Magic
5 Capítulo 5
Notas iniciais
Sabe quando parece que tem um buraco negro sugando sua alma? Bem, talvez não, mas era assim que tudo parecia estar. Sério, era como se algo estivesse tentando puxar minha alma com um alicate de ponta, doía e era desconfortável.
Senti algo duro se chocando contra o meu rosto, o que me fez abrir olhos.
– Ele não ta morto — disse Ismael. Porém sua voz parecia distante demais para eu compreender suas palavras direito.
Marck se aproximou e me olhou nos olhos, como se estivesse verificando se eu realmente estava vivo.
– Não faz isso de novo — disse ele me fuzilando com os olhos. — Se você morrer, a culpa vai ser minha, e não vou ganhar meu carro.
Ismael me ajudou a sentar, enquanto minha cabeça parava de girar e meus ouvidos paravam de zumbir, como se centenas de abelhas estivessem dentro dele.
– Nossa Marck, você é o melhor irmão do mundo. — murmurei com sarcasmos.
– Eu preciso ir — disse Ismael se levantando.
– Pode sentando. — o encarei. — E pode começar a falar o que aconteceu aqui.
Ismael me olhou de um modo apreensivo e logo depois se sentou. Ele hesitou por um segundo antes de começar.
– Eu não sei como isso tudo começou, eu só acordei a algumas semanas e tinhas essas vozes falando comigo.
– Como assim? Perguntou Marck sentando o mais longe possível de Ismael.
– No começo era apenas uma, mas depois se tornaram várias. — ele me olhou nos olhos.
~ Esse povo mexe comigo pelo olhar. Deus, que olhos lindos. Pera. Foco Paul, preste atenção no que ele está falando.~
– Eu me lembro de sonhar com — Ismael parou de falar, como se estivesse pensando em algo. — Eu me lembro de sonhar com você. E tinha aquele garoto. O Vinicius.
Senti minha cabeça dar um longa pontada de dor, minha visão ficou turva, o mundo começou a girar.
– Ei, ei — disse Ismael segurando um dos meus braços, me impedindo de cair.
– Eu to bem — murmurei, fechando os olhos por alguns segundos.
– Não, você não está. Você parece meio verde.
– Ótimo, vou virar o Hulk — forcei um pequeno sorriso, o que fez meu rosto doer. — Só me arrumem roupas novas. — abri os olhos lentamente.
– Ele sempre faz piada de quase tudo? Perguntou Ismael olhando para Marck.
– Nem sempre — Marck se aproximou, abaixando ao meu lado.
– Ou quando estou quase desmaiando. — sussurrei.
– Acho que devíamos levar ele lá pra cima — sugeriu Marck.
– Boa ideia — disse Ismael se aproximando mais. Ele passou o braço em torno da minha cintura.
– Você que aparece desmaiado no meu gramado, e eu que dou trabalho. — sorri enquanto ele me levantava.
– Ironias da vida. — disse ele sorrindo.
Por incrível que pareça, ele era mais forte do que parecia.
Ele e Marck me conduziram escada a cima, até meu quarto.
– Gente. Eu só vou dormir um pouquinho ta — sussurrei enquanto agarrava meu travesseiro. Fechei os olhos, enquanto uma doce escuridão me tragava.
...
– Vinicius -
Vinicius abriu os olhos, o suor frio cobria seu rosto e seu corpo seminu. Sua cabeça latejava, era como se alguém estivesse lhe pregando um prego em seu cérebro. A respiração acelerada.
Ele fez um leve esforço para se sentar. A cueca boxe preta estava meio apertada, deixando uma leve marca em sua cintura.
Ele levou a mão até o volume avantajado e afundou a cabeça de novo em seu travesseiro.
Aquele garoto novo não saia de sua cabeça.
– Paul — Vinicius se viu sussurrando aquele nome, como se tivesse passado sua vida inteira o pronunciando.
Ele se pegou permitindo um pequeno sorriso.
Vinicius sabia que não ia conseguir dormir novamente, não depois do sonho que teve. Ele jogou as pernas para da cama, e se espreguiçou.
O abajur estava ligado, o que o fez piscar algumas vezes para fazer os olhos se acostumarem com a luz.
Chovia do lado de fora.
– Que novidade — sussurrou ele se levantando.
O garoto caçou suas roupas, espalhadas pelo chão do quarto. Pegou o celular e plugou os fones.
Ele vestiu a calça e caminhou para fora do quarto. Colocando o celular no bolso. Estava tocando Youth quando seu estômago roncou, assim que ele passou pela porta da cozinha.
– Sanduíche — disse ele com um sorriso infantil nos lábio.
Ele abriu a geladeira e pegou os ingredientes.
Uma leve brisa fez local ficar frio, tão frio que era possível ver sua respiração se condensando. Algo se moveu entre a porta da cozinha indo até a mesa.
Vinicius tirou o rosto de dentro da geladeira, com uma colher na boca.
Ele sentiu seus pelos se arrepiarem
– Quem esta ai? Perguntou ele tirando os fones. — Ta, isso é uma pergunta idiota, mas se for você Eduardo, juro que te mato cara.
O silêncio era algo insuportável, tudo o que se ouvia era sua respiração lenta e o som que vinha dos fones. As luzes se apagaram, a única partia da geladeira.
– Sério, isso não tem graça. — disse ele impaciente.
Ele sentiu um bafo frio em seu pescoço. As vozes, meros sussurros surgiram de todas as direções.
Vinicius reuniu toda a coragem que lhe restava e se virou.
– Mas que merda é essa? — ele deixou as palavras escaparem entre seus lábios.
A sua frente se encontrava um homem, o terno imaculado, seu rosto estava sério, a pele tão pálida que parecia ser feita de marfim. Seus olhos eram completamente negros. Ele abriu a boca e soltou um longo grito.
Vinicius sentiu seu corpo sendo lançado no ar, e se chocando contra a parede oposta. O gosto de sangue lhe invadiu a boca. Ele se levantou meio zonzo e encarou aonde o homem fantasma havia estado a poucos segundos atrás.
As luzes voltaram a se acender, todas de uma única vez.
Vinicius semicerrou os olhos até eles se acostumarem com a claridade.
– Eu não estou ficando louco. — sussurrou ele. Então se virou e correu de volta para seu quarto.
Fale com o autor