Magic

2 Capitulo 2


Notas iniciais
Escola nova? Sério isso? Afs, mal cheguei. Dá uma folga pai. Que inferno :/

Eu estava me afogando. Eu não sei como, mas estava, por mais que tenta-se nadar e

voltar para a superfície, mais eu afundava. Mas aquilo não era uma água comum, era pegajosa, como uma gosma, verde e espessa. Aquilo estava me puxando para baixo, como se centenas de mãos estivessem me forçando a descer. Toda vez que eu tentava gritar, aquilo entrava em minha garganta, e descia como fogo, me queimando de dentro para fora. Eu não queria morrer, não daquele jeito,

Acordei caído no chão, tossindo feito louco, meus pulmões pareciam querer explodir. Eu ainda podia sentir aquele gosto horrível de coisa podre, em minha boca.

Tudo estava as escuras. Levantei, me apoiando na cama, tossindo cada vez menos, respirei fundo e tateei meu criado mudo, as cegas, procurando o botão que ligava o abajur. A luz se acendeu, me fazendo piscar varias vezes, para poder me acostumar com a claridade.

Sentei na cama e esfreguei os olhos. Ainda estava chovendo do lado de fora, o som dos pingos batendo contra o vidro, eram relaxante, mas eu me negava a dormir.

Olhei para meu celular sobre o criado mudo e o peguei, liguei a tela e deslizei o polegar sobre ela, digitei a senha e destravei. Havia uma nova mensagem, era de Jack.

“To com Saudades. Liga quando chegar ta. Sério, não importa a hora”.

Senti algumas lágrimas se formando.

“Cheguei bem. Não, eu não vou te ligar, porque são três da manha, e você tem o teste pro time hoje. Tbm to com Sdds”.

Desliguei a tela, mas o celular vibrou, indicando uma nova mensagem.

“Eu ainda to acordado , não consegui terminar o trabalho de química rsrs”.

Sorri ao ler a mensagem. Jack tinha o péssimo hábito de deixar as coisas para a ultima hora.

“E olha que a professora passou esse trabalho, a duas semanas atrás” – Respondi.

“Você me conhece, rsrs. Então, ta fazendo oque por ai?”.“

Deitado, ouvindo a chuva”.

“Aqui também esta chovendo”.

“Você devia dormir, sério, o teste é importante”.

“Eu já vou, calma rsrs. Finalmente acabei ”.

“O.K. Boa noite”. – sorri para mim mesmo.

“Eu ainda te amo ta ♥. Boa noite, dorme bem”.

“Boa sorte no teste. Também te amo ta”.

“Valeu” – disse ele por fim.

Esperei alguns minutos para ver se chegava mais alguma mensagem, mas não chegou mais nenhuma.

O bom de Jack era isso, ele não ficava enrolando depois de dizer “Tchau”. Se ele dizia que ia sair, ele saia e pronto.

Abri a galeria de fotos, e olhei para as que tínhamos tirado no dia anterior. Jack com seu cabelo castanho, quase ruivo, todo bagunçado, fazendo careta ao meu lado. Seus olhos escuros quase pareciam brilhar de alegria. Só pareciam mesmo, já que havíamos chorado demais naquele dia.

Desliguei o celular, antes que eu começasse a chorar, e o coloquei sobre o criado mudo. Peguei o controle da TV, e a liguei. Entrei no Netflix e procurei algum filme de terror antigo. Por fim, acabei escolhendo Sexta- Feira 13, Parte 1.

O sol começava a nascer do lado de fora quando o filme acabou. Eram 06h30minh da manha. Olhei para minha mochila, jogada de qualquer jeito no canto do quarto, perto da estante de livros.

– Mal cheguei e já tenho que ir pra escola – murmurei irritado. Tá, não que eu não gosta-se de ir pra escola. Mas dá uma folga né.

Me levantei lentamente, sem a menor vontade, peguei meu celular e pus no bolso. Soltei um longo bocejo, enquanto alguém batia na porta. A voz de minha mãe cruzou o ar.

– Paul acorda. Não quer se atrasar no seu primeiro dia, não é?

– Já acordei mãe! Gritei entrando no banheiro.

Tirei a roupa e entrei no box, peguei o celular no bolso e pus sobre a prateleira para shampoos. Lógico que eu havia levado ele para o banho, afinal, sempre gostei de tomar banho ouvindo musica. Coloquei “Lips are movin” da Meghan Trainor. Liguei o chuveiro e comecei a cantar junto com a musica. Quando ela acabou, puxei a toalha, e a enrolei na cintura.

Fiz o desenho de um rosto sorridente, no espelho embaçado, enquanto escovava os dentes. Enxaguei a boca, e voltei para o quarto. Fui até meu guarda-roupa e o abri. Peguei uma muda de roupa, cueca boxe vermelha, calça jeans skinny, azul escura, blusa do Nirvana e um moletom preto.

Me troquei lentamente, calcei o tênis e peguei minha mochila, meus fones de ouvido e é claro, meu celular. Disparei para fora do quarto. Desci a escada e entrei na cozinha. Mi- nha mãe estava fazendo ovos com bacon, mas mal toquei neles.

– Não vai comer? Perguntou ela me olhando.

– To sem fome – menti, tá não era exatamente uma mentira, meu estomago estava embrulhado demais para comer qualquer coisa. Mas peguei uma maçã na fruteira, só para disfarçar. – Tchau mãe — me virei, caminhando em direção à porta.

– Tenha uma boa aula – gritou ela, enquanto eu saia.

Finalmente havia parado de chover. O dia estava nublado, mas o sol surgiu por um breve momento, por entre uma pequena brecha nas nuvens.

Marck estava parada na calçada, de costa para mim. Ele estava usando uma calça jeans preta, e uma jaqueta de couro. A mochila pendia só de um lado, pendurada no ombro esquerdo.

– Vai a pé? Perguntou ele, enquanto eu passava e seguia pela calçada.

– Sim, quero conhecer a cidade – o olhei por sobre o ombro.

– Que seja...

Coloquei os fones, antes de ele acabar de falar.

Virei para a direita, no fim da rua.

Collen era aquela típica cidade do interior, que misturava antiguidade com modernida- de. Algumas casas, pareciam super antigas, outras, como a minha, já possuíam um ar mais moderno. Boa parte das ruas eram repletas de arvores, cujas as copas eram tão grande, que se juntavam no alto, impedindo a visão do céu. Virei a esquerda, dando em uma rua com poucas arvores, de ambos os lados, casas moderninhas, algumas com jar- dins na frente.

Dois garotos seguiam um pouco a minha frente. Um era alto, este tinha cabelo loiro cortado curto, alguns músculos se projetavam para fora da camiseta sem manga, azul bebê. O outro era um pouco mais baixo, este tinha cabelo castanho, cortado dos lados, mas um pouco grande em cima, como se fosse um moicano.

Os segui, não queria me perder logo no meu primeiro dia de aula.

A escola ficava na parte noroeste da cidade, perto do bosque, que parecia levar até a cadeia de montanhas. Ela se parecia com meu antigo colégio. Na frente ficava o estacionamento, que já estava quase cheio. O prédio em si era enorme, as paredes eram da queles tijolinhos vermelhos. As portas de entrada pareciam velhas e enferrujadas demais para serem abertas. Mas quando vários garotos passaram por ela, elas deslizaram sua- vemente, e voltaram a se fechar.

Caminhei lentamente pelo estacionamento, indo em direção ao prédio. Juro, meu coração parecia querer soltar pela boca, odiava ser o centro das atenções, isso era algo meio irritante. Todos não paravam de me olhar, algumas garotas me olharam de cima a baixo, como se eu fosse alguma espécie desconhecida que acabou de fugir de um laboratório. Outro grupinho de garotas me encarou, cochichou e começou a rir. Senti uma pontada de raiva, enquanto uma rajada de vento fez as folhas delas voarem por todos os lados. Que estanho, não havia vento nenhum a meio segundo atrás.

Dois garotos, com uniformes de time, estavam sentados sobre o capô de uma picape preta. O da direita tinha cabelo preto cortado curto, olhos cor de avelã e uma pele bem bronzeada, como se ele tomasse sol diariamente. Ele riu de algo que seu amigo disse, revelando dentes brancos e bem alinhados. Seus bíceps eram médios, sim eu reparei em tudo. Ele usava a tal camisa do time, que era branca com algumas listras vermelhas, com o desenho de um lobo, acima do nome Collenwoods, escrito em negrito. Sua calça jeans parecia colada ao corpo, proporcionando coxas grosas e bem definidas. Seu all star estava sujo de lama e parecia meio surrado. É, ele era um garoto bonito.

Seu amigo também era bonito. Seu rosto era bem alinhado. Seus olhos azuis pareciam brilhar de alegria, o cabelo loiro escuro era cortado curto. Ele usava a mesma camiseta do time, só que um pouco mais apertada, ele usava um jeans, que estava detonado até embaixo dos joelhos e um tênis Fila, preto e vermelho.

Ambos pararam de falar e me encararam. Desviei o olhar, quando o garoto de cabelo preto me olhou nos olhos.

~Caralho, que olhar foi esse, velho, meu coração chega deu uma batida a menos aqui ~.

Atravessei as portas de metal e entrei na escola. Respirei aliviado quando ninguém do lado de dentro, deu a mínima para a minha presença. O corredor estava lotado, algumas pessoas conversavam perto de seus armários, outros transitavam, entrando e saindo das salas de aulas. Tirei minha mochila da costa, e peguei aquele mapa, que sempre dão aos alunos novos, dentro dela. Olhei o numero do meu armário, “713”. Caminhei até ele, coloquei o segredo do cadeado e joguei minha mochila dentro dele. Pequei o caderno, algumas canetas. Dei outra olhada no mapa. Primeira aula? Fisica. ~Que ótimo~

Avistei Marck conversando com algumas garotas, enquanto caminhava para a sala no final do corredor.

A sala era grande, as janelas de vidro, no lado esquerdo, eram enormes, e quase chega- vam ao teto e paravam a poucos centímetros dos balcões, que deviam servir para algo, tipo dessecar sapinhos inocentes, que não sempre pareciam estar clamando por ajuda.

Quase todas as carteiras estavam ocupadas, menos as três perto das janelas. Me sentei na da frente, perto da mesa do professor.

Meu coração deu um salto dentro do peito e disparou loucamente, quando aqueles dois garotos da picape entraram na sala e sentaram atrás de mim.

É , essa seria uma longa aula.

Notas finais
Gente, vou dar umas dicas pra vcs entenderem a história. Sempre que tiver ~ É pensamento do Paul. ~ Nome de perso, é o pensamento do personagem. Assim ó "..." é msg ta. Espero que gostem.