Magic Whisper
9 A segurança dele está em suas mãos.
Natane estava na sala de Ário, sentado em uma cadeira a frente da bela mesa de madeira e observava o diretor do instituto escrever e escrever, as vezes balbuciava alguma coisa. Folhas e mais folhas eram preenchidas.
Mas Natane não estava muito impressionado com aquilo, na verdade ele estava se sentindo infinitamente triste. Ele tinha falhado não uma, mas várias vezes. Tinha decepcionado todos os seus parceiros e agora ele estava ali com um atestado de inutilidade.
Ele ia ser mandado para casa, nunca na história desse instituto isso tinha acontecido. Ainda assim, isso não era o pior. O pai de Natane o mandara lá para que ele aprendesse alguma arte com a espada, era muito importante que os filhos do líder do clã soubessem se defender, eram alvos muito visados.
Mas Natane sentiu que mesmo com essas palavras, seu pai não estava muito seguro com a decisão. Na verdade, Natane nem queira vir no início, ele estava bem mais feliz sendo ensinado por seu irmão e Thassos.
Então Natane escutou uma conversa a noite, onde o líder conversava com Thassos e seu outro pai. Ele dizia que Natane não fora feito para o serviço, que ele seria um fardo e nada mais que um inútil. Bem, não é que ele estava certo?!
Os homens como Natane, em sua tribo, eram protegidos por seus companheiros de modo que eles não precisavam fazer muito. Talvez só plantar e colher, ajudar em algum serviço manual na produção de armas, lidar um pouco com o comercio interno. Não era nada muito interessante. Mas definitivamente, todos sabiam como usar pelo menos um tipo de espada! Eram especialistas e letais.
Mas então Abey, seu progenitor, se fez ouvir e disse que Natane ia conseguir e se provar um homem de valor tão competente quanto o seu futuro companheiro. Ele queria ser como seu progenitor, Abey se mostrava fraco e submisso, mas Natane sabia que tinha alguma coisa escondida naquele olhar sereno e cheio de amor quando o olhava com ternura.
Porém, aqui ia ele decepcionando todo mundo, como sempre, essa não era a primeira vez. Ele era um pouco atrapalhado, mas ele tentava fazer as coisas certo. As vezes ficava nervoso e acabava se atrapalhando, pensava que ia estragar tudo, e era o que acabava acontecendo sempre.
Ele estava cansado de ser visto com um fraco, ele notava que as pessoas não o odiavam, mas o olhavam com pena ou cumplicidade por ele não ser útil, todos queriam fazer tudo por ele, ,evitar que ele se entristecesse. Principalmente Thassos e seu irmão.
Ser a vergonha de uma tribo inteira. Natane se afundou um pouco mais na cadeira. Ele podia lidar com isso... já fora tantas vezes.
Sabe, ninguém podia notar, mas sempre depender de alguém, ou sempre ter seus assuntos resolvidos por outros o machucava, o tratavam como um inválido, porque estava lá no conhecimento de todo mundo: se ele fizesse não ia funcionar, não ia dar certo. Natane foi feito para ser servido e apenas isso. Ele fora feito para ser o bibelô embelezando o novo líder do clã.
De qualquer forma ele não sabia mais o que fazer, talvez ele tivesse que aceitar o seu destino e ponto final. Não importava mais de qualquer forma.
Natane olhou para o contrato de parceria que fizera com Denver, estava lá, bem na sua frente, só esperando a assinatura do lobo para se separarem. Ele realmente esperava que com Denver ia ser diferente.
Mas, bem, ele tinha estragado tudo de novo.
–x-
Denver entrou no dormitório. Todos os músculos do seu corpo doíam. Ultimamente ele estava indo para as missões sozinho até que um novo parceiro fosse encontrado para si. Ele estava pegando missões em cima de missões e agora ele se sentia um pouco cansado, ia tirar um ia de folga.
Sua ultima missão foi estranha. Quimeras não atacavam cidades em plena luz do dia, isso era estranho, eram pelo menos quatro delas. Denver entrou em seu quarto e o viu vazio.
O dia era hoje, oficialmente ele ficaria sem parceiro hoje. Seu futuro ex-parceiro foi um dos motivos pelos quais Denver estava pegando missões em cima de missões, ficar no quarto com Natane não estava sendo fácil. Natane costumava tagarelar por horas, mas Denver não achava ruim, a voz do elfo não incomodava seus ouvidos e os assuntos aleatórios muitas vezes lhe chamavam atenção. Denver gostava de ouvi-lo falar, era um balanço para o seu eu tão calado.
Mas ultimamente Natane tinha estado mais calado e pensativo e Denver não sabia o que dizer e o que fazer. Então, ficar longe dali era o melhor, mas o isso o fazia se sentir um covarde, ele não tinha explicado a Natane os seus motivos de querê-lo longe. Claro, o principal era que o elfo não sabia e nem tinha pistas de como manejar arma alguma, mas também tinha o fato de que ele estava se colocando em risco permanente, confiando em seus parceiros que nem sempre poderiam ajudá-lo. Além disso, a tribo de Denver contava com ele no futuro, ele não podia estar arriscando suas costas por um elfo o tempo inteiro.
Denver suspirou. Sempre que ele entrava nesse quarto seus pensamentos tomavam esse rumo.
Alguém bateu na porta interrompendo seus pensamentos e Aisha colocou a cabeça para dentro. Ótimo, agora o sangue suga maldito ia invadir o quarto. Seu lobo grunhiu dentro de si. Ele esperava que o vampiro não fosse idiota o suficiente para invadir seu território.
– Posso entrar? – a voz doce surgiu depois de um tempo.
– Você pode. – ele não tinha com o que se irritar, o vampiro ia ficar atento de onde estava e Denver não pensava em fazer nada ao pequeno anjo.
– Eu gostaria de falar com você sobre o Natane.
– Se é algo sobre revogar a minha decisão...
– É sobre isso.
Denver não queria ouvir nada sobre o assunto.
– O que você tem a dizer? – Denver falou suspirando e indo trocar de roupa. Não tinha nada demais. O garoto era cego, certo?! Ele não queria encontrar a família de Natane sujo e cheirando a monstros.
– Eu queria pedir para que você não deixasse o Natane.
– O que? Você sabe que ele não é um lutador, não sabe usar os punhos, ou armas ou magias?
– Ele é rápido e sabe escalar muito bem!
– Ótimo para fugir e se esconder! Nós precisamos enfrentar o inimigo e vencer!
– Então você pode ensinar a ele! Ensine-o a usar uma arma e...
– Ele é filho de uma tribo especialista nelas! O que eu tenho a ensinar se eles não conseguiram?
– Você podia tentar!
Denver de fato já tinha ensinado alguns jovens de sua matilha, mas um elfo...
– Deixe que o façam quando ele voltar para casa. Eu não vou ser responsável pela morte dele.
– Por favor... ele é esforçado e se você der um voto de confiança...
– As vezes isso não é suficiente. Porque você está insistindo nisso de qualquer forma, não é problema seu.
– Ele é meu amigo. – Aisha andou até uma das camas e sentou-se. – Sabe, Natane já teve seis parceiros e todos eles o abandonaram assim. Eu escutei cada um deles falarem as piores coisas quando o enxotaram. Diziam que ele não servia para nada e que não tinha orgulho próprio quando pedia ajuda. Que ele era uma vergonha e que sua família devia estar decepcionada. Até cuspiram nele uma vez. Mas ele não desistiu e sempre continuou tentando, é por isso que eu acho que ele merece uma chance. Você é um lobo alfa e pelo que eu sei vocês costumam ser justos e nobres... você foi o primeiro para quem eu vim pedir isso. Os outros não pareciam se importar com ele como você se importa, os outros só olhavam como um filho de alguém do alto escalão do mundo mágico e só servia para amaciar seus egos quando deduziam que ele não valia nada.
– Eu preciso ir porque eles já devem estar me esperando.
Denver comunicou enquanto se dirigia a porta.
– Vai pensar no assunto?
Ele só deixou o dormitório e seguiu rápido pelos corredores. Denver penteou os fios castanhos curtos e bagunçados com os dedos Não tinha mais nada para pensar estava tudo decidido e pronto.
Denver chegou rápido a sala de Ário, bateu na porta e entrou. Ele avaliou o local, tinham mais três pessoas no local, além de Ário e Natane, um elfo alto e cabeços negros com mechas grisalhas o encarou com o cenho franzido, o homem era o mais velho ali, tinha as impressões da experiência e parecia um guerreiro de força.
O outro estava ao lado de Natane e encarou Denver por pouco tempo, devolvendo em seguida a atneção para o ruivo sentado na cadeira. Ele era alto e esguio, com longos cabelos castanhos e impecavelmente lisos, chegava a ser delicado e possuía a beleza etérea comum dos elfos.
E o terceiro era um homem alto com porte de guerreiro, seu cabelo era liso e curto cor de ouro, e passou a analizá-lo com os olhos, Denver não gostou disso.
– Você é o parceiro de luta do meu filho? – o homem com cabelos grisalhos perguntou, olhando firme nos olhos de Denver.
– Eu sou.
– E de que raça é você?
– Eu sou um homem lobo.
– Um lobisomem. – o elfo falou.
– Não, meu senhor, ele é um shifter. – o rapaz loiro falou encostando-se em uma das paredes laterais.
– Ah, sim... as vezes eu esqueço que são duas coisas diferentes. Desculpe-me.
Denver notou que o tom do homem estava irritado, mas mesmo assim ele o achou um pouco desrespeitoso. O elfo mais velho em sua direção e estendeu a mão a sua frente.
– Quero me desculpar pelo meu filho e todos os transtornos que ele causou. Percebi agora que foi um erro mandá-lo até aqui e que por sorte ele está vivo.
Denver apertou a mão do líder do clã.
– Não teve problema nenhum para se desculpar.
– Denver, pode sentar-se aqui?! – Ário falou apontando para um cadeira ao lado de Natane.
Denver foi até lá e sentou-se, ele tentou muito não olhar para o elfo sentado ao seu lado, mas ele queria saber se Natane tinha passado a odiá-lo ou qualquer coisa assim, ele não queria que o ruivo partisse como seu inimigo.
– Eu nunca acreditei que isso ia dar certo. – o líder falou de novo.
– Já chega, Miles. – o elfo de cabelo longo falou em tom cortante.
– Eu disse para vocês, os dois, Natane não foi feito para a batalha, ele foi feito para dar suporte ao seu companheiro quando ele assumisse o cargo de líder.
– Natane não precisa se preocupar. – o loiro falou de seu lugar. – Ele vai ter alguém que o protegerá com toda a coragem e força que ele merece.
– É bom saber que ele ficará em mãos competentes. – o líder comunicou.
Denver avaliou o loiro presente, ele viu como o homem olhava para Natane, com olhos carinhosos e desejosos, talvez esse fosse a pessoa a quem Natane era prometido. Ele não lhe impressionou em todo, achou que o elfo merecia alguém melhor, mais forte, mais bonito... aliás, se ele dizia que ia protegê-lo com toda a força e coragem, devia ser alguém com pelo menos instintos melhores, sentidos mais aguçados. Ele apostava que seu lobo ganharia desse homem, seu lobo grunhiu e parecia concordar, não, melhor, ele nem mesmo precisaria de seu lobo.
Ele queria falar com Natane agora, ele queria escutar a voz tagarela que estava tão silenciosa na sala e ver o sorriso radiante de pura alegria, o que ele achava difícil já que a expressão de Natane era a mais séria possível.
– Eu... – Denver começou, mas assim que ele o fez, Natane puxou um papel amarelado em cima da mesa e assinou seu nome e em seguida passou para Denver. O lobo leu o que estava escrito e era a papelada de anulação da dupla.
Não deu nem tempo de Denver terminar de ler o que estava escrito e Natane já se pôs de pé.
– Acho que o que eu tinha que fazer eu já fiz, então... já vou indo. Obrigado por tudo, Ário e... obrigado pela paciência, Denver.
Natane deu a volta na cadeira com a cabeça baixa, mas Denver viu uma profunda tristeza ali e isso remoeu suas entranhas e incomodou seu lobo, ultimamente sua fera estava dando muito palpite, principalmente quando se tratava do elfo.
Natane ia se dirigindo a porta e o loiro tomou seu lado. E agora, o que ele ia fazer?
–x-
Quando sua família chegou, Natane só queria ir embora dali antes que ele começasse a ser humilhado publicamente e quando Denver passou pela porta, deuses, ele só queria uma buraco para se esconder e depois de tudo o que seu próprio pai disse sobre si, ele se sentia profundamente triste e envergonhado.
Ele estava tendo a sua capacidade, orgulho e maculinidade sendo quebradas em mil pedaços na frente de Denver e tudo o que ele menos queria era ser humilhado na frente do guerreiro lobo bonito. Mas agora era tarde, ele só queria acabar logo com aquilo tudo e ir embora antes que a situação piorasse.
Ele via pelo canto do olho que Denver o encarava, devia ser pena aquilo em seus olhos ou decepção, pior ainda, indiferença.
Ele só pegou o papel antes que Denver começasse a destruir seu espírito também, ele estava se segurando para não chorar. Isso sim seria perfeito, ele chorando como um bebe na frente desses homens fortes. Não, nunca, ele arrancaria seus olhos, mas não ia derramar uma lágrima sequer.
Natane só assinou seu nome e se pôs de pé, logo Thassos estava ao seu lado como um bom prometido faria, ele também não queria que Natane viesse para o instituto, dizia que ele era delicado demais e parecia realmente preocupado quando ele decidiu que viria.
Agora a expressão de alivio no rosto do homem era visível. Bem, ele ainda tinha que se despedir de Aisha, Ciaran e os outros. Eles eram como sua família aqui. Ele também queria coragem prar se despedir recentemente do parceiro que ele mais tinha gostado até agora, Denver, mas ele não estava com espírito no momento, talvez ele deixasse um bilhete se desculpando por tantos problemas.
– Sabem. – Denver falou e todos pararam na porta. — Eu realmente acho importante um líder de clã saber se defender. Na minha matilha, nossos compnahiros são nossos betas, segundos em comando, e é extremamente importante que eles saibam se defender, são alvos muito visados. Então, aqui vai minha proposta, se Natane quiser... eu posso treiná-lo.
–x-
Que merda era essa que Denver havia protosto? Todos na sala estavam olhando para ele em silêncio. Claro, ele tinha dito que não queria mais ser o parceiro de Natane, mas Aisha tinha dado uma ideia que não era tão ruim e ele podia tentar. Ele tinha impressão que estaria fazendo muito pelo ruivo, o rapaz parecia bem destruído e parecia que ele não ia ficar melhor em casa depois dessa situação.
Ele estava sendo dispensado por não ser útil de qualquer forma, isso feriria o orgulho de qualquer um.
O loiro deu um passo a frente de todos e Denver levantou para ouvir, eles tinham quase a mesma altura, o loiro era um pouco mais alto, mas Denver era maior.
– Agradeço a sua intervenção, mas Natane vai para casa. – o loiro disse um pouco incomodado.
Denver olhou para Natane que parecia um pouco chocado no momento.
– Acho que tem deve decidir isso é ele. – Denver repondeu e o rapaz ficou sério.
Seu lobo começou a rosnar, se o homem queria brigar com Denver ele não iria fugir da batalha.
– Ele vai para casa. – o loiro deu mais um passo a frente encurtando a distância entre ele e Denver.
– Hm, Thassos. – Natane falou se pondo entre os dois. – Eu gostaria de ficar. Por favor, Denver é um guerreiro excepcional e eu tenho certeza que vou aprender muito com ele.
Os olhos do loiro focaram em Natane e o olharam com ternura.
– Eu preferia que você viesse comigo.
– Por favor, será como um presente que você daria para mim, um presente adiantado pela nossa união furtura, então, o que acha? – Natane falava com pura emoção e Denver notou novamente o brilho no olhar do ruivo, isso o deixou feliz. É, ele estava bem com isso.
E pelo visto, esse era mesmo o noivo de Natane.
– Isso o deixaria feliz? – o elfo alto falou com um suspiro de derrota.
– Sim, sim. Isso é... se Ário ainda me aceitar. – Natane disse olhando para o homem calado atras da mesa.
– Sem objeções. – Ário falou e continuou a observar a cena.
– Então... – o ruivo falou com expectativas.
– Ta certo. Mas o praso para você voltar para casa está de pé. – Thassos falou entredentes, estava na cara que ele deixava Natane contra a sua vontade.
– Obrigado! – Natane disse pulando nos braços do maior.
Denver foi fusilado com um olhar do loiro, mas ele não estava com medo, na verdade, ele estava bem satisfeito por algum motivo desconhecido.
– A segurança dele está em suas mãos. – isso foi mais um alerta a Denver, mas ele não precisava se preocupar, quando ele terminasse com Natane, o ruivinho não ia mais nem precisar desse loiro metido a besta.
– Pode deixar.
Espere aí, ele acabou de se tornar responsável pela segurança de Natane? Não era isso que ele não queria desde o começo? Não, nada disso, eles continuavam cada um por si, como parceiros, ele só ia ter que tirar um tempo para treinar o elfo.
Parece que os pais também estavam de acordo com o combinado. Natane se despediu da família e depois veio em sua direção. Ele parecia meio sem jeito e evitou olhar para Denver nos primeiros minutos, tudo bem, ele podia esperar, parecia que o elfo estava procurando as pelavras.
Natane estava bem na sua frente e era incrível como o cheiro de orvalho e folhas verdes lhe preenchiam os sentidos, ele adorava esse cheiro.
– O que te fez mudar de ideia? – Natane perguntou por fim.
– Aisha me deu a ideia e eu gostei.
– Aisha? – Natane perguntou olhando para Denver sem querer, eram emoções tão vivas e transparentes. Mas logo ele desviou o olhar de novo.
– É. Acho que te dispensei antes de tentar todas as possibilidades, então...
Por essa Denver não esperava, Natane pulou em cima de si e o abraçou com força. Bem, ele estava surpreso, mas ele gostou, o ruivo se encaixava perfeitamente no seu corpo e sim, o cheiro da própria pele era muito melhor, havia um leve cheiro de mel também, orvalho, folhas verdes e mel.
– Obrigado. – ele ouviu Natane sussurrar com uma voz falha, ele presumiu que o rapaz estava chorando, mas ele estava escondendo o rosto entre seu peito e seu pescoço. Resolveu dar um tempo a ele. – E desculpe por decepcionar você.
Denver o abraçou mais forte.
– Não precisa se desculpar, você vai lutar comigo quando aprender a usar uma espada. – Natane apenas assentiu e depois se distanciou, ele sentiu a perda do calor e do corpo muito mais do que ele esperava, isso era estranho, seu lobo também começou a arranhar sua alma.
Isso. Era. Muito. Estranho.
Denver olhou para Natane estudando-o.
– O que foi? – o elfo disse fungando disfarçadamente. – Eu sei que homens não choram, mas...
– Não é isso.
– Ah, tudo bem então. Eu achava que você me odiava, sabe? Eu geralmente falo demais e toda aquela história de eu não conseguir fazer nada...
– Eu não odeio você. E vamos dar esse assunto por encerrado. – Denver deu meia volta, ele estava cansado e queria dormir... e se acalmar e entender o que acontecera aqui. Natane se calou de novo e Denver farejou um pouco de medo. Tinha coisas que ele só farejava quando estava muito excitado ou com muita adrenalina no sangue, os sentimentos eram uma dessas coisas. Ele queria que Natane se acalmasse e entendesse que ele não ia mais manda-lo embora. – Aquele era o cara para quem você foi prometido?
– Hm? Ah, sim... é Thassos, ele é o melhor amigo do meu irmão e me conhece desde criança. Ele é o melhor guerreiro da minha tribo e é muito inteligente, meus pais confiam muito nele e ele é realemnte um bom futuro líder para a tribo, já que meu irmão casou com alguém de outra tribo e agora é o líder desse outro clã, mas...
– Mas você não o ama, ama? – Denver parou para olhar para Natane, bom, pelo menos o ruivo tinha voltado a tagarelar como nunca.
Natane parou também para olhar para ele.
– Bem... eu não sei, acho que sim. – o elfo respondeu com uma visível dúvida. Denver só revirou os olhos, e percebeu que esse gesto incomodou o ruivo. – Você nunca teve uma dúvida assim?
– Nós lobos não temos esse luxo, nosso lobo nos avisa e nosso coração arde quando nos apaixonamos e começamos a amar alguém. Essa pessoa é única e só poderemos amar a ela para o resto de nossas vidas, por isso temos que escolher corretamente. Nós a marcamos e seu sangue se mistura com o nosso. É uma devoção para o resto da vida.
– Isso parece bem... profundo.
– E é.
Os dois caminharam pelos corredores do instituto até que estavam de volta ao domitório.
– Obrigado pela segunda chance. – Natane disse e entrou no local.
Estavam Aisha, Ciaran, Haziel e Deimos na pequena sala entre os quartos e todos olharam quando ele entrou. Aquele momento de choque se fez presente.
– Ah, qual é... não me diga que você voltou. – Deimos disse sem entender nada.
– Sim, estou de volta! – Natane comentou e o sorriso de Ciaran e Aisha foram genuínos. E o elfo também estava feliz, então tudo parecia nos seus seus devidos lugares.
Menos seu corpo,ele estava gritando por um banho e uma cama.
Ele aproveitou que todos estavam distraídos e entrou no quarto, mas Natane veio logo após ele.
– Eu quero dormir. – Denver avisou antes que o ruivo começasse a falar.
– Prometo não incomodar. Vou só desempacotar minhas coisas.
Denver deitou na cama depois de sair do banheiro e fechou os olhos, Natane estava no chão separando tudo para recolocar no guarda roupa. Ele suspirou e começou a relaxar...
– Então, dizem que o almoço de hoje vai ser muito bom. Você sabia que fadas trabalham na cozinha? Elas são irmãs das fadas que fazem os portais e dizem que elas são um tipo de elfo,mas eu não sei...
Denver suspirou, graças aos deuses a voz de Natane não incomodava.
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