Logo depois de comermos fomos para o portal, Jorge nos seguia dizendo estar de olho me nós dois. Entramos no portal, minha avó estava na poltrona com os pés na mesa de centro. Ela nos olhou sonolenta e ao meu ver com o Malfoy deu um pulo e se ajeitou.

— O que ele está fazendo aqui?

— Não começa, vovó — eu ri e o puxei comigo — Onde estão as vassouras?

— No armário.

— Obrigada.

Pegamos as vassouras, Draco me olhou quando estava pronto, partimos, ele sabia voar bem, eu ainda estava desengonçada, nunca fui fã dessas coisas. Ele ia rápido conseguia fazer as brecadas e continuar como se corresse normalmente. Eu mergulhei quando chegamos na área do castelo, deixamos as vassouras encostadas na entrada. Fui até a estufa com o loiro. Professor Filipe conversava com alguém.

Bati na porta e a abri, meu sangue gelou e voltou a correr com dificuldade.

— Ah, Agnes, querida, venha, venha. — o professor me incentivou, Draco vinha atrás ao entrar ele também pareceu surpreso, mas não tão surpreso quanto Filipe e Neville que o encararam e depois me olharam — Deve se lembrar do Neville que me substituiu no último ano.

— Claro — sorri desajeitada para Neville, apertamos as mãos. — Ahm... Eu não queria atrapalhá-los, só vim pegar uma planta que eu esqueci.

— Qual planta? — Neville perguntou olhando em volta.

— Alfavaca — falei apontando para um vaso não multo grande.

— Ela está vendo a interação de algumas plantas mágicas com plantas trouxas, igual ao seu projeto — professor Filipe falou e Neville me olhou admirado. — Ela conseguiu algumas coisas muito legais.

— Meu avô que não está muito feliz — eu ri olhando o professor — A comedora de vaca comeu algumas cabeças de gado.

— Não tem como pará-las — Neville riu.

— Na verdade, tem sim — ele e meu professor me olharam, dei de ombros — um machado bem fincado em seu tronco resolve todos os problemas, elas ficam paralisadas — eu ri e olhei Draco — Draco me viu parando uma hoje.

— Assustador — ele falou e Neville o encarou.

— Pensei que estivesse com a Luna. — Neville falou com Draco.

— E estava — o loiro me olhou e sorriu — Às vezes venho visitar a Ag — Neville me olhou, fingi não perceber seu olhar.

— Neville? Ah, te achei — olhei a mulher que entrava, ela era ruiva como os Weasley, cheguei a pensar que poderia ser um deles, mas o seu cabelo tinha um tom diferente. — Andei pelo Castelo todo — ela riu sozinha.

— Vocês estão ficando aqui? — perguntei olhando Neville.

— Estamos — ele sorriu — o professor Filipe nos prometeu mostrar algumas descobertas novas e não podiamos vir só de passagem. — ele sorriu para Ruth.

— Hm... Bom, boa sorte — falei e querendo sair o mais rápido possível dali, Draco segurava um riso, eu o encarei.

— Agnes, queria mostrar a eles aquela sua descoberta — olhei meu professor.

— Qual descoberta? — Neville pareceu interessado.

— Preciso repetir os processos algumas vezes, professor, não sei se podemos chamar de descoberta tão cedo.

— O que é? — Ruth abraçou o braço de Neville e nos olhou curiosa.

Eu queria arrancá-la dali. Respirei fundo.

— Mandrágoras. — dei de ombros.

— Você não me falou disso — olhei Draco e dei de ombros novamente.

— Eu não sei se é algo válido ainda, estou vendo com outras plantas e...

— O que descobriu? — Draco parecia curioso, ele trocou olhares com Neville.

— Nada de mais.

— Ela descobriu uma forma de deixá-las mais tranquilas quando formos tirá-las da terra — todos me olharam.

— Foi sem querer — falei me encolhendo meio constrangida e olhei Neville — eu tropecei no vaso e ele quebrou, a mandrágora rolou até um pé de camomila e não gritou — eles se olharam surpresos.

— Camomila? — Ruth olhou Neville e Filipe.

— Temos no mundo mágico também, mas é mais utilizada por trouxas — Neville explicou — Os trouxas usam como calmante, certo? — ele me olhou, Ruth me olhou.

— Isso — falei meio desajeitada — Começamos a regar algumas mandrágoras com chá de camomila e tem resolvido, mas ainda é muito cedo para dizer a utilidade.

— Se isso realmente acontece — Neville sorriu, um sorriso largo que me lembrou nosso tempo juntos — Nosso problema com os alunos encrenqueiros acabou.

— Foi o que pensei — Filipe riu — Tanto que nas aulas do primeiro ano eu sempre dou uma regada nelas.

— Mas eu não sei no quanto isso pode afetá-las — falei — Isso ainda temos de pesquisar.

— Incrível — Neville sorriu feliz.

— Enfim, — eu sorri para eles — tenho que ir agora. Foi bom revê-lo, professor — me forcei a falar assim com Neville, acenei para eles e segui pelo Castelo.

— Ag, está tudo bem? — olhei Draco, meus olhos marejavam e eu estava me odiando por isso. — Ah, droga! Vem cá — ele me abraçou — Eu sabia que encontrar com eles não te faria bem.

— Não, tudo bem — eu limpei as lágrimas — Droga! — ele me olhou sem entender — Eu estou chorando por causa de um cara, que idiota.

— Todos somos idiotas de vez em quando — olhamos Neville, ele estava sozinho — Como você está?

— Seguindo — falei dando de ombros.

— Eu te vi na reunião, o professor Filipe dissera que você estava por lá, mas não te vi.

— Eu não queria atrapalhar sua apresentação — dei de ombros.

— Você sabe que não iria atrapalhar, te ver depois de tudo seria bom.

— Bom para quem? — perguntei e percebi que fui grossa. — Olha, Neville, esquece. Foi bom te ver.

Dei as costas para ele. Draco me seguia, ele olhou Neville e me fez parar.

— Olha... Acho que vou me arrepender disso, mas você precisa falar com ele.

Olhei Neville, eu queria falar com ele, eu queria ficar com ele, eu queria abraçá-lo. Eu queria tanta coisa.

— Vai ser pior — falei e peguei a mão dele — Vamos logo.

Eu acelerei meus passos, peguei minha vassoura e sem esperar por Draco decolei. Eu voei o mais rápido que eu já tinha conseguido, quando cheguei na minha avó quase caí durante o pouso, tropecei em meus pés até cair de joelhos no chão, fiquei ali parada, pensando... Eu realmente tinha sido muito idiota com ele, eu podia ter conversado, mas eu não conseguiria, seria difícil par amim ficar de frente para ele e ter a Ruth ao seu lado. Droga!

Me levantei e limpei as últimas lágrimas. Eu realmente vou ter de seguir da mesma forma que falei antes. Não vou poder ter esses ataques só porque ele está com outra pessoas. Ouvi Draco pousando logo atrás de mim.

— Ag... — ele parecia realmente preocupado agora — Ag, você está bem?

— Estou — me levantei e ri — Desculpa — ele sorriu.

Pegou minha vassoura e entrou com as duas. Tomamos chá com minha avó e voltamos para a casa do meu avô.