Magic Quest
1 Prólogo
Notas iniciais
E para todos, boa leitura
Arthur ansiava, mas aguardava pacientemente os dias passarem. Para os garotos de sua idade, descobrir o tipo de magia que se tinha era algo mais do especial, era conhecer a si mesmo antes de tudo. Arthur não tinha amigos, era solitário e diziam que ele entraria no pior tipo de magia, a magia podre, que mal sabiam os garotos ser a magia mais letal e corrupta de todas, não havia como refletir tal magia, apenas purificar, até o cadáver mais decomposto poderia ser revivido na sua forma mais pura, e um mago assim não era achado há anos. Arthur inconsequente brigava e brigava e sempre apanhava de seus colegas de classe, ele era detestado por ser diferente.
Graças ao todo bullying que sofria e apesar de se fazer durão, Arthur ainda era uma criança, não era de ferro. Tudo aquilo o fez fugir de casa aos sete anos e nunca se arrependera tanto. Fugiu por ser chamado tantas vezes de maldição, por dizerem que apenas traria desgraça a sua família e fugira num momento de desespero. Pretendia voltar para casa e se desculpar quando havia recebido aquela notícia que o destruiu; que seus pais morreram enquanto o procurava. Após aquele acontecimento, o pequeno garoto de cabelos escuros tinha certeza. Ele tinha certeza de que era uma maldição, se recusando a viver num orfanato e conseguindo viver sozinho numa casa com trabalhos que conseguia em qualquer lugar.
Ainda continuara estudando, é claro, aquilo era obrigatório para “jovens magos”, mas ele não pretendia realmente se focar nisso, afinal não queria estragar mais vidas. Arthur era acanhado, distraído e medroso, sua afeição por coisas simples e delicadas era odiada pelos alunos mais perversos. Este pobre garoto que abandonado desde criança era condenado pelo destino a sofrer segundo os seus professores e companheiros de classe, mas ali naquele pequeno coração havia a forma mais pura de vida, só bastava ser descoberta e trabalhada.
E então o dia tão esperado por tantas crianças chegavam.
Treze anos de idade era o início da adolescência e o início da fase mais importante de aprendizado. Além de trabalharem em cada habilidade, os adolescentes também descobriam sobre a vida. Aquelas pessoas tão jovens também descobririam o que era amor, sofrimento, pessoas ruins e boas e histórias fascinantes.
Uma vez por ano, no final dele, cada garoto de treze anos ia até lá, até o palácio do mago, aonde o mago mais forte e importante do reino, chamado Dane, ia para poder descobrir e despertar o tipo de magia de cada garoto daquela sala. Acompanhado de outro homem que trabalhava para o reino e tinha prévias sobre o futuro, este chamado Fagar onde o dever era dar uma missão aos jovens. Naquele reino, a tradição era que, após terem os poderes despertados, cada garoto treinava por sete anos e então, ao completar vinte, finalmente saía para completa-la. E tudo era graças aos magos que podiam prever o futuro.
Logo um homem com uma lista começava a chamar um a um. Nomes que começavam com “A” eram raros, por isso Arthur era o primeiro a ir para perto do grande mago. Parado em seu lugar, Dane se aproximou e colocou a mão em seu cabelo, como se o afagasse, mas segurava com firmeza, dizendo preses que o pequeno garoto ainda não entendia. E de repente, todo o salão se enchia de trevas, garotos rindo e sussurrando “sabíamos que ele era podre”, mas Dane maravilhava-se com a escuridão, apesar de ser abençoado como um mago da vida, Dane adorava em como a magia da treva era tão versátil, as pessoas daquela categoria quase sempre eram pessoas ruins, mas sempre tinha esperança, assim como uma pessoa boa poderia facilmente cair em trevas. E aquele garoto... O grande mago sentia algo vindo dele, mostrando um pequeno sorriso quando soltava sua cabeça e no mesmo instante toda a treva ali presente se dissipava.
“Vá garoto.” Foi a única coisa que disse e Arthur entendia, passando dele e indo para a frente de Fagar, no qual fazia a mesma coisa, segurando sua cabeça, mas dizendo outras preces, tendo os olhos fechados por cinco segundos antes de os abrir e finalmente passar a missão do garoto de cabelos escuros. Está era entregar três pergaminhos para três magos extremamente importantes de três reinos, sendo Maldorgom, Nortundris e Fortis. Todos os garotos ali ficavam surpresos, como poderia alguém portador de uma magia tão ruim receber uma missão importante que envolvia grandes magos? E logo o garoto era dispensado, sendo designado ao seu novo professor.
Como pessoas pertencentes àquele tipo de magia era algo raro, sua sala tinha ao total apenas sete alunos, sendo que o normal eram vinte para cada turma. O professor, como obrigação, era usuário do mesmo tipo de magia. Os alunos nos primeiros dois anos aprenderiam o geral, para que nos outros cinco anos treinarem individualmente, mas ainda com o professor os instruindo, para melhorar as próprias habilidades descobertas e desenvolvidas durante os dois anos passados.
Arthur nunca se interessou realmente pelo assunto, tanto que era incrivelmente ruim com o básico que normalmente aprendiam ainda criança. Aquilo deixou o professor, chamado Maran, intrigado. Como um aluno poderia se interessar e saber tão pouco? Por isso foi mais a fundo na história do garoto e ao mesmo tempo em que pesquisava o que podia sobre ele, também tentava aproximar-se.
Com o tempo, os planos do professor eram realizados e após um ano desde o começo de tudo, Arthur, agora com quatorze anos, evoluía de pior aluno para o melhor. Com o tempo, virara amigo do professor no qual agora, Arthur tinha grande fascínio, interesse e respeito. Desde que descobrira que realmente pertencia a magia negra, Arthur se manteve descrente de que seria alguém boa um dia, mas desde que aquele professor lhe contava sua história, apenas o apreciava mais e mais. Ele tinha um passado parecido com o seu, apesar de não ter perdido os pais da mesma maneira e mesmo sendo um mago negro, havia inúmeros feitos bons no histórico. Aquele professor o ensinou, que apesar do seu destino e de sua natureza, você podia mudar de mal para bom, bastava ter uma mente forte. Agora tinha tantas esperanças, que não existia um dia que Arthur não deixava de treinar, melhorando cada vez mais a cada dia. Porém, aquele otimismo só durou até os seus dezessete anos.
Naquela idade, o olho de cada mago mudava de cor. Do nascimento até os dezesseis, os olhos de todos eram do mais puro preto. A partir dos dezessetes, três cores podiam aparecer: Castanho era a cor mais comum, que significava que você era um mago normal, que traçaria um caminho neutro e decidiria o próprio futuro, não sendo nada de surpreendente. Azul era a cor da pureza e era extremamente raro, o mago que fosse presenteado com aquela cor seguiria um caminho puro, um caminho em que apenas algo extremo poderia lhe derrubar. E finalmente, a cor verde. Era a cor mais rara de todas, ela queria dizer que era uma pessoa amaldiçoada, que traria desgraça ao seu povo e apenas com muito esforço o portador daqueles olhos poderia se erguer novamente. Arthur, ao se olhar no espelho naquela manhã de aniversário, via os seus olhos, antes escuros e mesmo assim brilhantes de esperança, tornarem-se verdes da noite para o dia. Enquanto se encarava no espelho, ele mal pode olhar bem, pois logo estava cheio de lágrimas, triste e lamentado pela cor amaldiçoada. Finalmente, quando tinha esperanças de melhorar...! Porém era verdade, ele teria uma vida ruim, não importava o quanto se esforçasse, sempre seria assim.
Com aqueles pensamentos na cabeça, Arthur corria para fora de casa, sem se importar de fechar a porta. Ele já havia ido tantas vezes para aquele local que nem precisava olhar o caminho que usava e até mesmo ao sair do reino e entrar naquela floresta densa, ele continuava correndo sem olhar para onde. Mais ou menos depois de meia hora andando na maior velocidade que podia entre aquelas árvores, ele finalmente chegava ao seu objetivo. Um lago em meio a grandes árvores, a água ali era tão clara e tão pura que poderia se enxergar os pequenos peixes nadando no fundo e enquanto observava cada um, Arthur ia se aproximando da água, até se sentar na beira, com os pés agora dentro da água, só então se deixando continuar a chorar.
Ele havia descoberto aquele lugar aos sete anos, quando fugira de casa. Desde então, havia virado seu pequeno local especial. Ia para lá sempre que estava triste, para se sentir culpado e chorar o dia inteiro e então ir embora. Arthur ainda não acreditava nisso, por que tanto esforço se iria se tornar uma pessoa tão ruim de qualquer maneira? Enquanto o choro aumentava, mais e mais ele pensava em desistir.
Naquela manhã, Maran ajudaria Arthur, seu aluno e amigo, a treinar, porém ao notar o atraso do jovem garoto, o mago decidia procurar por ele. Primeiro, ia até sua casa, usando o caminho que sabia que Arthur usaria, mas não o achou até chegar lá. Perto do local, pôde notar a porta aberta e no mesmo instante entendia o que havia acontecido. Conhecia Arthur o suficiente para saber de suas crises, de seus sentimentos fortes e intensos, era o que acontecia com alguém com um coração tão sensível quanto o daquele garoto afinal. E ele tinha acabado de completar dezessete anos... “Olhos verdes, então” fora o que o professor falou em um tom baixo antes de ir até o lago na floresta, era um caminho longo, mas sabia como chegar de maneira rápida.
Após uma hora, afinal Maran foi caminhando, ele finalmente chegava ao local. Mal saia de trás de uma árvore e podia notar o que acontecia. Arthur estava agachado perto de uma moita e parecia ter algo nos braços, tremendo enquanto soltava um choro alto, desespero. Sem querer assustar, o professor aproximou-se o mais devagar e delicado que podia, tocando o ombro do pequeno aluno, o que o fazia se assustar e olhar para si de canto. Tal ação deixou que Maran visse o que ele tinha em mãos; um coelho morto, cheio de sangue.
– Arthur! O que você fez? –Ele exclamou, apesar de tentar não soar julgador, era difícil, afinal estava assustado.
– Professor! – O garoto dizia entre choros, sem largar o coelho nos braços, mas relaxava, como se não quisesse mais esconder. – Eu juro...! Eu não fiz por querer! Eu me descontrolei, professor! Achava que não tinha nenhum animal na moita! – O choro de Arthur ficava cada vez maior, o desespero voltando.
– Arthur... Se acalme, está tudo bem. –Maran dizia enquanto se agachava ao seu lado, usando a mão livre para tocar o coelho morto e conjurando palavras, mas aquelas Arthur conheciam muito bem; eram palavras de luto. “descanse em paz” na língua mágica. – Está tudo bem, você não o matou por querer... As pessoas são cheias de erro e aprendizado, lembra? –Dizia com a voz mais calma que podia, mostrando um sorriso para o moreno ao seu lado que agora deixava de chorar.
– Sim, professor... É a coisa que nunca posso esquecer. ―Disse o garoto, se lembrando dos ensinamentos do professor e fazia a mesma ação, falando a mesma conjuração antes do coelho sumir, voando como um pó brilhoso junto ao vento, respirando fundo enquanto observava tudo. ― Eu nunca vou deixar de ser uma maldição, professor...
― Então... Olhos verdes, não é? Garoto. ― Lhe tocou o rosto, fazendo Arthur agora olhar para ele. ― Não importa qual seja seu destino, não importa com o que você seja amaldiçoado ou abençoado. Você sempre teve vontades boas, Arthur e nunca deixou de querer fazer o bem. Até mesmo quando fugiu de casa, você o fez por querer o bem para sua família. Não existe destino formado quando você ainda tem força de vontade. ― Arthur continuou calado, agora olhando para a grama aos seus pés como se pensasse, ele não sabia o que dizer. Estava envergonhado por ter esquecido os ensinamentos do professor, apesar de ainda se sentir mal. ― No lugar de ficar aqui lamentando, o que acha de treinarmos? Você ainda tem três anos e muita coisa pela frente, Arthur. Precisa aprender a controlar seus sentimentos, seus poderes. Com força de vontade, tudo vira o que você quer.
Após ouvir a última parte, era como se o moreno finalmente acordasse dos próprios pensamentos. Se erguia, olhando para o professor com a admiração e o brilho que existia nos olhos pretos, mas agora no verde puro, lhe mostrando um sorriso e fazendo um aceno de sim com a cabeça, indo para fora daquela floresta sem lhe falar mais nada. Ainda precisava pensar, ainda precisava respirar, mas com o apoio daquele homem poderia fazer tudo.
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