Magitek
1 Luz do céu noturno sob o experimento
Notas iniciais
A história se passa quando Noctis volta dez anos depois e eles vão acampar. A fala em itálico dele é mais ou menos o que ele disse naquela cutscene entre os créditos finais.
Eu shippo muito eles, por mais que admire muito a relação do Noct e da Lunafreya e shippe eles também. Shippo todo mundo, é...
Boa leitura!
1.
A noite predominava há dez anos, desde o dia em que Noctis fora engolido pelo cristal. Os demônios aniquilavam os humanos enquanto Ardyn reinava em Insomnia. E, milagrosamente, depois de tanto tempo – suficiente até para Ignis acostumar-se com a cegueira –, fez-se o retorno do rei.
O velho hábito permanecia: a alteza, Prompto, Ignis e Gladiolus sentaram-se ao redor da fogueira no acampamento. Entretanto, não mais brincavam, tampouco tiravam fotos ou elogiavam a comida. Aquele seria o último encontro deles em meio ao caos e em meio a tudo... Não havia motivo sequer para segurar as lágrimas.
Inclusive, foi chorando que o rei disse aos seus companheiros:
— Mas, sabe... Vocês são os melhores...!
E foram essas palavras que ocuparam a mente deles durante o resto da noite.
De um jeito ou de outro (não se sabe se somente fecharam os olhos ou se realmente adormeceram), Gladio e Ignis foram dormir na barraca; Prompto não conseguiu. Sentou-se de costas para o fogo e observou os demônios surgindo ao além; seres fabricados no lugar onde ele nascera, na sua casa. Pensar acerca deste assunto dava-lhe uma sensação horrível, juntamente com o vazio que preenchia seu peito com o retorno.
Noctis não queria dormir, não faria sentido.
Vendo o amigo tão deprimido num olhar vasto, tomou um lugar ao seu lado sem interromper o silêncio que pairava. Sem saber o que dizer (ainda que pudesse falar muito), somente desejava respirar o quanto pudesse e sentir os arredores no seu tempo restante de vida. Era redundante para cada criatura viva que sua vida de esvaía a cada segundo caído no pretérito, mas não se costumava saber o limite da vida delas. Digno do anel e do trono, provavelmente seria um dos reis que menos viveria. Portanto, brevemente... Aproveitar o nada tornava-se um último prazer.
Apesar de que Prompto negou-se a ficar calado por mais tempo.
— Noct... Quer ver algumas fotografias que eu tirei?
— Claro, me mostre — concordou, solenemente.
Todas as fotos eram escuras. As mais claras e nítidas eram tiradas em Hammerhead e era difícil ver alguma com mais de uma pessoa. Havia algumas selfies escassas. Noctis foi passando-as vagarosamente no começo, mas viu que ficavam repetidas depois de um tempo. Passou o braço ao redor do pescoço de Prompto e murmurou:
— Diga cheese*.
Mais perdido do que tudo, alegrou-se um pouco e sorriu ao olhar para a câmera:
— Cheese!
Os dois olharam para a foto instantaneamente. De costas para a iluminação, não tinha saído com a melhor das resoluções. Ainda assim, não importava. A câmera não registrava o rosto do rei há um bom tempo.
Por alguns segundos, Prompto esqueceu-se de tudo somente para aquele momento. E era assim que algumas coisas aconteciam no colégio, nas suas viagens, nas paradas para andar de chocobo. Simplesmente, na presença daquele homem, as coisas tornavam-se mais amenas, mesmo com o caos dominando o mundo. E, desde sempre, lá no fundo, por mais que tivesse seus momentos de arrogância (muitos deles) e ignorância, Noctis era assim: uma pequena luz calorosa com espírito de liderança. Agora, ele havia crescido e estava pronto para o que viesse.
Noctis Lucis Caelum.
Lembrou-se novamente de que essa seria a última vez que o veria.
— Sabe, Noct... O que você disse mais cedo vale para você. Mas... — O receio pegou-o desprevenido, fazendo-o parar por um segundo.
Noctis observou, colocando a câmera em seu colo. Não ousou dizer algo até que a coragem do outro retornasse; e voltou súbita e rapidamente, com um pouco de remorso, sem deixar aquele momento escapar de suas mãos. Prompto beijou Noctis, desesperado e sem jeito, mesmo que não fosse a primeira vez.
— Mas, Noct, pra mim... Você é o melhor.
Sabia que, por mais que Lunafreya viera a falecer, os dois ainda eram noivos. Sabia que tinha todos os motivos do mundo para chamar o que fizera de errado, de inócuo, falho. Entretanto, seu coração estava custando a suportar o contexto em que tudo se encontrava. E logo ao olhar para o rei, a maioria de seus motivos de arrependimento foram aniquilados, pois não houvera sequer um resquício de aversão pelo beijo. Noctis segurou a mão de Prompto, contrastando o Anel dos Lucii com a marca que o outro tinha em seu braço.
— Quando eu estiver fora, Prompto... Eu quero que você seja o maior exemplo que os cidadãos Lucenses possam ter — pronunciou calmamente. Gostaria de ter dito isso numa ocasião anterior, no entanto, não teve oportunidade nem maturidade o suficiente. — Eu sei que você consegue.
E Prompto, sem saber ao certo o que replicar, concordou. Teria certeza de tornar aquilo em realidade pelo resto de sua vida.
— Sim, eu prometo que serei!
Obrigado por me aceitar como o soldado que sou... Noct.
Notas finais
Queria escrever algo bem feels, aí saiu isso. Comentários, críticas e surtos sobre o final do jogo sempre são bem vindos.
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