Magnólia, minha cidade do interior
3 Adeus amigos
—Lucy? Qual é? Abre a porta. – a voz de Levy se misturava com as batidas na madeira. – Vamos conversar, talvez haja algo que possamos fazer, vamos lá...
Depois de algum tempo ouvindo as batidas, tive que abrir a porta do quarto.—Oh, Lucy? – ela percebeu meus olhos inchados de choro e rapidamente me abraçou. – Eu não entendo, por que é tão ruim morar com seu pai?—Além de não vê-lo há anos... – expliquei a ela com a voz um tanto rouca. – Magnólia é uma pequena cidade no interior deste estado, é tão pequena e sem recursos que não tem absolutamente nada lá.—Ainda não entendo como pode ser tão ruim? – Levy me soltou e nós sentamos na cama, Gageel apareceu na porta para ouvir também.—Lá não tem prefeitura, posto de saúde, prisão, mercado, nada, apenas plantações e animais. – falei exaltada, mas percebendo que ainda não era o bastante, continuei. – Levy, lá não tem sinal de nada, internet ou qualquer linha telefônica, você entende? Os meios de acesso são através de um trem que vai até uma cidade vizinha duas vezes por ano, senão é utilizado carroças e cavalos, pois é horrível as estradas pra se chegar lá, entende agora?Levy e Gageel pareciam surpresos, suas bocas estavam entreabertas não acreditando que era verdade.—Então..? – Levy começou.—Vai ser um Adeus pra tudo o que tenho aqui. – completei para ela.—Não pode ser... – ela olhou para as mãos que estavam apoiadas nas pernas.—Não existe mais ninguém que você possa ficar? – Gageel interveio.—Não. – lamentei. – Infelizmente ainda falta um tempo para que eu complete dezoito anos, 9 meses pra ser exata, e até lá ou eu vou morar com meu pai ou para um orfanato.—Isso não é justo, nem um pouco justo. – Gageel embora fosse quieto e brincalhão, estava sério e indignado com a situação, afinal éramos amigos há quase o mesmo tempo que Levy e eu nos conhecíamos. – Vai ter que esperar fazer dezoito anos pra voltar?—Isso e o trem. – respondi.—Então é isso? – Levy pediu, como se eu tivesse escolha.—Eu gosto tanto quanto você. – respondi a ela.—Eu não acredito. – ela levantou indignada e passou pelo namorado sem falar mais nada, ela estava chateada. —Vou falar com ela. – Gageel falou e foi atrás de minha amiga.Olhei para o relógio de parede e vi que era tarde precisava ir dormir pois amanhã tinha de levantar cedo para ir até em casa pegar minhas coisas, afinal iria para uma nova casa.Dormi muito rápido, pois o cansaço e estres me dominaram, assim o sono veio e na mesma velocidade se foi, acordei com o despertador às sete da manhã, como de costume, mas dessa vez, não tinha mãe para acordar.Levantei, me arrumei e fui até a cozinha, lá estava Gageel, Levy e sua avó, esperando-me para o café da manhã.—Bom dia querida, dormiu bem? – a senhora Mc Garden pergunta sorridente.—Bom dia, sim, dormi bem. – sorri para ela e olhei para minha amiga que não falou nada.Me sentei em sua frente e Gageel olhou para mim e sorriu como se dissesse “depois eu te explico”.Comemos em silêncio então Gageel se levantou e foi arrumar suas coisas e pegar a chave do carro.—Vamos? – ele pede olhando para mim, ele iria me levar até em casa para pegar minhas coisas e depois me levar até a estação onde Gildartz estaria me esperando com a passagem.Me levantei e agradeci a vó de Levy por tudo e aproveitei dizer adeus a ela, ela começou a chorar, não pude fazer nada a não ser garantir a ela que eu ficaria bem.Levy sem dizer nada foi atrás de Gageel e sentou no banco do carona ao lado do motorista, e eu fui atrás. Durante o trajeto até lá foi um silêncio, então quando chegamos, fui direto ao meu quarto pegar roupas, sapatos e meus outros pertences.—Com licença? – Gageel estava na porta, sorri para ele e ele adentrou e espiou se Levy podia escutá-lo. – perdoe-a.Olhei para ele sem entender.—Pelo comportamento da Levy. – ele explicou. – Ontem à noite depois que ela saiu do quarto, ela chorou muito, muito mesmo, ela está chateada, já falei para ela que não adianta ficar sem falar com você, é pior, então perdoe ela...Mal deixei Gageel terminar de falar e sai porta a fora do quarto procurando por aquela baixinha terrível.Encontrei ela no quarto de minha mãe olhando para uma foto que estávamos eu, ela, Gageel, Juvia e minha mãe, foi do meu aniversário de dezessete anos.—Levy? – chamei por ela e quando percebeu que eu estava observando ela tentou limpar as lágrimas, mas a impedi abraçando fortemente minha amiga.Então ela soltou todo o choro que escondia de mim, logo Gageel apareceu na porta preocupado, e quando viu que estávamos as duas chorando ele deu as costas para nós, sabia que precisávamos desse momento a sós.—Meu desculpe Lucy... – Levy disse entre choros. – Eu não queria ficar sem falar com você, mas é doloroso te dizer adeus.—Eu sei, sinto o mesmo... – apertei mais ela. – Levy, sei que não faz muito sentido o que irei lhe dizer, mas... por favor... não esqueça de mim...
—Boba... – ela me xingou. – Como poderia? Eu juro, vou dar um jeito de te ver, nem que eu caminhe até lá...—Vai cansar... – respondi chorando ainda mais, só de pensar, de imaginar em ficar sem essa baixinha, todo meu corpo doía, ainda não entendia, por que a vida estava sendo tão injusta, perder tantas pessoas em apenas dois dias.—Não me importo, meus pés podem se encher de bolhas... – ela disse chorando mais ainda, ela sabia que essa seria nossa última conversa. – Eu vou te encontrar...—Eu te amo Levy... – disse a ela, eu amava, ela foi minha primeira amiga e sem dúvida a melhor que tive. – Não vou te esquecer.—Eu amo mais Lucy... – ela chorou mais alto. – Prometo não esquecer você.Assim nos acalmamos e ela me entregou o porta retrato, com certeza, nunca vou me esquecer da minha família que criei neste lugar.Com as coisas prontas, conferi o horário e já eram oito e meia, precisávamos nos apressar.No caminho Levy ligou para Gray e Juvia vim se despedir, afinal eram meus amigos também.Chegando na estação, já vimos Gildartz sentado num banco lendo uns papeis. Assim que me viu, se levantou e veio me cumprimentar.—Bom vê-la senhorita Lucy. – ele apertou minha mão e assim eu sorri pra ele. – este documento eu preciso que assine para mim.—O que é? – perguntei curiosa pegando para ler.—É dos bens da sua mãe, que depois foram para o seu e depois que assinar serão vendidos para um casal que vai vim morar pra cá. – Gildartz explicou.—E o dinheiro? – perguntei assinando.—Já está nesta maleta. – Gildartz sorriu e entregou para mim. – Você vai ficar bem. Ah e preciso que leve este documento para seu pai, ele precisa assinar e me mandar de volta no próximo trem pode ser.—É sobre ficar comigo? – perguntei a ele.—Sim, ele precisa assinar para ser legalmente seu responsável. – Gildartz explicou e me entregou o documento, já o guardei na mala. – bem, aqui está sua passagem, e boa viagem Lucy, qualquer coisa, é só me ligar, você tem meu número.—Só vou precisar caminhar até a outra cidade pra fazer isso, mas obrigada mesmo assim. – respondi e apertei sua mão lhe desejando adeus.—LUUUUUUUUUUUUUUUUCCYYYYYYYYY! – alguém extremamente escandaloso, mas que eu amava muito como amigo gritou meu nome e me abraçou muito forte. – Não vou deixar que vá embora e termine nosso relacionamento.—Loki! – o abracei mais forte ainda. – Vou sentir sua falta.—Ahhhhhhhh.. – ele começou a chorar e então vi, Virgo, Aries, Bigududo e até Aquarius vieram se despedir.—Você não pode ir embora... – Aquarius falou. – Eu não deixo você pedir a conta.Sorri pra ela, eu sabia que jamais iria arrumar outro lugar pra trabalhar com pessoas tão boas e que me tratavam tão bem.Então minha chefe e os outros começaram a chorar também e me abraçaram em grupo.—Vamos sentir muito sua falta pequena. – o bigududo engolia o choro, então fui até ele o abracei.—Obrigada por toda a companhia, as risadas e os momentos doces que vocês todos proporcionaram a mim. – falei lacrimejando. – Nunca, jamais vou esquecer os bons momentos e as maravilhosas lembranças que tenho da lanchonete Aquarius.—Querida, quando quiser voltar, saiba que o emprego será seu. – Loki disse.—Você não manda lá! – Aquarius falou sério pra ele, mas sorriu ao voltar sua atenção a mim. – Mas ele tem razão.—Vou sentir saudade. – disse e eles sorriram pra mim.—Lucy? – a voz de Juvia surgiu de repente, olhei para trás e ela estava vindo devagar em minha direção.—Juvia. – falei indo em sua direção. – Sei que está chateada...—Não Lucy. – ela me interrompeu. – Juvia deve desculpas, Juvia estava com ciúmes, não queria ficar sozinha, mas agora Juvia recebeu o castigo, vai ficar sozinha de qualquer jeito.—Não, não, não. – fui até ela e a segurei pelos ombros. – Você nunca esteve sozinha, eu jamais faria isso propositalmente, mas precisamos sempre procurar por novas amizades, precisamos dar uma chance pras pessoas, sendo quem ela for, afinal todos precisam de um amigo.—Juvia sabe agora. – ela começou a chorar. – É verdade que isso é um adeus?—Sim. – respondi triste. Juvia me abraçou fortemente.—Prometo que vou ser amiga de Gray para não deixa-lo sozinho. – Juvia falou.—Fico feliz. – abracei mais forte, ele precisará de alguém. – cuide bem dele.Assim que vi ele vindo de longe correndo Juvia me soltou e sorriu, ela entendia que eu precisava me despedir dele e só me restavam cinco minutos antes do trem partir.Corri até ele e nos abraçamos. Ficamos assim por um tempo, não precisava de muita palavras, afinal, ambos sabíamos que nosso relacionamento não iria dar certo a distância, sei que muitos funcionam, mas ainda assim, eles tem um modo de se comunicar, e em Magnólia, isso não era permitido, então era um adeus.Ele se distanciou de mim e capturou meus lábios, foi um beijo intenso, cheio de carinho e desespero, assim que me soltou vi que seus olhos lacrimejaram, sorri para ele e tudo o que ele me disse foi:—Obrigado! – e assim sorriu de volta.—Tchau Gray... até... um dia – falei e soltei sua mão, a chaminé do trem apitou e eu sabia que era hora de ir.—Até. – ele disse e seu sorriso foi se desfazendo a cada passo que eu dava para longe dele. Eu sinto muito Gray, sinto de verdade, nós poderíamos ter dado certo.Passei por meus amigos e eles sorriram para mim, mas foi como Gray, aos poucos foram se desfazendo, mas não olhei mais para trás pois a ultima lembrança que queria deles eram seus sorrisos.Entrei no trem e dei minha passagem para o maquinista, enfim ele fez uma expressão de quem sentiu pena de mim quando viu meu destino, e assim deu de ombros e apitou, o trem começou a andar e eu olhei pela janela e de longe pude ver todos juntos sacudindo as mãos, colei minha mão no vidro da janela, foi uma bela vida que tive aqui em Era, não era uma cidade grande, mas era a melhor pra se morar, fiz belas amizades e presenciei vários momentos inesquecíveis, portanto minhas lembranças serão sempre boas.A viajem de trem iria durar algumas horas, então peguei meu celular para escutar música, mas ao desbloquear a tela, tinha uma mensagem, abri e vi que era de Levy, não tinha texto algum, apenas um anexo, cliquei para abrir e era um foto minha e de Gray nos beijando na estação, uma lágrima escorreu pela minha bochecha, Levy sabia que eu não tinha nenhuma foto dele, obrigada amiga, obrigada mesmo.Coloquei esta foto como papel de parede do celular e a foto de meus amigos na tela de desbloqueio, então fui até as músicas e coloquei a música que fazia sentido neste dia e neste momento, All My Days de Alexi Murdoch, minha música preferida.Você pode acha-la na trilha sonora do filme Gigantes de Aço, bem no início.Eram algumas horas de viagem, então tirei uma soneca, escutei música, li uma revistinha antiga que tinha no vagão, era sobre faroeste.Era uma revista em quadrinho na verdade, uma história bem interessante, sobre um cowboy que se apaixonou por uma jovem donzela, e ele não sabia como dizer isso a ela. Essa história me lembrou um casal que eu conhecia bem.***—Lucy! – Gageel reclamou. – Isso é sério, eu .. eu não sei como falar... não sei como ser romântico.—Então como se apaixonou? – perguntei levantando uma sobrancelha. – Olha Gageel, o único jeito de você conseguir falar pra Levy o que sente e finalmente beijá-la e tê-la em seus braços...—Sério? – ele me olhou estressado, sei que ele não gosta dessas melosidades.—Ok, desculpe só estava brincando. – ri dele. – enfim, você terá que fazer o que seu coração mandar, sei que parece clichê e idiota, mas quando se ama, é assim mesmo, deixe o seu coração te guiar.—Ridículo. – ele olhou para o céu como se pedisse ajuda.—Ridículo é você olhar para o céu esperando que Deus fale por você. – argumentei.—Ok, você ganhou. – ele sentou no banco do parque. Estávamos no parque de diversão, eu Levy e Gageel, e como vocês perceberam, ele não sabia como dizer a ela como se sentia, neste momento Levy foi pegar bebidas para nós, pois estava um dia ensolarado e fazia muito calor.—Olha Gageel. – ele prestou atenção em mim. – Sei que Levy sente o mesmo, então não precisa ter medo de nada, claro que você está nervoso, quem não ficaria? Mas apenas siga o seu coração, faça o que tem vontade, suas ações serão justificadas pelos seus sentimentos.(Spin off: caros leitores, não machuquem alguém por não simpatizarem com essa pessoa).—Isso foi profundo. – Ele comentou sorrindo. – Ela está vindo.
—Ok. – Levy chegou. – quem pediu coca?—Eu. – olhei para Gageel em seguida e sorri. – Eu vi um conhecido ali na montanha russa, eu já volto ok? Esperem por mim aqui.—Tá bom. – Levy sorriu e entregou a fanta uva para Gageel, na verdade eu tinha pedido aquele sabor, mas como sei que ele não gosta peguei a coca dele e deixei o refrigerante que ele odeia pra deixar ele mais nervoso ainda. Sim, eu sei, isso foi sacanagem, mas admita, foi legal.Fui atrás da lojinha e fiquei espiando, logo Gageel se levanta do banco e se ajoelha no meio do parque, as pessoas começaram a olhar estranho para os dois, tive vontade de largar aquela risada alta, mas por respeito ao coração de Gageel, não fiz isso.—Aham... ahm... Levy... – ele chamou pela moça, que olhava estranhamente.—Gageel levanta, o que você está fazendo? Está todo mundo olhando... – ela sussurrava pra ele.—Não posso. – ele disse ficando vermelho. – Meu coração quer fazer isso ajoelhado, pois ele admira muito você, ele respeita você, e quero que neste momento, você me veja como um pequeno homem que quer estar ao seu lado na vida, quero que veja o quão estou disposto a fazer tudo por você, que até deixo meu coração comandar pra falar com você, pois você é a pessoa mais importante pra mim, foi a primeira que conseguiu enxergar que tenho um coração, um pequeno, humilde e apaixonado coração....Admito, fiquei sem palavras, eu não teria feito melhor, claro, eu não estou afim da Levy, qual é. Ela é minha melhor amiga, só estou elogiando o romântico Gageel.—Então eu peço... teria a honra...Gageel foi interrompido por um beijo bem ousado da baixinha, ele ficou tão surpreso quanto eu, tanto que se desequilibrou e caiu para trás levando ela consigo, mas Levy não se importou, mesmo no chão, seu beijo não se rompeu, demonstrando que mesmo em momentos difíceis, quando você está prestes a cair num buraco, um não deixará o outro cair sozinho.***Naquele dia, eu mandei uma mensagem para o celular da Levy dizendo que tinha ido pra casa pra deixar eles aproveitarem.Nesta história da revista, acontecia algo parecido, mas o cowboy não precisou de conselhos, afinal, não existia uma conselheira, espero que Gageel e Levy fiquem bem sem mim, eles vão ficar, espero que não se metam em encrencas ou briguem, não sei quanto tempo irá demorar até eu vê-los novamente.Olhei pela janela e comecei a ver as plantações, logo eu chegaria na cidade Oak Town, a cidade vizinha de Magnólia. No horizonte o céu tinha muitas nuvens negras, parecia que iria chover logo por aqui, espero que eu chegue logo na estação pra ficar no coberto, antes que chova. E como imaginei o trem começou a diminuir a velocidade, então parou, olhei para fora e vi um pequeno casebre com uma placa escrito Oak Town.—É isso.. – peguei minhas coisas e saí do vagão, vi o maquinista dar um tchau para mim desejando-me boa sorte.Quando desembarquei senti a brisa geladinha e o cheiro das plantações, eu estava de volta a Magnólia.
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