Magic

19 Capítulo 19


Notas iniciais
Nunca julgue algo, sem conhecer sua história.

As vezes, as trevas nos dominam. E foi exatamente isso que eu pensei quando ele apareceu, uma forma carregada de Trevas. Não era preciso ser nenhum gênio para perceber que eu tava em encrenca, de novo. Eu estava começando a me sentir uma Bella da vida, só atraindo problema. Mas fazer o que? Era o preço de ter um sangue tão desejado por metade do mundo.

Ele era meio humanoide, bem, pelo menos era o que parecia. Seu rosto era lindo, sério, era o cara mais lindo que eu já vi na vida. Seu cabelo era branco, com algumas mechas pretas, seus olhos pareciam dois poços sem fundo. Ele me encarou e sorriu. Era um sorriso provocante, do tipo " To sorrindo para você, venha e me beije". Ele usava roupas normais, tipo uma calça jeans e camisa polo preta. Ou aquele cara tinha uns 22 anos, ou aquilo era uma plástica, e das boas.

– Olá Paul. — disse ele. E meu deus que voz era aquela. Sua voz era melhor que seu sorriso. Era do tipo que diz, sou bonito e vamos nos pegar mais tarde.

– Nossa, mais um. — revirei os olhos e o encarei. — Quem é você?

– Eu? — ele deu um sorriso com o canto da boca. — Depende de qual cultura e povo estamos falando. Eu tenho muitos nomes, mas eles não lhe serão interessante agora. — ele puxou a cadeira da escrivaninha e se sentou. — Mas vou me referir como " As Trevas" — ele levantou as mãos e fez aspas com os dedos.

– Ta, eu vou te chamar de Trevor, porquê sim, não ia conseguir ficar me referindo a você como " As Trevas", até porque eu sempre pensei que você fosse uma mulher.

Ele jogou a cabeça para trás e riu.

– Você não é o primeiro. — disse ele parando de rir. — E pode me chamar de Trevor, gosto desse nome.

– Ta, okay Trevor. Por quê você esta no meu quarto?

– Acho que você já sabe o porquê.

– Você veio me falar que tenho que impedir seu filho de levantar e blá-blá-blá. — revirei os olhos de modo exagerado. — Eu já sei disso. Afinal, por que você mesmo não faz isso? Afinal, você é " As Trevas", não é?

– Sabe, na mitologia grega, as pessoas costumavam dizer que os Deuses precisavam de semideuses para lutar por eles.

– Não estamos na Grécia, e eu aposto que não sou filho de nenhum Deus Grego. — coloquei todo o meu sarcasmo nas palavras.

– Eu gosto da maneira como você age, Paul. Talvez seja por isso que eu tenha escolhido sua alma para essa tarefa, muito antes de você nascer.

– Pera ai, você me escolheu para isso? — senti a raiva crescendo cada vez mais dentro de mim.

– Sim.

– Por que? Cara, qual o seu problema? Por que eu? Se você não percebeu, eu não sou nenhum Clark Kent, ou coisa do tipo.

– Mas você é forte, e não desiste. — disse ele cruzando os braços. — Eu vi o que você fez, e o que você faz.

– Sério? Em menos de um mês, eu descobri que sou uma coisa que eu nem posso dizer o que é, porque eu mesmo não sei. Eu perdi meus pais, e nem sei se superei a dor. Só hoje, três coisas sinistras aconteceram, meu irmão foi possuído, meu ex namorado apareceu, e agora você. — fui aumentando a voz a cada palavra, até estar praticamente gritando. — E não me faça citar a merda do Slender man lá no bosque. Porque eu to cheio dessa merda toda, é pedir demais um pouco de paz?

– Todos encontramos a paz de algum jeito Paul. — ele deu de ombro e sorriu com o canto dos lábios. — De um jeito ou de outro. Muitas pessoas procuram sua paz em outras pessoas. Outras, a encontram dentro de si mesmo. Depende do quanto a pessoa é forte. — ele me olhou nos olhos, e me senti atraído por aqueles olhos. Era como ser convidado a saltar dentro de um poço, e acabar pulando por livre e espontânea vontade. — Qual o tamanho da sua força?

– Olha, se eu sobreviver a tudo isso, eu faço questão de lhe responder pessoalmente. — desviei o olhar, porque parecia que ele estava sugando minha alma.

– Viu. — ele deu um sorriso aberto, revelando dentes tão brancos, quanto aos dos comerciais de pasta de dente. Trevor se levantou e ajeitou a camisa, que havia subido um pouco.

Me imaginei tocando aquela barriga, beijando aquele corpo, e aquela boca, que parecia me atrair a cada palavra. Senti um leve arrepio percorrer o meu corpo, ao me imaginar deitado sobre aquele corpo, só que completamente nu, me entregando, gemendo baixinho em meio a penumbra do quarto.

– Pare de me olhar assim, ou você vai acabar enlouquecendo. Pisquei algumas vezes, afastando as imagens obscena da minha mente.

– Desculpa. — murmurei corando.

– Tudo bem. — disse ele dando uma piscadela provocante. — Eu acabo fazendo isso com todo mundo. Sabe Paul. — ele pronunciou meu de modo hipnótico. — As Trevas são provocantes, elas despertam os desejos mais secretos das pessoas. Desperta o desejo de lutar por aquilo que se quer. Eu estou aqui a mais tempo que qualquer um. Já tive muitas aparências. — ele estalou os dedos e se transformou em uma mulher. Seu cabelo parecia o universo, com pequenos pontinhos brilhantes, seu rosto era pálido e seus olhos pareciam tristes. Ele deve ter se transformado em umas trinta pessoas diferentes, mas foi tão rápido, que meu cérebro doeu tentando acompanhar. — Você se importa em vir comigo? Perguntou ele voltando a forma do cara sedutor.

– Pra onde? Perguntei o encarando.

– Quero te mostrar como tudo aconteceu. — ele estendeu a mão para mim.

Olhei para a mão dele, e depois franzi a testa.

– É só uma mão Paul. Eu não vou matar você, nem vou te estuprar. — Trevor revirou os olhos, de modo exagerado.

– Eu só tava pensando em... ah deixa pra lá. — segurei a mão dele, e uma pequena corrente elétrica percorreu meu corpo.

Bem, como eu posso explicar isso? Deixa eu ver.

As paredes do meu quarto começaram a se desfazer. Serio, parecia que elas eram feitas de pele, e estas estavam começando a se soltar, uma a uma. Então tudo tremulizou, e elas se transformaram em uma fumaça escura. Isso tudo aconteceu em menos de um minuto.

Estavamos parados em meio a uma aldeia, ainda era noite. A gorda lua cheia brilhava no céu, ela lançava luz sobre as contruções de madeira, as casas, suponho. Árvores rodeavam a aldeia. Algumas tochas estavam pregadas ao lado das portas. A uns dez passos a frente, se avistava uma pequena fonte, havia uma mulher sentada na beirada. Seu cabelo ruivo caia em cachos perfeitos, ao lado das mãos que cobriam seu rosto. Ela usava um vestido florido, meio surrado.

– Aquela... — sussurrou Trevor, sua voz estava carregada de dor e tristeza. Ele ficou mudo por um momento. — Aquela ali, é Emily. — continuou ele. — A mãe de Daungher.

Soltei a mão dele e o olhei, chocado. Seus olhos estavam vermelhos, e carregados de lágrimas.

Alguém se aproximou da garota, e ela levantou o rosto. Ela era linda. Mesmo da onde estavamos eu pude perceber. Seus olhos eram de um azul escuro, a pele clara brilhava com a luz da lua. Agora eu sei porque e havia se apaixonado por ela. Emily parecia uma verdadeira deusa. Mas não parecia ter menos de 17 anos. O que era incrível.

– É você. — sussurrei observando o rapaz que se aproximava de Emily.

– Ela estava chorando pela morte da irmã, atacada por lobos na floresta. Então eu a consolei.

Trevor balançou a cabeça confirmando, e a cena mudou.

Estavamos em um campo. Acho que era primavera. Havia flores por todos os lados.

Emily e Trevor estavam deitados embaixo de uma enorme figueira. Havia uma pequena cesta de palha ao lado deles. Trevor estava sem camisa e Emily estava com a cabeça deitada em seu peito.

– Havíamos acabado de nos entregar um ao outro. — algumas lágrimas caíram, mas ele as limpou rapidamente. — Foi um ato puro, carregado de amor.

~ Eu sei como ele esta se sentindo. Eu sei como dói lembrar do passado. Ainda mais, se não o superamos. ~

A cena trêmulizou e mudou.

Estava chovendo, os pingos de chuva caiam com força, mas eu não me importei. Estavamos parados diante do vilarejo. Emily estava sentada em uma cadeira de balanço, seu olhar parecia cansado, mas ela mantinha um lindo sorriso no rosto. Ela passou a mão sobre a barriga, que já estava grande, como a de uma gestante de uns 6 meses já . Trevor se aproximou e a beijou.

– Fazia quatro semanas que havíamos descoberto a gravidez. Daungher estava crescendo rápido demais. — ele se permitiu um sorriso. Enquanto o outro Trevor beijava a barriga de Emily.

A cena mudou.

Estavamos do lado de dentro de uma casa. O ar era quente e agradável, o lugar cheirava a pão recém saído do forno. O Trevor das visões segurava um bebê nos braços, enquanto chorava. O bebê era incrivelmente lindo, sério, ele havia puxado o cabelo ruivo da mãe, seus olhos eram uma mistura de azul com preto, tipo, o azul predominava, mas havia uns riscos pretos. Era lindo de se olhar.

– Ela não aguentou. — sussurrei, tão baixo que eu me perguntei se ele tinha ouvido.

– Sim. — disse ele baixinho.

A cena mudou novamente.

Agora havia um garoto na minha frente, ele tava sentado na fonte, olhando para a água. Ele devia ter uns 14 anos. O cabelo ruivo caia sobre a testa. Seus olhos azuis com os mesmo riscos negros, de quando era bebê, não paravam em um canto. Ele moveu os dedos e a água se moveu. Ele sorriu, parecendo satisfeito.

– O resto da história, eu não posso lhe mostrar. — Trevor olhou para mim e limpou as lágrimas.

– Eu sei como é. — sorri para ele. Não me perguntem o motivo. Talvez compaixão. — É doloroso demais.

Antes mesmo que eu pudesse dizer mais alguma coisa, estavamos de volta ao meu quarto.

– Você realmente amava ela. — deixei escapar. — Sinto muito pela sua perda.

– Não sinta pena dos mortos, Paul, eles estão melhores que os vivos. — ele deu de ombro e voltou a ser o mesmo de antes.

– Posso fazer uma pergunta?

– Pode.

– Por que todos dizem que ela era uma feiticeira das trevas?

– As pessoas nunca sabem a verdadeira história, elas preferem se prender a contos a coisas que lhe foram contadas.

– O que levou Daungher a virar do mal? Ele me pareceu ser um ótimo garoto.

– O ódio é capaz de transformar as pessoas. — ele se virou e olhou pela janela. — As pessoas o queimaram vivo. Em seu último suspiro, ele jurou se vingar de todas elas. E foi isso que ele fez. Sabe Paul, o que é imortal, não morre facilmente.

– Pera, se é imortal, é porque não morre. Não é?

– Até os imortais morrem. Não é uma morte como a dos humanos, não vamos para outro plano nem nada do tipo. Apenas nos tornamos o vácuo, esquecimento.

– Ah! — que interessante.

– Quando Daungher acordou, ele voltou a aldeia e matou um por um, da maneira mais dolorosa que e conseguiu imaginar. Mas ele começou a perder o controle, ele amou matar, torturar. Em menos de uma semana, ele havia exterminado mais de 20 aldeias. Mas ele descobriu algo.

– E o que foi ?

– A cada morte, ele se tornava mais poderoso. Então ele matou o próprio irmão. Ele matou a noite.

Olhei para Trevor, completamente chocado.

– Como assim? Como ele matou a noite? A noite também é uma pessoa? Ou deus, ou seja lá o que vocês são

– Sim, chame a gente do que você quiser. — ele deu de ombro e me encarou. — Após matar Eremias, Daungher enlouqueceu por completo. Ele não estava pronto para tanto poder. Então eu chamei meu irmão, a Luz, e junto com alguns outros, nós aprisionamos Daungher. Mas você sabe como meu pai, O Universo, é, sempre criando um meio de estragar tudo. — ele revirou os olhos. — Ele criou as chaves, almas capazes de abrir a cela e libertar Daungher. E só assim, mata-lo de vez.

– Wow. Eu nunca imaginei o universo como uma pessoa. Sério, pensei que ele era o vácuo, sem nada.

– Vai por mim, ele é um pé no saco as vezes. — Trevor sorriu de modo travesso.

– Mas eu ainda não entendi uma coisa. — o encarei.

– E o que seria?

– O motivo da sua visita.

– A isso é fácil, eu vim lhe para lhe mostrar, que você precisa matar Daungher. E claro, lhe mostrar que até os piores vilões são capazes de amar.

– Como eu vou matar o seu filho, afinal ele é imortal, né?

– Você irá dar um jeito. Eu sei disso. Sim, ele é imortal, mas tem alma humana, então pode ser morto, como um mortal, só que da maneira certa.

– Você ta me confundindo cada vez mais, mas se você ta falando.

– Ele é meu filho, Paul, eu o amo. Mas ele precisa ser morto, ele precisa encontrar a a paz. Ou todos corremos um grande risco.

– Eu não lhe prometo nada. Posso dar o meu melhor.

– Você vai dar, eu sei disso. E no fim, terá aquilo que mais deseja. — ele sorriu novamente. — Você devia ir ver como seu irmão está.

– Como assim? — e antes que eu terminasse de perguntar, ele desapareceu.

Me virei e disparei para o quarto de Marck.

O encontrei sentado na cama. O rosto com marcas de travesseiro. Senti as lágrimas se formando. Abri os braços e o abracei.

Ficamos ali por um tempo, apenas abraçados.

" Você vai dar, eu sei disso. E no fim, terá aquilo que mais deseja", as palavras ficaram ecoando em minha mente.

O que eu mais desejava. Olhei para meu irmão. Era aquilo que eu desejava. Era poder ver todas as pessoas que eu amava, em segurança, felizes, longe dos perigos.

Sorri para Marck e ele sorriu de volta.

Apenas um momento de paz.

Notas finais
Oiii Gente Bem. Vcs já sabem né. Soundtrack? Eu escrevi ouvindo Dollhouse. Então, espero que vcs gostem. ♡♡