“Querida Levy...

Todos os meus dias aqui nessa nova cidade, junto destas novas pessoas e da minha nova família, eu descobri muitas coisas...

Primeiro, a não julgar quem não conhecemos, julguei errado meu pai, e nem posso culpar minha mãe, pois ela nunca falou nada sobre ele. Enfim amiga, ele é uma pessoa ótima, chorava quando eu chorava, sorria ao me ver sorrir e me fez amá-lo de novo... Ele é um cidadão muito respeitado aqui em Magnólia, apesar de ser uma cidade pequena, o amor e respeito é gigantesco... Estou feliz morando aqui, não se preocupe....

Segundo, fazer novos amigos, fiz amigos maravilhosos, claro nenhum irá substituir vocês, mas vocês não irão substituir eles... Apesar de ser apenas uma garota nova numa escola nova, essas pessoas me acolheram como se eu fosse parte delas, em nenhum momento me senti sozinha, apenas a falta de vocês e a tristeza por ficar sem vê-los tanto tempo...

Terceiro, nunca pense que as coisas não podem piorar, não quero preocupa-los, mas meu pai veio a falecer nos meses e descobri que meu namorado é na realidade meu meio irmão... as coisas não estão tão fáceis agora, mas vamos superar e seguir em frente, eu não sei exatamente o que vou fazer agora, se vou embora de Magnólia, se vou ficar e virar fazendeira.. O que você acha?.. Bem acho que posso esperar um ano pela sua resposta...

Enfim Levy, eu não vou escrever muito, sei que queria ler um livro sobre minha nova vida, mas agora não é o melhor momento de contar sobre minha vida, apenas agradeço pelos presentes e fico feliz por Gray e Juvia, espero que sejam muito felizes, também sinto muito a sua falta, mas por enquanto é tudo o que temos, cartas, eu não tenho nada pra mandar junto, nenhuma foto, pois aqui não revelam, nenhuma lembrança, pois não tenho dinheiro no momento, bem espero que esteja bem Levy, amo muito você, manda uma abraço pro pessoal...

Beijos no coração...

Att, Lucy Heartphilia”.

Acabei de escrever e reli a carta, bem por enquanto era isso que podia contar, e nem se estivesse pessoalmente com ela, poderia falar mais algo, valeria a pena trazer tudo a tona? Não, a tristeza deve ser sentida uma única vez, não precisamos pegar uma faca e cutucar na ferida, apenas deixá-la cicatrizar.

Ao longe ouvi o som de uma música que eu conhecia bem, levantei da cadeira e deixei a carta sob a mesa, saí para a varanda, estava um dia lindo, céu azul sem nuvens, o vento fresco porém caloroso.

Respirei fundo e continuei seguindo o som do violão, até ir parar na rede, onde Natsu estava sentado com o vilão no colo e os dedos trabalhando para que o som saísse, seus olhos fixados na colina e no túmulo de nosso pai.

Sim, Natsu e eu éramos irmãos, descobrimos isso de repente no dia que nosso pai foi enterrado. Temos que admitir, Poluchka nos pegou de surpresa aquele dia.

Ela nos contou que desde muito jovem, Jude Heartphilia sofria de uma doença rara de perda de memória emocional, fiquei com a mesma expressão que está agora, o que diabos é isso? Bem, ela explicou que quando nosso pai encontrava-se em estado emocional muito elevado, seu sistema nervoso ligado ao cérebro fazia com que esquece alguém, uma parte da vida ou o que pretendia fazer.

Quando meus pais se apaixonaram, e Jude pediu a mão de Layla em casamento, ele ficou tão emocionado, que quando foi para casa e dormiu, no outro dia, sequer se lembrava de sua esposa. Então seguiu a vida normalmente, e conheceu uma outra jovem de cabelos rosas que estava de passagem por Magnólia também e acabou se deitando com a moça.

Quando Layla descobriu, queria terminar o noivado, mas Poluchka explicou da doença de Jude e então ele foi perdoado, e eu fui gerada, tudo estava bem até então, eu tinha nascido, nossa família era feliz, até uma noite a pobre moça a quem meu pai havia se deitado apareceu e entregou um bebê alguns meses mais velho que eu.

A moça disse que queria mantê-lo longe, mas ela estava morrendo e precisava que alguém cuidasse dele. Seu nome era Natsu, e Layla o aceitou e o criou como filho, ela cantava a mesma música para nos embalar e tudo mais. Então no dia que mamãe me levou com ela embora, éramos muito pequenos pra lembrar um do outro quando nos reencontramos, e meu pai, sofreu tanto aquele dia que esqueceu do próprio filho e inventou uma história que tinha adotado o mesmo.

E ninguém sabia na cidade, pois os mais velhos foram morrendo e os mais novos nunca souberam, porém Poluchka sabia e pediu perdão por não ter contado, ela pensava que iríamos nos reconhecer quando nos víssemos de novo.

Fascinante não é? Essa história, Natsu e eu demoramos um pouco para acreditar, mas infelizmente ou felizmente, eu não sei, tudo se encaixava, tanto minhas lembranças quanto as dele.

Fui até a rede e sentei ao seu lado, não fez todo aquele balanço pois estávamos acostumados.

—Terminou de escrever a carta? – Natsu perguntou me olhando curioso assim que parou de tocar.

—Sim... – respondi olhando para a colina, na qual eu e Natsu íamos todas as tardes desde a morte de nosso pai.

—Contou tudo? – ele me olhou erguendo uma sobrancelha e disfarçadamente olhando para minha barriga.

—Não... – eu respondi colocando a palma da mão em minha barriga, que já havia crescido um tanto.

—Está com vergonha não é? – ele perguntou desviando o olhar do meu.

—Não, de forma alguma, vergonha é uma coisa que já nem sei sentir... – eu respondi e sorri olhando para a preocupação em seu rosto. – Não temos culpa Natsu, não sabíamos, aconteceu, só não contei, por que isso não precisa sair de Magnólia.

—Quer dizer que decidiu ficar? – Natsu olhou em meus olhos e começou a lacrimejar.

—Eu posso vender as comidas que eu faço enquanto você trabalha na fazenda... vamos dar um jeito... eu falei que nunca iria abandoná-lo, e eu acho um bom lugar para criar o nosso pequeno Jude. – sorri pra ele e ele colocou sua mão em cima da minha.

Sim, eu estou grávida de aproximadamente três meses, bem aconteceu algumas noites antes do meu aniversário ok? Eu não preciso necessariamente contar tudo a vocês, não me julguem, usamos proteção, mas sabe como é, estourou.

Descobrimos um dia depois da morte de nosso pai, por que quando Poluchka nos contou que éramos irmãos, eu vomitei, e ela pediu uma amostra de meu sangue e levou para examinar, no dia seguinte, trouxe um padre e disse que Deus nos perdoasse pelo pecado.

Que pecado? Nós sabíamos que éramos irmãos? Não. Éramos apenas dois jovens que namoravam há cinco meses, Natsu era maior de idade e eu faltava poucos dias, estávamos prontos, e acabou acontecendo.

Agora éramos chamados de pecadores, mas eram eles que queriam que eu abortasse, então mandei eles pra aquele lugar e Natsu fechou a porta em suas caras.

Eu não iria tirar a vida de alguém que nem sabia que existia e não tinha culpa de nada. Natsu e eu não tínhamos mais nada, mas iriamos criar nosso filho e conta-lo toda a história quando ele tivesse idade para entender. Pois éramos seus pais e nunca iríamos abandoná-lo.

Pelo menos nossos amigos nos entenderam e disseram que iriam nos ajudar com qualquer coisa que precisássemos, afinal Erza estava com seus dois meses também.

Estávamos felizes apesar de todos esses dias de tristeza e perda, ainda assim ganharíamos uma nova vida, claro a princípio eu e Natsu nos sentimos culpados e até um pouco nojentos, mas nos perdoamos, eu e ele, e era isso que importava, bem que no fundo algo me dizia que não era pra ficar com ele, mas agora é passado e tudo o que temos agora é o presente, pois o futuro é incerto, e nós ainda temos todos os dias de vida do nosso filho pra viver, todos os dias de Natsu, e todos os meus dias, na nossa pequena cidade do interior.

FIM

Notas finais
Bem pessoal é isso, mais uma fanfic concluída, sei que não era o final que vocês esperavam, mas nem sempre em nossa vida temos o que esperamos... é exatamente como acontece nessa história, achamos que controlamos tudo, e no final, não controlamos nada, tudo é consequência de nossas escolhas, sejam elas boas ou ruins, temos que lidar com elas... Eu realmente espero que tenham gostado, não esqueçam de comentar, obrigada! Abraços e até a próxima. ; *
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!