Magic Whisper
11 Finalmente um sonho pacífico.
Ciaran não ouvia mais a tempestade da noite anterior, na verdade agora parecia que os pássaros cantavam como se não houvesse amanhã. Legal.
O loirinho se mexeu na cama e abriu os olhos lentamente para encontrar Deimos olhando diretamente para ele com um sorriso convencido. Hm, isso não podia ser bom. Os profundos olhos negros e brilhantes adornados pelo sorriso auto confiante, chegavam a ser estranhos, já o sol iluminando por trás de sua cabeça, ironicamente, lhe lembrava um santo, coisa que ele estava longe ser.
— Bom dia, chapeusinho. – o demônio disse e Ciaran olhou para sua situação... por que ele estava abraçando Deimos? O garoto apenas empurrou o mais velho para longe de si e se afastou na cama até o colchão acabar e ele despencar no chão. – Foi tão chocante assim?
Ciaran se ergueu do chão sentindo todo o seu sangue nas bochechas. Ah, que droga!
— Você não tinha o direito de me agarrar enquanto eu dormia! – Ciaran apontou para Deimos que apenas ergueu uma sobrancelha.
— Foi você quem me agarrou na noite passada. Eu, um pobre rapaz indefeso... você até suspirou.
Ele tinha feito o que? Até parece... ele não era carente assim! Na verdade sim, mas certeza que ele não fez isso, Deimos queria enganá-lo.
— ISSO É UM ABSURDO! Eu nunca faria isso!
— Por que eu mentiria?
— Por que é o que você faz!
Deimos ponderou e concordou, depois deu o assunto por encerrado. O moreno levantou preguiçoso e olhou pela janela, Ciaran continuou caminhando a passos curtos e tensos, procurando algo que ele não sabia muito bem o que era... ah! Sim, a roupa do dia. Ele nunca iria agarrar ninguém desse jeito, Deimos era um babaca, com um peito firme e um calor reconfortante, mas ainda assim era um babaca! Ele nunca agarraria alguém assim, quer dizer ele nunca teve ninguém para agarrar, mas ele realmente acreditava que não iria fazer isso.
Fora que Deimos era um demônio! A chance de ele estar mentindo era enorme. Ele não ia cair nos joguinhos dele assim tão fácil.
Algumas batidas leves soaram na porta e Aisha se pôs para dentro.
— Bom dia. – o garoto falou suavemente.
— Bom dia, Aisha. – Ciaran respondeu de volta.
— Ário pediu para eu avisar que o seu tutor chegou, mas pediu que você fosse discreto sobre isso e que fosse para o antigo auditório que está em reforma.
Hm, estranho. E eles tinham um auditório em reforma?
— Tudo bem. Está saindo em uma missão?!
— Sim, Haziel e eu. – falou com o sorriso que sempre o acompanhava.
— Vamos indo, quero terminar isso antes da tarde. – Haziel falou da sala comum, com todo o mau humor matinal que só um vampiro poderia expressar. Acho que enfrentar o sol deveria ser ruim para um vampiro.
— Bem, até logo. Que bom que voltou Deimos. — e saiu.
Deimos não se deu ao trabalho de responder. Então, finalmente ele iria aprender alguma coisa sobre magia e como usar seus poderes, Ciaran olhou para o cajado a muito esquecido em um canto, ele preferia deixar ali onde era seguro.
Ele trocou de roupa e foi tocar a madeira clara, cor de cerejeira, vivo como se fosse algo recém colhido de uma árvore, era um pouco retorcido, não era perfeito, mas, ao tocá-lo, parecia que o galho formava uma extensão de si, era estranho, era como se estar com aquilo em suas mãos simplesmente parecesse correto. Parecia correto, algo dentro de si encaixava-se no lugar e seu espírito se acalmava, ficava em paz.
— Vai ficar olhando para esse pedaço de pau o dia todo ou vai sair? – Deimos falou já na porta.
Ciaran rolou os olhos.
— Cuide da sua vida! — ele estava vivenciando um momento ali!
— Você sabe como chegar ao auditório? — bem... não... mas quem sabe Feiy não saberia, Ciaran olhou discretamente para a raposa que apenas torceu o pescoço em confusão. Que droga. – Sabe, eu posso levá-lo, se você for mais dócil comigo. – Deimos falava em visível tom de provocação, ele se achava o dono da situação, como sempre.
— Eu sou legal com você. – Ciaran se colocou em movimento.
— Hm, imagino como seria se fosse arisco.
— É porque você me tira do sério.
— Ah, é?! – Deimos disse visivelmente interessado caminhando mais rápido se pondo na frente do loirinho, bloqueando o caminho. – Diga, como exatamente eu faço isso?
Ciaran tentou passar, mas foi bloqueado de todas as formas, ele não sabia para onde ir mesmo.
— Você... é, eu não sei! Parece que existe para me irritar. Ou me matar... sei la.
— Não, a tendência suicida é totalmente sua.
Ciaran finalmente começou a ir em frente, mas sempre seguindo Deimos pelos caminhos tortuosos e infinitos do enorme castelo, parecia que Ciaran nunca ia conseguir reconhecer todos os rostos que moravam ali, parecia que todas as vezes que saía de seu quarto, novas pessoas circulavam pelos corredores.
Ele observou as costas bem definidas de Deimos seguirem o movimento do corpo atlético, maciço, a sua frente, mas mesmo assim, o moreno não parecia ser tão forte para carregar tantas armas pesadas ou usá-las. Por falar nisso, Ciaran nunca tinha visto Deimos lutar, na verdade ele não sabia quem era muito bem seu parceiro, o demônio simplesmente parecia se esconder atrás de uma mascara um tanto infantil.
— Deimos, o que você procura no mundo humano? – Ciaran perguntou normalmente.
— Por que quer saber? – aí está, o tom de voz de Deimos mudava, ficava mais sério, não era o bobão que fica implicando o tempo inteiro. — Do nada.
— Estou curioso e somos parceiros. Vai que um dia você precisa de ajuda, eu posso ser útil.
Ciaran ouviu um riso baixo.
— Duvido muito.
— Bem, eu posso tentar!
— Não se irrite é só que não é assunto seu e eu não quero que você se meta... mas se você quiser trocar sua alma por essa informação nós podemos conversar.
Ah, tinha isso também, Ciaran tinha a sensação de que Deimos só era mais simpático ou irritante com ele porque ele tinha um interesse envolvido. Sua alma. Mas Ciaran nunca, jamais, trocaria isso por alguma coisa que Deimos pudesse oferecer.
Eles estavam indo para uma ala mais deserta do castelo, parecia realmente que a área estava um pouco desabitada, algumas paredes rachadas e quartos empoeirados. Estranho.
— Você não vai fazer nada estranho comigo, né?
— Só se você quiser.
Ciaran mais uma vez sentia suas bochechas vermelhas e isso o irritava bastante, o irritava porque Deimos sabia que isso o irritava e ainda assim ficava com esse tipo de insinuação. Ele não tinha a facilidade que as outras pessoas tinham de falar de intimidades ou de fazerem intimidades, como beijar, ou de ficar tão próximo, assim, como acordar grudado em alguém.
Ciaran balançou a cabeça e ouviu os passos de Deimos diminuírem, o demônio cruzou os braços e apontou para a enorme porta com um aceno de cabeça.
O jovem mago assentiu e bateu na porta, depois entrou causando um rangido audível.
Duas pessoas estavam na sala Ário e mais alguém desconhecido. Ciaran olhou para os dois, mas principalmente para o homem sentado em um dos grandes bancos, na verdade aquilo parecia uma antiga capela, muitos bancos largos do lado direito e do lado esquerdo, um tanto bagunçados e um tanto sujos, mas tinha uma área mais elevada a frente, com uma janela redonda de vidro mais em cima, fazendo par com uma grande e retangular logo abaixo. Por onde o sol entrava e iluminava a poeira suspensa, tinha uma escada em caracol a esquerda também, que levava a uma passagem.
O homem usava uma veste cinza, ou era preta e estava suja, e tinha um capuz sobre seu rosto, mas não o cobria totalmente, o homem tinha olhos tão claros que Ciaran conseguiu ver de longe, era algo parecido com gelo. O homem não parecia forte, na verdade as vestes pareciam muito maiores do que ele e estavam desgastadas.
— Ah, Ciaran, que bom que chegou. – Ário disse com o sorriso discreto de sempre, mas não menos sincero.
Mas Ciaran não deu muita atenção não, ele sentia algo estranho ao redor dele, como se o ar ficasse pesado, ele não conseguia tirar os olhos do homem sentado casualmente em um dos bancos, inclusive com uma das pernas sobre ele.
O homem retirou uma de suas mãos de dentro das mangas frouxas, tinham dois grandes anéis, um de prata e um branco, cada um com um enfeite exagerado, e unhas muito grandes. Ciaran seguiu o movimento da mão, até que os dedos pararam perto dos olhos gelo do homem e um dos dedos apontou para os olhos incomuns, como se mandassem Ciaran olhar ali.
De repente ele sentiu um desconforto maior ainda e... uma mão se pôs em suas costas, ele olhou para o lado quebrando o contado visual. Era Deimos ao seu lado e parecia que estava bem confuso.
— Sinceramente, Ário, você é muito esquisito. Você traz um mago negro para dar aulas a um virgem?!
— O que virgindade tem a ver com isso? – Ciaran perguntou ganhando os tons de rubro.
— Virgem em magia, ensinamentos, você não sabe porra nenhuma, você tem uma mente muito suja.
Ciaran queria um buraco para se esconder.
— E de quem é a culpa?
— Hm, isso é interessante. – o homem falou mais baixo.
— Foi o único que eu encontrei. – Ário disse mais sério, como se ele já tivesse passado por esse dilema várias vezes antes de oferecer esse professor.
— Não me entenda mal, você me faz um favor! Se Ciaran quiser ser um mago negro serei o primeiro a dar apoio. Eu vi essa alma primeiro, ouviu? – Deimos apontou para o homem.
— Não tenho interesse pela alma dele. – o homem falou simplesmente.
— Com licença! – Ciaran se meteu. – A alma é minha e eu posso dá-la a quem eu quiser! – todos na sala olharam para Ciaran. – Não que eu vá fazer isso! – Ciaran rapidamente se corrigiu. — Eu ainda estou usando! – ele já estava cansando de ser tratado como mercadoria!
— Eu o chamei porque... – Ário começou, mas o homem se levantou e tocou o ombro de Ário.
— Pode deixar que eu me apresento ao meu pupilo, sim? – o homem tinha uma fala mansa.
O mago começou a andar em sua direção. Ele era alto, mais alto que todos na sala, sua roupa parecia um traje só, uma grande capa desgastada que se amarrava ao centro, dava a sensação de um fantasma, com um capuz, era cinza agora, mas Ciaran tinha a impressão de que já fora preta um dia... o que levantou um frio na espinha de Ciaran, ele lembrou do seu sonho da noite passada.
O homem chegou a centímetros de si. E retirou o capuz. Nada demais, apenas um homem muito pálido, com longos cabelos negros e lisos e os olhos cor de gelo, mas parecia bem gracioso e suave.
— Meu nome é Damir, garoto. Eu nasci um mago Elemental, mas não me identificava muito com a parte pacífica e diplomata, nunca fui muito bem sucedido. Então, eu me interessei pelas artes das trevas, me identificava mais. O problema de mexer com magia negra é que, as vezes, alguns sacrifícios são necessários no início. Então, como todo manipulador das trevas, – ele lançou um rápido olhar a Deimos. – eu comecei a ser vigiado e cercado pelos seres Celestes.
— Não sei do que aqueles malditos tem tanto medo. – Deimos comentou simplesmente, talvez nem tivesse a intenção de falar.
— O domínio dos espíritos é muito frágil, demônio, grandes perturbações podem ser desastrosas, os anjos não querem problemas, por isso eles colocam as possíveis ameaças sobre seus olhos. Enfim, eles não precisaram me vigiar por muito tempo, a coisa com magia negra é que você não emerge, como na magia branca, você afunda e afunda entre os domínios até que você se vê rodeado de escuridão e espíritos que não são tão bem vindos, muito perigosos, e a sua sede por poder se torna um tanto insana. — disse de forma leve, como se já tivesse feito as pazes consigo mesmo, mas não passou desapercebido a Ciaran algumas cicatrizes de batalha naquele olhar. — Eu percebi, quando cheguei até certo ponto, que dali eu não passaria. Não fiz pacto com demônio nenhum. E desde então eu tenho estado um pouco perdido e sendo vigiado pelos celestes... tenho ganhado a vida com truques bobos e me purificando com sorrisos de crianças.
Ciaran olhou para o ombro de Damir, atrás de seu pescoço parecia que algo brilhava.
— Oh, sim! – ele disse com um sorriso comportado. — Essa é Isi. – ele disse, e uma fada com olhos puxados e cabelos cheios cacheados com uma leve roupa transparente, não que isso importasse, seu corpo era bem infantil, apareceu em seu ombro, ela devia ter uns... dez centímetros? Era muito pequena, mas era linda. – Ela vai ser a sua guia quando você transpor o véu e eu não puder ir.
— Sinceramente, ele parece muito fraco e nada promissor. – a fada disse olhando para Ciaran.
Ciaran apenas ergueu uma sobrancelha.
— Não acho, acho que ele parece ser forte. – Damir comentou como se o garoto nem estivesse ali. – Mas você geralmente é a certa e eu o errado.
Obrigado pelo voto de confiança. Ciaran pensou olhando para baixo onde Feiy se enroscava a seus pés.
— É seu? – Damir perguntou a Ciaran olhando para a raposa. Ciaran achou o interesse do homem muito maior em relação a Feiy do que a si.
— É sim. Esteve comigo desde filhote, ele estava ferido quando o encontrei.
— Entendo. Ele já se transforma?
— Não, ainda não, mas está perto, ele cresceu muito desde que chegou aqui. – Ciaran falava com emoção e com orgulho, na verdade ele estava bem ansioso.
— Bom, agora que vocês se conhecem eu preciso pedir uma coisa para vocês. – Ário falou olhando para dupla. – Damir não deveria estar aqui. O instituto não abriga criaturas que pertencem ao lado sombrio sem regras extremamente rigorosas impostas pelos Celestes. Quando Deimos veio falar comigo eu achava que sua força seria útil, então nós fizemos um acordo, mas... logo em seguida eu recebi uma visita de um anjo e manifestou sua imensa decepção com o que eu tinha feito e disse que ficaria de olho no instituto. Logo depois, apareceu Aisha com Haziel. Não foi um problema muito grande já que Aisha é meio Hunter e Haziel é um escravo, mas ainda assim isso causou um pouco mais de preocupação. Eles querem manter o mundo humano puro e sem grandes problemas.
— Quando eu cheguei aqui Deimos disse que estava destruindo um ninho de vampiros no mundo humano. – Ciaran comentou a Ário.
— É, estamos tendo um problema com o véu. Ele esta frágil em alguns pontos e isso facilita algumas criaturas passarem para o mundo humano. O fato é que eles não querem que facilitemos ainda mais que criaturas mal intencionadas passem. E convenhamos que um demônio e um usuário de magia negra apresentam muito mais perigo do que um vampiro qualquer que atravesse o véu. Sendo assim, como Damir é o único mago que conheço e você precisa ser ensinado por alguém... terá que ser ele. Além do mais ele não é mais usuário de magia negra.
— Uso muito raramente. – o homem corrigiu.
— Mas não vai ensinar a você. – Ário disse mais alto e pediu a cooperação com o olhar. – Eu quero que a existência dele aqui permaneça em segredo absoluto. Pode trazer problemas para nós se um boato se espalhar.
Deimos ficou do mesmo jeito e Ciaran assentiu com a cabeça.
Damir olhou ao redor e suspirou.
— É, acho que vou gostar de morar aqui. — estava tudo empoeirado e fora do lugar. – Meu pupilo vai me ajudar a limpar as coisas.
— Eu vou?
— E arrumar as minhas coisas. Por hoje nós vamos fazer isso e nos conhecer melhor. Acho que o demônio pode ir fazer outra coisa, vamos ficar bem sem ele.
— Então, eu vou indo. – Ário disse sorrindo para Ciaran e olhando para que Deimos o seguisse. – Não se preocupe é uma boa pessoa. – o homem falou mais para Ciaran.
— Sua raposa pode ficar. – Damir falou olhando o animal, não era muito de sorrir, nem de se expressar, era como se seu humor não oscilasse nem um pouco. Era calmo e tranquilo demais. – Bom, vamos começar por onde? — disse esfregando as mãos.
— Nós vamos mesmo limpar tudo isso?
— Sim, é onde eu vou viver, tem que ficar limpo.
Ciaran escutou a porta fechar atrás de si, agora eram só os três na sala, Ciaran, Damir e Feiy. Quatro com a fada. Por que ele tinha que fazer isso? Ah, tudo bem, ele não se importava em ajudar.
— Então, onde estão as vassouras?
Damir olhou para ele e Ciaran viu Isi levar o grande cajado para o mago, era de uma madeira escura e opaca, parecia maciço e pesado era grosso em cima, e terminava enrolada, no centro desse circulo tinha um cristal transparente, mais ou menos no tamanho de um punho, e a madeira se adelgaçava na parte de baixo do báculo.
— Quero que me mostre o que sabe fazer.
— Eu não sei fazer nada.
— Hm. – o homem falou e moveu seu cajado em direção a janela, o vento de fora a abriu prontamente. – Bom, se você não sabe fazer nada, a vassoura está atrás da escada.
Ciaran caminhou até lá e os dois começaram a arrumar tudo. Damir usava a magia para ajudar claro, Ciaran via o movimento leve das mãos e a poeira subia com o vento, tudo ia em direção a janela. Seu coração acelerou e algo dentro dele se manifestava, era tão legal, ele parecia dominar tão bem os poderes, não parecia nem fazer esforço.
— Se você pode usar magia para limpar isso tudo porque precisa que eu ajude? – Ciaran perguntou.
— Porque eu tenho preguiça de fazer sozinho.
Sério? Ciaran assistiu Feiy carregar alguns gravetos para fora da janela. E dessa vez o mago bateu seu cajado no chão e água começou a brotar de lá, era incrível, Ciaran ficava mais impressionado do que realmente fazia o trabalho, ele devia estar no mesmo lugar há uns cinco minutos. Mas aquilo não lhe parecia certo, quer dizer usar a magia assim para algo tão banal, sendo que eles podiam fazer com as próprias mãos.
— Alguma coisa te incomoda? – o homem perguntou quando a água inundou os pés de Ciaran e molharam seus tênis.
— Hmm, está certo usar magia para esse tipo de coisa?
O homem ficou um tempo calado e depois respondeu.
— Gostei disso. Você parece ter um senso de responsabilidade. — mas parou ali, ele não explicou mais nada demais. – Então, por que você não sabe como usar sua magia?
— Eu morava com pessoas normais até alguns meses atrás. Eu dormi com a janela aberta e Deimos entrou, ele tinha acabado de tentar eliminar um ninho de vampiros novos, mas parece que a coisa era muito grande e ele precisou sair sem terminar o trabalho. Ele estava sendo perseguido, então no dia seguinte ele me disse que eu era alguma coisa, só não sabia o que. Então, a noite o líder do ninho que Deimos tentou destruir bateu a minha porta procurando pelo assassino dos filhotes e, bem, ele me atacou porque pensou que eu era alguma coisa de Deimos, mas os Hunters chegaram e Deimos também, mataram o vampiro e Deimos me trouxe para cá. Então, tenho passado esses dias estudando.
— Entendi, mas já encontrou um báculo para canalizar o poder. E de uma árvore muito boa.
— Era um pedaço de madeira que eu usei para caminhar, acabou que eu fiz alguma coisa com o vento e me disseram que eu tinha que ficar com ele.
— Mas ainda não tem um cristal.
— Não.
— Eu vou te dar um quando você vier amanhã. Digamos que será um presente de seu novo mestre.
— Tudo bem.
— Qual a relação que você tem com o demônio que o acompanha?
Ciaran respondeu todas as perguntas, sobre sua família, sobre amigos e sobre sua única missão, onde ele achava que tinha se dado muito bem, mas Deimos disse que ele arriscara sua vida e ainda oferecera ajuda indevida! Damir contou algumas coisas pelas quais passou e Ciaran riu um pouco. Damir parecia ser um cara bem normal, ele era preguiçoso e queria se dar bem na maioria das vezes, mas em alguns momentos ele ficava bem sério, Ciaran não ia tomá-lo como um bobo.
Logo a parte de baixo estava toda lavada e os bancos foram postos para a lateral e Ciaran pode observar o grande salão.
Damir caminhou até o centro e sentou-se no chão e o convidou a juntar-se a ele. Ciaran sentou a sua frente na madeira fria recém lavada e esperou.
— Me dê suas mãos, Ciaran. Tenho uma última pergunta para você. – Ciaran assentiu e viu a fada montando em sua raposa passando mais lá atrás, ele não é um cavalo. – Você quer aprender magia negra?
Ciaran o olhou, ele estava processando a pergunta.
— O que?
— Você quer aprender magia negra? Eu posso ensiná-lo, esqueça o Ário. EU sinto sua magia, Ciaran, seu espírito é forte e selvagem, você tem muita energia, não lembro de ter cruzado com um mago como você em anos. VOcê pode ser forte, poderoso, adorado e temido. Eu posso ensiná-lo a tornar as trevas sua aliada, as trevas e tudo o que ela esconde, sua magia vai começar a crescer agora, isso é perfeito para a magia negra. Eu posso ensiná-lo a controlar a mente de qualquer um que você desejar, usar espíritos que estão perdidos na escuridão, matar sem ser descoberto, torturas, posso ensiná-lo a se livrar do medo, do frio e da solidão, fazer delas a suas aliadas, com o tempo você vai viajar entre os domínios, controlar forças tão poderosas que poderia fazer um dos Seis temerem, você pode ter o mundo a seus pés e eu posso mostrar o caminho. Você quer?
Ciaran nunca havia pensado nessas coisas, quer dizer, o fato de se livrar do medo e da solidão lhe parecia bem tentador, mas ele sabia que tudo tinha um preço, e não era dele a vontade de controlar a cabeça de ninguém... ou matar.
— Eu não quero. Quero que me ensine o que veio me ensinar aqui.
O homem pareceu relaxar e concordou com a cabeça e sorriu.
— Ótimo, se essa é sua resposta eu o ensinarei. Com muito prazer. Não quero que meus ensinamentos sejam usados de forma cruel. Não mais, jpa tive muito disso e não valeu a pena. — Ciaran sentiu seu corpo relaxar como se sua magia se acalmasse ainda mais, como quando ele segurava seu cajado. — Você sente isso? É a sua magia reconhecendo a minha e elas estão em sintonia. É importante para o treinamento. — e então ele soltou suas mãos e Ciaran já sentia a diferença, algo voltou a se agitar dentro dele de novo, Damir o encarava curioso. — Você tem muito poder, Ciaran, mas há algo estranho em você.
— Devo me preocupar?
Damir sorriu de leve e negou com a cabeça.
— Não. Provavelmente a culpa é minha, não estou acostumado a encontrar criaturas como você. Pode ir e até amanhã, quero que cedo esteja aqui de pé, você perdeu muitos anos de prática, garoto, temos que correr com o tempo perdido, você treinará aqui, nesse salão que você me ajudou a limpar, logo o seu esforço e sua energia estão bem presentes, isso ajuda a equilibrar o poder. Somos uma raça praticamente extinta, Ciaran. A maioria dos magos elementais são velhos e, por mais fortes e sábios que sejam, seus corpos não são mais os mesmos. Nem nosso rei vive mais, estamos dispersos e perdidos sem uma liderança. Vou treiná-lo para que você sobreviva e possa viajar a procura de mais como nós, possa ensiná-los... e possa fazer grandes coisas.
— O que aconteceu com o nosso rei?
— Dizem que foi morto por um demônio. Ninguém sabe muito bem... mas nunca encontraram o corpo nem nunca sucederam o trono, é necessário a aprovação de todos os reis para o início de uma nova linhagem. Imagine como deve ser difícil lidar com o ego de todos eles para chegarem a uma decisão. Já fazem séculos.
— Alguém tentou tomar o trono?
— Sim. Um elfo ancião. Mas não foi bem sucedido. Os reis não aprovaram. Eles parecem firmes com a ideia de que precisa ser um mago, embora existam outras espécies sobre nosso domínio. Mentes velhas são difíceis de aceitar o novo.
— Entendo.
Ciaran olhou para o seu mestre e parecia que Damir queria lhe dizer algo e ponderava se deveria.
— Ciaran, cuidado com o seu parceiro, ele pode parecer bom e tentador, mas não caia nas mentiras e tenha muita cautela ao lidar com ele. Demônios costumam conseguir o que querem.
— Eu sei. – Ciaran falou um tanto ríspido, podia falar mal de Deimos até a morte, mas ele não gostava de ouvir isso da boca de outras pessoas, Deimos não era dos piores, afinal ele já o tinha ajudado milhões de vezes. Talvez só por causa de sua alma... mas ainda assim. Ciaran levantou e seguiu para a porta. – Bem, então... até amanhã.
Ciaran se despediu e Feiy veio atrás dele, a fada voltou para perto de Damir e não deu uma palavra enquanto ele estava ali.
— Ciaran. – o homem disse quando o garoto ia fechar a enorme porta de madeira. – Eu vou refazer a pergunta no futuro para você.
Ciaran apenas concordou e seguiu seu caminho. Os dois voltaram pelos corredores vazios e Ciaran percebeu que já era de tarde, em poucos minutos o sol ia se pôr, eles tinham parado para comer e Ciaran não estava com muita fome.
Foi direto para o quarto e tomou um banho quente e relaxante, fazia tempo que ele não limpava nada como fizera hoje, ele estava cansado, vestiu uma roupa simples e deitou, antes ele ia esperar Aisha voltar da missão para conversar um pouco, já que o quarto de Denver e Natane estava vazio.
Mas Ciaran foi sentindo o sono se aproximando e seus olhos pesando, de repente ele se viu deitado em baixo de uma grande árvore, o sol atravessava as folhas e pareciam vários estilhaços de vidro reluzindo, o vendo soprava levemente sobre o seu rosto, ele estava descalço e Feiy brincava com uma borboleta no campo ao lado.
— Está se divertindo? – Ciaran perguntou a raposa que nada fez. Onde seria este lugar, lhe trazia paz. De repente Feiy parou de brincar e ouviu algo ao longe, começou a se mover até lá, ele seguiu até uma cortina de cipós que se projetava para baixo. Sua raposa passou por ela e desapareceu, Ciaran não conseguia vê-la, a cortina de plantas era muito espessa. – Feiy, você vai se perder. – ele falou para o animal que não voltou mesmo assim. Ele desceu o pequeno barranco e seguiu até lá.
Afastou as plantas e um belo campo de flores era o que o esperava mais abaixo, talvez uns dois metros abaixo, ele não conseguia dizer, o mato estava alto lá em baixo, mas nada que ele não conseguiria pular ou descer pelo barranco. Era tão bonito.
Ele viu Feiy pulando de um lado para outro tentando abocanhar alguns insetos bem ao longe, não impressionava que ele não tivesse lhe ouvido, o engraçado era que ele era escondido pelas flores e mato alto.
Mais a frente ele viu Aisha que acenou para ele, Haziel não estava por ali, Natane se ergueu depois de um tempo também, ele estava todo assanhado e parecia dormir no meio das margaridas.
Aisha o chamou. Parecia tudo tão calmo, tudo tão pacifico, ele ia dar o primeiro passo, mas um galho prendeu o fim de sua calça, ele facilmente soltou, acabou cortando um pouco da calça, mas tudo bem, olhou para tudo de novo e sorriu.
Finalmente um sonho pacífico.
— x —
Deimos caminhava pelos corredores do castelo de volta ao quarto, ele tinha contado a Ário o que tinha feito nos últimos meses no mundo humano, o que tinha visto e se ele notara algo estranho.
Não, nada de novo.
E que sua busca continuava fadada ao fracasso. Mas ele não ia desistir, não. Ele ia limpar seu maldito nome de uma vez por todas.
O resto do dia ele tinha se divertindo assistindo Natane treinar com o arco e a flecha, com eles o elfo não parecia tão inútil, mas correr e atirar não era nada fácil, Deimos riu horas e horas com as quedas desengonçadas do elfo. Ele estava surpreso com a paciência de Denver. Deve ser incrível ser uma pessoa paciente e disciplinada.
Seu dia estava ótimo, principalmente por saber que Ciaran estava treinando com um mago negro! Isso era formidável, um dia ele iria precisar de um pacto com um demônio e lá estaria ele para ajudar, ele só precisava esperar e conquistar o loirinho de alguma forma. Ele tinha tempo de qualquer forma e o garoto não era não tão má companhia assim.
Deimos entrou no dormitório e percebeu que nem Aisha nem Haziel tinham voltado das suas missões, o que era muito estranho. Fora isso, tudo bem.
Deimos abriu a porta e ficou petrificado ali mesmo. Quando fora a última vez que seu corpo ficou congelado, fora em sua primeira batalha, séculos atrás. Mas, então, agora de novo.
— Ciaran? – Deimos falou mais baixo do que planejava, sua voz saiu débil. O garoto estava de pé na janela aberta e olhando para baixo. E Feiy estava desacordado ao lado da cama com um pedaço do tecido da calça de Ciaran na boca. Dois segundos depois e Ciaran estava pulando janela abaixo em uma queda de sete andares. – FICOU DOIDO?
Deimos correu até o corpo suspenso, graças aos infernos ele era mais rápido que a maioria, nada como um vampiro, mas ainda assim! Seu braço, circundou a cintura do suicida e o outro segurou nas bordas da janela.
Ciaran começou a gritar feito um louco e a tentar sair de seus braços a todo custo!
— PARA, SEU IDIOTA, OU EU TE DEIXO MORRER MESMO! — Deimos falou quando sentiu a moldura da janela gemer pelo peso, tanto a que ele segurava, quanto a que ele se apoiava.
Deimos se puxou de volta mesmo sobre protestos vivazes do rapaz, Ciaran gritava como se sua vida dependesse disso. Acabou se desequilibrando e caiu sentando no chão, era mais fácil de parar o maluco ali. O demônio fez o garoto olhar para ele.
— POR QUE VOCÊ ESTAVA PULANDO, SEU ESTÚPIDO? — mas Ciaran estava com os olhos fechados, ele estava dormindo? – Hey, acorde. hey. – Deimos começou a dar leves tapas no rosto e a sacudir Ciaran, mas não estava adiantando, então ele bateu mais forte e o loirinho parou ao mesmo tempo em que abriu os olhos e a bochecha escurecia. Ele respirava pesado e parecia assustado, olhou ao redor e colocou a mão no rosto. – Você está bem? – Deimos perguntou ainda meio ríspido, mas que droga, que garoto esquisito e dava muito trabalho.
— Hã?
— Perguntei se você está bem. Você estava prestes a pular daquela janela. Ficou doido, por que estava fazendo isso? Faz parte do treinamento?
— Eu... eu não... – Deimos percebeu que o garoto estava meio perdido e chocado. – Eu estava em um campo... Feiy brincava com as borboletas, então veio o campo com flores atrás da cortina de plantas, Aisha e Natane estavam lá também, eu estava indo até lá e então uma sombra me agarrou e escureceu tudo. Estava tudo tão escuro e eu era o único lá e... era o primeiro sonho normal em muito tempo. – Ciaran começou a chorar e Deimos revirou os olhos. – Por que você me bateu? Ta doendo!
Deimos massageou sua têmpora, e se aproximou de Ciaran, o abraçou e o puxou mais perto,entre suas pernas e o garoto escondeu o rosto em peito enquanto soluçava de vez em quando. Deimos encostou suas costas na madeira da cama e ficou olhando para a janela, Ciaran tremia levemente e tentava chorar em silêncio.
— Eu não vou mais poder dormir? – Ciaran perguntou com a garganta cheia. – O que tá acontecendo?
— Vai, quando eu estiver por perto.
— E quando não estiver?
Bem, quando ele não estivesse... ele olhou para Feiy que começava a levantar.
— Feiy vai crescer logo, ele cuida de você. Esses seus sonhos são muito esquisitos. Foi isso que você sonhou da outra vez? – Ciaran apenas negou com a cabeça. Da última vez Deimos tinha passado a noite recebendo um abraço de Ciaran.
Bem, agora Deimos sabia que realmente estava lidando com uma pessoa complicada, um sonâmbulo louco, pelo menos Ciaran parecia se acalmar um pouco mais.
Era uma queda... de vinte metros.
— O que você fez hoje? – o garoto perguntou baixo.
— Eu assisti Natane treinar com as flechas, bem melhor que com a espada, mas ele não tem um pingo da graça que os elfos deveriam ter. E você?
— Eu limpei o salão com Damir.
— Hm, faxineiro? Achei que você ia aprender a usar magia.
— Eu também, mas vou ganhar um presente.
— Por que ele tem uma fada?
— Eu não sei ainda...
Os assuntos foram acabando a conversa foi ficando cada vez mais lenta e Ciaran adormeceu de novo, ele estava cansado, fisicamente cansado. Mas sua mente também não devia estar tão forte assim para algo desse tamanho acontecer. Deimos olhou para a janela de novo.
Isso tinha cara de magia negra e estava na cara que alguém queria matá-lo. Lhe parecia bem óbvio quem era o idiota que tentaria isso, Ário era muito irresponsável em trazer um maldito mago negro para dentro desse lugar e como ele sabia que o tal Damir tinha realmente desistido das artes das trevas? Magos como ele eram tão astutos quanto demônios e Deimos tinha gritado aos quatro ventos que a droga da alma de Ciaran era dele! Esse miserável ia pegá-la da forma mais suja possível, na travessia para o mundo espiritual. Ia simplesmente puxá-la de lá. E ainda lhe dava um sermão sobre quão instável era o mundo dos espíritos.
Ele tinha disfarçado muito bem, mas não enganava Deimos, ele não era viajante de primeira viagem e Ciaran era simplesmente muito bobo para acreditar no maldito homem! Agora ele ia ter que redobrar os esforços para cuidar do que era dele.
Deimos ia tirar satisfação agora mesmo, ia mandar o maldito mago embora nem que fosse a ponta pés! O moreno levantou com o garoto adormecido nos braços e o deixou na cama. Ia ser rápido, aquele imbecil estaria longe dali em dois segundos.
Quando Deimos chegou na porta, ele sentiu sua calça ser puxada, era a maldita raposa. Ela simplesmente não queria que ele saísse. O moreno olhou para a cama, Ciaran dormia tranquilamente, mas quem garantia que o garoto não ia tentar se matar de novo, Deimos olhou para a mesa onde tinham suas armas.
Ele não queria nem pensar nisso.
Bem, amanhã bem cedo ele ia ter uma conversa com o mago novato no instituto.
Ele só voltou para a cama e sentou-se. Olhou para o garoto adormecido e tirou os fios loiros do rosto pacífico, Ciaran respirava com a boca quando dormia. E se Deimos tivesse chegado trinta segundos depois? Seria tarde demais. Pensar sobre isso o deixou com um desconforto enorme, não era algo que ele estava acostumado a sentir. Talvez fosse o fato de alguém querer passá-lo para trás ou acabar com a vida de Ciaran de uma maneira tão covarde.
Ele podia ser um demônio, mas ele sabia que tudo tinha um preço justo a ser pago. E ele não planejava perder essa alma para um maldito mago qualquer.
O resto da noite se passou rápido, o sol não pareceu gostar muito do que se passava na cabeça de Deimos e resolveu aparecer. Ele já tinha estudado as mais diversas formas possíveis de como se livrar do maldito mago de cabelos longos, ele chagou a conclusão de que não importava onde o homem estivesse, ele poderia entrar na cabeça de Ciaran o momento que ele quisesse, então... melhor cortar o mal pela raiz de uma vez.
Deimos olhou para os primeiros raios de sol que despontavam no horizonte, pronto, já tinha amanhecido, magia negra não era tão eficiente pela manhã... ele esperava que fosse verdade.
— Ei. – Deimos chutou a cesta onde Feiy dormia, acordando a raposa, que apenas olhou para ele. – Vou sair, fique de olho nele e seja útil.
O moreno pegou suas espadas de sempre e as colocou nas costas, o peso o fez se sentir vivo, era como se elas fizessem parte dele, essa vida calma estava acabando com ele. Chegou no corredor e Haziel e Aisha estavam voltando de sua missão, pelo visto.
— Deimos? – Aisha falou do início do corredor. – Onde vai tão cedo?
— Matar um desgraçado.
— Ah... Espere o que? – Aisha virou acompanhando Deimos.
— Boa sorte. – foi o que Haziel disse a ele quando se cruzaram.
— Não, ei, não pode! Deimos, o que essa pessoa fez para você? – Aisha saiu correndo atrás do moreno.
— Não é da sua conta!
— Quem é? Deimos, primeiro converse! Você não pode sair matando quando bem entender.
— Eu posso. – Deimos apontou para as espadas em suas costas.
— O que está havendo, você nunca quis matar ninguém do instituto antes!
Não que ele soubesse.
— Tentou matar Ciaran, Aisha, você quer o seu novo amiguinho morto? – Deimos não precisava se explicar, mas Aisha conseguia ser um pé no saco quando ele queria.
— O que? Tem certeza?
— Quase.
— Deimos não faça nenhuma bobagem sem pensar... os problemas podem ser maiores!
— Vamos indo, Aisha, ele deve saber no que se mete. – Haziel falou e Deimos achou o tom estranho, olhou para trás e tudo o que ele pôde ver era sentimento nos olhos do vampiro. O que diabos estava acontecendo nesse lugar? O mundo estava tirando alguma com ele.
Deimos entrou direto pela porta de madeira, em cima do palco baixo estava o homem já de pé apagando algumas velas. Quem sabe nem dormira, magia negra era mais forte na penumbra na noite!
O moreno de cabelos longos olhou para ele como se não estranhasse sua presença ali, só terminou de apagar as três ultimas velas.
— Ótimo, eu queria mesmo falar com você. – o homem comentou ao rapaz que apenas sacou as duas espadas. — Posso ajudá-lo?
— Você sabe porque eu estou aqui, não se faça de idiota.
— Hm, pode ser por muita coisa, ajudaria se me dissesse.
— Você pode tentar adivinhar enquanto eu mato você.
Deimos partiu para cima do mago que pegou seu cajado. Magia negra não assustava Deimos, ele já viveu muito tempo nas sombras para qualquer merdinha assustá-lo.
Vamos ver quem ia se dar melhor, ele com sua força bruta ou o mago com seus truques baratos.
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