Magic

1 Capítulo 1


Notas iniciais
AAAAAAAAAWWWWWWWW CLICHÊ Olá pessoas, se divirtam e fiquem happys Ps: não sei fazer mágica.

Eu poderia ter dito não. Porém eu duvido que alguém consiga resistir aos pedidos dela, então aqui estou eu dirigindo até Long Island com Piper cantando Avril Lavigne a plenos pulmões.

A parte triste?

Ela canta excelentemente bem, o que me fez mais ouvir que cantar. Mas nada disso importa, o que realmente importa era o objetivo dessa pequena viagem.

Duas semanas atrás Piper achou esse cara na internet, ela estava com medo de encontrar o cara pessoalmente e ele ser um sequestrador. E advinha quem foi obrigada a fazer sua segurança? Sim, eu! Tentei me esquivar dizendo que minha presença não ajudaria muito se fôssemos sequestradas. Na realidade, eu não queria segurar o Sol enquanto ela ficava aos beijos com o cara.

Era uma merda. A música mudou e ela me encarou lendo meus pensamentos.

— Vamos lá! Nós vamos ao circo depois, você não precisa fazer essa cara. Vai ter palhaços, contorcionistas, trapezistas, mágicos e todas as outras coisas que circos tem.

Lancei a ela um olhar cético.

— Quantos anos você tem? 6? – Ela balançou a cabeça me repreendendo.

— Você não precisa ter 6 anos pra ir ao circo, Annabeth. E além do mais, acho que vou gostar ainda mais de Jason pessoalmente – os olhos de Piper ficaram sonhadores e eu não acreditava no que eu via.

— São duas semanas, não é possível que você esteja se apaixonando – eu protestei.

— Eu não mando nisso aqui – ela pôs a mão pouco acima do peito esquerdo com um pequeno sorriso.

Estacionei o carro revirando os olhos. Sim, eu possuo a habilidade de fazer os dois se bater. Quer dizer, eu bati da primeira vez que tentei.

Piper não esperou por mim, foi eu estacionar e ela já estava à procura do loiro pelo estacionamento.

Quando eu saí do carro eu vi o cara com um sorriso enorme caminhando na direção dela. Eles trocaram um longo abraço, o que me fez diminuir cada vez mais minhas passadas para chegar até eles.

E minha longa tarde começou.

Tá legal, Jason não era assim tão ruim. Ele não nos sequestrou, ou então como eu disse a Piper enquanto ele nos deixou para comprar os ingressos do circo: “Ele está só esperando a oportunidade certa”. Era difícil acreditar nessa ideia todas as vezes que ele sorria e era simpático, e às vezes eu ficava deslocada, eles pareciam adolescentes num encontro.

O que raios eu estava fazendo ali?

“Dando apoio moral a sua amiga” foi o que Thalia disse entre gargalhadas altas e estridentes.

A parte boa de presenciar todas aquelas coisas melosas era que Piper me devia sua vida agora. Não toda a vida dela, talvez uns 80%.

Depois de evitá-los por cerca de uma hora, que mais pareceram três. Nós fomos para o circo.

Eu tenho 26 anos e minha amiga me obrigou a ir ao circo, onde tinha casais e crianças acompanhadas dos pais. Deslocada novamente.

Quando o show começou, eu mudei minha opinião. Era bobo e divertido, cheguei a conclusão de que quando se está no meio da diversão, é difícil manter o mau humor e não saborear a alegria.

Os palhaços, os trapezistas e contorcionistas eram fantásticos e Piper fez questão de me lançar aquele olhar de “eu te avisei”, não me importei, pelo menos ela estava se divertindo com Jason.

Enquanto o apresentador falava e contava piadas, dois caras estavam arrumando o centro do picadeiro para um novo número. Piper e Jason se levantaram com a desculpa de que trariam algo para comer, eu dei dez dólares a ela fingindo que acreditava no motivo, ela sorriu pra mim.

— Já voltamos – disse, deveria me preocupar com ela saindo sozinha com o cara, mas Piper já era crescida e sabia se cuidar.

Entendi que o objetivo da minha presença ali era somente uma garantia se tudo desse errado, só por isso.

Um show de mágica começou, e eu preciso dizer que o mágico era bem bonito. Ele vestia uma cartola, uma blusa de botões branca com um paletó negro, jeans e tênis, parecia mais um modelo do que um mágico.

— Senhora e senhores, vocês estão prestes a ver um truque de mágica bem comum – ele parou e riu junto com a plateia – Tudo bem, eu farei de uma forma diferente.

Ele observou nós da plateia como se estivesse escolhendo maçãs. A princípio, eu estava calma, porque se ele fosse escolher alguém, com certeza seria alguém que ele conhecia.

Mas seus olhos verde mar pararam em mim, seu sorriso me fez temer o que estava por vir, principalmente por causa da caixa no meio do picadeiro e da serra na mão de seu assistente.

— Bem, como vocês já devem ter percebido. Eu vou me cortar ao meio – a platéia fez um sarcástico “oh” e ele sorriu completando – Mas eu gostaria da ajuda daquela linda senhorita sentada ali.

Ele apontou na minha direção, imediatamente todos olharam pra mim, ouvi a risada de Piper em algum lugar. Aquele cara lindo estava me pedindo para cortá-lo ao meio – um verdadeiro pecado – e eu nem ao menos o conhecia, a premissa dos truques de mágica era o mágico conhecer a pessoa.

— Por favor, venha até aqui. Eu não vou cortar você ao meio – ele riu e todos o acompanharam.

Me levantei descendo os degraus da arquibancada, devo admitir que ele era ainda mais estonteante de perto.

— Qual o seu nome? – sua mão estava estendida no ar, a apertei quando me aproximei.

— Annabeth Chase.

Seu sorriso nunca saía de seu rosto.

— Annabeth Chase – ele testou – Eu acho que a senhorita nunca teve a oportunidade de cortar alguém ao meio?

— Não, eu acho que isso é crime e um tanto quanto psicopata.

Ele riu alto.

— Tudo bem, eu deixo a senhorita me cortar ao meio e se eu sobreviver você ganha um presente no final – O ilusionista se virou para a plateia e perguntou – Todos de acordo?

Os gritos excitados indicavam que sim.

— Espero que essa animação toda não seja pra que tudo dê errado.

A plateia riu.

— Vamos começar!

Ele fez sinal para seu ajudante que abriu a grande caixa.

— Srtª Chase, você está aqui para representar a plateia. Então eu quero que você observe – toque se quiser – essa caixa atrás de algo que me denuncie.

Assim o fiz, dei uma de Sherlock Holmes e busquei por qualquer anormalidade com a caixa, infelizmente tudo parecia normal. Até a parte de baixo descoberta parecia normal, não tinha a mínima ideia de como ele conseguiria aquilo

Olhei para o mágico derrotada.

— Não foi dessa vez, Senhorita.

Eu estava curiosa em como ele faria aquilo, ao mesmo tempo um medo surgiu em mim e se eu realmente o cortasse ao meio?

Ele entrou na caixa e seu ajudante a fechou, me deu um sorriso confiante antes de pedir para me entregaram a serra.

Era de fato uma lâmina afiada, meu coração martelava. Eu queria desistir.

Isso devia estar evidente no meu rosto porque ele tentou me tranquilizar.

— Pense no seu prêmio ao final de tudo isso, senhorita.

Ele sorriu mais uma vez e mexeu os pés.

Seu ajudante me encarou divertido, pegou a outra parte da serra, a posicionou no centro da caixa e começou a puxar iniciando o vai-e-vem.

Eu fechei os olhos, o cara do outro lado fazia todo o trabalho. Depois de minutos horríveis, o movimento cessou.

O mágico me olhava divertido, aquilo era uma visão estranha, já que a serra chegou ao fim do corte.

— Você está legal, Srtª Chase?

Algumas risadas da plateia me fizeram ruborizar.

Você está legal? – eu devolvi.

Ele me respondeu olhando para a plateia.

— Eu não sinto minhas pernas, mas fora isso tudo ótimo. Acho que vocês já podem me separar.

A serra foi retirada e a caixa separada, os pés se mexiam e o sorriso continuava o mesmo.

— Vocês sabem que eu esqueci como faz para me colar novamente? – todos riram, a minha risada porém era de nervoso – Eu vou ter que me recompor de outro modo.

E de repente seus pés sumiram para dentro da caixa, antes de sua cabeça desaparecer ele lançou um sorriso desafiador a todos.

O silêncio se instaurou.

— Fique calma, Srtª Chase. Não esqueci do seu pequeno prêmio – a voz vinha do alto das arquibancadas para onde todos olharam incrédulos e a chuva de palmas começou.

Seu sorriso agora era vitorioso, ele chamou seu ajudante e eles tiraram o chapéu para a plateia em agradecimento.

— Agora uma salva de palmas para minha ajudante especial, Senhorita Annabeth Chase – ele gesticulou em minha direção e todos aplaudiram e assobiaram.

Ele continuou após o barulho.

— Agora, para vocês não saírem por aí falando que eu só sei fazer um truque. Farei uma coisa nova e rápida.

Ele tirou o chapéu e me entregou.

As pessoas riram e alguém até gritou ao fundo “achei que seria uma coisa nova”. O mágico só ampliou o sorriso travesso.

Observei cada detalhe daquele chapéu e novamente tudo parecia normal. Ele me encarava de braços cruzados, me observando.

— Tudo normal – devolvi o chapéu a ele, mas ele continuou me encarando com seus olhos verde mar e com os braços cruzados.

— Ainda bem, porque este é o seu presente – a plateia acompanhou a risada dele e eu corei de vergonha.

— Esse seria o único presente, mas eu lhe devo outro agora para me desculpar. – a plateia concordou.

Ele levantou as palmas da mão na altura dos meus olhos e as virou repetidas vezes.

— Agora você não vê. – ele alisou uma mão na outra como se passasse creme nas mãos – Agora você vê.

Uma rosa surgiu do nada em suas mãos, todos gritaram satisfeitos. Ele me entregou e se dirigiu à plateia de novo.

— Obrigado a todos pela presença, espero que tenham ótimas histórias para contar sobre esta noite. Tchau!

Ele foi embora com seu ajudante para os bastidores

Piper e Jason vieram na minha direção, ela via algo em seu celular e Jason sorria ao seu lado.

— Thalia vai adorar ver isso – a garota disse risonha assim que me alcançou.

— Você filmou tudo?!

***

A noite já havia caído quando saímos do circo, eu tinha me conformado com o vídeo. Afinal era uma ótima oportunidade para descobrir como aqueles truques foram feitos.

O casal cujo o Sol segurei, agora estava a uns 20 metros apreciando a luz do luar sob as águas. A cartola e a rosa ainda estavam em minhas mãos, o circo foi legal e uma ótima experiência. O mágico tinha razão. Teríamos ótimas histórias para contar sobre esta noite.

— Não fique tão curiosa com os truques desta tarde. Eu infelizmente não posso revelá-los – a voz do mágico soou atrás de mim.

Me virei sobressaltada, só para me deparar com o sorriso travesso. O mágico já não vestia seu paletó, usava uma camiseta preta com o álbum do Led Zeppelin estampado e seus cabelos antes escondidos pela cartola na minha mão agora estavam arreganhados para todos os lados.

— Você está me seguindo? – perguntei, não que eu me importasse.

— Nope, estava indo pra casa e me deparei com a minha ajudante. Só.

— Eu não estou curiosa, estou apenas aguardando uma amiga – As sobrancelhas grossas do rapaz se levantaram em resposta.

Ele pegou a rosa da minha mão e atirou na água, me virei bem em tempo de vê-la flutuar no mar logo abaixo.

— Por quê você fez isso?! – deixei minha raiva transparecer na pergunta.

Ele deu de ombros e enfiou as mãos no bolso, poderia dizer que o cortaria em pedacinhos, mas tive a prova de que isso não funcionava muito bem com ele.

Seu sorriso sereno me deixou ainda mais irritada.

— Antes de a senhorita ficar toda raivosa, olhe para trás – eu obedeci e ali estava uma rosa repousada sobre o alambrado.

Eu suspirei derrotada. De novo.

— Isso é irritante – eu disse por fim.

— Eu acho que a senhorita não se deu ao trabalho de ler meu lindo cartaz na bilheteria, onde está gravado meu nome.

Ele estendeu a mão para mim, o olhei desconfiada e acabei cedendo ao aperto.

— Perseu Jackson, todos me chamam de Percy.

Ele consultou o relógio parecendo preocupado, coçou a parte de trás da orelha e de lá tirou um cartão.

— Tudo o que você faz precisa envolver truques de mágica? – indaguei.

Seu sorriso diminuiu.

— Me desculpe, só estou tentando impressionar a garota – ele estendeu o cartão para mim.

— Eu deveria jogar esse cartão na água, quem sabe? – fiz minha melhor pose petulante me recusando a pegar o cartão.

Percy riu.

— A senhorita é difícil – ele enfiou as mãos no bolso novamente – Mas meu número já está gravado no seu celular.

Foi minha vez de arquear as sobrancelhas.

Procurei inutilmente meu celular dentro da bolsa, quando levantei os olhos Percy o segurava na minha frente com o pior sorriso sarcástico de todos.

Arranquei meu celular de suas mãos.

— Isso é crime, eu deveria chamar a polícia.

— Cortar as pessoas ao meio também é – ele devolveu.

— Isso foi diferente! – eu parecia uma criança discutindo e me odiava por isso, sempre tenho os melhores argumentos.

E lá estava o sorriso vitorioso.

— Bem, se a senhorita precisar de alguém para animar a festa de seus sobrinhos ou quem sabe tomar um café. Você já tem o meu número.

Percy Jackson, o mágico, continuou seu caminho em passos apressados. Vendo ele de costas eu poderia apostar que ainda sorria e eu não consegui conter o meu por muito mais tempo.

— Por acaso, aquele era o mágico de hoje a tarde? – Piper falou ao meu lado me assustando com sua presença repentina.

Olhei em volta atrás de Jason, mas não o encontrei.

— Ele já foi faz algum tempo, eu estava esperando sua pequena conversa acabar – seu olhar era cheio de segundas e terceiras intenções.

Revirei os olhos, dessa vez acuada com a situação e ela riu.

— Vamos, eu quero saber sobre o quê vocês estavam conversando.

Com a rosa e a cartola na mão, eu tinha uma vaga impressão de que aquela não era a última que veria o mágico.



Notas finais
Ai que cute, gente Me mandem opiniões, talvez eu tenha uma continuação. SÓ Talvez. Mentira tem continuação sim, MAAAAAS tem toda aquela barganha de comentários e tals. Não se acanhem e comentem Bjs
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!