Magia de aniversario.
1 One shot
Me lembro muito bem daquele dia. Foi inesquecível por diversos motivos, tudo do jeito que eu queria, a data tão esperada! Ate meus amigos que moravam em outras cidades fizeram o possível e o impossível para estar em minha festa de 18 anos.
Aqui em casa os aniversários são supra valorizados, acreditamos que o dia em que uma pessoa nasce é o dia dela, e ela tem que ter o dia mais prazeroso possível. Mesmo com quem não conhecemos se é o dia da pessoa, fazemos o possível para ser um ótimo dia. E por essa superstição silenciosa tratamos de fazer ótimas festas todos os anos, porém as mais emblemáticas, com um toque megalomaníaco, concebíamos de dois em dois anos.
O dia não começou muito bem, havia levado um fora de uma garota que disse que não viria, pois não gostava de ter o “compromisso” de ficar com alguém. Puta desculpa esfarrapada! Era um sábado e essa menina com quem eu saia era além de baladeira, libertina. Ela não valia a pena, e eu sabia disso, mas a frustração de ouvir que a pessoa recusou ser sua companhia em seu aniversario supera a certeza de que ninguém daria um níquel se a conhecesse além do rostinho bonito.
Com o passar da noite, e com as péssimas influencias que são meus amigos a tira-colo , fui relaxando e bebendo descontroladamente (I S2 Open bar) ate o momento que já nem me importava se ficaria sozinha pela 18 vez no meu aniversario, afinal tínhamos 2 bartenders a disposição e um estoque alcoólico que parecia interminável, além é claro de uma maravilhosa apresentação com uma tequileira gotosíssima.
Não foi fácil...Pra tequileira. A coitada não sabia que eu era a adaptação viva do medico e do monstro, sóbria era um príncipe encantado, inteligente, carinhosa, gentil e tímida. Bêbada a situação era um pouquinho diferente... virava a miss simpatia, a senhorita foda-se e por fim... a metralhadora humana, nenhuma garota razoavelmente interessante escaparia de me dizer, no mínimo! As horas. Não que eu obtivesse muitos sucessos nas minhas conversas ébrias sobre o horário de verão...O problema e quando obtinha, eu virava quase uma exibicionista! Esta se perguntando o que isso tudo tem haver com a tequileira? Bem, ninguém tinha me avisado de que não se pode tocar em uma tequileira... Fui mais o show do que ela...
O meu pequeno show terminou com duas doses de tequila seguidas e com a tequileira apavorada dizendo que eu estava bebendo demais. Pouco me importei com a consideração dela, a festa estava tão louca que eram aproximadamente 1:30 da manha e já tínhamos alguns casos de pessoas em sofás e poças de vomito, porem um acontecimento levou metade da minha embriaguez embora. Meu amigo havia chegado com a namorada, nunca vou me esquecer de estar cumprimentando os dois quando meu olhar foi atraído quase que magneticamente pelo olhar dela. O álcool no meu sangue não havia me deixado notar a linda menina que estava atrás do meu casal de amigos. Aqueles olhos que passeavam entre verde e o azul fizeram desaparecer como magica metade do álcool no meu corpo e só deixaram espaço para uma reação... “Wow”.
Na minha opinião a tequileira foi cruelmente desbancada do posto de mulher mais gata da festa à partir daquele olhar. Preferi não me iludir, voltei para curtir a festa e recuperar o nível alcoólico perdido, não acreditava que tal menina estivesse realmente interessada, ainda mais em minha pior forma possível, descabelada, gorda e fedendo a cachaça. Tudo que tinha de bom era um bom papo e uma personalidade bacana, mas quem em sã consciência conversa em uma festa pra descobrir isso ne? Ne??
Tinha passado um tempo e quase havia recuperado 100% o álcool perdido pelo “Wow”, estava confiante, não me pergunte por que, simplesmente a vi sozinha em um canto fora da pista e fui em sua direção. Não entendo até hoje como uma situação dessas pode ser possível, tenho muitos amigos homens solteiros e algumas amigas lésbicas também, como?? Me diga como?? A menina mais bonita na festa não estava sendo perturbada?!E não me venha com “deixaram pra aniversariante” que esses amigos que tenho não guardam nem bala Juquinha para mim, quem dirá uma loira daquelas.
Refletindo um pouco mais, não acho uma solução plausível, só posso chamar de magia de aniversario, pois aquela loira estava sozinha, afim de conversar em uma festa e dando bola pra mim naquele estado. E o mais incrível e que ela estava sóbria! O culto aos aniversários vingou frutos.
A conversa foi curta, descobri que ela era um ano mais velha e seu aniversario era em poucos dias. É incrível como a conversa sobre signos nasce entre lésbicas como se fosse um bom dia, acho que e um pré-requisito ou algo quase ritualístico, enfim, sussurrei em seu ouvido perguntando o que ela acharia de ficar comigo e ela me beijou como resposta. Aquele beijo foi incrível, encaixou como se o repetisse todos os dias, sentamos em um banco próximo e continuamos aquele beijo calmo e preciso como se fosse treinado.
Paramos o beijo e olhamos pro lado em sincronia, tinha um moleque com seus 13 anos observando a gente fixamente, só ai reparamos que o banco era na passagem pro salão de festas, super discreto pra não dizer o contrario, todos que passavam ficavam chocados e paravam pelo menos 15 segundos pra entender a situação. Sem graça falei:
—Não ta muito discreto ne rs- corei um pouco e ela falou em seguida.
—Verdade, não tem um lugar mais discreto pra ficarmos não...- gelei... aquele tom me pegou por instinto, malicia pura, respondi o mais natural que conseguia, o que em media beira a zero.
—Bem... tem a minha casa que é perto, e tem um quarto no segundo andar, o que você prefere?- Direta demais? Não sei, só sei que deu certo.
—O que for mais perto- Dei graças a Deus por termos reservado uma pousada para fazer a festa, adoro comemorações faraônicas, definitivamente elas vem a calhar.
Subimos pro segundo andar, peguei a chave do quarto em que dormiria com meus amigos mais próximos, o maior da casa, mas o que definitivamente estaria vazio. Duvido que algum daqueles alcoólatras saíssem da festa, seja pro que fosse.
Entramos no quarto e ela agiu como se estivesse em casa, pegou a cama que julgou melhor, e fez as coisas a sua maneira, tudo com ela rolava perfeitamente, era como se tivessem passado o tutorial pra ela. O desenrolar daquela hora é detalhado demais, se fosse contar iria me empolgar e me perder em linhas, mas lhe afirmo que foi incrível.
Ela estava dormindo nos meus braços ao final, eu já cogitava em mandar o foda-se pra festa e ficar ali do lado daquela musa, porém uma voz proveniente da caixa de som me gritava do primeiro andar enquanto questionava a minha ausência, e em um instante todos questionavam também.
—Porra o parabéns- Com certeza eu não escaparia dele, logo me achariam e acabariam com meu mundinho perfeito. — Gata acorda.
—Hum..Que foi? Só mais cinco minutos.
—Ta na hora do parabéns- Ao dizer isso, vejo ela recobrar os sentidos e se levantar.
Procuro pelo cômodo meus óculos, (sim, cara de nerd pra variar) e quando os encontro já sóbria, realizo o nível da garota que estava em meus braços a menos de três minutos. Ah como eu queria matar esses Filhas da Puta que me tiraram do meu mundinho de fadas. Chegamos lá embaixo com as caras mais lavadas do mundo, roupa amarrotada e juba de leão, como é possível fingir que nada aconteceu? Minha cara de pau me impressiona nesses momentos.
O resto da noite correu como o previsto, comas, micos e o famigerado parabéns. Eram tantas pessoas para dar atenção que me distrai, e quando dei por mim ela já havia ido embora com meu amigo e a namorada. E assim foi, sem números trocados ou sequer sapatinho de crystal, a princesinha dos meus dezoito sumiu sem alarde, e por ter me afastado desse amigo, não há vi mais.
Quase um ano se passou, esta chegando a época de novo e vamos fazer outra festa. Esse ano meu amigo vem de novo, será que ele me traria um presente? Talvez seja demais se animar com uma magica de aniversario...
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