Magnólia, minha cidade do interior
15 Meu coração diz sim e minha cabeça também
Estávamos rindo na sala só as três garotas, quando de repente os três rapazes aparecem curiosos e se juntam a nós.
—Ahm, desculpe ser estraga prazer, mas, alguém viu o Hibiki? – Jellal o mencionou.—Não, aonde aquele tarado foi parar? – Cana olhou em volta da sala sem sucesso em sua busca.—Ele está sumido desde antes, quando houve aquela confusão aqui na sala. – Eu esclareci sem detalhes. Erza olhou curiosa para mim, o que estava passando pela mente da ruiva?—Esqueçam ele, vamos nos divertir. – Laxus disse, e por incrível que pareça foi um conselho sábio.—Podíamos brincar de verdade ou desafio... – Cana sugeriu.—Você e seus jogos maléficos e casamenteiros. – Jellal comentou olhando para Erza. Admito, foi um lindo gesto. Mesmo a ruiva não querendo nada oficialmente, todos ali sabiam e ninguém debochou deles.—Você ficam lindo juntos. – Cana comentou fazendo um coração com as mãos e os posicionando no meio. – E tudo isso graças aos meus jogos.—Você está certa. – Laxus comentou rindo.—E você subiu um degrau no meu conceito com essa frase. – Cana olhou para ele e lhe deu um selinho.Sorri para os dois casais, pareciam felizes, no fundo eu sabia, eu queria ficar assim também, e automaticamente meu olhar cruzou com o de Natsu e ambos olhamos para lados opostos, afinal a última vez que nos falamos, bem, quase nos beijamos, então eu diria que as coisas não estavam exatamente normais entre nós.—Bem vamos brincar ou não? – Cana pediu entusiasmada.—Eu topo. – Erza é sempre a primeira a concordar com as ideia malucas de Cana, isso me dava mais medo ainda da dupla.—Eu também. – Jellal iria fazer de tudo pra agradar a ruiva agora e é claro Laxus também, pois ele apenas concordava com a cabeça.—Lucy, Natsu? – Cana perguntou nos olhando.—Ahm... – pra falar a verdade, eu estava com medo do que as duas poderiam aprontar.—Eu topo... – Natsu falou sem olhar para mim, bem resolvi não ser a única estraga prazer, então sorri e confirmei com a cabeça.—Ook. – Cana disse e foi até a cozinha pegar uma garrafa vazia de cachaça. – Esse vai ser o nosso milagroso ponteiro, vamos lá.A garrafa girou e ficaram Cana desafiando Jellal.—Por que eu tenho tanto azar assim? – Jellal olhava para cima como se buscasse respostas.—Verdade ou desafio? – Cana perguntou sorrindo.—Verdade, eu não escolho desafio vindo de você nem que me obriguem. – o rapaz comentou.—Ok, é verdade que você mijou na cama quando ficou com medo do espantalho do milharal? – Cana perguntou satisfeita.—UUUUUUHHHHH. – todos, menos eu, fizeram esse som, bem eu não conheço as lendas daqui, então.—Ok, é verdade. – Jellal falou ficando vermelho.—Eu te entendo. – Erza dizia aos risos também.—O que é isso? – perguntei.—Bem, respeitamos que não saiba, pois você não é daqui, mas... – Laxus começou. – Reza a lenda, que nas noites de lua cheia, um espantalho que mora no milharal das fazendas, invade as casas das crianças malvadas para pegá-las... e então no dia seguinte seus corpos são encontrados empalhados no milharal...—Credo, é isso que contam pras crianças daqui? – perguntei horrorizada com a história.—Por isso que nosso amigo mijou na cama quando era criança. – Cana olhou pra Jellal com dó. – Ele jurou que o espantalho estava no quarto dele aquela noite.—Eu tive um pesadelo em tanto. – Jellal explicou olhando envergonhado sobre o acontecido.—Ok, Jellal pode girar a garrafinha. – Cana disse. – Sempre quem responde gira.—Ok. – o rapaz girou e a maldita garrafa apontou para mim. – Isso vai ser divertido.—Desafio. – eu odiava ter que falar a verdade, por que as pessoas se aproveitam nesse jogo.—Uou, temos uma pessoa corajosa entre nós. – Cana exclamou e Erza piscou pra mim.—Ok, você sabe tocar algum instrumento? – Jellal perguntou e percebeu que eu estranhei a pergunta. – Só pra saber o que posso escolher pra você.—Violão. – respondi honestamente.—Ok, Cana sei que você tem um violão escondido aqui... pode emprestar a Lucy? – Jellal pediu educadamente.—Ok, vou buscar. – Cana se levantou e foi até o seu quarto e logo voltou com um violão preto.Peguei o mesmo e o coloquei na posição mais confortável que achei.—Ok, toque e cante uma música para nós Lucy... – Jellal pediu.—Certo... – pensei por um instante. – Olha eu não toco há muito anos então não riem e eu não conheço muitas músicas...Comecei a tocar e eu acho que todos se surpreenderam com a canção, inclusive Natsu que colocou a mão no rosto tentando não chorar. Eu quis parar, mas Erza me fez sinal para continuar, Natsu estava quase chorando e eles pareciam não ter percebido.—Well I have been searching all of my days, all of my days... – comecei a cantar, e todos estavam apreciando, mas não pude continuar pois Natsu estava aos prantos.Então me levantei e devolvi o violão a Cana e fui até o Natsu abraça-lo, o mesmo se agarrou em mim como se fosse nosso último abraço. Enquanto os outros nos observavam.—Natsu, o que houve? – perguntei desesperada, eu não sabia o que fazer e todos exceto Erza estavam tão preocupados quanto eu.
—Bem, essa música Lucy... – Erza começou a me explicar. – Era a música favorita dos pais dele, eles cantavam pra ele quando pequeno, desculpe Natsu eu me esqueci, senão não teria pedido pra Lucy continuar.Meus olhos se encheram de lágrimas e eu o abracei mais forte. —Me desculpe Natsu, me desculpe, eu não fazia ideia... – tentei me desculpar desesperadamente.Então ele levantou a cabeça pra mim e seus olhos estavam vermelhos devido ao choro, suas mãos vieram até meu rosto e se posicionaram delicadamente uma em cada lado, minha testa colou a sua e nossas respirações se uniram.—Onde aprendeu a tocar essa música? – Natsu perguntou.—Com minha mãe... – respondi.—Estranho não é? Nossas mães cantarem a mesma música para nós... – ele comentou e então colocou a mão na cabeça, como se estivesse com um pouco de dor.—Você está bem? – Perguntei olhando em seus olhos, eu estava preocupada.—Me desculpe, é que eu não consigo mais achar que é um mera coincidência. – Natsu comentou.—O que? – perguntei tentando entender seu modo de pensar.—Você é simplesmente perfeita. É o tipo de garota que sonhei minha vida inteira... — Natsu comentou, e minhas bochechas começaram a esquentar novamente, minhas pernas estavam dobradas por sorte , pois o chão começou a desmoronar a baixo de mim e minha barriga estava tão agitada quanto as do pessoal que tomou aquelas misturas da Cana. —O que está dizendo? — Perguntei um pouco aflita, pois eu não sei se queria terminar a conversa.—Estou dizendo que nunca pensei que sentiria isso por alguém... você é determinada, forte, inteligente, sabe cozinhar e ainda por cima é divertida... eu não sei como você foi me conhecer, mas parece destino... – Natsu dizia sorrindo e lacrimejando também. – Você me lembra a minha mãe.Não pude deixar de me emocionar, afinal essa era uma comparação forte, então levei a mão a boca para tentar segurar o choro.—Desculpe, é que nunca ninguém disse essas coisas para mim. – Comentei e sequei as pequenas lágrimas que tentavam rolar dos meus olhos.—Tudo bem, eu fico feliz que fui o primeiro. – ele comentou agora sorrindo e secando as lágrimas dele também.Olhei para o pessoal, mas eles já haviam levantado, as meninas são inteligentes, sabiam que foi um momento delicado para Natsu e nos deixaram a sós. Devo uma a elas. Vou me arrepender desse pensamento, mas tudo bem.Olhei para Natsu e ele estava terminando de se secar, ele sorria um pouco, como uma criança, eu não sabia direito o que ele queria dizer com todas aquelas palavras, e nem saberia como agradecer e dizer que ele era aquilo e muito mais.Eu queria muito dizer a ele o que sinto, dizer que estou confusa e que provavelmente eu estaria apaixonada por ele, é verdade, eu não sei, mas como posso dizer algo que não sei? Meu coração ainda estava acelerado, e no fundo eu queria muito ficar com Natsu e desenvolver um relacionamento com ele, mas bem no fundo, algo, uma voz, uma pequena fagulha de consciência me dizia para não fazer isso, que eu iria me magoar e machucar meu amigo.E por mais que eu quisesse ignorar esse pensamento e dizer foda-se bem alto, eu não o fiz, eu simplesmente me sentei ao lado de Natsu, me escorrei nos pés do sofá assim como ele, e suspirei.Minha mãe sempre me dizia para seguir o coração, que ele me levaria à felicidade, mas era normal ele doer? Palpitar rapidamente? Isso não era infarto? Bem, é sempre aconselhável você agir e fazer tudo o quanto antes, pois senão pode ser tarde demais, porém, as vezes precisamos sentar e esperar a oportunidade certa, o momento certo e a escolha certa. E foi o que eu fiz e vou fazer até não ter dúvidas, esperar pela hora certa.
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