Magic Whisper

20 Então, eu posso ser quem você procura.


Notas iniciais
Novo capítulo! Ê!

Ciaran esperou Haziel sair do quarto e olhou para um Aisha em cima da cama, encostado na cabeceira, completamente imóvel. Ele não parecia bem, estava muito quieto no lugar e em silêncio, os olhos fixos em qualquer lugar sem sentido, seus dedos tocavam de leve os lábios e com certeza o garoto precisava de ajuda para se re-enfaixar.

— Aisha? – Ciaran tentou chamar a atenção do garoto quando sentou-se na cama ao lado dele. – O que ele fez? – Aisha continuou imóvel. – Ele te machucou, Aisha?

Ciaran duvidava que existisse ainda algum lugar no pequeno corpo de Aisha que Haziel conseguisse fazer mais algum estrago. O garoto estava uma bagunça de horríveis bolhas vermelhas, peles descamantes, escoriações, roxos e machucados.

— Ele me beijou. – Aisha sussurrou para o nada.

— Quem?

— Haziel! – Aisha falou e se aproximou de Ciaran, esquecendo os ferimentos da mão por alguns segundos e se arrependendo depois, quando as feridas gritaram dor.

— Haziel beijou você? – Ciaran perguntou de novo ficando tão chocado quanto parecia Aisha.

— Sim! – Aisha falou um pouco mais alarmado.

— Eu achei que ele tinha machucado você.

— Haziel nunca me machucaria... nem nunca machucou.

— Bom, ele te tratava bem mal.

— Ele tinha seus motivos.

Ciaran não ia discutir a psicologia com Aisha, o garoto não conseguia perceber uma unha ruim em ninguém.

— Acho que temos que enfaixar você de novo.

— O que eu faço?

— Como assim?

— Ele me beijou, o que eu faço agora?

Ciaran não era exatamente alguém muito experiente nesse assunto. Mas Aisha parecia muito nervoso, então ele ia ajudar como pudesse.

— Você gostou? – Ciaran perguntou e Aisha pareceu pensativo. – Você queria isso?

Ciaran esperou Aisha analisar as coisas, enquanto isso ele passou algo como um gel nas costas de Aisha, o rapaz retirou os cabelos longos branco acinzentados do caminho, estavam um pouco menos compridos agora, já que haviam sido queimados, e um pouco mal tratados, mas, mais uma vez, Aisha estava em péssimas condições. Quando Ciaran melhorasse suas habilidades ele ia cogitar juntar-se a Haziel para uma vingança.

— Eu... – Aisha começou a falar e Ciaran esperou. – Eu nunca pensei nisso na verdade. Haziel sempre me manteve a distância de um braço. Mas... sabe, quando ele me beijou, parecia que meu coração ia sair pela boca. Não de um jeito ruim, como quando eu estava com Axis. Foi bom, eu estava nervoso, mas ao mesmo tempo seguro e depois eu relaxei. Ele sempre fez eu me sentir seguro. Como um muro e tudo mais.

— Muro?

— É, nada pode chegar a mim. — ok, Ciaran não ia se aprofundar nisso. O garoto gostava de falar em enigmas? – Por ele ter me beijado, quer dizer que ele gosta de mim?

Ciaran não sabia responder. Afinal, ele tinha perdido sua virgindade com Deimos e o demônio parecia querer correr para as montanhas a qualquer momento e deixa-lo para trás. Bem, não é como se ele tivesse o direito de exigir algo mais profundo de Deimos. Demônios não podiam sentir coisas profundas. Bom, talvez fome. E ódio. E fúria. Enfim, era contra a sua natureza. Mas não deixava de ser menos frustrante para Ciaran, o moreno vinha crescendo dentro dele, mas seu primeiro relacionamento parecia fadado ao fracasso. Ciaran suspirou, quando pegou alguns tecidos para envolver Aisha.

— Desculpe, a conversa é meio chata. – Aisha falou meio nervoso. O garoto estava levando esse beijo bem a sério.

— Não, Aisha, não é isso. É só que Deimos também me deixa confuso.

Aisha meio que virou para ele.

— Ele beijou você?

— Bem, sim, antes de dizer “oi” para mim ele já me beijou. – Ciaran falou lembrando da primeira noite na sua casa.

— Mas... não era exatamente porque ele gostava de você. Ele queria energia.

— É... – Ciaran disse sem pensar muito e imediatamente corrigiu. – Mas não quer dizer que Haziel pense nessa linha. Ele pode gostar de você.

O que ele estava fazendo? Haziel era frio, distante e odiador do pequeno até alguns meses atrás! Ele não devia dar esperanças a Aisha, mas também não queria ferir os sentimentos dele.

— Você e Deimos tem... beijado com frequência?

— Bom, fizemos mais do que isso. – Ciaran falou sem pensar muito. Ele não queria ter dito isso agora. Ele não queria expor sua vida íntima assim, mas ele percebeu que precisava falar com alguém sobre isso. Talvez Aisha não fosse de grande ajuda, mas era um amigo e qualquer conselho poderia ajudar.

— Mais do que...

— Isso.

— Oh. – Aisha disse ficando quieto e um pouco tímido, suas bochechas ficaram ainda mais vermelhas por baixo das bolhas e peles soltas. – E como... como é?

— É bom. Dói um pouco. Mas... bom, da para entender porque todo mundo faz disso uma grande coisa.

— Ok.

Ciaran estava tão sem graça quanto Aisha estava de falar sobre o assunto. Aisha ficou um pouco quieto depois disso e Ciaran ficou imaginando Haziel e Aisha juntos. E não. Haziel era muito grande para o pequeno Aisha. Haziel era maciço e mal encarado, Aisha era muito pequeno e delicado, Haziel ia quebra-lo ao primeiro toque. Não, isso não podia funcionar. Podia?

— Você também nunca...

— Nem perto disso... eu não sei nem como começar. Quer dizer. Eu nunca vi isso, só escuto falar. — Aisha se apressou.

Ciaran podia imaginar como era estar no lugar de Aisha, quer dizer... imaginar as coisas devia ser um pouco difícil.

— Você nunca pensou no Haziel desse jeito?

— Não. – Aisha falou e parecia pensar sobre isso um tempo. Ciaran passou o gel nos braços do rapaz. – Quer dizer. Haziel esteve comigo desde pequeno. Eu lembro da primeira vez que ele falou comigo. Ele estava com raiva, me odiava. Mas a voz dele me chamou a atenção. Eu não o queria com raiva de mim e eu sentia que ele preferia estar em qualquer lugar menos comigo. Eu entendia, entendia realmente, mas não deixava de machucar, mesmo com o passar do tempo.

— Aisha...

— Eu tenho me dedicado desde sempre a tentar libertá-lo desse vínculo de escravo que tem comigo. Porque eu sempre quis que ele gostasse de mim. Ele nunca acreditou que as minhas intenções eram verdadeiras. Eu não achei nada ainda, mas quando eu achar e o vínculo não existir mais... quando eu achar...

Aisha parou de falar por alguns instantes e Ciaran terminou de amarrar a ultima atadura. Mas ele entendeu onde o pequeno queria chegar.

— Talvez ele continue com você, Aisha. Você não sabe.

— Ele tem coisas mais importantes para lidar, Ciaran. Ele é o líder de um coven agora.

— Ele poderia levar você e...

— Não sou bem vindo. – Aisha falou tão rápido e ríspido que Ciaran achou estranho, ele era geralmente tão dócil. – Não sou bem vindo em covens, nem em clãs se você não percebeu.

Ciaran observou Aisha acariciar o próprio corpo.

— Você se importa muito com ele. E acho que tem pensado e se preocupado bastante.

— Eu penso nele, sempre, todo dia.

— Você tem certeza que não gosta dele?

— Eu não sei. Eu nunca gostei de ninguém.

Os dois ouviram uma batida leve na porta e logo uma cabeça ruiva se pôs para dentro. Natane avaliou o quarto e entrou.

— O que estão fazendo? – o ruivo perguntou, mas Ciaran notou que Natane não estava muito a vontade.

Tudo bem, ele costumava ser naturalmente hiperativo, mas o ruivo já tinha andado o quarto todo desde que entrou. As mãos estavam na cintura e logo em seguida estavam cruzadas em seu peito.

— Natane, está tudo bem? – Aisha foi o primeiro a perguntar.

— Não. Eu estou meio nervoso. – Natane disse olhando de um lado para o outro.

— Por algum motivo específico? – Ciaran perguntou. Mais uma vez, Natane não era muito calmo.

— Eu dormi com Denver e agora minha culpa bate no céu.

O silêncio predominou. Ciaran olhou ao redor, estavam mesmo, todos aqui, envolvidos amorosamente com seus parceiros? Ou, no mínimo, sexualmente?

— Por que fez isso? – Aisha perguntou entortando a cabeça. – Você não tem um noivo que adora você?

Os olhos do ruivo encheram-se de água.

— Eu sei. Eu não queria... mas... vocês não entendem?! Nem eu entendo!

— Tente explicar porque tenho a impressão que todos estamos no mesmo barco aqui. – Ciaran falou passando a mão pelo rosto.

— Como assim? – Natane falou e seus olhos cresceram alguns centímetros. – Quando vocês dormiram com Denver?

— Não tem nada a ver com Denver! – Aisha falou um pouco indignado.

— Você primeiro, Natane. – Ciaran disse ao ruivo que suspirou.

— Já faz tempo que venho sentindo isso por ele. – Natane parecia procurar as palavras. – Meu peito arde e meu corpo anseia por ele, não consigo tirar os olhos dele nem um segundo e quero agradá-lo de todas das formas, mas sem parecer grudento. Eu quero que ele me note e olhe para mim. E me toque. Só consigo descrever dessa forma, não é nada comparado ao que eu sinto por Thassos. O que é horrível porque Thassos está comprometido comigo e, ao contrário dos outros casais da tribo, nós concordamos em manter celibato quando éramos mais novos a partir do dia do noivado... eu sou uma péssima pessoa.

Natane se jogou na poltrona onde Haziel costumava descansar e suspirou. O quarto ficou em silêncio depois disso.

— Por que não fica com ele? – Aisha perguntou. – Tenho certeza que Thassos entenderia.

— Não é tão simples, Aisha. Você sabe.

— Não, eu não. – Aisha falou realmente sendo sincero. – Por que não explica?

Natane parecia se embrulhar nas palavras.

— Bom, em primeiro lugar eu tenho um compromisso com a minha tribo. Minha tribo e meus deveres vem em primeiro lugar. Eu não posso simplesmente abandonar todos. Eu sou o filho que restou para a sucessão de uma família realmente boa em governar. Todos esperam de mim e eu não posso e não quero falhar com eles. Thassos é de longe o melhor pretendente. É corajoso, forte, inteligente, comanda as nossas forças de combate e... ele é perfeito, sempre foi um bom amigo. Ele vai me ajudar a governar.

— Denver pode ficar com você. Quem sabe até unir os elfos e os lobos em uma comunidade só. – Ciaran falou no seu ainda falho conhecimento do mundo além do véu.

— Não funciona assim, Ciaran. – Natane disse. – Elfos não gostam muito de se misturar e, pelo que Denver disse, muito menos os lobos.

— Bem, não parece. – Ciaran comentou olhando significativamente para Natane.

— Creio que isso tenha sido um acontecimento isolado.

— E o que Denver disse para você pensar assim? – Aisha perguntou por fim.

— Bom, ele falou que lobos evitam ao máximo se acasalar com outros de outra espécie, porque o negócio é meio complicado com o vínculo de acasalamento e eles podem pirar se as coisas não correrem bem. E em segundo lugar... ele é o alfa de uma alcatéia inteira, ele não a deixaria por mim. É uma alcateia grande e forte. Não daria certo ficarmos juntos.

— Você disse isso a ele? – Ciaran indagou dessa vez e Natane pareceu pensar.

— Na verdade, não conversamos sobre isso depois. Nem ele comentou nada sobre um relacionamento duradouro.

— Então foi só uma vez?

— Acho que sim. Eu não sei...

Natane parecia perdido e confuso. Os três ficaram em silêncio por um tempo.

— E como você vai explicar o filhote a Thassos? – Aisha perguntou finalmente e Ciaran olhou do garoto para Natane rapidamente. Que filhote?

— Calma, Aisha. Eu não sou tão idiota! – Natane falou com as bochechas ficando coradas. – Eu não estou na minha época de procriação.

— Do que estão falando? – Ciaran perguntou meio perdido.

— Natane pode gerar um bebê. Não sabia? – Aisha falou para Ciaran que ficou em estado de choque. Mas por algum motivo, no fundo ele tinha a sensação de conhecimento do fato. Esse tipo de sensação tinha acontecido muito ultimamente.

— Eu... ainda não li muito sobre elfos. Isso é possível?

— Bem possível. Minha tribo não tem fêmeas. – Natane falou como se fosse a coisa mais normal do mundo e Ciaran tentou imaginar o elfo gordo. Ou pequenos lobinhos de orelhas pontudas correndo por ai.

— Ciaran, você dormiu com Deimos? – Natane perguntou e Ciaran apenas concordou com a cabeça. Espere. Ciaran não ia engravidar por dormir com Deimos, ia?! – Sabe que essa é a segunda pior coisa que você podia fazer na vida, certo?

Ah, não. Era apenas a velha aversão de todos contra a raça de Deimos.

— Qual a primeira?

— Se apaixonar por ele.

— Bem, e por que isso é tão ruim?

— Porque demônios são o pior que o nosso reino produziu. Eles não tem caráter, são sujos e bestas incontroláveis. Eles não são capazes de amar, eles só conseguem o que querem e seguem em frente. Consomem a energia mais preciosa e pura que existe, a da alma, que se perde para sempre e nunca mais pode renascer. É realmente como se você desaparecesse da existência.

— Bom, você acha que Deimos é assim?

— Não sei. Ele está sob o comando de um contrato com Ario. Só os deuses sabem como ele é ou o que faz quando está livre. Ele é um demônio guerreiro. Nem sei porque diabos ele aceitou um contrato em primeira mão. Eles existem primariamente para matar e consumir. Como bestas, obedecendo ordens de demônios superiores. Somente.

Ciaran estava começando a se irritar e não sabia porque.

— Eu não acho que Deimos seja assim. E eu não fui criado com o preconceito que todos vocês aprenderam a ter em relação a raça dele. Para mim, ele é bom o suficiente.

— É disso que eu estou falando! Eles são bons nisso, em enganar seus alvos!

— Bom, pelo que eu saiba, parte da culpa é do contratante certo? Eles não vão lá e simplesmente consomem a alma de alguém. Eles fazem contratos e para isso a outra parte tem que concordar. Não é justo que eles fiquem com a culpa toda.

— Os demônios de classe alta levam a coisa do contrato a sério, a ralé não. Demônios de classe alta não se importam se a ralé faz as coisas corretas ou não. Aliás, eles não se importam uns com os outros. Deimos é ralé. Por isso não entendi porque ele fez o contrato e pôs em risco sua existência.

— Porque ele é diferente.

— Eu espero que sim. É você quem está na mira dele agora.

O silêncio prevaleceu novamente, mas só por um tempo.

— Bem, teoricamente, os demônios vêm dos celestes. Então eles não podem ser totalmente maus. – Aisha comentou tentando ver o lado de Ciaran, mas o rapaz não parecia confiante.

— Eu sei da história. – Ciaran comentou. – Teoricamente o que os fazia ser tão bons ainda deve estar lá.

— Acho que vocês não entenderam bem a historia. Eles são o somatório das coisas ruins e que não deram certo no reino dos celestes.

— Mas esses celestes não são tão confiáveis assim. – Ciaran comentou.

— Eles são apenas soldados, filhos dos celestes mais elevados que se retiraram quando o Grande Ser voltou para a reclusão. Eles falham as vezes, mas ainda assim, não há gente melhor para confiar quando se trata da justiça. Por isso cuidam dela. – Natane suspirou. – Olha, Ciaran, eu sinceramente não torço contra você, mas quero que você tome cuidado com Deimos porque a natureza dele é essa, posso parecer cruel, mas é só preocupação.

Ciaran concordou com a cabeça e decidiu deixar isso para lá. De qualquer forma, era bom ter alguém se preocupando com ele de vez em quando.

— Obrigado pela preocupação, Natane, mas... eu dormi com Deimos sim. – Ciaran falou esperando a reação do ruivo que ficou petrificado na cadeira de Haziel.

— Então tá né, o gosto é seu. – Natane falou cruzando os braços e fingindo desinteresse. Pelo menos o elfo não soltou os cachorros em cima dele. Já estava bom, ele era tolerante. — Mas e agora. Ele está apaixonado por você?

— Não, na verdade ele não vê a hora de abrir as asas e se mandar. Fora que com essas coisas dos celestes querendo vir para cá. Ele não está muito afim de ficar.

— Eles vão ficar de olho no Deimos, Ciaran. Deimos não devia estar aqui. Ele pode ser preso... Você deveria ir com ele.

— Ele não quer. Ele quer ir ver o que há de errado no outro reino. E é aparentemente “muito perigoso para alguém inexperiente como eu”.

— Mas é verdade. A região dos demônios não é um lugar para ir passear.

— Mas...

— Você ainda está em treinamento Ciaran e...

— Isso que é estranho, mesmo eu estando ainda em treinamento é como se tudo fosse familiar para mim. Como se eu já tivesse visto e feito magias. Nos meus treinos eu faço magias que não sei explicar como sei.

— O que o seu mestre diz sobre isso? – Aisha perguntou.

— Ele tem teorias, mas não me disse nada ainda.

— E Deimos? – Natane perguntou.

— Não falei com ele sobre isso.

Natane suspirou e o silêncio prevaleceu por um instante.

— Então, sobre o que conversavam quando eu cheguei? – o ruivo falou puxando o assunto, mas ele parecia pensar em seus próprios problemas.

— Haziel beijou Aisha. – Ciaran falou ganhando o mesmo olhar confuso e espantado de Natane.

— Oh. Como... por que?

— Também queria saber. – Aisha disse e depois respirou fundo. – Eles só estão brincando com a gente?

Os três pararam para pensar.

— Eu não sei. – Ciaran disse se colocando de pé prontamente. – Mas eu não sou brinquedo de ninguém e eu estou indo dizer aquele cara o que eu penso! – se Deimos estava mesmo indo, não ia matar dizer logo tudo o que pensava para o maldito moreno.

— Eu acho que você está certo. Eu vou falar com Denver também. Não posso deixar que ele faça planos... nem posso me permitir isso também. – Natane disse se apressando para a porta. Mas parou assim que chegou a ela. – E você Aisha?

Ciaran e Natane olharam para o garoto. Aisha se livrou de uma das cobertas e se colocou em pé, um pouco instável no começo, mas parecia bem.

— Só preciso que alguém me dê minha roupa e eu vou procura-lo também. – o garoto disse caminhando cuidadosamente e lentamente.

— Tem certeza? – Ciaran perguntou o vendo um tanto instável.

— Tenho.

Ciaran o ajudou a se vestir, os movimentos ainda eram difíceis já que o puxar da pele machucava em muitos lugares, mas depois de alguns instantes ele estava bem.

— Quer mesmo sair do quarto? – Natane perguntou tendo a certeza de ficar perto o suficiente caso o garoto caísse.

— Claro. Eu estou bem o suficiente.

Natane e Ciaran se colocaram para fora e esperaram Aisha. Assim que o rapaz chegou a porta ele parou.

— Aisha? – Ciaran chamou a atenção do rapaz que parecia petrificado. – Não é melhor descansar?

— Acho que sim. – Aisha disse voltando a si. Parecia aliviado. – Eu acho que ainda estou um tanto fraco e meus pés doem ao andar... não iria muito longe de qualquer forma.

— Quer que a gente fique?

— Não! Podem ir, só voltem para me contar como foi.

— Tudo bem.

Aisha ouviu a segunda porta ser fechada. Ele ouviu o vento e o silêncio circulando pelo ambiente. Ele podia sentir o calor do sol fora de seu quarto, mas no momento ele estava querendo evitá-lo. Apenas suspirou e voltou três passos para dentro.

Por que estava sendo tão assustador sair do quarto?

—x-

Denver estava sozinho em um dos ginásios de treino do enorme castelo. Não tinha muito material ali e, como a maioria dos seres preferiam trabalhar a noite, o lugar estava bem vazio. Faziam vários minutos que ele não escutava sequer um som no local ou nas proximidades.

O que era ótimo.

Seu pai o reprovaria, Denver não era muito bom com diplomacia ou contato social, esse era um dos motivos dele estar ali. Conhecer um pouco mais da diversidade dos seres do mundo mágico, conhecer suas fraquezas, fazer contatos no instituto ou nas viagens. Coisas que ele não era bom. Pelo menos ele acreditava estar fazendo bem para o mundo mágico pegando essas ocorrências.

Além disso, tinha o fato de que sua cabeça estava muito ocupada o repreendendo por seu comportamento na noite passada. Ele estava agindo como um virgem inconsequente.

Ele estava cansado de saber que relacionamento entre lobos e outras espécies estavam fadadas ao fracasso. Não que ele estivesse pensando que isso com Natane ia durar. O cara era comprometido.

Denver socou fortemente o enorme saco de areia preso por aço reforçado no teto.

Era, porra, comprometido. Não que ele acreditasse que o idiota guerreiro élfico estivesse se comportando por lá. Denver tinha certeza que não estava. Mas ainda assim, Natane não parecia o tipo que iria desrespeitar o seu compromisso. Bom, não até que Denver não contribuiu para que ele mantivesse o controle.

Mas o que ele podia fazer. Sério? Natane o atraia e praticamente se jogou nele na noite passada. Ele não era tão forte. Não quando se tratava do tagarela no seu quarto. Não importa agora. Isso foi coisa só de uma vez. Ele só tinha que gastar sua energia aqui, todos os dias, e evitar ficar mais de um metro perto do elfo. Seu lobo já tinha reclamado várias vezes no dia a ausência de Natane. Era como uma fome dolorosa.

Deuses! Se ele já estava assim e nem tinha acasalado, imagine se acontecesse. Não podia, não podia. Foi só uma vez, estava muito arriscado.

O mais estranho foi no dia seguinte, quando Denver acordou, Natane dormia bem aninhado nele. O pânico foi instantâneo, mas com o tempo ele se acostumou ao calor e a respiração baixa. Até que ele se viu absorto demais no ruivo. Sacudiu os pensamentos longe e levantou-se. Nunca saiu do quarto tão rápido e nunca tinha fugido de alguém tão desesperadamente durante todo um dia.

Denver socou mais duas vezes antes de encostar a testa suada no couro grosso a sua frente. Ele ia caminhar pelos corredores algumas horas ainda e voltar para o quarto o mais tarde possível, a intenção era encontrar Natane já dormindo, com o cabelo de fogo espalhado por todo o travesseiro e a pele saborosa pulando de qualquer abertura que o tecido tivesse, somente para atiçar sua fome.

Melhor ele correr por mais algum tempo ao redor do castelo. Aparentemente ele não estava cansado o suficiente.

Então ouviu a enorme porta do ginásio ranger aberta e a cabeça ruiva se pôr para dentro. Denver apenas suspirou e começou a se livrar de suas luvas e procurar a blusa no meio de uma pilha de caixas com equipamentos. Ele tinha jogado aqui em algum lugar.

— Cara, você sabe se esconder muito bem! Eu te procurei por horas nesse lugar! Sabe quão grande ele é? Você ficou aqui o dia todo?

— Só parte da tarde. – Denver respondeu quando finalmente achou sua blusa.

— Bem, já é noite, então acho que você passou um pouco do horário previsto.

— Sério?

— O que fez o dia todo? Eu não te vi no almoço nem em qualquer horário em parte alguma do castelo. Alguns gnomos e duendes brigaram nos corredores novamente. Dizem que os gnomos colocaram feitiços lá para que qualquer um que passasse fosse amaldiçoado. Eu não entendo porque eles sempre tem que envolver os outros de fora nos problemas deles.

— Nem eu.

— Aparentemente vamos ter uma missão logo. Parece que é para o extremo norte do mundo mágico. Dizem que as coisas estão tão bagunçadas agora que os problemas estão batendo as portas das terras dos dragões! Acredita nisso? Os seres estão tão loucos com tudo que foram pedir ajuda do povo dragão! Eles não costumam ajudar, como você bem sabe...

Denver começou a ir em direção a porta quando Natane começou a sentar-se nas caixas empilhadas de equipamentos. Natane parecia bem, parecia que nada estava errado ou que nada acontecera. Bem, era melhor assim, era melhor para os dois não discutirem o assunto.

— Vamos voltar a como estávamos antes então?! – o elfo disse meio inseguro. Denver olhou para ele e Natane parecia exausto por algum motivo. Olhava para as próprias mãos.

— O que quer dizer?

— Eu correndo atrás de você e você me evitando a todo custo.

Denver passou a mão no pescoço e segurou forte o tecido da blusa em sua mão. Ele pensou um pouco e ficou com raiva de si mesmo. Natane teve mais presença de discutir a situação do que ele, o que era uma vergonha. Denver só não sabia porque lidar com esse assunto era tão difícil para ele.

Denver deu meia volta e parou na frente de Natane, o ruivo continuava sentado a sua frente e parecia ansioso pelo que o lobo ia falar ou fazer, as duas enormes esmeraldas olhavam para ele com expectativa.

— Desculpe, Natane, por lidar com a situação dessa forma.

— Tudo bem. Na verdade, não é grande coisa, eu que fico pensando demais. Eu entendo que essas coisas acontecem e são normais. As pessoas ficam juntas por uma noite e depois fica tudo bem, aconteceria com qualquer um e...

— Você não é qualquer um, Natane. – Denver falou interrompendo o ruivo que ia começar a divagar demais sobre tudo e nada. Tudo bem, ele ia colocar os pontos aqui. – Tentei evitar você porque o que fizemos foi errado. – o lobo viu Natane se recolher um pouco. – Você sabe que é comprometido e eu não devo me envolver assim com alguém tão diferente da minha espécie. Já te expliquei.

— Eu sei, mas...

— Quero me desculpar, porque eu deveria ter tido mais autocontrole e ter parado antes...

— Eu estava lá também, sabia?!

— Ah, eu me lembro bem, mas...

— Não foi só você que “errou” eu também errei. Eu quis errar na verdade e eu não me arrependo.

— Vamos conversar direito.

— Não! Você acabou de dizer que o que aconteceu na noite passada não passou de um erro. Então, tudo bem. Vamos tratar como se fosse mesmo e dar o assunto como encerrado. Mas fique sabendo. Para mim não foi um erro, idiota.

Natane começou a sair do cômodo, mas Denver o impediu e o colocou novamente onde estava antes. Eles iam conversar isso direito.

— Só pare um pouco e me escute! Natane, eu não me arrependo do que fiz na noite passada. Mas não podemos deixar acontecer de novo porque se as coisas se complicarem...

— O que poderia acontecer?

— Talvez nada para você! Mas para mim faz muita diferença! Se eu me apegar a você e... isso for mais fundo, eu vou ter problemas! E você vai simplesmente voltar para sua vida, para o idiota que você é comprometido. Já disse que as coisas funcionam diferente para mim.

Natane pôs apenas as sobrancelhas franzidas e empurrou Denver para que saísse do caminho, mas o lobo nem se moveu. Natane estava preso entre os braços do rapaz e as caixas de madeira atrás dele.

— Acho que já ficou bem claro. Posso ir agora?

— Diga o que você está pensando.

Natane olhou para todas as direções com um olhar chateado, parecia que uma criança mimada tinha sido contrariada. Denver achava aquilo engraçado e um pouco angustiante, ele queria ouvir o que Natane tinha a dizer... a princípio, ele também tinha receio do que o elfo ia falar. Natane era tão bonito no seu jeito único, Denver ficou ali, assistindo as emoções de Natane irem e virem no rosto do rapaz. Até que um beicinho foi a ultima coisa depois de um suspiro.

— Eu sei que o que você falou é verdade. E por alguma razão isso me incomoda. Me incomoda o fato de você levar a culpa toda, acho que nós dois temos responsabilidade pelo que aconteceu. Eu não me sinto bem com o que fiz a Thassos.

Ok, ouvir o nome desse cara saindo da boca de Natane incomodava muito Denver. Mas era só porque o elfo merecia alguém melhor.

— Tudo bem.

— Então, vamos cuidar para que não se repita porque eu não quero que as coisas fiquem esquisitas entre a gente.

— Nem eu.

Natane abraçou Denver e o lobo abraçou o pequeno corpo de volta. Denver descansou seu queixo na cabeça ruiva abaixo de si, o que era uma droga, Natane se encaixava tão bem nele e cheirava tão bem, todo o corpo cansado de Denver relaxou enquanto ele segurava o ruivo, seu lobo uivava para ele. Isso simplesmente parecia certo.

O elfo se afastou meio sem jeito e olhou ao redor.

— Hm, só um beijo de despedida? – Natane sugeriu quando seu rosto ficou combinando com seu cabelo ruivo.

Denver foi mais rápido do que ele pretendia, sua boca encontrou a de Natane subitamente no ar, sua mão se fechou na curva do pescoço do ruivo e seus corpos ficaram próximos. O ruivo deslizou suas mãos pelo peito exposto de Denver e o lobo sentiu sua pele formigar com o toque.

O que ele devia fazer? Ele queria tanto isso.

Quando Natane gemeu na sua boca, Denver desistiu do auto-controle, se o elfo não quisesse, ele que protestasse. Ou corresse para longe dele, porque Denver não estava parando.

As mãos do lobo subiram pela blusa de Natane, deixando o tecido preso no lugar, enquanto ele acariciava os mamilos do elfo. Natane, por sua vez empurrou o corpo para as mãos de Denver, fugindo de sua boca, ele provou a pele do lobo com a língua, descendo por seu pescoço, intercalando alguns beijos leves e roxos por beijos mais intensos.

— Está salgado. – Natane falou com a voz grossa e arrastada.

— Eu estava me exercitando.

— Hm... você parecia muito bom quando eu entrei aqui.

Natane parou em seu peito, o elfo lambeu o mamilo de Denver, sugando o botão marrom e sentindo o peito firme do lobo. Até que algo retumbou no peito de Denver. O lobo deslizou suas mãos pelo corpo do ruivo, passando pelos glúteos deliciosos, até que suas palmas se fecharam nas coxas de Natane mantendo a pressão.

Natane gritou quando Denver o ergueu e o sentou em uma das caixas.

Denver mais uma vez procurou a boca do ruivo. Natane tinha uma boca macia, uma língua travessa que adorava brincar e muito receptiva as investidas de Denver.

— Não devíamos fechar a porta? – Natane perguntou quando sentiu as mãos de Denver em suas calças.

Denver sorriu para Natane e o ruivo pareceu ficar surpreso.

— Faz parte da diversão. – Denver respondeu beijando o queixo do ruivo.

— Alguém já disse que você devia sorrir mais? Você fica lindo quando sorri.

— Fico?

Isso era porque Natane tinha um efeito diferente nele. Denver desceu suas mãos pelo corpo esguio, desejando que o ruivo o pertencesse e que esse sentimento de culpa e erro desaparecesse permanentemente. Agora ele estava com o pênis de Natane ereto e quente nas suas mãos, isso ia ser rápido e duro.

Denver acariciou a ereção molhada do elfo, enquanto a sua própria doía por um pouco de ação em sua calça. Ele queria fazer isso rápido, mas ver o rosto corado e Natane e a respiração descompassada enquanto ele masturbava o ruivo era impagável. Denver subiu e desceu com a mão algumas vezes, até que o pênis de Natane estava duro e pronto para a erupção.

Denver ficou surpreso quando Natane começou a acariciar a sua ereção por cima da calça, meio tímido, mas ele não parou.

— Acho que se você não tirá-lo dai, ele vai rasgar a sua calça. – Natane falou quando olhava meio bêbado para dentro da calça de Denver.

Denver puxou a blusa do ruivo e Natane desceu da caixa de madeira. Denver o colocou de costas para si e baixou a calça de Natane até que os glúteos lindos pularam para fora. Denver colocou um dedo dentro de Natane e o ruivo chiou empinado a bunda para Denver, apoiando-se na caixa de madeira.

Natane não precisava ser preparado, o corpo do elfo era feito para isso e Denver sentia uma lubrificação instantânea ser produzida pelo ruivo. Denver adorava isso. O lobo posicionou a sua ereção na entrada apertada e foi avançando conseguindo seu caminho, até que sentiu a pele de Natane contra a sua.

Denver colou seu peito com as costas de Natane, o ruivo parecia tentar se adequar e se adaptar a invasão, Denver mordeu de leve uma das orelhas e Natane choramingou alguma coisa, a pele do elfo se arrepiou.

Denver continuou brincando com a orelha de Natane e se deleitando com gemidos do ruivo, sempre tomando cuidado para não descer demais até a curva do pescoço, os caninos de Denver estavam doendo para se afundar na pele alva.

— Por favor... me fode. – Natane falou levando a bunda de encontro aos quadris de Denver.

Seria um prazer. Denver começou a entrar e sair de Natane em um ritmo constante, mas nada agressivo. Natane baixou a cabeça e a carne do seu pescoço ficou exposta a visão de Denver que lambeu os lábios, ele queria tanto marcar a pele como sua. Seus movimentos ficaram mais fortes e mais rápidos, Denver segurou os quadris de Natane e ouviu sua pele batendo na carne do ruivo, seus olhos continuavam indo em direção a nuca de Natane.

Isso. Não. Ia. Acontecer.

— Denver... – Natane gemeu. – Eu estou... quase...

Natane gemeu alto quando Denver acariciou o seu ponto doce, e logo em seguida o corpo do elfo apertou Denver ao ponto da dor quando o cheiro de sexo do ruivo se intensificou no lugar, Natane tinha gozado e Denver estava perto. Ele conseguia ouvir a pulsação do pescoço do ruivo, seus caninos estavam alongados ao tamanho máximo e ele estava relativamente consciente de que Natane chamava seu nome.

Ele ia fazer Natane seu companheiro hoje. Ele podia enfrentar o outro elfo maldito e mostrar que Natane agora era seu, ele podia desafiar o noivo de Natane e ganhar seu companheiro de uma vez por todas. Natane ia ser dele e ele não dividia.

Denver deitou novamente sobre o corpo de Natane, mas antes que ele pudesse marcar Natane como seu, o elfo virou para ele e o beijou, o zumbido no ouvido de Denver diminuiu e ele sentiu o formigamento na sua virilha, explodindo na bunda do ruivo.

Denver respirou, profundamente e descansou sua testa nas costas de Natane.

Foi por tão pouco.

— Acho que... – Natane começou em meio a sua respiração ofegante. – Não conseguimos seguir o plano inicial.

Denver mais uma vez se amaldiçoou. Porém, com uma intensidade menor do que a da primeira vez.

— Vamos continuar tentando.

Natane concordou com a cabeça. Denver estava apavorado que na próxima vez ele não fosse capaz de parar. Isso não podia acontecer de novo. Denver olhou quando o seu pênis deslizou de Natane, a pele clara da bunda do elfo um tanto vermelha e a coberta de um suor fino. Seu semen deslizou pela coxa interna do ruivo...

Quem ele estava querendo enganar?

— x –

Já passava da meia noite e Ciaran lia o seu grimório, imaginando o que poderia existir nas páginas arrancadas. De vez em quando ele tinha alguns vislumbres estranhos, como se ele soubesse exatamente o que esteve ali, mas nada muito concreto. Ele fechou seu livro com impaciência e olhou para a janela. Deimos estava longe de ser encontrado, mais uma vez ele tinha saído e nada tinha dito a Ciaran, ele podia até já ter ido embora, como ele tinha dito.

Ciaran levantou da cama e foi até a enorme janela, não tinha lua no céu e alguém estava patrulhando a floresta ao redor, algumas luzes podiam ser vistas. Deimos não teria ido embora sem se despedir dele, certo? Afinal, ele tinha que se assegurar de que a alma de Ciaran seria sua exclusivamente.

O jovem mago sentiu um frio repentino no quarto e escutou passos, não podia ser Feiy, sua raposa tinha ido jantar no refeitório. Ciaran virou lentamente e observou o quarto. Não tinha ninguém ali, somente ele. Achava que já tinha ficado bom em sentir pessoas a sua volta, mas aparentemente sua mente ainda lhe pregava peças.

E então a porta do quarto abriu, Deimos se pôs para dentro, parando logo em seguida e analisando ao redor.

— Por que está tão frio aqui? – o moreno perguntou a Ciaran, como se ele tivesse todas as respostas.

— Não sei... faz poucos minutos que a temperatura caiu.

Deimos pareceu ainda mais confuso. Ele andou pelo quarto e foi até o banheiro, mas apenas deu de ombros, voltando para o quarto, se livrando de seus coturnos e se jogando na cadeira.

— Por onde andou o dia todo? – Ciaran perguntou enquanto ia guardar o livro em sua cabeceira.

— Não é da sua conta.

E como sempre, um amor de pessoa. Ciaran sentou na cama e encarou seus pés, o silêncio se formou no quarto e Ciaran lembrou da conversa que ele tinha tido mais cedo com seus amigos, de repente aquilo não parecia mais tão importante para ele, Deimos era sempre tão distante. Ele tinha que aceitar o fato de que aquela relação era unilateral. Deimos não era capaz de sentir esse tipo de coisa e era assim que eles conseguiam suas vítimas, certo?!

Ciaran olhou para Deimos e o rapaz o encarava intensamente, tão intensamente que Ciaran sentiu um frio lhe subir pela espinha.

— Quando vai embora? – as palavras saíram da boca de Ciaran sem sua permissão. Deimos desviou o seu olhar e ergueu os ombros.

— Ainda não sei. Mas será logo. – Ciaran concordou e voltou para cama, era melhor ele ir dormir. – Ciaran, lembra que eu estava procurando uma coisa no mundo humano?

Ciaran parou e olhou para Deimos um tanto confuso, ele estava prestes a ter uma conversa sobre os assuntos de Deimos? Sério?

— Sim.

— Fui procurar por isso de novo, mas não obtive resultados. – Deimos falou coçando o queixo.

— O que você procura? Talvez eu possa te ajudar, vivi lá por muito tempo.

— Duvido que possa me ajudar. – Deimos falou convicto. – Bem, o que nós, demônios guerreiros, temos é nosso orgulho e nossos grandes feitos em batalhas, isso prediz o que somos. Não costumamos fazer muitos contratos. Não somos desse tipo. Mas se for algo valioso ficamos mais do que satisfeitos em fazê-los. Acontece que um de meus antepassados foi um guerreiro formidável e conhecido no mundo mágico. Ele jurou fidelidade e vendeu seus serviços a um mago muito poderoso, essa pessoa era simplesmente o Rei das criaturas com poderes como os seus. Os que tem a magia inata.

— Não temos mais Rei.

— Isso é porque o meu antepassado matou o Rei de vocês.

— O que? Quer dizer... o nosso Rei praticava magia negra?

— Não acho possível, o que eu acho é que meu antepassado estava tentando convencê-lo a isso, para que ele pudesse usufruir da magia do mago, isso torna um demônio muito forte e torna o mago mais forte. Mas, acontece que, por algum motivo, meu antepassado aliou-se ao discípulo de seu Rei e o traiu, matando-o. Aparentemente, esse discípulo era quem usava magia negra e fez um contrato com o meu antecessor. Ninguém achou o corpo do seu Rei, mas os seres que possuem magia inata relatam não o sentirem mais e estão esperando que este renasça e assuma o trono novamente. Isso destruiu toda a história e orgulho que precedia meu antepassado no reino demônio e no mundo mágico. Demônios passaram a ser mais odiados ainda. Desgraçou a minha linhagem para sempre. E esse fantasma me persegue até hoje, perseguiu todos os seres de minha linhagem e alguns foram brutalmente mortos.

— Sinto muito.

— Para limpar o meu nome e da minha descendência futura eu tenho que consertar a merda feita por ele. Aparentemente, a alma do discípulo traidor ainda está por aí, já que não há relatos do consumo dela. Sendo assim, eu preciso encontrar em que corpo ela está. Em algum momento, um descendente desse discípulo veio para cá, desse lado do véu, e eu o tenho procurado até hoje.

— E como você espera encontra-lo?

— A alma dele é muito antiga... como a sua, eu só preciso senti-la e investigar.

— Como a minha?

Deimos levantou e ficou na frente de Ciaran de braços cruzados, evidenciando seus bíceps enquanto os olhos frios e avermelhados avaliavam Ciaran.

— Isso.

— Então, eu posso ser quem você procura.

— Você pode. Na verdade, você tem todas as características.

— Se eu for... você vai me matar?

O silêncio se formou no quarto enquanto Ciaran encarava os olhos carmim e esperava uma resposta que poderia ser terrível para ele.

— Não se preocupe, ainda não tenho certeza de que é você. – Deimos falou com uma voz leve, como se o assunto não fosse sério. — E vou parar de procurar por um tempo.

— Eu acho que é verdade. – Ciaran falou unindo as mãos e sentindo um aperto no peito enquanto ele tentava controlar sua respiração.

— O que?

— Vocês demônios não conseguem sentir nada.

Ciaran não podia acreditar que depois de tanto tempo juntos, Deimos não conseguia sentir um mínimo de ressentimento por cogitar mata-lo, o demônio falava isso como se não fosse nada demais. Caramba, isso o fez sentir um pouco de medo de Deimos.

E o fez consciente de que ele estava realmente vivendo uma ilusão achando que talvez, só talvez, demônios pudessem sentir. Ao mesmo tempo, que coisa ridícula, quem ele pensava que era para ter tanto poder sobre alguém?!

Ciaran levantou da cama e se dirigiu a porta, ele não queria dividir o ambiente com Deimos, não agora, ele sentia raiva, tristeza e um sentimento de abandono, como se ele não significasse nada. Mas a culpa foi dele, ele tinha sido alertado várias vezes, por diversas pessoas.

Deimos colocou uma mão e seu peso sobre a porta, fechando-a prontamente.

— Aonde você vai? – o moreno disse sério.

— Não é da sua conta. – Ciaran respondeu na mesmo moeda. – Deixe-me sair. – por favor, ele só não queria chorar na frente do idiota.

Deimos segurou no braço de Ciaran e o virou para ele.

— Por que ficou bravo?

Ciaran ficou atônito, ele nem mesmo sabia por onde começar.

— Você está brincando? Para começar, eu não sou seu brinquedo, com o qual você pode brincar quando quiser e do jeito que quiser. Ok, eu posso precisar um pouco da sua ajuda porque eu sou novo nesse mundo, mas já estou conseguindo me virar bem. Quem precisa da minha energia é você, então você podia fazer um esforço para me tratar melhor. – Ciaran tinha consciência de que ele falava alto e andava na direção de Deimos, o rapaz andava para trás a cada passo para frente de Ciaran, mas parecia atento a tudo que o loirinho falava. – Além disso, não devia agir como se eu fosse alguma coisa para você, já que visivelmente eu não sou. Fora que, quem é que fica feliz em saber que o cara que dormiu com você tem uma possibilidade enorme de te matar no dia seguinte? E por algo que não foi nem sua culpa! Você acha que eu não tenho motivo para estar bravo com você?

Ciaran terminou de falar e percebeu que estava ofegante. Deimos apenas o encarava sério.

— Eu achava que era só pela possibilidade de morte.

Os olhos de Ciaran rolaram e ele decidiu que não precisava disso. Deimos era demais para ele lidar. Deu meia volta e foi para a porta de novo, mas antes que ele pudesse chegar a maçaneta Deimos o alcançou de novo e agarrou seu pulso, fazendo com que Ciaran o encarasse.

— Eu não disse que ia matar você. – Deimos falou próximo a Ciaran e com a expressão raivosa. Quem devia estar com raiva aqui era ele!

— Bom, você deixou bem claro que tem a possibilidade. Uma bem grande!

— Tem. Uma possibilidade enorme... mas eu não quero.

Ciaran parou um momento de tentar livrar seu pulso e encarou Deimos um pouco confuso.

— O que?

— Eu realmente espero que não seja você, porque eu não quero mata-lo. Mas eu tinha que avisá-lo, assim você pode se preparar para me enfrentar.

— Você só pode estar louco se acha que vou lutar contra você.

— Eu realmente espero... – Deimos falou encostando a testa na de Ciaran. – Que os deuses me ajudem e não seja você, mas se for, não me deixe mata-lo.

— E você acha que eu teria chances contra você?

— Você precisa ter. – Deimos falou e colocou a mão de Ciaran sobre seu peito, envolvendo a cintura do loirinho e trazendo seu corpo para junto do seu.

— Eu não entendo você... eu não entendo o que quer de mim, você me confunde. – Ciaran falou para Deimos que tinha os olhos fechados e parecia lutar contra seus demônios. Ciaran apenas suspirou. – Pode, simplesmente, não fazer isso. Sabe, essa pessoa é inocente.

— Você não sabe como é viver sem pertencer a lugar nenhum. Ter que esconder quem você é da sua própria raça e das outras, porque você é uma ameaça e um símbolo muito forte. Sabe, o meu antepassado matou um Rei, ele bagunçou o equilíbrio das coisas. Talvez, essa confusão no reino mágico seja por culpa dessa estupidez que ele fez. Eu sou seu ultimo descendente. É algo que eu preciso fazer. Consertar as coisas.

— Se você matar essa pessoa, tudo vai se resolver?

— Eu não sei. Uma parte do problema sim, além disso, eu não sei mais o que fazer.

— Isso não faz sentido e eu não gostei dessa conversa.

Deimos abriu os olhos e encarou Ciaran firmemente, sério e intenso.

— Eu preciso que você fique forte. Eu posso me tornar uma ameaça. E, principalmente, eu não vou estar sempre aqui para você.

Ciaran sabia disso, ele sabia que Deimos não ia estar sempre lá para ajuda-lo, tudo isso era temporário. Mas ele não queria falar disso, ele ia focar em convencer Deimos do contrário. Afinal, agora ele tinha um lugar para pertencer, certo? Sem ser ameaçado pelos outros demônios. Ele podia convencer Deimos a não matar ninguém, ele podia convencer qualquer um de que não era igual ao seu antepassado. Certo? Ele só tinha que abrir a mente para novas possibilidades.

Ou não... ele não tinha confiança para isso. Ainda.

— Bom... acho que Feiy pode me ajudar a lutar contra você.

Deimos deixou um leve riso sair. Ok, então agora Ciaran estava apaixonado por seu possível assassino.

— Eu prefiro que você não dependa de ninguém, mas se precisar... encontre alguém mais competente.

O rosto do moreno aproximou-se do loirinho e sua mão acariciou a bochecha fria, o coração de Ciaran disparou.

— O que te fez pensar que eu quero beijar o meu algoz?

— Primeiro, ainda não sou o seu algoz. Segundo, é meio excitante, você não acha?

— Não, não quero acordar com o pescoço cortado.

— Eu não seria tão covarde com você. – Deimos mais uma vez tentou roubar um beijo de Ciaran.

— Acho que você devia começar a procurar energia em outro lugar. – Ciaran estava lutando contra isso, as recentes declarações foram um pouco perturbadoras para ele. Mas por que diabos ele tinha tanta atração pelo moreno?

— Mas você é o meu preferido.

Isso só o irritou!

— Então, vá procurar o seu segundo preferido!

Deimos só riu dele. Estava visivelmente brincando com os sentimentos de Ciaran e ele precisava pensar e, definitivamente, precisava ficar longe de todo esse calor que emanava de Deimos. O mago começou a sair dos braços de Deimos, mas o moreno apenas colou seu peito com as costas de Ciaran.

— Não há um segundo, quando eu penso sobre isso, eu só penso em voltar para você.

— O que há de errado com você?

— Estou me sentindo inspirado hoje.

— E acha que isso me convence?! – ele queria tanto acreditar que era verdade. E que, talvez isso, pudesse ser uma luz no fim do túnel para eles.

Ciaran sentiu a respiração de Deimos em seu pescoço e em seguida a língua do moreno em sua pele fez todo o seu corpo se arrepiar.

— Deimos... – Ciaran falou virando-se, tentando afastar o moreno dele, colocou as mãos no peito do demônio e o empurrou, mas os braços de Deimos o mantiveram firme no lugar. – Não acho que isso seja uma boa ideia. – ele tentou argumentar, mas o moreno tomou sua boca, no inicio Ciaran empurrou o peito de Deimos para longe, depois o empurrou um pouco, mas a quem ele estava tentando enganar, ele se derreteu nos braços firmes que o seguravam com cuidado e carinho. Ele até acreditou que Deimos se importava.

No momento seguinte, Ciaran já envolvia o pescoço de Deimos em seus braços e sua boca lutava para acompanhar o ritmo do moreno, ele estava indo bem, mas não era suficiente. O loirinho sentiu as palmas de Deimos em suas coxas, Deimos ergueu uma delas até a altura de sua cintura e Ciaran conseguiu sentir a protuberância dentro da calça do moreno, tinha algo ali se esfregando na sua própria ereção.

Deimos afastou-se da boca de Ciaran, deixando o rapaz meio bêbado.

— Mantenha a perna onde está. – Deimos disse, mas Ciaran não processou.

— O que?

Ciaran sentiu sua outra perna ser erguida e se enroscar na cintura de Deimos, o moreno o carregou para cama e, em segundos, Deimos estava em cima dele se livrando da blusa. Ciaran correu os olhos pelo peito musculoso de Deimos, não era nada modesto, ele podia desenhar todos os músculos com seus dedos. E Deimos percebeu que Ciaran gostou do que viu, porque aquele sorriso convencido se desenhou nos lábios do moreno.

Deimos começou a deslizar suas mãos pela barriga de Ciaran, levantando a blusa e se livrando dela. Ciaran ainda não ficava muito a vontade quando tomava consciência de sua nudez na frente de alguém. Quer dizer, ele não era impressionante como Deimos.

— Relaxe. Já vi tudo isso uma vez.

— Eu sei, mas ainda é...

O moreno tomou a boca de Ciaran de novo enquanto suas mãos trabalhavam a calça de Ciaran, que sentiu quando sua ereção quente foi liberada do tecido e encarou o ar externo, mas rapidamente, outro pênis estava sendo esfregado com o dele, igualmente duro, igualmente pulsante e igualmente necessitado.

Ciaran não percebeu quando gemeu na boca de Deimos, mas estava totalmente consciente que seus quadris se mexiam em direção ao corpo do moreno.

— De quatro. – Deimos comandou com uma voz grave e Ciaran não teve outra reação que não fosse obedecê-lo. Deimos bateu de leve na sua bunda. – Me mostre. – Ciaran apenas empinou o máximo que conseguiu.

Deimos deslizou duas mãos pelas costas de Ciaran, ele queria ver as expressões de Deimos, mas infelizmente ficava ruim nessa posição. Sentiu o moreno separar os globos gêmeos e em seguida ele sentiu, céus, ele sentiu a língua de Deimos dentro dele. Era uma sensação maravilhosa e seu pênis começou a vazar instantaneamente. Isso era muito bom.

Ciaran tinha certeza que estava derretendo. Quando Deimos se afastou, ele estava pronto para protestar, mas um dedo molhado o invadiu e acariciou um ponto especial no seu corpo, Ciaran aprovou verbalmente até que o segundo dedo tesourou dentro dele e ele sentiu a leve picada desconfortável.

— Isso é bom... – Ciaran gemeu para Deimos.

— Acho que agora é minha vez.

Deimos falou e Ciaran sentiu as mãos na sua cintura, ele não esperava ser virado para Deimos, o demônio agora olhava intensamente para ele, tão intenso que ele não percebeu o pênis do moreno ser posicionado em sua entrada, só notou tarde demais, quando a sensação de queimação começou a acontecer. Deimos estava indo rápido demais e o corpo de Ciaran se fechou.

— Você precisa relaxar, Ciaran.

— Vá... um pouco mais devagar.

Deimos sorriu rapidamente.

— Não faça isso comigo.

— É que... já faz um tempo.

Deimos olhou para ele com um sorriso de satisfação. Seu corpo desceu sobre Ciaran e Deimos beijou a curva de seu pescoço.

— Desculpe. Eu esqueço que você só deseja a mim.

— Você é muito convencido. – Ciaran sentiu Deimos avançar mais dentro dele.

— O que? Só eu tenho permissão para foder você. Eu estou errado?

Deimos terminou de se enterrar dentro de Ciaran com uma última estocada firme, Ciaran grunhiu, mas estava bem, ele estava cheio, sentia Deimos pulsando dentro dele. E era uma sensação maravilhosa.

O moreno respirou e começou a se mover, lentamente, pegando um ritmo constante e em seguida mais bruto, Ciaran gostou, mas significava que ele ia durar menos. Algumas estocadas depois, e Ciaran já estava apertando o pênis de Deimos ao ponto da dor.

Deimos notou quando Ciaran agarrou o tecido da cama.

— Acho que você está perto. – Deimos falou com a voz grossa, mas tinha um olhar divertido no rosto.

— Sim... não pare...

— Isso é uma pena. – Deimos falou, mas Ciaran notou a dificuldade em manter o controle pela qual o moreno estava passando. – Eu fiz uma pergunta e você não respondeu.

Deimos diminuiu a velocidade e Ciaran se viu em um desespero realmente novo para ele.

— Não! Não... não é um erro. Só você.

— Bom.

Deimos mudou um pouco a angulação e parecia que o corpo de Ciaran tinha recebido um choque, depois outro e mais outro, até que ele sentiu tudo se entorpecer e a sensação de prazer tomar conta dele. Sentiu os jorros de semen saírem de seu pênis e seu interior ser preenchido pelo líquido quente de Deimos.

Ele abriu os olhos lentamente e observou Deimos concentrado, observou o corpo do rapaz respirar ofegante e sua pele ganhar um novo vigor, seus olhos já não estavam avermelhados e Ciaran só queria ficar com ele para sempre. Sem ameças de morte, só felicidade e momentos com esse.

Ele não ia pensar na realidade agora, ele só queria aproveitar o momento.

Da outra vez também foi assim, era como se todas as suas forças se esvaíssem do seu corpo quando terminava, Ciaran sentia seus olhos pesados e seu corpo fraco. Ele só pensava em dormir. Deimos o observava, com os olhos menos avermelhados.

— Por que o seu antepassado trairia o Rei? O que a outra pessoa pode ter oferecido a ele? — Ciaran perguntou perdendo para o sono.

— Eu não faço ideia. – Deimos disse calmamente.

— x –

Deimos assistiu Ciaran cair no sono profundo, o rapaz estava exausto e o moreno cheio de energia. Ele não esperava voltar para o Instituto tão cedo. Deimos pegou seus pertences e os colocou em uma bolsa qualquer, teve o cuidado de não deixar nada para trás que pudesse lembrar qualquer um de sua existência.

Bom, exceto por Ciaran.

Seu corpo estava queimando a energia muito rápido. O que significava que sua segunda forma estava aflorando finalmente, não era seguro ficar no Instituto se seu pavio explodisse. Muitos problemas para si e para os presentes.

A sua última busca no reino humano tinha resultado nessa revelação a Deimos. Ciaran podia simplesmente ser a pessoa que ele tinha procurado por anos, isso roubou um pouco a satisfação da descoberta, mas ele ainda tinha que ter certeza.

Um rapaz com uma alma ancestral, cheia de energia, da raça dos magos e no reino humano. Um milagre teria que acontecer para que não fosse Ciaran. O que o colocava em uma encruzilhada: se ele matasse Ciaran, ele ia perder sua alma; se ele não o matasse, sua linhagem continuaria sendo ameaçada e desrespeitada do reino demônio e além, sua descendência estaria fadada a ser eternamente peão de demônios mais fortes e nunca voltaria a ter o prestigio que um dia teve. Deimos queria subir, Deimos queria pisar em quem pisou nele.

Mas tinha que ser Ciaran?

Se ele esperasse a linhagem de Ciaran, essa poderia nunca existir, a julgar pelos gostos sexuais do rapaz. E sabe-se lá para onde a alma iria se esperasse Ciaran morrer.

Ele não ia lidar com isso agora. Ele tinha que entender o que estava acontecendo no mundo mágico e se isso era uma ameaça a sua existência. E, definitivamente, ele não queria lidar com anjos rondando o instituto em um futuro próximo.

Ele olhou para Ciaran na cama e o cobriu com o cobertor. Sexo com o loirinho era bom, Ciaran era novo nisso e suas emoções eram genuínas e francamente excitantes. Deimos gostava do controle e do efeito que ele tinha sobre Ciaran. Bem, uma pena que ele não ia mais ser o único a foder o jovem mago. Ele ignorou o sentimento de posse que ele estava tendo esses dias e nem sequer cogitou quem ficaria em seu lugar.

Feiy ia fazer de tudo para... Deimos se proibiu de pensar muito sobre isso ou se chatear. Ele precisava ir embora. Isso lhe daria tempo de se afastar um pouco das coisas por aqui, daria tempo de Ciaran ter uma chance contra ele. O momento de executá-lo ia chegar, Deimos só precisava de um tempo para se acostumar com a ideia.

E ainda tinha uma pequena chance de não ser ele. Deimos ia se apegar nisso.

Ele saiu do quarto e olhou para o sofá onde uma raposa o observava. Ele não queria, mas precisava deixar Ciaran nas mãos de Feiy.

— Agora, você cuida dele. – Deimos falou para o bicho em cima do sofá.

Feiy prontamente se transformou. O homem o olhava com desdém.

— Eu sempre cuidei, mas infelizmente não pude deixa-lo longe de você.

— Estou deixando o caminho livre para você agora.

Feiy apenas seguiu para o quarto.

— Por favor, não volte. E boa sorte no que você tiver que fazer.

A porta fechou e Deimos seguiu seu caminho.

— x-

No dia seguinte, Ciaran acordou preguiçoso e olhou ao redor. Ele não viu sinal de Deimos no quarto, ele não esperava isso de qualquer forma. Agora, ele precisava tirar essa ideia assassina da cabeça do moreno, afinal seu pescoço podia estar na reta.

Feiy se transformou no quarto e olhou para ele. Ok. Feiy estava ali a noite toda? O rosto de Ciaran esquentou e ele tentou lembrar de algum momento... não, Feiy estava jantando. Ufa.

— Bom dia. – Ciaran falou quando notou que estava muito nú debaixo das cobertas.

— Bom dia. – Feiy disse sem muito ânimo.

Ciaran foi tomar um banho e vestir uma roupa qualquer. As coisas de Deimos não estavam ali, nem as muitas armas expostas nem nada, nada em canto nenhum. Ciaran notou porque ele correu como um louco por todo o quarto. Era como se Deimos nunca tivesse estado ali.

— Ele foi embora. – Feiy disse sentado na cama.

— O que?

— Ele foi embora. Voltou para o mundo mágico. Acho que ele não pretende voltar.

Ciaran ficou sem palavras, como isso tinha acontecido? E como ele podia dormir tanto que não escutou nada que Deimos fazia no quarto a noite.

— Ele nem se despediu. – Ciaran falou quando sua voz falhou um pouco e ele sentiu seus olhos encharcarem.

— Acho que ele já tirou tudo o que ele podia tirar de você, Ciaran. É o que seres como eles fazem. — Ciaran fungou, ele não queria chorar. Feiy veio até ele e o abraçou. – Você vai ficar bem, estou aqui com você.

Os dois ouviram uma batida na porta e vozes abafadas, tinha gente lá fora, Ciaran conseguia ouvir vários passos e ver várias sombras por baixo da porta.

— Ciaran Atenza. Abra a porta. – uma voz desconhecida disse do outro lado. Ele e Feiy ficaram confusos por um segundo.

Mas Ciaran obedeceu e foi até lá. Do outro lado quatro homens esperavam, altos, imponentes e vestindo branco. O homem que o olhava tinha cabelos grandes, mantidos no lugar por um arco prata, os olhos violeta eram bem frios na opinião de Ciaran e com certeza o olhavam com inferioridade.

— Meu nome é Michaelis. Eu sou um arcanjo julgador e vim fiscalizar o Instituto. Você será levado para interrogatório.

Por que? Ciaran se assustou, os caras eram intimidadores e pareciam sérios demais.

— O que eu fiz? – Ciaran perguntou quando os outros três homens entraram e se colocaram ao redor dele.

— Temos fortes acusações contra você, jovem mago. A primeira delas é de manter relações íntimas com um demônio guerreiro contratado por Ário. Você nega?

— Isso não é contra a lei, é contra a razão, mas não pode acusá-lo disso. – Feiy falou em defesa de Ciaran.

— Quero que mantenha-se fora disso, kitsune. Isso não é seu assunto.

— Claro que é! Ele é meu dono.

— A acusação procede? – Michaelis falou olhando para Ciaran.

— Sim, mas... – Ciaran achou melhor ser sincero, para não ter problemas depois.

— É verdade que fez um contrato com ele?

— Não.

Michaelis suspirou e analisou Ciaran de cima a baixo.

— Pelo menos isso. – o homem parecia aliviado. — É verdade que estava aprendendo magia com um mago especialista em magia negra?

Ciaran ficou em silêncio, não era para ele saber disso. Ciaran vislumbrou Ário escoltado na entrada do quarto e o homem apenas concordou com a cabeça para Ciaran.

— Sim. – Ciaran falou mordendo o lábio. Michaelis passou a mão por seu rosto e suspirou. – Mas eu não praticava magia negra, ele estava me ensinando a dominar a magia elemental, apenas.

— O que fizeram com Damir? – Feiy perguntou muito interessado.

— Estamos procurando por ele, Kitsune, mas, assim como o demônio, ele está longe de ser encontrado. – Feiy pareceu relaxar. – Sabe que essas acusações contra você são graves, senhor Atenza?

— Eu...

— O fato de você ser ensinado por um professor de magia negra, ter relações com um demônio e ser um mago falam muito contra você.

É. Ele tinha que admitir que soavam como merda.

— Eu sei o que parece. Sei que magos podem fazer pactos com demônios para aumentar sua força. Mas não é o meu caso.

— Concorda que é algo muito difícil de acreditar. Tudo se encaixa. Eu não posso ter uma ameaça como você solta no mundo mágico e muito menos no mundo humano.

— Mas eu juro que não fiz nada errado.

— Eu realmente espero que seja assim. Você será preso até que possamos averiguar bem essa história. Até que o demônio seja encontrado. Porque aparentemente Ário não consegue invoca-lo. E o seu mestre. Torça para que eles apareçam logo.

Pulseiras finas de aço foram postas nos pulsos de Ciaran, lembravam algemas, e ele sentiu algo estranho dentro de si, como se algo estivesse sendo remexido dentro dele. Ele viu seu cajado ser levado para longe. Isso era mesmo necessário?

— As pulseiras vão impedir que use qualquer tipo de magia. – Michaelis falou em direção a Ciaran.

— Ele é inocente! – Feiy falou avançando para Michaelis. Um dos homens colocou rapidamente uma coleira de contas ao redor do pescoço de Feiy e imediatamente o homem se transformou em raposa de novo.

Aparentemente Feiy não conseguia se livrar do seu novo acessório.

— O que fez com ele? – Ciaran se preocupou. Isso não podia ser saudável.

— Isso vai impedi-lo de mudar e tentar libertar o seu dono. Kitsunes podem ser um pouco inconvenientes. Leais demais para o seu próprio bem.

— Mas ele não fez nada de errado! – Ciaran falou quando era levado para fora do quarto.

— Sim, ele fez. Ele sabia o que estava acontecendo, devia ter denunciado a nós. Ele será interrogado também. É um cúmplice. Devia estar feliz por o deixarmos livre.

Ciaran viu Natane e Denver na área comum, Haziel estava olhando tudo de dentro do quarto. O sol iluminava tudo lá fora.

— Para onde vão leva-lo? – Haziel perguntou não muito amigável.

— Não posso informa-lo. – Michaelis falou e saiu do quarto comum. – Mas vocês serão convocados para depor.

— Vou acompanha-lo. – Natane falou seguindo atrás do grupo.

— Não é permitido.

— Mas... – Natane ia argumentar. Mas Denver o parou.

Ciaran se sentia um criminoso, mas ele não tinha feito nada errado. Ele caminhou pelos corredores do castelo chamando a tenção de todos, ele notou uma quantidade exorbitante de anjos ao redor. Eles estavam em toda parte enquanto Ciaran era levado para uma área em que ele nunca tinha estado. Desceu vários degraus frios depois de passar por uma porta triste de madeira.

E lá em baixo tinham celas, verdadeiras celas, escuras, frias e úmidas.

— E-eu vou ficar aqui? – Ciaran perguntou e o anjo o observou.

— Sim. Até ser julgado propriamente.

— Mas eu não fiz nada errado.

— Espero que o que alega seja verdade. – o anjo falou e abriu uma das celas. Ciaran entrou. – Mas sua história conspira contra você.

O barulho das grades fechando fez o corpo de Ciaran pular e seu coração acelerar. Os quatro homens voltaram por onde vieram e iam levando a única fonte de luz que ele tinha, uma tocha.

— O que está fazendo? – Michaelis perguntou ao homem que levava a fonte de luz.

— Acompanhando o senhor.

— Deixe a tocha com ele, esse lugar é muito frio e escuro.

— Sim, senhor. – o anjo que o acompanhava concordou e voltou para a cela de Ciaran, deixando a tocha no suporte ao lado dela.

Ciaran olhou para o homem de longos cabelos pretos que o encarava sem piedade.

— Obrigado. – Ciaran falou e os dentes do homem trincaram.

— Você não merece a piedade de Michaelis. – o homem disse e apagou a tocha de Ciaran. – Ninguém aqui merece. É bom mesmo que tomemos conta desse lugar.

O breu o envolveu e logo ele estaria com frio, ouviu os passos do anjo se distanciarem cada vez mais.

— Esse lugar pertence a Ário. – Ciaran falou alto.

— Não mais, ele fez tanta besteira que tivemos que intervir. Agora, eu sugiro que você e toda a sua escória se comportem. Nós punimos os que andam errado e trazem veneno a esse mundo.

— Ele mandou você me deixar com a tocha!

— E eu deixei. Ele não especificou que precisava ficar acesa.

Ciaran ouviu a porta bater e ele estava ali, no frio, no silêncio e no escuro. Ele tinha visto uma cama fina suspensa e tateou até encontra-la. Ele deitou lá e assim ficou. Uma hora ou outra eles tinham que vir verificá-lo e então acenderiam a tocha novamente, só esperava que não fosse o último anjo.

Em que merda ele tinha se metido? E o que o esperava a partir de agora? Não... o que esperavam todos eles a partir de agora.

Notas finais
Enquanto Inn esta parada, uma nova história :). https://fanfiction.com.br/historia/724248/Among_the_cold_stars/
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.