Magic

2 O Lobo Na Floresta


— Até que enfim! — exclamou Lissa, saindo do carro com uma rapidez incomum, assim que Winona parou o carro em frente a nossa nova casa — Chegamos!

Bem, a casa era grande, e parecia ser, realmente, bastante acolhedora, perfeita para se explorar ou passar as tardes lendo. Mas era... toda cercada por árvores. Parecia que aquela área era cheia de florestas e matas. Sinistro.

A sensação fria se abateu novamente por meus ossos.

— Esse lugar é úmido. — Lissa resmungou, ajudando tia Mary a pegar nossas coisas do carro.

— Não resmungue, Lissa Drechsler! — exclamou tia Winona, tirando as mechas ruivas que caíam em seus olhos.

— Ah, fala sério, tia Winona! — continuou Lissa — Esse lugar é úmido, é uma cidade pequena, entediante e a Ina mesmo disse que esse lugar teu uma aura sinistra! Por que tivemos que deixar Salem, eu pergunto? Estávamos melhor lá!

Os olhos de tia Winona flamejaram em seu lindo tom esmeralda.

— Você já sabe o por que, Thalissa, sua petulante. — disse, em tom fervente. Lissa arregalou levemente os olhos; geralmente, só atendíamos a nossos apelidos, era incomum que nos chamassem por nossos nomes — A magia deve ser tratada com muita cautela. Durante mil anos, ninguém soube da existência dos bruxos, e eu não vou deixar que você mude isso em um dia. — continuou Winona, ainda com os olhos ferozes — Compreendem? — dessa vez, ela perguntava tanto para Lissa quanto para mim.

— Sim, tia Winona. — respondi, obedientemente.

— Perfeito! — exclamou tia Sarah — Agora podemos fazer aquele chá que irá prepara-las para a escola na segunda...

— O quê? — Lissa piou — Escola? Amanhã? Eu achei que nossa prioridade aqui era aprender magia mais a fundo e não criar laços com as pessoas da cidade... Por que precisamos ir para a escola?

Winona parecia prestes a transformar Lissa em uma planta.

— Ora, — tia Mary sorriu, conciliadora — mas é claro que vocês irão para a escola. Não iam normalmente em Salem? Precisam estudar. Além do mais, não queremos que sejam as únicas adolescentes na cidade a não estudarem; isso chamaria atenção indesejável. E é claro, não devem revelar os segredos. — tia Mary acenou a mão e as malas voaram para dentro de casa.

— E nem abusar da magia. — falou Winona, o fogo em seus olhos já havia se acalmado.

— Só devem usar magia quando for estritamente necessário. — disse tia Sarah, subindo os degraus da frente, murmurando algo sobre fazer um chá.

— Bem, — Lissa sorriu com sarcasmo — já que estamos presa neste... maravilhoso lugar, eu vou me trancar no meu quarto para ler. — ela fez uma careta e sumiu para dentro de casa, me deixando sozinha com tia Winona.

Ouvi minha tia suspirar.

— Você gostou daqui, Ina? — ela perguntou, me chamando por meu apelido.

Abracei meu corpo. O vento era frio.

— Gosto do clima. — falei, cautelosa — Mas esse lugar é... não sei explicar, tia. É estranho... sinto energias fortes aqui.

— Bem, — ela falou, depois de um tempo — você gostaria de explorar um pouco o lugar? Ou prefere se aconchegar perto da lareira com uma xicara de chá de morango e baunilha que tanto gosta?

— Acho que vou andar um pouco. — falei, mudando o peso de um pé para outro — Não vou muito longe.

— Tome cuidado. — e então Winona entrou na casa.

Entrar e caminhar pelas árvores não era minha principal opção; mas eu queria ver as plantas para saber se havia alguma que pudesse seu utilizada em poções. Mas não havia, pelo menos não que eu tivesse visto; Lissa era a que mais se interessava por poções, não eu.

— Ducto. — murmurei, e uma luz fina e prateada saltou de minha mão, me indicando o caminho por onde eu tinha vindo.

Me pus a andar, mas parei quando ouvi um leve barulho de folhas estalando. Olhei para os lados e para trás.

— Quem está aí? — perguntei, torcendo mentalmente para que minha voz não tivesse soado trêmula.

Ninguém aparecia.

Deveria usar magia de novo? Poderia ser apenas um animal... não necessariamente um perigo, certo?

— Aparece... — murmurei, apertando as mãos na jaqueta.

E então apareceu. Saindo das sombras das grandes árvores, um lobo enorme surgiu. Mas aquele com certeza não era um lobo comum, aquele era grande, gigante, e com o pelo marrom claro, cor de areia quando ela está molhada pelo mar. O animal estava apenas parado ali, perto das árvores, sem fazer nada, apenas me encarando com os olhos escuros.

Ofeguei.

Eu realmente não conseguia me mexer. Aquele era um momento em que usar magia era estritamente necessário, mas eu não conseguia me lembrar de nenhum encantamento que fizesse o lobo sumir. E o animal não me atacava, apenas me encarava, o que era estranho. E então, ele ergueu a pata e avançou um passo em direção a mim. Se eu pudesse chutar, diria que ele estava curioso.

Não me afastei quando o lobo se aproximou e ficou em minha frente. A verdade era que, desde que eu lera A Guerra dos Tronos, eu era apaixonada por lobos.

Hesitantemente, ergui minha mão, e, para minha grande surpresa, imediatamente o lobo se aproximou mais e roçou sua cabeça em minha mão. Sua pelagem era quentinha. Sorri.

— Olha, mas não é que você é lindo? — murmurei, ainda acariciando o animal. Ele fez um som com a garganta.

Eu ri.

— Preciso ir. — falei, mesmo sabendo que o lobo não entenderia — Minhas tias estão me esperando. — me virei e comecei a correr pelo caminho que a luz havia me orientado.

Não olhei para trás.