Maid-Café
13 Maid-Café. - Parte 13. FINAL - Água.
Notas iniciais

O barulho da porta do quarto batendo correu o corredor e chegou aos ouvidos dos dois parados ainda ali, fazendo com que Sakura desse um pequeno puxão no corpo comprimindo-o e imediatamente virando os olhos para Madara... sem reação alguma, apenas absorvendo tudo que havia acabado de ouvir do sobrinho... Como pode agir tão errado..? Como pode não perceber que estava sendo um completo idiota por todos aqueles anos..? Não importava quantas brigas havia tido com os garotos, Itachi era educado e respeitoso de mais para falar qualquer coisa daquelas, e Sasuke sempre irritava-se e saia a passos muito antes de pensar em dizer o que se passava em sua cabeça.. Oh, como foi tolo. Dedicou toda uma vida para juntar dinheiro para conseguir ganhar o afeto de seus sobrinhos, e tudo o que precisava fazer era justamente... não gastar seu tempo juntando dinheiro... Irônico não? No fundo, conforme os anos foram passando ele foi percebendo seu grande erro, mas era como um grande bola de neve, ele simplesmente não sabia como concertar aquilo, e talvez, ou certamente, seu orgulho não o deixava admitir seu erro... Mas ouvir aquilo da boca de seu sobrinho... com certeza partiu-lhe o coração em dois. Com esse pensamento fluindo como uma rajada de vento em sua mente, ele voltou os olhos negros a jovem ainda parada a beira da porta agarrada a caixa de bombons...
—Espero que goste. São da melhor confeitaria da cidade.
A voz do Uchiha era aquele tom triste e confidente que Sakura só havia visto ao lado daquela cama de hospital. Ele pôs-se a caminhar em direção a saída, pensando por um segundo em como havia sido rude com aquela garota que dedicou seus dias ao seu sobrinho, mas agora era tarde de mais... pelo menos era o que ele achava...
—Senhor Madara... por favor espere um instante...
A Haruno bateu a porta de entrada impedindo-o de sair do apartamento, e praticamente jogou os chocolates em cima do homem surpreso, correndo em direção ao corredor sem dar-lhe nenhuma explicação do motivo daquilo...
Sakura não bateu na porta, apenas colocou a mão na maçaneta e abriu-a, vendo o furioso Uchiha esfregando os cabelos, ela com certeza pensaria em como ele ficava lindo irritado daquela forma, mas estava focada de mais para isso. Fechou a porta atrás de si e aproximou-se de vagar, calculando em sua mente tudo o que falaria, e rezando para não atrapalhar-se no segundo seguinte que abrisse a boca...
—Sasuke... acho que não deveria falar assim com seu tio.
—Por favor, Sakura me poupe. — Ele virou-se, mas antes que pudesse fazer qualquer outra coisa ela continuou, com a voz firme e insistente...
—Não, falo serio. Você pode ter razão em tudo que disse, eu não convivi com vocês para saber.. Mas isso tudo que você falou... é passado. Algumas coisas mudaram enquanto você dormia...
—Por que está defendendo ele? O homem que te culpa por um acidente? Não se deixe enganar Sakura, ele faz essa cara de cão sem dono e depois manda a secretaria comprar flores e um cartão. - Madara realmente conseguia irritar Sasuke, apenas pronunciar o nome do tio alterava sua voz...
—Eu não estou defendendo-o... Mas, eu não posso garantir que se estivesse no lugar dele também não me culparia. -Os olhos negros dele se acalmaram com aquela confissão, e Sakura então continuou... — Você diz que seu tio nunca teve tempo para você ou seu irmão, que ele nunca lhe deu atenção ou carinho... mas está errado.
Sakura não sabia se tinha o direito de contar o que estava prestes a contar, mas de alguma forma ela sentia que precisava dizer aquilo, ela podia sentir o enorme carinho que havia entre aquela família e que estava cada vez mais rompido por causa do orgulho. E não podia simplesmente ficar parada ali olhando os três se afastarem. Aproximou-se mais dois passos do Uchiha, e com a voz solene e inundada de carinho ela começou...
—Todos os dias, sem faltar nenhum, o seu tio foi ao hospital. Todos os dias desde o dia do acidente, ele saia da empresa, almoçava no caminho e ia para o hospital, e ficava lá até o fim do dia quando eu chegava para ficar com você. Todos os dias Sasuke, ele sentou ao seu lado e conversou com você por horas esperando que você o estivesse ouvindo. Se isso não é carinho e afeição por alguém eu não sei o que seria. Mesmo sendo o dono de uma grande e importante empresa, que tenho certeza que tem muitos problemas a serem resolvidos, ele dedicou todos os dias a você por quatro meses.
—Ele... esteve lá..? — Sasuke parecia receoso em acreditar naquilo.. mas em algum lugar ele realmente queria que fosse verdade...
—Ele ama muito você Sasuke. Eu pude ver isso com meus próprios olhos. Eu pude vê-lo implorar para que acordasse. Esbravejar com os deuses e com o mundo pelo que aconteceu com você... Pude vê-lo pedir para esses mesmos deuses para que tirassem sua própria vida, mas que devolvessem a sua. Eu o vi chorar ao seu lado naquela cama, pedindo para que você abrisse os olhos, e o vi rir ao seu lado lembrando-se de coisas alegres que haviam compartilhado. Eu vi Sasuke, um tio que ama tanto seus sobrinhos que quando teve que cuidar deles estacionou sua própria vida para dar tudo de melhor a vocês, e que mesmo depois de se dedicar tanto não consegue se aproximar... Ele ama tanto você Sasuke, que eu pude sentir esse amor... Eu pude ver isso com meus próprios olhos... E eu quero que um dia, você sinta e veja o tamanho do amor que ele sente por você também!
Madara levantou-se rápido do sofá ao ver o sobrinho voltando à sala, sendo seguido de perto pela Haruno. Ele tinha que confessar que estava um pouco nervoso com o que aconteceria a seguir, afinal, ele não havia sido a pessoa mais gentil do mundo com Sakura, e era ela quem estaria tentando “salvar sua pele” naquele momento... Sentiu-se um tremendo babaca por isso alias. Mas todos esses pensamentos simultâneos em sua mente sumirão assim que Sasuke parou a sua frente, e com a voz visivelmente mais calma ele recomeçou...
—Eu não sabia que tinha ido ao hospital quando eu estava em coma...
—Obviamente eu iria estar lá Sasuke.
O homem pareceu completamente seguro de sua resposta, já Sasuke não tinha tanta segurança nisso, a presença do tio em momentos como aqueles nem sempre era uma realidade, na verdade o jovem Uchiha pegou-se pensando em momentos em que o tio esteve ao seu lado, e depois de alguns minutos juntando tais memorias, ele percebeu que em momentos de doença e afins o homem mostrava-se verdadeiramente preocupado, mas nem sempre presente. Agora, isso tudo não fazia mais diferença, pensou em tudo que Sakura havia lhe falado e decidiu não questiona-lo...
—Me desculpe... por ter gritado com você .. – Só Sakura sabia o quanto aquilo estava sendo difícil para ele...— Eu não deveria tê-lo feito.
—Não tem que se desculpar garoto, pelo menos pode me mostrar onde errei todos esses anos... Gostaria que o tivesse feito antes...
—Acho... Que no fundo sempre tive esperanças de que o senhor fosse perceber sozinho um dia... Tio Madara, eu ainda tenho sim muita magoa guardada, mas apesar de tudo isso, eu gostaria que soubesse que de uma forma ou outra eu sempre serei seu sobrinho, sempre estarei ao seu lado se precisar... De alguns tempos pra cá... desde que conheci Sakura na verdade, eu posso perceber e distinguir melhor meus sentimentos... E acho que tenho a obrigação de lhe dizer que eu sempre lhe amarei não importa quantas brigas ainda teremos, assim como eu sei que o senhor nunca deixará de sentir isso por mim...
—Eu... fico... – Madara mal conseguia arrancar as palavras de sua garganta fechada... – imensamente feliz em ouvir isso Sasuke...
—Nem por isso eu posso voltar tio. – Sasuke continuou com o mesmo tom firme de um Uchiha...— Voltar para aquela casa seria o inferno para mim. Eu apenas tenho lembranças ruins naquele lugar, e eu não quero voltar a viver aquele pesadelo. Acho que falo por mim e por Itachi quando digo que o senhor tem todo o direito de fazer parte das nossas vidas, e nós gostaríamos muito que o senhor se aproximasse novamente. Jamais tentaria impedir isso. Mas... se o senhor quiser fazer parte de nossas vidas, terá que ser do nosso jeito agora.
O sinal ecoou pelos corredores do enorme colégio. Sakura colocou sua pasta sobre a mesa e sentou-se vendo a loira a sua frente sorrir enquanto falava algo bobo e sem nenhum interesse para ela, mas não que isso importasse muito, a Haruno apenas sorriu de volta para ela, concordando meio sem graça com aquela situação... E foi então que toda a atenção se voltou para a porta.
Naruto abriu-a tão rápido que criou uma pequena rajada de vento entre as folhas de papel sobre as mesas, mas naquela manha ele não correu em direção à mesa de sua tão amada namorada, ficou parado, cauteloso e atencioso ao segundo jovem que atravessava a porta, este era Sasuke, que vinha com sua pasta jogada sobre o ombro e o outro braço quase imóvel, mas a falta de volume ali mostrava a todos que os boatos de que ele havia perdido um braço era verdade. Alguns dos companheiros de sala se aproximaram dele, e logo depois esse numero havia dobrado, quando as perguntas finalmente começaram a turma inteira já estava ao redor do moreno, que por algum motivo parecia conformado com tal situação, afinal, ele já estava se preparando para voltar as aulas a bastante tempo e sabia que isso iria acontecer...
—Disseram que você tentou se matar por causa de uma namorada. – Um dos rapazes começou...
—Isso é mentira! – A voz furiosa de Naruto o defendeu...
—É verdade que você ficou em coma todo esse tempo? – Outro jovem perguntou um pouco mais curioso...
—Sim.. Foram quase quatro meses em coma. Mas agora estou melhorando.
—Se você quiser eu posso ir até sua casa cuidar de você Sasuke-kun. – A voz feminina que se destacou no meio do tumulto fez uma veia saltar na testa de Sakura...
—Já existe alguém que está cuidando de mim, obrigada. – O Uchiha pareceu ser o Único a notar aquela irritação no fundo da sala...
—Se você quiser podemos fazer um grupo de estudos para você recuperar a matéria que perdeu Sasuke-kun... – A voz de Hinata era gentil o suficiente para acalmar os ânimos por ali.
—Não acho que será preciso Hinata, Sakura já esta me ajudando com isso também.
E foi naquele momento que todos pareceram ligar os pontos do que estava realmente acontecendo, todos os olhares se voltaram para as únicas duas jovens sentadas naquele momento, mas não demorou muito para todos aqueles olhos se voltarem novamente para o Uchiha...
—Viram vocês dois chegando juntos ao colégio... – Uma voz soou no meio de todos ali..
—Disseram que vocês estão morando juntos, isso é verdade?
—Foi por causa dela que você sofreu o acidente Sasuke?
—Então vocês estão praticamente casados? É isso?
As perguntas pareciam cada vez mais profundas e frenéticas, Sasuke quase nem se lembrava da primeira, e agradeceu mentalmente pela porta que se abriu de novo, a alta professora entrou e mandou todo se sentarem, essa era a chance que ele tinha para fugir daquelas perguntas... Caminhou calmo até o fundo da aula e ao passar pela Haruno ele sorriu, vendo os olhos verdes se iluminarem, não era necessário dizer bom dia, afinal, ele sim havia acordado lado dela naquela manha, e desejar-lhe um bom dia foram a primeiras palavras que saíram de sua boca...
Aquelas aulas eram tão chatas quanto ele podia lembrar, mas o Uchiha teve que admitir no horário do intervalo que estava com saudade daquele cantinho da escola em que tantas vezes recuperou o sono, e agora que o verão estava começando a voltar era ainda melhor.. Não demorou muito mais do que o esperado para o fim das aulas daquele dia, enfim todos pareciam ter se acalmado quanto a presença dele ali, pode esperar Sakura arrumar suas coisas com calma e silencio, e enquanto caminhava ao lado dela para fora dos portões do colégio não fez questão nenhuma em disfarçar sua proximidade com a rosada...
Sakura trazia dois enormes sacos com comidas frescas em seus braços, Sasuke com certeza ficaria feliz com os lindos e enormes camarões que ela havia comprado, os legumes estavam muito verdes e frescos e os pães com cheirinho de que acabaram de sair do forno, isso além dos pacotes de bolacha recheada que faziam tanto Itachi feliz... Sasuke estava voltando a cozinhar, a falta de uma mão realmente o incomodou no começo, mas logo ele começou a se adaptar, agora que já estava quase completamente recuperado ele fazia questão de cozinhar todos os dias, para poder se acostumar o mais rápido possível, mal podia esperar para conseguir retomar seu lugar no Maid-café. A jovem conseguiu finalmente colocar a chave na porta e assim que ela conseguiu entrar no apartamento a imagem foi completamente estranha para ela. Era fim de semana e ela havia acabado de voltar de sua casa, afinal tinha que ver como seu pai estava se saindo com ela ficando na casa dos Uchiha com tanta frequência...
Itachi vestia apenas a calça preta que adorava desfilar pelo apartamento, com os cabelos presos em um coque mal feito, jogado sobre o sofá com os pés descalços sobre a mesinha de centro com aquela enorme tigela cheia de cereal de chocolate em suas mãos... Mas os olhos verdes dela só conseguiram focar o outro... O homem era realmente um belo exemplo a ser seguido pelos mais jovens. Madara estava com os longos e espetados cabelos presos a uma cola alta, sentado no sofá apertando os botões do controle da TV impaciente, com os pés descalços cruzados, a calça preta e nada em seu peitoral... Que, diga-se de passagem, era muito bem definido, o homem devia dedicar pelo menos duas horas de seu dia para mantê-lo tão perfeitamente torneado daquela maneira, os cabelos negros tão cumpridos como os dele e a pele branca e suave, os olhos negros como os de um gato siamês, sérios e de alguma maneira muito sexy e assustadores, por um breve momento Sakura teve que admitir, que ele era com certeza o mais lindo dos Uchiha...
—Bem vinda de volta Sakura – Itachi começou sem realmente olhar para ela.
—O que... está acontecendo aqui?
A jovem colocou as comprar sobre o balcão logo depois que percebeu que estava parada admirando os dois. Madara levantou-se, e por incrível que pareça caminhando em direção a Haruno ele conseguia ser ainda mais sexy, era um homem de verdade... Colocou a mão dentro das sacolas e lá achou algumas frutas, mordeu uma das maças e enquanto voltava para o lado do sobrinho ele soltou...
—Me mudei para o sofá dos garotos.
—Desculpa...? – Ela não queria se intrometer.. Mas não conseguiria aceitar aquela resposta de cara
—Sasuke disse que o problema era a minha casa, então eu me mudei para a deles.
—Mas... você disse que aqui é um lugar minúsculo...
—E é... Mas o sofá é surpreendentemente confortável.
O barulho dos passos se aproximando pelo corredor chamou a atenção dela... Será que a família Uchiha tinha alguma coisa contra sapatos? Sasuke aproximava-se de pés descalços, mas por alguma razão ele além da calça preta também usava uma camisa da mesma cor... Preto com certeza era a cor da família. O rosto serio dele tinha um ar de sorriso, e ela sabia que isso era o máximo que ela conseguiria dele por enquanto, Sasuke finalmente pode colocar os olhos nos dois, e instantaneamente o ar feliz sumiu de seu rosto dando lugar a aquela irritação e os olhos espreitados...
—Já disse que não podem andar nus pela casa.
—Não estamos nus. – Itachi respondeu.
—É falta de respeito, Sakura não é obrigada a ver vocês andando nesses trajes, já falamos sobre isso
—Não se preocupe... – Madara realmente não sabia que canal escolher enquanto respondia o sobrinho. — Ela não vai se apaixonar subitamente por nenhum de nós.
—Como assim já falamos sobre isso? – A rosada estava perdida naquela conversa...— Eu sai daqui sexta e não tinha nenhum sinal de Madara...
—Ele chegou assim que você saiu. Passou o fim de semana jogado ai. Parece até que não tem trabalho naquela empresa...
O Uchiha mais jovem a respondeu com um tom de voz meio irritado, quase como se não estivesse totalmente seguro daquela mudança, mas não era de todo mal afinal, a presença do tio era mais agradável do que ele se lembrada. Sasuke pegou Sakura pelo quarto e puxou-a em direção ao corredor enquanto dizia “vamos para o quarto”, e foi então que ele jurou se arrepender de ter deixado o homem entrar...
—É bom mesmo irem para o quarto, pois vou tomar banho agora e pretendo ficar bem mais a vontade aqui na sala.
Sasuke poderia jurar que Madara tinha dito aquilo para provoca-lo, e ele certamente caiu em tal provocação, largou o pulso da Haruno e voltou-se para a sala, vendo Itachi finalmente concentrado num programa qualquer que passava na tela e o mais velho encarando-o como se se perguntasse por que o sobrinho gostava de um programa tão medonho quanto aquele.
—Tudo bem. Já chega! – Sasuke fez questão de parar bem na frente da TV... – Isso aqui com certeza não vai dar certo. Se vamos realmente voltar a morar os três juntos vamos precisar nos mudar pra um lugar maior, eu e Itachi não somos mais crianças, e você é um velho muito espaçoso
—Isso é perfeito, o aluguel daqui esta ficando casa vez mais caro. – Itachi disse levando a colher até a boca.
—Eu posso comprar um lugar mais perto do Maid-Café e da escola, talvez até mesmo mais perto do hospital. –Madara começou a pensar na ideia, e então a voz do sobrinho voltou a soar...
—E então ninguém mais vai andar nu pela casa...
—Combinado! — Os outros dois disseram quase em coro.
A noite estava calma, Sasuke agradeceu por isso e por não se atrapalhar em nenhum dos pedidos. Era seu primeiro dia de volta ao Maid-Café, e ele estava tão nervoso quanto à primeira vez, as receitas eram as mesmas, mas por causa daquele braço, pareciam ser muito mais complicadas, pensou uma ou duas vezes em desistir... Mas isso não era de seu feitio, dando um jeitinho aqui e outro ali, e quando o jeitinho não era o suficiente, ele aprendeu a pedir por uma pequena ajuda, era menos humilhante do que ele imaginava, e no fim tudo estava saindo bem. Pode preparar alguns pedidos que andou treinando em casa, e outros que fazia muito tempo que não tentava, mas independente das complicações que surgiram e foram superadas naquele dia, todos os pratos saíram da cozinha impecáveis.
Sasuke escorou-se no balcão de costas para a porta por onde as maids passavam a noite atravessando, com a xicara branca e o maravilhoso café fumegante, ah, como ele gostava do cheiro de café forte e recém passado. Mas a movimentação ali estava começando a ficar estranha... naquele horário as maids já estavam reclamando que não havia ninguém no salão e se preparando para irem embora, mas não naquele dia, parecia agitado no salão, as vozes falando alto, Sasuke virou-se novamente para a mesa, apenas para certificar-se de que não tinha esquecido nenhum pedido, mas não, não havia nada ali...
O Uchiha colocou sua xicara na pia e decidiu ver com seus próprios olhos o que estava acontecendo lá...
Sakura estava parada no meio do salão com seus belos cabelos cor de rosa misturando-se com o azul claro de sua roupa, ela quase brilhava entre a multidão. Mas segundos depois os olhos negros dele se voltaram para os garotos a sua frente, não tinha como não reconhecer o uniforme do colégio que eles vestiam, afinal usava o mesmo uniforme todos os dias, tinha certeza de que pelo menos dois deles eram seus veteranos, mas o terceiro foi o que mais o incomodou, tinha os cabelos castanhos e os olhos num tom de verde escuro, e segurava o braço de Sakura com muita posse, com tanta força que a ponta de seus dedos já estava começando a ficar brancas...
Sasuke caminhou seco até o centro das atenções, e sem pensar nenhuma vez antes ele enlaçou-a pela cintura possessivamente, e o corpo leva dela teve os pés arrancados do chão, puxando-a com a vontade de quem possui um premio raro e fazendo-a colar e encaixar em seu corpo com extrema maestria... Mas dessa vez Sakura se quer precisou virar a cabeça para ter certeza de quem era, conhecia aquele braço, conhecia a força daquele toque, a propriedade com que ele o fazia com força o suficiente para não deixa-la escapar sem machuca-la em momento algum, e o tom frio e ameaçador que ele minuciosamente escolheu para usar fez a lembrança brotar na mente da jovem como agua abrindo espaço por barreiras..
—Não toque nela! – Sasuke encarou eles firme.
—Ah, então é verdade, você não morreu mesmo. – O garoto rebateu com o tom entre a surpresa e a decepção.
—Eu não me daria ao luxo de morrer e deixar pragas como vocês tocarem em minha Sakura.
—A gente não tem culpa cara. Ela estava praticamente implorando por isso com essa saia. – A risada do trio fez com que o sangue de Sasuke corresse mais rápido pelas veias...
—Vou falar apenas uma vez. – E lá estava o tão único tom de ameaça dos Uchiha...— Vão embora daqui agora ou serei obrigado a tira-los eu mesmo..
—Sem um braço? – Um deles quase riu...
—Um é o suficiente para destruir isso que você chama de cara!
Naqueles olhos negros podia-se encontrar fúria na mais pura forma, como um animal prestes a atacar, era melhor não provoca-lo mais, os três de entreolharam e sem falar coisa alguma deram as costas e deixaram o local. E só depois disso Sasuke foi capaz de larga-la...
A Haruno se quer ligou para as pessoas ao seu redor, assim que ela era dona de seus movimentos novamente virou-se e abraçou-o profundamente, afundando seu rosto no peito largo dele e sentindo sua mão aconchegar-se por seus cabelos cor de rosa, ah como o cheiro dele a acalmava...
—Você é realmente meu cavalheiro de armadura.
Ela concluiu fazendo-o sorrir...
Os dias e noites passavam muito mais rápido depois que Sasuke entrou em sua vida. Sakura mal conseguia gerir seu tempo, mas não que isso fosse ruim, as aulas estavam cada vez melhores, suas notas estavam subindo constantemente, seu trabalho no Maid-Café era algo que ela realmente tinha prazer em fazer, ver o quanto as pessoas ficavam felizes em ter alguns minutos de paz reconfortava-a, a situação financeira de sua casa nunca esteve melhor antes, Madara contratou o pai da Haruno em sua empresa, e dias depois admitiu que não poderia ter feito melhor coisa, o homem era honesto e trabalhador e estava se saindo cada vez melhor no emprego novo, o que deixava ela muito mais calma.. Mas o auge de seu dia era ficar com ele... Sakura passava mais tempo na nova casa dos Uchiha do que em sua própria, não que Sasuke ainda precisasse de toda a sua ajuda, mas fazia questão de tê-la por perto, mesmo que apenas para fazer-lhe companhia.. Ele mostrou-se ser extremamente gentil e carinhoso, Sakura mal conseguia lembrar do jovem garoto frio e calado que havia conhecido antes, hoje ele era quase como uma nova pessoa para ela. Alguém muito mais aberto a novos sentimentos e emoções, alguém de quem ela se orgulhava em estar ao lado...
Aquela era a noite de folga do Maid-Café e Sakura aproveitou para passar em casa e ver se seu pai precisava de algo, o senhor Haruno estava animado com o trabalho que havia trago para casa naquela noite e ela preferiu não incomoda-lo, pegou algumas roupas que estava precisando e decidiu voltar para a casa de Sasuke, ela saiu do metro e mandou uma mensagem para o Uchiha avisando que em alguns minutos chegaria, a chuva fina a obrigou a parar na banca do jornaleiro e comprar um guarda-chuva, ela caminhou lentamente até a faixa de pedestres e não teve como não lembrar, na verdade, desde o acidente do Uchiha toda vez em que ela passava por ali revivia a cena mais apavorante de sua vida. Sakura observou o casal que caminhava do outro lado da rua, sob o mesmo guarda-chuva enquanto riam entre olhares e se acariciavam com palavras gentis, ela desejou por um segundo estar daquele jeito ao lado de Sasuke...
O sinal abriu e a Haruno pôs-se a caminhar pela faixa, tudo parecia meio embaçado pela chuva daquela noite, mas ela não pareceu se importar com isso, até que algo lhe chamou a atenção... Sakura virou o rosto surpresa com o barulho do carro derrapando no asfalto e o brilho do farol diretamente em seus olhos quase a cegou...
Sasuke caminhou pelo enorme corredor da nova casa com o celular na mão, havia quase meia hora que ela tinha lhe enviado uma mensagem dizendo que estava chegando... Aproximou-se da janela e viu a chuva ficando cada vez mais forte.. Ele voltou ao quarto a passos lentos, o novo cômodo era realmente maior que o anterior, a casa nova comportava ele o irmão e o tio muito bem, mas ainda era Sakura quem trazia alegria para aquele lugar, já que Itachi e Madara passavam grande parte do tempo fora dali.. Jogou o celular sobre a cama e aproximou-se da cômoda que tinha uma foto do casal... Abriu a gaveta lentamente e observou o conteúdo de dentro por longos minutos, sendo interrompido apenas pelo barulho do trovão pairando o céu. Olhou novamente para a janela enquanto fechava a gaveta a sua frente, e foi gradativamente sendo tomado pela preocupação... Pegou o celular novamente e tentou ligar para ela, mas antes que pudesse chamar se quer uma vez a voz da caixa eletrônica avisou-o que o celular estava fora da área de cobertura ou desligado, e isso servia apenas para preocupa-lo ainda mais... a calça preta e a camisa branca não seriam o suficiente, ele abriu o guarda roupas e pegou um casaco enorme vestindo-o rapidamente com esse. Quase correu pelo corredor em direção a porta, com os olhos tomados pelo medo, e assim que a abriu... o alivio de que algo ruim tivesse acontecido com ela esvaiu-se de seu corpo...
Sakura estava parada diante da porta procurando a chave dentro da mochila de roupas que trazia...
—Você demorou, estava preocupado.
—Me desculpe... – Ela passou por ele... – A rua alagou, tive que contornar toda a quadra.
Sakura podia ver nos olhos negros dele a preocupação ainda pairando ali, era estranho como de um tempo pra cá ela conseguia ler o Uchiha com muito mais facilidade, como ninguém mais fazia. Ela como se ele fosse um livro de uma língua perdida, e apesar de todos ao redor admirar apenas ela consegui lê-lo... Orgulhava-se disso.
Aproximou-se lentamente com os enormes olhos verdes e curvou-se em sua direção, erguendo-se nos próprios pés para alcançar os lábios finos e macios dele, deixando ali um delicado beijo e voltando a observa-lo com os olhos curiosos... Ela conseguiria qualquer coisa dele com aquele jeitinho manhoso, inclusive escalar daquela bronca por ter demorado sem avisar... Depois do acidente Sasuke havia se tornado extremamente desconfiado de pessoas demorando muito nas ruas, nunca sabia o que poderia ter acontecido, e por um motivo obvio ele sempre pensava em um provável acidente. Por esse motivo ela sabia que a bronca viria, e preferia não ouvi-la aquela noite... Demorou algum tempo para ele se render, mas finalmente ela conseguiu, Sasuke sorriu levemente e puxou-a abraçando-a sem se importar se iria se molhar também...
A desculpa para aquele banho quente juntos foi que ela poderia pegar um resfriado se continuasse com aquelas roupas molhadas, ele estar no chuveiro também foi apenas um complemento delicioso. A respiração ofegante pelo vapor, as mãos escorregadias e ensaboadas, os cabelos úmidos colando em suas peles, os gemidos baixos ecoando pelos azulejos brancos, a agua correndo livre por seus corpos enquanto os movimentos gentis e suaves continuavam...
Após o banho o Uchiha, sem surpresa alguma, escolheu uma calça de moletom em um tom azul escuro para vestir, deixando a toalha sobre os ombros absorvendo os pingos dos cabelos negros e molhados, não todos alias, ele olhou para o chão de madeira e viu dois pingos neste, abaixou-se e com a ponta da toalha ele o secou, e dois segundos depois ele se arrependeu disso... Sakura entrou pelo quarto de pés descalços com os enormes cabelos cor de rosa molhados e esvoaçantes soltos com o corpo coberto apenas pela toalha branca e felpuda, ele caminhou até a porta do quarto e pode ver todo o percurso que ela havia feito... as pegadas de água e os pingos dos cabelos iam da porta do banheiro até o lado da cama, onde agora ela cantarolava enquanto mexia na mochila e colocava as roupas sobre a cama.. Sasuke sorriu desistente e aproximou-se dela...
—Buscou tudo que queria?
—Com certeza não. Mas o necessário, não posso me mudar pra cá afinal.
—Por que não? – Ele jogou-se na cama vendo ela vestir a bela camisola preta de cetim sobre o corpo ainda úmido, peça que ele mesmo havia escolhido.
—Ora porque não. Não somos casados nem nada assim, uma hora você vai ter que me deixar voltar pra casa.
—E se eu não quiser deixar você ir embora..?
Sakura não respondeu aquela pergunta, ela sabia que não devia passar tanto tempo na casa dos Uchiha, mas a vontade que tinha era estar sempre ao lado dele, sentou-se a seu lado na cama e pensou por um momento no que responder, mas muito antes de ela chegar nessa resposta sua atenção voltou para ele novamente. Sasuke levantou-se e caminhou até a cômoda, abrindo a primeira gaveta... Ele observou o conteúdo dela por quase um minuto inteiro antes de finalmente colocar a mão ali, ele fechou a gaveta e voltou em direção a jovem sentada na cama...
Sasuke ficou parado diante dela, em silencio por algum tempo, e então ele mostrou a pequena caixa de veludo vermelho, fazendo o coração da Haruno vir na garganta e os enormes olhos de boneca brilharem enquanto olhava aquela simples caixinha de veludo... e tão aveludada quanto ela, a voz de Sasuke surgiu novamente quebrando o silencio...
—Antes do meu acidente, eu fiquei com medo de que o fato de não termos um compromisso de verdade acabasse afastando você de mim... Eu nunca te pedi em namoro afinal, nós nunca nos declaramos abertamente um para o outro como os casais normalmente fazem, nós sabíamos o que estávamos sentindo, e apesar de meus esforços para negar, eu não consegui esconder isso de você... Nunca fomos como os outros casais... As pessoas me diziam que se não estávamos namorando oficialmente você uma hora me trocaria por alguém que pedisse oficialmente para ficar com você e o medo de que você aceitasse foi me consumindo...
—Eu jamais aceitaria outra pessoa...
—Eu sei disso. Agora eu sei... e antes também. Não foi por causa de outra pessoa que eu decidi isso, mas sim porquê elas me fizeram perceber que eu queria isso... Na noite do meu acidente. Eu comprei esse anel pra você. Eu fui até a joalheria escolher um anel de compromisso... e chegando lá eu percebi o que eu realmente queria... eu queria sim um compromisso com você, mas mais que isso... eu queria passar o resto de minha vida com você... por isso... eu comprei isso pra você...
Com o polegar Sasuke abriu a pequena caixinha em sua mão. E Sakura imediatamente levou as mãos até a boca, com as lagrimas correndo livres e desenfreadas por seu rosto... Sasuke ficou ali, parado em pé diante dela enquanto ela silenciosamente apreciava o anel na caixinha... o ouro era de um tom sutil e sofisticado, com pequenos brilhantes que subiam pelas laterais até chegarem ao solitário diamante no meio, em um corte quadrado e adornado pelos quadro fios de ouro que o seguravam, era lindo... tão lindo que a Haruno não encontrou palavras para classifica-lo... E então ele recomeçou...
—Eu sei que nós não vamos nos casar agora. Que temos que terminar nossos estudos, a faculdade, adquirir nossas próprias coisas, eu sei que pode demorar pra isso se tornar real... mas... eu não preciso levar todo esse tempo para tomar essa iniciativa. Eu sei que quero passar minha vida ao seu lado, e isso não vai mudar... Eu não sou muito bom com palavras, então vou optar pelo tradicional...
O Uchiha colocou um dos joelhos no chão diante dela, vendo a moça tremer enquanto sorria por de trás das mãos que lhe cobriam o rosto...
—Sakura, você quer casar comigo?
—Sim!
Ela quase gritou, a alegria mal cabia em seu corpo, ela mal podia acreditar que aquilo estava realmente acontecendo, era como um conto de fadas ou um sonho... Um que ela não queria acordar... Sasuke colocou a caixinha sobre uma das mãos dela e pegou o anel desta, delicadamente colocando em seu dedo anelar e vendo o sorriso brotar naqueles lábios... Isso era tudo que ele precisava... Vê-la feliz. E ele jurou a si mesmo que somente faria ela feliz daquele dia em diante
Sakura olhou o anel por um segundo em seu dedo, e logo depois atirou-se em seus braços, abraçando-o e beijando-o como nunca antes, beijando-o agora como sua futura esposa... Como a mulher que acordaria todos os dias ao seu lado, que estaria lá para apoia-lo em momentos difíceis, que lhe daria filhos... Como a futura Senhora Uchiha Sasuke.
..:Fim:..
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