Depois do enterro fomos todos para a casa do meu avô, eu não queria ficar muito por ali, tudo só me machucava. ME despedi do pessoal e me desculpei por não poder ficar mais, fui até Draco, falei que se ele quisesse ficar poderia, mas gentilmente ele encerrou sua conversa com Luna e me seguiu até o portal que ainda se mantinha aberto.

Depois de chegarmos em casa apenas reguei minha comedora de pássaros que estava enorme e logo deveria morrer também, já era uma planta velha. Me joguei no sofá onde o loiro estava sentado tentando encontrar algo nas televisão trouxa. Ele me olhou de canto e logo se virou para atela luminosa, era a única fonte de luz no momento.

— Ah, droga! — olhei Draco sem entender sua reclamação. Não sei se cochilei ou se estive mergulhada de mais em meus pensamentos. Mas quando eu o olhei o loiro já estava a centímetros de mim e me beijou, eu o olhava sem entender o que deveria fazer.

— O que foi isso? — eu perguntei ainda meio paralisada.

Ele se jogou de volta ao lugar dele. Esticou o braço para pegar algo na gaveta da mesinha e me esticou um papel velho, manchado. Eu abri o envelope e tinha em letras enormes o nome do conselho bruxo, eu o encarei sem entender, ficando cada vez mais confusa comecei a ler.

— Então... — eu dobrei e coloquei na mesinha — Eles querem sua ajuda nas pesquisas de artes negras? — ele confirmou — Certo... — aquilo foi meio como arrancar um pedaço de mim, eu acho que me acostumei a tê-lo ao meu lado sempre. E pensar em vê-lo longe de mim era doloroso. — E você já deu a resposta?

— Eu ia te mostrar isso antes — ele falou me olhando — Mas aconteceu tudo com seu avô — eu apertei bem os lábios, droga, eu vou voltar a chorar. — Ah, não. Não, Ag. — ele me abraçou, eu chorei em seu abraço — Droga!

— Não... Tudo bem — eu falei ainda em seu abraço — Acho que vai ser bom para você. — o olhei ainda no meio do seu abraço — E não é longe daqui, vai poder ficar no apartamento se quiser.

Ele ficou em silêncio me observando, eu não sabia mais o que falar, aqueles enormes olhos cinzas me consumiam. Eu pensava que minha relação com Draco era mais superficial, mas agora eu via que não, tinhamos criado algo que eu não sabia o que era. Não sei se é um vinculo amoroso ou apenas somos amigos demais para sabermos dividir amor e amizade. Mas de qualquer forma saber que eu não o teria mais ao meu lado 24 horas por dia me deixava arrasada.

— Eu pensei muito sobre isso — ele falou me largando finalmente e eu senti falta de seus braços — Já faz um mês que essa carta chegou e eu realmente não sabia o que fazer.

— E como você decidiu? — eu perguntei meio dolorida.

— Quando vi você e Neville — eu o olhei, eu tinha encarado o papel velho em minhas mãos durante todo esse tempo. Lembrei de algo que tinha chegado até mim e eu não tinha falado com ele ainda.

— Quando você nos viu? — eu me levantei e fui até meu quarto, peguei uma carta em um papel mais novo do que o papel da dele.

— Sim, no cemitério. — ele suspirou — Eu gosto muito de você, Ag, e eu sei que você gosta muito de mim. — eu suspirei — Mas eu não posso mais ficar no seu caminho. Já faz quase dez anos e acho que você merece ser feliz.

— Mas eu sou feliz, Draco. Eu adoro ter você por aqui.

— Eu sei... Mas eu sou como um peso na sua vida, você tem de pensar direito no que vai fazer para ter certeza de que eu posso também e eu não quero mais isso, já te prendi demais. — eu peguei as mãos dele e as coloquei entre as minhas.

— Eu não ligo para isso — ele me observou, observei suas primeiras rugas, quanto tempo passamos juntos depois de tudo... — Eu realmente gosto de te ter por perto, mas se você quiser ir, pode ir — ele sorriu — Se isso for te fazer se sentir melhor.

— Obrigado.

— Tenho isso para te mostrar, também — ele pegou a carta que lhe estiquei. — Me mandaram há alguns meses, mas eu não sabia o que decidir, agora ficou mais fácil.

A carta era da Diretora, o professor Filipe estava para se aposentar e ela queria alguém para o lugar dele, se lembrou de mim e logo entrou em contato. Eu ia aceitar, com Draco comigo ou não, mas eu estava pensando em como fariamos para morar no castelo.

— Isso é fantástico! — ele falou terminando de ler a carta — E você vai poder ficar perto da sua família — confirmei.

— Então, agora — peguei o chaveiro do apartamento — Isso aqui é seu — ele me olhou. — Quitamos esse apartamento há alguns meses, ele era nosso de qualquer forma, agora, ele é seu — ele pegou a chave parecendo não entender — Você vai precisar mais dele do que eu.

— Eu não posso...

— Eu insisto, considere isso como um pagamento por todos esses anos. E eu não vou aceitar um não como resposta. — ele respirou fundo e me encarou.

— Obrigado, por tudo, Ag.

— Sou eu quem agradeço pelos seus serviços — ele riu. — Agora... — ele ficou sério — Nunca mais me beije novamente.

— Não vou, não se preocupe — eu ri e o abracei.

Passamos o resto da noite ali. Dormimos no sofá mesmo.

Draco começara o trabalho três meses depois da morte do meu avô. Eu já o tinha deixado sozinho, tinha voltado ao Brasil para começar a me adaptar a Escola. A Diretora agradeceu por eu ter aceitado seu convite, meu professor estava no último ano dele e parecia esgotado. Eu o ajudava em algumas aulas quando eu podia. Comecei a buscar um apartamento pela cidade. Como minha mãe morava por ali, me hospedei em sua casa até eu conseguir um lugar novo.

Eu ainda tinha contrato com a empresa européia. Agora eu ficava apenas com experimentos mais simples e mandava para eles relatórios semanais. Era bom para ter um complemento ao meu salário de professora.

Estar no Castelo depois de tanto tempo era nostálgico, as caiporas correndo em meio aos alunos, as aulas ocorrendo ao ar livre. Ali realmente era um ótimo lugar para se viver e dar aula.

Depois de visitar vários apartamentos voltei para o da minha mãe, ela estava em horário de almoço, comemos juntas, ela me contou como estava sendo o trabalho e era ainda mais estranho ouvi-la falando no namoradinho dela. Eu ainda a olhava e a via como esposa do meu pai, mesmo que já fizesse bastante tempo que ela e meu pai tivessem se divorciado. Depois de me contar tudo perguntou como tinha sido o meu dia e se eu não estava com algum namoradinho, minha mãe de anos atrás nunca teria me perguntado isso, ela nunca achava que um namorado era bom, principalmente para quem estava começando a carreira e agora esse é nosso assunto do almoço, realmente os tempos mudaram.

Nessa nossa breve conversa descobri que ela e minha avó achavam que eu e Draco estavamos casados ou em meio a uma união estável, expliquei para ela que eu e ele nunca tivemos nada e da minha parte nunca poderia acontecer, eu o via como um irmão mais velho. Ele para mim era como Jorge numa versão loira e olhos cinza.

Depois de uma longa conversa ela voltou ao trabalho, fiquei buscando por mais apartamentos sem ter sorte com nenhum. Eu já estava quase pedindo para morar com minha mãe.

Voltar ao Brasil estava se saindo muito complicado, mais complicado doq eu eu pensei que seria.