Magic
17 Capítulo 17
Notas iniciais
Tentei me debater, enquanto Marck apertava meu pescoço. Tentei gritar, mas a tentativa foi em vão.
– Matar. — disse Marck, como se estivesse em um transe. — Você precisa morrer.
Seus olhos estavam injetados de sangue, algumas veias se projetavam no braço.
O soquei algumas vezes, mas ele parecia forte demais.
Então, em uma fração de segundos, alguém puxou Marck de cima de mim, e o jogou do outro lado do quarto.
– Beatrice. — gritou Andrew. Sua voz estava grave, até demais.
Me sentei, tosindo como um condenado com tuberculose. Respirei grandes bocados de ar, para tentar fazer minha respiração voltar ao normal.
Olhei na direção da minha estante de livros, onde Marck se debatia violentamente, enquanto Andrew e Beatrice o prendiam contra a estante.
Vini entrou no quarto e olhou de Marck para mim.
– O que aconteceu? Perguntou ele ajoelhando na minha frente. Ele levou a mão até o meu rosto, e desenhou um círculo em minha bochecha. E então veio aquele choque. Uma sensação estranha.
– Ele ta possuído. — respondeu Andrew, dando um soco na cara de Marck, que apagou na hora. Andrew me lançou um olhar culpado. — Desculpa, tive que fazer isso.
– Tudo bem. — murmurei com a voz baixa.
– Como assim ele ta possuído? Perguntou Vini se levantando.
~ Eu já ia perguntar isso. Afs.~
– Alguma coisa entrou dentro dele. — disse Beatrice revirando os olhos.
– Eu sei o que é uma possessão ta. — disse Vini fechando a cara. — Quero saber como isso aconteceu.
– Não sabemos, vamos ter que esperar ele acordar pra saber. — disse Andrew, jogando Marck sobre o ombro, como um saco de farinha.
Acompanhei Andrew com o olhar, enquanto ele se dirigia a porta.
– O que vocês vão fazer com ele? Perguntei, enquanto ele saia pela porta.
– Conhecemos uns feitiços de aprisionamento e outros de exorcismo. — respondeu Beatrice. — Ele vai ficar bem.
...
Ismael havia decidido ir embora assim que Paul e Vinicius trocaram o primeiro beijo.
Ele não sabia o que sentia direito. Raiva? Talvez um pouco de inveja. Ou tudo junto.
Ele sorriu para si mesmo, enquanto lembrava do beijo de mais cedo.
Mael passou a mão no cabelo, e olhou para as árvores altas do bosque. O vento soprou forte fazendo todas balançarem em uma só sicronia.
– Tenho que parar com isso. — murmurou ele fechando a mão, e fazendo o vento parar.
Mael havia começado a descobrir que controlava o ar, logo após as Bruxas começarem a sussurrar coisas em seu ouvido. Ele não sabia direito como fazia aquilo, as vezes quando ele estava com raiva, ou ansioso, o vento simplesmente fazia o que ele queria.
Ismael sentiu algo vibrando em seu bolso. Ele pegou o celular e atendeu a chamada de Paul.
– Oi Paul. — disse ele.
– Mael, você ta ocupado?- a voz de Paul estava carregada de medo.
– Não, eu ainda to indo pra casa. Por que? O que aconteceu?
– Pode vir pra cá?
– Posso, mas Paul, o que ta acontecendo?
– Quando você chegar aqui, eu te explico melhor.
– Ta né, daqui a pouco eu chego ai.
...
Fiquei sentado no sofá, já não havia nenhuma unha pra eu roer, então partir para os sorvetes.
Marck estava sentado em uma cadeira, no meio da sala, dentro de um desenho. O desenho no chão, era três tipos de pentagrama, um dentro do outro, era um desenho lindo de se olhar, mas ao mesmo tempo, era meio assustador. Marck estava com a cabeça tombada para a frente, havia um enorme galo em sua testa, sua mãos estavam amarradas nos braços da cadeira.
– Ele vai ficar bem, né? Perguntei pela quarta vez, com a boca cheia se sorvete.
– Vai sim. — respondeu Andrew, do outro lado da sala.
– Certeza? Ele ta apagado faz tempo.
– Paul, só faz dez minutos. — Vini me lançou um pequeno sorriso. E sentou ao meu lado.
– Isso é muito tempo. — murmurei dando a última colherada no sorvete de chocolate.
– Ele vai ficar bem. — Vini se curvo e me beijou.
– Tarado. — olhei pra ele, que tinha ficado com sorvete em volta dos lábios.
– Apenas apaixonado por você. — Vini limpou o sorvete do rosto e sorrio.
Eu estava preste a dizer algo, quando Beatrice apareceu. Seu rosto estava sério, o que fez meu sorriso murchar na hora.
– Ele chegou. — disse ela colocando uma mecha do cabelo atrás da orelha.
Logo atrás dela, apareceu Ismael. Ele lançou um olhar feio para Vini, e deu um pequeno sorriso para mim.
– Eu já contei o que aconteceu, pra ele. — Beatrice parou ao lado de Andrew.
– O que eu preciso fazer? Mael parou em pé e cruzou os braços.
Andrew se levantou e pegou um livro grosso dentro de uma mochila.
– O que é isso? Perguntei encarando o livro.
– Isto meu amigo, é um gremorio. — Andrew caminhou até Mael e estendeu o livro pra ele.
– Pera, isso é um gremorio de verdade? Mael pegou o livro com cuidado, como se ele pudesse desaparecer entre seus dedos.
– Sim. — respondeu Andrew sorrindo. Eles trocaram um olhar demorado, e ambos coraram.
Mael abriu o livro e folheou as páginas, com cuidado.
– E o que eu vou fazer?
– Ai tem um feitiço, que pode tirar o que seja que tenha possuído o Marck. — disse Andrew abrindo em uma página, sua mão tocou na de Mael e ambos coraram de noco.
~ Sabe, o engraçado de ficar ouvindo a conversa, é poder prestar atenção em cada detalhe que se passa no recinto. Tipo a troca de olhares entre Andrew e Mael, ou os dois corarem quando suas mãos se tocaram. Mas ninguém precisa saber disso. ~
– Isso vai machucar ele? Perguntei me levantando.
– Acho que ele vai sentir um pouco de dor. — disse Beatrice. — Mas vai passar.
– Okay né. — me aproximei de Marck e levei a mão até seu rosto. — Você vai ficar bom, grandão.
– Tira essa mão de mim. — sussurrou Marck, sua voz saiu grave, quase bestial. — Seu merda. — ele levantou o rosto e me encarou. Seus olhos estavam brancos, com algumas veias injetadas. Olhar pra aquilo, era assustador.
– Como é? Perguntei recuando alguns passos.
– Isso mesmo que você ouviu. — ele deu uma risada sarcástica.
– Olha. Eu não sei oque você é, ou quem é. Mas foda-se, você vai sair do meu irmão.
– O melhor de tudo, é sentir ele se debatendo aqui dentro, gritando em desespero, tentando sair.
– Alguém me segura, ou eu vou matar esse cara. — fuzilei Marck, ou o que aquilo era, enquanto Vini segurava meu braço.
– Vamos lá Paul. Me machuque. — disse A Coisa. Sim, vamos chamar ele de "A coisa", porque é isso que ele é. — Eu vou adorar isso.
– O que você é? Ou melhor, quem você é?
– Eu? — ele jogou a cabeça para trás e rio. — Eu, Paul, sou aquilo que vocês todos mais temem, e aquilo que de um jeito outro vai voltar.
– Daungher. — minha voz saiu tão baixa, que eu duvidei que ele tinha ouvido.
– Não, mas estou quase lá. Quando ele acordar, eu estarei junto. E vou adorar brincar com o corpo do seu irmão.
Ignorei A Coisa e virei para Mael.
– Faça o que você tem que fazer. — parei ao lado de Vini e cruzei os braços.
– Sua sorte é que eu sei falar latim. — Mael me lançou um olhar e um sorriso tão fofo, que foi impossível eu não corar. Ele caminhou até ficar a uns três passos da área do desenho dos pentagramas, Mael respirou fundo e começou a falar com uma voz firme. — "Dark tenebrarum. Luceat lux. In viis adituum Galilaeam...
Enquanto Mael falava, a temperatura foi caindo, as luzes no teto piscaram e se apagaram, e tudo o que se conseguia ver, era aqueles olhos brancos em meio a escuridão. Um vento forte surgiu de algum lugar e varreu tudo, o que foi engraçado, porque eu quase fui lançado do outro lado da sala. A Coisa ria, como se tivesse adorando aquilo, mas havia um certo tom de dor em sua voz.
– Eiusdem erunt deiectum. In flamma ignis Ut animum illuc venit. Et non revertetur ad hoc consilium iterum" — disse Mael tão alto, que foi quase um grito.
A coisa abriu a boca e gritou, enquanto os desenhos dos pentagramas giravam no chão. Sério, eu não to brincando, eles realmente estavam girando, e emitindo um brilho azulado, e então os desenhos se tornaram um só, um único pentagrama.
Marck tombou para a frente, ao mesmo tempo em que Mael caia de joelhos. As luzes se acenderam. Soltei a mão de Vini e me ajoelhei ao lado de Mael.
– Ei. — passei um braço ao redor dele, e o impedir de cair para trás. — Você vai ficar bem.
Mael levantou os olhos e sorriu. Um sorriso de verdade, seus olhos brilhavam.
– Eu consegui Paul. — disse ele em um sussurro.
– Conseguiu sim. — sorri de volta. — E to orgulhoso de você. — inclinei o rosto e o beijei na bochecha. — ambos coramos.
– Isso foi incrível. — disse Andrew completamente perplexo. — Eu nunca vi ninguém fazer isso de maneira tão perfeita.
– E olha que você nem desmaiou. — disse Beatrice sorrindo.
– Parabéns cara. — Vini deu um pequeno sorriso e acenou com a cabeça para Mael.
Ajudei Mael a levantar, e o levei até o sofá. Depois fui até Marck e desamarei ele da cadeira.
Marck tombou pra frente, ele caido e me levado junto, mas eu o segurei, incrível como ele parecia leve, até demais. Seu corpo estava quente, e eu conseguia sentir seus batimentos. Estranho.
– Ele precisa descansar. — disse Andrew.
– Okay. Vou levar ele lá pra cima. — peguei Marck no colo, sim, e ele realmente era leve demais, e me dirigi em direção a escada, com Vini logo atrás de mim.
Vini abriu a porta do quarto para mim, e eu entrei. Caminhei até a cama de Marck e o deitei com cuidado. Puxei o edredom e o cobri. Fiz a mesma coisa que ele fazia comigo quando eu era pequeno, e tava com medo do monstro embaixo da minha cama, me inclinei e beijei sua testa.
– Vai ficar tudo bem. — sussurrei.
Me virei e sai do quarto.
– Vocês são tão fofos. — disse Vini enquanto caminhavamos pelo corredor. — Sério, os melhores irmãos que eu já vi.
– Só temos um ao outro agora. Ele é o que me mantem vivo e com esperança. — dei um encontrão em Vini, mas ele me segurou e me abraçou. — Ei, me solta. — disse, enquanto ambos riam.
– Nunca. — Vini me virou e me beijou.
Sobre o beijo? Como não amar? Nossas línguas estavam em sintonia, o beijo era quente e carregado de sentimentos. E só acabou por quê? Porque algum infeliz ficou tocando a campainha.
– Você ta esperando alguém? Perguntou Vini me soltando.
– Não que eu me lembre. — corri escada a baixo e abri a porta.
Senti como se alguém tivesse me esmurrado no estômago, umas trinta vezes seguidas. Bem ali, do lado de fora, estava o garoto que eu já amei mais que tudo. Jack Ullison.
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