Magnólia, minha cidade do interior
12 Nervos e preparativos
Na manhã seguinte, minha cabeça doía estranhamente, decidi dormir um pouco mais, acordei mais tarde, afinal ninguém veio me acordar, a principio pensei que todos haviam perdido o horário, então lembrei que era sábado, o dia da grande festa de Cana.
Levantei e me arrumei, fui ao banheiro e até então não encontrei ninguém pela casa, será que ainda estavam na cama? Seria uma oportunidade para sacanear Natsu.Fui até o quarto dele, e tentei abrir a porta, e como eu pensava, também não tinha tranca, entrei na ponta dos pés, sem fazer qualquer ruído, por breves momentos, reparei na decoração do quarto do rapaz, o mesmo de meu pai, mas ao invés de um retrato na cômoda, tinha um desenho, feito há muito tempo por uma criança, suponho que tenha sido o próprio Natsu.O desenho era de uma criança, um menininho com cabelos rosas, e uma mulher e um homem ao seu lado, ambos tinham cabelos escuros, deviam ser os falecidos pais do garoto, me senti solidária, pensando em desistir de aprontar com Natsu, mas me mantive firme e fui até ao lado da cama dele.Novamente senti minhas bochechas esquentarem ao ver como ele estava, a coberta cobria apenas uma de suas pernas e estavam metade no chão ao lado da cama, a outra perna estava dobrada, seu tronco estava virado para cima e seus braços esticados ao lado da cabeça, mas o interessante fato que me fez ficar vermelha é que ele estava apenas de cueca dormindo, eu não o culpo, afinal eu que estou invadindo sua privacidade, tentei ignorar o fato e destampei a pasta de dente que trouxe junto do banheiro.Apertei a bisnaga e a pasta saiu, passei em sua sobrancelha fazendo uma monocelha e fiz um bigode italiano no rapaz, ficou muito engraçado, mas quando fechei a bisnaga, Natsu abriu os olhos arregalando-os ao me ver, e imediatamente puxou as cobertas para cima tentando esconder seu corpo, e por coincidência do destino, eu estava em pé em cima da coberta, que ao ser puxada, me fez ir ao chão, cai de bunda, fazendo ficar dolorido.—O que você está fazendo aqui? – Natsu perguntou assustado.—Desculpa... – pedi massageando meu ossinho enquanto levantava. – Já estou de saída.Antes que ele percebesse o estado hilário de seu rosto ou me perguntasse de novo o motivo de eu estar no seu quarto, eu saí mais do que depressa.Fui até a cozinha e comecei a preparar o café, eram oito da manhã e papai ainda não havia levantado, assim acho.—Bom dia. – meu pai entra sorridente da cozinha e se senta em seu lugar, já preparando seu café.—Bom dia. – respondo sorrindo também levando a água fervendo até a mesa.—Que barulho foi esse agora cedo? – papai parece que acordou com o som do meu tombo. – alguém caiu, está tudo bem?—Sim, eu apenas escorreguei no meu quarto, desculpe te acordar. – contei, uma pequena mentirinha.—Bom dia. – Natsu apareceu na cozinha um pouco emburrado.—O que houve? – Jude perguntou ao ver a caranca do rapaz.—Alguém me passou pasta de dente no rosto hoje cedo. – Natsu respondeu sarcástico olhando para mim de canto.—Hahahahahaha. – eu não pude aguentar, tive que rir. – desculpe, ficou muito engraçado.—Hhahaha. – meu pai riu junto. – queria ter visto.Natsu sentou em seu lugar ainda emburrado, mas um pouco mais relaxado vendo que foi apenas uma brincadeira.—Então vocês vão que horas na colega de vocês? – meu pai pediu um tempo depois.Olhei para Natsu, ambos estávamos boiando, pois lembro-me muito bem de Cana dizendo para hoje confirmarmos para ela que ela diria o horário, mas acho que ela se esqueceu que ontem era sexta e não nos veríamos mais.—Ahm... – pensei um pouco, não precisava parecer mal organizado né. – meia tarde, lá pelas quatro horas.—Tudo bem, até preciso que vocês dois me ajudem a fazer algumas coisas e então podem ir se ajeitar e pegar o necessário pra ficarem lá. – papai exclamou e deu uma boa mordida em seu pão.Natsu suspirou e assim terminamos de comer e fomos ajudar Jude com os afazeres, era nada mais nada menos do que alimentar os cavalos e os outros animais, limpar o celeiro e fazer o almoço.A tarde estávamos livres pra arrumar nossas coisas, eu não iria levar muito, apenas algumas roupas e dois pares de calçados, era o suficiente para passar o final de semana.Quando tínhamos tudo pronto, nos encontramos na carrocinha que Jude havia deixado pronta para a viajem. —Se cuidem, qualquer coisa Natsu por favor os dois pra casa. – Jude ordenou com seu olhar paterno.Nós dois confirmamos e Natsu deu a ordem para os cavalos andarem.—A casa da Cana fica longe? – perguntei por curiosidade.—Não sei. – Natsu falou simplesmente.—Como assim? – perguntei não entendendo.—Não sei onde fica a casa da Cana. – Natsu respondeu sorrindo envergonhado.—Então como vamos chegar até lá? – perguntei o óbvio.—Vamos até a vila e então peço pra alguém mais velho, eles sabem onde todos moram. – Natsu respondeu erguendo os ombros.Suspirei e vi que eu estava perdida, literalmente perdida.Após um tempo, chegamos na vila e como Natsu disse, um senhor mais de idade, conhecido de Natsu, apontou com a mão o lado que tínhamos de seguir para chegar ao nosso destino.
—Viu só senhorita dramática. – Natsu disse ao voltar para a carrocinha.—Desculpe, mas é que na cidade grande se eu fosse pedir informação estaria correndo risco de vida praticamente. – expliquei a ele. – Por isso sempre procuramos saber o caminho e as informações do local onde vamos, principalmente se é desconhecido.—Desculpe, não sei como funciona lá, mas aqui é assim, todos se amam. – Natsu sorriu e piscou pra mim, novamente não pude deixar que ficar encabulada com seu comentário, resolvi olhar para longe e ignorar esses sintomas.Pela demora parecia que havia passado umas duas horas até avistarmos uma casa não tão pequena, mas também não tão grande adiante.—Chegamos. – Natsu disse relaxando os braços já cansados de guiar a carrocinha.Ambos desembarcamos com nossa bagagem e Natsu levou os cavalos até o celeiro, então veio comigo e fomos até a porta. Batemos e fomos atendidos quase de imediato.—Ah são vocês... quase pensei que não viriam. – Cana expressou um grande sorriso quando nos viu. – Eu acabei esquecendo que ontem era sexta e que não poderia confirmar se vocês vinham, mas deu tudo certo.—Alguém já chegou? Não sabíamos que hora era para estarmos aqui, desculpe. – falei entrando na casa assim que Cana nos deu espaço para fazê-lo.—Ah era mais tarde, mas não tem problema, foi culpa minha. – Cana dizia coçando a cabeça em sinal de vergonha. – Bem assim vocês podem me ajudar a deixar tudo pronto não é?—Sim! – respondemos juntos.Cana sorriu e foi indo em direção ao corredor, então parou e voltou.—Que falta de educação a minha, eu preciso apresentar a casa pra vocês hehe. – ela riu e novamente coçou a cabeça.—Cana... está tudo bem? – eu perguntei indo mais próxima a ela. – Você está agitada.Cana me olhou nos olhos e relaxou o ombro.—Desculpem.... é que bem é a primeira vez que recebo meus amigos aqui e além do mais Laxus vem e eu estou um pouco nervosa, não sei bem como agir. – ela disse se abraçando, como se estivesse com frio.—Está tudo bem. – eu disse sorrindo. – Eu e Natsu vamos te ajudar a deixar tudo pronto e eu já dei muitas festas na minha antiga cidade, sei como funciona, e Cana somos todos seus amigos, é só relaxar e fingir que está na escola.Pisquei pra ela e ela sorriu pra mim, me abraçando em agradecimento.—Então nos mostre onde ficam as coisas da casa que te ajudamos. – falei colocando as mãos na cintura e assim ela adotou uma expressão mais confiante.—Ok, aqui fica a sala. – ela apontou para um cômodo maior. – vamos passar a maior parte do tempo aqui, então suponho que deva estar o mais espaçoso possível certo?—Uhum... – concordei reparando, havia um conjunto de sofás de dois e três lugares, seria insuficiente para todos se acomodarem. – você tem almofadas ou colchões que possamos colocar no chão?—Sim, Natsu poderia ir pegar por favor? – ela olhou pra ele e ele afirmou. – Estão no celeiro, na parte de cima, traga todos que conseguir, obrigada!—Certo, quando Natsu voltar arrumamos aqui. – observei meu amigo sair. – Vamos pra outro cômodo.—Ok, aqui é a cozinha. – ela me levou até uma peça menor, mas bem aconchegante, havia uma pia, um fogão, uma geladeira e uma grande mesa de madeira. —Muito bem, eu acabei me esquecendo de trazer alguns ingredientes, você teria alguns para ver o que eu conseguiria fazer? – perguntei me sentimento boba, afinal ela pediu que eu cozinhasse algo.—Sim, não se preocupe, tudo o que encontrar aqui pode utilizar. – Cana sorriu e então ficou séria. – Eu vou dar uma olhada no banheiro, verificar se temos bastante papel higiênico e se caixa de água está cheia, seria um desastre se faltasse ambos não é, hahahahaha.Sorri pra ela e ela subiu as escadas, isso mesmo, tinham dois andares a casa dela, era pequena, mas alta.Enquanto isso dei uma fuçada nos ingredientes da cozinha e conclui que eu conseguiria fazer um bolo de aproximadamente dois quilos, alguns bolinhos de chuva, renderia para quatro porções e bastante pipoca de variados sabores, sempre muito bem aceita nessas ocasiões.Procurei um avental e comecei a trabalhar, logo ouço a porta da frente se abrir e verifico Natsu totalmente carregado de almofadas e colchões.Instrui ele a ir ajeitando a sala, então Cana apareceu de volta e expliquei como ajudar Natsu, enquanto os dois ajeitavam o cômodo principal fui preparando as guloseimas, terminei de preparar a massa e eles apareceram ao meu lado, ótimo eu precisava de ajuda.—Cana, por favor leve o bolo ao forno em 180° C e Natsu faça bolinhas com essa massa e coloque sobre aquela toalha que está na mesa. – instrui os dois enquanto deixava as pipocas a postos. – ótimo, agora Cana você sabe fritar?—Sim, pode deixar comigo. – ela sorriu e pegou outro avental.—Então Natsu alcance as bolinhas que você fez pra Cana e assim coloquem nessa tigela depois, enquanto eu vou fazer as pipocas. – falei e em meia hora, estava tudo pronta, inclusive o bolo. – Muito bem, agora bebidas?—Hum, eu mandei vir algumas cervejas, por que eu sei que alguns preferem, também tem cachaça, mas essa é mais minha hehehe.- Essa era Cana.—E você tem suco ou algo do gênero? – perguntei me preocupando com quem não bebia, inclusive eu e Natsu.—Não. – ela respondeu honestamente.—Você tem algum pé de limão ou laranja perto? – Natsu perguntou, parecia acostumado com essas situações.—Tenho alguns atrás da casa. – Cana explicou onde ficava e Natsu foi buscar, assim deixaria ele encarregado do suco.—Muito bem, onde ficam os quartos? Ou vamos dormir todos na sala? – perguntei a Cana.—Bem, eu já bolei isso. – ela me levou até o segundo andar. – Aqui, no quarto de meus pais, os meninos dormem. Era do mesmo tamanho do quarto de Jude e já havia alguns colchões mais confortáveis ali.—E este que é o meu quarto, as meninas ficam. – ela explicou. Fiquei boquiaberta, era um dos quartos mais legais que eu já tinha visto, cheio de coisas esotéricas e todo personalizado com a cor azul, minha cor preferida.—Amei seu quarto. – exclamei e Cana sorriu, o mesmo também tinha vários colchões prontos.—E também tem este quarto, seria o de visita. – Cana me mostrou um quarto mais retirado, com apenas uma cama de casal e uma pequena cômoda. – Este é para se acontecer de formar um casal hoje e eles queiram ficar a sós.Cana piscou pra mim, espero que ela esteja falando de Erza e Jellal.Enfim descemos e Natsu já estava preparando os sucos, olhamos no relógio, já eram oito horas da noite, e Cana começou a ficar nervosa novamente, e eu que pensei que ela era mais despachada.Toc toc toc...Cana foi atender aos pulos.—Oiiiiii. – Lisanna já entra sem ser convidada, então ela nos vê na sala e já se atira pra cima de Natsu. Eu apenas reviro os olhos e meu coração da uma fisgada de raiva, por que aquilo?—Lisanna, sai de cima por favor, que saco. – Natsu empurra a menina para as almofadas e se ajeita novamente no sofá. Aquilo me deixou mais leve, fiquei estranhamente feliz com isso, mesmo não sabendo o motivo.—Desculpe Cana.. – Mira já entrou se desculpando pelo comportamento inadequado de sua caçula.—Tudo bem Mira, mesmo eu tendo vontade de enforcar sua irmã. Oi Elfmna, entre, entre... logo logo a senhorita Evergreen estará aí para lhe fazer companhia. – Cana riu e soubemos que ela voltou ao normal.Estávamos conversando na sala, ou pelo menos tentando pois Lisanna cada pouco provocava ou a mim ou ao Natsu e isso estava ficando chato.Toc toc toc...—Juro que se você não ficar quieta, eu te tranco no celeiro junto com os animais. – Cana levantou para atender a porta, mas com o olhar ameaçador em cima de Lisanna.—Oi, desculpe o atraso. – Jellal apareceu na porta, ele já estava acompanhado de Hibiki, no qual ele disse que se encontraram no caminho.—Sem estresse. – Cana empurrou os dois pra dentro de casa, Jellal nos cumprimentou e se sentou do outro lado de Natsu e Hibiki veio correndo se sentar ao meu lado, deixando uma certa albina desconfortável.—Olá, que bom que está aqui loira. – Hibiki me abraçou de lado colocando sua mão atrás nas minhas costas, eu já iria tirar a mão dele daí, mas o rapaz foi impedido por ninguém menos que Natsu.—Sorte sua que não sou o namorado dela, senão iria socar a sua cara de playboy. – Natsu empurrou Hibiki pra longe de mim. – Mas mesmo não sendo ainda posso te ensinar uma lição, então fica esperto.—Era disso que eu estava falando, tem que ter treta numa festa. – Cana sorria ao ver Natsu me defender com punhos e palavras honrosas, apenas sorri com a cena e voltei minha atenção a conversa de antes com Mira e Cana.
—Saco... – Hibiki resmungou e foi se sentar ao lado da albina que já fez questão de jogar suas pernas nuas em cima das dele, apenas pra chamar sua atenção.Toc toc toc..Cana foi correndo atender a porta e ela e mais duas pessoas quase tiveram um troço, eu achei a cena espetacular.—Olá. – Laxus cumprimenta Cana com um beijinho no rosto, a mesma perde o chão, eu queria auxiliá-la, mas às vezes temos que enfrentar as coisas sozinhas.Então Evergreen e Freed entram na casa e se sentam ao lado de seus” amores” se assim posso dizer, Mira mal se movia e Elfman parecia que iria enfartar, mas logo o papo foi se desenrolando.Estávamos todos conversando e dando risada, então comecei a ouvir roncos de muitos estômagos, com isso fui até a cozinha buscar alguns bolinhos e Jellal veio atrás.—Estou ficando aflito. – ele falou ao chegar ao meu lado.—Acalme-se, ela disse que viria. – eu respondi sorrindo.—E se aconteceu alguma coisa, e se ela estiver perdida e se... – ele foi até a janela observar a noite. – Ela é apenas uma garota.—Jellal, sei que está nervoso e preocupado, mas acalme-se, não vai adiantar nada você surtar. – coloquei uma mão sob seu ombro e ele suspirou. – muito bem, vamos voltar pra sala com os outros, ela logo chega, você vai ver.Mal chegamos na sala e a porta já avisou que tinha alguém pra entrar, Jellal estralou os olhos como um falcão e Cana foi atender.—Oi, me desculpe à demora, houve um pequeno imprevisto lá em casa, tive que ajudar num parto de uma ovelha. – Erza já foi entrando mostrando sua presença, os olhos de Jellal brilharam de alegria ao vê-la, tanto por amor quanto por alívio que não tinha acontecido nada com nossa amiga.—Aham, sem desculpas, entre logo que tinha alguém que quase estava tendo um treco sem você. – Cana piscou pra ela e imagino que Erza tenha entendido, pois olhou para Jellal que fingiu não estar olhando pra ela, mas suas bochechas o entregaram.—Oi Jellal. – Erza foi até ele e sorriu, achei que o garoto ia ter um ataque do coração, mas no ultimo instante resistiu sorrindo de volta..—Bem agora chegaram todos, um outro pessoal que eu convidei disse que já tinha compromisso, então somos nós apenas, fico feliz que cada um tenha um par. – ela ficou vermelha depois que notou o que disse, até eu fiquei pois devido as circunstâncias, meu par era Natsu e eu não sabia o que Cana planejava com isso. – Bem, como primeira programação da noite, uma coisa leve, vamos fazer um jogo de acertos e erros, tenho aqui muitas perguntas sobre mim e várias outras pessoas presentes aqui, fiz uma pequena pesquisa sobre cada um para que fosse mais emocionante.—Ok, e como funciona isso? – Erza perguntou entusiasmada.—Bem, vamos sentar em rodinha e uma pessoa por vez vai tirar um papel que terá uma pergunta sobre alguém. – ela mostrou um potinho com no mínimo cem papeis dobrados de forma ilegível a pergunta sem tirá-los, evitando trapaça. – Então essa pessoa lerá a pergunta e responderá, a pessoa mencionada na pergunta terá que falar se está correto ou errado, se for correto, a pessoa recebe um beijo ou um abraço, onde quiser o beijo gente hehehe, e se estiver errada, terá que pagar um mico aqui escolhido pela pessoa da pergunta, ok?—Ok, levando em conta que você escreveu as perguntas, acho que todos devemos nos preocupar. – Jellal disse um pouco nervoso.—Ah, mas antes vamos esclarecer, os micos sem avacalhações, respeitem o limite do colega ok? Não quero acidentes ou prática de buling aqui na minha casa. – Cana disse séria e então foi buscar algumas bebidas e na volta depositou todas no centro da sala. – que os jogos comecem!
Fale com o autor