Maid Café Yaoi
1 Prólogo
Notas iniciais
Yaoi... Ah, Yaoi!
Até que ponto uma fujoshi pode chegar por essa perfeição? Não sei o quão longe podemos ir, mas sei que eu fui muito longe...
Meu nome é Harumi Okami. Tenho cabelos castanhos bem longos e olhos da mesma cor. Bem, e apesar de já ter 21 anos, ainda tenho a alma de uma adolescente apaixonada por Yaoi.
Desde sempre eu fui muito sonhadora, e tinha uma imaginação muito fértil. Sempre corri atrás dos meus sonhos, por mais idiotas que fossem. Bem, eu gostava de sonhar, mas nunca imaginei que minhas ideias realmente fossem dar certo...
Lembro-me que minha maior paixão, depois do Yaoi, eram Maid Cafés. Sempre adorei aquelas roupas fofas, e aqueles doces meigos. Sempre que podia, frequentava aquelas cafeterias e ficava admirando a decoração, a comida, as pessoas, tudo! É, posso parecer durona às vezes, mas tenho um lado meigo.
Foi aí que um pensamento me surgiu a cabeça: “O que aconteceria se juntássemos as duas maiores perfeições do mundo: Maid Café e Yaoi?”
E assim começou meu sonho de criar uma cafeteria estilo Maid, e estilo Yaoi ao mesmo tempo. É claro que ninguém me apoiou, apenas minhas amigas Fujoshis. Na época era apenas um sonho mesmo, mas, por incrível que pareça, deu muito certo. Calma, vou explicar tudo:
Eu sou formada em administração, mas em vez de começar uma carreira séria, decidi abrir uma pequena cafeteria, para ver se o negócio dava certo. Eu fiz temática Yaoi, como sempre sonhei. Sim, muitos disseram que isso não ia dar certo, mas não repararam na minha jogada. Eu tinha uma carta na manga.
O que fez a cafeteria ter sucesso rápido foi exatamente o local onde eu a coloquei. Aluguei um espaço, bem perto da Otome Road.
A Otome Road é uma rua de Tokyo, onde vende produtos destinados à mulheres, ou seja, grande parte do que vende lá é Yaoi. Então, quando as lindas Otomes estão voltando de suas compras, passam pela loja e veem uma enorme placa: “Maid Café Yaoi”. É claro que nenhuma delas resiste e entra, apenas por curiosidade, e acabam se apaixonando pelo local.
E foi assim que o lugar cresceu rapidamente. Hoje, a decoração continua sendo Yaoi, com pôsteres de personagens de mangás e animes yaoi por toda a parte. Coloquei trilha sonora de animes para tocar, e até alguns bolos são decorados com frases como: “I Love Yaoi”. Definitivamente um paraíso para as Fujoshis.
Bem, mas o melhor de tudo não é isso. O que mais faz sucesso lá são os garçons. Comigo, são 5 pessoas servindo, todos vestidos de Maid, claro. Apesar de ser Yaoi, é obrigatório ter pelo menos uma mulher no meio para comandar, por isso me encarreguei de ser gerente e garçonete ao mesmo tempo.
Os outros quatro garçons, além de serem lindos, tem um papel fundamental para essa cafeteria ser considerada “o paraíso”. Eles são divididos em dois “casais” e são contratados para fingirem ter um relacionamento. Não é como se fosse uma mentira, é apenas um teatro sem roteiro. E todos adoram. O que é melhor do que estar com os amigos, num lugar meigo, comendo doces e vendo Yaoi ao vivo?
Foi assim que tudo deu certo. E aqui estou eu, preparando um Cup Cake e um capuccino com “I Love Yaoi” escrito na espuma para ser levado a uma mesa.
Assim que deixei o pedido entregue, dei minha típica olhada pelo local para ver se os garçons estavam fazendo tudo certo. Reparei que Naoto acabara de entregar um pedido também.
Kazumi Naoto, 19 anos, cabelos vermelhos e olhos cor de mel. Apesar de não ser mal-humorado na vida real, no trabalho ele tem que agir como um Uke fugitivo, daqueles que não aceita fica com o Seme, mas que uma hora acaba se rendendo.
– Aqui está seu pedido, senhorita. – disse Naoto ao colocar o pedaço de bolo na frente da cliente.
– Obrigada, Nao-chan! – agradeceu a menina. É, as clientes pegam intimidade com os garçons bem rápido. – Nossa, esse bolo é bem bonito mesmo!
– É uma de nossas especialidades. – disse Naoto – Vários já disseram que esse é o melhor bolo daqui.
– Será que é mesmo? – uma das outras três garotas da mesa falou – Posso provar?
E assim cada uma das meninas pegou um pedaço do bolo, se deliciando. Fiquei até orgulhosa em saber que nossa comida é tão boa assim.
– É, realmente é o melhor daqui. – disse a garota – Você concorda, Nao-chan?
– Bem... – respondeu ele – Não sei, nunca provei, mas pelo o que todos dizem, eu concordo.
– Como assim nunca provou? – a garota ao lado se pronunciou – Mas você trabalha aqui!
– Sim, eu trabalho, por isso mesmo – respondeu – Esses bolos são para as clientes, não posso comê-los, apesar de às vezes ter vontade.
– Então prove agora! – a garota pegou um pedaço do bolo com a colher e estendeu para ele.
Até fiquei meio surpresa. Se o Naoto aceitasse sem cerimônia ia ter um bom sermão quando fechássemos por hoje. Bem, mas claro que ele não fez isso. Ele arregalou os olhos e disse:
– Não, o que é isso? Não posso aceitar. Eu sou apenas um garçom...
– Você não estará provando como garçom, e sim como meu amigo. – ela sorriu – Vamos! Não tem nada de mais.
– Não... – ele negou – Eu não posso...
– O que está acontecendo aqui? – Mizuki apareceu interrompendo.
Ryoko Mizuki, 20 anos, cabelos castanho escuro e olhos negros. No trabalho ele tem que fingir que é o Seme do Naoto. Seu “personagem” é um Seme pervertido que adora irritar seu Uke, mas que é sério ao mesmo tempo. Bem, não tive que mudar nada da personalidade dele. Mizuki costuma ser sério, mas sabe a hora de ser brincalhão.
– Mizuki! – exclamou a garota – O Naoto não quer provar o bolo. Eu estou oferecendo de coração.
– Ah, Naoto... – disse Mizuki com um tom malicioso – Sempre fazendo cu doce, né?
– Cala a boca! – Naoto corou no mesmo instante, enquanto Mizuki e as outras quatro garotas riam.
– Vamos. – Mizuki pegou a colher da mão da menina – Abre a boca.
– M-mas... Mizuki... – Foi interrompido por um pedaço de bolo em sua boca.
As quatro garotas gritaram, achando fofo Mizuki ter dado bolo na boca de Naoto. Ah, esses gritos são ótimos. É sinal de que os garotos estão fazendo tudo certo e que a cafeteria é um sucesso!
– E então? – disse Mizuki limpando o canto da boca de Naoto com o guardanapo, fazendo as garotas gritarem de novo – É bom?
– S-sim... É ótimo. – respondeu ele corado, ainda envergonhado pelo o que o Seme acabou de fazer. Claro, tudo isso era apenas atuação.
E então as garotas começaram a comentar o ocorrido de um jeito bem histérico. Até senti saudade de quando eu e minhas amigas éramos assim. Qualquer Yaoi que víamos, começávamos a gritar feito loucas.
Decidi parar de prestar atenção neles e ver se os outros garçons estavam fazendo tudo certo. Vi Ichiro carregando duas bandejas de uma vez, indo em direção a uma mesa.
Tetsuya Ichiro, 18 anos, cabelos e olhos azuis. Ele é extremamente bonito, além de saber fazer tudo que tem a ver com arte. Ele quer seguir carreira de artista, mas enquanto não consegue, trabalha por aqui mesmo. Ele é bem sociável e adora conversar com as pessoas, mas no trabalho, ele tem que fingir ser um Seme que nem se importa com seu Uke.
Ele parecia estar tendo grande dificuldade em carregar duas bandejas ao mesmo tempo. Já estava indo lá para ajudar, mas Shun chegou primeiro.
– Ah, deixa que eu te ajudo com isso – disse ele, pegando uma das bandeja da mão dele.
– Obrigado, Shun – agradeceu Ichiro acariciando a cabeça dele, e logo foi embora.
Izumi Shunsuke, apelidado de Shun, tem 16 anos, apesar de parecer ter 14. Tem cabelos loiro escuro e olhos verdes. Definitivamente, ele é o que mais faz sucesso entre os garçons, pelo fato de ser extremamente fofo e amigável. E o “personagem” dele, é exatamente como ele é, fora o fato de que ele tem que correr atrás do seu Seme.
– Own, que fofo você querer ajuda ele, Shun-chan – uma das clientes que acabara de assistir à cena comentou.
– Que isso! – ele sorriu – Faço de tudo para agradar meu Seme!
Esse comentário foi seguido por vários “own’s” das Fujoshis que escutaram isso. Coitado, todo dia as garotas abusam das bochechas dele. Bem, é culpa dele ser tão fofo.
Antes que as garotas voassem nas bochechas dele novamente, Shun viu que entraram mais clientes e foi até lá atendê-los, logo após ter entregado a bandeja à sua devida mesa.
– Kaya! Miwa! – exclamou Shun ao ver quem tinha entrado – Que bom que vieram! Tem uma mesa bem ali!
Kaya Katsuo e Ayaka Miwa são namorados. Kaya é um dos raros garotos héteros que entra aqui, mas sei que ele vem só por causa da namorada. Miwa já frequentava a cafeteria bem antes, por isso já é nossa amiga. Quando começou a namorar, arrastou Kaya para cá também, e ele aprendeu a gostar daqui.
– Shun-chan, seu fofo! – Miwa apertou as bochechas dele – Viemos tomar o capuccino de sempre, haha!
– Ai... Isso dói... – ele tirou as mãos dela de suas bochechas – Claro, já vai sair!
Shunsuke foi pegar o pedido e os dois se sentaram, então voltei ao trabalho. Depois de atender mais duas pessoas, escutei Mizuki dizer:
– Está fazendo tudo direitinho?
Olhei para trás e vi que Naoto estava limpando uma mesa com um pano, quando Mizuki chegou para provocá-lo. Percebi que Mizuki falou isso um pouco alto, para que grande parte dos clientes pudesse ouvir a conversa, e acabou chamando a atenção das garotas, que agora olhavam vidradas.
– Estou sim! – respondeu Naoto irritado – Não preciso da sua ajuda, pode ir embora.
A “plateia” estava ainda mais vidrada no que ia acontecer. Naoto voltou a limpar a mesa enquanto Mizuki o observava.
– Você está limpando errado. – disse Mizuki – Deixa eu te mostrar como faz...
Mizuki abraçou Naoto por trás, tocando sua barriga com uma das mãos. Com a outra mão, foi passando devagar pelo braço dele até chegar à mão de Naoto, que segurava o pano.
– É assim que se faz... – Mizuki começou a movimentar sua mão junto com a de Naoto, instruindo-o.
Só ouvi gritos e mais gritos. Naoto estava corado, Mizuki com cara de pervertido a as Fujoshis gritando e tendo ataques por causa daquela cena.
Eu apenas ri. Eu realmente adoro esse trabalho! É, não desistir dos meus sonhos foi a melhor coisa que já fiz.
E assim se passou mais um dia, no Maid Café Yaoi.
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