
– I-isso não é um encontro – gaguejei.
– Eu sei... – ele forçou um riso, mas estava com uma cara triste – É que isso me lembrou dos meus encontros com a Miwa...
– Ah... – suspirei – Eu te trouxe aqui pra você esquecer ela! Não pra ficar lembrando!
– Eu sei, me desculpe... – ele jogou o resto do seu sorvete no lixo e se sentou em um banco da praça.
Joguei meu sorvete fora também e me sentei ao lado dele, mas não falei nada. Fiquei apenas olhando para o céu e escutando o som relaxante dos grilos. Depois de um tempo, eu falei:
– Por que não tenta ficar com outra pessoa? Dizem que é o melhor jeito de superar um término.
– Não sei se consigo... Mas estou pensando nisso. Ultimamente eu estou... Tão carente – ele novamente parecia que ia chorar.
– Carente? – dei um risinho – Seu trabalho é ser agarrado por mim a semana toda e você está carente?
– É... – ele riu também – Mas aquilo não é real, é só atuação. Você nunca me abraçou de verdade...
Fiquei olhando para ele surpreso. Por impulso, me aproximei dele e o abracei, bem apertado, dizendo:
– Agora é de verdade...
Ele retribuiu ao abraço e disse:
– Obrigado Shun... Obrigado por não me deixar sozinho...
– Você não vai ficar sozinho – comecei a acariciar os cabelos dele – Não só eu, mas todos da loja estamos com você.
Ele apoiou a cabeça em meu ombro e começou a chorar, bem baixinho, para que ninguém além de mim escutasse. Eu o apertei mais forte ainda. Sabia que estava sendo difícil para ele e queria fazer de tudo para alegrá-lo.
Ali, naquele momento, naquela praça, eu me sentia como se nada mais importasse. Com Katsu-chan nos meus braços e aquelas lágrimas quentes pingando em meus ombros, eu comecei a pensar: “se eu pudesse ser esse alguém que fizesse ele feliz, se pudesse estar ao seu lado para sempre... Eu estaria realmente muito feliz...”
Foi aí que eu confirmei o que estava me intrigando o dia todo. Eu já sabia, mas só não queria acreditar. Eu estava apaixonado pelo Katsu-chan...
E assim se passou um dia, fora do Maid Café Yaoi.
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