Toc toc toc...

—Tudo bem... já estou levantando... – respondi para quem quer que fosse na minha porta, me espreguicei, bocejei e então levantei para me arrumar, vesti uma calça jeans, uma botinha baixa, um blusinha de manga comprida, um casaquinho leve e um pequeno lenço por cima, no cabelo fiz um rabo, um pouco de lado, não sei, mas cansei do casual rabo de cavalo e assim no ladinho pareceu tão certo e minha cara.

Sai do quarto e fui até o banheiro, lá fiz minhas necessidades e fui até a cozinha, encontrando apenas Natsu arrumando a mesa, ele parecia feliz e distraído, nem reparou que eu cheguei, fui até ele e tentei assustá-lo, mas quando cheguei perto ele levou sua mão até minha cintura e me fez girar e parar abraçado com ele, como um passo ensaiado de dança.

Nos corpos estavam colados e nossas respirações estavam ficando ritmadas, mas desfizemos toda essa conexão quando ouvimos a porta do quarto de Jude se abrindo e ele vindo na direção da cozinha.

—Bom dia meus pequenos.. – ele olhou para nós e sorriu enquanto sentava em seu lugar, eu sorri pra ele e fui até a geladeira pegar o restante das coisas. — Ah querida, você usava assim o cabelo quando era pequena, eu e sua mãe sempre fazíamos um rabinho de lado pra você.

Sorri ao saber daquilo, eu sabia que tinha algum motivo de eu me sentir bem com ele.

Quando terminamos, arrumamos rapidamente e cada um por vez foi escovar os dentes e depois nos encontramos no lado de fora da casa já subindo no cavalo de Natsu.

—Tchau, boa aula. – meu pai gritou para nós enquanto saíamos pelos portões.

—Quando vai me ensinar a andar a cavalo? – perguntei a Natsu enquanto o abraçava por trás para não cair de cima do quadrupede.

—Pensei que não queria mais aprender... – Natsu falou rindo.

—Por que eu não iria querer? – o questionei por sua suposição.

—Por que gosta de ficar abraçada a mim...- ele sorriu de canto e olhou de para trás para ver minha expressão.

Eu me escondi atrás de seu ombro e sim eu fiquei corada com seu comentário, afinal não esperava por essa, ele não era do tipo que falava essas coisas.

Continuamos em silêncio até chegar na escola e lá Erza e Cana já vieram me encontrar, fiquei feliz com a empolgação delas, mas meu sorriso logo se desfez quando percebi que em seu rosto havia preocupação e aflição.

—O que houve? – Natsu reagiu primeiro.

—Lisanna... – Erza respondeu um pouco ofegante, eu franzi o cenho, o que aquela albina estava aprontando agora.

—Ela está estranha, tipo vestida.. entende? E quer falar com você. – Cana respondeu como se lesse meus pensamentos.

—Comigo? – Estranhei. Natsu me olhou com receio, afinal da última vez que vimos ela, ela queria vir pra cima de mim mas, foi impedida pelas nossa ruiva e depois Natsu a colocou no lugar com algumas palavras verdadeiras.

—Sim, com você, ela não parece uma ameaça, mas mesmo assim, vamos te acompanhar. – Erza disse pronta para me proteger, sorri com isso, onde mais eu iria arrumar uma guarda costas tão talentosa?

—Ok, onde ela está? – perguntei e elas apontaram para uma árvore onde os três irmãos Strauss estavam sentados.

—Vai mesmo ir falar com ela? – Natsu me segurou pela mão.

Olhei para ele e vi a preocupação sem seus olhos, era evidente, então fiz sinal para Erza e Cana irem na frente.

—Você não pode ir falar com ela. – Natsu disse ainda segurando minha mão.

—Por quê? – perguntei seriamente.

—Estou com medo que ela a ofenda ou a faça chorar.. – Natsu respondeu cabisbaixo. – Lisanna tem um poder de fazer as pessoas ficarem assim.

—Não, ela tem esse poder com garotos e acredite, eu não sou um. – respondi soltando sua mão e acariciando de leve seu rosto o fazendo olhar para mim. – Vai ficar tudo bem, eu só vou conversar com ela, nada de mais ok?

Ele fez sinal positivo e então eu fui atrás das meninas enquanto Natsu foi até onde Jellal e Laxus estavam conversando, perto do muro onde era o costume deles ficar.

Cheguei até elas e nós três fomos até os três, então Mira e Elfman se levantaram e vieram me cumprimentar normalmente.

—Como você está? Erza e Cana me contaram que estava com dor ontem. – Mira pôs a mão em minha testa para verificar se eu estava com febre e Lisanna não reagiu bem a esse gesto, ela virou a cara para onde Natsu estava.

—Estou bem, obrigada!. – agradeci Mira e então dei a mão ao irmão mais velho e depois os dois foram em direção aos três rapazes que conversavam. Então fiquei na frente de Lisanna. – Queria falar comigo?

—Sim, mas a sós. – ela olhou para minhas amigas e elas franziram a testa e olharam para mim, eu confirmei que tudo iria ficar bem, então as mesmas foram para os mesmo destino que Mira e Elfman.

—O que é? – perguntei e sentei ao seu lado, a mesma se distanciou um pouco, e realmente como as meninas descreveram ela pareceu sentir frio hoje, pois estava com calça e moletom, uma roupa adequada, mas decidi não ficar reparando nas vestimentas dela e olhei para seu rosto, foi então que reparei que ela olhava para a grama e seus olhos pareciam lacrimejar.

—Você me odeia? – ela perguntou, ok, eu não esperava isso, não mesmo.

—Por que está perguntando isso? – falei, eu definitivamente não esperava isso.

—Só responda ok? – ela pediu tentando esconder que queria chorar.

—Ok, não, eu não te odeio. – respondi, era verdade, eu sentia um pouco de repulsa quando ela se jogava pra cima de todos os rapazes ou quando fazia Natsu ficar triste, mas eu não odiava ninguém, qual é.

—Desculpe... – ela sussurrou, eu quase não entendi o que ela disse, mas entendi, ela acabou de se desculpar?

—O que? – perguntei, pois eu precisava ouvir de novo.

—Desculpe... – dessa vez ela falou um pouco mais alto e então olhou pra mim, e vi as lágrimas saindo, uma a uma e cada vez mais rápido.

—Por que você... – tentei perguntar, mas ela chorava muito já, eu não consegui evitar, a abracei forte, encostei sua cabeça em meu ombro e olhei para meus amigos que me olhavam como se fosse o fim do mundo, acreditem, estou tão surpresa quanto vocês.

—Desculpe Lucy, eu nunca quis ser uma pessoa ruim e depois da festa.... eu... eu fiquei tão triste com o que o Natsu falou... percebi que eu sou uma pessoa tão ruim.... eu percebi que sou fácil... eu.... – ela tentava continuar, mas os soluços eram incontroláveis e então o sinal tocou e era hora de entrar, ela tentou se levantar, mas eu não iria deixar que ela entrasse dessa maneira, então a segurei no abraço e fiz sinal para os meus amigos irem, sem entender nada do que estava acontecendo, eles foram.

—Vamos matar uma aulinha? – perguntei pra ela e a mesma conseguiu sorrir para mim, e sim foi um sorriso de verdade. – Vamos!

Levantei e a segurei pela mão, então fomos para o lado da escola, onde tinham mais árvores, era mais difícil que algum professor ou até mesmo que Hades nos visse.

Sentei na sombra de uma árvore e ela se sentou ao meu lado.

—Continue.. – falei a incentivando a falar.

—Bem, quero que me desculpe, de verdade. — Ela falou olhando em meus olhos, adimito, passou pela minha cabeça que ela estava apenas brincando comigo, mas seu olhar parecia tão sincero e arrependido. — Eu... eu nunca quis ser uma pessoa assim e eu percebi, bem Natsu abriu meus olhos... eu sou indesejável em qualquer lugar e eu não quero que aas coisas continuem assim... então me perdoe por ter te provocado e tudo mais, eu realmente sinto muito...

—Tudo bem... é claro que eu fiquei um pouco chateada, mas acontece, não se preocupe, eu entendo... — eu sorri pra ela e a mesma pareceu retribuir. — Me desculpe também pelas xingas...

—Não precisa, Mira tinha razão, eu sofro de carência emocional... — ela começou a falar e de repente olhou para os lados tentando ver se alguém estava escutando nossa conversa.

—O que foi? — tentei olhar também, mas estava um silêncio total ali fora, só se ouvia o vento fazendo as folhas se mexerem e os animais.

—Eu... como eu disse... não sei se você sabe, meu pai é prefeito daqui... e ele não tem tempo pra nós... quer dizer... Mira é a filha perfeita... Elfman, é o filho homem que ele sempre quis... então pra que ele quer a segunda filha, que tira nota baixa, que não sabe fazer pães como a irmã... – Lisanna falava enquanto começava a chorar novamente, eu não entendi o por que ela começou a falar isso do nada, mas ouvi. – Eu vou falar com ele toda a noite e ele mal me olha, nem boa noite me deseja.... ele sempre diz a mesma coisa... “não tenho tempo, estou trabalhando”... só que depois de alguns minutos, meu irmão entra na sala e sai de lá horas depois, sorrindo e abraçado com ele... e Mira... ela entra lá e sai triste, eu pregunto o que ela faz e ela não me responde nada... só me ignora e vai pro quarto...

—Lisanna, eu sinto muito... – a consolei

—Bem, é complicado. – ela olhou para mim.

—Você acha que seu pai maltrata Mira?– perguntei tentando entender o modo de pensar da garota.

—Eu desconfiei disso, então depois de uma noite que Mira saiu da sala dele eu entrei e o enfrentei... – ela olhou para baixo, e pegou um macinho de grama e depois começou a jogar um por um fora. – Eu entrei e gritei, “O que você está fazendo com a Mira?”... ele me olhou, sorriu, e veio até mim, pegou minha mão e me levou até o sofá particular dele..

—E? – falei, pois ela parecia enterrada na lembrança.

—Ele me fez jurar que nunca iria contar pra ninguém o que ele iria fazer comigo. – ela contou e olhou vidrada para o chão. – Eu menti Lucy, para todo mundo na festa...

—Do que está falando? – perguntei franzindo o cenho.

—Eu não sou virgem... – ela falou olhando assustada para as mãos. – Meu pai me estuprou aquela noite, ele disse que era isso que ele fazia com a Mira toda noite.... e então entendi como ela se sentia quando saia daquela sala...

—Contou a alguém, ao seu irmão, a meu Deus Lisanna, isso é crime... – eu fiquei horrorizada com o que ela me contou.

—Acha que eu não quis fazer isso Lucy? – ela me olhou, e em seus olhos percebi a desesperança. – Mas antes de sair, ele disse que pararia de fazer a Mira se eu tomasse o lugar dela... eu fiquei tão feliz que pude ajuda-la, eu não aguentava mais ela infeliz daquele jeito, então... eu aceitei...

—Lisanna... – eu me aproximei dela e novamente ela chorou e encostou-se ao meu ombro. – Mas mesmo assim, você precisa contar isso a alguém que possa ajudar...

—Eu pensei, mas ele disse... que se eu contasse a alguém, ele... ele mataria Mira assim como matou a nossa mãe... – Lisanna olhava pra mim desesperada, eu não sabia o que fazer, eu queria ir até a casa dela e falar uma verdade para seu pai, mas, do que adiantaria, elas podem estar correndo risco de vida e eu também, isso só pioraria...

—Mais alguém sabe disso Lisanna? – perguntei olhando em seus olhos. – Contou ao Natsu?

—Não, não contei a ninguém, nem Mira sabe disso, ela provavelmente acha que papai parou de fazer isso com ela por bondade, sabe como ela é... – Lisanna respondeu secando as lágrimas.

—Por que me contou então? Eu pensei que você não gostasse de mim... – comentei.

—Não tenho nada contra você, e confio em você, por que foi a única que conseguiu me enfrentar e fazer com que Natsu percebesse o que era melhor para ele. – ela respondeu olhando pra mim. – Eu agradeço muito.

—Espera... se queria que Natsu se afastasse de você, por que não disse isso a ele? Por que ficou o perturbando? – perguntei curiosa.

—Ele iria se sentir mal, e eu não consigo fazer isso... eu sou uma criança burra e idiota... sempre pensei que se eu namorasse uma cara forte e bondoso e ele soubesse disso, ele iria dar um jeito no meu pai. – ela colocou a mão no rosto mostrando o arrependimento. – Enfim, eu acabei me perdendo do meu propósito, e agora acabei me acostumando a essa vida, namorar um ali e um aqui, ser admirada por muitos, e chegar em casa e ser estuprada pelo pai...

Seu modo de pensar me deixou chocada, eu não sabia exatamente por que ela tinha me contado aquilo, talvez numa última tentativa de obter ajuda, talvez por que precisava contar a alguém, talvez por que queria ser minha amiga, ou talvez por que o restante do pessoal nunca iria acreditar nela. Mas eu sendo como sou, não poderia ignorar isso, não era algo que eu desejaria para meu pior inimigo, e muito menos para uma garota no qual o pai conseguiu destruir a vida, todo o ressentimento que eu tinha por ela, sumiu, se foi, tudo o que eu queria neste momento, era vê-la feliz, com alguém que a fizesse feliz.

—Eu vou te ajudar! – falei sem pensar duas vezes.

—Você não pode, e não pense que contei a você por quero sua ajuda. – ela respondeu prontamente. – Contei por que sei que você é uma pessoa que sabe guardar segredo e eu queria explicar por que eu sou assim.

—Não, eu não posso aceitar isso, eu e você vamos nunca delegacia contar tudo isso para eles, pois se eu for sozinha não vai rolar, tem que ter uma testemunha, vamos... – já fui me levantando mas, ela apenas ficou sentada me olhando como se eu fosse louca.

—Já disse, você não pode fazer nada. – ela respondeu e eu sentei novamente. – É Magnólia Lucy, não tem isso aqui, o departamento de polícia mais próximo fica numa cidade vizinha a alguns quilômetros de distância e ninguém vai lá, por que todos acreditam que aqui é uma porcaria de lugar onde nada de ruim acontece.

—Então você vai desistir? – questionei sua atitude.

—Não, vou esperar ele morrer pra viver. – ela respondeu como se fosse algo inteligente a se dizer.

—Foi à coisa mais estúpida que eu já ouvi. – argumentei. – Qual é, acredita mesmo no que disse? Seu pai tem quantos anos? Vai viver quanto tempo ainda?

—E se eu for embora quando fizer dezoito anos? – ela me olhou com dúvida.

—E deixar seus irmãos pra trás com ele? – perguntei novamente.

—Eles podem vir junto. – ela comentou sorrindo.

—Não, você precisa botar um fim nessa história. – eu falei e dessa vez me levantei e ela se levantou comigo.

—O que você vai fazer? – ela perguntou parando em minha frente tentando me impedir de fazer o que quer que eu fosse fazer.

—Vou contar para meu pai. – confessei meus planos a ela.

—O que? – ela ficou indignada. – Eles são amigos, todos os velhos e adultos dessa merda são amigos, não vão acreditar em você e mesmo que acreditem, o que eles vão fazer?

—Algo que você não está fazendo. – respondi e passei por ela.

—Você está parecendo o Hibiki. – ela falou e eu parei imediatamente.

—O que? – olhei para ela franzindo o cenho. – Do que está falando?

—Eu bebi muito na festa da Cana, nem sabia mais o que eu estava falando, então eu contei ao Hibiki essa história, e ele ficou indignado e saiu da festa, eu não fui atrás dele por que você e o Natsu estavam começando a se beijar e eu tinha que impedir... por falar nisso desculpe... – ignorei seu último comentário e pensei no que Lisanna confessou, e então finalmente entendi por que ele havia desaparecido aquela noite.

—Não teve notícias dele? – perguntei chegando mais perto da albina.

—Não, e ele não apareceu hoje... – ela olhava para baixo arrependida de ser tão compulsiva.

—A meu Deus... será... – eu já pensei na pior das hipóteses, no rapaz invadindo a casa do prefeito para flagrar ele.

—Hibiki não é tão burro assim, ele não iria até lá.. – Lisanna me acalmou, mas mesmo assim. – Ele deve ter se sentido enojado de ficar com uma garota como eu, então foi embora. Não se preocupe, já estou acostumada.

Franzi o cenho para ela e assim terminamos nossa conversa, ela passou por mim, estava indo em direção à entrada da escola, mas parou e se virou.

—Só me faça um favor Lucy, não conte a ninguém isso e não tente bancar a heroína. – ela disse e então entrou na escola, eu me sentei debaixo daquela árvore e fiquei olhando para o céu, tentando buscar uma forma de ajudar a garota, de descobrir o que houve com o nosso colega e ainda assim tentando entender o que mais poderia estar acontecendo aqui nessa cidade que eu ou qualquer um não sabia.

No intervalo todos ficaram preocupados comigo, mas eu disse que estava tudo bem e que ela só queria pedir desculpas pelo modo como agiu comigo, então eles pararam de me questionar sobre isso e assim o segredo de Lisanna estava guardado, porém até quando eu seria capaz de manter isso longe dos ouvidos de quem merecia saber.

Finalmente o término da aula chegou e lá estávamos nós indo para casa, Lisanna me lançou um olhar determinado, para que eu não falasse para meu pai, e eu só pude imaginar, ela chegando em casa, tomando banho e indo para a sala do seu pai.

A tarde passou rápido, à noite também, mal consegui dormir pensando em Lisanna, naquela hora ela devia estar com ele, e eu quis vomitar por pensar isso, meu estômago estava embrulhado, mas não era a mesma sensação de quando estou com Natsu, era nervosismo e ansiedade.

No outro dia, pela manhã, tomamos café em silêncio, Natsu sabia que eu estava estranha, mas eu afirmei que não era nada, então por enquanto ele parou de me questionar.

Fomos pra escola e novamente quando chegamos Erza e Cana vieram correndo nos encontrar.

—Lisanna de novo? – Natsu perguntou já chateado.

—Não, Lisanna não vai vir pra aula. – Erza falou tensa.

—Então o que foi? – Perguntei percebendo o quão incomodadas elas estavam.

—É o Hibiki. – Cana respondeu séria, isso não era um bom sinal.

—O que houve? Ele está bem? – perguntei um pouco agitada e todos me olharam intrigados.

—Não, ele invadiu a casa dos Straus ontem à noite e esfaqueou o prefeito. – Mal consegui ouvir o restante da história, pois minha visão escureceu de leve e perdi o controle das pernas, Natsu me segurou e me pôs sentada no muro da entrada da escola.

—Você está bem? – Natsu me perguntou.

Mas pouco dei ouvidos a ele, meu Deus Hibiki o que você fez? Por quê?

—Eu preciso ir vê-lo, onde ele está? – perguntei ansiosa.

—Está sendo levado pelos meus pais. – Erza respondeu sem entender.

—Natsu, por favor, me leve até ele. – implorei ao meu amigo e sem demora ele percebeu que era importante para mim, então me colocou no cavalo e sem nos despedir, fomos cavalgando atrás da carrocinha dos pais de Erza.

O vento soprando no rosto o ar gélido da manhã, a garganta já ardendo e o frio por irmos tão rápido não era nada comparada a tensão que se instalou no meu corpo, eu precisava ter certeza que ele estava bem, por Lisanna.

Conseguimos alcançar, mas ela estava parada, um cavalo estava amarrado nela e duas pessoas estavam em pé conversando, suponho que sejam os pais de Erza, uma mulher e um home de cabelos vermelhos assim como o da filha, e em cima estavam Hibiki e Lisanna.

Chegamos mais perto e Natsu foi explicar para o casal que éramos amigos do rapaz e queríamos apenas nos despedir.

Eu fui até os dois e Lisanna me olhou chorando e HIbiki estava com um baita sorriso no rosto.

—Hibiki... – falei e fui até ele abraça-lo.

—Haha, nunca pensei que iria ganhar um abraço seu... – ele sorriu. – pena que não posso retribuir.

Ele mostrou que estava algemado.

—Tudo bem? – perguntei a ambos.

Lisanna afirmou que sim com a cabeça e quando viu que Natsu se aproximou ela desceu e o abraçou e estranhamente eu não senti ciúme, pois eu sabia que ela precisava disso, eu sorri e me virei para Hibiki.

—Por que fez isso? – perguntei olhando seriamente para ele.

—Por que eu não tenho ninguém, e ela tem, só não podia viver com a família por causa dele, então, eu quis resolver isso pra ela. – ele sorriu pra mim.

—Mas você não vai mais voltar, isso é crime pra anos, mesmo que confirmemos tudo o que ele fez...

—Não importa, quero que me prometa que vai guardar esse segredo dela... ninguém precisa saber, todos vão comentar como o jovem e rebelde Hibiki entrou na casa e assassinou o bondoso prefeito, é só isso que o povo precisa saber... – ele sorriu e olhou para a jovem albina que chorava no ombro de Natsu, que não estava entendendo nada, mas retribuía o abraço pelo seu pai falecido. – O que importa é que Lisanna saiba que fiz isso por ela... eu sempre a amei Lucy, eu ficava com outras para fazer ela perceber que gostava de mim também... mas quando eu soube o que faziam com ela, eu não suportei, eu apenas tive que me preparar psicologicamente e fiz, por ela....

—Bem, chega de papo, agora temos que leva-lo... – os pais de Erza subiram na carroça e logo ela se foi, Hibiki apenas sorriu para traz e Lisanna sorriu de volta pra ele.

—Ele não tem ninguém? – perguntei olhando para Lisanna.

—A família dele morreu algum tempo, mas não se preocupe, quando ele voltar, eu vou estar esperando por ele, ele terá alguém. – Lisanna olhou para mim, sorriu e depois olhou para o horizonte, para o último vislumbre de seu herói.