Magia do Natal

1 Capítulo 1


Notas iniciais
Oie! Que bom que apareceu! Aqui vai o primeiro capítulo da história. Aproveite!

—Santa, tell me if you're really there, don't make me fall in love again if he won't be here next year. Santa, tell me if he really cares, 'cause I can give it all away if he won't be here next year – os últimos acordes de uma das minhas músicas preferidas de Natal iam acabando enquanto eu cantava o final da letra junto com a Ariana. Certo, não era um super clássico, mas gostava bastante da música. A letra não definia muito a minha vida, até porque eu nem tinha alguém para ficar ou não comigo até o próximo ano ou coisa assim, mas era uma música fofa e meu Natal não podia ficar sem essas canções.

Ainda mais uma música que me fazia lembrar a minha família. Mais da minha irmã, especificamente. Era meu primeiro Natal longe de casa. Estava sozinha, mas isso não era motivo para eu ficar triste. Afinal, estava em Nova York! Quem não gostaria de passar o Natal nessa cidade maravilhosa? Passei o ano inteiro trabalhando e juntando grana para poder estar aqui. Sem contar que são poucas as meninas de 20 anos que conseguem fazer isso sozinha sem depender da ajuda de mais ninguém. Agora, não iria me arrepender.

No calendário, marquei um x no dia 22 de dezembro. Faltava pouco para o Natal e eu estava ansiosa. Essa viagem foi o meu próprio presente para o final do ano. Sabia que merecia pelo grande esforço que tive para tudo ser perfeito e também era meio que uma recompensa pelas noites mal dormidas em função do meu trabalho. Era a primeira vez que via neve, só escutava pessoas falando em inglês na rua e estava sozinha. Admito que estava um pouquinho abatida, mas prometi para mim mesma que nada abalaria o meu grande sonho.

Já estava anoitecendo e eu tinha acabado de apagar o fósforo que usei para acender uma vela que ficava em cima da mesa de jantar. O cheirinho de canela preenchia o ambiente quando escutei o telefone tocar.

—Alô? – Perguntei sem saber quem falaria do outro lado. Afinal, ainda não tinha salvado todos os meus contatos no meu celular novo que comprei assim que cheguei nos Estados Unidos.

—Meu amor, como você está? – Percebi que era minha mãe por sua voz inconfundível.

—Mamãe! – Exclamei com saudades. Na verdade, nem fazia tanto tempo que não falava com ela. Talvez um dia, mas, para mim, aquilo já era muito.

—Você não faz noção da falta que faz aqui. Estamos todos com saudades, querida.

—Espero que muita – falei brincando.

—Pode ter certeza. Seu pai e sua irmã também estão mandando lembranças, Meghan.

Até poderia disfarçar pelo telefone meu choro, mas sabia que não conseguiria segurar minhas lágrimas por tanto tempo.

—Ah, eu amo tanto vocês! Gostaria que todos estivessem aqui comigo agora. Eu... – ia falar mais alguma coisa, mas, nesse instante, a campainha tinha tocado – eu preciso desligar. Campainha está tocando e preciso atender quem quer que seja.

—Oh, tudo bem. Até mais, meu amor!

E, assim, desliguei o telefone, o deixei em cima da mesa ao lado da vela que tinha acendido há pouco e me dirigi para a porta. Tinha chegado nesse apartamento no centro da cidade nesta manhã, então não fazia ideia de quem poderia querer me visitar.

Abro a porta e me deparo com um cara alto virado para o outro lado do corredor. Pigarreio para chamar a sua atenção e fazê-lo perceber que eu já havia aberto a porta que estava nos dividindo. Então, grandes olhos castanhos me encararam e eu fiquei sem ar por um segundo.

Oh, céus! Ele é muito bonito. O que eu fiz para receber essa benção perto do Natal?

Provavelmente meu rosto estava vermelho. Sabia disso porque ele estava esquentando, mas, se eu ficasse parada como uma estátua na frente dele, as coisas iriam piorar para o meu lado. Então, resolvi arriscar, mesmo sendo muito tímida.

—Hum, oi! Quem é você? – A pergunta foi receosa, mas percebi que ele também estava sem graça. Deu um sorriso de lado e respondeu.

—Oi! Eu... bem, acho que sou seu novo vizinho ou algo assim. Vi você chegando de manhã com algumas caixas pesadas, mas não pude te ajudar, desculpa. Enfim, queria saber se você precisa de alguma ajuda ou qualquer coisa assim – ele terminou a frase sorrindo novamente.

—Ah, já trouxe todas as minhas coisas para cá. Não são muitas, já que não planejo ficar muito tempo aqui mesmo. Obrigada mesmo assim! Muito gentil da sua parte – aí foi a minha vez de sorrir. Sério, não conseguia acreditar que isso era verdade. Um cara bonito e legal falando comigo por pura vontade própria? Será que isso era um sonho?

—Não foi nada demais. A propósito, meu nome é Ben. E você, como se chama?

—Sou a Meghan. Você mora aqui há bastante tempo?

—Vim para Nova York há uns seis meses. Estou estudando aqui e conhecendo melhor a cidade. Já conheço uns lugares bem legais por aqui, se quiser ir algum dia desses – não podia acreditar! Ele estava me chamando pra sair? Tem certeza? Não sou muito acostumada com essa sorte, não.

—E eu cheguei hoje para ver um Natal com neve pela primeira vez e ver se aqui realmente acontece alguma magia no Natal. Aliás, sou brasileira – desviei do seu convite com jeito para não ficar completamente sem graça na frente de uma cara que acabei de conhecer. Mesmo que para mim isso fosse normal. Nunca tive muita sorte com os garotos.

—Brasil? Mesmo? Que legal! Sempre quis conhecer esse país. Deve ser lindo lá.

—Sim, é mesmo – sorrio com saudades da minha casa e da minha cidade natal que tanto gostava, mesmo que não estava longe há muito tempo.

—E essa magia do Natal? No que acredita? O que espera que aconteça? – Sua pergunta trazia um tom levemente engraçado, como se não acreditasse muito nessa época natalina.

—Bom, considerando que eu amo o Natal e toda essa ideia que ele traz de amor para todos, espero que algo de bom aconteça comigo.

—Confesso que não acredito muito nisso, mas vamos ver o que acontece. Depois me conta se isso funcionou – seu olhar não mostrava muita esperança nisso. Parecia meio cético em relação ao Natal e tudo de bom que ele trazia.

—Posso te garantir que, às vezes, esse milagre está mais perto de nós do que podemos imaginar – pisco com um olho para ele com uma coragem que não faço ideia da onde surgiu e, logo em seguida, fico com vergonha e abaixo a cabeça. Mesmo assim, consegui ver o sorrisinho torto dele com o canto do meu olho. – Oh, que educação essa minha. Nem te convidei para entrar!

—Não se preocupe. Nem queria atrapalhar. Era mais para ver se precisava de ajuda ou não. Mas, como não precisa, acho que vou indo. Ainda tenho que sair e resolver algumas coisas que ficaram pendentes do meu dia.

—Claro – digo meio triste, pois não queria que ele fosse embora. Estava sozinha e não queria interromper a conversa. Nem sabia quando ia conseguir falar com ele novamente!

—Ei, não precisa ficar triste – ele percebeu a tristeza nos meus olhos e, involuntariamente, tocou minha bochecha. Eu me assustei com o ato e senti meu coração bater mais forte. Não era comum os americanos serem desse modo. Mas, pelo que pude perceber, ele também estranhou, pois logo recolheu a mão. Mesmo assim, não desgrudou seus olhos dos meus.

—É só que não conheço ninguém aqui e não queria ficar sozinha por todo esse tempo.

—Não irei fugir! Meu apartamento é esse da frente. Se precisar de qualquer coisa, pode me chamar – exclamou ele depois de rir do meu comentário inocente.

—Tudo bem, então! Acho que isso é um até mais.

—É. Isso é um até mais. Até porque agora você tem uma missão – seu rosto ficou meio misterioso, como se eu tivesse que desvendá-lo para descobrir algum segredo.

—Que missão? – Não estava entendendo muito bem, mas nem foi preciso perguntar nada já que, mesmo caminhando de volta para seu apartamento, consegui escutar sua última frase.

—Fazer com que eu acredite na magia do Natal – simples assim, ele fechou a porta e eu fiquei encarando a madeira envernizada.

—Ah, pode acreditar. Você vai entender o que estou falando e vai querer saber muito além disso, Ben.

Assim, entrei novamente no meu apartamento – que nem tinha percebido que não estava mais em seu território – e, com um sorriso meio apaixonado, encostei a minha própria porta. Fui para a pequena varanda e encarei as estrelas. Já estava tarde e eu não sabia o que estava sentindo. Parecia uma mistura de emoções tão forte que meu coração poderia explodir a qualquer minuto.

Bobagem da minha cabeça, eu sei. Mas quem sabe o que eu faria agora? Será que Ben confiaria em mim? Será que ele voltaria para me ver? Ou, então, será que essa ideia louca não era só coisa da minha cabeça?

De qualquer maneira, só havia uma maneira de descobrir. E eu ia seguir até o fim. Minha missão desse final de ano era fazer meu novo vizinho americano acreditar na magia do Natal. E, com um pouquinho de sorte, eu sabia que conseguiria.

Notas finais
E aí? O que achou? Comente para eu saber também! Até o próximo
Beijinhos, Dani
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.