Magnificência
2 Capítulo 2
Eu nasci em 97. Em janeiro. Sim, sou atrasada um ano na escola, reprovei ano passado. Apesar disso, ganhei um carro e fui dirigindo para a escola pela primeira vez. Meu irmão também.
Foi como em um filme. Nós dois estacionando nossos Trollers preto foscos ao mesmo tempo, saímos em câmera lenta e travamos o carro pelo controle sem nem olhar para ele. Foi emocionante, eu simplesmente não conseguia parar de sorrir.
Só que, outro aluno também havia chegado dirigindo e todos, inclusive eu, viraram seus pescoços para olhá-lo. Era Glad. Assim eu o chamava agora, apesar de nunca ter conversado com ele, nem tive a chance.
Ontem, depois que todos saíram do auditório, ele sumiu da minha vista e depois eu descobri que estávamos em salas diferentes. No fim dos horários ninguém tinha noção de onde o garoto estava, então não. Não deu nem de eu pedir o whats dele.
E não, eu não tinha vindo dirigindo para a escola no primeiro dia de aula, minha mãe havia insistido em me trazer porque ela e meu pai viajariam ao meio dia daquele dia.
Eu não fiquei nem um pouco chateada com aquilo porque aquilo significava festa.
Passei a noite anterior organizando tudo e hoje distribuiria os folhetos.
– Aqui. – entrego uma pilha de folhetos para Laura e Jéssica. – Podem pedir para alguém para espalhar por aí? Obrigadinha.
– Certo. – responde Laura entregando para o seu namorado que estava ao lado dela. – Ei, você viu como o novato chegou?
– Incrível, não é? – comento.
– Sim. – ela me observa com cautela. – Não está com inveja ou algo assim, está?
Arregalo os olhos em choque.
– Por que eu me sentiria assim?
– Ah, porque é o segundo dia dele e ele já chamou bastante atenção. Talvez as pessoas decidam seguir mais ele que você.
Rio diante de tanta infantilidade. Parecia que eu ainda não havia saído do pré 1.
– Nem um pouco, La. Na verdade estou orgulhosa e não se preocupe, vamos “governar” juntos. – rio em deboche. Como se a escola e seus alunos precisassem de governantes e como se eu quisesse ser uma. Apesar disso, não brinquei sobre o “juntos”.
Um pouco mais tarde naquele dia, no intervalo, decidi passar um pouco de tempo com meu irmão. Não havia notado de modo algum que Glad estava ali com ele.
Eles estavam relaxando na mesa de pedra. Este era o lugar mais afastado do resto da escola. Ele era cercado por vegetação cuidada e florida.
O sol estava brilhando e vento gelado fazia voltas pelo lugar.
Parte do time de lacrosse estava ali e Glad estava sentado em um dos bancos que enchiam o local.
Tomei um momento para juntar coragem. Fazia tempo que eu não chegava em um garoto, era sempre o contrário, então senti aquele friozinho perturbador enquanto caminhava em sua direção.
Mas então percebi que não precisava me sentir daquele jeito, pois assim que me viu, ele sorriu e abriu espaço ao seu lado no banco.
– Olá. – sua voz era magnifica. Eu não posso nem a descrever.
– Como vai? – perguntei. Senti uma angústia na mesma hora. Odiava aquele tipo de pergunta, mas tinha ficado tão ansiosa em responder algo que falei o que surgiu primeiro em minha mente.
– Muito bem. – respondeu com um sorriso. Sua arcada dentária era tão perfeita quanto o resto dele parecia ser. – Você?
– Igualmente. – suspirei mentalmente em reprovação. Igualmente? Que droga de resposta.
Forcei-me a ficar mais calma. Não faria nenhum bem com o coração na boca.
– Prazer, Gladstone. – disse ele. – Mas prefiro Glad.
– Ah, que bom porque já me refiro a você assim desde ontem. – conto.
Ele riu. E como ele ri. Riu graciosamente, com a beleza de um predador felino.
– Madelyn. – digo meu nome.
– Madelyn. – ele disse analisando. – Como se soletra?
E o resto da conversa foi bobinho assim, mas eu tomava cada segundo para analisá-lo. Não sei se notei errado, mas ele parecia fazer o mesmo comigo.
Nossos olhos percorriam um ao outro vorazmente. Eu queria me lembrar de cada detalhe seu, de tudo em que eu pudesse me segurar. Cada botão de sua camisa, cada rasgo em sua calça, cada gesto de seu corpo.
Eu me sentia como se estivéssemos nos ligando um ao outro.
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