Magic Mystery Theatre
3 Capítulo 3 - Trincar de ossos.
– Uma pena que não descobriu o assassino com a sua técnica, mas não fique tão arrasado. Quanto mais difícil, mais saborosa é a vitória. – diz a investigadora bebendo uma caneca de hidromel.
O elfo está centrado e pensativo. Não é descoberta de como o seu professor foi morto que o deixa irritado e amuado, mas sim, como ele se deixou morrer com tanta facilidade. O que a investigadora Louise não sabe que nenhum aluno conseguiu surpreendê-lo em todos estes anos. Foram inúmeras tentativas, mas nenhum sucesso. Tensey pensa muito mais profundamente, enquanto a sua parceira, Estigmad, alisa o seu cabelo com carinho.
Notando o momento de privacidade entre o casal, Louise começa a se levantar de sua cadeira. De súbito, Tensey comenta depois de minutos de silêncio:
– O seu ex-marido fazia um ritual ou uma oração quando estava a sós? – foi a sua pergunta.
Essa pergunta surpreendeu a investigadora que responde prontamente:
– Só havia um momento que ele fazia algo com concentração total. Era chamada a canção dos antigos. É o momento que os seus antepassados se reuniam numa determinada hora ou ocasião, porém era uma coisa que só o Carlos sabia. Não era regular ou cronológica. Parecia que só ele sabia. – foi a sua resposta.
– Durava quanto tempo? – pergunta o elfo.
– Sei lá. Algumas vezes, horas, em outras ocasiões, segundos. Carlos era muito misterioso em relação há essas orações ou que quer que seja isso. Se alguém sabia de quando e como orava, era ele. – foi a sua resposta.
– O assassino sabia quando atacá-lo e onde... Pode ser uma profecia ou uma magia cronal. – cogita o elfo.
– Quer um conselho, garoto? – comenta a investigadora. Não deixe o problema de dominar, domine o problema.
Um pouco desorientado, Tensey questiona:
– Como assim?
– O problema não vai fugir. Vai te seguir naturalmente. Por isso não precisa agarrá-lo com tanta força. Relaxe. – e Louise dá umas tapinhas no ombro dele. Já conseguiu nós ajudar bastante. – e dá um sorriso de canto de lábio.
Tensey relaxa a sua expressão de seu rosto e agradece à investigadora.
Logo a mulher de rosa, sai daquela taverna estudantil e retorna ao seu alojamento reservado a todos os milicianos que investigam o assassinato do Professor Carlos Castanheira.
Ao encontrar o seu assistente, o Sargento Lopes, a mulher diz:
– Aquele garoto é muito mais talentoso do que muitos detetives por aqui... – comenta a mulher deita no sofá e toda a vontade. Talentoso até demais...
– Suspeita dele? – observa o Sargento.
– Eu suspeito de todos. – decreta. Uns mais que outros...
– O que vai fazer agora? – pergunta o seu assistente pegando um caderno de anotações.
– Vou reunir todos os detetives, o diretor e alguns alunos para dar uma nota de esclarecimento referente ao andamento da investigação. – foi a sua resposta.
– Alunos? – questiona o Sargento.
– Sim. O garoto vai gostar de saber que o seu esforço foi válido. Assim vamos observar algumas reações. – e se levanta de sua confortável posição no sofá. Sabe como é. O povo gosta de “brincar” de detetive... Vamos?
Depois de umas horas, a investigadora Louise Burker, com as suas roupas cor-de-rosa e com um surpreende penteado novo, os cabelos soltos e com um sorriso simpático nos lábios. Muitos dos seus colegas estranham a sua atitude repentina de cordialidade e simpatia. Diante o púlpito, Louise limpa a sua garganta com um ruído alto e potente, em seguida, começa a explicar a todos os presentes os últimos acontecimentos.
– Saudações a todos, colegas, corpo docente e alguns representantes dos grêmios estudantis! Como todos sabem, dentro dessa instituição ocorreu um crime. Um homicídio. Contra um professor, o senhor Carlos Castanheira, a qual foi morto por circunstâncias misteriosas. Até o momento, não sabíamos como foi feito o assassinato e nem quem era o assassino. Tínhamos o corpo somente. Infelizmente, devido à precipitada ações do corpo docente desta instituição, perdermos provas físicas fundamentais para a identificação do criminoso devido há remoção indevida do corpo para outro plano dimensional. Todavia durante a investigação, a ação do criminoso contava com essa ação que continha um risco real contra a integridade física dos magos e estudantes. Por causa disso, a acusação de obstrução de investigação contra Academia Arcana será retirada dos autos e do relatório final. – a investigadora dá uma pausa para tomar um gole d’água.
– Interrogamos todos os membros desta instituição. Mestres, alunos e funcionários. Pedimos sinceras desculpas pelos transtornos ocorridos nos últimos dias. Graças a isso tivemos informações importantes e precisas de como e quando ocorreu o crime. O professor foi morto por animação mecânica de vários objetos por uso de Magia. Por causa disso, fica difícil a identificação do criminoso. Por Sorte, o criminoso não contava que temos uma idéia do seu real objetivo. Para isso vamos apresentar os principais motivos para o crime. – Louise sorri triunfante.
– Primeiro suspeitávamos que fosse um atentado contra os magos ou atentado terrorista de qualquer espécie. Porém, como descobrimos que foi um ataque mecânico e a bomba antimagia foi usada para “apagar” as provas, logo se conclui que o assassino ou assassinos estão entre nós. Pois um terrorista não iria perder tempo de esconder qualquer coisa. Segundo, não é um crime passional. Devido à complexidade e a habilidade do criminoso. Se fosse um dos seus alunos, seja por raiva, ciúme ou por uma paixão doentia, seria muito mais fácil e rápido a identificação, devido à inaptação característica dos aspirantes à Magia. Ciúmes entre os membros do corpo docente foram descartados devido um recurso extra. O Sargento Lopes é um mago empata. Sim. Apesar de minha “antipatia” pela Magia, não hesito em usar recursos pouco ortodoxos. Utilizei cristais mágicos que “lêem” as emoções dos investigados sem que soubessem. Ao dizer que “odeio” Magia, os professores não iriam ficar tão na “defensiva” e utilizar recursos de ocultação. Coisa facilmente identificável por qualquer mago decente... – e sorri.
– Logo concluo que o crime foi utilizado para distrair-nos. O criminoso sabia que ficaríamos preocupados com um terrorista ou um assassino serial. Como disse antes, terroristas não escondem provas e assassinos seriais não são tão “escandalosos” e espalhafatosos como este crime foi. Além do mais, sei que é possível reviver a vítima, por tanto é uma questão de tempo que o objetivo primordial do assassino em série perderia qualquer sentido. O que acho que está ocorrendo é um roubo. – diz taxativa a investigadora. A questão é: O que? O que o criminoso quer roubar da Academia Arcana? Sugiro que os funcionários façam uma averiguação ou uma auditoria de todos os objetos contidos na Academia Arcana. De preferência, o mais rápido possível. Se descobrirmos o que foi roubado, saberemos se é um ou mais criminosos envolvidos. Agradeço a atenção de todos. – e Louise desce do púlpito.
Todos ficam surpresos e olham perplexos para a mulher de cor-de-rosa e a mesma, simplesmente, põe a sua vareta de madeira entre os dentes e sai do recinto.
– Lindo discurso, Tenente... – diz o Sargento Lopes.
– Sou um tesão! – e ri diante a sua brincadeira. Viu a cara deles? Pensaram que eram espertos... Odeio essa gente, dá-me mais prazer vê-los sentindo enganados por um ladrãozinho qualquer. Agora, vamos capturá-los antes que os magos resolvam atrapalhar tudo por causa do seu orgulho ferido.
Enquanto a dupla de investigadores caminha rumo ao seu alojamento, vamos voltar no tempo...
Exatamente seis horas atrás. Logo após dos depoimentos prestados para todos os alunos para a investigadora Louise. O líder do grêmio do Falcão, Bruce Estarque, vai em direção do zoológico da Academia procurar um colega responsável pelo cuidado dos animais confinados ali.
O seu nome é Mercury, aquela que tem a alcunha de “Senhora da Guerra”.
– Por que acha que vou te ajudar, Bruce? – questiona a garota de cabelos negros e rabo de cavalo.
– Porque acho que é um membro do grêmio do Falcão. – foi a sua resposta.
Com a sua característica má-educação, Mercury cospe no chão por pura atitude de rebeldia e desprezo de autoridade.
– Nunca gostei do professor, mas isso não quer dizer nunca iria ajudá-lo. – foi a sua resposta.
– Então? Irá ceder os três Hipogrifos? – pergunta Bruce.
– É contra as regras e serei punida... É daí? Combinamos isso, não foi? Só uma pergunta: O que vai fazer quando chegar a Ixtlam? Acha que aquele pessoal vai te receber de braços abertos? – cogita seriamente a garota de cabelos negros.
– Não sei. Vou levar os cinco antigos comigo. Talvez teremos alguma chance... – comenta sinceramente.
Mercury pega uma serpente que estava rastejando por ali e coloca em seu pescoço.
– Eu mesma seria uma boa opção se eles forem perigosos, mas como não sou diplomática... O vampiro e sua namorada são uma boa opção de companhia. A bárbara vai? – pergunta.
– Eu disse os cinco antigos. Claro. – retruca.
– A garota é um porre... Onde já se viu uma bárbara civilizada?! RA! – debocha. Que horas vai querer os seus animais?
– Eu te aviso. Estamos combinados? – e estende a sua mão.
Ambos apertam as suas mãos.
No dia seguinte do discurso da investigadora, a Academia Arcana é uma instituição com regime de internato. Logo, todos os alunos podem ficar nos dormitórios reservados aos seus respectivos grêmios. Como um ataque surpresa, a investigadora Louise ordena ao diretor que todos os alunos fiquem perfilados como numa tropa ou ordem unida num quartel. Lógico que houve protestos de professores e alunos. Mas com uma explicação rápida e as palavras “obstrução investigativa” debelaram qualquer resistência.
Todos os alunos ficam perfilados. Houve uma contagem. E nenhum aluno estava ausente. Inclusive os cinco antigos que ficaram devidamente em seus lugares ordenados. Depois da contagem os alunos foram liberados.
Exceto uma aluna...
O seu nome é Valéria Crowley.
A garota foi levada para uma sala reservada, a qual Louise poderia conservar a sós com a menina dos seus 11 anos. A investigadora estava com raiva.
– O que vocês estão pretendendo? – interroga a mulher.
– Como assim, senhora? – diz a garota com toda inocência do mundo.
– Pensa que não sei que cinco alunos do seu grêmio fugiram?! DROGA! Pensa que sou burra?! Sei que não roubaram nada e desejam ressuscitar o mestre de vocês, mas estou no meio de uma investigação de um ladrão ardiloso e brilhante. E que está infiltrado entre os alunos. –e bate contra a mesa. Caramba! Se o ladrão descobrir que há um meio de fugir tão fácil com a cobertura de um grêmio inteiro o meu plano de capturá-lo vai por água a abaixo.
Inocente, a garota começa a chorar...
– Desculpa. Eu gosto de vocês... Afinal, vocês eram alunos do meu ex-marido... – e bufa com raiva.
Um pouco confusa e com o rosto inchado pelo choro a garota pergunta curiosa:
– Como descobriu que eles fugiram? – pergunta a alquimista.
Ela ri.
– Os seus Sprites brilham contra a Luz do Sol, não importando a forma que tenham... – foi a sua resposta.
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